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terça-feira, 24 de novembro de 2015

Contas externas até Setembro: ainda e bastante positivas...


  1. Com a doce turbulência política dos últimos dias – agora suavemente ultrapassada – nem reparamos na divulgação dos dados sobre as contas externas até Setembro, ocorrida na última 6ª Feira, e de que aqui temos por hábito deixar um breve apontamento – atenta a decisiva importância desta informação para se perceber como vai a economia do País.
  2. E esses dados são bastante positivos: o saldo conjunto das Balanças Corrente e de Capital subiu quase € 600 milhões em relação ao mês anterior, totalizando agora perto de € 3 mil milhões (€ 2.913,8 milhões), sendo superior em 10,2% ao verificado no período homólogo de 2014.
  3. Para esta evolução é fundamental a melhoria do saldo da Balança Corrente, que se situa em € 1.232,8 milhões, mais 62% que o valor verificado no período homólogo de 2014…e, dentro da balança corrente, registam-se melhorias nas rubricas de Bens diminuição do défice em € 240 milhões e Serviços aumento do excedente em € 281 milhões, enquanto o défice dos Rendimentos apresenta um ligeiro agravamento, de € 52,6 milhões.
  4. Quanto à Balança de Capital, o excedente, de € 1.681 milhões, é ainda inferior ao apurado no mesmo período de 2014 (€ 1.881,7 milhões), embora esta diferença tenha vindo a estreitar-se nos últimos meses.
  5. Com estes dados, torna-se verosímil um saldo conjunto das Balanças Corrente e de Capital superior a 2% do PIB no final do ano, podendo mesmo ultrapassar o verificado em 2014 (€ 3.513,5 milhões), até porque o preço do petróleo continua muito contido, devendo proporcionar um saldo na rubrica de Bens menos negativo do que em 2014.
  6. Resta saber por quanto tempo durará esta formidável inversão das contas externas, que se iniciou em 2012/2013, depois de um longuíssimo período de enormes défices desde a segunda metade dos anos 90…
  7. …inversão que, como aqui temos repetidamente salientado, foi produto de um trabalho extraordinário de muitas centenas senão mesmo de milhares de empresas portuguesas – privadas na sua esmagadora maioria – bem como dos seus gestores e trabalhadores…
  8. … que não pouparam a esforços nem sacrifícios para dar a volta à situação totalmente  insustentável de desequilíbrio e de asfixia financeira a que a economia portuguesa tristemente chegou nos primeiros meses de 2011.
  9. Resta-nos deixar os mais ardentes votos para que esses esforços e sacrifícios não tenham sido em vão, agora que se concluiu o ciclo político iniciado precisamente no 2º trimestre de 2011 e se inicia outro, sob o lema do Crescimento “a todo o pano”, supostamente empurrado pela procura interna.
  10. Cá estaremos, se possível, para explicar como vai ser.

domingo, 22 de novembro de 2015

Condenados pela iliteracia financeira...

Não é só uma questão de reputação/vergonha, é essencialmente o que representa para o desenvolvimento de um país os seus cidadãos não terem conhecimentos financeiros. Portugal ficou na 111ª posição, num total de 140 países abrangidos, no estudo sobre literacia financeira da Standard & Poor’s. Ficámos muito mal na fotografia!
Em Portugal apenas 26% dos adultos foram considerados como tendo literacia financeira. Isto é, apenas um em cada quatro adultos conseguiu responder acertadamente a pelo menos três das cinco perguntas do inquérito. No total, logo atrás da Nigéria. Na Europa, atrás de nós só a Roménia. Custa a acreditar. É mau de mais para ser verdade!
Dinamarca, Noruega e Suécia estão no topo da tabela com o melhor indicador de literacia financeira, 71%, ou seja, três em cada quatro adultos sabe fazer contas financeiras. Fora da Europa, os países com melhor classificação são os EUA, Canadá e Austrália, embora abaixo dos países europeus que estão nas melhores posições.
O teste à literacia financeira envolveu um questionário com cinco perguntas básicas sobre definições de taxa de inflação, taxa de juro e capitalização e diversificação do risco. Foram consideradas como tendo literacia financeira as pessoas que responderam de forma correcta a pelo menos três das cinco perguntas. O questionário está disponível aqui.
O nível de iliteracia financeira dos portugueses é grave. A falta de conhecimentos  financeiros básicos não permite decisões e escolhas prudentes e racionais relacionadas com aspectos tão essenciais do dia a dia como, por exemplo, o consumo, o endividamento, o investimento e a poupança. Como podem as pessoas sem conhecimentos financeiros mínimos decidir com confiança e em consciência coisas tão simples como investir num depósito a prazo, em papel comercial ou comprar unidades de participação de um fundo de investimento ou adquirir um PPR, negociar uma taxa de juro ou calcular uma mais valia e o respectivo imposto.  
A falta de literacia financeira é um entrave ao desenvolvimento. Sem conhecimentos o nível de compreensão dos problemas económicos e financeiros do país fica prejudicado e, como consequência,  a capacidade de participação das pessoas nos desafios económicos e políticos fica muito aquém das necessidades. Além disto, perde-se em escrutínio público e em nível de exigência. E perde-se, inevitavelmente, em nível de responsabilidade e responsabilização individual e colectiva.  
Este é mais um dos nossos défices crónicos e estruturais. Precisamos de o combater com políticas adequadas que devem começar na escola e envolver toda a sociedade civil. A tarefa é gigantesca, tomar consciência do problema já seria um passo importante...

sexta-feira, 20 de novembro de 2015

O descrédito do crédito fiscal da sobretaxa do IRS...

Tem que haver uma explicação credível para a descida a pique do crédito fiscal da sobretaxa de IRS. Caiu para 0%. Ou seja, tendo em conta a evolução das receitas fiscais até Outubro não haverá qualquer reembolso da sobretaxa do IRS em 2016. Não vale a pena especular e encontrar razões mais para a direita ou mais para a esquerda. Importante mesmo é que o governo explique a que se deve esta reviravolta no reembolso da sobretaxa do IRS. E deveria fazê-lo quanto antes.

quinta-feira, 19 de novembro de 2015

Os elevados custos que o PR está impondo ao País...


  1. Na 3ª Feira à noite (salvo erro) o SG/PS avisava a população para os custos pesados do clima de incerteza que supostamente se vive no País, resultante, bem entendido, do tempo excessivo que, no seu entender, o PR tem gasto na escolha de uma solução governativa estável e duradoura…
  2. Semelhantes preocupações têm sido aliás emitidas por um numeroso escol de altos dignitários da política nacional – num coro assaz ruidoso, note-se, que inclui algumas vozes quase ululantes - relevando a urgência de passarmos a ser governados de forma “estável” e chamando a atenção para os elevados riscos (nomeadamente financeiros, bem entendido) deste tempo de “indefinição”.
  3. A reacção dos mercados a estes avisos e preocupações, solenemente proclamados e fortemente ecoados pela comunicação social, não se fez esperar: ontem mesmo, o IGCP realizou duas emissões de Bilhetes do Tesouro, a 6 e a 12 meses, tendo no prazo mais curto colocado € 400 milhões e no prazo mais longo € 1.100 milhões.
  4. Quanto às taxas de juro, foram negativas em ambos os prazos, de – 0,018% nos 6 meses e de -0,006% nos 12 meses, os níveis mais baixos de que há registo .
  5. Deixo os meus mais sinceros votos de que, terminado este período de incerteza, com o início de funções do governo sustentado no betonado Acordo de Tripé, seja então possível  emitir dívida em condições consideravelmente mais vantajosas do que estas.
  6. Resta-nos assim esperar e desejar que o PR deixe de impor mais custos ao País.

quarta-feira, 18 de novembro de 2015

terça-feira, 17 de novembro de 2015

Economia desacelera no 3º trimestre, alerta Crescimentistas...


