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sábado, 10 de junho de 2006

Uma questão de credibilidade!...


O nosso companheiro Tavares Moreira já comentou no 4R os dados do INE, segundo os quais a economia portuguesa teve um crescimento de 1% nos primeiros três meses de 2006, em comparação com igual período do ano passado. A grande razão veio da procura externa, que contribuiu para o aumento do produto precisamente com 1%. De facto, as Exportações tiveram um crescimento homólogo de 7,2%, ainda que as Importações tenham também acelerado, apresentando uma variação de 3%.
Assim sendo, o contributo da procura interna foi nulo, com o consumo privado a contribuir positivamente e o consumo público a contribuir negativamente.
O investimento também contribuiu negativamente, ao cair 2,7% em volume em relação ao trimestre homólogo.
Perante este dado, de queda do investimento em 2,7% em relação ao trimestre homólogo, muito me espantou a notícia inserta no Diário de Notícias de hoje, em que o Primeiro-Ministro, José Sócrates, qualificou a expansão da economia no primeiro trimestre como "virtuosa", porque "apoiada nas exportações e no investimento".
Congratulamo-nos todos com o crescimento de 1% da actividade económica, muito mais por ele se fazer por força das exportações e com diminuição do consumo público. Mas o Primeiro-Ministro tem que ser rigoroso e não nos pode vender grosseiramente gato enfezado por lebre gorda, ao dizer que o crescimento foi apoiado no investimento, já que este, pelo contrário, continuou a diminuir.
A palavra do Primeiro-Ministro tem que ser credível e episódios como este e como aqueles em que “afirmou” investimentos que o próprio Governo veio a abortar, não ajudam nada à credibilidade necessária e exigível.

sexta-feira, 9 de junho de 2006

Intolerantes!

Todos, sem excepção, têm direito a manifestar as suas idiossincrasias, as suas imperfeições, o seu lado menos positivo, utilizando os meios à sua disposição.

O cronista Vasco Pulido Valente tem, de vez em quando, uns repentes curiosos, como foi o caso de hoje. Atira-se como um gato a bofes ao senhor ministro da saúde e coloca-o em pé de igualdade com Hitler. Nem mais, nem menos. A versão portuguesa do expoente máximo da bestialidade humana está consubstanciada no ministro da saúde e na sua “lei sobre o tabaco”. Incrível! Os argumentos do cronista não são correctos, são desproporcionados, são mesmo irracionais, próprios de um fumador compulsivo que vê ameaçada a sua condição de prima donna por não poder fumar onde lhe apetece daqui a uns tempos. Não há quaisquer medidas coercivas, totalitárias ou similares na proposta de lei. Antes pelo contrário, são medidas justas e equilibradas e todas fundamentadas na ciência. Por outro lado, ninguém considera os fumadores como uma "nojenta raça". Têm o direito de fumar e não deverão ser perseguidos, nem prejudicados em função das suas opções. Já escrevi várias vezes sobre o assunto e defenderei os seus direitos. Não posso é aceitar que prejudiquem a saúde de terceiros. Irrita-me solenemente esta mania de comparar os defensores de determinados princípios a Hitler, aos fascistas ou ao Holocausto. Os defensores das correntes “pró-vida”, que têm todo o direito de expressar as suas posições, também recorrem a imagens idênticas, classificando como um novo Holocausto, o facto de alguns cientistas defenderem, por exemplo, a utilização das células estaminais, de embriões não viáveis ou sem projecto de vida, para fins nobres.

Não é digno, e traduz um nível de intolerância inaceitável, tentar comparar-nos ao pior do pior que a Humanidade já viu.

Há um pequeno facto curioso nesta análise. Na mesma página, ao lado, podemos ler a notícia de meloas em forma de cubo, criadas pelos japoneses com o objectivo de poderem ser melhor armazenadas. Parece que não é difícil moldar estes frutos, basta colocá-los dentro de recipientes cúbicos. Se conseguem dar esta forma, também poderão arranjar outras formas, tipo falo ou tipo charuto, por exemplo, capaz de deliciar as preferências de alguns que julgam poder moldar a forma de ser e de pensar com argumentos quadrados.

Eu prefiro saborear as meloas com as suas curvas naturais e de preferência num ambiente livre de fumo.

Misturas!

A palavra mistura está frequentemente associada a aspectos negativos. Resta saber se com ou sem fundamento.

Todos temos conhecimento de casos em que a associação de dois ou mais produtos ou situações é má, embora sem razão.

Os consumidores excessivos de bebidas alcoólicas defendem a seguinte e brilhante teoria: “não se pode fazer misturas”. Se começam com o tinto, só pode ser tinto, se for cerveja, só pode ser cerveja, caso contrário arriscam-se a apanhar tremendas bebedeiras ou a ficarem mal de saúde! Há os que não querem misturar-se com pessoas de outras classes ou condição, porque seria prejudicial para o seu estatuto social. Na área da alimentação o perigo das misturas é ancestral. São inúmeras as citações a este propósito, do género: não se poder beber vinho em cima da melancia (porque “dá pneumonia”), ou beber água fria e comer pão quente (“nunca fizeram bom ventre”). Tantas vezes ouvi esta última recomendação em pequeno que ficava na dúvida sobre se devia beber água ou comer o pão quentinho que o padeiro entregava a meio da tarde. A brincar e a correr constantemente sentia muita sede e fome, logo tinha que fazer a mistura… Do mesmo modo me diziam para não comer ou beber alimentos ácidos em cima do leite, porque talhava o mesmo, nem beber água fria depois das refeições, porque podia sofrer uma congestão mortal. Enfim, uma catrefada de recomendações que não faziam sentido. Também tive que aprender a não misturar alhos com bugalhos, apanágio dos verdadeiros mestres da confusão, que acabam por reforçar as más consequências das misturas, mas neste caso foi bom, embora um pouco doloroso, às vezes. Colocar no mesmo espaço, ferrenhos opositores futebolistas ou políticos, também não costuma dar bons resultados!

