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quarta-feira, 28 de setembro de 2005

terça-feira, 27 de setembro de 2005

“A Fuga de Sharpe”

Faz hoje 195 anos que se travou a batalha do Buçaco. Na madrugada de 27 de Setembro, as tropas anglo-lusas bloquearam a progressão do marechal Massena, infligindo a sua primeira derrota, no seu aparente passeio até Lisboa.
Os relatos pormenorizados da batalha são de arrepiar, acabando por provocar muitas vítimas. Mais de 5.000 pereceram naquelas encostas, a grande maioria francesa.
O acontecimento faz parte da nossa memória colectiva.
Conhecendo, e tendo calcorreado, na região Centro, as vias seguidas pelo “L´Armée du Portugal”, fruto do facto de, desde muito cedo, ter ouvido - antes de ler a história oficial - muitas histórias sobre as invasões contadas pelos mais velhos, lembrei-me de escrevinhar esta nota.
Muitas histórias focavam a destruição praticada pela população de tudo quanto pudesse beneficiar os invasores, numa política de terra queimada, da fuga das populações, das escaramuças, da bravura e traição dos portugueses. O relato da traição de um português que ensinou ao invasor como contornar a serra, indo alcançar directamente a estrada bairradina, permitindo o avanço fácil sobre Coimbra e Lisboa, era contada amiúde pelos avós e tios, os quais conseguiam romancear os acontecimentos prendendo a atenção dos mais novos.
A tradição oral ainda funcionava. As histórias de pessoas e tesouros escondidos, a fuga de muitos, os ataques dos guerrilheiros, os cortes das pontes, os achados de material de guerra nos campos, a pilhagem que faziam aos franceses que, nas refregas, feridos e perdidos, eram apanhados pelo povo, acabando por serem mortos e espoliados de luíses de ouro, eram deliciosas.
Os meus avós paternos sabiam contar histórias maravilhosas. Nas noites de verão, na varanda, com as cigarras a servirem de coro, ouvíamos atentos romances históricos. A fim de reforçar a veracidade de alguns episódios ligados às invasões, fui presenteado, numa noite, por duas bolas de ferro meio avermelhadas e pesadas, uma pequena e outra maior, encontradas pelos avós dos meus ao longo da velha via percorrida pelo “Filho dilecto da vitória”, designação dada por Napoleão a Massena. Os meus olhos ficaram regalados, mal conseguindo dormir nessa noite, acariciando as duas esferas das bocas de fogo francesas, imaginando as lutas daquele tempo.
Hoje, dia 27 de Setembro terminei a leitura de um belo romance do escritor britânico Bernard Cornwell, sob o título “A Fuga de Sharpe” (Campanha do Buçaco – Portugal 1810).
Uma bela história que me fez recordar outras velhas histórias…

Nossa Senhora de Felgueiras

Estou estupefacto - o termo parece ganhar estatuto no discurso político português, substituindo a guterríssima expressão de "estou chocado" - com a entrevista do sociólogo Fernando Ruivo ao Público a propósito do caso Flegueiras. São autênticos mimos as teses deste coordenador do Observatório do Poder Local. Vamos a alguns exemplos:
"Aquela recepção foi também empolada pelo facto de se chamar Fátima. O culto mariano está muito entrosado na mentalidade das mulheres"
"...Fátima Felgueiras representa a luta contra o lado masculino do poder."
"Fátima Felgueiras aparece como salvadora do povo perante a crise, perante o mal, perante a desgraça, ..."
"É o já chamado "efeito Evita Perón".
"Nos casos de Gondomar e de Oeiras, o PSD resolveu entronizar uma regra que devia ser de ouro: quem é suspeito não se deve candidatar a cargos públicos".
"Por fenómenos semelhantes ao que estamos a atravessar, de recurso a mecanismos populistas em territórios com a identidade absolutamente esmigalhada, é que o nazismo e o fascismo chegaram ao poder."
Ao que se presta a sociologia! Mas é a coberto destas "autoridades científicas" que se promovem os maiores dislates que nem o senso comum se arrisca a avançar.
Pelo meio ainda ficamos a saber que "sem regionalização, as áreas metropolitanas transformam o país "num saco de gatos"" e "que os executivos monocolores são um perigo para a democracia".
Estou elucidado!
Para quando aqueles que andam sempre a falar de ética para os políticos se encorajam a exigir a mesma ética a quem julga, quem analisa, quem comenta, quem supostamente informa. Aí não é necessário haver ética? E, como diz a minha amiga Suzana Toscano, um pouco de "vergonha"?

