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sexta-feira, 1 de junho de 2018
“LADRÕES E PIÕES”...
Diariamente sou confrontado com situações pouco ortodoxas. A senhora, um pouco triste, respondeu-me que o seu estabelecimento tinha sido alvo de atenção dos larápios. Não arrombaram a porta, abriram-na e levaram dois expositores, uma imitação de uma pistola antiga e o mealheiro da filha mais nova. Subitamente dei-me conta de que a espécie humana é a mais estranha de todas. Acredita em deuses, fabrica-os à sua imagem e semelhança, é capaz das coisas mais extraordinárias, desde a arte à ciência, vai até à Lua, e um dia qualquer até ao fim do mundo, descobre causas das doenças, consegue explicar muito do inexplicável, cria sinfonias, é autora das mais sinceras manifestações de amor e de solidariedade, mas também mata, provoca guerras e rouba como se fosse a coisa mais natural do mundo. E deve ser. A força da evolução humana reside precisamente na capacidade de matar e de fazer as maiores tropelias que causam desgosto e perturbação nos que entendem que a honestidade e a honra são os princípios de uma nova humanidade, que tarda em aparecer. Desconfio que nunca irá acontecer. Acreditamos que sim, ou melhor, fingimos, mas os seres humanos desonestos irão dominar sempre a realidade humana.
Um dia, devia andar na segunda classe, penso que por altura das férias da Páscoa, lembrei-me de ir ao tribunal. Ia a subir as escadas enfiado nos meus calções quando o meu avô me viu. - O que é que estás aqui a fazer? Perguntou muito admirado. - Vou fazer queixa ao senhor doutor juiz. - Vais o quê? - Vou dizer-lhe que me roubaram o meu pião de buxo, o que tinha uma ponta de prego. - Mas tu és doido? - Não. Não me disseste que é aqui que os homens de bem vêm queixar-se das injustiças? Puxou o chapéu para trás, afagou o bigode, um costume, silencioso, que tinha antes de tomar uma decisão, e depois disse: - Vou contigo. Subiu as escadas, deu-me a mão e entrámos no átrio um pouco escuro. Tirou o chapéu. Olhámos para o lado direito, onde era a sala de audiências, e através da porta semiaberta vi ao fundo, sentado na tribuna, o senhor doutor juiz com o seu ar austero. Nunca tive medo do senhor. Quando me cruzava com ele cumprimentava-o sempre: - Bom-dia, ou boa-tarde, senhor doutor juiz. Interrompia o passo e respondia: - Bom-dia, ou boa-tarde, menino. Mas o que eu achava mais importante era quando tirava o chapéu. Sentia que era importante. Um juiz tirava-me o chapéu quando o cumprimentava. Eu e o meu avô ficámos a olhar durante uns instantes para o julgamento que estava a decorrer. Foi então que me disse: - Estás a ver? O senhor doutor juiz está a fazer um julgamento e parece-me que vai demorar um pouco. O melhor é virmos noutra altura. Não achas? Fiquei a pensar durante alguns segundos. Concordei. Caso contrário iria perder a tarde e eu queria era jogar à bola com os meus amigos. Ao descermos a escadaria, o meu avô perguntou-me se não tinha outro pião. - Tenho, mas não é nada comparado com o outro. Quando o lançava escachava a cabeça dos piões dos meus colegas. Ficavam sem conserto. E quando ganhava ao jogo do pião, usava-o sempre para dar ferroadas. Os outros ficavam bonitos, ai ficavam! E se perdia era ele que tinha de as receber, mas como era duro ficava na mesma. - Hum! Estou a ver. Vou ver se consigo arranjar-te outro, - Vais mesmo? - Vou, mas só se me prometeres que não vais incomodar o senhor doutor juiz. - Está bem. Não vou. Mas olha lá, explica-me uma coisa, porque é que as pessoas roubam coisas aos outros? Isso não é pecado? Parou, empurrou o chapéu para trás, afagou, em silêncio, o bigode com o indicador e o polegar, e disse: - Pois! Uma boa pergunta. Olha, não sei. Nunca roubei nada a ninguém. - Então, eu também nunca vou saber. - É melhor não. Vai brincar. Passados dois ou três dias, ofereceu-me um gordo e duro pião com um bico que prometia muitas vitórias. Como era especialista em lançar piões - foi ele que me ensinou -, fez das suas, atirou de frente, bico para cima, de costas, e fazia aquilo que mais adorava, apanhava-o à unha...
quarta-feira, 30 de maio de 2018
Sobre a banalização da ofensa
A decisão da Relação e a sua fundamentação não surpreendem. Num tempo em que tanto se reclama pela defesa da dignidade da pessoa, a ofensa desgraduou-se em mera comportamento incorreto, uma minudência que não adquire dimensão penal mesmo quando atinge quem corporiza a autoridade do Estado. Já assistimos, sem qualquer gesto público de indignação, a uma figura pública utilizar a mesma locução dirigida ao Chefe do Estado, sendo absolvido com invocação da prevalência da liberdade de expressão sobre o insulto soez e gratuito (gratuito sim, pois todos os insultos são gratuitos numa sociedade baseada no respeito mútuo que não obsta - bem ao invés - ao exercício do direito à crítica).
