Número total de visualizações de páginas

quarta-feira, 11 de abril de 2007

Portugal: economic and political climate

"Portugals mood lifts as recession shadow fades" é o título de um artigo hoje publicado pelo Finantial Times, http://www.ft.com/cms/s/24a94f62-e784-11db-8098-000b5df10621.html, no dia em que o Primeiro Ministro vai à RTP - debaixo de fogo - explicar aos portugueses o seu percurso.
Um artigo a ler - sem novidades - mas que constitui notícia. Um dia em "cheio" para o Primeiro-Ministro. E para Portugal?


Correcção: o artigo foi publicado ontem, dia 10 de Abril. As minhas desculpas.

Clarinho, clarinho...para oficial entender!...

Estou mesmo sem paciência!.... Hoje ouvi mais um analista encartado a defender a não diminuição dos impostos para melhor controlar o défice.
Não é verdade, nem no passado, nem no presente. Segundo o Orçamento para 2007, as Despesas Correntes irão aumentar 2 mil milhões de euros em relação a 2006. E como vai ser coberto tal aumento? Exactamente com um acréscimo de impostos de 2 mil milhões de euros!...
E então ainda se tem a desfaçatez de dizer que os sucessivos aumentos de impostos são para controlar o défice?
Têm é servido para suportar o crescente aumento da despesa, ao contrário do que oficialmente é publicitado e muitos comentadores aceitam.
Mas haverá alguém que ainda não compreenda isso?

terça-feira, 10 de abril de 2007

PRACE - II

No post anterior deu-se conta de mais uma unidade de missão, produto acabado do PRACE.
Assim de repente lembrei-me das seguintes unidades, umas constituídas por verdadeiros missionários (como acertadamente lembrou o Dr. Tavares Moreira), outras nem tanto:
  • Unidade de Missão para a Reforma Penal
  • Unidade de Coordenação da Modernização Administrativa
  • Unidade de Missão Inovação e Conhecimento
  • Unidade de Missão do Douro
  • Unidade de Missão para os Cuidados Continuados Integrados
  • Unidade de Coordenação do Plano Tecnológico

Abrimos o 4R ao serviço público e desafiamos os nossos leitores e comentadores a deixarem aqui sugestões de criação de novas unidades, de missão, de coordenação ou quaisquer outras (desde que sejam unidades), preferentemente acompanhadas das concomitantes propostas de extinção de serviços públicos, com a promessa de que as sugestões serão imediata e devidamente encaminhadas para o governo como contributo da sociedade civil para a melhoria do PRACE.

PRACE

O Diário da República de hoje publica a Resolução do Conselho de Ministros (RCM) n.º 56/2007 que cria mais uma Unidade de Missão (UM). Um bom exemplo de como está a ser conduzida a reforma da administração pública.
Com esta RCM o Governo cria a Unidade de Missão para o Recenseamento Eleitoral (UMRE).
A UMRE tem a missão que tinha o STAPE em matéria de recenseamento.
Só que o STAPE foi extinto e integrado na Direcção-Geral da Administração Interna (DGAI).
No entanto, como se dá a entender na RCM, a DGAI não está preparada para assegurar as tarefas de reformulação do sistema de recenseamento eleitoral. Vai daí a necessidade de criar mais uma UM.
Mais se explica que, apesar da falta de vocação da DGAI a administração do novo Sistema de Informação e Gestão do Recenseamento Eleitoral (SIGRE) vai ser assegurada pela mesma DGAI.
Há por aí alguém que julgue falha de lógica ou de utilidade a criação desta UMRE depois da absorção do STAPE pela DGAI cuja falta de competência obriga à constituição de mais uma UM para conceber o SIGRE a ser gerido pela DGAI? Se há, digo-lhes que são injustos e malidiscentes porque se trata da boa lógica SIMPLEX do PRACE.

segunda-feira, 9 de abril de 2007

Coloração variável!...