segunda-feira, 26 de setembro de 2005

Capitalismos

CAPITALISMO IDEAL - Você tem duas vacas. Vende uma e compra um boi. Eles multiplicam-se e a economia cresce.
Você vende a manada e aposenta-se. Fica rico!
CAPITALISMO AMERICANO - Você tem duas vacas. Vende uma e força a outra a produzir o leite de quatro vacas. Fica surpreso quando ela morre.
CAPITALISMO JAPONÊS - Você tem duas vacas. Redesenha-as para que tenham um décimo do tamanho de uma vaca normal e produzam 20 vezes mais leite. Depois cria desenhinhos de vacas chamados Vaquimon e vende-os para o mundo inteiro.
CAPITALISMO BRITÂNICO - Você tem duas vacas. Ambas são loucas.
CAPITALISMO HOLANDÊS - Você tem duas vacas. Elas vivem juntas e em união de facto. Não gostam de bois e tudo bem.
CAPITALISMO ALEMÃO - Você tem duas vacas. Elas produzem leite regularmente, segundo padrões de quantidade e horário previamente estabelecido, de forma precisa e lucrativa. Mas o que você queria mesmo era criar porcos.
CAPITALISMO RUSSO - Você tem duas vacas. Conta-as e vê que tem cinco. Conta de novo e vê que tem 42. Conta de novo e vê que tem 12 vacas. Você pára de contar e abre outra garrafa de vodka.
CAPITALISMO SUÍÇO - Você tem 500 vacas, mas nenhuma é sua. Você cobra para guardar a vaca dos outros.
CAPITALISMO ESPANHOL - Você tem muito orgulho em ter duas vacas.
CAPITALISMO BRASILEIRO - Você tem duas vacas. E reclama porque a sua manada não cresce...
CAPITALISMO HINDU - Você tem duas vacas. Ai de quem tocar nelas.
CAPITALISMO PORTUGUÊS - Você tem duas vacas. Uma delas é roubada. O governo cria o IVVA- Imposto de Valor Vacuum Acrescentado. Um fiscal vem e multa-o, porque embora você tenha pago correctamente o IVVA, o valor era pelo número de vacas presumidas e não pelo de vacas reais. O Ministério das Finanças, por meio de dados também presumidos do seu consumo de leite, queijo, sapatos de couro, botões, presume que você tenha 200 vacas.
Para se livrar do sarilho, você dá a vaca que resta ao inspector das finanças para que ele feche os olhos e dê um jeitinho...
:)

Devemos ajudar os Candidatos da 4R-II


Pelourinho de Santa Comba Dão
Continuando o apoio desinteressado aos Candidatos da 4R às eleições municipais, e depois das sugestões para o Dr. M.Frasquilho e Suzana Toscano, em Loures e Ferreira de Almeida, em Lamego, aqui vai a minha contribuição para o Prof. Massano e para o programa do PSD de Santa Comba Dão.
Santa Comba é um belo concelho da Beira Alta, cheio de história e de tradições.
Na sua origem terá estado um convento beneditino, presidido pela Abadessa Columba, que veio a ser martirizada, durante uma incursão árabe, em 982. Pelas suas terras correm os rios Criz, Mondego e Dão, e espraia-se a Barragem da Aguieira.
Em Santa Comba nasceu Salazar, uma prova de que sempre esteve virada para a modernidade, tendo sido, aliás, percursora das actuais grandes ondas de concentração empresarial, ao ter lançado, ainda no século XIX, notáveis e bem sucedidas “operações de aquisição” sobre os concelhos de Couto do Mosteiro, Pinheiro de Ázere, Óvoa e S. João de Areias, tendo conseguido a sua plena integração.
Deixando-nos de preâmbulos, que a Campanha já começou, vamos aos pontos que proponho para o Programa Eleitoral.
1º- Geminar Santa Comba com a cidade santa muçulmana de Kandahar, em honra da sua santa fundadora e mártir. Para apresentação da proposta, os Candidatos farão deslocar àquela cidade do Afganistão o actual executivo socialista, com a estadia mínima de um ano, mostrando assim que não há vinganças.
2º- Denominar como Mar da Aguieira a actual Barragem com esse nome.
3º- Definir para o concelho uma política hidrológica consistente, através das seguintes duas medidas sucessivas:
a) Municipalizar os rios Criz, Dão e Mondego, dotando-os de um comando único, de forma a colocá-los ao serviço da população, e fusionando-os em seguida, de maneira a formar um grande rio.
b) Privatizar o rio assim formado, afectando os resultados da privatização ao abastecimento gratuito de água às populações.
4º- Prosseguir uma política de modernização administrativa, através da criação do primeiro município federal, juntando Santa Comba, Óvoa, S.João de Areias e Pinheiro de Ázere.
5º - Fazer erguer duas estátuas a Salazar, uma na entrada norte e outra na entrada sul da cidade, destinando-se a primeira a ser venerada pelos seus admiradores e a segunda a ser visitada pelos seus opositores.
Os Candidatos comprometem-se a manter aquela que subsistir até às eleições presidenciais.
6º- Fazer um up-grading da praia da Senhora da Ribeira em praia da Senhora do Mar e redenominar a Senhora do Pranto em Senhora da Esperança, de forma a, como em antanho, fazer nascer em Santa Comba um novo ressurgir de Portugal.