Talvez mais grave do que este clima de indefesa da honra e de preservação da autoridade é a caução dada pelos tribunais superiores aos contextos exculpantes em que são proferidas expressões objetivamente ofensivas. Um passo em direção à desresponsabilização das próprias polícias pelo incumprimento do dever de assegurar a paz e a tranquilidade públicas…
Por que razão, assim de repente, me lembrei dos comportamentos de grupos organizados que nos recintos desportivos atuam impunemente?
segunda-feira, 28 de maio de 2018
As frases idiotas do social congresso III
"... sim, os socialistas, quando governam, sabem ter as contas em dia...".
Ana Catarina Mendes, Vice-Secretária Geral do PS
Uma governação tão em dia que já levou a 3 resgates...
Ana Catarina Mendes, Vice-Secretária Geral do PS
Uma governação tão em dia que já levou a 3 resgates...
"MEDALHAS"...
Acabo de ter conhecimento da recusa por parte da Câmara Municipal de Palmela em atribuir a medalha de mérito municipal a José Hermano Saraiva. Nem vale a pena comentar as razões subjacentes a esta decisão. São mais do que evidentes. Hermano Saraiva foi ministro da educação do anterior regime. Mas foi, também, um homem culto, dedicado às artes e à história. Muitas pessoas aprenderam com ele. Tinha um condão e uma forma generosa de transmitir conhecimentos, histórias e até historietas. Deu um contributo honesto, sério e profícuo para a cultura portuguesa. Fez muito mais do que alguns que são "premiados" ou distinguidos com medalhas e comendas.
A atribuição de medalhas, a quem as merece, é um sinal de respeito e de gratidão, e um estímulo a todos para que possam ser sempre os melhores entre os melhores. Não tenha nada contra as distinções, exceto se à partida houver alguma desconfiança sobre o caráter e a nobreza do candidato. Em Portugal, pelos vistos, é relativamente comum atribuir distinções a indivíduos que mais valia terem estado quietos, tamanho o mal que nos fizeram. Não necessito de os elencar, senão ainda arriscaria a ter que gastar tinta e conspurcar algumas páginas. Mas é facilmente percetível que o que define o mérito não é apenas o trabalho de uma vida, mas sim outras forças, desleixadas, imprecisas, preconceituosas e, sobretudo, ideológicas ou doutrinárias.
Há vários tipos de poluição, mas agora tenho que acrescentar mais uma a um vasto campo que afeta a saúde de uma comunidade, a "poluição ideológica", que pode não matar o corpo, mas que destrói e aniquila a qualidade e a riqueza de uma alma.
O que é que eu poderia dizer mais sobre este assunto, "medalhas"? Pouco. E sobre os medalhados? Muito, mas mesmo muito. E sobre quem as atribui? O melhor é estar calado, não vá o diabo tentar-me...
Há vários tipos de poluição, mas agora tenho que acrescentar mais uma a um vasto campo que afeta a saúde de uma comunidade, a "poluição ideológica", que pode não matar o corpo, mas que destrói e aniquila a qualidade e a riqueza de uma alma.
O que é que eu poderia dizer mais sobre este assunto, "medalhas"? Pouco. E sobre os medalhados? Muito, mas mesmo muito. E sobre quem as atribui? O melhor é estar calado, não vá o diabo tentar-me...
"EU VOU CONTAR TUDO A DEUS"...
Foi há três anos. Prometi que não a esquecia e não esqueço. Volta e não volta lembro-me desta criança.
As redes sociais são o espelho da sociedade. São tão transparentes que até arrepiam. Servem para tudo. Tem uma enorme vantagem, podemos contabilizar e ver a amplitude do caráter das pessoas. Nada de novo. O mundo foi sempre assim, diversificado até dizer basta. O que não sabíamos era a possibilidade de acesso instantâneo a tudo o que acontece.
Fujo, sempre que possível, a qualificar o que quer que seja, senão teria de me explicar sobre o que escrevo e para quê. Não é para desagradar, mas devo incomodar, não é para aliviar o sofrimento, embora tenha a perceção de que possa conseguir nalguns casos. Sou capaz de divertir, de divulgar, de incomodar, de questionar e, provavelmente, satisfazer parte de um ego escondido, não sei se exagerado ou não, tanto faz, de qualquer maneira faço sempre com alguma satisfação.
Notícias requentadas, sedutoras, manipuladas e tendenciosas, teorias de conspiração, bílis negra e malcheirosa, poemas de amor, conversas de treta, há de tudo neste pântano da vida virtual. Olho e passo em frente em muitas dessas notícias ou aleivosias. Agora, depois de um curto passeio, e de algum asseio mental, li uma frase que acompanhava a foto de uma criança síria que, antes de morrer, do alto dos seus três anos disse: “Eu vou contar tudo a Deus”. Não sei se é verdade ou não, pouco importa, o que interessa é o contexto. Uma criança sofrida que, apesar da sua curta vida, teve a perceção da desgraça e da maldade do mundo onde caiu. Três anos de vida são suficientes para categorizar e catalogar a humanidade. Um mundo que não deveria existir, ou melhor, não deveria haver seres humanos. Há uma incompatibilidade perfeita entre o universo e o ser humano.
