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quarta-feira, 21 de setembro de 2005

Outono


Uma névoa de Outono o ar raro vela,
Cores de meia-cor pairam no céu.
O que indistintamente se revela,
Árvores, casas, montes, nada é meu.

(Fernando Pessoa)

A Constituição


A Constituição da República é grande: tem 300 artigos, decompostos em milhares de números e alíneas.
Contém também um Preâmbulo onde se estabelece o objectivo de “abrir caminho para uma sociedade socialista”.
Na opinião dominantemente publicada, é igualmente grande em termos qualitativos, é mesmo o super sumo das Constituições, um farol para o mundo.
Com esta grandeza, se poucos portugueses a entendem, a culpa é dos portugueses e da sua ileteracia.
Também os Governos não têm compreendido as suas disposições, propondo leis anticonstitucionais, mas a culpa é dos Governos, autoritários e incompetentes.
Por sua vez, os Deputados da Situação passam 99% do seu tempo a esgrimir insconstitucionalidades nas propostas da Oposição e os Deputados da Oposição passam outro tanto tempo a espreitar as inconstitucionalidades das propostas do Governo.
Depois de todos estes crivos, os Assessores da Presidência voltam a analisar, numa perscurtação finíssima, se alguma bactéria ou vírus de inconstitucionalidade poderão ainda contaminar os portugueses.
A seguir, o Presidente da República, numa atitude de apaziguamento de todas as suas dúvidas metafísicas, envia o texto para o Tribunal Constitucional.
No laboratório do Tribunal, são feitas análises e contra análises e, muitas vezes, ainda é surpreendido um micro vírus que é preciso eliminar, de modo a não afectar os pobres cidadãos.
E no devir de todo este processo, também a Comunicação Social dá opinião.
E chama advogados, juristas e constitucionalistas profissionais de vários extractos, que, sempre no condicional, opinam, normalmente de forma divergente.
Os Portugueses, além de não entenderem a Constituição, passam também a não entender os Governos, os Deputados, os Assessores, a Presidência, os Juristas e os Constitucionalistas!...
Mas, neste caminho de excitação jurídica, atingiu-se, agora, o orgasmo interpretacional, a propósito do número de sessões legislativas de cada legislatura, quando os comummente designados pais da Constituição, ilustres Professores de Coimbra e Lisboa, os que conceberam grande parte das suas disposições, as discutiram e fizeram aprovar, não se entendem sobre o que escreveram!...
Se não se entendem, não souberam o que, então, escreveram.
E demonstram que, afinal, a sua iliteracia é tão profunda como a dos portugueses que não entendem a Constituição!...
E se já nem quero perguntar se, não sabendo o que escreveram, souberam o que andaram a fazer!…
"Sans rancune", e passe o exagero, caros Professores!…
Mas concordarão que uma Constituição como esta não pode deixar de nos levar a um socialismo bem real!..

Fé e economia

A economia portuguesa "não entrará em recessão este ano", garantiu ontem Teixeira dos Santos. Depois desta garantia dada pelo Ministro das Finanças confesso que fico um pouco mais descansado relativamente às perspectivas económicas nacionais. Decerto que os fundamentos da garantia não serão os indicadores de conjuntura do INE que parecem ser mais pessimistas que o MF. O Ministro deverá ter outros indicadores que nós não conhecemos ou então trata-se de uma questão de e não de previsão económica.
Esta será a razão porque a Comissão Europeia "convida" Portugal "a continuar a melhorar a recolha e o tratamento das estatísticas do sector público administrativo, o que significa que a própria CE não acredita nos dados oficiais.
Conclusão: a crise só existe nas estatísticas, fora delas o cenário é bem mais prometedor e das duas, uma: ou temos fé ou não temos. Deus é grande!

