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segunda-feira, 19 de setembro de 2011

Pergunta a minha curiosidade:

Na avaliação do TGV que o Governo está a realizar por acaso não se está a esquecer a questão da sustentabilidade da operação da linha Lisboa-Madrid medida pelos custos da sua exploração e proveitos expectáveis numa base realista, pois não? É que aqui há uns tempos o principal argumento para o abandono do projecto não era (só) o custo das obras e a elevadíssima incorporação de material, equipamento e tecnologia importados, mas a insustentabilidade da exploração que os fundos comunitários mobilizáveis não compensariam.
A ver vamos.

domingo, 18 de setembro de 2011

Grécia - um pouco de História





Para tentar ir além da simples linguagem dos “bons” e dos “maus” que parece ser a adoptada nas conferências de imprensa europeias, resolvi ler "A Concise History of Greece”, de Richard Clogg, por recomendação de um cidadão grego. É uma leitura apaixonante, que aqui partilho num breve resumo, longo mas ainda assim seco de muitos aspectos que tornam a narrativa tão interessante.
A Grécia, considerada como o berço da civilização ocidental, tem um longa história se subjugação a sucessivos invasores e de uma permanente resistência pela defesa da sua identidade cultural e religiosa. Com a queda de Constantinopla, em 1453, iniciou-se a “turcocracia”, o longo domínio do Império Turco, que havia de durar cerca de 400 anos, até à declaração de independência em Janeiro de 1822. No entanto, o processo de formação do actual Estado grego e a definição do seu território actual durou quase um século, com episódios sangrentos com a Turquia – os últimos confrontos pelo Chipre tiveram lugar em 1990 -, e alianças políticas determinantes com os principais países do ocidente. Durante a guerra da independência e após o terrível massacre dos gregos na ilha de Chios, em 1822, a Europa cristã, França, Rússia e Grã-Bretanha mobilizou-se na defesa das pretensões gregas contra o domino do sultão, entrando em pleno na guerra pela independência, a qual só viria a ser formalmente reconhecida em 1832.
A História política, a partir daí, é quase tão dramática como a Historia da subjugação e resistência dos gregos. O seu 1º Presidente eleito, Kapodistrias, criou um forte descontentamento entre as forças que tinham combatido os turcos e que esperavam as devidas compensações do novo Poder, e foi assassinado em 1831, após 3 anos de Governo. Como condição de reconhecimento da independência e protecção da Grécia, as forças aliadas impõem a monarquia, devendo o monarca ser descendente de uma casa real europeia que não fosse de nenhum dos países Protectores. Escolhem Otto da Baviera como rei da Grécia, o qual foi destituído em 1862, na sequência de uma revolução, e substituído pelo Rei Jorge I, dinamarquês, que governou em relativa estabilidade até 1913, altura em que foi assassinado por um louco. Em 1912 tinha estalado a Guerra nas Balcãs, que permitiu aos gregos alargar substancialmente o seu território (cerca de 70%), e quase duplicar a sua população, que passou a abranger várias etnias e religiões. Mas o novo rei, Constantino, quis manter a neutralidade na 1ª Guerra Mundial, entrando em conflito com o popular Primeiro Ministro, Vanizelos, acabando por renunciar em 1917. Partidário da “Grande Ideia”, o antigo sonho nacionalista grego de reconquistar Constantinopla e restaurar o império bizantino para uma “missão civilizadora”, projecto que tinha o apoio da Rússia, interessada em não permitir a influência anglo-saxónica no Mediterrâneo oriental, Vanizelos declara guerra à Turquia e conduz os gregos ao desastre de Ismirna, onde são massacrados e a população aí residente é expulsa. Em poucos dias mais de um milhão de gregos deportados da Turquia entra na Grécia e tem que aí construir os mínimos para sobreviver, enquanto 400 000 muçulmanos têm que regressar à Turquia.
Em 1924 os gregos votam pelo fim da monarquia e o rei, Jorge II, abdica, iniciando-se então um longo período de governos ditatoriais, repetidas tentativas de golpe de estado e um equilíbrio precário entre as forças ultra-direitistas monárquicas e os recém-formados quadros da esquerda socialista. Venizelos foi exilado em 1933 e a monarquia restaurada em 1935, regressando o Rei Jorge II, até então exilado em Inglaterra.
Em 1940, a Itália invade a Grécia, mas os helenos resistem. No ano seguinte, porém, cedem à invasão das tropas alemãs, o rei exila-se em Londres e a libertação só chega com a entrada de tropas britânicas em 1944. Apoiados pelas democracias ocidentais, os monárquicos ganharam as eleições gerais de 1946, facto que permitiu o regresso do rei, por um lado, e, pelo outro, a formação de um governo de extrema esquerda nas regiões montanhosas do norte do país. Este extremar de posições desencadeou uma guerra civil que só terminaria três anos volvidos.
A importância estratégica da Grécia dá-lhe entrada na NATO em 1951.
Em 1953, Konstantinos Karamanlis, do partido conservador Nova Democracia, é eleito primeiro-ministro, seguindo-se o socialista (do Partido PASOK) Georgios Papandreou. Em 1967, os militares forçam o exílio do rei Constantino II e estabelecem uma ditadura militar que duraria sete anos e que sai do poder na sequência da invasão do norte do Chipre pela Turquia. Karamanlis volta provisoriamente e convoca um referendo em que é decidida a abolição da monarquia.
Em 1981, a Grécia é aceite na Comunidade Europeia.
Habituados a sobreviver como grupo cultural, social e religioso sob o arbítrio do Império Turco e a pouca protecção legal com que podiam contar, os gregos organizaram-se em grupos de resistência interna (os Klefts) e espalharam-se numa intensa diáspora pelo mundo, mantendo em relação ao Estado e à autoridade uma atitude de enorme desconfiança e auto defesa contra as arbitrariedades, vendo com hostilidade as interferências vindas de fora do círculo familiar alargado com o qual se habituaram a contar. A rouspheti, recíproca dispensa de favores e protecções, e a mesa, ou rede de contactos (a que hoje chamamos na Europa moderna, network…) foram essenciais durante o domínio turco e são ainda o principal veículo do movimento social e condição de apoios políticos, permitindo (ou alimentando) uma enorme ineficiência da administração e adaptando, de certa forma, as regras de sobrevivência que conheciam durante os longos séculos de domínio turco.
A sua localização geográfica, que faz dela um país em simultâneo balcânico e mediterrânico, tornou-a um espaço de confluências e conflitos do leste e do ocidente, mas o domínio turco e a religião Ortodoxa Cristã isolaram-na por completo dos grandes movimentos da civilização europeia, como a Renascença, o Iluminismo ou a Revolução Francesa e a revolução Industrial, pelo que a sua identificação como parte do “espaço europeu” era muito incerta até à aceitação da Grécia como 10º membro da então comunidade europeia, facto que foi determinante para a viragem do país para o ocidente.