A criança viveu o suficiente para interiorizar o conceito de Deus. Um Deus construído de acordo com a sua imaginação. O verdadeiro e perfeito Deus só pode ser visto e construído na mente de uma criança. Eu sei do que falo, porque em pequeno também fiz a minha construção do que deveria ser um verdadeiro e perfeito Deus. Sorri e entristeci ao mesmo tempo com a frase da criança síria que disse que ia contar a Deus tudo o que viu e sofreu.
A criança morreu. Deus esqueceu-o. Não acredito, mesmo que exista, que tivesse capacidade dialética em convencer do contrário a pobre criança. Defraudada neste mundo e desconsolada na eternidade.
Não sei como te chamavas, mas não vou esquecer-te.
Prometo.
Fujo, sempre que possível, a qualificar o que quer que seja, senão teria de me explicar sobre o que escrevo e para quê. Não é para desagradar, mas devo incomodar, não é para aliviar o sofrimento, embora tenha a perceção de que possa conseguir nalguns casos. Sou capaz de divertir, de divulgar, de incomodar, de questionar e, provavelmente, satisfazer parte de um ego escondido, não sei se exagerado ou não, tanto faz, de qualquer maneira faço sempre com alguma satisfação.
Notícias requentadas, sedutoras, manipuladas e tendenciosas, teorias de conspiração, bílis negra e malcheirosa, poemas de amor, conversas de treta, há de tudo neste pântano da vida virtual. Olho e passo em frente em muitas dessas notícias ou aleivosias. Agora, depois de um curto passeio, e de algum asseio mental, li uma frase que acompanhava a foto de uma criança síria que, antes de morrer, do alto dos seus três anos disse: “Eu vou contar tudo a Deus”. Não sei se é verdade ou não, pouco importa, o que interessa é o contexto. Uma criança sofrida que, apesar da sua curta vida, teve a perceção da desgraça e da maldade do mundo onde caiu. Três anos de vida são suficientes para categorizar e catalogar a humanidade. Um mundo que não deveria existir, ou melhor, não deveria haver seres humanos. Há uma incompatibilidade perfeita entre o universo e o ser humano.
A criança viveu o suficiente para interiorizar o conceito de Deus. Um Deus construído de acordo com a sua imaginação. O verdadeiro e perfeito Deus só pode ser visto e construído na mente de uma criança. Eu sei do que falo, porque em pequeno também fiz a minha construção do que deveria ser um verdadeiro e perfeito Deus. Sorri e entristeci ao mesmo tempo com a frase da criança síria que disse que ia contar a Deus tudo o que viu e sofreu.
A criança morreu. Deus esqueceu-o. Não acredito, mesmo que exista, que tivesse capacidade dialética em convencer do contrário a pobre criança. Defraudada neste mundo e desconsolada na eternidade.
Não sei como te chamavas, mas não vou esquecer-te.
Prometo.
As frases idiotas do social congresso II
No discurso final do Congresso, António Costa preconizou um grande acordo para "...podermos ter uma nova geração... com
melhores condições de constituir família e poder, depois de constituir
família, ter os filhos e filhas que desejarem ter...".
Uma proposta fracturante e verdadeira revolução biológica: a partir desse social acordo, os pais escolhem à partida se é filho ou filha e já está!...
O problema é se não acordam na escolha: e aí quem é que nascerá?
domingo, 27 de maio de 2018
As histórias da carochinha do Programa do PS
Na esfera das finanças públicas, a execução orçamental registou uma deterioração até abril de 2018, com um défice superior a 2 mil milhões de euros, agravamento de 165 milhões de euros face ao registado em igual
período de 2017. A receita aumentou 3,8%, menos que o aumento da despesa, que atingiu os 4,1%. Isto , apesar das cativações, no valor de 600 milhões de euros.
Na esfera económica, diminuiu o ritmo de acréscimo das exportações e aumentou o das importações. E os portugueses vêem-se perante a maior carga fiscal dos últimos 22 anos, abocanhando o Governo uma parcela cada vez maior da riqueza produzida.
Uma situação claramente compatível com o fabuloso Programa Económico dos ilustres economistas do Partido Socialista, que serviu de base ao da geringonça.
É claro que tal Programa só poderia dar nisto. A não ser que se atribua à geringonça o mérito do fomento da turbulência no Egipto, Turquia e Norte de África, que tem deslocado turismo em catadupas, ou o talento de obrigar o BCE à descida de juros, ou a virtude de apurar a competitividade das empresas. Mas, falta de vista, nada disso lobriguei naquele Programa...
É claro que tal Programa só poderia dar nisto. A não ser que se atribua à geringonça o mérito do fomento da turbulência no Egipto, Turquia e Norte de África, que tem deslocado turismo em catadupas, ou o talento de obrigar o BCE à descida de juros, ou a virtude de apurar a competitividade das empresas. Mas, falta de vista, nada disso lobriguei naquele Programa...
As frases idiotas do social congresso I
"A política de combate à corrupção está no ADN do PS...
Eduardo Ferro Rodrigues, Presidente da AR e membro da Comissão Política Nacional, no Congresso do PS
Ah, ah, ah!...ih, ih, ih...!