O empate do Beira-Mar com o Benfica, deixando este a três pontos do Porto, trouxe emoção acrescida ao Campeonato!...
Que seria bem maior, não fosse validado o golo em off-side que deu o empate ao Benfica com o Porto e o penalty inexistente que deu o empate ao Benfica com o Beira-Mar!...
Tal não fora e o Porto já estaria a sete pontos do Benfica(em vez de estar a três) e a seis do Sporting. E o Sporting estaria um ponto à frente do Benfica, em vez de estar um ponto atrás...
Outras "perturbações" de sinal contrário terá havido em jornadas anteriores e no fim do Campeonato provavelmente tudo se compensará. Mas é bom que se vá reparando que, sem suspeitar da inteireza dos apitadores, sem telefonemas escusos, pelo contrário, muito às claras, os apitos vão mostrando coloração variável, e nos últimos tempos com laivos bem avermelhados!...
Nota 1: Sou o primeiro a reconhecer a dificuldade de ajuizar os dois lances referidos. Apenas "a posteriori " se verificou que foram lances mal julgados. Mas, nesta fase crucial, favorecendo objectivamente o mesmo clube.
Nota 2: Normalmente nestas discussões futeboleiras ignoram-se as razões de queixa dos adversários, o que só prova o "non-sense" das mesmas e acaba por ser o seu encanto!...No caso do jogo de ontem com o Beira-Mar, o Benfica terá visto um golo seu não considerado válido...Assim, não seriam os 7 pontos de avanço referidos, nem os 3 actuais...mas 4!...Onde estas discussões nos levam!... Mas sem consequências: é só futebol!...

Código da Contratação Pública: foi para a gaveta?

A 23 Janeiro do corrente ano editei um POST no qual manifestava alguma reserva e surpresa face ao anúncio feito semanas antes pelo Ministro das Obras Públicas (MOP) – nos primeiros dias do ano – no programa “Diga lá Excelência” da RR, da iminente aprovação pelo Governo de um Código da Contratação Pública.
Esse tema mereceu na altura destaque em vários órgãos da comunicação social, escrita e falada, em jeito de novidade relevante.
A minha reserva, expliquei então, derivava do facto de conhecer a legislação existente sobre contratação pública, ainda do 1º Governo do Eng.º A. Guterres – consistindo essencialmente nos DLs nº 59/99, de 2 de Março e 197/99, de 8 de Junho, os quais regulam de forma extensa e detalhada todas as fases e actos em que se desenvolve a contratação pública, a saber:
- Aquisição e locação de bens e serviços (197/99);
- Empreitadas de obras públicas e concessões de obras públicas (59/99).
Acresce que esses dois diplomas tinham incorporado na ordem jurídica nacional as mais recentes directivas da U.E. sobre estas matérias.
Qual a necessidade de um Código da Contratação Pública, em tais circunstâncias?
A minha surpresa decorria do facto de os entrevistadores, pessoas com uma razoável preparação, não terem questionado o MOP acerca da realidade legislativa existente e de qual a necessidade de legislar onde, aparentemente, tudo estava legislado até ao pormenor.
Passaram mais de 3 meses sobre esse anúncio da “iminente” aprovação do tal Código da Contratação Pública.
Sobre o assunto caiu entretanto o mais sepulcral dos silêncios. Porque razão?
Várias explicações são possíveis, na minha perspectiva.
1. O MOP ter-se-á dado conta de que a nova legislação seria inteiramente redundante só depois de ter feito o anúncio público, em grande estilo, de tal propósito.
2. Aquele anúncio foi apenas uma operação de marketing político, sem qualquer propósito real de produção legislativa (parece-me pouco crível, não obstante o meu cepticismo em relação ao marketing político…).
3. Essa operação teria outro objectivo político – dar cobertura facial à operação OTA – entretanto congelado por obstáculos supervenientes.
4. Ou terá ido para a gaveta mais simplesmente pelo facto de os estrategas políticos lhe terem atribuído um retorno esperado muito baixo.
O silêncio que caiu sobre o tema pode ainda ter outra explicação, porventura.
Um caso curioso, esta operação de auto-veto de gaveta.