  1. O INE divulgou, na última 6ª Feira, a 1ª estimativa para o desempenho da economia no 3º trim/2015, dando conta de uma prática estagnação da actividade em relação ao trimestre anterior - crescimento zero do PIB, em cadeia, e crescimento homólogo de 1,4% - em ambos os casos desapontando a generalidade dos analistas que antecipavam um crescimento em cadeia de 0,4% e um crescimento homólogo de 1,8%.
  2. Embora não esteja ainda   disponível informação quanto ao comportamento das diferentes componentes do PIB, o INE fez já saber que para este resultado terá contribuído em especial uma evolução desfavorável do investimento em capital fixo.
  3. A confirmar-se este diagnóstico e uma vez que o 3º trimestre foi já caracterizado por um nível de turbulência política considerável, com o ruído da campanha eleitoral e as incertezas quanto ao resultado do pleito…
  4. …para o 4º trimestre e seguintes não se poderá esperar nada de muito melhor, em razão do agravamento da incerteza política e, pior do que isso, das profundas convicções anti-capitalistas professadas pelos poderosos sustentáculos do formidável governo sitiado do PS.
  5. Começa, pois, a desenhar-se um quadro que poderá ser bem pouco propício para os exercícios onírico-financeiros dos estrategas do Crescimentismo - que apostam tudo numa galvanização da actividade económica susceptível de produzir abundantes receitas fiscais e assim cobrir o aumento dos gastos públicos que se preparam para  promover.
  6. Assim sendo, e face ao risco elevado de virem a ser rapidamente defrontados com um “flop” económico e financeiro de proporções bastante avantajadas, recomenda-se aos sempre simpáticos Crescimentistas que estejam bem alerta, a sua estratégia pode ter de ser alterada não tarda.

quinta-feira, 12 de novembro de 2015

Polícia grega utiliza gás lacrimogénio para dispersar manifestantes...


  1. Na Grécia governada pelo Syriza (expurgado há 3 meses da ala mais radical da coligação governamental e do ilusionista Varoufakis), é hoje dia de greve geral, decretada por sindicatos dominados pelas políticas forças mais radicais (as que deixaram o governo em Agosto), em protesto contra a política de austeridade!…Quem diria!
  2. Não é neste momento conhecido, ainda, o impacto da dita greve geral nas actividades económicas (terá sido elevada nos serviços públicos, como é natural)…
  3. Mas o que já se sabe é que os promotores desta greve se manifestaram em Atenas, com generosa fúria, obrigando a polícia a utilizar gás lacrimogénio para os dispersar.
  4. Não será que estaremos a assistir na Grécia a uma antevisão do que pode vir a suceder em Portugal, daqui por poucos (pouquíssimos) meses - com uma CGTP em fúria e um PC incomodadíssimo, em estado de choque, ameaçando o iminente rompimento do famoso "Acordo de Tripé", pela via do exercício, bem mais cedo do que o previsto, da “Put Option” que lhe foi atribuída?
  5. A forma agressiva como a CGTP está já posicionada no terreno, formulando publicamente toda uma sorte de exigências que o PS vai ter enorme dificuldade em atender, bem como as primeiras iniciativas legislativas do PC que arriscam (ou visam, mesmo?) entalar o PS na AR, podem ser o prenuncio de que em breve o palco político- social estará a ferver e o PM AC com as mãos na cabeça sem saber o que fazer…
  6. Mas agora noto: o novo governo ainda nem tomou posse, tampouco foi indigitado o PM AC!

quarta-feira, 11 de novembro de 2015

Chapelada parlamentar ou as esquerdas lavam mais branco

O futuro governo, a haver, liderado pelos socialistas, pode respeitar a lei, mas ofende todos os princípios de ética e de ética política e não é compatível com a democracia. De uma penada, e em chapelada de bastidores, adultera de forma brutal o veredicto do povo expresso em eleições, impedindo a coligação vencedora de governar.
E se em democracia todos os partidos têm iguais direitos (e também, não se esqueça, iguais deveres perante os cidadãos), em democracia há eleições, e as eleições delimitam o direito de governar, atribuído a quem as ganha. E criam um dever a quem as perde, o de fiscalizar quem ganhou e governa. Contrariar esta norma é chapelada nas urnas, não é atitude democrática.
A coligação das esquerdas seria legítima se se apresentasse como tal às eleições ou se cada um dos partidos tivesse assumido, no contexto eleitoral, um acordo de governação. Não o fez, os portugueses votaram enganados, os resultados eleitorais foram subvertidos e torturados por jogos rasteiros de poder do Partido Socialista, por debaixo da vontade dos eleitores. Mais um passo fatal para a descredibilização do sistema político. Nas repúblicas das bananas é que as eleições são mero pró-forma e o voto dos cidadãos vale zero...
(ler mais, no jornal i)

O conto do vigário V- Um pungente Centeno

Foi pungente ouvir o discurso que o novel deputado Centeno pronunciou hoje no Parlamento, após o seu programa, antes tão elogiado, ter sido golpeado, amputado, retalhado, desfigurado, despedaçado pelos três acordos que os socialistas firmaram para governar às esquerdas.
Foi pungente. Até pelo sorriso que exibia, ele ainda nem deu conta de que foi o primeiro da casa a ouvir o conto. 
Aliás, coitado, ele nem sabe com que contadores se meteu!...  

terça-feira, 10 de novembro de 2015

Revolução

Sim, algo de verdadeiramente revolucionário se está a passar. Ouvir a extrema esquerda exaltar a queda do muro de Berlim é uma mudança coperniciana...


Helmut Schmidt (1918-2015)


"Nós, sociais-democratas, não abdicámos da liberdade e da dignidade de cada ser humano. Simultaneamente não abdicámos da democracia representativa, da democracia parlamentar. Estes princípios obrigam-nos hoje à solidariedade europeia. De certo que a Europa, também no século XXI, será constituída por estados nacionais, cada um com a sua língua e a sua própria história. Por isso a Europa não se tornará de certeza num Estado Federal. Mas a UE também não pode degenerar numa mera aliança de estados. A UE tem de se manter uma aliança dinâmica, em evolução. Não há em toda a história da humanidade nenhum exemplo. Nós, social-democratas, temos de contribuir para a evolução passo a passo desta aliança" - Helmut Schmidt no Congresso do SPD, Berlim, 4 de dezembro de 2011. 

Desapareceu hoje um estadista e uma referência da social democracia. O seu exemplo torna mais evidente a mediocridade das lideranças por esta Europa fora. RIP.

Festa começa cedo: CGTP considera insuficente plano de aumento do SMN...


  1. Ainda se ouviam as vozes triunfantes e triunfalistas dos Derrubadores de 10 de Novembro – futuros heróis nacionais, com direito a toponímia da mais destacada - e já se começa a ouvir algum ruído proveniente da gaveta das diferenças do PC…
  2. Neste caso pela voz autorizada do SG/CGTP, individualidade certamente presente na aprovação do Acordo com o PS, por unanimidade em decisão informal (…), o qual veio hoje afirmar que o Acordo, na parte que se refere ao programa de aumento do Salário Mínimo Nacional, não é suficiente…
  3. O capital de queixa contra o Acordo começa cedo a emergir da gaveta das diferenças…e alguém acredita que o SG/CGTP tenha dito o que disse sem prévia consulta aos seus Peers?
  4. A festa começa cedo e promete ser animada…

segunda-feira, 9 de novembro de 2015

O conto do vigário IV- Entendimentos desentendidos

Os quatro partidos das esquerdas não se conseguiram entender na apresentação de uma única e simples moção de rejeição ao governo de Passos Coelho. 
E dizem que se entenderam sobre o programa de governo que vão impor aos portugueses...  
Entendimentos logo desentendidos à nascença...Amanhã haverá mais. 

O importante é o Claviculário, deixem-se de conversa!


  1. Achei particular graça á expressão ontem utilizada pelos animadíssimos (quase) subscritores do Acordo das 3 Esquerdas, segundo a qual “as diferenças que nos separam ficam na gaveta" (de cada qual, supostamente)…
  2. E achei graça pela expressão em si, cheia de poesia (será que vamos ter um programa de governo em verso, pela primeira vez?) , mas também pelo facto de não ter sido esclarecido se as ditas gavetas ficarão abertas ou fechadas…
  3. Se ficarem abertas, é caso para dizer “não venham brincar com a gente”…
  4. Mas, mesmo que fiquem fechadas, será indispensável saber a quem fica atribuída a função de claviculário: se esta função for cometida a cada um dos subscritores, não existirá diferença entre gavetas abertas ou fechadas…cada qual as abrirá, quando muito bem entender, para levantar bem alto as diferenças e proclamar: assim não pode ser, acabou o Acordo!
  5. Neste angustiante quadro, deixo uma sugestão amiga: por muito que isso lhes possa custar, entreguem as chaves das gavetas das diferenças ao actual PR, que por sua vez ficará obrigado a entrega-las ao seu sucessor, garantindo-se assim que, pelo menos por esta via, a perenidade do glorioso executivo não fica em risco sério de interrupção, a todo o momento.
  6. O importante nesta fabulosa história é saber, pois, quem será o Claviculário!