E a corrupção está no ADN dos outros?
sábado, 26 de maio de 2018
"A Senhora"...
Na vertente vertiginosa típica da idade que se escoa sem sentido, faço todos os possíveis para preencher curtos espaços de vida ainda disponíveis.
Apontei para o interior. Tentei ir aos locais que já tinha visitado há alguns anos. Acredito que tenho memória de andorinha. Consigo descobrir onde nasceram os meus pensamentos e como qualquer sítio serve de maternidade não é difícil encontrar o que quero. Enveredei pela “portados quinhentistas” e os meus passos fluíram em sintonia com as minhas lembranças. Uma porta, uma alminha, duas janelas geminadas, muralhas descaracterizadas, vazios silenciosos, portas de outrora, até que cheguei à velha praça que estava em obras. Uma senhora, magra, de cabelo branco e curto, saia longa, carteira simples a tiracolo, aproximou-se. Com um doce sorriso informou-nos que se fôssemos por aquela rua, enquanto apontava para a mesma, podíamos ver a estátua de Amato Lusitano. A sua simpatia transparecia necessidade de falar, nem que fosse por breves momentos. – Sabe? Amato Lusitano foi um grande médico. Nasceu aqui, em Castelo Branco. Foi médico do papa Júlio III e nunca abdicou da sua religião. Chegou a dizer ao papa que tratava judeus, cristãos e muçulmanos da mesma maneira. A descrição histórica continuou com entusiasmo, dizendo que a estátua foi inaugurada nos quinhentos anos do seu nascimento (2011). Até vieram espanhóis! Sabe que Amato Lusitano teve um sobrinho neto que foi médico de Catarina de Médicis? Morreram ambos quando iam a caminho da Holanda. A conversa fluía de forma unidirecional. Estive atento e nunca deixei transparecer os meus conhecimentos sobre tão insigne médico e pensador. – Se quiserem podem ir por aquela rua, e à frente, na terceira encruzilhada, do lado esquerdo, é a rua onde nasceu Filipe Montalto. Era a judiaria. Olhe que ele conseguiu um feito notável, o papa autorizou-o a praticar livremente a religião judaica. Sem isso não aceitaria ser médico de Catarina. Entretanto, o sol ia iluminando a sua face enrugada mas feliz por encontrar quem a ouvisse. – Sabem onde está a estátua de Amato Lusitano? – Sei. Eu conheço o local. – Ah! Conhece? Então, pronto. Desejo-vos um agradável passeio. Boa tarde. – Boa tarde e muito obrigado pela sua atenção.
Calcorreámos aqueles espaços sem dizer nada, até que ao chegar, disse: - Ainda bem que não disse à senhora que era médico e que conhecia relativamente bem a vida e a obra do senhor. – Fizeste bem. Foi tão simpática. Ficou muito feliz por poder falar sobre o assunto. – Pois foi. Sabes? Ainda estive tentado a contar um ou outro caso clínico que tradicionalmente é imputado ao Amato. - Como? – Dizem, esta coisa de ler é mesmo assim, já não me recordo onde, que descreveu um caso interessante ocorrido aqui em Castelo Branco. Um senhor, presumo que se chamava Silva, morreu de rotura da veia cava. – E depois? – Bom. Parece que tinha uma mulher “muito encorpada” e que estando por cima naquilo a que ele chamou “noite conjugal” deu cabo do Silva. – Coitado do Silva! – Imagina se eu tivesse contado este episódio à senhora. – Tu és mesmo doido. Doido varrido. Fiz de conta que não ouvi, porque o sino da sé tocava desenfreadamente. Ao desviar a conversa, perguntou-me: - Será casamento? – Hoje? Dia de Corpo de Deus? Não. Talvez uma procissão. Fomos ver e era mesmo. A segunda no mesmo dia.
"Joia"....
Já lá fui muitas vezes. Curioso. O tempo obriga-me, sem saber, a ir aos mesmo sítios, uma, duas, três, eu sei lá quantas vezes. Para quê? Para poder saborear belas emoções. Esta é uma delas.
Fui até Gouveia. Andei, passeei, espreitei e acabei por ir ao museu Abel Manta. Em boa hora o fiz. Deliciei-me com os quadros de tão grande e expressivo pintor e ainda desfrutei de um ambiente simpático, lúdico e culto no meio de uma pequena cidade do interior onde estavam expostas obras de muitos artistas portugueses. Sem o tempo a martirizar-me, e sem preocupações de maior a desviar-me a atenção e o gosto pela reflexão, e com uma vontade imensa de beber tão criativa expressão artística, passei um bom momento naquele palácio. Aprendi muito. Ao terminar a visita entrei numa pequena sala onde vi um belo quadro intitulado "O Joia", que me fez lembrar de imediato uma personagem da minha terra, o Zé Sancho. Na mesa estavam, entre muitos cartazes e cópias de pinturas, uma descrição do quadro.
Li: "Um homem olha-nos de frente. A cabeça verga com o peso do saco que carrega às costas. Agarra-o com as duas mãos. Na direita, ainda consegue levar um chapéu.