Já vai longo este arrazoado sem que tenha explicado a razão de ser do mesmo. O factor despoletador foi o facto de ter lido que certos anfíbios, mais particularmente rãs, andarem a levar na perna devido aos efeitos dos pesticidas. Uma série destas substâncias, respeitando as doses de exposição ambiental, não provocam, isoladamente, quaisquer problemas, mas se estiverem presentes várias, mesmo, repito, dentro dos limites, acabam por ter uma acção muito nefasta nestas espécies sensíveis. Importa, deste modo, tomar em linha de conta a interacção entre as várias substâncias mesmo que estejam dentro da normalidade recomendada, já que poderão ter, também, consequências no desenvolvimento embrio-fetal dos seres humanos. Mas há ainda um ponto adicional que nos permite compreender melhor todos estes aspectos de relacionamento entre os seres vivos e o meio ambiente. As simpáticas e sensíveis rãs, quando expostas a uma concentração baixa de um dos pesticidas e ao cheiro de um predador, zás, morrem!

Parece que existe um efeito multiplicador entre os dois agentes “stressantes”, embora, isoladamente, não apresentem quaisquer efeitos nocivos. Ainda bem que este fenómeno não ocorre nos seres humanos. Não é que haja muitos predadores a cheirarem mal, pelo contrário, alguns, e algumas, são mesmo bem cheirosos.

Numa recente viajem à Alemanha, num voo interno, e depois de ter comido uma refeição, cujos teores em pesticidas deveriam estar dentro das normas, tive que sofrer o aroma ecológico de muitos germânicos que devem desconhecer as virtudes higiénicas da água. Ainda bem que não interpretei os seus odores como sinal de predação, e ser mais resistente que as rãs! E logo eu, um fervoroso adepto da miscigenação, a dizer mal de uma mistura...

Polis para que te quero!

O País está em crise.
O desemprego cresce.
Não há dinheiro.
O crescimento da economia é lento ou nulo.
Todos sabemos que isto não vai bem.
O Governo também.
E corta na despesa, nos projectos, e num sem fim de coisas.
Mas em Viana do Castelo vive-se num outro mundo.
O Sr. Presidente da Câmara passeia-se com o seu Polis.
Milhões para aqui.
Obras para ali.
Mais uma avenida.
Umas quantas hastas públicas.
E a pouca vegonha da demolição do prédio Coutinho.
Aqui parece que o dinheiro não falta.
O país pode estar à míngua.
Mas em Viana do Castelo, andam a gozar connosco.
Será porque fica mal ao Sr. Primeiro-Ministro acabar com o esbanjamento que começou quando era Ministro do Ambiente?

PIB cresce 1% no 1ºTrim/2006

Acabamos de saber que o PIB teve uma variação de 1% no 1ºTRIM/2006 quando comparado ao 1ºTIM/2005.
Este resultado deve 1% à procura externa e -0,1% à procura interna (+0,5% do consumo privado e -0,6% do consumo público e do investimento) obtendo-se, por arredondamento para cima, o valor de 1% para o PIB.
Dir-se-á que não é mesmo nada mau, considerando as perspectivas mais recentes de organismos independentes, OCDE, Comissão Europeia, FMI que apontam valores da ordem de 0,6 a 0,8% para o crescimento no conjunto do ano.
Trata-se de um valor superior ao registado no último trimestre de 2005 (+0,8%) e, sobretudo, apresenta com aspecto mais relevante e favorável uma contribuição positiva, e crescente, da procura externa.
A questão estará em saber, nos próximos três trimestres, se poderemos continuar a contar com um contributo positivo das exportações e se a procura interna se vai aguentar.
Não excluo que as exportações possam continuar a dar um contributo positivo, a reboque da recuperação europeia, de uma ordem de grandeza semelhante à verificada neste trimestre.
Mais difícil me parece que a procura interna se possa aguentar, mantendo o consumo privado uma evolução positiva como aconteceu neste trimestre.
Julgo dever admitir-se como mais provável uma desaceleração do consumo privado, acabando mesmo em terreno negativo, em termos homólogos, no 2º semestre.
As restrições orçamentais conjugadas com a subida dos juros que se tem verificado e que deverão em princípio continuar, tornam muito difícil que o consumo privado de possa manter positivo ao longo de todo o ano, apesar do optimismo que se vem tentando insuflar.
Para contrariar esta provável tendência, seria necessário que o investimento recuperasse fortemente, o que não parece possível.
A minha “bola de cristal” diz-me que, tudo ponderado, deveremos acabar o ano com um crescimento muito em linha com as previsões dos organismos internacionais, entre 0,5 a 0,8%.
Não será um grande resultado, mas na aridez em que nos encontramos não será, apesar de tudo, uma má notícia.
Tudo o que venha acima desse intervalo será uma surpresa positiva. Mas, se ficar abaixo, não deveremos estranhar.
A questão central da economia portuguesa continua a ser o forte desequilíbrio das finanças públicas e, dentro deste, o insustentável crescimento da despesa improdutiva que lhe está subjacente.
Esse pesado ónus continuará a condicionar gravemente o desempenho da nossa economia, justificando que um crescimento de 1%, inferior a metade do registado na União Europeia, seja recebido quase com júbilo.
Como o valor do PIB para o 2º trimestre só será conhecido em Setembro e até lá temos o Mundial de Futebol (iniciado há 45 minutos) e as férias de Verão, o melhor é festejarmos este 1%.

Em tempo de futebol, um depoimento isento!...