Olhando para a nuvem que passa - III

O Expresso regista as palavras de Manuel Alegre quando soube do sim comunista à união de facto com o PCP e BE: “ouvi com emoção Jerónimo de Sousa”.
Foi imediata a reação dos simpatizantes da coligação ainda no governo a esta emotiva manifestação, em especial  nas redes sociais onde Alegre é zurzido sem dó nem piedade. Injustamente, creio eu. Se o acordo com os partidos à esquerda deixa muita gente do PS inquieta e incomodada - conheço uns tantos com estes sentimentos -, também é verdade que nas fileiras do PS existem muitos outros que, como o poeta, desejavam ardentemente que este dia chegasse. Dou, aliás, mais valor ao jubilo franco de Manuel Alegre, do que à satisfação interesseira de quem se comove pela pituitária, sensível à proximidade do poder.
E, convenhamos, para toda uma geração de gente do PS ou é agora ou será nunca...

sábado, 7 de novembro de 2015

Acordo muito original: PC com "Put Option"?

1. Na quase estonteante torrente de informações e contra-informações que vem caracterizando a formação do glorioso governo fundado num Acordo das 3 Esquerdas, apercebi-me de que o PC estaria disponível para rubricar e assinar um Acordo de Legislatura...mas não por 4 anos,curiosamente, sim por (1+1+1+1)anos.
 
2. Argumenta o PC, com uma lógica de "ferro", que se tornará necessário, no final de cada ano (supondo que o governo consegue cumprir pelo menos 1 ano...), efectuar uma reavaliação do funcionamento do Acordo - o que vale por dizer que a renovação do belíssimo Acordo ficará dependente de um juízo positivo do PC sobre o seu funcionamento no período anterior...
 
3. A ser mesmo assim, isto significa também que ao PC é atribuída uma "Put Option" sobre o Acordo: se considerar que o seu funcionamento não foi satisfatório (na sua peculiar perspectiva, que certamente terá muito a ver com a tendência das sondagens que forem divulgadas ao longo do tempo...), o PC exercerá a "Put Option", "pondo-se ao fresco" e mandando o PS para as urtigas...
 
4. Regista-se a interessante originalidade e modernismo da solução, tanto mais que se trata de uma técnica conhecida dos manuais de tipo neo-liberal...e aprecia-se a extraordinária solidez de um Acordo estribado em tais princípios.

O conto do vigário III- Uma vigarice pegada

Três enredos diferentes num mesmo conto, nem o mais sabido vigário-geral consegue compatibilizar. Aquilo já deixou de ser um conto,  é uma vigarice pegada.  

sexta-feira, 6 de novembro de 2015

O conto do vigário II- O quadrado circular

Acabar com a austeridade e manter a trajectória descendente do défice abaixo de 3%, de acordo com os compromissos europeus.
Costa acabou de o dizer, alto e bom som, na SIC.
Claro que há sempre alminhas a acreditar no conto...

Em jeito de desabafo...

Vejo a democracia como um espaço de confronto pelo diálogo. Talvez por isso não me faça impressão a instabilidade do momento que tanto parece preocupar alguns, convencidos - mas enganados - de que a vida dos Portugueses e o presente e futuro próximo de Portugal dependem de um Pedro ou de um António (as yelds da dívida soberana no mercado secundário deram hoje um salto maluco de 8 pontos por causa de uma suspeita de aumento de juros referenciais nos EUA, não por causa das constantes aparições da Catarina ou do anúncio do acordo com o Jerónimo). O que verdadeiramente me chateia é a sobranceria, a superioridade moral com que a chamada esquerda se afirma, como se as ideias dos outros fossem obra do diabo. Esta esquerda apostada no maniqueísmo é patética. E eu estou pessoalmente convencido que não tem qualquer tradução sociológica na larguíssima maioria dos portugueses.

quinta-feira, 5 de novembro de 2015

Conto do vigário I: a porta-voz

Catarina Martins gostou da ideia e profissionalizou-se como porta-voz. Nessa opção profissional, e não lhe preenchendo a agenda a exclusividade de portar a voz do Bloco,  tratou de arranjar produto e contratos que lhe alargassem a função. Tornou-se porta-voz exclusiva da coligação das esquerdas. A avaliar pelo que vem dizendo, porta-voz e mandante. Pois é ela quem põe e dispõe e conclui sobre os temas em discussão.
Conto do vigário eleitoral em todo o seu esplendor: curar derrotas eleitorais com banha da cobra legítima, nas feiras das televisões, e estender a receita à salvação do país.
O PS, calado, reverencia a mandante. E deleita-se com conto. 

quarta-feira, 4 de novembro de 2015

Em breve, uma república das bananas...

Em democracia, todos os partidos têm direitos iguais. E, já agora, os mesmos deveres.
Acontece que, em democracia, há eleições, e as eleições limitam um desses direitos, o de governar, que  é atribuído a quem ganha as eleições. Sòzinho ou em coligação. 
Em democracia, quem perde eleições, perde um direito, o direito de governar, e ganha um dever, o dever  de fiscalizar os actos do governo.
Em democracia, não são toleráveis jogos de poder por debaixo da vontade dos eleitores, que levam a quem perde travestir-se de vencedor. Uma forma miserável de ludibriar o povo soberano. 
Claro que numa república das bananas tudo isso é natural. O voto dos cidadãos vale zero. 
Dentro de dias, acontecerá isso em Portugal. 

Agravar a tributação dos dividendos: uma medida bastante oportuna


  1. O ansiosamente esperado governo das 3 Esquerdas já fez saber, através dos seus porta-vozes mais activos, que tenciona agravar a tributação dos dividendos atribuídos pelas empresas aos seus accionistas.
  2. Trata-se de uma medida reveladora de um conhecimento aprofundado da economia do País, e bastante oportuna, considerando o excesso de investimento que tem vindo a assolar a economia, ademais com o inconveniente ou o risco de reduzir o nível de desemprego.
  3. Haverá certamente, no infinito arsenal de medidas que esse novo governo terá em preparação, outras formas bem mais eficazes e artísticas de dinamizar a actividade económica e de promover o emprego, que não passem pelo lastimoso aumento do investimento produtivo, um processo que está verdadeiramente “démodé”…

terça-feira, 3 de novembro de 2015

Catarina, a eufórica

Depois do fim de semana em que só deu BE, é natural que o protagonismo de Catarina Martins esteja a ser atirado à cara de António Costa. Para mim, o problema do PS com Catarina Martins não está tanto na ribalta momentânea. Se se constituir o governo frentista, as atenções regressarão a Costa, naturalmente. O verdadeiro problema está reservado para o primeiro momento em que se tornar indispensável a solidariedade da senhora para com algumas das medidas que o governo terá, queira ou não, de tomar. É que a líder do BE não cabe em si de eufórica com a notoriedade que obteve. E é fatal como o destino, quererá manter este inebriante estado. Nesse ambiente vai o PS começar a perceber com quem se meteu e acordar para aquilo em que se meteu.

Valha-lhe, então, S. Francisco de Assis, o padroeiro da ecologia...

domingo, 1 de novembro de 2015

Pensões descongeladas, explicações congeladas...

