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sábado, 19 de março de 2005

A Pesada Herança no Ministério da Educação

O respeito por princípios éticos elementares condicionou a divulgação de alguns factos que reputo de importantes. Não se justificando já essa limitação e para que a história não seja apagada de forma a não deixar marca, passo a divulgar algumas das iniciativas que transitaram do XV para o XVI Governo Constitucional no âmbito do Ministério da Educação:

1. AUTARQUIAS - Protocolo com a Associação Nacional dos Municípios Portugueses visando regular a articulação entre o ME e os Municípios no reordenamento da rede escolar (pré-escolar e 1.º ciclo) e a aprovação e financiamento das cartas educativas. O protocolo estava pronto a assinar.
2. EDUCAÇÃO MORAL E RELIGIOSA - Ficou pronto o projecto de Decreto-Lei que define a organização das turmas e as matrículas nesta disciplina, segundo o princípio da liberdade religiosa e do igual tratamento das diferentes confissões.
3. EDUTEC – Rede Nacional de Escolas Tecnológicas de Referência. Programa previsto no PLANO NACIONAL DE PREVENÇÃO DO ABANDONO ESCOLAR, visando a estruturação de uma rede de escolas que permita uma articulação mais estreita entre a educação, a formação e o mercado de trabalho. Propõe-se constituir, até 2006, uma rede de 15 a 20 escolas que possam, a título de experiência pedagógica e de gestão, constituir um elemento de referência para o futuro do ensino tecnológico e profissionalizante. O acordo com as principais associações empresariais e o IEFP estava já assegurado.
4. ENSINO PORTUGUÊS NO ESTRANGEIRO - Estava pronto (impresso) o relatório e documento orientador das políticas de promoção do ensino português no estrangeiro. O mesmo deveria ser presente a Conselho de Ministros para uma aprovação na generalidade a que se seguiria um período de discussão pública.
5. FORMAÇÃO E DESENVOLVIMENTO PESSOAL E SOCIAL - Foi elaborado um primeiro relatório e plano visando instituir a leccionação de uma disciplina curricular, entre o 3.º e o 9.º anos, associada a esta área de formação dos alunos e integrando a educação sexual. Estava igualmente pronto o projecto de resolução a apresentar a Conselho de Ministros definindo os princípios orientadores e a nomeação de uma especialista para liderar o grupo de coordenação entre o Ministério da Educação e da Saúde.
6. GESTORES DE ESCOLAS - Estava praticamente terminado o Primeiro Curso de Formação de Gestores Escolares formados pelo INA. Esta primeira experiência foi gizada a partir do apuramento de dificuldades sentidas por alguns presidentes de Conselhos Executivos. Pretende-se que a este primeiro curso se sucedam outros de forma a constituir uma base de recrutamento suficientemente alargada e qualificada para assumir o projecto da profissionalização da gestão das escolas.
7. MANUAIS ESCOLARES - Estava pronto o projecto de Decreto-Lei que define o regime de adopção e comercialização dos manuais escolares. O principal aspecto a destacar é o da consideração do preço como factor ponderado de selecção, rompendo com o princípio dos preços convencionados. De referir a instituição do princípio da avaliação dos manuais escolares, de acordo com um plano de avaliação sistemática e progressiva dos cerca de 2100 manuais existentes no mercado.
8. PLANO ESPECIAL DE QUALIFICAÇÃO DO 1.º CICLO DO ENSINO BÁSICO - Lançado no início do Ano Lectivo de 2003-2004, este plano visava qualificar o 1.º ciclo do ensino básico e promover a utilização das TIC. Objectivo a atingir: 1 PC / sala de aula, em escolas de, pelo menos, 10 alunos. Para além do PC financiou-se a aquisição de uma impressora multi-usos, software educativo e ligação à Internet. O concurso estava a decorrer no âmbito do PRODEP. Para além destas medidas ganham relevo os rastreios à visão e audição a iniciarem-se em 2004-2005.
9. PLANO NACIONAL EDUCAÇÃO E CULTURA - Promover uma maior ligação da escola às actividades culturais e reforçar a componente cultural das aprendizagens. Estes são os objectivos centrais enunciados pela iniciativa conjunta dos Ministérios da Educação e da Cultura que conduziram à constituição de um grupo de trabalho responsável pelo relatório e recomendações em anexo.
10.BRE@D – BANCO DE RECURSOS EDUCATIVOS DIGITAIS - Trata-se de um projecto que poderá disponibilizar o acesso fácil a recursos educativos (materiais didácticos, exames, testes, e outros conteúdos digitais) bem como estruturar as primeiras plataformas de e-learning. Mais do que uma plataforma de formação e apoio aos professores portugueses, pretende-se que o seja para todo o mundo onde se ensine em português, objectivo que concretiza a política de cooperação com outros países na área da formação de professores. Estão concertadas as parcerias da Microsoft, Intel e Portugal Telecom, relativamente ao fornecimento de conteúdos e plataformas tecnológicas, bem como o envolvimento das associações de professores e centros de formação das associações de escolas.
11. BIBLIOTECAS ESCOLARES E PROMOÇÃO DA LEITURA E DA ESCRITA – Ficou constituído o grupo e definido o programa de trabalho para ser afecto à rede de Bibliotecas Escolares, o Plano Nacional de Promoção da Leitura e da Escrita, com incidência prioritária nos primeiros anos de escolaridade.
12. EDUCAÇÃO ESPECIAL E APOIO SÓCIO-EDUCATIVO - O documento foi objecto de discussão pública. Uma primeira leitura desses contributos e uma proposta de diploma reuniam as condições para serem sujeitos à aprovação do Conselho de Ministros.
13.PER.EB1 - Plano Especial de Reordenamento das Escolas do 1.º Ciclo do Ensino Básico – esta é a designação para o processo de reordenamento da rede de escolas 1.º ciclo e que foi aplicada ao Alentejo e Algarve de forma pioneira e experimental. O objectivo era o de reduzir de forma significativa o número de escolas com poucos alunos, promovendo a sua concentração. Este programa criou um conjunto de incentivos aos Municípios de forma a promover a concentração em centros escolares dotados de melhores condições infraestruturais (refeitórios, bibliotecas, salas para actividades físicas, ocupação de tempos livres, etc.). No processo de reprogramação dos PO’s regionais conseguiram-se algumas verbas para este financiamento. Os objectivos a atingir consagravam o final do ano de 2003-2004 como meta para o encerramento de escolas com menos de 5 alunos e 2006-2007 para o encerramento de escolas com menos de 10 alunos.