Embora goste muito de futebol, e em especial daquele que é eximiamente praticado pelo FCP, é sabido que mantenho sempre uma posição isenta sobre a matéria. Como tal, não havendo emoção que me tolde a razão, a minha “postura” é de uma independência obstinada…desde que o FCP não seja prejudicado, claro!...Fico é regularmente triste, pelo facto de a minha mulher ( sportinguista dependente, que apoia Soares Franco e a venda do Alvaláxia XXI) e os meus filhos (benfiquistas de lugar cativo "vitalício") não mostrarem, perante o fenómeno futebolístico, o mesmo desprendimento que eu!...Consolo-me, no entanto, pelo facto de não lhes ter imposto as minhas ideias, embora a contrapartida é que, sistematicamente, me procuram impor as deles!...Contingências de um procedimento democrático…
É pois com esta objectividade que vou antever a carreira da selecção.
A crítica tem sido unânime e repetitiva no sentido de dizer que o “quarteto de ouro português” constituído pelo Figo, Cristiano Ronaldo, Pauleta e Deco pode remover todos os obstáculos e levar-nos à vitória. Não estou tão confiante assim!... Ora vejamos.
Figo já foi, efectivamente, o melhor do mundo. Excelente tecnicista, com boa capacidade de passe e de colocação de bola à distância, exímio marcador de livres, a “diferença” em relação aos outros media-se pela sua capacidade de explosão, que dinamitava os adversários, aliada ao poder de drible que entontecia os que sobreviviam. Pela força da lei da vida, atenuada a “diferença”, começou a perder o lugar no Real Madrid. No Inter era titular, mas quase sempre vinha a ser substituído. A comunicação social continua a apresentá-lo como o mito de há anos, mas apesar de combativo e valoroso, já não faz a “diferença” de que precisávamos.
Diz-se que o Cristiano Ronaldo será o substituto de Figo. Não vou longe disso. Mas acontece que ainda não é. Joga no Manchester, mas nem sempre é titular, muito menos titular indiscutível. Tem valor real e potencial, fala-se que é o melhor da sua geração, mas na Inglaterra, onde gostam dele, tem sido sempre preterido na eleição para o melhor jovem jogador. No entanto, é daqueles de quem sempre se pode esperar o lance inspirado da vitória.
Pauleta é o melhor marcador da Selecção e tem brilhado em França, onde já foi várias vezes o melhor marcador do Campeonato, o que diz do seu valor. É um excelente ponta de lança, mas muito susceptível a uma boa marcação por um central de boa técnica e poder físico. Não sendo um fora de série, é sempre de contar com o seu “oportunismo”.
Por último, Deco. Deco é o jogador de topo mais bem sucedido nos últimos anos. Titular indiscutível das equipas do Porto e do Barcelona, ganhou, nos últimos quatro anos, quatro Campeonatos Nacionais e três Taças Europeias, duas delas dos Campeões. Foi titular no Campeonato da Europa em que Portugal foi Vice- Campeão.
Talvez possa não ser o maior tecnicista do mundo, já que Ronaldinho e Zidane o suplantam nessa competência; não é jogador com mais poder físico, não é o jogador que melhor defende, nem é o jogador que mete mais golos. Mas é, de entre os melhores, aquele que pode desempenhar qualquer função no campo: defende bem, desdobra-se como nenhum outro na defesa-ataque, tem excepcional visão do jogo, marca bem livres, tem qualidade de passe e potência de remate. Considerado o jogador que mais quilómetros corria em campo na Liga dos Campeões que o Porto ganhou, e considerado como o “melhor jogador de equipe” pelo treinador do Barcelona, precisa de estar em óptima condição física para expressar todos os seus “skills” e qualidades. E não me parece que esteja, depois de quatro anos de fulgor permanente.
Por outro lado, a selecção, no seu todo, em relação ao Campeonato da Europa, que não ganhou, está dois anos mais “usada”…
Daí, o meu muito moderado optimismo… Oxalá a minha “razão” me engane!...

Os(as) consumidores(as) PASSIVOS(as)da Bola

Juro que não tenho nada contra o futebol... peço que, por isto, não fiquem a embirrar comigo... não passem a tratar-me mal... não me considerem indigna do meu B.I., etc, etc,.
Não sejamos intolerantes ( assim tipo legislação portuguesa anti-tabágica) mas que, quem como eu, não "aprecia" bola, embora vibre de forma directamente proporcional ao orgulho nacional...) vai entrar num mau período, quando pensar em lazer, isso é dado adquirido!
Abençoados ingleses, continuam a dar ao Mundo lições de liberdade, civismo, direito à diferença...por acaso na legislação anti-tabágica deixaram-se "inquinar"... que fizeram eles, os ditos cívicos ingleses?
Promoveram num hotel , em Lake District, no noroeste da Grã Bretanha, estadias ( ou estadas, que parece que é o correcto, mas que é uma palavra que eu encaixo mal...) dirigidas a mulheres em "fuga à folia do Mundial".
O Lintwaite Hotel, com preços a partir de 238 libras de diária (70 contos, para continuarmos a ser o País da Europa que mais raciocina em contos!) está aberto a todas as mulheres que queiram viver estes dias sem BOLA e qualquer alusão dos empregados a futebol exige como penalização a oferta às hospedAS de uma taça de champanhe.
By appointment to Her Majesty.

A Selecção Nacional!...

Começa hoje o Campeonato do Mundo de futebol e uma entidade respeitável como a 4R não pode ignorar o acontecimento!...
O meu grande voto é que lá esteja lá a nossa Selecção, com as cores nacionais, precisamente aquelas que o Seleccionador pediu que inundassem as terras e enfeitassem quem se desloca a ver os jogos, e não uma qualquer equipa da Federação, equipada com cores impostas pelos patrocinadores, do vermelho unicolor ao negro carregado, sinal de luto, como foi a que defrontou recentemente outros países.
Se se apelou ao sentido nacional, então não se troquem os símbolos por um alarve oportunismo de ganhar mais umas comissões, comercializando umas quantas camisolas de outra cor…
O segundo voto é que os responsáveis e os jogadores tenham um mínimo de consideração por aqueles a quem constantemente mendigam o apoio.
Se querem os adeptos nos treinos, não podem dá-los por fim mal uma bola não é devolvida da bancada; se querem cordões humanos, não podem passar por eles com ar arrogante, apressado e incomodado, desprezando a quem pediram um aplauso que, aliás, ainda não mereceram.
O meu terceiro voto é que, ao contrário do que aconteceu no primeiro jogo do Europeu de 2004, a Selecção arranque em força e qualidade, que seja mais a selecção nacional e menos a de Scolari, e a que, apesar de algumas distorções já não recuperáveis, dê protagonismo aos “competentes”, em detrimento dos “fieis” ou dos intocáveis.
E, com tudo isto, que ganhe, porque sabe bem!...