 
A actualização das pensões dos regimes contributivos (Regime Geral da Segurança Social e Caixa Geral de Aposentações) está congelada desde 2010. Excepção para algumas das pensões mínimas e as pensões sociais que entre 2011 e 2015 tiveram uma actualização média anual de 1%.
O mecanismo de actualização das pensões, estabelecido com a reforma de 2007, encontra-se suspenso. A sua aplicação impede o aumento para os níveis mais baixos de pensões e a sua diminuição para as pensões mais elevadas devido ao facto de a actualização estar indexada à inflação e ao PIB.
Os programas eleitorais da Coligação PAF e do PS mantinham as pensões congeladas, poupando em despesa pública para o período da legislatura 1.660 milhões de euros (415 milhões de euros/anos) segundo as contas apresentadas pelo PS. Em ambos os programas é mantida a actualização das pensões mínimas e das pensões sociais em níveis idênticos aos praticados no passado recente.
Vem agora o Bloco de Esquerda anunciar que durante a próxima legislatura vão ser descongeladas todas as pensões e que as mais baixas terão um aumento real. O anúncio deixa, no entanto, muitas dúvidas que o BE não esclareceu. Pois é! Descongelar pensões é a notícia, se muitas ou poucas não interessa, em quanto e como lá se chega também não. Vão ser todas descongeladas? Quando? E a actualização vai depender de quê? Da evolução do PIB? Qual? Da evolução da taxa de inflação? Qual? Ou das promessas eleitorais? O mecanismo de actualização de pensões vai ser "descongelado?
Vamos supor, por momentos, que o dito mecanismo deixa de estar congelado e que se mantém com a actual configuração. E vamos supor, por momentos, que as previsões para o PIB e para a taxa de inflação em 2015, respectivamente, 1,7% e 0,5%, se confirmam.
Nestas circunstâncias que pensões serão descongeladas? Apenas as pensões mais baixas, aquelas cujo valor é inferior a 628 €. E as outras? Continuarão congeladas. E nos anos seguintes? Vai depender da evolução do PIB e da taxa de inflação. Com taxas de inflação baixas e um PIB inferior a 2% não haverá aumentos.
Posto isto, em 2016 a factura da despesa pública com a actualização das pensões dos regimes contributivos deverá ascender a cerca de 55 milhões de euros. Muito dinheiro, mas muito longe da exigência financeira de um descongelamento total. Este terá que esperar,  as contas não enganam. "Durante a próxima legislatura" é a proclamação. Aguardemos pelo descongelamento das explicações...
 

Tiro sempre o chapéu a quem tem a coragem de dizer que o rei vai mesmo nú

Um notável texto de Helena Matos no ´Observador´.
Curvo-me perante a clarividência e a coragem.



sexta-feira, 30 de outubro de 2015

Invalidez permanente com prazo de validade...

O novo regime da invalidez permanente, recentemente publicado, introduz alterações importantes ao regime em vigor. Tem o lado positivo de corrigir que não é a doença W ou Y que dita que um trabalhador deve ser protegido na invalidez permanente, mas sim as consequências da doença. O que acontece no regime em vigor é que um trabalhador poder ter uma incapacidade permanente causada por uma doença que não se encontra prevista no catálogo das doenças elegíveis para o efeito de declarar a invalidez permanente.  Neste caso, o trabalhador não pode ser beneficiário da prestação social de invalidez permanente.
Com o novo regime a incapacidade permanente para o trabalho é determinada não pela doença causadora da situação, mas sim pelo grau de incapacidade causado pela doença. Até aqui tudo bem.
Mas as perplexidades vêm a seguir. E são várias. Escolho a regra segundo a qual um trabalhador só tem direito à prestação social de incapacidade permanente para o trabalho se a situação de doença evoluir para uma situação de dependência ou morte num período de três anos.
O diagnóstico médico é transformado em prognóstico, isto é, compete ao médico determinar o terrível desfecho da doença, sentenciando a morte a prazo do trabalhador. É uma desumanização uma tal exigência, para o médico, para o doente e para terceiros, em particular, aqueles com quem o trabalhador mantém relações, por exemplo, laborais.
A colocação de um trabalhador na situação de invalidez permanente deveria decorrer de uma observação real e não de uma perspectiva sombria da vida.

quarta-feira, 28 de outubro de 2015

Programa de governo

Interessante, interessante, seria a Coligação PSD/CDS apresentar um Programa de Governo decalcado no Programa do Partido Socialista/Mário Centeno. Dada a posição do PS sobre o sentido da votação e as outras esquerdas nem quererem ouvir falar na política laboral do Centeno, aí estava o Programa chumbado. Com a enorme vantagem de colocar um ponto final na asneira.
PS: a genialidade da ideia não é minha...

A profissional observação da ERC

A Entidade Reguladora para a Comunicação Social (ERC) pediu à Hot TV, canal português de conteúdos para adultos, para emitir mais "programas em língua portuguesa" e mais "produção europeia e independente".
O Director da Hot TV reagiu, afirmando que a estação iria tentar cumprir: "se estivéssemos sempre a repetir programas, conseguíamos, mas como não o fazemos torna-se mais difícil..."
Contudo, a ERC mostrou que observa ao pormenor a programação: a Hot TV cumpre a transmissão dos formatos que anuncia, dentro do horário previsto, e o tempo reservado à publicidade cumpre o limite previsto pela Lei da Televisão.
Não há como termos uma ERC vigilante e observadora!...

terça-feira, 27 de outubro de 2015

Contas externas até Agosto: boas notícias, mas...até quando?


  1. Com o burburinho que aí vai no cenário político, vivendo o País um dos mais gloriosos momentos da sua história quase milenária, quase esquecíamos a habitual informação sobre o desempenho das contas externas, disponível desde o dia 20 do corrente para o período até Agosto.
  2. Essa informação dá-nos boas notícias: o superavit conjunto das Balanças Corrente e de Capital sobe para € 2.328,4 milhões, face a € 1.934,7 milhões verificado no mesmo período de  2014 (+20,3%).
  3. Melhor ainda, esta evolução fica a dever-se sobretudo ao desempenho da Balança Corrente, cujo saldo positivo 2saltou” de € 190,2 milhões em 2014 para € 842 milhões em 2015, ou seja +343%.
  4. E, na Balança Corrente, todas as rubricas registam evolução positiva:
- O défice dos Bens diminuiu de € 5.770,3 milhões para € 5.603,6 milhões (aqui a queda dos preços do petróleo tem grande influência como já aqui assinalamos);
- O superavit dos Serviços aumentou de € 7.657,1 milhões para € 7.883 milhões (+3%), com destaque para a rubrica do Turismo, cujo excedente passou de € 4.651 milhões para € 5.190 milhões (+11,6%);
- O défice dos Rendimentos caiu de € 1.696,6 milhões para € 1.437,4 milhões (-15,3%).
        5.  Apenas a Balança de Capital exibe um superavit inferior ao de 2014: € 1.486,4 milhões    contra € 1.744,5 milhões, certamente como resultado de um menor ritmo de chegada de fundos estruturais.
         6. Boas notícias, em suma, mas...resta saber por quanto tempo mais continuaremos neste registo, até porque se trata de uma insuportável e abominável conquista neoliberal, que provavelmente e para glória do País deverá ter os dias contados...
  

domingo, 25 de outubro de 2015

Olhando para a nuvem que passa - III

1. Ouço gente que respeito e admiro - alguns dos meus mais ilustres Mestres - acusar de excessivo o discurso do PR. Declarações que me levaram a relê-lo em busca de parte ou partes que os Dr.s Mario Soares e Jorge Sampaio não subscrevessem nas respetivas circunstâncias. Não encontrei nada. Posso estar enganado. Aliás, estes dias obrigam a por em causa o que sempre tive por adquirido, mas tenho a sensação que, dissesse Cavaco Silva o que dissesse, sempre desencadearia a reação que mais mediatizada foi. É, por estes tempos, do universo do politicamente correto malhar em Cavaco. Um cavalgar de onda por parte dos que precisam de tratar de si próprios, porque foram derrotados e veem por aí uma saída para a humilhação eleitoral, e para os que querem sair vitoriosos e desde já se previnem contra os custos de ser contra o que julgam ser o mainstream. Sobretudo a estes não convém  que se diga que entendem que o PR andou bem, que disse e fez o que era devido fazer e sobretudo dizer. Desde candidatos ás próximas presidenciais à direita e à esquerda, até a comentadores políticos tidos como próximos do Prof. Cavaco Silva, todos cavalgam a onda...

2. Invoca-se a Constituição como coisa sagrada. Mais do que fazê-lo em vão, quem invoca o santo nome da Constituição contra a decisão do atual PR de designar quem nas urnas ganhou eleições, ou rasga as vestes perante a revelação, clarinha, dos motivos pelos quais o PR recusou a alternativa frentista dos partidos derrotados, revela afinal não conhecer a Lei Fundamental. E revela esse conveniente desconhecimento num aspeto nuclear do nosso sistema: o poder discricionário que os constituintes atribuíram ao Chefe do Estado para, com legitimidade democrática igual à da Assembleia da República, nomear o PM após a audição dos partidos com representação parlamentar e ponderação sobre o significado do veredito eleitoral.