Gaivotas em terra...

... sem a benção da chuva que tarda. Posted by Hello

Fotonatura

Alguém me indicou o site de Eduardo Barrento. Para quem gosta de boa fotografia da natureza (e não só) .

sexta-feira, 18 de março de 2005

Em(pec)ados

Até à última reunião da Comissão de Economia da Assembleia da República ouvi distintos deputados do Partido Socialista defender a tese de que a consolidação das finanças públicas só era concretizável pelo dado da receita, ou seja aumentando impostos.
Depois ouvi o Eng.º Sócrates assegurar que não haveria aumento de impostos, ou seja, que a consolidação das finanças públicas teria de ser feita por via da contenção da despesa e pelo crescimento das receitas induzido pelo crescimento económico.
As primeiras declarações do novo Ministro das Finanças foram claras: a consolidação faz-se no lado da despesa e só em caso de insucesso e a médio prazo se poderia admitir aumento de impostos.
Dias mais tarde ouvimos o Governador do Banco de Portugal sugerir o aumento de impostos sobre os combustíveis e os automóveis para fazer face ao aumento dos encargos com as SCUT.
Por último, as mais recentes estatísticas nacionais confirmam uma pequena recessão técnica na passagem do ano, as informações dos mercados revelam um novo record na cotação do barril de petróleo, o dólar continua a bater no fundo, a Alemanha inventa programas e acordos para combater o desemprego e animar a retoma.
É preciso uma imaginação muito fértil para poder reconciliar tudo isto. Como não tenho essa imaginação, só vejo uma solução: aumentar mesmo os impostos, mais cedo do que seria de esperar e de forma mais violenta do que se possa imaginar.
Mesmo que o Sr. Ministro das Finanças esteja convicto da necessidade de controlar ou mesmo diminuir a despesa, ele sabe melhor do que ninguém que, a fazê-lo, os efeitos serão sempre diferidos. O aumento dos impostos produz efeitos a mais curto prazo.
Ah! Há mais uma solução: não respeitar o PEC!!!

