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quinta-feira, 28 de janeiro de 2010

O Orçamento de 2010: a ficção do Ministro

Eu podia simplesmente escrever sobre o Orçamento de Estado o seguinte:
A Despesa Corrente aumenta de 74 mil milhões de euros, em 2009, para 75,6 mil milhões de euros, em 2010, um aumento de 1,6 mil milhões de euros, equivalente a um acréscimo de 2,2%. Por outro lado, a Despesa com Investimento diminui de 6,9 mil milhões para 5,6 mil milhões de euros, uma diminuição de 1,3 mil milhões de euros, equivalente a um decréscimo de cerca de 19%.
Podia escrever só isso, mas não posso nem devo. Porque, depois das declarações do Ministro na exposição power-point, que definiu o orçamento como um orçamento de rigor, de ajuda ao investimento, e de contenção da despesa, fiquei indignado perante o despropósito (palavra esforçadamente meiga para definir a ideia...) do Ministro, face aos números concretos constantes do documento.
Por isso escrevo:
O Orçamento para 2010 não é sério nem rigoroso, já que a Despesa Corrente aumenta 2,2% em termos nominais, cresce em termos reais (inflação prevista é de 0,8%) e aumenta em termos de PIB, passando de 44,9% para 45,2% do PIB.
O Orçamento para 2010 não serve a economia, já que a despesa cujo aumento se poderia justificar era a despesa de investimento, e esta diminui 19% em relação ao ano anterior.
O Orçamento para 2010 sacrificou o investimento à despesa corrente, colocando-a num patamar ainda mais elevado, do qual mais dificilmente se poderá sair.
Por isso, o Orçamento para 2010 é um duplo logro: não é nada do que o Governo anuncia, e vai trazer dificuldades adicionais à economia, agora e no futuro. Um dos piores orçamentos de sempre.
É o que, sem eufemismos e contemplações, tem que ser escrito, dito e redito.

4 comentários:

Manuel Brás disse...

... e suas "quimeras"

De tão bons samaritanos
estamos todos atulhados,
com seus portes lusitanos
em casacos farfalhados.

Quimeras alimentadas
por razões artificiais
deixando-as enquistadas
de complicações sociais.

Post-Scriptum: o Dr. Pinho Cardão tem escrito, dito e redito, prestando um excelente e honesto serviço (se me permite a expressão). Bem haja!

Pinho Cardão disse...

Caro Manuel Brás:

Então o meu amigo também escreve prosa?
Obrigado pela excepção e pelo conteúdo!...

Eduardo Freitas disse...

Caro Dr. Pinho Cardão,

Muito bem!

jlbdias disse...

Caro Dr., está a ficar tudo explicadinho na A.R., absolutamente... inacreditável!
Cumprimentos