SUPERnumerários

O anúncio é simultaneamente intrigante e surpreendente.
Segundo o Aviso nº 6186/2006 publicado na página 7495 do nº 101 de 2006-05-25 da II Série do nosso Diário da República, o Instituto Nacional de Administração – com a autorização do Sr. Ministro das Finanças – abriu um concurso para o Curso de Estudos Avançados em Gestão Pública com 104 vagas.
O prazo para inscrições termina a 9 de Junho - hoje.
Até aqui tudo parece normal, mas depois começam as surpresas.
Há 4 vagas para funcionários públicos e 100 para candidatos não vinculados à função pública.
Os candidatos não vinculados que concluam o curso com aproveitamento, adquirem a qualidade de funcionários públicos com a categoria de técnico superior de 2ª classe.
Mas há mais.
Se tiverem a classificação de Muito Bom, são promovidos à categoria de técnico superior de 1ª classe ao fim de um ano.
E agora uma pitada de sadismo.
Os candidatos que pretendam frequentar este curso devem pagar uma importância de 5000 € a título de propina para suportar as despesas do curso.
Alguém ouviu dizer por aí que não havia mais admissões na função pública?
E que era fundamental reforçar a formação dos funcionários públicos?
Ou terei eu feito confusão sobre as recentes afirmações do Sr. Ministro das Finanças relativas ao excesso de pessoas na administração pública?
Depois dos supranumerários, dos excedentes, dos disponíveis e dos dispensáveis da administração pública, agora temos uma nova classe:
São os SUPERNUMERÁRIOS!

quinta-feira, 8 de junho de 2006

Perigosas confusões

Uma rápida volta pela últimas análises da comunicação social e a habitual excursão de fim-do-dia pela blogosfera, acentuam a sensação de que, a propósito da autorização dada pelo senhor Ministro da Economia para a aquisição de participações nas Auto-estradas do Atlântico pela BRISA, se avolumam os equívocos.
Com o contributo, pelo que me apercebo, da oposição.
Foram vários os responsáveis partidários que zurziram no Ministro imputando-lhe falta de legitimidade para a decisão que tomou. Descontando o Bloco de Esquerda (que nunca cauciona a legitimidade de medida alguma, salvo quando o PS se deixa hipnotizar pelo folclore e se apropria de alguma ideia bloquista), muito estranho que a oposição e os habituais e omniscientes analistas do reino avaliem a autorização do Ministro desta forma.
Além disso, gente com obrigação de estar mais atenta e informada, diz, de cátedra, que esta decisão significa uma “desautorização” da AC.
Perigosas confusões!
A decisão do Ministro só seria formalmente ilegítima se a lei lhe não conferisse expressamente a competência para decidir em contrário da Autoridade da Concorrência (AC). Sucede que a lei confere expressamente ao Ministro da Economia o poder de decidir em sede recurso extraordinário impugnatório da deliberação da AC. Antes de alguns se terem apressado a pronunciar, deveriam pelo menos consultar a Lei Orgânica da AC (DL nº 10/2003, de 18 de Fevereiro) e ler o artigo 34º. Veriam que esse poder é legalmente outorgado a quem o exerceu.
Também não faz sentido dizer-se que o Ministro “desautorizou” a AC, constituindo essa desautorização um “perigoso precedente”.
Perigosa pode ser a demagogia por detrás desta afirmação.
Em primeiro lugar, não existe uma relação de hierarquia que subordine a acção do Ministro às decisões da AC. Existe aliás não propriamente a relação inversa, mas a detenção de poderes de tutela do Ministro sobre a AC, sem prejuízo das garantias de independência deste organismo, que nada neste caso indicia que tenham sido postas em causa. Assim sendo, nunca poderia ter havido qualquer “desautorização”.
Mas além disto a verdade é que no plano institucional nada há a apontar. Tudo funcionou no respeito pelo papel de cada qual e nessa medida o precedente criado é um bom precedente. A AC exerceu os poderes/deveres que a lei lhe conferiu e decidiu como decidiu. O Ministro assumiu as suas responsabilidades e decidiu em contrário. No plano institucional, ao invés do que muitos dizem, irrepreensível!

Coisa diferente, e era isso que eu esperava ouvir dos responsáveis da oposição, é saber se o Ministro agiu em conformidade com a lei do ponto de vista material ou substantivo. É que a decisão de provimento do recurso extraordinário depende, segundo a lei, de uma ponderação que o Ministro terá de fazer entre o benefício para a economia da concentração admitida e as desvantagens que dessa operação derivam no plano da salvaguarda da concorrência.
É a sindicância desta ponderação que a oposição deveria fazer.
Se desse controlo (parlamentar, de preferência) se concluir que não existem razões que, nos expressos termos da lei, relevem dos “interesses fundamentais da economia nacional” então sim, deve a oposição zurzir a bom zurzir!
Antes disso, ou sem isso, não se constituem “perigosos precedentes”. Lançam-se, isso sim, perigosas confusões que têm sempre por consequência desacreditarem o Estado.
Fiquemos pois à espera que o senhor Ministro Pinho explique publicamente as razões de interesse económico fundamental que o levaram a afastar os bons princípios da concorrência e a protecção cautelar dos consumidores.
E já agora esperemos também que lhe peçam essas explicações.

Sorte!

Três factos levaram-me a escrever sobre a sorte. Domingo, quando fui comprar o jornal, para ler na esplanada da ponte da praça, ouvi um jovem a comentar para outro - o vendedor - enquanto folheava uma revista com a fotografia de Cristiano Ronaldo na capa, o seguinte: - Há gajos com muita sorte! A frase não tem nada de especial, mas a forma como foi dita é que me chamou a atenção. Uma sentida tristeza comungada pelo outro, como quem diz, por que não fui eu o bafejado?

Curiosamente, na semana anterior, na capa da revista que acompanhava o jornal, figurava Ronaldinho como o melhor jogador do mundo. O que me chamou a atenção foi a explicação do brasileiro, ao atribuir a Deus esse dom! Reacção típica dos que vêm daquele lado do Atlântico, claro está. Pensei logo, como é que Deus, há 13,7 mil milhões de anos atrás, num acesso de explosão singular, se lembrou de criar um novo Universo e prever que, passado todo esse tempo, havia de dotar um brasileiro de capacidades futebolísticas fora de série e ainda por cima bafejar pela "sorte" um ilhéu que nos dois últimos jogos mostrou ser um verdadeiro trauliteiro?