quinta-feira, 17 de março de 2005

O disponível pescoço do Sr. Conselheiro

O Senhor Conselheiro que celebrou a vitória do PS numa sede distrital com um cachecol partidário que lhe foi colocado à socapa e com toda a certeza pela força, recebeu do órgão a que vice-preside mais uma protecção para o seu sempre disponível pescoço. Não sei se o cachecol e esta decisão lhe assentam bem. O que sei é que são ambos tão leves, tão leves que o Senhor Conselheiro tem sobejas razões para os não sentir. Mas pesam enormemente sobre a credibilidade da magistratura.
Para mim os juizes não mereciam uma decisão como esta. Por motivos óbvios...

A grande revolução

A ideia de pagar as SCUTS com o imposto sobre os combustíveis é notável, revolucionária e merece ser aprofundada.
Até aqui, os impostos destinavam-se a financiar as funções gerais do Estado.
A partir de agora, cada categoria de imposto passará a financiar uma função determinada.
Assim, o cidadão passará a pagar:
• As estradas, cada vez que mete combustível
• A segurança, cada vez que mete uma queixa à polícia
• A saúde, cada vez que se mete com o médico ou a farmácia
• A educação, cada vez que se mete numa aula
• ……….
Mas a ideia tem um outro efeito, e este é o mais relevante: parece-me a única capaz de levar á reforma da Administração Pública.
Por um lado, os serviços procurarão promover as vendas, passando a dar mais atenção ao cliente.
Por exemplo, os polícias irão fazer campanhas de queixas, praticando preços de promoção.
As aulas após o almoço também terão descontos…
Por outro lado, é a forma eficaz de extinguir os serviços denominados públicos que não têm público, isto é, clientes, ou de os pôr a exportar.
Assim, o Exército, à míngua de clientes internos, teria que se voltar decididamente para o exterior, disputando os mercados de largo potencial, que ainda existem.
Poderá perguntar-se o que fazer ao IRS ou ao IRC.
A primeira coisa que lhes vai acontecer é mudar de natureza:se o imposto sobre os combustíveis passou a taxa, o IRS e o IRS não podem ser discriminados e passam também,e naturalmente, a taxas.
Mas as consequências são relevantes.
O IRC passa a ser a taxa a pagar ao Estado pelo serviço que este se compromete a prestar às empresas, proibindo constitucionalmente o Governo de interferir na economia.
O IRS passa a ser a taxa a pagar ao Estado pelo serviço que este se compromete a prestar ao cidadão, dando-lhe um Governo com poderes presidenciais num regime parlamentar.
Estamos, assim, de parabéns, com este inovadora estratégia win, win: todos ganhamos com ela!...
E aviso já que é a primeira manifestação da avançada tecnologia socialista!...

Os colocadores de feltro

É o título do artigo de opinião de José Pacheco Pereira, na edição de hoje do jornal Público.
Recomendo a leitura.
O regresso? Posted by Hello

Recomeçou a brincadeira!