Veste casaco cinzento esburacado e camisa desabotoada. Um cordão faz de cinto, que mal prende as calças rasgadas. Trás nos pés umas velhas botas castanhas.
Atrás dele está uma carroça puxada por um burro.
Mal se veem, no dia cinzento.
Devia estar frio. Que lhe parece?"
Havia muitas parecenças entre o "Joia" e o Zé Sancho. Ambos carregavam sacos, usavam calças velhas, chapéu, e um cordão para as apertar. O Zé Sancho era muito forte, tão forte que metia um saco de farinha debaixo de cada braço e, com a pirisca no canto da boca a arder e a fumegar, subia com uma facilidade surpreendente a inclinada rampa para espanto dos outros trabalhadores que com muita dificuldade transportavam um no lombo. Uma força descomunal. E quando se pretendia testar a sua força era capaz de mostrar que ainda conseguia levar um terceiro às costas. Trabalhava descalço ou usava umas socas de madeira. Nunca largava os cigarros kentucky, um verdadeiro mata-ratos que o pessoal jovem abominava. Quando lhe dávamos cigarros com filtro, ou mais "sofisticados", dizia que aquilo não era tabaco e retirava de imediato o filtro. Não era homem de muitas falas, o que estava correto, pois nele conversar variava na razão inversa da força.
Tornou-se numa figura popular. Um mouro de trabalho que nunca se queixava. Guardava o dia do senhor. Num desses dias, estava no largo do Balcão com os meus amigos, vi aproximar-se o Zé Sancho. Começaram a meter-se com ele, perguntando-lhe se vinha da missa. Respondeu à maneira, um zunzum que não percebi. Não entendi se queria mandar alguém a outro lado. Eu nunca o vi na missa, pensei, mas como poderia ver se, também, não punha lá os cotos?
Para onde vais Zé?
- À fazenda.
- À fazenda?!
- Sim.
- Onde fica? Explicou-me e vi que ainda tinha de andar um bom bocado.
- É longe!
- Não.
- Vais trabalhar na terra ao domingo? Olha que isso é pecado.
- Não vou trabalhar.
- Não vais?
- Não.
- Então, o que é que vais fazer?
- Estrume.
- Estrume?! Como? E o Zé Sancho, na sua forma linguística básica e popular, disse sem rodeios o verbo que impera em muitos meios.
- Oh diabo! Mas por que razão fazes isso?
- Para poupar. Tenho que aproveitar para fazer estrume. Não posso desperdiçar.
- Mas ó Zé, tu consegues aguentar até à fazenda?
- Consigo pois.
- Mas é tão longe!
- Não faz mal. Virou-me as costas, com a pirisca a arder no canto da boca do lado esquerdo, e, no seu andar tipo Charlot com as velhas socas, lá foi pela avenida cumprir o ato ecológico de adubar com a sua natureza a terra que lhe dava de comer. O primeiro ecologista que conheci.
O quadro de Abel Manta teve o condão de me recordar este episódio e uma personagem que me marcou na infância e adolescência. Estou convicto de que se o grande pintor tivesse conhecido o Zé Sancho seria capaz de o registar com a mesma nobreza e elegância como fez em relação ao "O Joia". Afinal, eu também conheci uma joia.
sexta-feira, 25 de maio de 2018
“A QUEM PERTENCE A VIDA?”..
A quem pertence a vida? Uma pergunta que é colocada por muitas pessoas. Para uns, pertence a Deus. Para outros, a eles próprios, já que não aceitam qualquer origem divina.
Fugir ao sofrimento é uma constante desde a alvorada do tempo quando a consciência humana despertou, estremunhada, sem saber o que era e onde estava. Uma fuga que está condenada a ter de viver na noite fria e escura de um qualquer futuro.
Dói ver quem sofre às portas da morte? Se dói, para quem sofre e para quem partilha o sofrer. Já tenho a minha dose, vivi várias vezes essa misteriosa e iníqua situação. Pouco fiz, porque pouco podia fazer. Limitei-me a acompanhar o sofrimento, sofrendo ao mesmo tempo até que a morte libertadora nos tranquilizou, os que partiram e os que ficaram.
A essência da morte é a beleza cristalina, pura e definitiva da liberdade. Veste-se de preto em qualquer situação, até mesmo num belo e vulgar dia em que um céu brilhante e azul, dança, salta e canta alheio ao sofrimento humano.
Deus dono da vida? Melhor seria que a respeitasse e ajudasse a minorar o sofrimento. Não acredito que Deus se alimente de qualquer sofrimento, mas, também, não deixa de dar a entender que não se importa por aí além. Ele lá sabe, dirão alguns. Não sei e nem me interessa.
Ninguém é dono da vida, nem mesmo os escravos do sofrimento. A morte sim, a morte é que é a dona e senhora de qualquer vida...
Dói ver quem sofre às portas da morte? Se dói, para quem sofre e para quem partilha o sofrer. Já tenho a minha dose, vivi várias vezes essa misteriosa e iníqua situação. Pouco fiz, porque pouco podia fazer. Limitei-me a acompanhar o sofrimento, sofrendo ao mesmo tempo até que a morte libertadora nos tranquilizou, os que partiram e os que ficaram.