terça-feira, 20 de setembro de 2005

Mobbing político

Em miúdo ficava fascinado com um certo número de pessoas, que, mais tarde, vim a identificar como treinadores de bancada. Curiosamente continuam a fascinar. São danados! Definem as estratégias, escolhem as equipas, dizem quando é que um jogador deve ou não ser substituído, idolatram ou desprezam o treinador. São capazes de estarem horas e horas, com ar meio aparvalhado, a discutir tudo quanto diga respeito ao seu clube, aos jogadores, às transferências, aos árbitros. E, não se cansam. Quando a sua equipa perde não é mais do que um sinal de incompetência do treinador e, simultaneamente, acaba por “provar” que se tivessem seguido a sua táctica teriam naturalmente ganho. Mas quem escolhe o treinador não são os adeptos são os donos ou gestores do clube. No entanto, são capazes de fazerem tudo para correr com ele, manifestando o clássico desagrado "clubístico".
No caso da política, quem escolhe os eleitos são os cidadãos com a força do seu voto. Assim, poderão escolher o melhor treinador para o país ou para qualquer cargo autárquico. Aqui, os “dirigentes de bancada” têm uma possibilidade única de escolher o responsável por uma equipa. Claro que, quando estão desagradados com a situação criada pelo responsável máximo, têm a possibilidade de o substituir nas eleições seguintes. O curioso é que os argumentos aduzidos são, em essência, não muito diferentes dos defendidos pelos treinadores de bancada, os quais têm sempre as melhores soluções. De qualquer modo, a grande diferença entre os dois tipos de treinadores de bancada do futebol e da política, é que os últimos põem e dispõem dos seus dirigentes. E, ainda bem! Mas, a escolha, por vezes, levanta algumas interrogações. Como é possível escolher um dirigente para uma determinada autarquia com aquele perfil que, todos, ou melhor, quase todos, deveriam ser capazes de ver que não é sinal de bom augúrio? Os casos mais mediáticos estão aí e, diariamente, são alvos de notícias e de comentários. Mas, a par destes, existem condutas que merecem alguma reflexão, sobretudo nas pequenas localidades onde todos se conhecem e dependem uns dos outros. A existência de formas de condicionamento da liberdade democrática é uma constante. Não se trata de condicionamentos elaborados ou sofisticados, mas sim do género de advertência directa do tipo: “se fores na lista dos outros estás tramado, porque dou-te cabo do negócio”, ou então, um membro da lista vem muito secretamente confidenciar ao candidato da oposição de que vai votar nele, “mas não digas nada”. Talvez constitua uma forma de jogar no negro e no vermelho, ao mesmo tempo, assegurando o seu futuro imediato caindo nas graças de ambos os candidatos. Claro que há também aqueles que afirmam que não sabem nada de política, nem querem saber, para eles está tudo bem. São pequenos exemplos, entre muitos outros, em que o emprego e a sobrevivência dependem, muitas vezes, de terem caído, ou não nas boas graças do chefe local. Frequentemente, a autoridade máxima utiliza as regras democráticas, mais para legitimar atitudes autocráticas, numa verdadeira falsidade teatral, do que propriamente estimular e acarinhar o debate democrático. A oposição ou discordância, não raras vezes, são confundidas como ataques pessoais, e, consequentemente, as reacções são das mais diversas, entre as quais se destacam algumas das ameaças já enunciadas ou a terrível, humilhante e arrogante falta de saudação, como sinal de aviso a todos os demais, o que configura actos equivalentes ao mobbing profissional.

O Advogado visto por...

Foi lançada hoje a publicação em imagem.
Trata-se do registo de um ciclo aberto de conferências promovidas pelo Conselho Distrital de Lisboa da Ordem dos Advogados durante todo o ano de 2004, que decorreu nos fins de tarde das últimas sextas-feiras de cada mês no cenário magnífico do magnífico Palácio Fronteira em Lisboa.
Tratou-se de desafiar personalidades significativas de diferentes sectores a dizerem o que pensavam dos advogados e da advocacia. O advogado foi aí visto pelo jornalista (Carlos Magno), pelo político (Marques Mendes), pelo militar (Vasco Lourenço), pelo cineasta (Fernando Lopes), pela Igreja (D. José Policarpo), pelo juiz (Noronha do Nascimento), pelo engenheiro (Fernando Santo) e pelo comissário europeu (António Vitorino).
As abordagens foram mais surpreendentes do que se esperava, e por isso a obra agora publicada vale pela garantia da memória de alguns destes originais depoimentos.
Transfiro para aqui um pouco do que disse Carlos Magno logo na primeira conferência que aliás coincidiu com o auge do debate nacional sobre as relações dos actores da justiça com os media:

"Nos tempos que correm, e à medida que as coisas vão evoluindo, o jornalista é uma espécie em vias de extinção, e o advogado um profissional em vias de se transformar num técnico de notícias".
-
"Conheço jornalistas da área económica que todos os dias escrevem sobre o PSI20 e pensam que escrevem sobre uma reunião de 20 psicanalistas e psicólogos. Digo isto sem ironia".
-
"Há jornalistas que escrevem sobre as coisas mais incríveis e que não sabem sequer o que significa a palavra alegadamente, a palavra que mais invadiu o discurso jornalístico. É a alegada vítima, o alegado assassino, a alegada testemunha...Os relatos jornalísticos dos tribunais é de se ficar com os cabelos em pé!".

A intervenção de Carlos Magno e o debate que se seguiu, foram plenos de desmistificação e coragem para olhar criticamente para dentro da própria profissão e conseguir sem complexos apontar as grandezas mas, com grande crueza, as misérias.
Oxalá os advogados tenham aprendido algo desta lição como de todo o ciclo, importante para se contrariarem as pulsões corporativas que continuam a caracterizar muito do mundo da advocacia, não contribuindo para a reabilitação do sistema de justiça e do prestígio de uma profissão essencial à salvaguarda dos direitos das pessoas.

Simon Wiesenthal (1908-2005)

Morreu aquele que era considerado a memória viva do holocausto.
Que com ele se não apague a memória do horror.

A resposta de Vital Moreira

Vital Moreira teve a amabilidade de tentar esclarecer as dúvidas que enunciei sobre os fundamentos da decisão de Jaime Gama em aceitar a proposta de referendo apresentada pelo PS. Quero antes de mais agradecer o gesto e voltar a colocar outras dúvidas resultantes do seu esclarecimento.
1. Compreendo que o n.º 2 do Art.º 171.º constitui uma excepção à regra das "quatro sessões legislativas", tal como a dissolução constitui a outra excepção. O problema está na forma como se concretiza essa excepção.
2. O referido n.º 2, não determina que " a legislatura da AR então eleita é acrescida da parte da sessão legislativa que estava em curso à data da eleição" como refere Vital Moreira. O que lá está é mais rigoroso: "...a Assembleia então eleita inicia nova legislatura cuja duração será inicialmente acrescida do tempo necessário para se completar o período correspondente à sessão legislativa em curso à data da eleição". O problema está em saber se o tempo inicialmente acrescido constitui ou não uma sessão autónoma. Na forma e no espírito do princípio do quadriénio parece-me lógico ( e a mais uns tantos ilustres constitucionalistas) que não.
3. Continuo a pensar que o problema só se colocou ao Sr. Presidente da AR, Dr. Jaime Gama, pela necessidade de encaixar o referendo no calendário do Partido Socialista e não por previamente se ter aceite e aplicado a tese do Prof. Vital Moreira. Será que sou eu que estou a deturpar e a desvalorizar tão esclarecido raciocínio do Dr. Jaime Gama?
Por fim, se a conformidade do procedimento legislativo fôr reconhecida pelo Tribunal Constitucional poderá o Prof. Vital Moreira ter a certeza que não manterei a minha " radical, e temperamental, oposição ao mesmo". Ficarei decerto "vencido", mas não "convencido". Para além disso, fico apenas curioso em saber como reagirá o Prof. Vital Moreira se o TC rejeitar a sua interpretação.
Os melhores cumprimentos.