Sorte! É um estado de espírito, ou existe mesmo? Uma universidade britânica desenvolveu um "Laboratório da Sorte". Os investigadores recrutaram várias centenas de pessoas as quais compraram bilhetes de lotaria. Os auto-intitulados "sortudos" manifestavam duas vezes mais confiança em ganhar relativamente aos que se consideravam como "azarentos". No final não houve quaisquer diferenças em termos de ganhos na lotaria. De qualquer modo, os diferentes questionários aplicados revelaram que as pessoas que se consideravam como tendo sorte eram mais felizes, mais extrovertidas, mais abertas, menos neuróticas, não havendo diferenças quanto a serem mais conscienciosas ou simpáticas face aos sem sorte ou aos neutros. Mas a lista não fica por aqui, porque têm, também, mais contactos, riem-se mais, são menos ansiosas, aproveitam mais as oportunidades, aderem mais facilmente a novas experiências, viajam mais, transformam "azares" em "sorte", enfim um longo rosário de diferenças…

Todos os dias ouvimos, vezes sem conta, falar de sorte ou da sua falta, como se tudo estivesse predestinado. Há também, um grupo de espertos que contestam este determinismo, mas não pelas melhores razões, ao afirmarem que a "sorte dá muito trabalho"! Claro que, neste caso, entram em jogo outros factores, que não estão previstos na teoria das probabilidades. E, em Portugal, há um verdadeiro contingente capaz de testemunhar esta frase.

Não partilhando dos "construtores da sorte", que infelizmente abundam por aí, e vão dando cabo do país, nem advogando os ditos "eleitos de Deus", o melhor é explicar aos "sem sorte", aos neutros e aos invejosos que a sorte é um estado de espírito que pode ser cultivado pela grande maioria.

Michael Shermer, num excelente editorial, "As Luck Would Have It" (Scientific American), citou o exemplo de Stephen W. Hawking que escreveu o seguinte: "Tive sorte em ter escolhido a física teórica, uma das poucas áreas, em que a minha situação não é um grande problema".

Exemplar!

Os PIN ou a responsabilidade de governar

Segundo notícia de ontem, o presidente da API – Agência Portuguesa para o Investimento, que preside à comissão de avaliação e acompanhamento dos projectos de Potencial Interesse Nacional (PIN), fez uma proposta para que estes projectos passem a ser aprovados em Conselho de Ministros. O objectivo é aumentar a taxa de concretização dos PIN.
Não é, convenhamos, proposta de génio. Aliás, nunca se entendeu porque é que o interesse nacional de um projecto não é reconhecido, com todas as consequências, por quem tem o poder para esta declaração. Naturalmente o Governo, mandatado para arbitrar em razão do que é de interesse geral. A esse arbitramento costuma, de resto, chamar-se «governar».
A ideia pode revelar, sobretudo porque parte de quem tem de apresentar os troféus da caça ao investimento (o presidente da API), algo que não resulta de imediato da sua aparente bondade, mas que era de esperar: a conclusão (finalmente!) pela total inconsequência do actual modelo de fomento ao investimento.
Começa de facto a chamar a atenção o contraste entre o anúncio de investimentos em catadupa e a realidade da fraca taxa de concretização. E começam a pesar na credibilidade governativa alguns flops. Além de que é notório o incómodo com que se encaram as intervenções bloqueadoras de alguns sectores, designadamente do ambiente, que gosta sempre de ficar “de fora”, pois é de fora que se tem a última e quase sempre decisiva palavra.
Há dias ao “Expresso” o senhor secretário de Estado do Ambiente dizia com o maior dos à-vontades que os PIN não podem servir para afastar a lei. Afirmação espantosa essa, a admitir que em algum momento alguém no governo que o secretário de estado integra, pensou que pudessem existir PIN contra legem
Sem ironia, penso que a proposta feita é decisiva para deixarmos de ter reconhecimentos de projectos de potencial interesse nacional, para passarmos a ter projectos de interesse nacional. De facto, isso só será conseguido se essa “marca” for deixada pelo Governo como sugere a API, através de um acto que solidarize e comprometa todos os governantes sem excepção. Obrigando-os a todos a ponderar tudo quanto houver a ponderar nas várias vertentes de interesse público eventualmente envolvidas (financeiras, fiscais, ambientais, de ordenamento do território…), de modo a que o interesse nacional assim declarado se imponha aos interesses dos pequenos e médios poderes políticos e administrativos.
Trata-se afinal de fazer com que o Governo assuma as suas responsabilidades.
Sem isso, podem continuar a encher-se páginas com investimento de potencial, ou mais rigorosamente, de virtual interesse. Mas dificilmente assim sairemos da cepa torta.

To be or not to be!...

A entrevista ao Ministro das Finanças publicada no DN de ontem revela quão difícil e atribulada é a vida de Ministro e sobretudo como é tarefa impossível querer falar quando nada pode dizer…
Mas o impossível deu-se, e Teixeira dos Santos, como Membro do Governo, afirmou tudo aquilo que, como Ministro das Finanças, mesmo socialista, teve que negar a seguir!...
Exemplar foi pois a entrevista… Mas, ao contrário de Hamlet que, depois do famoso fantasma, foi tomado de ostensiva má disposição, o nosso Ministro, mesmo com o espectro das contas públicas por perto, dá prova do mais refinado humor...Vejam bem que de todas as palavras que se seguem são do próprio!...
Ora vejamos:
To Be: Vamos implantar um sistema de rescisões amigáveis dos funcionários públicos…
Not To Be: Mas rescisões amigáveis no Estado só quando houver dinheiro!...
To Be: É expectável que a adesão às licenças extraordinárias ocorra entre os mais jovens e qualificados…
Not To Be: Mas os mais jovens e qualificados é que o Estado deve manter!...
To Be: Os funcionários dispensados deverão arranjar trabalho no sector privado…
Not To Be: Mas não vamos empurrar ninguém para fora da administração!...
To Be: Haverá mais funcionários abrangidos pela avaliação de desempenho…
Not To Be: Mas não garanto que os melhores sejam financeiramente premiados!...
To Be: Não existem motivos para pensar em reduções adicionais da despesa pública…
Not To Be: Mas a segunda metade do ano é a mais difícil!...
To Be: Uma das áreas onde se pretende reforçar os cuidados com a execução orçamental é a das Autarquias…
Not To Be: Mas esta área da Administração Pública não será alvo de atenção especial!...
To Be: Se o actual nível do preço do petróleo se mantiver até ao fim do ano, não procederemos á actualização prevista do imposto sobre os produtos petrolíferos…
Not To Be: Mas o Estado perde 15 milhões de euros por não aumentar o ISP e esse efeito deve ser acomodado no Orçamento!...
To Be: Há recuperação da economia…
Not To Be: Mas não se pode falar de retoma!...
……..
Cá por mim, tenho todo o perfil para ser Presidente dos Estados Unidos…
…Mas não vou ser…sou português!...

terça-feira, 6 de junho de 2006

Aproveitem...que não registei a patente tecnológica!