3. Discricionariedade não pode ser confundida - como absurdamente tem sido por alguns responsáveis partidários - com arbitrariedade. Seria, esse sim, arbitrário, o ato de PR que designasse como PM quem perdeu as eleições. Como arbitrário seria o PR nomear o líder de um partido derrotado assumindo  que não valia a pena nomear um PM porque estava anunciada a imediata queda no Parlamento, rendendo-se assim à lamentável fuga do PS às responsabilidades que o eleitorado lhe atribuiu seja para negociar uma base de entendimento de modo a aproximar projetos de governação com quem não obteve credencial eleitoral para governar sozinho ou sem negociação, seja para liderar a oposição, opção absolutamente legítima e tão relevante para a democracia como governar.

4. Mas se é inaceitável a afirmação de que o ato do PR foi arbitrário ante a clara fundamentação da rejeição de uma hipótese de governo assente numa maioria de esquerda parlamentar, é incompreensível que se pretenda que o Prof. Cavaco Silva constitui, hoje, o principal fator de divisão entre os portugueses. Faz algum sentido dizer que Cavaco Silva, com o seu discurso, alargou um abismo entre esquerda e direita? Mas de que esquerda e direita fala esta gente? Acaso existiu, nestes 40 anos de democracia, algo que, nos programas,  no ideário ou na prática política aproximasse leninistas, estalinistas, trotskistas e recentes declinações, do socialismo democrático, respeitador dos princípios, esses sim, enformadores da nossa Constituição, que é a Constituição da afirmação da dignidade da pessoa humana acima do materialismo? Depois dos governos dos Eng.ºs António Guterres e José Sócrates restou alguma dúvida de que os valores que norteiam o projeto político do PS cavam diferenças insanáveis em relação ao projeto de sociedade subscrito, por exemplo, pelo PCP? Poderia, pois, o PR - este ou qualquer outro - considerar que se respeita a vontade popular viabilizando um governo constituído por grupos que só se respeitam por cálculo e tática, mas que nos 40 dias de campanha eleitoral puseram mais uma vez, perante o povo, as suas inconciliáveis diferenças?

5. Andou bem o PR. Andou bem não só porque ponderou o que é suposto que um Chefe do Estado responsável pondere em função não só dos condicionalismos políticos decorrentes das eleições, mas da especialmente delicada situação económica que o País vive e que parece que só ele PR, por estes dias reconhece. Andou bem  porque se ateve ao desenho constitucional do sistema, mas também porque tomou a decisão equilibrada e racional, interpretando os resultados eleitorais em razão dos programas políticos sufragados. O que se lhe exigia, portanto.

6. O que suceder no próximo futuro, pouco tem que ver com o modo como o PR usou dos seus poderes. Terá que ver com a circunstância de em Portugal a política andar a reboque de interesses individuais de meia dúzia de iluminados que os aparelhos procriam. É assim há décadas, não é de hoje e é transversal aos sistema partidário. Nunca, porém, tivéramos como admissível que interesses e ambições das lideranças pusessem em causa o adquirido constitucional - que não resulta só do texto constitucional mas de práticas até agora consensuais, que nada têm que ver com tradições contrariamente ao que por aí se diz. E isso, sim, é uma rotura no sistema.

7. Não sou dos que entende que o sistema vigente é nariz de santo, intocável. Mais: não considero o próprio regime intangível, bem pelo contrário (ou não faria sentido escrever num blogue que se batizou de IV República). Julgo, porém, que as alterações de momentos basilares das leis fundamentais ou da sua consensual prática, não podem ser feitas a golpe nem para satisfação de ambições pessoais ou de grupo. Têm, como deve ser nas democracias, de resultar evidentes do sufrágio. E esta, que se prepara, não resulta, digam-me o que disserem os respeitáveis Mestres, os comentadores do regime ou os reputadíssimos candidatos presidenciais da direita ou da esquerda.

Presidente foi muito duro, excessivo, justo ou brando? Veremos...

1. Rios de tinta foram já gastos em comentários à declaração política do PR, da última 6ª Feira, quando indigitou o Presidente do PSD - na sua qualidade de presidente do maior partido da coligação que ganhou as eleições de 4/X - para a formação de um novo governo.
2. Na sua expressiva maioria, os comentários consideraram a intervenção do PR "excessiva", na parte em que qualificou a solução de um governo apoiado pelas 3 esquerdas como não servindo os interesses nacionais e não cumprindo o requisito da estabilidade governativa (tendo por base as informações que lhe foram prestadas, presumo).
3. Houve mesmo democratas de primeira grandeza - daqueles para quem toda a decisão é democrática quando lhes agrada e anti-democrática em caso contrário - que não se coibiram de utilizar uma linguagem de nível quase sarjetário, atribuindo ao PR os mais vis propósitos, de estar movido por um sectarismo agonizante...
4. Não me proponho qualificar a intervenção do PR como excessiva, brutal, repelente, piramidal, bondosa ou tranquilizadora por uma simples razão: não existe, neste momento, evidência disponível que, na minha perspectiva, permita fundamentar tal qualificação...a intervenção foi de tipo "forward", só com mais tempo será possível ajuizar.
5. O que eu receio - e receio pelo País, que acaba de sair de um tratamento de cuidados intensivos e pode recair com facilidade - é que daqui por um ano (ou talvez menos) se venha a concluir que esta intervenção do PR foi branda...ou mesmo  muito branda...veremos se não será tarde demais.

quinta-feira, 22 de outubro de 2015

Quo vadis, Partido Socialista?

Pelo que fui percebendo nestes meus dias de ausência do 4R, há destrambelho grosso nalgumas cabeças deste país. Precisamente naquelas que abrigam os iluminados cérebros dos quais brotou a pioneira ideia de que quem ganha as eleições é quem as perde e, ao contrário, quem as perde é quem as ganha.
Bom, o facto trouxe-me recoradações. É que, na época já distante anterior ao 25 de Abril, quem ganhava as eleições era quem as perdia. 
É facto provado que os extremos se tocam; e também é verdade assente que as chapeladas de outrora persistem em renovar-se, certamente com imagem mais modernaça garantida por uma esquerda que lava tão branco que até pensa conseguir branquear as derrotas transformando-as em límpidas vitórias.
Para aonde é que vais, Partido Socialista? 

terça-feira, 20 de outubro de 2015

Surpresa desagradável: hasta pública deserta?




    
 
  1. Muitos comentários, nos mais diversos tons, têm sido feitos a propósito da declaração – bem pouco feliz, por sinal – do SG/PS sobre a existência de surpresas desagradáveis que poderiam vir a ocorrer em relação à gestão dos negócios públicos.
  2. Quando ontem foi noticiado que tinha ficado deserta – não havendo, por conseguinte, qualquer interessado na compra - a hasta pública para venda dos terrenos da antiga Feira Popular, pelo preço-base de € 135,6 milhões, talvez se comece a perceber que pode estar aí a tal surpresa desagradável…
  3. Efectivamente, tendo em conta os encargos que a CML suportou com a aquisição daqueles terrenos bem com outros encargos subsequentes relacionados com esse processo (indemnizações, por exemplo), mais o custo financeiro imputável a essas imobilizações de capital, pode bem vir a acontecer que a CML não consiga vir a ser ressarcida integralmente desse “investimento”…
  4. Será uma surpresa bem desagradável, certamente, e, sendo assim, o SG/PS acabará por ter alguma razão na profecia que deixou no ar…
 
 

sábado, 17 de outubro de 2015

Número de bilionários chineses ultrapassou, em 2015, o de americanos...

1. Segundo a edição do FT de ontem, que citava uma publicação chinesa da especialidade ("Hurun Rich List"), o número de bilionários chineses - felizardos com um património superior a USD 1.000 milhões - atingiu no corrente ano um total de 596, subindo de 354 em 2014 e ultrapassando os 537 "registados" nos USA...o que sucede pela primeira vez na história moderna.

2. Temos aqui matéria para que um possível (e desejável) governo das 3 esquerdas assuma um objectivo programático ambicioso seguindo o bom exemplo da China oficialmente Comunista: aumentar o número de milionários em Portugal (não de bilionários, isso seria inimaginável), de molde a tentar ultrapassar o da Grécia.