Caro Prof. Massano: Se precisar de mais ideias, é só dizer e a colaboração é grátis!...
Mas muito apreciaria uma boa lampreiada à moda de Santa Comba!...
Força, Prof. Massano!...

Quem não tem vergonha...

A mirabolante história do regresso de Fátima Felgueiras desencadeou, por um lado, uma justa tempestade de comentários e de perplexidades sobre a Justiça, o seu funcionamento, a sua insuficiência e até mesmo a sua isenção. Por outro, como é bem português, a apoteose com que foi recebida em braços, com as televisões a passarem repetidamente essa glória, mostrou uma espécie de vingançazinha contra o poder, uma glória dos oprimidos da Justiça, sentimento persistente que pode explicar que se afirme, sem corar, que é bem possível que as eleições lhe venham a dar vitória!
Mas eu creio que não é apontando o dedo à Justiça que se define o centro da questão. A lei não cobre todo o tipo de comportamentos, nem tem que punir como criminosos os que ainda não foram condenados (se a prisão preventiva foi bem decretada há dois anos e agora não se encontrou fundamento para ela, é uma questão diferente mas muito menor do que o que está a gerar a perplexidade).
É que não se pode pedir à Justiça que vigie a ética, a pura decência, ou o sentido de respeito pelos outros e o que nos choca, antes de tudo o mais, é o descaramento com que se pode desafiar as regras, avançar confiante contra barreiras morais que deteriam um cidadão normal e casos como esses, infelizmente, temos tido cada vez mais. Tantos, que a pouco e pouco os vamos aceitando com bonomia, passando um pano sobre a responsabilidade moral e individual e desculpando as atitudes incríveis apontando outros culpados - os Tribunais, a juíza, o Estado.
Estes terão certamente algumas culpas, mas nunca será possível substituir a exigência ética, a dignidade de comportamentos, a vergonha, em suma. Contra isso, não há Tribunais que controlem ou que nos defendam e Deus nos livre de a lei penal incorporar deontologias profissionais, tão exigíveis na política como em qualquer outro actividade.
Este caso brada aos céus mas, na sua essência, não difere de muitos outros que confundem o exercício do poder com benefício próprio, que usam a sua influência para chegar onde outros não chegam apenas porque se inibem, em nome da moral e da honra.
Este caso, como muitos outros, cabe bem num ditado que uma amiga minha cita com frequência para explicar porque é que uns ganham onde outros se detêm:
-"Quem não tem vergonha, todo o mundo é seu"!

domingo, 25 de setembro de 2005

A insustentável leveza das ideias da esquerda


A insustentável leveza das ideias da esquerda
Manuel Alegre anunciou a sua candidatura “em nome dos valores republicanos da liberdade e da igualdade... e para derrotar Cavaco Silva nas eleições presidenciais…”
Para Mário Soares, para Francisco Louçã e para Carmelinda Pereira o único móbil conhecido também é derrotar Cavaco Silva.
Os candidatos não apresentam nem ideias, nem projectos que mobilizem os portugueses: na sua leveza da sua argumentação apenas visam derrotar Cavaco Silva.
Ninguém se admira e os “pensadores” mediáticos parecem achar natural.
Outro tanto não aconteceria, seguramente, se Cavaco viesse a dizer o seguinte: candidato-me, por imperativo cívico e por ser republicano, para derrotar Soares, Louçã e Carmelinda Pereira”.
Choveriam, e com razão, as críticas à falta de projecto, à pobreza de ideias, etc, etc. Alguns lúcidos “comentadores” da 4R como, ainda hoje, Vírus e Paulo Pisco se referiram ao assunto.
É esta a grande diferença das candidaturas: de Soares, Alegre e Carmelinda, por pouco se poder esperar, nada se exige, enquanto de Cavaco se exige muito, porque tem muito para dar aos portugueses!...