A essência da morte é a beleza cristalina, pura e definitiva da liberdade. Veste-se de preto em qualquer situação, até mesmo num belo e vulgar dia em que um céu brilhante e azul, dança, salta e canta alheio ao sofrimento humano.
Deus dono da vida? Melhor seria que a respeitasse e ajudasse a minorar o sofrimento. Não acredito que Deus se alimente de qualquer sofrimento, mas, também, não deixa de dar a entender que não se importa por aí além. Ele lá sabe, dirão alguns. Não sei e nem me interessa.
Ninguém é dono da vida, nem mesmo os escravos do sofrimento. A morte sim, a morte é que é a dona e senhora de qualquer vida...
Concurso "Palavra dada, palavra honrada"
"Depois de alguma insistência, Costa admitiu querer deixar a Mário Centeno a possibilidade de dar uma boa notícia: «O seu a seu dono. É muito difícil ser ministro das Finanças. Também devemos deixar aos ministros das Finanças a oportunidade para darem boas notícias».
A redução será a concretização de uma promessa do Governo, já que o Executivo comprometeu-se a rever regularmente o ISP de forma a acompanhar o preço do petróleo nos mercados internacionais e manter o nível de receita fixado aquando da decisão de aumentar o imposto. Por outras palavras, atingida a receita necessária para dar resposta às exigências de Bruxelas, o imposto sobre combustíveis desce. E é isso que deve ser hoje anunciado".
A redução será a concretização de uma promessa do Governo, já que o Executivo comprometeu-se a rever regularmente o ISP de forma a acompanhar o preço do petróleo nos mercados internacionais e manter o nível de receita fixado aquando da decisão de aumentar o imposto. Por outras palavras, atingida a receita necessária para dar resposta às exigências de Bruxelas, o imposto sobre combustíveis desce. E é isso que deve ser hoje anunciado".
Dá-se um doce a quem fornecer as respostas certas às seguintes questões:
(a) Acredita que o Primeiro Ministro disse o que vem transcrito na notícia? S [ _ ] N [ _ ]
(b) Se respondeu sim, qual a data em terá proferido tais declarações? [aaaa/mm/dd]
(c) O Senhor Ministro das Finanças honrou a palavra do Senhor Primeiro-Ministro e deu a boa nova? S [ _ ] N [ _ ]
(d) Se acredita no Pai Natal, pare por aqui. Se respondeu não à questão anterior, assinale com um x qual, no seu entender, vai ser o momento em que o Governo honrará a palavra dada:
- [ _ ] logo que o crude ultrapasse os 838,25 USD/barril
- [ _ ] logo que o governo chinês detiver a maioria do capital social da GALP
- [ _ ] assim que 93% da população portuguesa se deslocar em modo elétrico
- [ _ ] após Mariana Mortágua tomar posse como Ministra das Finanças
- [ _ ] nas comemorações dos 50 anos da descoberta do petróleo no Beato.
quinta-feira, 24 de maio de 2018
"Lapso"...
Quando um membro do governo comete uma ilegalidade vem logo o PM a dizer que foi um lapso que já foi corrigido.
Eu, se cometer uma falta, por mais pequena que seja, muitas vezes por esquecimento, sou logo penalizado com uma contra-ordenação à medida. Será que nestas circunstâncias poderei invocar o fator "lapso" e assim evitar ser penalizado? Ou será que estas "coisas" só são aplicáveis a membros do governo?
Ministros...
"Ministro justifica porque assinou manifesto contra o Governo: “Não posso dizer que o sistema científico esteja bem”.
Esta é boa! Então que resolva o problema. Não é o ministro que tutela a área? Ou será que o Costa, ou melhor, o Centeno não quer?
Cada vez compreendo menos este país e governantes. Um ministro que é homem de leis desconhece a lei, um ministro da ciência que assina um manifesto contra o governo por causa da ciência, e sei lá que mais...
http://expresso.sapo.pt/sociedade/2018-05-24-Ministro-justifica-porque-assinou-manifesto-contra-o-Governo-Nao-posso-dizer-que-o-sistema-cientifico-esteja-bem#gs.E0fUGaY
Esta é boa! Então que resolva o problema. Não é o ministro que tutela a área? Ou será que o Costa, ou melhor, o Centeno não quer?
Cada vez compreendo menos este país e governantes. Um ministro que é homem de leis desconhece a lei, um ministro da ciência que assina um manifesto contra o governo por causa da ciência, e sei lá que mais...
http://expresso.sapo.pt/sociedade/2018-05-24-Ministro-justifica-porque-assinou-manifesto-contra-o-Governo-Nao-posso-dizer-que-o-sistema-cientifico-esteja-bem#gs.E0fUGaY
IP3
Chove.
Porca miséria.
Acidentes.
Sustos.
Arrepio-me ter de andar nesta via.
Ando todas as semanas.
E o que é que o Governo faz?
Nada!
E se um dia o PM tiver um acidente nesta via da morte?
E se um dia o Marcelo tiver também um acidente?
E se um dia uma "figura" importante deste pobre e triste país tiver um acidente?
Simples.
No dia seguinte irão encontrar a solução.
Porca miséria. Pobre país.
quarta-feira, 23 de maio de 2018
Eficácia sistémica
Ora aqui está um caso em que a Justiça se substitui ao Serviço Nacional de Saúde e protege um cidadão de si próprio.