sábado, 17 de setembro de 2011

Políticos de cata-vento

O Partido Comunista Português e o Bloco de Esquerda criticam todos os dias a política de austeridade, reclamando investimentos públicos para melhorar a vida dos cidadãos.

O Partido Comunista Português e o Bloco de Esquerda criticam todos os dias a política de Alberto João Jardim de gastar dinheiro em investimentos públicos para melhorar a vida dos Madeirenses.

António José Seguro e o novo Partido Socialista exigem o apoio europeu como forma de resolver os problemas da dívida pública portuguesa. Trocando por miúdos, como forma de a Europa pagar os desmandos do outro Partido Socialista, que levaram o país à bancarrota. Mas não critica o seu Partido, nem Sócrates, pelo mal que fizeram.

Se António José Seguro tivesse um mínimo de coerência, deveria exigir à República Portuguesa um tipo de apoio em relação à Madeira similar ao que exige à Europa, em relação a Portugal. E ter em relação a Alberto João Jardim a mesma atitude de silêncio cúmplice que tem em relação a Sócrates.

Enfim, com tais políticos de cata-vento estamos, pois, conversados!...

Descaramento

Está visto. Os "novos" dirigentes do PS não têm vergonha na cara. Herdeiros de Sócrates e dos desmandos da governação dos últimos anos, recomendaria a decência política uma atitude de humildade e de moderação na condenação do governo regional da Madeira. É verdade que a memória dos portugueses tende a ser, para estas coisas, muito curta. É verdade que o povo já está tão habituado às incongruências dos políticos que encara com desprezo declarações de quem há poucos meses era um dos esteios das práticas que agora condena com absoluto á-vontade e chocante descaramento. Mas engana-se António José Seguro e a actual direcção do PS se julgam que a memória é assim tão curta ou que o povo é tão ignaro ou estúpido como o seu actual discurso quer dar a entender. Alberto João Jardim merece censura, sim senhor. Mas mereça-a porque a sua conduta política se assemelha ao que de mais condenável teve a governação que Seguro não renega: a do PS.

Desalavancagem e educação...

Li com gosto este artigo de Julián Casanovas “El valor de la educacion”, publicado no El Pais. Penso que o entendimento sobre o significado da educação expresso no artigo é também partilhado por muita gente, que não sendo especialista, nele se revê:

Como ocurre con casi todo en la vida, no hay una única y simple verdad sobre la educación, pero hay un acuerdo bastante básico entre los especialistas en señalar que la educación significa el desarrollo integral de los individuos más allá de la preparación profesional, algo que incluye necesariamente comprender la naturaleza de las cosas y el mundo que nos rodea. La educación es una guía imprescindible para captar los entresijos de la sociedad tan compleja que hemos creado. Conocimiento, respeto por las personas y ambición por ampliar los estrechos horizontes de la pequeña comunidad de vecinos, familia y amigos en la que cada uno habitamos. Esas son tres cualidades básicas de la educación. La educación es un privilegio que no puede dejarse en manos de los burócratas, de los amantes de las estadísticas y del currículo, de quienes desprecian a los profesores y limitan su autoridad ante los alumnos, los padres y la sociedad en general.