Ainda não passou uma semana desde que tomou posse e o Governo já retomou a velha técnica guterrista.
Fazem-se umas notícias, testa-se a populaça, mede-se as reacções e depois...
... decide-se o que se quer e o que se faz em função do que se pensa serem as reacções às notícias.
David Justino estava optimista quando dizia no post anterior que "lá para o final da semana deverá surgir mais qualquer coisa".
Ainda não chegámos ao final da semana e já aí está!

quarta-feira, 16 de março de 2005

O que faz falta é animar a malta

Ainda vamos a meio da semana e já temos dois temas suficientemente polémicos para nos entreter: liberalização da venda dos medicamentos que dispensam prescrição médica e financiamento das SCUT. O primeiro só é polémico num país em que existe monopólio das farmácias; o segundo, anuncia pura e simplesmente o aumento dos impostos.
Retoma-se uma velha prática já utilizada pelo anterior governo do PS. Antes de tomar a medida, testa-se e prepara-se a opinião pública para o que vem a seguir. A primeira medida foi anunciada pelo Primeiro-ministro; a segunda, surpreendentemente, foi sugerida pelo Governador do Banco de Portugal. A que propósito?
Aposto que o PS não vai anunciar ou propôr ao PR "uma central de informação". Pura e simplesmente, já está a funcionar. Lá para o final da semana deverá surgir mais qualquer coisa. Apostamos?

terça-feira, 15 de março de 2005

O espírito empresarial

Também há coisas boas em Portugal, mas o problema é que não se fala delas.
Aqui vai uma: a Universidade Católica vai iniciar um curso de empreendorismo.
Trata-se de uma iniciativa que deve ser enaltecida.
Todos afirmamos, e ninguém duvida, que a inovação impulsiona o crescimento.
Todavia, o pleno aproveitamento dos efeitos da inovação exige espírito empresarial.
Nas estatísticas que serviram de suporte a um documento da Comissão Europeia sobre os grandes desafios para a Europa, aparece um quadro onde se explicita a propensão para o empreendorismo, quer na UE-15, nos EUA e nos diversos países da União.
Segundo essas estatísticas, na UE-15, cerca de 50% das pessoas que fizeram parte do universo das sondagens considerariam tornar-se empresários.
Nos Estados Unidos, a percentagem é superior a 60%.
Na Europa, a percentagem mais baixa é na Finlândia, com uma percentagem um pouco abaixo dos 30%, e, caso curioso, Portugal aparece logo em segundo lugar, com uma percentagem de cerca de 65%, o que é excelente.
Parece assim que Portugal se encontra no bom caminho, no que respeita à criação de uma nova mentalidade que leve a criar novos empreendedores, capazes de se adaptarem às novas oportunidades do mercado e de transformar ideias e inovação em produtos e em projectos empresariais.
Os empresários são a mola real da economia, não o Estado.
É o investimento privado e não o aumento da despesa pública que garantem o crescimento.
Por isso mesmo, é reconfortante ver a iniciativa da Universidade Católica Portuguesa, pelo seu simbolismo e importância prática.

De novo o financiamento das auto-estradas

Não se conhece a opinião do Ministro das Obras Públicas e do Governo sobre o problema das SCUT. Há-de, mais tarde ou mais cedo, conhecer-se a solução ou as soluções porquanto o pagamento das auto-estradas sem portagem a quem as financiou é um problema grave, não é uma quimera política. Porventura serão conhecidas essas soluções com a apresentação e discussão do programa do Governo.
Entretanto, pela voz de Vitor Constâncio surge uma proposta que muitos dirão que é o "ovo de colombo". Se bem percebi do relato de uma intervenção do governador do Banco de Portugal, a proposta consiste em afectar ao financiamento das auto-estradas (julgo que também ao retorno do financiamento das SCUT já em operação) o produto das receitas com os impostos sobre os veículos e sobre os combustíveis.
Não é, na verdade, uma proposta nova. Há mais de uma década, um estudo do então Gabinete de Estudos e Planeamento do Ministério das Obras Públicas apontava como solução para o investimento público na modernização da rede rodoviário a conjunção dos fundos estruturais com a afectação de parte das receitas fiscais geradas nas actividades económicas que dependem da estrada. Nessa altura a proposta foi desfenestrada, se bem me lembro, com o argumento formal de que tal violaria o sacrossanto princípio orçamental da não-consignação de receitas.
O retomar do essencial desta proposta parece-me uma boa medida. Porque, como já aqui escrevi, o desenvolvimento do interior do País depende muito das vias de comunicação que permitam a fixação de actividades geradoras de riqueza. A manutenção de níveis de povoamento depende dos cómodos oferecidos ás populações. Cómodos primários, de fácil e rápido acesso ainda que se situem a alguma distância. Refiro-me aos equipamentos de saúde. Ou aos escolares. Há não muito tempo seria impensável que um jovem do Peso da Régua ou de Lamego pensar frequentar a UTAD em Vila Real sem que isso custasse ao próprio a deslocação para a esta cidade.
Espera-se, contudo, que a solidariedade que a medida reclama de todos os contribuintes em favor das regiões mais desfavorecidas, não se estenda às auto-estradas que nunca deveriam ter sido construídas em regime de SCUT, como é o caso das que se situam no litoral.