Segundo o DN de sábado, a Siemens Portugal registou 27 patentes em 2005, valor que corresponde ao maior registo de patentes por trabalhador do universo Siemens naquele ano. A Siemens mantém em Portugal cinco Centros de Inovação, um dos quais inaugurado no princípio deste mês, sendo propósito da empresa criar outro em 2007, dedicado à televisão móvel. Os Centros de Inovação da Siemens em Portugal empregam 1.330 engenheiros. No dia 2, assinou um protocolo de colaboração com a Universidade de Aveiro.
Este facto levou-me a pensar novamente nos reflexos da inovação tecnológica no desenvolvimento.
A investigação tecnológica, só por si, não traz desenvolvimento. Traz desenvolvimento, sim, aquela investigação que se traduz na inovação, isto é, na criação de um novo produto, susceptível de ser fabricado e comercializado, ou no aperfeiçoamento de um produto existente, alargando-lhe o mercado. Só nessas circunstâncias a inovação cria emprego e tem valor económico.
O Estado português gasta centenas e centenas de milhões de contos (na moeda antiga, para melhor se perceber) com a investigação levada a cabo nos seus Organismos e Laboratórios. Muita dessa investigação é à vontade do freguês, isto é, versa o que mais prazer pessoal dá a cada cientista, estando completamente afastada da realidade do país, das suas necessidades e das necessidades das empresas.
Como tal, não regista qualquer patente. Creio mesmo que pensa que tal procedimento é aviltar a sua nobre finalidade. Quando fui Deputado, perguntei aos responsáveis quais os objectivos e as metas de alguns organismos de investigação aos quais acabavam de ser afectas largas dezenas de milhões de contos. Ainda me lembro da cara de espanto da pessoa a quem fiz a pergunta: no meio de uma “engrolada” resposta, percebi que o objectivo da distribuição era simplesmente esse, dizer que a investigação tinha mais dinheiro!...
É por tudo isto que eu penso que o Plano Tecnológico devia ter apenas um artigo, que versaria o seguinte:
Os Organismos de Investigação e os Laboratórios Tecnológicos do Estado deverão, no prazo de um ano, estabelecer contratos de investigação aplicada com empresas, privadas ou públicas, que ocupem, no mínimo 80% da sua capacidade instalada. Nesses contratos deverão ser rigorosamente definidos o plano de actividades a desenvolver, os objectivos e meios a utilizar, a contribuição e o financiamento de cada uma das partes e o respectivo orçamento. Deverão fazer parte integrante dos contratos os nomes dos responsáveis de cada projecto. O Ministro da Economia fará deste objectivo a sua principal tarefa. Serão extintos os organismos que não encontrem clientes para os seus serviços.
Este sim, era um verdadeiro choque: era simplex e valia incomensuravelmente mais que a salsada das 300 medidas do Plano, a maioria das quais só serve para fazer número, pois de tecnológicas têm zero.
Podem aproveitar, que não registei a patente!...

segunda-feira, 5 de junho de 2006

Preconceito

Leio no Diário Económico um artigo onde se afirma que as classes (?) jurídica e política exigem a substituição do senhor Procurador-Geral Souto Moura por um magistrado do ministério público ou judicial, com independência, autoridade, imparcialidade e atento à autonomia do ministério público.
Não sei se as personalidades que ouvi deporem no sentido assinalado no artigo são assim tão representativas. Pelo menos ao ponto de vincularem às suas opiniões as "classes" a que pertencem. O que eu sei é que estas posições são intoleravalmente preconceituosas. Porque implicam que outro que não um magistrado, ainda que fale por si o seu passado de jurista prestigiado, não será considerado independente, não exercerá autoridade, será parcial e combaterá a autonomia do ministério público!
Recuso este primarismo preconceituoso. Venha ele de onde vier. Espantando-me, de resto, que alguns que consideram as magistraturas as únicas bactereologicamente puras para gerar no seu seio um novo PGR, tenham esquecido a simbólica mas significativa imagem de um senhor juiz-conselheiro, então vice-presidente do Conselho Superior da Magistratura, comemorando efusiante, de cachecol partidário ao pescoço, uma noite de vitória eleitoral na sede do partido vencedor.

Hospitais e parcerias público-privado

É extraordinário o impasse em que se encontram as parcerias para a construção de hospitais de substituição e de novos hospitais.
A ideia até foi iniciada pelo actual M. da Saúde quando "em fim de festa" passou pelo último Governo de A. Guterres, fez legislação sobre E.P.E's, lançou o pontapé de saída.
Depois com o Min. L.F.Pereira lá se lançaram concursos para dez hospitais. O de Loures que foi o primeiro, lançado em Dezº de 2003 foi extinto em Março de 2006, parece que vai agora reiniciar-se. O de Cascais é de Setº de 2004 parece que vai em Julho encetar-se a negociação com os concorrentes. O de Braga é de Dezº de 2004 penso que a negociação ainda não começou!
Vêm agora os privados queixarem-se da quantidade de dinheiro que já investiram e do desajuste do enquadramento legal deste tipo de concursos, dizendo que o início do processo negocial não deveria ultrapassar os dois meses depois da entrega das propostas.
Confrontado com estes "lamentos" o Ministro da Saúde não achou nada melhor do que declarar: "ninguém lhes pediu para investir"!!! "A culpa da demora é dos quilos de papel que cada consórcio me deixa na secretária. Só para o concurso do Hospital de Braga tenho 33 mil páginas para analisar".
É fantástico! Será que parceria público-privado não significa que os privados invistam?
Então porque não regressam ás parcerias público-público?