O desvirtuamento da educação foi muito intenso em Portugal nas últimas décadas, com os resultados que hoje estão bem à vista de todos. Não apenas no que se refere a indicadores tão básicos como saber escrever e comunicar com clareza ou saber fazer contas de aritmética, mas particularmente no que diz respeito à formação ética e moral enquanto alicerce fundamental que permite formular juízos críticos e fazer escolhas sólidas.
Numa sociedade marcada pelo facilitismo e pelo consumismo - com as portas escancaradas do crédito - é muito mais importante o ter do que o ser, a quantidade sobrepõe-se à qualidade. A educação não sendo uma redoma contribuiu para este estado de coisas, mas acabou, também, sendo uma vítima.
Tenhamos esperança que a desalavancagem financeira em curso seja acompanhada por uma desalavancagem de comportamentos e atitudes e dê lugar a um novo quadro de referência de princípios e valores que confira às pessoas confiança, autonomia e capacidade crítica. Num momento em que a palavra de ordem é a desalavancagem, cuidemos de nos preocupar com a educação porque precisamos dela como de pão para a boca...

sexta-feira, 16 de setembro de 2011

Insuportável!

A revelação da verdadeira situação financeira da Madeira mereceu de Pedro Passos Coelho a palavra que se exigia do Primeiro-Ministro de Portugal.  Depois do esforço que tem feito para mostrar que somos diferentes dos gregos, espera-se agora que todo PSD não se acobarde, não se desonre, seja coerente com o discurso político do passado recente que teve como alvo a governação socialista. Há dias considerava aqui no 4R que o dano causado ao País pelo governo regional da Madeira não poderia deixar de ter consequências políticas porque absolutamente intolerável. Anotava aí ser necessário ter a coragem de dizer basta. Infelizmente a situação era bem pior que o suposto no apontamento que sobre o assunto deixei aqui registado. Pessoalmente, espero que as outras contas que em Outubro vão ser feitas na Madeira, não deixem de reflectir a gravidade da situação que o ministro das finanças já tinha considerado ser insustentável.

Tempo de Mostrar (Ainda Mais) Diferenças

Dentro do prazo anunciado (final de Agosto), foi conhecido o Documento de Estratégia Orçamental (DEO), em que o Governo revelou o que, em seu entender, os Portugueses podem esperar até 2015 em termos de grandes agregados macroeconómicos e contas públicas. Como era fácil de prever, o que nos espera não é nada fácil. O que tinha sido definido no Memorando assinado com a missão internacional de BCE/CE/FMI em Maio último já era doloroso; como, desde então, a situação se deteriorou, quer em termos internacionais, quer a nível nacional (com um enorme “buraco” orçamental a ser detectado – e a ter que ser corrigido), as dificuldades são, agora, ainda maiores.

Prevê o Governo que, em 2015, se atinja um Orçamento quase equilibrado (défice de 0.5% do PIB), sendo a redução do desequilíbrio, a partir de 2012, feita em cerca de 2/3 à custa de cortes na despesa e em próximo de 1/3 por via do aumento da receita (isto é, de impostos que todos vamos pagar a mais). Não podia estar mais de acordo: há muito que defendo uma consolidação orçamental assente maioritariamente do lado da despesa, cuja probabilidade de sucesso (leia-se, redução do endividamento público e dinamização da economia), como a maior parte da vasta literatura da especialidade confirma, é bem maior do que se tiver uma contribuição mais elevada da receita. Trata-se, portanto, de uma estratégia que, sendo cumprida (e o Ministro das Finanças tem enumerado um conjunto de razões para garantir que “agora é que é” e que não terão lugar os fracassos do passado recente), levará Portugal a sair da difícil situação em que se encontra. Com uma actuação deste Executivo que será diferenciadora – para melhor – em relação à dos anteriores. Mas, tratando-se de uma trajectória muito dura e exigente, ela não podia deixar de ser explicada de forma exemplar, de modo a não deixar instalar ideias erróneas na sociedade. E as explicações deviam, aliás, ter começado pelo início: o que nos trouxe à situação em que nos encontramos; e como fazer face aos desvios orçamentais detectados em 2011. Porém, depois de no debate parlamentar do Programa do Governo, no final de Junho, ter sido anunciado que a introdução da sobretaxa extraordinária correspondente a cerca de 50% do subsídio de Natal para salários acima do mínimo, seria acompanhada por uma redução adicional da despesa pública sensivelmente do mesmo montante (entre EUR 800 e EUR 1000 milhões), desde então, e até ao fim de Agosto, apenas foram apresentados aumentos adicionais de impostos. E, durante esse tempo, a verdade é que não foi convenientemente explicado à sociedade por que razão aquelas opções estavam a ser tomadas. O passado recente (as razões que nos conduziram até ao ponto em que estamos) prati-camente não foi abordado e, portanto, deixou-se instalar a ideia de que, no corrente ano, a correcção do desvio orçamental detectado será toda feita à custa de mais impostos. Ideia que, aliás, é reforçada pelo quadro do DEO em que, à enumeração e quantificação dos motivos dos desvios orçamentais face ao objectivo estipulado (um défice de 5.9% do PIB, que temos que cumprir escrupulosamente em 2011), sucede a identificação e quantificação das medidas de correcção… todas do lado da receita. Só depois de as críticas generalizadas terem sugerido que pouco havia que diferenciasse a prática deste Governo da dos anteriores, é que surgiram explicações por parte do Ministro das Finanças.