domingo, 8 de abril de 2007

Para memória futura III- A mudança exigível

Nos posts anteriores, Para memória futura I e II, abordei as Contas Públicas de 2006, nomeadamente no que se refere aos Impostos e à Despesa Corrente, que aumentaram, em termos reais, relativamente a 2005, e ao Défice que diminuiu graças sobretudo ao aumento dos impostos. Este é o verdadeiro resultado a salientar!...
Não desconheço que estas grandezas são também medidas em relação ao PIB. Seguindo este critério, a despesa corrente diminuiu uns simbólicos 0,6%, apenas contribuindo com bastante menos de um terço para a melhoria do défice em 2,1%, de 6% para 3,9%. É iniludivelmente um mau resultado. Todavia, mesmo que essa contribuição fosse maior, o indicador nunca poderia ser considerado isoladamente, por distrair do que verdadeiramente importa na nossa economia, que é a diminuição autónoma da despesa. Por quatro ordens de razões:
1ª-porque, na conjuntura económica actual, é a redução autónoma, e em termos absolutos, da despesa pública que deve ser o objectivo essencial. Com nível tão elevado de despesa pública, a economia não cresce, por exigir uma contribuição fiscal desproporcionada dos cidadãos e das empresas, com efeitos perversos sobre o investimento empresarial e o consumo, e assim sobre a actividade produtiva.
2ª-porque a não redução da despesa, em termos absolutos, continuará a fazer crescer a já elevada dívida pública, arrastando o aumento dos juros e, consequentemente, da despesa total, ou então a exigir impostos acrescidos, com repercussões negativas no produto nacional.
3ª-porque a redução da despesa é, antes de mais, um imperativo nacional a cumprir por razões próprias, enquanto o rácio da CE é, para além de uma imposição externa, um mínimo vital que importa ultrapassar rapidamente.
4ª-porque só a redução autónoma da despesa é o remédio estável para obviar a períodos de crise ou de estagnação, que os ciclos económicos inevitavelmente trarão.
O que deve, pois, ser valorado é uma diminuição autónoma da despesa e não uma mera diminuição relativa, seja em termos de PIB ou de qualquer outra grandeza.
E não se diga que há o perigo de se morrer da cura; o verdadeiro perigo é o doente definhar de vez com as péssimas medicinas que lhe vêm sendo impostas. Sei que poucos me acompanham, mas a realidade dá-me toda a razão: somos o país do euro que menos cresce e o que mais aumentou impostos. E com a dívida pública a crescer, o desemprego a aumentar e o investimento a diminuir!… Não chega?

sábado, 7 de abril de 2007

As pulsões aristocráticas da Europa


O ´Expresso´ dava conta, na sua última edição, que a Comissão pressiona Portugal para não submeter a referendo a futura constituição europeia.

Faz mal o presidente da Comissão a ser verdade que exerceu esta pressão, e fará mal o Governo se a ela ceder.

As instituições europeias sofrem de um grave deficit democrático que, mais tarde ou mais cedo, se refletirá na legitimidade das decisões que incidam sobre os Estados e sobre os cidadãos. Não parece por isso avisada a ideia de tudo resolver nas conferências intergovernamentais, como os resultados dos referendos realizados já demonstraram.

Em Portugal a subtracção à discussão pública e ao sufrágio da questão do futuro modelo de governo europeu (entre outras tão ou mais relevantes), a acontecer, assumiria ainda maior gravidade porquanto se formou um amplo consenso partidário em sentido contrário.

São por isso preocupantes as declarações imputadas ao gabinete do Primeiro-Ministro no sentido de que a promessa é para manter, a não ser que haja uma "reviravolta" dos 27, o que significa que expressamente se admite voltar com a palavra atrás.

A quebra das promessas e da palavra dada pelos dirigentes políticos não é nada a que o País já não esteja habituado. E com a qual, pelos vistos, se conforma bem. Porém, se sempre lamentámos o afastamento dos cidadãos da discussão das questões europeias, mais lastimamos este acentuar das pulsões aristocráticas, bem representada pela mudança radical de opinião por parte de quem exerce agora as funções de presidente da Comissão.

sexta-feira, 6 de abril de 2007

Boa Páscoa!...

(Última Ceia-Óleo sobre madeira de 1508-Museu Nacional de Arte Antiga)

Dou-vos um mandamento novo: que vos ameis uns aos outros.
Jesus Cristo, na Última Ceia.

"Que chatice"!