Coisas muito relevantes que contribuem para a felicidade colectiva


Nestes últimos dias vi em destaque na comunicação social, entre outras de pelo menos igual relevância, estas coisas de enorme significado e não menos largo alcance:


. Manuel Monteiro decidiu apoiar Cavaco e arrastará consigo o PND neste apoio
. Sá Fernandes declara estar convencido que vai ganhar a Câmara de Lisboa
. Mário Soares fez saber que a sua próstata está de boa saúde
. Os juizes, pela voz do presidente do respectivo sindicato, consideram-se titulares de órgãos de soberania
. Carrilho já não se sente caluniado por Carmona
. Carmona diz que não pediu desculpa a Carrilho
. Cavaco Silva declara que não é candidato a Presidente da República
. Louça exige do PS explicações sobre o regresso de Fátima Felgueiras

Li também uma proposta muita acertada. Deve decretar-se que a silly season passe, em Portugal, a ser assim como o Natal: sempre que um homem desejar.


Um buraco à esquerda

O anúncio da candidatura de Manuel Alegre coloca o problema de se saber a quem se dirige e quem pretende representar.

Não será de todo em todo despropositado lembrar que a decisão de Manuel Alegre parece ter sido “empurrada” pela última sondagem da Aximage, cujos resultados revelam que a sua candidatura vai buscar quase metade dos seus votantes aos indecisos, quase um quarto a Mário Soares e cerca 1,5 pontos percentuais a cada um dos restantes candidatos em presença.

A tese de que Manuel Alegre retira a vitória a Cavaco Silva na primeira volta não colhe: lendo os resultados, o cenário 2 introduz, para além de Manuel Alegre, um hipotético candidato chamado Paulo Portas e é este que poderia contribuir para a existência de uma segunda volta. A tese poderá ser utilizada para desculpar a “traição socialista” de Alegre, mas não tem qualquer fundamento. O único fundamento da sua decisão é a de poder capitalizar a falta de identificação de alguma esquerda socialista com Mário Soares.

Porém, o que me parece mais saliente é o facto de a esquerda socialista, mais ou menos radical, ter de escolher entre, pelo menos, quatro candidatos (Soares, Alegre, Jerónimo e Louça). A direita e o centro apresentam-se unidos em torno de Cavaco Silva. Fica, assim, a faltar um faixa do eleitorado que poderá decidir uma vitória de Cavaco à primeira volta ou o recurso à segunda volta.

Essa faixa é o que poderemos designar de “esquerda moderada” que sociologicamente se identifica com a vitória e o programa de Sócrates nas últimas eleições legislativas. Conclui-se facilmente que este eleitorado não tem candidato natural (fugiu-lhes Guterres e Vitorino). Nem o eleitorado nem o próprio projecto político de Sócrates. Ambos ficam órfãos a não ser que Cavaco Silva tenha a capacidade de os convencer e adoptar. Não seria a primeira vez que o faria e por certo não será a última.
[Actualização]
O editorial de Nuno Pacheco no Público de hoje retoma a tese de que a entrada de Manuel Alegre na corrida presidencial retira a hipótese de vitória a Cavaco Silva, logo na primeira volta. O título é sugestivo: "Vamos lá à segunda volta". Trata-se de um bom exemplo para diferenciar o que é análise política do que é "wishful thinking". Pelos vistos, há também editorialistas cuja missão é "combater o candidato da direita" e potenciar a lógica bipolar da "esquerda-direita" tão ao gosto da esquerda socialista. Eles bem tentam, mas duvido que Cavaco vá na conversa.