Dia mundial do ambiente

Agradou-me ver que o Dia Mundial do Ambiente foi simbolicamente comemorado com um passeio de muitas centenas de crianças que percorreram a ligação entre as margens do Douro, do cais de Lamego à Régua, com a presença do senhor Primeiro-Ministro.
Quem teve a ideia, merece aplauso. Em primeiro lugar, pelo sítio que escolheu que mostra bem o extraordinário valor da paisagem e chama a atenção para a necessidade de não a estragar. Mas sobretudo por, neste dia, se mobilizarem os mais novos.
Não que os mais novos sejam menos conscientes do que nós. Bem ao invés, porque ao vê-los participando activamente naquela marcha, transmitem-nos, a nós adultos, o exemplo das boas práticas.
Hoje, não tenho dúvidas de que as crianças são dos principais agentes da mudança dos comportamentos em relação ao ambiente.
Quem tem uma criança ou um adolescente em casa tem quase sempre junto de si um educador ambiental. As boas práticas ambientais, desde a separação dos lixos até ao uso eficiente da água, são-nos propostas, a nós adultos, por aqueles que julgamos estar na idade de aprender. Inverte-se a relação. É o filho que chama a atenção do pai para que a garrafa vazia da cerveja não é naquele saco, mas no outro. Ou interpela a mãe para não misturar com recicláveis os residuos orgânicos.
Pode ser um bom sinal de que o mundo deles será mais saudável, porque gerido por cidadãos mais responsáveis na sua relação com o meio e mais conscientes de como a sustentabilidade depende desse sentido de responsabilidade.

E nós, no presente, poderemos beneficiar das condutas e dos conselhos dos mais novos. Continuemos, pois, a aprender com as nossas crianças. Só nos fará bem.

Prós e Contras (II)

Prometi, no post divulgado em 1 do corrente, comentários adicionais sobre o tema nele tratado - que alias suscitou vivo debate, facto que registo com muito interesse.
Esses comentários vêm a propósito do que me parece ser uma estratégia equívoca do frenético marketing oficial que pretende, a todo o custo, convencer o País de que a economia está melhor, de que temos razões para estar optimistas, tudo vai correr bem, não falta quem queira investir em Portugal, as finanças públicas estão sob controlo, o desemprego está a baixar, as reformas estruturais estão em marcha, a Europa e o Mundo olham-nos com admiração, estamos no rumo certo, espera-nos um futuro risonho.
Acrescente-se a isto o estilo “ralhão” do PM, copiado por alguns Ministros, acusando de mau serviço ao País aqueles que, com objectividade e frontalidade chamam a atenção para a gravidade da nossa situação e apontam “remédios”.
Quem promove este tipo de marketing político não entenderá que isto é muito semelhante a dizer aos cidadãos que não se preocupem, que relaxem, que há dificuldades mas nós estamos a resolvê-las, amanhã acordarão com um País muito melhor?
É claro que depois vêm as análises independentes, as estatísticas sem títulos encomendados ou ajeitados, provenientes de organismos internacionais e é um balde de água fria que nos cai sobre a cabeça. Nesses momentos lá vem o marketing oficial carregar sobre os “media”, tentando convencer-nos de que essas análises estão desfocadas, desactualizadas, que não têm em conta a evolução mais recente, etc.
Chega-se ao ponto de um Ministro, já aqui citado, ter tido o arrojo de dizer que houve uma viragem tão subtil na economia portuguesa – para melhor, claro está – que nem a OCDE foi capaz de se aperceber de tal ocorrência! E essa declaração passou, na comunicação social, quase sem comentários…
Parece-me que esta estratégia vai dar mau resultado.
A procissão dos nossos problemas ainda vai no adro, faltam os capítulos mais importantes.
Porquê este afã mediático para que as pessoas não se preocupem muito e sejam optimistas que o futuro próximo vai ser melhor?
Isto faz algum sentido na complexíssima situação em que nos encontramos?
Há poucos dias, o Ministro da Saúde, a quem não se pode negar coragem para assumir medidas ou posições impopulares, confessava, publicamente, que o défice de 2005 ainda pode subir para 6,2% do PIB, se não correrem bem as experiências empresariais dos Hospitais de S. João e Sta. Maria, que receberam dotações de 290 milhões euros de capital social em 2005.
E teve a coragem de acrescentar que, a acontecer, isso seria trágico para o País.
Quer isto dizer, em termos simples, que esses 290 milhões euros não foram contabilizados na despesa de 2005 – o que seria uma “manigância”, no tempo da Drª Manuela F. Leite, agora ninguém repara – e que essa contabilização terá sido condicionalmente aceite pelo Eurostat, mas pode ainda vir a ser revista.
Se essa verba vier a ser adicionada à despesa de 2005, por entendimento do Eurostat, fará saltar o défice para os tais 6,2% depois de nos ter sido solenemente garantido que o défice é de 6% e que daqui não sai.
Mas o facto é que a declaração do Ministro passou despercebida. Os “media” deixaram-na cair quase como se de um lapso se tivesse tratado.
A pressão do frenético marketing oficial e dos “media” têm vindo a imprimir uma dose muito elevada de irrealismo ao nosso quotidiano.
A continuarmos assim, nunca mais estaremos preparados para enfrentar, com indispensável consciência colectiva, a resolução estrutural dos problemas que nos afligem e vão gradualmente empobrecendo o País.

A única renovação!...