Beirute, o irresistível aroma da liberdade

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A reacção popular contra a presença síria e a resposta à manifestação do Hezbollah, fazem-nos ter esperança e a certeza que a liberdade não é um luxo para países ricos.
Espero que, desta vez, o Bloco de Esquerda e o PCP apresentem moções de congratulação pela retirada síria.

Deixar marca...

... é o que se poderá depreender do último despacho da Ministra da Educação cessante publicado no site deste ministério.
O XV Governo tinha praticamente concluído em Junho de 2004 um diploma sobre a reforma do ensino especial e apoio sócio-educativo: discussão pública realizada, contributos identificados e sistematizados, faltava só publicar a versão final na posse dos serviços.
Porém, no XVI Governo decidiram que faltava qualquer coisa…
Encomendaram mais um estudo, por sinal à Professora Leonor Moniz Pereira, por sinal também cunhada da Senhora Ministra cessante.
Associaram também o contributo de uma assessora, Dra. Sofia Reis, por sinal contratada com data de 1 de Dezembro último e que, também por sinal, exercia funções de secretariado na Associação de Estabelecimentos de Ensino Particular e Cooperativo (AEEP) a que pertence, por sinal, o Chefe de Gabinete da Senhora Ministra cessante.
Por este contributo inigualável a Senhora Ministra cessante agradece reconhecida e remata com uma pérola sem igual: "As contingências da vida política do nosso país não me deram tempo para promover a implementação deste programa. Deixo-o, pois ao futuro Governo, esperando por esta via minorar os custos que tem tido, para Portugal, o facto de em 30 anos de democracia ter tido 27 diferentes Ministros da Educação".
Ao fim de oito meses de governação, a Senhora Ministra cessante produz um relatório de 18 páginas que nada adianta ao que já havia sido definido.
Quanto ao diploma que estava pronto, não há memória da sua existência. Pura e simplesmente desapareceu!
Bem dizia um ex-Ministro da Educação: "Pior que mudar de Partido no Governo, é mudar de Governo dentro do mesmo Partido".

