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quinta-feira, 24 de fevereiro de 2005

Tempos difíceis

Parece ter sido a expressão utilizada por José Sócrates para avisar os seus camaradas. É um sinal positivo de quem tem consciência do que o espera. Decerto consultou o Indicador Avançado da OCDE que, para Portugal, não antevê qualquer inversão do ciclo económico durante os próximos seis meses. Foi esse mesmo indicador que anunciou a crise ao Eng.º Guterres, nos primeiros meses de 2001. Por vezes a história é cruel, outras vezes justa. Neste caso consegue ser, ao mesmo tempo, justa e cruel.

1 comentário:

JSintra disse...

Depois de ler o seu Post lembrei-me, que em:
2001- Guterres, depois de ter aproveitado um longo período de vacas gordas, acabou por claudicar/desistir.
- Motivo (oficial): Hecatombe do PS nas eleições autárquicas e "evitar que o país caísse num pântano político”. Quanto a mim foi simplesmente incapacidade e incompetência para resolver a crise.
2004 - Desde a sua nomeação como PM, Durão Barroso adoptou o "discurso da crise" e impôs uma política de contenção orçamental, justificando a necessidade dessas medidas com a "pesada herança" deixada pelos socialistas.
Mas dois anos depois de ter levado o PSD de volta ao poder e formado uma coligação com o CDS/PP para "assegurar estabilidade" política, Durão Barroso demite-se do cargo de primeiro-ministro.
- Motivo (oficial): para presidir à Comissão Europeia. A meu ver, os principais motivos foram os mesmo que Guterres. Senão tenho que aceitar, o que nessa ocasião a maioria dos portugueses concluíram: que Durão Barroso preferiu os seus interesses pessoais aos interesses de Portugal.
2004 - O Presidente da Republica dissolve o Parlamento.
- Motivo (oficial): a maioria parlamentar esgotou a capacidade para gerar novos governos e inverter as tendências de crise e de instabilidade.
Na realidade não foi só pela instabilidade política, mas sobretudo, na incapacidade e incompetência de Santana Lopes, para resolver a crise.
Bolas, não acredito! De Guterres, a Santana Lopes, passando por Durão Barroso, para mim, os principais motivos das demissões de uns e de outros, são os mesmos. Claro que há diferenças e “nuances”, mas seriam exaustivas expor aqui. Obviamente que as circunstâncias, as causas e os momentos não foram iguais para todos.
Finalmente a única diferença e ela tem a sua importância, PSL foi o único que não demissionou.
Conclusão: espero que a expressão utilizada pelo Dr. David Justino, " Por vezes a história é cruel", não se volte a aplicar desta vez, para bem de Portugal.