segunda-feira, 19 de setembro de 2005

Devemos apoiar os Candidatos da 4R II-Lamego


Lamego, tal como foi deixada por D. Afonso Henriques e pelo actual Executivo
Ferreira de Almeida candidata-se a Lamego, terra de gente fidalga e democrata, de boa comida e excelente bebida, de gente alegre e bem disposta.
Outra característica muito peculiar das gentes de Lamego é o carinho que nutrem pelo “lugarejo” da Régua e o enlevo que sentem por terem Viseu como capital de distrito.
Terra de tradições, foi em Lamego, na Igreja de Almacave, que se realizaram as primeiras Cortes de Portugal, no ano de 1139.
Entre outras deliberações, foi-lhes atribuída aquela em que se excluía “da sucessão da coroa…a filha de rei que for casada com estrangeiro”.
Contudo, há quem sustente que a acta que contém tal deliberação foi forjada, no tempo dos Filipes, para sustentar a luta pela autonomia, em relação a Castela...
Aqui vão as minhas sugestões ao Ferreira de Almeida, para o Programa Eleitoral do PSD.
1-Promover um referendo sobre o que fazer com o vizinho lugarejo da Régua: transferi-lo para a Coreia do Norte, abrir totalmente as comportas das barragens do Varosa e da Régua, ou, magnanimamente, transformá-lo num parque exótico vedado?
2-Obrigar os membros do actual Executivo Camarário a usar, durante um ano, as máscaras de Lazarim, com um nariz de pinóquio
3-Fazer um “up-grading” mediático da Queima do Judas em Lalim, convidando o Prof. Carrilho para interpretar a figura principal. (Assim como assim, o Prof. Carrilho também “trocou” o Dinis Maria por um spot publicitário na televisão…No entanto, os Candidatos tomam o compromisso de que não se vai além de uma leve “chamuscadela”, como exige a boa formação dos povos de Lamego!...)
4-Exigir que o próximo Presidente da República, para ter o voto dos lamecences, se comprometa a que o Presunto e as Bolas de Lamego, os Milhos com Entrecosto de vinha de alhos, as Cerejas da Penajoia, os Biscoitos da Teixeira e os Espumantes da Raposeira façam parte das ementas oficiais do Estado Português, em Portugal e no Estrangeiro, e que o pessoal de serviço em Belém tenha como atavio obrigatório as capuchas de Penude.
5-Proteger os “remédios”, criando um movimento que leve os portugueses a uma contínua subida e descida das escadarias dos ditos, e contra os genéricos e os falsos medicamentos.
6-Exigir que o Expresso publique semanalmente uma Crónica de Lamego, sob pena de o Dr. Balsemão ser obrigado a tomar banho no Inverno no rio com o seu nome e, cumulativamente, pagar os arranjos florais na Igreja de S.Pedro de Balsemão por cada semana falhada.
6-Reinvindicar que a 1ª Sessão Legislativa de cada Legislatura das actuais Cortes se reúna na Igreja de Almacave. (Justificação: se parte das Actas das Cortes de Lamego foram forjadas, como se referiu no início, trata-se do local ideal para forjar as sessões que extravasam das quatro de cada Legislatura…)
Aceitam-se mais sugestões.
Com isto, a vitória é difícil, mas será nossa!...
Força, caro Ferreira de Almeida!...

A Apologia de Sócrates por Platão

A morte de Sócrates, de David

Dando curso ao propósito de prestar serviço público cultural, a 4R divulga mais um trecho de um clássico (download da versão integral aqui). Assim começa a parte V da Apologia de Sócrates:

"Algum de vós, aqui, poderia talvez opor-me: - Mas Sócrates, que é que fazes? De onde nasceram tais calúnias? Se não te tivesses ocupado em coisa alguma diversa das coisas que fazem os outros, na verdade não terias ganho tal fama e não teriam nascido acusações. Dizes, pois, o que é isso, a fim de que não julguem a esmo".

As eleições alemãs e nós

Enquanto Schroder e Merkel reivindicam vitória, a primeira leitura que consigo fazer dos resultados das eleições alemãs é a de que todos perderam. E quando digo todos incluo a União Europeia e nós próprios, portugueses. Não quero ser pessimista mas o quadro saído destas eleições só trará incerteza e instabilidade quanto à urgente definição de um rumo para a Europa. A locomotiva alemã está gripada, a francesa de há muito que não puxa por ninguém e a nossa carruagem continua parada neste triste apeadeiro.
A segunda leitura resulta da manifesta incapacidade de Angela Merkel de mobilizar a opinião pública alemã e o seu próprio eleitorado. Depois de um ciclo social-democrata desastroso, o resultado obtido pela CDU/CSU é ainda mais desastroso.
Isto está preto...