3. Afinal, os bons exemplos são para serem seguidos e, conhecido o muito respeito que um dos membros da provável Coligação nutre pela política e pelos sucessos da China Comunista, não ficaria nada mal à mesma Coligação seguir este bom exemplo. Seria a "cereja em cima do bolo" da grande ambição de reforçar o Estado Social - exactamente como na China.

4.Aqui fica, pois, singelamente, a sugestão.

sexta-feira, 16 de outubro de 2015

"Coligação de Esuqerdas": da viabilidade aritmético-política á contradição insanável...


“Coligação de esquerdas”: da viabilidade aritmético-política à contradição insanável…
  1. Começando por definições: “Coligação de esquerdas” tanto pode significar um governo maioritário, incluindo membros dos 3 Partidos que em conjunto têm maioria de deputados no Parlamento, como um governo minoritário de um desses Partidos com apoio parlamentar negociado com os outros dois; viabilidade aritmético-política significa simplesmente que tal arranjo, dispondo maioria de deputados, tem, à partida (não á chegada como veremos a seguir) condições para formar governo e para governar com alegria, não me cabendo discutir se é mais ou menos aceitável no plano da praxis política..
  2. Feitas as definições, vamos ao essencial: a contradição insanável de tal solução, por razões que, na minha análise, se afiguram objectivamente ponderosas.
  3. Com efeito, um governo saído de uma “coligação de esquerdas”, tem à partida um problema de dificílima resolução: um défice de credibilidade – ou um superavit de desconfiança, tanto faz – por parte da generalidade dos agentes económicos, externos e internos,  cuja avaliação é decisiva para o futuro desempenho da economia portuguesa.
  4. Para compensar esse défice de credibilidade/superavit de desconfiança, esse governo seria obrigado a apresentar-se com um conjunto de medidas orçamentais e de reformas estruturais de conteúdo bem mais ambicioso/exigente do que um governo de outro tipo de coligação – parece irónico, mas a realidade tem destas coisas…
  5. Mas, em tal circunstância, as bases de apoio dos partidos mais á esquerda entraria imediatamente em ebulição, garantindo uma vida curtíssima a tal solução…e, quem sabe, o governo minoritário de esquerda acabaria, para sobreviver alguns meses, por ter de negociar com a coligação de centro-direita, rotulada de principal inimiga, a abstenção desta para deixar passar as indispensáveis medidas de consolidação orçamental e algumas reformas…mais uma ironia, mas, novamente, a realidade tem destas coisas…
  6. Para evitar uma morte prematura da dita coligação de esquerdas, por esboroamento da sua base de apoio, o seu  governo teria como alternativa enveredar por uma política declaradamente anti-austeridade (tipo Varoufakis), aumentando generosamente a despesa pública e, quiçá, pondo em causa reformas decididas a muito custo pelo anterior governo, precipitando, dessa sorte, a economia portuguesa numa aventura que iria, mais uma vez, acabar mal…
  7. ...e o seu futuro estaria traçado, sendo apenas uma questão de tempo...infelizmente, neste caso com custos elevados para o País, dependendo a dimensão desses custos da duração de tal aventura, naturalmente.
  8. Por falar em Varoufakis, este perfeito vendedor de banha de cobra, uma vez abortado o seu negócio na Grécia, mandado às malvas por Tsipras, parece ter escolhido Portugal para próxima “vítima”: só nos faltava mais esta!

quinta-feira, 15 de outubro de 2015

Sopa queimada não sabe a bispo a quem a cozinha...

Quando o senhor bispo D. Januário Torgal Ferreira, na qualidade de emérito manifestou em plena campanha eleitoral a sua preferência pelo Dr. António Costa, aos aplausos da malta do PS juntaram-se os apupos das esquerdas contra aqueles que então entendiam que a Igreja deveria manter-se neutra na disputa partidária. Agora é o senhor Cardeal Patriarca quem veio manifestar opinião sobre a melhor solução de governo, preferindo o bloco central a um governo de minoria. Veio abaixo o pouco que resta do Carmo e cai definitivamente a Trindade. Rasgam as vestes as esquerdas indignadas com o atrevimento. Ambos os lados têm razão, o melhor seria a Igreja, enquanto tal, não se meter em política, mas sobretudo não se meter com estes políticos. Estará sempre fora do seu ambiente e desviada dos cânones, pois sabendo os fieis de um lado e de outro que os seus dirigentes estão longe de ser santos, sempre esperam deles um milagre. Uma heterodoxia que o poder espiritual jamais conseguirá compreender...

O que querem os eleitores?

Pedro Magalhães faz uma análise interessante sobre "O que os eleitores querem".
Mais interessante é a conclusão de que "...quando vos disserem que os eleitores dos partidos querem isto e aquilo desconfiem". Tal e qual!
Com efeito, parece não haver uma afinidade entre o que os eleitores querem e o que querem os partidos em que votam ou em que não votam. Ou porque não sabem verdadeiramente o que os partidos querem ou porque estes não explicam bem o que defendem. Ou porque os eleitores desconfiam do que os partidos lhes transmitem ou porque valorizam outros aspectos que nada têm que ver com aspectos ideológicos ou programáticos. Confuso? Sim e não. Este desfasamento é afinal o reflexo do divórcio entre os eleitores e a política nas suas substância e forma.

segunda-feira, 12 de outubro de 2015

Olhando para a nuvem que passa - II

Insuspeita, a Profª Chantal Mouffe, que tem pugnado por uma visão agonística do pluralismo democrático, num dos seus textos previne que "aceitar a posição do adversário é experimentar uma mudança radical na identidade política. Isso tem mais a qualidade de uma conversão do que de uma persuasão racional (...). Na verdade, os acordos são possíveis. Eles são parte de um processo da política, mas deveriam ser vistos como reveses temporários numa confrontação em curso". Por certo António Costa e o PS que o apoia no ensaio de uma plataforma de esquerda parlamentar que suporte um governo, estão conscientes do que valem, numa democracia adversarial, estes acordos que assentam sempre numa precária alteração da identidade política dos atores. Aceitá-la, pressupõe admitir a contingência de uma punição futura em caso de insucesso. Entendo, neste quadro, o caminho que o PS quer trilhar. Esperando que esta procura de um máximo denominador comum entre as minorias tão diversas nos princípios e na ideologia, não seja motivada, afinal, por uma prosaica cedência à necessidade de saciar a fome de poder.

Costa em auto-gestão

O Presidente da República encarregou o presidente do partido vencedor das eleições, Passos Coelho, de encontrar uma solução governativa. Simultaneamente, o Secretário-Geral de um dos partidos derrotados, o PS, iniciou, ele próprio, e em auto-gestão, diligências com a mesma finalidade.
Para além de ser uma afronta ao PR, órgão de soberania eleito por maioria dos portugueses, a quem compete dirigir o processo, é uma verdadeira afronta à democracia, por procedimento incompatível com regras básicas de funcionamento do sistema.
Vencido, Costa serve-se do PS para aparecer como vencedor. Sê-lo-à por uns dias. Até ser apeado pelos camaradas, sem honra nem glória.


Economia: razoável desempenho em 2015, quanto a 2016 pode ser sensacional!


  1. O BdeP divulgou, na semana passada, a última actualização das previsões da economia portuguesa para 2015, mantendo a anterior taxa de crescimento do PIB, de 1,7% (nada má…), mas alterando a sua composição: a procura interna será mais dinâmica, devendo crescer 2,5% (2,1% na anterior previsão) e as importações aceleram…
  2. Para o maior dinamismo da procura interna contribuem o consumo privado (de 2,2% para 2,6%) e também o consumo público (de -0,5% para + 0,1%), mantendo-se o ritmo elevado de crescimento do investimento em capital fixo, de 6,2%.
  3. Quanto às transacções com o exterior, as importações aceleram, como já referido, de 5,7% para 7,9% (bens duradouros, automóveis em especial)…sendo que as exportações  também aceleram, de 4,8% para 6,1%, mas não evitando que o contributo da procura externa para o crescimento do PIB se torne mais negativo (era de -0,4% passa a -0,9%) – compensado exactamente pelo maior contributo da procura interna, de 2,1% para 2,6%...
  4. O saldo conjunto das Balanças Corrente e de Capital deve continuar folgado, em 2,3% do PIB, embora inferior ao da anterior previsão (3%).
  5. Temos assim uma ligeira aragem de Crescimentismo a abrilhantar o desempenho da economia em 2015, mas, para já, nada que justifique sobressalto…
  6. Para 2016 existem perspectivas mais animadoras para o Crescimentismo, quiçà deslumbrantes mesmo, com a hipótese de se vir a formar uma nova Coligação “A todo o gás, Portugal”, susceptível de dinamizar a actividade económica a ritmo galopante: de uma penada afastando a maldita Austeridade e conferindo ao Estado o seu insubstituível papel de motor da economia…
  7. …mas pode acontecer que tudo não venha a passar de uma breve quimera de tipo syrizista, acabando os seus protagonistas (ou parte deles) por aterrar, mais ou menos aturdidos, num syrizismo de 2ª geração – reformista, liberal e com forte acento na disciplina orçamental !
  8. Se assim for, e como dizia o poeta: "Que desalento, lá se vai o crescimento"!

domingo, 11 de outubro de 2015

Marcelo Rebelo de Sousa da TVI para Belém...