Ora, nos últimos 6 anos, PSD e CDS, na Oposição, exigiram sempre – e bem!... – uma consolidação orçamental assente maioritariamente do lado da despesa pública, tendo fornecido, inclusive, vários exemplos de cortes possíveis. Nestas condições, era imperioso que, mal entrasse em funções, o Executivo tivesse esclarecido que existiam derrapagens orçamentais em várias rubricas (incluindo aumentos salariais, promoções, progressões e admissões na função pública que não deviam ter acontecido, porque o Orçamento do Estado para 2011 não o permitia), a que se juntaram os custos associados à reprivatização do BPN e também um desvio nas contas da Região Autónoma da Madeira. E que tivesse também explicado que, embora fosse poupar e cortar adicionalmente todos os dias na despesa pública, os compromissos tinham sido inscritos e assumidos no Orçamento (e teriam, na sua maior parte, que ser cumpridos), o ano ia a meio, e o efeito destas medidas seria diferido no tempo – pelo que, perante a urgência de corrigir o “buraco” orçamental detectado (e que devia ter sido quantificado a preceito com a informação disponível na altura), não havia alternativa senão lançar mão dos aumentos de impostos que todos conhecemos. Até porque Portugal não pode mesmo falhar os objectivos quantitativos traçados no Memorando, nem podia deixar que a primeira avaliação trimestral da missão internacional, ocorrida em Agosto, não fosse positiva. E foi – o que se deveu, não tenhamos dúvidas, à forma como o Governo Português esteve ahead of the curve, isto é, actuando quando se exigia… e marcando uma enorme diferença para o Governo anterior que esteve sempre behind the curve, isto é, reagindo e andando a reboque dos acontecimentos (o que contribuiu para o pedido de ajuda internacional a que acabámos por não poder escapar). Mas, mesmo nessa ocasião, foi a própria missão que referiu preferir cortes na despesa em vez de aumentos de impostos, ajudando à ideia que se estava a instalar…

Foi, pois, uma pena que a gestão dos esclarecimentos – fundamental quando são tomadas medidas duríssimas e quando o pior ainda está para vir – tivesse sido a que foi. Estou certo que o Orçamento para 2012 constituirá a oportunidade para emendar a mão neste aspecto e mostrar ainda mais diferenças positivas face ao passado recente.


Nota: Este texto foi publicado no jornal Sol em Setembro 16, 2011.

quinta-feira, 15 de setembro de 2011

A invasão fiscal

O Bastonário da Ordem dos Médicos teve a peregrina e pitoresca ideia de propor um novo imposto, agora sobre a fast-food, entrando assim em acesa competição com os governos que, à falta de saberes mais criativos, costumam ser extremamente fecundos na matéria. Não sou eu que vou criticar a proposta, até porque não sou consumidor da dita food. E se são os outros a pagar, tudo bem!...
Mas acho mal que, tendo metido a mão na panela, o Bastonário não se tenha lembrado de taxar a pré-food, isto é, a food pré-cozinhada. Em geral, bem salgadinha, condimentada e bem coloridamente conservada. Ou a food pronta a comer, que se compra e leva para casa. Acho mal, porque seria uma nova fonte de receitas. E também não sou eu a pagá-la!...
Mas o que eu temo é que, inspirado neste inclemente ataque à food, cozinhada ou mal amanhada, o que eu verdadeiramente temo é que o Bastonário ou o Governo se lembrem de taxar a slow-food. Um bom cozido à portuguesa, um suculento cabrito assado no forno, um valente naco de vitela à moda de Lafões, uma lampreia à bordalesa, um belo pargo assado, até uma forte feijoada à transmontana ou uma arrozada de lebre são pratos, não digo de ricos, mas de pessoas que ainda dispõem da suprema riqueza de saber comer. E aí, tributar a riqueza, mesmo que seja apenas de ter bom gosto, é coisa que nenhum governo enjeita. Com o aliciante adicional de ser algo politicamente muito correcto tributar qualquer forma de riqueza. Mesmo que seja a de bem saber comer.
De modo que estou a antever uma cobrança directa de impostos à porta dos restaurantes e supermercados: impostos por comer fast, e mal, e impostos por comer bem e slow; impostos por comida pré-cozinhada e impostos por comida a cozinhar. E multas por evasão fiscal, que seria nada levar para comer. Com o ilustre Bastonário a comandar o exército de cobradores. Atento a metê-los na Ordem, ao mais leve desvio de cobrança. Como forma de concretizar a mais acabada e perfeita forma de invasão fiscal. Aí está: Bastonário da Invasão Fiscal.