sábado, 24 de setembro de 2005

Percepção Declinante


Anteontem, numa reportagem televisiva, a propósito da “reconciliação” entre M. M. Carrilho e Carmona Rodrigues, o jornalista perguntou ao primeiro se Carmona Rodrigues lhe tinha pedido desculpa.
Achei estranho, mas como não estava muito atento, pensei ter percebido mal.
Mas, ontem, a reportagem foi repetida. Tinha ouvido bem, mesmo muito bem. Mas não tinha ainda ouvido tudo!...
É que o mesmo jornalista perguntou, a seguir, a Carmona Rodrigues se tinha pedido desculpa a M. M. Carrilho!…
Notável!...
Dois ou três dias antes, a mesmíssima estação não encontrou outro jornalista disponível para comentar um debate entre os Candidatos à Câmara do Porto senão um familiar próximo de um proeminente membro da lista do candidato socialista.
Considerei que estes factos são mais um sério aviso do declínio da minha capacidade de percepção das coisas, pelo que decidi, de imediato, marcar uma consulta médica…mesmo lembrando-me do sucinto, mas esclarecedor texto de há dias do Ferreira de Almeida, quando chama ao rectângulo o Planeta do Absurdo!…

sexta-feira, 23 de setembro de 2005

El País, de hoje


Lido no El País de hoje:

"Tras el anuncio hecho ayer por la compañía Endesa de acudir a las autoridades comunitarias de Bruselas para que sean éstas las que asuman el control de la operación -Endesa opera en Portugal y otros países y considera que este asunto es una cuestión internacional-, el Gobierno portugués considera que ha de ser España quien resuelva la cuestión, según ha señalado el ministro de Economía luso, Manuel Piño, en declaraciones a la Cadena SER.
El ministro portugués se desmarca del informe que en 24 horas elaboró el Tribunal de Defensa de la Competencia Portugués. Ese informe sugería que había de ser Bruselas la que resolviera, tal y como ha solicitado la empresa que preside Manuel Pizarro.
El ministro de economía portugués, Manuel Piño, marca distancias con un informe que se elaboró “sin informar al gobierno hasta mucho tiempo después”. “El Gobierno portugués fue informado mucho más tarde, y por tanto, no estamos implicado en esta decisión”, ha señalado Piño.
El Ejecutivo del país vecino ha transmitido al Gobierno español su sorpresa por la celeridad con la que se elaboró el informe en su Tribunal. Se escribió un dictamen técnico de 30 páginas en apenas 24 horas.
Las autoridades portuguesas han dejado claro al gobierno español que la OPA lanzada por Gas Natural sobre Endesa es un asunto “estrictamente nacional” y que ha de resolverse en nuestro país".

Lembram-se da primeira visita oficial feita pelo Engº Sócrates, precisamente ao Reino do Lado? Lembram-se que quando perguntado numa entrevista quais as três prioridades do seu governo, respondeu "Espanha, Espanha, Espanha"?
Tal vez agora se perceba melhor.
É caso para dizer, alguns prometem mas Sócrates cumpre!

AD.
Depois de colocar esta nota, leio no "Expresso" esta prosa:
"Madrid ignora Pinho
Manuel Pinho prometeu tudo a José Montilla. Em troca, recebeu uma mão-cheia de nada.
O MINISTRO da Economia, Manuel Pinho, bem tentou comprar a boa vontade do seu homólogo, José Montilla, garantindo-lhe que Lisboa não pediria a Bruxelas para analisar a OPA da Gas Natural sobre a Endesa, que vai criar o terceiro maior operador de energia. Em troca, queria que não houvesse obstáculos à compra dos 22% da Fenosa pela Galp e que os 20% de activos que serão vendidos à Iberdrola, no quadro da OPA, fossem colocados no mercado para EDP e Galp poderem tentar a sua compra".

Enfim...

Violências atmosféricas

Lá do outro lado do atlântico a coisa esteve feia com o furação Rita.
Deste lado do Atlântico, ainda que no feminino, são outros os furações, menos atmosféricos só aparentemente mais localizados, mas com estragos em larga escala.
A verdade, verdadinha sobre a atmosfera nacional é que está uma seca! Apesar de ser só chover no molhado...
Não pertenceremos nós, sem o sabermos, ao planeta Paradoxo?

Outono

"Do que mais gosto é do amarelo de Setembro,
das manhãs de orvalho nas teias de aranha,
dos dias de meditação na quietude,
do clamor das gralhas, das folhas de bronze,
do restolho salpicado de feixes de palha
- mais do que o brilhante descontrolo de Maio,
é o Outono que se adapta ao meu espírito."

Alex Smith

As projecções do FMI ou... o Alentejo da Europa?...