Estava a ver televisão e num curto espaço de tempo e de notícias quem é que me aparece pela frente? O Dr. Carvalho da Silva e o Eng. João Proença, desde tempos imemoriais os “patrões” da Intersindical e da UGT, o Sr. Arménio Santos, vitalício Secretário-Geral dos Trabalhadores Social- Democratas, o Dr. Paulo Sucena, que sempre vi “representar” os professores…
E comecei a pensar que os apresentadores do principal telejornal do canal público e que as duas jornalistas, aliás excelentes, que apresentam os dois principais serviços informativos não diários também são as mesmos, de há muito a esta parte. Naturalmente, e pela própria ordem das coisas, levam pessoas repetitivamente com as mesmas caras a comentar os acontecimentos.
Os “professores” de economia, os “cientistas políticos”, os comentadores jurídicos, os analistas sociais, os jornalistas comentadores repetem-se até à saciedade. E tanto se repetem que já se pode saber de antemão o que vão dizer, de tantas vezes o já terem dito.
Para as questões constitucionais temos, alternadamente ou em conjunto, a opinião exclusiva de Jorge Miranda, Vital Moreira e Gomes Canotilho, mas sempre eles e mais ninguém, não!...
No futebol, os analistas vêm-se revezando desde meados do século passado, tanto assim que são as próprias televisões que recordam, com cabelo ou sem cabelo, com bigode ou sem bigode, as dignas figuras de Fernando Seara, Dias Ferreira ou Guilherme de Aguiar.
A moléstia chegou também à Selecção Nacional de Futebol. Até há dois anos, nenhuma selecção era concebível sem os antiquíssimos, mas “indiscutíveis” titulares Rui Costa e Figo. O primeiro, num acto de bom senso sempre de louvar, admitiu que o seu tempo tinha chegado ao fim e abdicou. Se não fosse isso, ainda andaria por lá. No entanto, e dois anos depois, passou a ser o repositório de todas as esperanças do Benfica…
O segundo, depois de se despedir e de, em atitude “patriótica”, tornar a entrar, viu o seu carisma aumentar em exponencial.
Não há renovação na vida nacional: as pessoas agarram-se como lapas ao lugar, não querem concorrência, que os faria melhores ou que, fatalmente, os afastaria. São os “melhores” só porque não são sujeitos a comparação. E sendo os “melhores”, assim por direito natural, escusam de se esforçar, que o lugar é seu.
Dei então por mim a pensar que a única renovação que se dá em Portugal é quando o PSD ou o PS ganham eleições; nessa altura, organizada e metodicamente, cada um dos partidos varre as pessoas que o outro colocou.
É a renovação pelo pior motivo. Mas é a única que há!...

domingo, 4 de junho de 2006

Condutores!

Sábado, na esplanada do café da ponte da praça, debaixo de um frondoso chorão, e ao lado da teimosa ribeira que liberta uma suave e inconfundível brisa, presenciei com os velhos amigos do burgo os diversos tipos de comportamento dos condutores que se confrontaram com as novas posturas municipais.

A Câmara proibiu, e bem, a circulação automóvel numa velha rua que desagua na praça do município. A razão é muito simples de explicar, sempre que passava um automóvel, os peões eram obrigados a parar e a encostarem-se, ou melhor, a colarem-se às velhas paredes de granito. Não havia risco de sujar as calças ou as saias, já que ao longo de dezenas de anos, a limpeza foi garantida por esta prática. Claro que os mais obesos tinham que encolher as barrigas e, mesmo assim, nalguns casos, os espelhos laterais roçavam as mais proeminentes.

Na velha, estreita e castiça ponte setecentista da praça do município passou a haver apenas um sentido. Logo, os que provinham da margem direita têm, agora, que percorrer mais dois minutos circundando a parte central do núcleo histórico.

As novas regras começaram no dia 1 de Junho. O pessoal da esplanada começou a analisar os diferentes tipos de reacções. Deste modo, acabamos por criar quatro tipos. Os “distraídos” – habituados a fazer diariamente aquele percurso – não viam o sinal de sentido proibido. O pessoal ria-se e fazia os respectivos comentários. Claro que os condutores, pessoas conhecidas, paravam os carros e perguntavam por que é que estávamos a rir. E lá explicávamos as razões. A maioria ficava estupefacta argumentando que realmente não tinha reparado. – Ainda bem que a guarda não estava aqui! Cada um tentava antever o que é que o próximo iria fazer. Quando apareceu o Zé da Laurinda, todos foram unânimes: o Zé vai borrifar-se para o sinal e ainda por cima vai mandar umas valentes bocas. Assim foi! Olhou para o sinal, fez um gesto típico de desagrado, passou a estreita ponte e, logo após ter estacionado o carro, começou a escoicear à sua maneira, insultando os responsáveis por aquela enormidade. Não concordava e ia continuar a fazer aquele percurso. Há mais de trinta anos que vai à casa da mãe e agora querem que ele dê aquela volta toda! Estão doidos, era o que mais faltava! A mãe lá tentava acalmá-lo, mas nada! Classificámo-lo como o típico “produtor independente das normas”. O Nelo Taborda, lá ia contabilizando em voz alta as infracções. Foi quando apareceu o Zé Carlos. – O Zé é um rapaz certinho e não vai infringir as regras. Assim foi, abrandou e disse: - Já vou ter convosco daqui a um minuto. E, pronto, lá foi circundar o centro. Foi classificado como “cumpridor”. Eis quando apareceu a sonsinha. Perguntei ao Nelo: - Qual é o teu prognóstico? Respondeu: - Com esta só uma tripla! A sonsa parou com ar meio apatetado face ao sinal. Em seguida, avançou um metro. Hesitou. Recuou outro tanto, e, de repente, após ter olhado para todos os lados, inclusive os clientes da esplanada, avançou com toda a naturalidade, mantendo a fácies mais virginal deste mundo… Classificada como “oportunista”.

- Então Nelo, onde vais? - Vou buscar outro caderno que este já está cheio. – Mas olha que ainda falta mais dois tipos! – Quais? – O guarda-republicano e os “prostáticos oficiais”. – Não estou a entender! O guarda-republicano só se for para multar. - Hoje faziam aqui umas valentes massas! Quanto aos outros… “prós..estáticos oficiais?! Não percebo! – Estou a ler uma notícia segundo a qual a GNR, de uma forma puramente discricionária, não aplica contra-ordenações ao dito pessoal “oficial” quer usem carros do estado ou não. Tudo, porque estas criaturas invocam que a infracção foi devida a “urgência”. Uma gaita, só se for urgência urinária, claro. – Ah, estou a compreender. Pois, pois! Mas as mulheres não têm próstata! Como é que a “sonsinha”, iria justificar a infracção? – Sei lá! Mas podes ter a certeza que não era multada…