Os trauliteiros
Em Fevereiro de 2016, as cotações do petróleo andavam muito baixas e o
governo de António Costa resolveu lançar um adicional ao imposto sobre os
combustíveis que, de uma penada, fez subir o preço em sete cêntimos. Um aumento colossal, demais a mais quando já tinha sido ‘decretado’ o fim da austeridade.
Perante os protestos, o Secretário de Estado dos Assuntos Fiscais de então (que resignou devido às viagens para ver Portugal no Campeonato da Europa oferecidas pela Galp) logo prometeu baixar o imposto, se o petróleo entretanto viesse a recuperar valor no
mercado internacional.
Ora é isto mesmo que tem vindo a acontecer de forma sustentada e crescente nos últimos meses, nomeadamente durante o ano de 2018. Mas a promessa de baixa do imposto foi esquecida por completo.
Esquecida é um modo de dizer, face ao que fui ouvindo esta tarde, ia no carro, no debate quinzenal da Assembleia da República. O 1º Ministro pura e simplesmente "revogou" a promessa, justificando tal "revogação" num emaranhado manipulador de elementos estatísticos, ao jeito de mau pagador, e ainda por cima completamente alheios à matéria em discussão.Uma vergonha de argumentação.
E cá vamos vivendo com a maior carga fiscal dos últimos 22 anos, quando a geringonça não se cansa de afirmar que a vem diminuindo.
Mais uma vez a tal palavra dada não é palavra honrada. Mas que admiração, se essa é a regra geringôncica...
"Ver"...
Há expressões que nos marcam, talvez pela simplicidade como são ditas. Encerram tudo o que se pode dizer. “Já não vemos”, disse Júlio Pomar há poucos anos numa entrevista. É isso “já não vemos”. Passamos por muita coisa sem ver, e ver não é apenas usar os olhos, mas sim apreciar os sentimentos sentidos e as emoções despertadas. Agora entendo o que faço, andar por tudo o que é sítio, passando vezes sem conta pelos mesmos locais, entrando em templos, sentando em pedras e saboreando as paisagens que vivem de uma forma singela à espera de qualquer coisa que eu não sei. O pintor começa a sua obra sem projeto. Começa à espera de encontrar algo que não sabe bem o que é. Criar é isso mesmo, começar a andar, a sonhar, a pensar, a escrever, a esculpir, a pintar, ou seja, é como viver, começamos mas não sabemos o que vai acontecer. Eu quando escrevinho sinto o mesmo, sai uma frase que me empurra ou desperta emoções as quais por sua vez adquirem vida, mesmo sem saber. E eu vou atrás delas como se fosse atraído pelo flautista de Hamelin.
Vou.
Vou.
terça-feira, 22 de maio de 2018
"Colo"...
A arte de viver não é para principiantes. As crianças cedo se apercebem da sua fragilidade. Tentam compreender o mundo com o seu pobre léxico e experiências ingénuas. São frequentes as situações conflituosas e inesperadas capazes de sacudir com violência as delicadas fibras de uma alma que não consegue compreender o que a cerca. Violência difícil de entender para quem acabou de nascer. Palavras sem nexo, agressivas, que caem como se fossem volumosas bolas de saraiva vindas de um céu longínquo. Dor de uma agressão fruto da falta de razão. Ameaça permanente e surda de quem as devia proteger. O assustar de um inferno traduzido em dor e sofrimento sem qualquer pudor. A fragilidade de uma criança é a coisa mais amorosa do mundo. Inocente e frágil sente que está a mais do que o tão falado Jesus, não o da Cruz, mas o pequenino, o lindo, o bendito, o carinhoso e suave menino que ri e canta sem sentido como qualquer criança. Treme de medo perante ameaças que não compreende. Ameaças da voz, dos esgares de faces diabólicas, dos trejeitos parvos e agressivos, da maldade que cresce como as ervas daninhas em seres semelhantes a si mesmo. Ameaças que leva qualquer criança a fugir à procura do colo, quente, doce e feliz, que nunca mais se esquece. Mergulha num abraço sem som, beleza ímpar. Sente desejo de retornar ao seu nascer para adormecer no seio de quem um dia a fez viver. Sonho de criança, sonho de um ser que sente a falta do abraço e da confiança do único ser que a compreende, no colo de sua mãe. O colo da mãe é o melhor lugar para qualquer um desafiar a ameaça da falsa eternidade.
Não há calor igual, não há abraço capaz de substituir aquele que recordamos sem lembrar, mas que está sempre presente nas janelas das nossas almas que olha muitas vezes para o mundo cheio de dor e de tristeza. O verdadeiro futuro está no abraço de um passado único, morno, suave e cheio de paz. Uma espécie de promessa de alguém que um dia gostaria de encontrar e perguntar-lhe: - Lembras-te dos abraços da tua mãe em pequeno? Lembras-te de quando ela te pegou depois de desceres da Cruz? Sentes, não sentes? Claro que sim!
Viver na eternidade é mergulhar no colo de sua mãe.