domingo, 13 de março de 2005

Áreas Protegidas - II - O Parque Nacional da Peneda-Gerês

É a joia da coroa.
Criado por decreto-lei em 1971, constitui a única área protegida com estatuto de máxima protecção - o de parque nacional.
Neste parque ocorre tudo o que justifica a criação das áreas protegidas e a necessidade de garantir a sua permanência. As geo-formações notáveis, não somente os espinhaços ou a monumentalidade das graníticas encostas das Serras do Soajo, Amarela, do Gerês e da Peneda, mas também fenómenos como as caldas, nascentes de águas com propriedades quasi milagrosas de que os avós falavam como panaceia para tantas maleitas. A existência de raridades da flora nativa, como o hipericão-do-Gerês (tanto litro de chá bebido nas infantis crises de fígado!), o lírio-do-Gerês ou o feto-do-Gerês ou as valiosissimas manchas de carvalho-negral entre outras, igualmente valiosas, de Quercus. As matas de Palheiros/Albergaria detêm o estauto de reserva biogenética do Conselho da Europa.
A fauna, apesar de admirável, foi empobrecendo ao longo dos tempos. Por ali já existiu o urso e a cabra do Gerês, extintos, salvo erro, nos séculos XVII e XIX respectivamente. A população de corço (emblema do Parque) e de outras espécies da mesma família já conheceu outros números; e o lobo, obrigado a alimentar-se do gado e ameaçado pelas indemnizações que não são pagas aos proprietários, corre aqui o mesmo risco que noutros sítios do País e de Espanha (como se deu nota num bom trabalho publicado na última revista do Expresso). Da águia real espero que se não ouça falar, nos próximos tempos, para anunciar o seu desaparecimento do território...
Mas o Parque não vale só por isto - e já seria muito. Vale também pela humanização. Pelos testemunhos de tempos idos de como o homem foi capaz de dominar, sem destruir, a natureza. Ali se pode ver a geira romana, caminho aberto por entre as duras fragas no vale do Homem, para além de um sem número de momumentos medievos.
São 70.000 hectares de deslumbramento nos concelhos de Melgaço, Arcos de Valdevez, Ponte da Barca, Bouro e Montalegre.
E os cheiros da Primavera são inolvidáveis!


Áreas Protegidas - I

Constituem repositórios de uma imensa riqueza.
São santuários de flora e fauna, de formações geológicas espectaculares. Constituem instrumentos de preservação do que, infelizmente, adquiriu o estatuto de espécie-relíquia. Mas são também testemunhos de culturas milenares, de etnografias que são a essência da nossa identidade. De relação entre os homens, as suas necessidades e a capacidade de gerar equilíbrios ecológicos fundamentais para a sua subsistência e das gerações futuras.
São as nossas áreas protegidas.
Poucos as conhecem. Muitos são os que entendem que assim deve continuar a ser como condição de se proteger o que de raro ali existe. Nada de mais errado. Além da esmagadora beleza dos cenários ou do encanto dos acervos biológicos que nelas se encontram constituirem património colectivo de que ninguém deve ser privado, o conhecimento é a principal garantia da conservação da biodiversidade. Ninguém respeita aquilo de que não conhece o valor.
Da Peneda-Gerês à Ria Formosa e ao Sapal de Castro Marim, são mais de trinta os parques, as reservas naturais, as áreas de paisagem protegida ou monumentos naturais que integram a nossa rede de áreas protegidas de âmbito nacional e local.
Conhecê-las é fundamental.
Estimular a esse conhecimento, não só aos mais novos mas a todos, deveria ser uma preocupação política no domínio da conservação da natureza.
De quando em vez, contem com um post sobre algumas. Com especial relevo para as que já tive o privilégio de visitar.


sábado, 12 de março de 2005

Pela boca morre o peixe...

... ou, por outras palavras, a defesa da participação das mulheres na actividade política.
Isto é a propósito do número de mulheres que integram o Governo de José Sócrates. São seis.
E as mulheres socialistas têm razão quando protestam.
Afinal, foram elas que tanto criticaram a ausência de mulheres nas listas de candidatos a deputados do PSD. Foram elas que fizeram coro desse facto em conferências de imprensa e em debates... para ajudar o PS na campanha eleitoral.
São agora elas que ficam na posição desconfortável de explicar tão diminuta participação de mulheres no Governo.
Podemos concordar ou discordar da questão das quotas - eu discordo profundamente -, podemos achar as atitudes feministas ridículas - e nalguns casos até o são -, até podemos considerar risível anunciar as escolhas com a contabilização das mulheres.
Mas fazer da participação das mulheres uma bandeira eleitoral, arrastar as mulheres para o combate político em torno deste facto e depois apresentar este resultado na composição do Governo é, no mínimo, embaraçoso...