Medicina do Trabalho e Bombeiros

A notícia de que os “bombeiros exigem cuidados médicos” publicada hoje no DN obriga-me a perguntar por que razão não existe um serviço de medicina do trabalho a nível do Serviço Nacional de Bombeiros. Em tempos, fui contactado e fiz todo o esforço no sentido de ajudar a criar serviços de medicina do trabalho para este tão importante sector. É lamentável a inexistência de um serviço de vigilância e de protecção da saúde dos bombeiros que correm riscos profissionais muito graves. Também não deixa de ser lamentável que altos responsáveis não tenham aceite as sugestões, as recomendações e todo o auxílio à constituição de tão importante serviço. Enfim, mais um retrato nacional. Temos legislação que obriga a isso, temos capacidade técnica e científica mais do que suficiente par dar resposta às necessidades e, no final, obrigamos pessoas a correrem riscos que se irão prolongar ao longo da vida com consequências difíceis de quantificar.

Noite de glória

Um dos comentários a esta nota da Suzana Toscano (como vêem sou aluno atento e bem comportado, e por isso já não escrevo post e prometo que também não vou escrever link...), justifica que se dê destaque a uma diferente perspectiva do muito badalado "debate" de há dias entre os Professores Carmona e Carrilho.
Nesse comentário escreveu-se que o que a SIC procurou não foi o debate esclarecedor, foi o debate caceteiro.
Não posso estar mais de acordo.
Para a SIC - e para sermos justos, para a generalidade dos media que vendem imagem -, o que menos interessa é o esclarecimento que o debate deveria proporcionar.
A divulgação ad nauseam das vergonhosas imagens do desmontar da peixeirada, são a prova disso.
Mas a condução do debate é, a meu ver, melhor prova ainda. Os insultos só aconteceram porque o jornalista de serviço, que deveria servir de moderador, não quis ou não o deixaram por termo às constantes agressões ao estilo dos melhores tempos do alfacinha (saudoso) Mercado da Ribeira.
Para a SIC Notícias foi, decerto, uma noite de glória!
Só ali faltou aquele sorriso aberto e feliz de Fátima Campos Ferreira, com que sublinha os momentos de "quanto pior melhor" do programa que conduz na concorrência.
Não é, porém, previsível qualquer transferência da RTP para a SIC, uma vez que esta, como se viu, se mostra bem servida.


Devemos apoiar os Candidatos da 4R


Loures
Os nossos companheiros da 4R, Massano Cardoso, Ferreira de Almeida e Suzana Toscano apresentam-se como candidatos a Presidentes da Assembleia Municipal de Santa Comba Dão, Lamego e Loures, respectivamente, e o Dr. Miguel Frasquilho é candidato a Presidente da Câmara de Loures.
Profissionais ilustres, não financeiramente político-dependentes, é de apreciar a vontade de ajudar o país, pondo ao serviço da comunidade a sua competência, prestígio e conhecimentos.
Com a sua eleição, a 4R sentir-se-á manifestamente honrada.
Por isso, é nosso dever ajudá-los, estimulá-los e dar-lhes sugestões.
Por mim, aqui vai uma primeira sugestão para os candidatos a Loures, a bem dos povos da região.
Sugiro que o Programa do PSD inclua os seguintes cinco objectivos:
-1º- Elevar a património mundial o vinho de Bucelas.
-2º- Reinvindicar para Loures o pão de ló de Odivelas.
-3º- Construir um espaço verde na ponte de Frielas
-4º- Levar os eleitores ao Tibério, a saborear umas morcelas!...
( A rima foi por mero acaso)!…
-5º -Recuperar o Senhor Roubado a quem o desviou (como saberão, localiza-se ao fundo da Calçada de Carriche)- este objectivo é fundamental!...
O desleixo dos anteriores executivos em tal recuperação envergonha os povos de Loures
Como tal, o programa deverá prever para este acto estruturante toda a verba que resulte do aumento das receitas proveniente da baixa de impostos prometida pelo Dr. M. Frasquilho.
Com este programa, a vitória é difícil, mas é nossa!…
E se todos déssemos uma sugestão aos nossos candidatos?
Seguir-se-à o programa para Lamego e Santa Comba.