Em nome da eficiência...

É chocante que um doente se dirija à urgência de um hospital do SNS com falência de funcionamento dos rins, aí tenha permanecido durante a noite sem uma qualquer intervenção para diagnosticar a causa do problema. Dizem que não quiseram arriscar. É que não há médico especialista durante a noite, a solução é esperar pela manhã quando a especialidade entrar ao serviço. Feitos os exames numa máquina sofisticada, o computador diz que há uma obstrução das vias urinárias. Mas outro problema surge, é que afinal o hospital não trata do sistema urinário, o doente é enviado para um outro hospital e devolvido mais tarde ao hospital de origem. No meio deste vai e vem do doente, a família que aguarda com angústia o que se vai passar não é informada da deslocação. O doente parte sozinho, às mãos de uma ambulância, num total desconhecimento para o que vai e se volta. É o desamparo total. O remédio é sofrer. Já não basta a obstrução. É assim que tem de ser, pensam “aqueles”. Tudo em nome da saúde. Não, tudo em nome, digo eu, de um sistema desumano e desorganizado que é para muitos doentes o “inferno na terra”. O doente foi entretanto transportado para um terceiro hospital onde está internado.
E já agora, o INEM que foi chamado durante a noite para transportar o doente ao dito hospital recusou o serviço porque a pessoa não estava a morrer. Acabou por ser levado numa ambulância dos bombeiros que demorou a chegar, pois a autorização superior para fazer o serviço tardou em ser concedida. É o SNS que temos, em nome de uma (falsa) eficiência!

"Precisamos de penalidades orçamentais para os políticos": mas que confusão!

1.Há dois dias um conhecido e reputado economista, numa sessão salvo erro organizada pelo Ordem dos ilustres ditos (a que o Pinho Cardão terá assistido), insistiu na ideia de se passar a sancionar os políticos que incumpram (gravemente) as regras da disciplina orçamental...
2.O mesmo economista citou até o nome do Dr. A.J.Jardim como um caso típico de aplicação de tais sanções, tendo, certamente por lapso, omitido o do último PM...
3.Como habitualmente, pediu-se legislação para permitir esse sancionamento, o que não deixa de ser curiosa repetição de um formulário muito comum entre os nossos comentadores, revelador de um muito popular desconhecimento do enquadramento jurídico destas situações...
4.Com efeito, o artigo 70º da Lei de Enquadramento Orçamental ainda em vigor, sob a epígrafe “Responsabilidade pela execução orçamental”, dispõe o seguinte: “ Os responsáveis de cargos políticos respondem política, financeira, civil e criminalmente pelos actos e omissões que pratiquem no âmbito do exercício das suas funções de execução orçamental, nos termos da Constituição e demais legislação aplicável, a qual tipifica as infracções criminais e financeiras, bem como as respectivas sanções, conforme sejam ou não cometidas com dolo”.
5.Acrescenta o artigo 71º da mesma Lei que a responsabilidade financeira é efectivada pelo Tribunal de Contas e o artigo 72º que para efeitos da efectivação de responsabilidades financeiras e criminais cabe à AR remeter às entidades competentes o parecer do Tribunal de Contas sobre a Conta Geral do Estado.
6.Não me venham pois com a teoria da falta de legislação para que os políticos respondam por actos de desrespeito – nos casos mais graves certamente – pelas normas aplicáveis em matéria de execução orçamental!
7.Parece-me que já chega de confusões...legislação existe e é clara, o que é necessário é vontade política, é frontalidade, da AR especialmente mas também do Tribunal de Contas, para que a lei seja aplicada...não faltando oportunidade, tantos e tão graves têm sido os casos de desvio às normas da execução orçamental!

quarta-feira, 14 de setembro de 2011

Abdicamos das válvulas de escape da desvalorização e da inflação em troca de baixas taxas de juro e agora...nada"