 
Não estava à espera de encontrar Marcelo Rebelo de Sousa hoje à noite na TVI. Foi uma agradável surpresa. Conversador como sempre, mas desta vez nem comentador nem candidato. Simpático e divertido, com uma memória invejável, cheio de energia e histórias para contar. Um grande comunicador. O tempo realmente voa, Marcelo Rebelo de Sousa esteve 15 anos na TVI. E muitos portugueses acompanharam o seu comentário ao Domingo à noite durante este período. Uma vida. Fazia parte da vida de muitos portugueses. 
A TVI organizou esta noite uma despedida original. Marcelo Rebelo de Sousa estava comovido e sensibilizado. A partir de agora vamos vê-lo na corrida a Belém. Um candidato que conhece bem Portugal e os portugueses. Os portugueses sabem bem quem é. Boa sorte Professor Marcelo Rebelo de Sousa. Boa sorte Portugal.

As tendências demográficas e a economia...

Ageing Group Report, Comissão Europeia, 2015
 
Acordámos tarde para o tema da demografia. Mas acordar não é sinónimo de agir. Estamos mais atentos ao tema porque nos apercebemos que há um problema. Há mais estudos, há mais contas e projecções, há mais estatísticas, há mais alertas do que no passado. Mas será que estamos a agir enquanto sociedade para que o país coloque nas suas prioridades políticas a demografia. Temos uma grande dificuldade em olhar para lá da janela de uma ou duas gerações e mesmo olhando somos míopes, não vemos de forma nítida. Andamos de volta de problemas conjunturais. Há muito tempo. Temos uma certa dificuldade em gerir o conjuntural sem perder de vista o estrutural.  Não resolvendo o estrutural, as dificuldades conjunturais teimam em se manter.
As projecções da população apresentadas por instituições nacionais – INE – e pelas instâncias europeias são coincidentes. Portugal vai perder 2,4 milhões de pessoas até 2060. É o resultado do declínio da natalidade e mais recentemente da elevada emigração, em especial da camada jovem da população. E a imigração já não é o que era.
Estamos a envelhecer, teremos cada vez menos população em idade activa e cada vez mais população idosa. Viveremos mais, a esperança média de vida aos 65 anos vai continuar a aumentar.
Tem-se falado muito que o envelhecimento da população tem impactos negativos no sistema de pensões. Assim é, basta olhar para a redução das taxas de substituição da pensão pública e para o seu agravamento nas próximas décadas. O problema da segurança social é em primeiro lugar um problema económico.
Com efeito, a redução da população total e da população activa tem implicações na economia. O Banco de Portugal estima que até 2050 a redução da população activa retire 19,5 pontos percentuais ao PIB per capita. Os resultados já estão a verificar-se.
O Banco de Portugal projecta que este contributo negativo da demografia na economia pode ser compensado em parte pelas qualificações da população. Esta conclusão evidencia a importância da educação.
Estes dados mostram, também, que temos que colocar no topo das prioridades um conjunto adequado de políticas públicas, designadamente as políticas de natalidade, de captação e integração de trabalhadores e de educação. O capital humano é a chave do futuro. Precisamos de mais jovens e mais qualificados. Sem pessoas e sem qualificações não seremos competitivos. Viveremos mais tempo, mas a qualidade de vida não está garantida.
Estes pontos deveriam constituir uma plataforma de entendimento social e político. Quem pode estar em desacordo. Ninguém. São necessárias políticas credíveis, estáveis e previsíveis. É necessário fazer apostas claras e continuadas. O seu sucesso depende da confiança que sejam capazes de incutir.

quarta-feira, 7 de outubro de 2015

Olhando para a nuvem que passa...

O sarilho estava anunciado, os resultados só o vieram confirmar, embora não seja inevitável o futuro próximo de máxima turbulência que por aí se anuncia (e em que muitos apostam com visível satisfação). Eu, que considero que o maior erro dos mandatos do atual PR foi aceitar, em 2009, a solução de governo minoritário que o PS apresentou, faço votos para que desta vez se perceba a sageza de quem tem de a ter, e não falte sentido de Estado aos principais atores de modo a que aos interesses da comunidade não se sobreponham ambições pessoais ou taticismos partidários. Não há muitos anos (em 2010, salvo erro) as eleições gerais no Reino Unido foram ganhas pelos Conservadores, todavia sem maioria de assentos nos Comuns. Gordon Brown, o líder trabalhista enfraquecido pelos resultados eleitorais, teve a chance de constituir Gabinete com o apoio de liberais, democratas e outras pequenas representações, e a isso foi desafiado por muitos dentro e fora do seu partido. Porém, considerou que o mandato para formar governo, numa democracia representativa, deverá sempre ser atribuído à formação que mais mandatos obteve. Viabilizou desta forma o governo que sucedeu ao seu, a despeito da possibilidade, que poderia ter testado, de continuar à frente de um governo maioritário, constituído por todos ou parte dos que perderam as eleições.
Há óbvias diferenças entre a situação inglesa pós eleições de 2010 e a situação que vivemos, bem sei. Mas espero que daqui a uns tempos se possa dizer que em ambos os casos os políticos estiveram à altura das suas responsabilidades. Ainda que isso possa custar, como custou a Brown, um ocaso antecipado.

Tsipras com programa de governo reformista, liberal e de forte contenção orçamental, quem diria...


  1. A notícia, como seria de esperar, passou quase despercebida junto dos “media” em Portugal : o novo governo grego, liderado por Alexis Tsipras, apresentou esta semana um programa para os próximos 4 anos, que está nos antípodas do que foi a epopeia delirante do anterior governo, dinamizada por essa extraordinária figura chamada Varoufakis…
  2. …programa de governo que inclui medidas orçamentais para os próximos 15 meses, a verter num Orçamento Rectificativo de 2015 e depois num Orçamento para 2016, e que se traduzem numa redução das necessidades de financiamento em € 6,4 mil milhões, distribuída entre aumentos de impostos (nomeadamente do IVA) e redução de despesas, nomeadamente com pensões.
  3. Quanto às vertentes reformista e liberal, cabe referir: (i) a recapitalização dos bancos, duramente afectados pela aventura Varoufakis, (ii) um vasto programa de privatizações de empresas públicas e de outros activos detidos pelo Estado, (iii) uma profunda reforma da administração pública, visando trona-la mais eficiente, (iv) uma reforma fiscal rotulada de “radical”, visando diminuir a evasão e a fraude fiscais que na Grécia, como se sabe, atingem ainda proporções inauditas e (v) medidas de incentivo ao investimento privado, nacional e estrangeiro…
  4. Tsipras afirmou, na apresentação deste programa, que o cenário de saída do Euro e de concomitante bancarrota se encontrava definitivamente afastado, abrindo-se agora um novo período que deverá permitir à economia grega encontrar o caminho do crescimento sustentável, com um firme propósito de cumprir as regras do Euro…
  5. Quem diria, Alexis Tsipras transformado num social-democrata moderno e de tendência liberal…
  6. Quanto têm ainda a aprender com Tsipras os fervorosos ilusionistas da chamada esquerda radical em Portugal, tanto os/as do Bloco de Esq como os do É Tempo de Recuar…e tantos outros! Aprender que existe uma diferença abissal entre as fantasias pseudo-    revolucionárias, de um lado, e as exigências da mais simples realidade das coisas do outro…

terça-feira, 6 de outubro de 2015

Reforma da Segurança Social, um desafio para o novo governo...