Algumas dúvidas genuínas colocadas a Vital Moreira

Li com muita atenção a nota colocada por Vital Moreira no Causa Nossa relativamente à interpretação do Art.º 171.º da Constituição. A tese do ilustre constitucionalista admite, em situações de uma nova legislatura resultante de eleições antecipadas, 5 sessões legislativas, das quais a primeira é "autónoma" a que se seguem mais quatro.
Primeira dúvida: como é que essa tese se compadece com o estipulado no n.º 1 do referido artigo que estipula objectivamente que a "legislatura tem a duração de quatro sessões legislativas"?
Segunda dúvida: considerando a sessão terminada em 14 de Setembro último como "autónoma" porque é que aparece identificada como I (Primeira)?
Terceira dúvida: a legislatura iniciada em 5 de Abril de 2002 que se prolongou até 14 de Setembro de 2003 constitui precedente ou não. Se não, deverá ser considerada inconstitucional?
Quarta dúvida: é possível admitir que as interpretações possam ser diferentes de legislatura para legislatura, ao sabor de que critério?
Eu aceito que a interpretação de Vital Moreira, já exposta em 1985, estará "acima de toda a suspeita". Estará a posição de Jaime Gama - que era Deputado em 2002 - e do Partido Socialista - que não se opôs à interpretação contrária em 2002 - acima de qualquer suspeita?
Não, não estão! Chama-se a isto golpada a que poderemos acrescentar agora o termo "constitucional".
Esta é a primeira grande machadada no referendo sobre a IVG. Depois não se queixem que à "direita dos costumes" seja reconhecida a razão que lhe é devida.
Para mim a opção é muito simples: Referendo assim NÃO!

domingo, 18 de setembro de 2005

Antes quebrar que torcer

Há casos em que se justifica teimar e mesmo impôr uma decisão, ou porque se está convencido de que a alternativa é mesmo má, ou porque convém marcar uma posição para não se confundir com a do adversário político e desse modo se separarem claramente as opções de cada um.
Acontece que no caso do referendo sobre a despenalização do aborto não estamos - ou não deveríamos estar! - perante qualquer destes casos.
De facto, a escolha da data para nova reflexão nacional sobre um problema tão importante e tão sensível devia ser ditada pela procura de um ambiente de serenidade, de estabilidade política, que permitisse que o debate se fizesse livre de outras conotações e sobretudo fora de contabilidades eleitorais que não deviam ser para aí chamadas.
É que "alinhar" este acto com os actos eleitorais que se avizinham é fazer exactamente o contrário do que tanto se tem proclamado sobre a despolitização da questão do aborto. A decisão deve ser ditada pela consciência de cada um e não por espírito de militância partidária. Não é o Partido A ou B ou C que vai vencer esse referendo, é um grave problema nacional que vai ser discutido e decidido pela consulta directa, sem intermediários, por muito democraticamente escolhidos que tenham sido.
Por isso acho muito grave que o primeiro Ministro considere "uma questão de honra" cumprir a promessa de que fazia o referendo mas já não inclua nessa categoria o modo como a executa, impondo um calendário por braço de ferro e fechando os ouvidos a todos os argumentos de razoabilidade e sensatez quanto à melhor oportunidade para o fazer.
"Antes quebrar que torcer" era a última máxima que convinha a esta questão...

A minha cidade...

... ainda tem cenários destes.