As projecções de Outono do FMI, conhecidas na passada quarta-feira, são a confirmação do estado anémico em que se encontra a nossa economia. Crescer 0.5% em 2005 e 1.2% em 2006 representa continuar a divergir face aos outros países europeus. O que, aliás, sem surpresa, e inevitável e tristemente, irá ainda continuar depois deste horizonte.
Na verdade, continuaremos a pagar a factura da (des)governação socialista anterior, sobretudo no período entre 1996 e 2000. Sei que afirmar isto não é politicamente correcto (já passou tanto tempo, dirão alguns...), mas a verdade é que o "politicamente correcto" deita, muitas vezes tudo a perder, porque não são ditas as verdades.
E a verdade é que Portugal aderiu à Zona Euro sem que para tal estivesse preparado – e, compo tal, sem poder recorrer às políticas monetária (taxas de juro) e cambial (moeda autónoma) como sucedia anteriormente para poder camuflar (ainda que artificialmente) a nossa tradicional falta de competitividade, todos os problemas vieram ao de cima e se avolumaram.
Já em 2000 era possível adivinhar esta situação – e alguns de nós, incluindo, modestamente, o autor destas linhas, fizeram-no – só que não é algo a que se consiga dar a volta em 2 ou 3 anos, por mais medidas acertadas que sejam tomadas.
Por isso, as promessas eleitorais do Primeiro Ministro não serão, natural e infelizmente, cumpridas. Não será possível criar 150 mil empregos (em termos líquidos) até 2009, nem colocar a economia a crescer 3% ao ano (o crescimento económico não se decreta!...).
Basta, aliás, atentarmos no facto, amplamente conhecido de que, para criar emprego, a economia ter que crescer mais de 2% ao ano.
O que significa que, em 2006, como prognostica o FMI, mas também para além desse horizonte, infelizmente, o desemprego irá aumentar.
E não é a alta do preço do petróleo ou a sempre adiada recuperação da economia europeia que constituem os nossos maiores problemas: estes factores, externos, afectam também os outros países, e nós continuamos a crescer abaixo de todos eles (registaremos o mais baixo crescimento dos 12 da Zona Euro e também o mais baixo da UE-25)!
Logo, os nossos problemas são estruturais (atraso na qualificação dos recursos humanos; rigidez da lei laboral; burocracia em excesso; justiça muito, muito lenta; Estado demasiado “gordo”, e, last but not definitely least, uma fiscalidade pouco competitiva e pouco “amiga” do investimento, entre outros factores) e são a causa maior da nossa sucessiva perda de competitividade.
Só atacando estas “raizes do mal” será possível ultrapassar a actual situação (o que, mesmo começando já, só será sentido daqui a alguns anos) – e, face ao que se tem visto até agora, não parece que este Governo esteja preparado para o fazer...
Até se pode dizer que o actual governo PS está a “provar do próprio remédio”, pois está a lidar com a situação que o anterior governo PS criou ao próprio país, e que os três anos de governação PSD/CDS, com muita coisa positiva feita (ainda que muito mais deveria ter sido feito, há que reconhecer...), mesmo assim, não foram suficientes para inverter.
Infelizmente, caros amigos, tal como em 2000, julgo que, para mal de todos nós, não andarei longe da verdade... iremos ainda a tempo de não nos transformarmos no Alentejo da Europa?!...

quinta-feira, 22 de setembro de 2005

Meditação e saúde


La Méditation - Jean-Baptiste Greuze (1725-1805)


Um estudo recente revela que a meditação faz bem à saúde. Diversos jovens foram distribuídos por três grupos; um sujeitando-se a meditação espiritual, concentrando-se em frases com "Deus é amor", "Deus é paz", um segundo a meditação secular invocando frases tais como: “estou feliz” ou “estou muito satisfeito” e um terceiro a fazer técnicas de relaxamento. Ao fim de algumas semanas, foram sujeitos a testes psicológicos assim como à medição da resistência à dor, mergulhando as mãos em água fria a 2º C. Os jovens que praticaram meditação espiritual eram os que apresentavam melhores indicadores incluindo o facto de terem resistido durante mais tempo à agressão da água fria. Os que praticavam apenas técnicas de relaxamento apresentavam os indicadores mais baixos ficando o grupo de meditação secular entre os dois.
Desde há muito que se realizam estudos no âmbito da religião e da espiritualidade com a saúde. Muitos desses estudos apontam para efeitos benéficos. No entanto, convém debater se determinadas práticas religiosas terão os mesmos efeitos. O aparecimento de novas correntes religiosas, caracterizadas pela exploração dos seus adeptos, utilizando técnicas de manipulação de massas com o objectivo de por em evidência as suas capacidades terapêuticas cai no âmbito do histriónico, da histeria de grupo e, não envergonhariam os participantes de qualquer Vilar de Perdizes. Muitos seres humanos são vulneráveis a práticas que se assemelham mais a rituais mágicos do que propriamente ao desenvolvimento de saudável espiritualidade.
São vários os mecanismos fisiológicos invocados para explicar os efeitos benéficos resultantes do cultivo de uma espiritualidade elevada. Há poucos anos foi estudada a relação entre a religião e a hipertensão arterial tendo sido verificado valores mais baixos nos fiéis. Sabendo que são vários os factores que estão na génese da hipertensão arterial, nomeadamente o consumo de sal, que entre nós atinge valores muito elevados – em média, superior a 12 gramas por dia – e, face ao qual devemos lutar, a fim de reduzir esta substância que é simultaneamente fonte de vida e causa de morte, convém recordar a asserção produzida pelo grande estadista e parlamentar, o bispo de Viseu, Alves Martins, que se encontra reproduzida no pedestal da bela estátua de Teixeira Lopes erguida no largo de Santa Catarina: “ A religião deve ser como o sal na comida: nem muito nem pouco, só o preciso”. Hoje, sabemos qual a quantidade de sal necessário, mas, no tocante à religião não. O que sabemos, e as evidências apontam para isso, é que doses maciças de certas estratégias religiosas acabam por fazer mal, tal como o sal em excesso…