Quando era miúdo gostava muito de ir às feiras. O buliço feirante, as múltiplas e coloridas barracas, os chamamentos dos vendedores, o constante regatear, a compra de umas botas ou de um boné, a oferta de um doce ou de um malga de tremoços, deixam-me saudades.
Havia, também, os vendedores da “banha da cobra”. Ficava seduzido por aquela verborreia. Começavam com as virtudes dos conteúdos de pequenos frascos. Serviam para as dores de todos os tipos, sarampo, impigens, trasorelho, mau-olhado, espinhela caída, cravos, verrugas, e sei lá que mais! Depois começavam com um valor muito alto, porque o produto tinha sido obtido de genuínos e muito raros animais. Logo a seguir, começavam a baixar, a um ritmo alucinante, os valores e, na parte final, acabavam por oferecer não um, não dois, mas mais três frascos pela compra de um! Era um corrupio ver as pessoas a largar as moedas e notas para adquirir o produto miraculoso. Até se atropelavam!
A última vez que vi um vendedor da “verdadeira” banha da cobra foi na feira de Vale de Açores – Mortágua, à qual tinha ido com o meu avô.
Recordei-me destes episódios quando li hoje o suplemento “Saúde Pública” do Expresso. O título “Água e fibras ajudam a controlar o peso” levou-me de imediato a ler o artigo que, diga-se, em abono da verdade estava muito bem feito e sem grandes incorrecções. Mas uma leitura mais cuidadosa denunciava facilmente os interesses de uma marca de água minero-medicinal enriquecida com fibras solúveis que, cientificamente, ajuda a reduzir o apetite após oito semanas! Andei à procura do artigo científico para o analisar, mas não o encontrei.
Na mesma edição é possível ler o “especial cerveja e saúde”. As virtudes miraculosas de várias substâncias existentes na cerveja são de bradar aos céus. Muitas delas conferem protecção contra o cancro, contra as doenças do coração e contra a osteoporose... Nem sabia que havia um Instituto de Bebidas e Saúde que tem financiado vários projectos de investigação, mediante a atribuição de bolsas. É certo que muitas substâncias em estudo, e que se encontram, também, em outras bebidas e produtos, poderão ter, e algumas até têm, efeitos interessantes, mas, o que salta aos olhos de qualquer um é a promoção da mesma, não obstante o conselho de que se deve beber com moderação! O limite é curioso, “ a ingestão diária que não ultrapasse os 200 ml de vinho ou 400 ml de cerveja (presumo que por dia), parece acompanhar-se de beneficio para a saúde cardiovascular”. As afirmações são acompanhadas de uma infografia interessante (valorizando a “loirinha”) do género: cerveja - 103 Kcal/250 ml; sumo de maçã -120 Kcal/250 ml; leite -134 Kcal/250 ml e iogurte fruta - 205 Kcal/250 ml! Logo, viva a cerveja!
Claro que não podia deixar de passar em claro o anúncio do leite “fibresse”, “physical”, “digest” e “plus ómega 3”!
Enfim! Ao anúncio: “Beba água enriquecida em fibras, porque ajuda a perder o apetite” (comprovado cientificamente!), podemos perguntar: mas não reduz o apetite para beber cerveja, pois não? É que se assim for, lá se vai o efeito protector cardiovascular da cerveja, para não falar do efeito anti-osteoporótico e anti-carcinogénico...
Que chatice!

Política pura e dura!...


O novo Reitor da Universidade Independente é Jorge Roberto. Jorge Roberto é funcionário da Caixa Geral de Depósitos, onde trabalha hierarquicamente subordinado a Armando Vara. Este Administrador é também, desde há poucos meses, diplomado pela Independente.
Política pura e dura ou apenas o esquecimento do provérbio da Mulher de César...?