Ainda a má criação

Má criação foi também ao que assistimos no debate entre os dois candidatos à Câmara de Lisboa. Confesso que me surpreendeu, e muito, que uma ocasião privilegiada para trazer à vida política nacional um pouco de elevação tenha sido desperdiçada de modo tão grosseiro. Não me interessa vir aqui agora dizer de quem foi a culpa ou quem é que deu o tom - e é óbvio que o candidato de PS ia preparado para fazer o que fez ou, o que ainda é pior, é esse o seu estilo natural. Mas francamente, confundir vivacidade com agressividade, interpelação com truculência, observações com comentários rasteiros e apresentar propostas ou críticas como se fossem armas de arremesso, o mínimo que se pode dizer é que os lisboetas não mereciam isso.
Foi pena que não tenha sido possível vencer esse propósito de tornar um debate num campo de batalha quase pessoal; e os eleitores lá ao fundo, muito pequeninos, a pasmarem perante tanto despropósito e a pensarem - mas o que é que eu tenho a ver com este ódio, com esta feira de vaidades? Foi pena que Carmona Rodrigues não tenha tido a paciência para se manter acima daquela provocação e tenha deixado que o tom dominante fosse o do "ora toma que já levaste!".
O candidato do PS conseguiu que o debate ficasse na memória de todos como um triste momento da política, um daqueles que, infelizmente, dão razão aos que se afastam destas lides e desconsideram os que nelas participam.
Um caso para esquecer, se possível.

Má-criação

Na Sexta-feira passada, aquando da visita do primeiro-ministro e da ministra da Educação a uma escola da Figueira da Foz, o famoso Sindicato dos Professores da Região Centro, liderado pelo sumo-sacerdote Mário Nogueira, ensaiou mais uma das suas costumeiras investidas, impregnadas de impropérios e insultos, aos membros do Governo.
Tive oportunidade de presenciar a má-criação dos guerrilheiros-pedagogos em manifestações contra governos anteriores. Não é nada agradável ter de passar no meio de pessoas tão falhas de educação. Desconfio mesmo se possuem qualificações mínimas para exercerem actividades pedagógicas. Será que teriam a mesma conduta, na antiga URSS, jactando-se da sua má-criação face a algum ministro da educação ou chefe do governo? Coitadas das línguas!
Têm todo o direito a manifestarem-se, mas têm igualmente o dever de serem minimamente educados.

sábado, 17 de setembro de 2005

Democraciómetro


Democraciómetro
Almeida Santos disse hoje na Convenção Autárquica do PS que Cavaco Silva era parecido com Salazar e que não possuía nível democrático.
Bem gostaria de saber a que marca de democraciómetro recorreu Almeida Santos para medir esse nível.
E também gostaria de saber que leitura esse instrumento faz do nível democrático de Almeida Santos. Estará devidamente atestado, ou estará um pouco mais baixo, digamos a 50%, ou estará mesmo vazio?
Enfim, devemos ter calma, porque estamos ainda no princípio.
Amanhã, alguém dirá que Cavaco é autoritário, depois anti-democrata, a seguir ditador, depois será acusado de tiques fascistas…
De tanga e despido de ideias está o PS, para o seu Presidente alinhar nesta vergonha!...

Alguém, por aí, tem capacidade para se pasmar?

Esta, vem publicada na edição de hoje do Jornal de Notícias.

Transcrevo parte, e se houver por aí alguém que ainda tenha vontade de se espantar, aproveite e exercite-se.

"(...) o Grupo de Aviação Ligeira do Exército (GALE), uma unidade criada em Tancos, há cinco anos, para operar helicópteros, com uma orgânica de cerca de 120 homens e um comando de coronel, mas que na prática nunca cumpriu a missão para a qual foi criada: o voo táctico. É que não há, nem nunca houve, helicópteros, embora seja mantida há cinco anos toda a estrutura de comando, como se de uma unidade operacional se tratasse.
Os gastos anuais atingem mais de um milhão de euros, além do investimento, há três anos, em infra-estruturas aeronáuticas que importaram em outro tanto. Quanto aos homens, a única coisa que fazem é preencher papéis do serviço normal de escalas e refeições e assinar formulários, além de cartas para Estado-Maior do Exército, por um lado, e para as associações de militares depois, perante o silêncio da chefia.
Mas os gastos nesta "unidade-fantasma" não se ficam por aqui, é que os 22 pilotos que compõem o quadro do GALE já perderam todas as qualificações, o que significa que o Estado - Ministério da Defesa e Exército - perdeu mais de 200 mil euros por militar, o custo de um curso de pilotagem. E o mesmo acontece com os mecânicos, dezenas de homens que foram também tirar cursos de qualificação de manutenção de helicópteros, não só em Portugal, mas também em Espanha e França, tal como os pilotos".