Plano Energético:o que fazer com o M. Economia?


Energia em declínio
O Diário de Notícias de hoje refere que “ Ministro das Finanças culpa EDP pelo atraso no plano energético”.
Eu gostava de saber qual plano energético: o de Pina Moura, o de Carlos Tavares ou o de Manuel Pinho, só para falar nos últimos.
A dúvida tem razão de ser, porquanto o desenho ainda existente é, basicamente, o de Pina Moura.
Carlos Tavares embrenhou-se numa profunda reestruturação, mas esta foi recusada por Bruxelas.
E veio então o plano Manuel Pinho.
Na minha experiência de gestão de empresas, julgo que estes planos são o pior que pode haver para a economia nacional ou para as empresas que deles são vítimas, porque não sabendo estas quem são ou serão seus os accionistas, não terão estabilidade de gestão, nem objectivos e porque perdem interlocutores, já que estes não sabem quais as linhas de força da empresa a quem se dirigem.
As empresas vítimas destes planos denominados estratégicos também não podem fazer projectos, pela simples razão de não poderem escolher as alianças que podem ter, pois o “plano” pode fazer de um actual aliado um futuro adversário, ou vice-versa.
Os Governos privatizaram as empresas, mas continuam a querer mandar e a condicionar as decisões, que só a elas e aos seus accionistas deveriam pertencer.
Fazem-no com o argumento do interesse nacional.
Mas é do interesse nacional manter as empresas numa situação de permanente expectativa sobre a última moda ou sobre o próximo Ministro, quando se sabe que a rotação destes é bastante elevada?
E que garantias há de que, no momento seguinte, ou passados três ou quatro anos, um dos accionistas do plano não venda as suas acções, já que estas, estando cotadas, são livremente transaccionáveis?
Empresas privadas geridas pelo Ministério da Economia é a última invenção
portuguesa.
Excelsas estratégias, que levam a que as empresas nem sabem quais são os donos e os donos não sabem o que estão a fazer nas empresas.
O Ministro e o seu plano é que sabem!...
Depois, queixamo-nos da economia!…