1.A expressão apresentada em título é atribuída a um político italiano, numa conversa recente, em Roma, com Martin Wolf, conhecido colunista do F. Times, que a cita num interessantíssimo artigo publicado na edição de hoje do jornal.
2.Agora, nem as válvulas de escape da desvalorização e da inflação, nem baixas taxas de juro - tudo isso foi substituído por altíssimas taxas de juro, austeridade atrás de austeridade, até que um dia possamos ver de novo taxas de juro baixas ou...regressar às válvulas de escape!
3.O político italiano citado por Wolf, lamentando-se perante tal cenário, já admitia como preferível voltar atrás se a alternativa tiver de ser continuar com a austeridade por mais...20 anos?...
4.Este é, finalmente, o resultado de uma doentia incapacidade para perceber o que significava a adopção de uma moeda única na qual participavam países economicamente (muito) mais fortes e habituados a um tipo de disciplina orçamental que, entre nós, só existiu durante a ditadura...e se é assim em Itália o que havemos nós de dizer?
5.Quando se assiste ao estrebuchar dos países altamente endividados da zona Euro, recordo-me de uma intervenção que fiz no plenário da AR por volta de 2003/2004 e na qual, mais uma vez, procurava chamar a atenção para os altíssimos riscos que o imparável endividamento do País nos fazia incorrer...
6...e de a determinada altura ser interrompido por um aparte do então deputado do PS (ex-PC) José Magalhães, bradando, em voz alta: “isto é um discurso do passado!”. Nunca mais me esqueci desse momento, registado nas actas das sessões, em que suspendi a intervenção por escassos segundos...e depois continuei, sem comentários e sorrindo com bonomia apesar da dimensão do dislate...
7.E também me recordo de em 1998 ter investido algumas poupanças em títulos do Tesouro português, emitidos nesse ano pelo prazo de 15 anos (vencimento em Setembro de 2013), vencendo um cupão de 5,45%.
8.Considerei uma óptima aplicação financeira uma vez que, com a certeza (então) da entrada no Euro, se iria valorizar muito provavelmente...
9.Tendo eu mantido esses títulos em carteira (ainda hoje os mantenho), assisti à sua valorização, cotando-se durante anos a fio acima do par – teria sido óptimo negócio tê-los vendido 5 ou 6 anos atrás...
10.Agora cotam-se muito abaixo do par, oferecendo, a quem os adquirir, uma rendibilidade (yield) superior a 12%, e confesso que começo a ter alguns receios de um “haircut-zito” até Setembro de 2013...se tiver que ser, espero que seja muito “zito” e pouco “hair-cut”...
11.Mas isto não será um discurso do passado? Ou será que o passado virou futuro?

terça-feira, 13 de setembro de 2011

As verdadeiras razões da crise, segundo Teresa Ter-Minassian

Numa Conferência na Ordem dos Economistas, Teresa Ter-Minassian deu hoje uma lição sobre as causas da crise portuguesa. Não foi a crise internacional, como, aliás, tantas vezes aqui se referiu no 4R. As razões foram razões nacionais, de má governação. Teresa Ter-minassian não nomeou Sócrates, mas referiu o período, o que vem dar ao mesmo. Segundo Teresa Ter-Minassian, as causas foram as seguintes:
1ª - Défices orçamentais excessivos originados por um forte aumento do consumo público. O défice primário estrutural (excluindo a componente cíclica e medidas temporárias) subiu em mais de 5.5 pontos percentuais em relação ao PIB entre 2008 e 2010.
2ª - Distorções no sistema tributário
3ª - Inadequados controles da execução dos orçamentos, resultando em sistemáticos excessos dos défices realizados sobre os valores orçados
4ª - Forte crescimento da dívida pública
5ª- Acumulação de responsabilidades publicas contingentes, relacionadas com o desempenho de entidades públicas autónomas, regiões e autarquias locais, e empresas públicas
6ª- Acumulação também de responsabilidades futuras associadas com as PPPs
7ª- Forte aumento da alavancagem e exposição a riscos de crédito dos bancos
8ª- Falta de diversificação das exportações, deixando-as vulneráveis a concorrência dos países emergentes com baixos custos
9ª- Rigidez no mercado laboral e falhas no sistema educativo, dificultando o crescimento da produtividade
10ª - Limitada inovação tecnológica, em parte reflectindo a atitude pouco favorável a investimento estrangeiro directo em sectores considerados estratégicos
11ª - Falta de concorrência em sectores importantes, especialmente de
bens não transaccionáveis; dificuldades na gestão empresarial, devidos a excessiva burocracia e a falhas no sistema judiciário.

Eu ouvi lá isto. Mas, depois, não ouvi nenhum jornalista referi-lo. Estiveram lá?

Ar fresco...

No meio do vendaval de más notícias, um pouco de ar fresco faz bem ao ambiente. Aqui está uma boa ideia, a demonstrar que é possível fazer melhor com menos dinheiro e a mostrar como se pode ser socialmente responsável. É, também, um exemplo do valor acrescentado que se gera quando as pessoas cooperam e se unem com base em comunidades de interesse. Um caso interessante de inovação social que transforma desperdício tecnológico num bem com valor social, que transforma despesa em poupança financeira e energética, que permite a reciclagem de desperdícios da indústria em benefício de respostas sociais.
O estado do mundo e das sociedades, em particular a crise muito difícil em que nos encontramos, exigem um esforço de todos e muita criatividade para dar resposta às necessidades. Em tempos de grande constrangimento orçamental, aqui está uma boa prática que vale a pena ser divulgada e replicada. A crise tem destas coisas, aguça e acelera o engenho…

Plano de Salvamento do Euro...não tem mesmo salvação?