quinta-feira, 5 de abril de 2007

O equívocos da foto do ano


É um lugar comum dizer-se que uma imagem não mente. Recorre-se à fotografia como meio de prova, dispara-se a máquina para registar o momento, palavras para quê? É só olhar e está ali tudo pronto para tirarmos conclusões.
A verdade é que não é bem assim, as fotografias podem não mentir (se não forem montagens, é claro, falo das inocentes, que captam um instante) mas também são um excelente meio para não se dizer a verdade toda. Uma imagem vem sempre buscar apoio à nossa imaginação para ser lida, se não tivermos qualquer referência do que aí se exibe temos que pedir ajuda para a entender completamente, e é este simples facto com que se conta quando se quer ocultar, sem mentir formalmente, a realidade de um facto.
Vem isto a propósito da “desmontagem” que agora veio a lume da fotografia que ganhou a Worl Press Photo, e que mostrava um belo descapotável com um grupo de jovens que parecia passear-se no meio das ruínas do Líbano, após um bombardeamento. Sem legendas, a reacção era automática. Que diabo!, há gente sem escrúpulos nem coração, uns ricaços a fazer pouco dos pobres, um bairro todo destruído e eles a tapar o nariz com o lenço, bem instalados, vê-se logo que nunca viram miséria… No nosso imaginário, à força de tanto vermos repetidos os estereótipos da desgraça, nos países como aquele não se vestem de t-shirt, nem andam de carro vermelho descapotável, as mulheres não são loiras e jovens e os rapazes só andam de espingarda na mão. Onde estão os trapos negros e poeirentos, as mulheres de lenço na cabeça e desdentadas, ou homens com ar rebelde e faminto, de turbante sujo?
Daí a meia mentira, daí a grande mentira. Afinal, o carro não era um espada de um capitalista americano, era um utilitário para classe média, e os jovens eram libaneses, os que ficam entre os muito pobres e os muito ricos, a avaliarem os estragos na zona em que viviam.Assim, a fotografia já não tem graça, assim, foi preciso “desmontá-la”, com insinuações sobre a falsidade de quem a tirou. Ou seja, se se soubesse a “verdade verdadinha”, já a arte tinha ido às urtigas, não havia prémio nenhum. Desgraça é desgraça, nada de mudar o imaginário colectivo.
Afinal onde é que está a mentira, no que vimos ou no que só deixam que se veja?

Para memória futura II

No meu post Para memória futura I, sobre a análise das contas públicas, concluía, baseado nos números do INE, que, em termos nominais, a única contribuição para a diminuição do défice de 2006 se deveu ao aumento das receitas. As despesas em nada contribuíram, porque no seu todo aumentaram, e da pior forma, já que as despesas correntes cresceram e as de investimento diminuíram.
Mais grave é a conclusão da análise da evolução da despesa corrente em termos reais, já que também experimentou um crescimento efectivo.
Com efeito, a despesa corrente aumentou 64.567 milhões de euros para 66.323 milhões de euros, isto é, 2,7% em termos nominais, contra uma inflação de 2,5%.
Portanto, a despesa pública cresceu em termos reais, não há volta a dar nem raciocínio que possa desmentir o facto.
Para tal bastante contribuíram gastos que o governo podia controlar, as despesas de consumo intermédio, que cresceram 2,9%, bastante acima da inflação.
Claro que o acréscimo da despesa corrente exigiu o acréscimo dos impostos. Estes passaram de 35.0001 milhões de euros para 37.592 milhões de euros, em valores absolutos, 2.591 milhões de euros, um crescimento nominal de 7,4%, isto é, cerca de 3 vezes a inflação!...
O que fez diminuir o défice foi pois esta extorsão fiscal aos portugueses, que assim tiveram que compensar o aumento da despesa que o governo, embora negando, de facto permitiu.
Governo esse que ainda diz, na sua propaganda, que não lançou mão de receitas extraordinárias!...

“Chuva de pássaros mortos”....

Na Austrália, numa pequena cidade portuária, curiosamente chamada Esperança(!), os habitantes começaram a observar um estranho fenómeno: os pássaros tombavam mortos dos céus, sem que houvesse um ataque maciço de chumbadas por parte dos caçadores! Como a hipótese de morte súbita por enfarte do miocárdio não foi colocada, os habitantes, alarmados, denunciaram a situação às autoridades, exigindo que as mesmas dessem explicações. As autoridades de saúde afiançaram que não tinham que se preocupar, mesmo depois de terem encontrado níveis elevados de chumbo e níquel nos tanques de água da chuva, a principal fonte naquelas paragens. Nalgumas amostras os níveis ultrapassavam em 130 vezes os limites. Milhares de pássaros morreram envenenados por chumbo.
Esperança é um porto através do qual são exportados níquel e carbonato de chumbo para a Ásia.
Agora interromperam as operações depois do chumbo ter poluído o ar, a água e o mar.
As populações estão indignadas, e muito preocupadas, pelo facto das autoridades terem demorado meses a esclarecer a situação, com a mais perfeita e despudorada arrogância de quem detêm o poder, apesar das evidências terem tido início em Dezembro!
Pensava eu que só no nosso terceiro-mundismo comunitário é que seria possível observar uma inoperância desta natureza, mas afinal também ocorre em países mais desenvolvidos do que o nosso.
Para esclarecer o problema criaram uma comissão (os mecanismos são os mesmos).
O ministro da saúde considera a situação preocupante, em termos de saúde pública, mas, logo a seguir, o responsável técnico do departamento de saúde australiano vem afirmar que os níveis de chumbo no sangue das pessoas não é assim tão elevado, em muitas pessoas. Logo, a causa não está perfeitamente esclarecida!
Entre nós não há registo, felizmente, de pássaros a caírem do céu. Mas as afirmações de que as incineradoras no meio da cidade são a “coisa” mais natural do mundo, ou que a emissão de poluentes provenientes da combustão de resíduos industriais perigosos é inferior aos combustíveis habituais dá que pensar.
Em síntese, os responsáveis não são muito dados a respeitar os direitos dos cidadãos. Austrália ou Portugal, qual a diferença?