Cadeiras avulso

Na anterior legislatura foi aprovada a Lei de Bases da Educação que acabou por ser vetada pelo Presidente da República. Foi um processo duro que exigiu muito esforço.
Dentro dos inúmeros aspectos abordados recordo-me de um que tinha a ver com a possibilidade dos estabelecimentos do ensino superior ministrarem cursos (A formação pós-secundária é ministrada em estabelecimentos de ensino secundário ou de ensino superior, podendo assentar em parcerias que envolvam, nomeadamente, as estruturas empresariais) para aqueles que não sigam a “carreira” normal. É óbvio que a riqueza de informação e a capacidade formativa são muito elevadas e não devem ser cerceadas aos cidadãos. Deste modo, todos aqueles que nunca tiveram possibilidade de entrar numa universidade passariam a frequentar cursos, de acordo com as suas necessidades, satisfazendo não só a curiosidade, mas também adquirir maior especialização e competência técnica e cultural.
Esta lembrança vem a propósito devido à diminuição de candidatos ao ensino superior, fruto da regressão demográfica e da imposição de novas regras. É notório o desconforto verificado em algumas instituições, não só face ao futuro como também ao presente. Como a necessidade aguça o engenho, começamos a verificar a criação de alternativas, que vai desde uma maior aposta nas pós graduações, à criação de anos zero, passando pela frequência de cadeiras “avulso”.
Atendendo à capacidade de oferta, que entre nós é grande, impõe-se encontrar soluções de forma a satisfazer as necessidades da nossa sociedade. Temos uma das taxas mais baixas de licenciados e uma capacidade suficientemente elevada em termos formativos e informativos. Seria mais um sinal de atraso desperdiçar tamanha riqueza e, por outro lado, ao chamar ao ensino superior muitos dos nossos concidadãos, estaríamos a legitimar o verdadeiro sentido da palavra Universidade. Claro que há muito por fazer quanto ao ordenamento e reestruturação do ensino superior. Muito mesmo. É urgente acabar com alguns cursos e reorganizar outros, a fim de evitar soluções do género “vender” cadeiras “avulso”, senão, apesar da minha área não se queixar de falta de candidatos, ainda poderei correr o risco de um dia por as minhas cadeiras em “saldo” ou fazer algumas promoções…

Tem piada, esta!

Joana Amaral Dias anunciou que vai ser a mandatária da juventude da candidatura do Dr. Mário Soares.
Para justificar esta traiçãozita a Louçã, nas primeiras declarações na alta qualidade de representante do vento fresco da juventude, saiu-lhe que "as eleições presidenciais não devem ser partidárias".
Pois não deviam. Mas não terá Joana, a jovem, percebido como nasceu e que apoios tem a candidatura de que é mandatária?
Mesmo vindo de uma jovem, esta não deixa de ter a sua piada...


Programa Novas Oportunidades

O Primeiro-ministro anunciou ontem na AR o Programa Novas Oportunidades que visa aumentar a oferta de cursos profissionalizantes de forma a atingir em 2010 cerca de 50% da oferta de nível secundário.
A intenção é louvável face à carência de qualificações nos jovens que, abandonando o sistema de ensino, não dispõem das competências mínimas para uma boa inserção na vida activa e no mercado de trabalho. De muito falarmos nas elevadas taxas de abandono escolar por vezes esquecemo-nos que ainda mais grave é o facto de ser um abandono desqualificado.
A intenção é ainda mais louvável dado que retoma uma das bandeiras do XV Governo Constitucional (Durão Barroso) e potencia as oportunidades criadas pela última reforma do ensino secundário.
Falta, entretanto, esclarecer dois aspectos que considero fundamentais.
1. Está assegurado o financiamento do ensino profissional e dos cursos de educação e formação no novo quadro comunitário de apoio?
2. Que medidas deverão ser tomadas para combater o abandono escolar, de froma a viabilizar e valorizar os cursos profissionalizantes?
A concretização da intenção do PM debate-se com um problema: é que parte da tese que só existe abandono escolar e baixa frequência do ensino profissionalizante por falta de oportunidades. Se é verdade que a oferta do ensino profissional é inferior à procura, a sua capacidade está muito longe de poder responder a um crescimento tão acentuado quanto o anunciado.
Por outro lado, ao desvalorizar o princípio da escolaridade obrigatória de 12 anos (entenda-se esta escolaridade sujeita ao princípio de que um jovem até aos 18 anos ou está a frequentar um curso para prosseguimento de estudos ou um curso de formação profissionalizante) está a dispensar o instrumento mais eficaz para aumentar a escolarização secundária num curto período como é o estipulado.
Fico curioso relativamente à natureza das medidas complementares, dado que de boas intenções ...

Sem desculpa

Tenho o maior respeito pela instituição militar, pelos seus profissionais, pelo brio, coragem e disciplina que esteve e está associada à chamada "condição militar". Por isso mesmo, a única palavra que me ocorre ao assistir na televisão às imagens das manifestações que os seus representantes organizaram e ao modo como fizeram saber o seu descontentamento é: degradante.
É nos momentos difíceis que confiamos na serenidade e na dignidade daqueles que nos habituámos a ter como referência, é deles que esperamos um exemplo que nos dissuada de agir contra as regras e de dar largas aos ímpetos que põem em causa a ordem e a tranquilidade.
A atitude das associações militares minou essa confiança quando não olhou a meios para reclamar o respeitopelo seu estatuto. Sem desculpa.
Um estatuto é um reconhecimento, não é uma predeterminação.