1.Uma das ideias principais que emergiu de uma distinta plateia de congressistas reunida no último fim-de-semana e que muito terá impressionado o País consiste num Plano para a Defesa (ou mesmo o Salvamento) do Euro...
2.Esse plano assentaria, segundo me apercebi, em 3 pilares: (i) emissão dos tão ansiados Eurobonds, (ii) criação de uma agência europeia de rating e (iii) “orçamento reforçado” (da União Europeia”, supõe-se).
3.Trata-se de um plano tremendamente audacioso, revelador de uma profunda análise das vicissitudes que neste momento avassalam a zona Euro, não estivesse este plano defrontado com 3 "pequenas" contrariedades, 3 “senões” que desafortunadamente colocam em causa a sua viabilidade!
4.O primeiro “senão” advém da insistência nos Eurobonds projecto que, tanto quanto se percebe, está hoje praticamente morto uma vez que opiniões públicas e responsáveis políticos dos países mais solventes do centro e do norte da Europa terão percebido que isso seria uma forma de incentivar o laxismo financeiro por parte dos países financeiramente mais desequilibrados e, ao mesmo tempo, de assumirem responsabilidade pelas dívidas emitidas por estes...
5.O segundo “senão” reside na estafada ideia da criação de uma agência europeia de rating que – uma vez que já existem outras agências de rating na Europa, esta seria “especial”, certamente sujeita a tutela política – teria por missão atribuir RATINGS simpáticos, que fossem de encontro aos interesses das entidades soberanas sujeitas a avaliação...
6.Não é difícil perceber qual seria a credibilidade de tal agência de rating, em especial junto dos investidores preocupados com o risco dos seus investimentos...
7.O terceiro “senão” decorre da concretização da ideia de “orçamento reforçado”: uma vez que o dinheiro que é colocado à disposição da União não “cai do Céu” (ao contrário do que os ilustres congressistas terão suposto, na sua boa-fé), seria necessário, para concretizar tal reforço, que os orçamentos nacionais contribuíssem ainda mais para o orçamento comum...
8....Numa altura em que a generalidade dos orçamentos nacionais se encontra sob enorme stress, adivinham-se as hipóteses de sucesso deste 3º pilar...
9.Em síntese, pese embora a já referida audácia do plano em questão e o inquestionável mérito humanitário da iniciativa, a sua exequibilidade mostra-se muito próxima da total inexequibilidade...parece que este Plano de Salvamento não tem mesmo salvação...
10.Nota final: os ilustres proponentes deste plano são, com algumas adaptações, os mesmos que protagonizaram nos últimos anos uma política económica e financeira que conduziu o País a uma situação de pré-falência...será que isso lhes confere autoridade reforçada para apresentarem um Plano de Salvamento do Euro?...

Cansaço...

Não sei explicar bem o que vou fazer, mas não importa, o que interessa é deixar os sentimentos aflorarem à superfície como lava recalcada ao longo do tempo, o que interessa é encontrar uma qualquer zona mais frágil, mais sensível, que permita passar a ser diferente ou indiferente ao que me rodeia. É o que me apetece fazer neste momento. Sinto um terrível cansaço, não físico, mas moral, ou qualquer coisa semelhante, nem sei bem o quê, também não importa. Não consigo compreender muitas coisas. Eu que julgava não ser destituído de algumas capacidades. Mas para que servem essas capacidades? Para nada ou muito pouco. O problema deve ser o setembro. Uma boa desculpa. Nunca gostei deste mês! Porquê? Sei lá! Talvez devido a ser muito húmido, obrigando-me a sentir uma viscosidade qualquer que me perturba os sentidos e a razão. Não sei, nem me interessa. Nesta altura do ano sinto que sou diferente. Será que é o prenúncio da falta de luz? Não gosto dos dias pequenos, não gosto de me sentir pequeno, mas, de facto, sinto-me cada vez mais pequeno. O que fazer? Uma boa pergunta. Talvez recolher-me ou encolher-me em qualquer coisa ou lugar. É o que me apetece fazer neste momento. Às tantas é o que devo fazer, recolher-me, encolher-me, adormecer ou ser esquecido, tanto faz!
Sinto um estranho cansaço...