Os "ovos" da Páscoa


Desejos de uma Santa Páscoa para todos os Amigos do 4R, cheia de esperança e de renascimento espiritual. Que dentro de cada "ovo" de Páscoa cada um saboreie as belezas mais "bonitas" da vida.

quarta-feira, 4 de abril de 2007

Os inimputáveis

Não gosto, por regra, de comentar o que está para além da minha compreensão. Mas perante o absurdo das declarações que tenho ouvido sobre as responsabilidades pela violência bárbara ocorrida no último Benfica-Porto, registo aqui, onde de vez em quando confessamos as nossas perplexidades, esta que é de bradar aos céus.
Logo na noite do jogo se começaram a ouvir vozes indignadas pela incapacidade da polícia em evitar os desacatos ocorridos no Estádio da Luz, prenunciados, aliás, por escaramuças fora do estádio e antes do jogo.
No dia seguinte veio a senhora comissária da PSP declarar que a culpa não era da corporação mas a título principal do Benfica que decidiu "unilateralmente" o local nas bancadas, pelos vistos inadequado, para colocar a claque "organizada" (vejam bem, "organizada"!) do Futebol Clube do Porto.
De imediato o senhor presidente do Benfica, em atitude que só se tolera, sabe Deus porque bulas, a dirigente de futebol, veio dizer que a senhora Comissária queria era palco mediático, dando a entender que a PSP tinha falhado em toda a linha e que ia pedir reuniões com não sei quem e fazer queixa, se necessário, ao Papa!
Como vem sendo hábito, de imediato se dividiram as opiniões, entre aqueles que cascavam na polícia e os que malharam no Benfica.
Curiosamente ninguém se referiu ao verdadeiros criminosos. Ninguém aponta o dedo a esses energúmenos que não raro põem em risco a integridade física e mesmo a vida de pacatos cidadãos, mesmo crianças que pacificamente querem viver as emoções do espectáculo.
Ter-me-á passado despercebida a consagração de uma nova inimputabilidade, que isenta de responsabilidade criminosos que desavergonhadamente exibem os seus talentos para a violência nos estádios? Ou será caso de uma inusitada força vinculativa dos factos a que todo o Direito tem de ceder, que torna imunes aqueles que, por condutas equivalentes fora dos estádios, seriam imediatamente perseguidos, acusados e punidos?
Mas a minha maior perplexidade é esta. Tratando-se de gente sem emenda, criminosos assumidos, o que faz com que os clubes alimentem estas assim chamadas claques organizadas, grupos onde comprovadamente se reune o pior que a sociedade tem, gente que nada tem a ver com o desporto e com o que ele significa?
E o que esperam os poderes para, de uma vez por todas, extirpar esta vergonha, remetendo para a clandestinidade a ditas claques e punindo exemplarmente os clubes que as organizem ou que com elas pactuem?

Tão nova (a lei) e já com problemas...

O Ministro das Finanças "confessou" ontem na Assembleia da República que a imposição do tecto salarial na administração pública "é uma fonte de dificuldades" na atracção de altos dirigentes e de quadros altamente qualificados.
Pois é, não tenho a mínima dúvida. E era algo que já se sabia, quando a lei foi aprovada pelo Governo. Uma lei que ainda não teve tempo para "aquecer" e que já é objecto de insatisfação por parte de quem a aprovou.
Trata-se de matéria absolutamente estruturante, à qual não deveria ser indiferente a reforma que o sector exige. Todos sabemos que é necessário dotar a administração pública de um sistema salarial competitivo, que seja capaz de reter no seu seio os melhores e que disponha de capacidade para ir ao mercado recrutar as melhores competências e qualificações.
As armas utilizadas pela administração pública e pelo sector privado num domínio tão essencial como é a gestão dos recursos humanos não são as mesmas. Mas deveriam ser, pelo menos tendencialmente…
O tecto salarial é uma desvantagem para a contratação do sector público. Com esta visão "hermética" não serão removidas as dificuldades em atrair e reter talentos.
Em Março escrevi – aqui no 4R – sobre a gestão dos recursos humanos da administração pública (que gosto, aliás, de apelidar de gestão de pessoas), justamente a propósito do tecto salarial. E o que disse mantenho em "Na pista da reforma da administração pública..."