Um dos temas que vai marcar o mandato da próxima legislatura vai ser a Segurança Social, designadamente o sistema de pensões. A Segurança Social é muito mais que um sistema de pensões. Repensar o sistema de pensões implicará, também, reflectir sobre outros subsistemas igualmente importantes como é o sistema das contingências imediatas, no qual se incluem o subsídio de desemprego e o subsídio de doença, e o sistema de protecção social de cidadania, no qual se incluem as prestações sociais não contributivas. Fala-se pouco ou nada deste lado das responsabilidades e, no entanto, não são menos importantes.
Como por várias vezes escrevi, e volto a sublinhar, uma reforma do sistema de pensões implica uma base alargada de representação social. Implica um debate sério, implica estudar e avaliar as diversas possibilidades, implica estabelecer prioridades. Mas implica, sobretudo, construir uma solução na qual as diversas gerações em presença se revejam. E para tal, vai ser necessário um debate sereno. A urgência de um resultado determina, no entanto, que o debate deve arrancar no início do mandato do novo governo. Há muito trabalho técnico para realizar e negociação política para fazer. E entre a decisão política e a sua implementação não bastará o prazo habitual de uns meses para a entrada em vigor da respectiva legislação.
Mais ainda, uma reforma de um sistema de pensões é sempre geracional, os efeitos esperados levam tempo a consolidar, movem-se num horizonte temporal que atravessa várias gerações. A Coligação PàF e o PS têm o dever de unir esforços para se porem de acordo quanto à reforma desejável e possível. As restantes forças políticas e os parceiros sociais e a sociedade civil devem participar, com espaços e tempos próprios. O debate não está feito e vai ser difícil. Não há que facilitar.
Mas nada de confundir medidas mais imediatas, novamente de natureza orçamental, com medidas que serão capazes de trazer equilíbrios estáveis e previsíveis ao sistema de pensões. A lógica aqui é do médio e longo prazos. E aqui as preocupações da reforma não podem cingir-se à sustentabilidade financeira. Devem olhar, também, para a equidade intra e intergeracional e à adequação do rendimento na reforma. A respeito desta última dimensão, não é possível ignorar as significativas quebras de taxas de substituição previstas no médio e longo prazos, com efeitos negativos e preocupantes nos rendimentos mais baixos, potenciando a pobreza na velhice.
A utilização recorrente a medidas paramétricas, blindadas nos seus efeitos retroactivos, introduziu grandes desigualdades geracionais. A falta de mecanismos sistémicos de ajustamento automático das responsabilidades e da formação dos direitos às reais possibilidades da demografia e da economia alimentaram a iniquidade intergeracional. A permanência deste caminho continuará a afectar inevitavelmente as gerações mais novas.
O recurso sucessivo a medidas avulsas e controversas, descontextualizadas de uma lógica económica e social, como aconteceu nos últimos anos, alimentaram conflitos institucionais e causaram um clima de incerteza e dúvida junto dos contribuintes e dos pensionistas. A confiança despareceu. O desgaste político e social foi enorme. É tudo isto que precisa de ser resolvido. É grande o desafio, estamos felizmente condenados a um entendimento alargado. É o tempo dele porque já passou demasiado tempo.

sexta-feira, 2 de outubro de 2015

Os mágicos ilusionistas

A nova política económica do Programa do PS baseada no consumo é mais deletéria que a política socrática centrada nos bens não transaccionáveis e, consequentemente, na despesa e na dívida pública. 
Da política de Sócrates, que teve como consequência uma bancarrota que só o apoio dos países europeus evitou, ainda fica o investimento em algumas infraestruturas que, no longo prazo, se poderão revelar úteis e até atractivas do investimento. 
Mas da anunciada política económica do PS nada resultará de positivo. Uma significativa parte dos ganhos obtidos pela descida da TSU dos trabalhadores irá em benefício imediato de economias externas, nomeadamente alemã ou espanhola, que agradecerão. Ao mesmo tempo que prejudicará o processo de reestruturação de muitas empresas, com vista à competitividade externa, com a ilusão de um mercado nacional mais favorável. Com a anulação da medida, que é temporária, corre-se o enorme risco de voltar tudo ao princípio. 
O PS ainda não compreendeu que  a competitividade é a mola real da economia. Porque é a competitividade que sustenta e dinamiza a colocação dos produtos, que gera capacidade de produção, que induz investimento, que promove os emprego e o aumento dos salários. 
Pensar que a aposta em fogachos, por natureza transitórios, resolve o problema da economia é pura ilusão. Criada pela cúpula socialista e por verdadeiros ilusionistas manipuladores de power-points que nos pretendem convencer que para fazer crescer a economia bastam uns truques de magia...
PS: E nem mencionei as terríveis consequências da medida na diminuição da receita da Segurança Social, pese um financiamento adicional previsto, também ele só possível obter por prestidigitadores encartados.     

Sozinho à mesa...


                                                                (clicar para ampliar)
Se até os próprios adeptos já nada lhe ligam...

quinta-feira, 1 de outubro de 2015

PARVALOREM: um "Very light" na campanha?


  1. Embora quase totalmente desligado dos temas referentes à campanha eleitoral que nos entra pela casa dentro, em enxurradas, nos canais de TV, um houve, despoletado nos últimos dias, que despertou a minha atenção: as supostas divergências entre a então Secretária de Estado do Tesouro (SET, hoje Ministra das Finanças) e os gestores da Parvalorem quanto à expressão mais adequada do montante das imparidades a reconhecer numa carteira de créditos em incumprimento (Non Performing Loans ou NPL’s como agora se usa dizer): se € 575 milhões ou € 425 milhões.
  2. Comecei por achar curiosíssima a forma como a notícia apareceu, pela mão caridosa da Antena 1: alguém, por trás dos bastidores, bem escondido, lançando um “Very light” sobre a campanha; e também achei muito curiosa, mas neste caso pelo extremo grau de ridículo, a forma como a notícia animou a mesma campanha.
  3. O episódio teria ocorrido em 2012, numa reunião entre a SET e o CA da Parvalorem; este último, herdeiro de uma famosa carteira de NPL’s dos 2 BPN’S (o de antes e o de depois da nacionalização), entenderia  ser adequado o reconhecimento, desde logo, de € 575 milhões de perdas nessa carteira, como imparidades.
  4. A SET, segundo o relato divulgado, entendeu, e esse entendimento teria prevalecido, que seriam suficientes € 425 milhões, o que evitaria acrescentar, nesse ano, mais € 150 milhões ao défice público, ou seja qq coisa como 0,09% do PIB.
  5. Limitando-se o meu conhecimento do tema ao que foi esta semana divulgado, considero perfeitamente natural que a SET tenha colocado os gestores da Parvalorem perante este cenário: a vossa função é recuperar esses créditos na máxima medida do possível, desenvolvam os vossos melhores esforços para que o montante de perdas não exceda € 425 milhões.
  6. E até se poderia colocar aqui uma razão de “moral hazard”: quanto mais elevadas fossem as imparidades reconhecidas, menor seria o incentivo para recuperar aqueles créditos - já que aquele montante se considerava perdido, valeria a pena um esforço especial para o reduzir? (com o devido respeito pelo profissionalismo dos gestores da Parvalorem, é simplesmente uma questão da natureza humana…).
  7. E até pode, por esta altura, estar a suceder uma coisa curiosa: com as melhorias registadas no mercado imobiliário em 2014 e no corrente ano, tendo uma boa parte dos NPL’s em causa ligação a esse mercado, não é de excluir que mesmo os € 425 milhões de imparidades venham a revelar-se, no final, excessivos…
  8. …ao fazer esta última observação limito-me a especular, pois não tenho qq informação sobre o andamento da recuperação daqueles créditos…mas tenho informação de que estão a ser recuperados outros créditos, relacionados com o mercado imobiliário, que há 3 ou 4 anos seria impensável recuperar.
  9. Em conclusão, transformar este assunto em tema central de campanha eleitoral é revelador do grau de indigência ou insanidade que pode atingir a classe política por estas alturas…
  10. Este episódio parece ter todas as características do lançamento de um “Very light” na campanha, segundo a definição de “Very light” do dicionário Oxford:  “A bright coloured light that is fired from a gun as a signal from a ship that it needs help”…