segunda-feira, 12 de setembro de 2011

A mosca sem patas

Não sei se estarei a perceber bem o que se passa, mas quem é que acredita que a Grécia, ou outro País qualquer a quem sejam exigidos juros mirabolantes para obterem novos empréstimos para pagarem dívidas que contrairam quando os juros eram perto de zero por cento, possa alguma vez vir a pagar semelhante dívida? Melhor dizendo, quem é que pode, seriamente, esperar esse milagre? A Grécia submeteu-se a um programa de recuperação financeira determinado pelas instâncias internacionais competentes e entrou em recessão. Apesar da violência das medidas financeiras e fiscais, não conseguiu diminuir o defice, que entretanto vai sendo sobrecarregado por juros crescentes e por novas necessidades de empréstimos que são cada vez mais exigentes. Ou seja, aumenta a dívida, diminui a riqueza produzida, aumentam os juros para conseguir os empréstimos que obviamente não vai conseguir pagar e todos gritam que a Grécia vai entrar em bancarrota, como se fosse possível que não entrasse. Este processo e as reacções espantadas e conclusões que vamos ouvindo lembra a velha piada da mosca, a que um cientista resolveu ir tirando as patas para estudar o mecanismo que permitia ao animal voar. Tirou as primeiras e disse-lhe “voa!”, e a mosca voou. Tirou outras e disse-lhe “voa!” e ela voou, menos bem, mas voou. Tirou as últimas e ordenou-lhe “voa!” e ela ficou quieta. Gritou-lhe mais alto voa!!” e ela, muito quieta. E ele escreveu no seu relatório “quando se tiram todas as patas a uma mosca, o animal fica surdo!”

Estupidez feita título

Será que a estupidez vende mais? Pode ser esta uma razão para títulos como o do JN exibido sob a fotografia de António José Seguro e mulher: "Seguro levou federalismo e Margarida ao congresso".
Mas o mais preocupante é que há outros a competir ferozmente com o JN...

domingo, 11 de setembro de 2011

Ondas...



Não se comenta, não se censura, não se critica na substância. As medidas não são boas nem são más, são mal explicadas ou nem sequer são explicadas. Tudo agora se resume a deficiências de comunicação. O professor dixit. E António José Seguro parece ter ficado convencido. Já aparece de surpresa nos estúdios das TV. Que outras originais formas de aparecer nos reserva?

Como se o passado não existisse...

Ouvi parte do discurso de encerramento de António José Seguro no Congresso do PS. Realmente, como pode o PS não fazer contas com o passado, fazer de conta que não deixou uma herança pesada, rasgar a página da sua governação que conduziu o país ao abismo, criticar o governo e falar de um novo projecto de desenvolvimento para o país que é preciso começar já apostado no emprego, no crescimento e no combate à corrupção, que o futuro que querem é um novo futuro.
Está tudo muito certo, precisamos de tudo isso e de muito mais, por exemplo, de um Estado que não falhe na protecção social das pessoas que precisam efectivamente de apoio, em lugar de andar a fazer obras megalómanas e desnecessárias sem dinheiro para as pagar. Um Estado que gastou no supérfluo, agora não tem como cuidar do essencial.
Bem sei, que o novo líder do PS precisa de um novo discurso, precisa de conquistar espaço e oxigénio para respirar, mas convenhamos que não lhe ficaria nada mal, muito pelo contrário, ter sentido de humildade e reconhecimento dos erros cometidos. Sem esta catarse não terá credibilidade para ser oposição construtiva. É por estas e por outras que os portugueses estão desiludidos com a política e com os políticos...

Prazer...

Ofereceram-me há dias maçãs e uns pêssegos acompanhados da seguinte recomendação: são naturais, são biológicos, não foram utilizados quaisquer produtos químicos. A satisfação do ofertante era mais do que evidente. Passado um tempo, a mais que esperada pergunta escondia-se numa esquina; - Então, senhor doutor, que tal? Sorri, perante um ritual que se vem mantendo com os mais variados produtos. - Verdadeiramente deliciosos, valeu a pena, disse-lhe, e agradeci, mais uma vez, a gentileza. Só não lhe contei as sensações despertadas pelo cheiro e sabor, tantas a ponto de cavalgarem umas sobre as outras. A memória olfativa e gustativa é a mais poderosa de todas. Não me fiquei pelas deliciosas recordações do passado, fui obrigado a dissertar para mim próprio sobre as vantagens deste tipo de agricultura, sustentável, que preserva o ambiente e os próprios produtos de inúmeras agressões químicas, que vão desequilibrando, infelizmente, o delicado sistema ecológico e atacando os nossos organismos. Não são só as qualidades sápidas e olfativas que estão em jogo, mas também outras propriedades que contribuem para o bem-estar e saúde dos humanos, evitando ou diminuindo muitas afeções que atacam as crianças e os menos jovens. Mas há mais, a promoção da agricultura biológica acompanha-se de rituais e comportamentos mais saudáveis e é promotora de um maior respeito pelo ambiente e favorece as relações pessoais.
Vale a pena respeitar a nossa saúde, vale a pena proteger o ambiente, vale a pena desfrutar certos prazeres, e vale a pena alimentar a alma, o corpo e a própria natureza, uma cumplicidade única ao nosso alcance.
Quando saborearem, por exemplo, um morango ou um pêssego produzidos nestas circunstâncias, cerram os olhos e deixem-se ir embalados pelo prazer ao encontro da natureza...