OTA: um grande "buraco"

-- fotografia tirada em Novembro de 2006 (?), no âmbito de um trabalho preparado pela Alambi (?) --

Parece que a OTA é a maior construção do mundo feita em leito de cheia!
Esta imagem é razoável para suscitar muitas dúvidas...

Caro Dr. Pinho Cardão, o seu optimismo é o melhor antídoto para o pesadelo! E enquanto não há OTA, há esperança...

Nem OTA...nem desOTA!...

A irracionalidade da opção pela OTA começa a vir ao de cima.
Elisa Ferreira, ex-Ministra do Ambiente, veio lembrar duas coisas: a primeira de que apenas deu o seu acordo à conclusão dos serviços de que “a OTA tinha menores impactos, era a solução menos má”, e a segunda, de que “nunca vetou Rio Frio”. Mais disse que havia questões fundamentais que deveriam ser clarificadas, nomeadamente a economia do projecto.
João Cravinho, na altura Ministro do Equipamento, também admite que a localização deve ser reavaliada, se surgirem factos novos que ponham em causa a OTA. O Poceirão e as Faias são dois deles.
Paulo Campos, Secretário de Estado Adjunto do Ministro Mario Lino, admitiu a possibilidade de repensar a localização do novo aeroporto, referindo mesmo que o Governo não é autista.
Por enquanto, o Ministro mantém o seu compromisso pessoal de construir a OTA. Todavia, vai evoluindo. Embora dizendo que não acredita em milagres, o que até se compreende, já vai admitindo que possam existir!... Mas vai ser o maior obstáculo à racionalidade.
Entretanto, e para o exterior, o Governo continuará a afirmar a OTA e a sua dinâmica imparável. Até quando? Até Sócrates poder inflectir, o que fará na precisa oportunidade em que melhor possa capitalizar o facto!...
Portanto, e até lá, embora em aparente ebulição, a OTA fica congelada.
Isto é, nem OTA… nem desOTA!...
Depois disto, ficarão os meus amigos a pensar que sou o mais incorrigível dos optimistas!...
Talvez...mas estou um pouco sonolento, porventura até já a sonhar...mas não é o sonho que comanda a vida?

Dono de Cão Morde Polícia Perigoso...ou Dono Perigoso de Cão Morde Polícia...ou




Quando passo os olhos nos títulos dos jornais, lembro-me muitas vezes do rigor com que a minha professora de português analisava a colocação das palavras em cada frase, obrigando-nos a tentar vezes sem conta até o sentido sair escorreito e directo. Para ilustrar como o assunto era importante, começava a imitar um vendedor ambulante: “ -Quem quer chapéus para meninos de palha, quem quer???” É claro, dizia ela, não devia vender nenhum!
Hoje pensei encontrar mais “um menino de palha” quando li, no DN “Dono de cão perigoso morde polícia na Cova da Moura” mas desta vez enganei-me. Não era um erro.
A notícia contava que um homem ia com um cão, sem trela nem açaime (o cão, não o homem, até já estou baralhada) os polícias pediram-lhe os documentos (do cão, não do homem!) e o homem mordeu-lhes (não o cão, o homem). Na refrega que se seguiu, o homem ameaçou atacar os polícias com o cão que, aproveitando a confusão, fugiu para parte incerta (o cão, não o homem).
Fim da história: os polícias receberam tratamento hospitalar (por causa do homem e não do cão), o cão fugiu da polícia (não do dono) e o dono, que passeava o cão, ficou preso por morder os polícias…

Convenhamos que era difícil ordenar esta frase-título com algum sentido!
Às vezes tenho saudades do tempo em que os exemplos absurdos ainda faziam rir…