Revisão não consumada

Parece que as coisas estão a correr mal para todos aqueles, políticos, professores, engenheiros, juristas, economistas e equiparados que vêm defendendo a revisão do Pacto de Estabilidade e Crescimento, com vista à sua flexibilização, isto é, para permitir que o Estado gaste mais!...

Estão a correr mal para eles, mas, felizmente, bem, para a economia portuguesa e para os portugueses.

A difícil situação das finanças públicas deve-se sobretudo ao excesso de despesa do Estado, que representa a enormidade de 49% do PIB, e tem reflexos negativos na economia, pelos constrangimentos que nela provoca, ao apropriar-se de recursos que seriam utilizados de forma mais racional e produtiva pelos investidores e consumidores privados.

Pretender flexibilizar o défice, aumentando a despesa pública para obter crescimento é como receitar a um doente o mesmíssimo medicamento que lhe vem agravando a doença.

Eu até entendo que os políticos para quem governar é gastar (nem todos, felizmente…), defendam tal (des)propósito, mas alguns professores, Senhor; por que pensam também assim?

O absurdo não é só português; entre outros, também é alemão.

O défice orçamental da Alemanha nos dois últimos anos significou uma injecção de fundos pelo Estado equivalente a 1,3 vezes a totalidade da economia portuguesa.

Apesar desse brutal investimento, o nível de actividade económica não arrancou e o desemprego aumentou; aliás, vem atingindo, sucessivamente, os seus maiores valores.

De facto, a despesa pública não potencia crescimento.

A verdade é que, de 1991 a 2004, os EUA foram a economia que mais cresceu e a que mais diminuiu o consumo público.

Ao contrário, a EU-15 aumentou o consumo público e cresceu menos do que os EUA.

Mais exemplos poderão ser dados para verificar, no médio prazo, que é o da economia, esta evidência empírica.

Alguém está interessado?

O Pacto chama-se, e bem, de estabilidade e crescimento: é que não haverá crescimento duradouro sem bases estáveis, nomeadamente a das finanças públicas.

A Europa, nesta matéria da revisão, vai no bom caminho!...

Um exemplo a reter

Nogueira de Brito, Presidente da Cruz Vermelha Portuguesa (CVP), apresentou a demissão ao Ministro da Defesa.
A notícia seria irrelevante, não fosse o facto da nomeação de Nogueira de Brito ter estado envolvido numa enorme polémica em 2003, quando Maria Barroso, então Presidente da CVP em fim de mandato, não foi reconduzida.
É um exemplo que merece ser salientado.
Em 2002, quando o Governo mudou, Maria Barroso devia ter feito o mesmo.
Em 2003, quando Maria Barroso não foi reconduzida, assistimos a uma controvérsia inútil, como se a Senhora fosse a dona do lugar.
Nessa altura e pela primeira vez, um partido político pela mão da Presidente desta instituição realizou actividades políticas nas instalações da Cruz Vermelha. O partido foi o PS e a Presidente da CVP era a Dra Maria Barroso.
Nogueira de Brito, tomou uma atitude correcta. Que devia servir de exemplo...

sexta-feira, 11 de março de 2005

Enquanto há Visa, há esperança

Uma reflexão rápida sobre a publicação dos números das contas nacionais pelo INE. Crescimento de 1% do PIB à custa da procura interna e do consumo privado com reflexo imediato no crescimento rápido das importações e num aumento significativo do deficit da balança comercial. Consequência imediata, o proporcional aumento das necessidades de financiamento e do endividamento global.

A política de contenção de Manuela Ferreira Leite foi apenas um “choquezinho”. Tenho a sensação que a maior parte dos portugueses ainda não percebeu o que é um “choque” a sério na política de rendimentos.

Ao primeiro sinal de “luz ao fundo do túnel” os portugueses voltaram a consumir e a endividar-se. Não é por acaso que os jornais de hoje falavam do esgotamento dos principais destinos turísticos para as próximas férias da Páscoa.

Imaginem o que seria sem o "discurso da tanga".