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quinta-feira, 22 de junho de 2017

Portanto...tudo se resolve com mais uma leis. Urgentes.

Portanto, e ao que ouço, a culpa é do ordenamento do território, dos pinheiros e dos eucaliptos, dos proprietários das matas, dos madeireiros e fogueteiros e até do raio da trovoada seca. Podíamos ir mesmo até ao D. Dinis, que criminosamente mandou plantar o pinhal de Leiria, os até aos navegadores portugueses que, chegados a Malaca, facilitaram o caminho para a Austrália e, com ele,  a vinda dos pérfidos eucaliptos.
Portanto, e a ser assim, como nos dizem todos os responsáveis, Estado, Governo, Protecção Civil não podem ser responsabilizados pelos danos patrimoniais e pessoais causados pelos fogos, já que conceberam todo um aparato pronto a actuar em defesa de pessoas e bens, desde que em território naturalmente limpo de  pinheiros e eucaliptos e mesmo de vegetação rasteira, e sendo as planeadas matas remanescentes imunes a toda essa cáfila de gente que vive à custa da floresta e, como dela vive, se diverte a lançar-lhe fogo.
Pensar que a protecção civil devia ser pensada para cobrir a situação que existe é não compreender as cabeças brilhantes que a concebem para actuar nas situações que definiram como ideais de ordenamento territorial, precisamente aquelas para a quais a protecção civil nunca seria necessária.
Estão pois desresponsabilizados. Tudo foi feito. Nada mais há a fazer, a não ser mais umas leis que reforcem as irresponsabilidades de quem nos vem governando.
PS: Claro que são precisas medidas preventivas; mas a falta delas ou o seu não cumprimento não eliminam a responsabilidades por falta ou deficiência de acção das entidades públicas. Nada de confusões, como parece ser o que se pretende para alijar responsabilidades.

5 comentários:

Rui Fonseca disse...

Caríssimo António,

Subscrevo.

As primeiras declarações de absolvição do PR (foi feito tudo o que podia e tinha que ser feito ...) foram precipitadas. Mas, opinam alguns, foram as mais adequadas ao momento.
Desde o momento em que ouvi as primeiras notícias, disse e anotei no meu caderno de apontamentos, que considerei obtuso o coro que ouvi de desresponsabilização.
Acredito que a dimensão da tragédia desta vez vai obrigar a esclarecer o que se passou e a mudar quem e o que deve ser mudado.
Mas isso só é possível se for sustentado por um pacto de regime abrangente que fixe objectivos consensuais de longa duração.

E o que deve ser mudado, sob pena de nada se mudar, é, desde logo, a reestruturação da propriedade rural de forma a garantir-lhe viabilidade económica. Portugal tem cerca de 360 mil propriedades silvícolas. A silvicultura, como qualquer actividade económica, tem de ter dimensão adequada que a tornem atractiva e auto suficiente.


Pinho Cardão disse...

Caro Rui:
Concordo com o que referes, mas há que distinguir entre o que devem ser as medidas com efeitos a médio prazo e a acção imediata no terreno em caso de catástrofe.
Ter um sistema de comunicações de emergência que funciona em situações normais e deixa de funcionar em situações de catástrofe, como este e outros incêndios, para que serve? Se esse serviço tivesse funcionado, as coisas seriam iguais?
Ter um serviço de protecção civil porventura muito bem preparado para actuar em condições ideais de ordenamento do território, mas que falha por completo em ocasião de crise, para que serve? E ele foi criado precisamente para actuar em situação de crise.
Justificar falhas graves de actuação levantando a questão do mau ordenamento florestal, como vem sendo feito, é mais um passo para novos desastres e para uma burocracia de protecção cada vez mais inútil.
Se a protecção Civil tivesse intervindo ligo que chamada, as coisas seriam iguais?
É que morreram queimadas mais de 60 pessoas e essas mortes exigem respeito.

Rui Fonseca disse...


Estamos de acordo.

Vasco Ja foste disse...

"gente que vive à custa da floresta e, como dela vive, se diverte a lançar-lhe fogo"

Meu caro, lapidar esta frase.

Eu como sou um liberal, acho que o problema está em haver poucos a viver da floresta. Na minha análise existem muitas restrições para quem quer cortar, plantar árvores, deixa-se ao acaso o seu crescimento.

Se pudessem plantar a espécie que mais lhe dariam lucro por certeza que esses silvicultores cuidariam da sua floresta.

Para mim trata-se uma questão de LIBERDADE E DIREITO DE PROPRIEDADE.

Sobre os eucaliptos serem o problema, é uma questão de muito pouca aderência à realidade. como refere os eucaliptos são provenientes da Austrália um continente com temperaturas elevadíssimas. - Não me parece que em portugal os eucaliptos sejam mais pirotécnicos que no seu continente de origem. Mais uma teoria do pós-modernismo.

Pinho Cardão disse...

Caro Rui:
Os bons espíritos sempre acabam por encontrar-se...

Caro Vasco Ja foste:

Também aqui se criam mitos slogans e os eucaliptos tornaram-se mito e slogan e nada como um mito e um slogan para "fundamentar" qualquer acção política. Por essas e outras estamos como estamos.