Não há calor igual, não há abraço capaz de substituir aquele que recordamos sem lembrar, mas que está sempre presente nas janelas das nossas almas que olha muitas vezes para o mundo cheio de dor e de tristeza. O verdadeiro futuro está no abraço de um passado único, morno, suave e cheio de paz. Uma espécie de promessa de alguém que um dia gostaria de encontrar e perguntar-lhe: - Lembras-te dos abraços da tua mãe em pequeno? Lembras-te de quando ela te pegou depois de desceres da Cruz? Sentes, não sentes? Claro que sim!
Viver na eternidade é mergulhar no colo de sua mãe.
Hospitais em baixa prolongada
Depois do que está a acontecer em muitos outros, agora é o Hospital e Santa Maria: um sector de cirurgia encerrado, unidade da pediatria transferida para
outro local com menos camas, serviços como o de otorrino e urgências
assegurados por internos e consultas e tratamentos em risco por falta de
profissionais, diz o DN de hoje.
Não há como socialistas e apêndices para destruir serviços públicos, proclamando que tudo fazem para os defender.
O Ministério da Saúde terá boa vontade, mas poderes nulos, salvo o poder de prometer. E aí segue com determinação a orientação do 1º Ministro, que todos os dias promete médicos, enfermeiros, investimentos, admissões e carreiras, melhorias do serviço. Tudo para consolidação do SNS. Não dizem é a que nível.
Nota: A minha homenagem a António Arnault, criador do SNS, uma reforma essencial da nossa democracia, ontem falecido. E a minha crítica a quem, louvando-se nele e na sua obra, mais não faz do que a desfazer. Como a geringonça que vamos tendo.
Chinesices ou opinião da má vontade
Há algum racional nalgumas das polémicas que povoam os órgãos de comunicação social e se espalham como fogo em palha pelas redes sociais? Ora vamos cá ver: se ao Governo agrada uma maior presença de capital chinês na EDP e o PM não o esconde; se a lei travava a aquisição de mais capital pelos chineses; se o Governo tem o poder de legislar sem oposição nesta matéria (à direita estão de acordo ainda que o neguem e à esquerda a indignação é postiça)…
… por que carga de água iria o Governo deixar de criar as condições para que a OPA se pudesse realizar?
"Angústia"...
Olhar longínquo, sem brilho, sem cor, apenas perdido em pensamentos escondidos. A alma esfria e tenta fugir ao tormento. Presa, não consegue cantar e nem saborear a luz do sol. Grita de angústia, mas não se faz ouvir, morre de angústia e ninguém acode ao seu sentir. Sofre.
Os olhos são pórticos de deliciosas alamedas que correm em direção ao céu. Através deles corremos, vivemos, brincamos, trabalhamos e falamos. Mas quando se fecham, e se perdem na lonjura de um infinito sem sentido, é porque a alma sente angústia perante o que a vida lhe quer trazer. O tormento rodopia velozmente, agigantando-se em promessas dolorosas e em negras colunas cheias de medo. A luta no seu interior é real, embora o tormento seja quase sempre um fantasma banal, que não existe, que não vai aparecer e que nunca irá fazer sofrer. São ideias do que pode vir a acontecer, falsas, traiçoeiras, filhas da triste imaginação. É o lado frágil da alma, que, não acreditando no mundo, refugia-se no silêncio frio do pensamento ferido. Quando isso acontece fecha a sete chaves as portas da vida. Os olhos são essas portas. Fechados, distantes, frios e sem cor não permitem que a alma possa conhecer e percorrer os inúmeros caminhos da felicidade da vida.
A angústia do advir alimenta-se de um doloroso sentir, obrigando a alma ferida a fugir da realidade que a envolve, a acarinha e a estimula a viver.
Olhar para o infinito é sinal de uma alma presa. Basta uma palavra, um gesto, um carinho e os olhos renascem novamente abrindo caminho para a liberdade. É horrível sentir a alma presa pela sua própria angústia.
- O que é estás a pensar? Deixa-te disso. Não penses tanto. Anda daí, vamos viver. Nessa altura, os olhos começam a brilhar, enchem-se de cor, ao mesmo tempo que aparece um envergonhado isorriso, pintado suavemente de encarnado. Nesse preciso instante a angústia começa a desvanecer-se.
Incompreensão
Não percebo este bruá, em especial as críticas no seio do próprio Podemos. Então o casal fez um ótimo negócio ao comprar às portas de Madrid uma excelente moradia, por metade do preço que daria por uma assim na periferia de Lisboa, e até os camaradas se indignam em vez de louvarem o gesto anti especulativo do líder do Podemos e da sua companheira?
quinta-feira, 17 de maio de 2018
Um real exemplo e uma política irreal
...Portugal recruta os seus dirigentes pagando modestos
valores se comparados com os de altos quadros do setor privado...o que leva a concluir que as funções governativas ou não têm grande
exigência e a parca remuneração satisfaz procura e oferta, ou então que,
sendo de facto exigentes, não são geralmente providas de pessoal que
alie conhecimento e experiência técnica e política e capacidade de
liderança compatíveis com tal cargo, por razões de remuneração. Há
honrosas excepções, mas galinha gorda por pouco dinheiro continua a ser
coisa rara.
Para leitores interessados, o meu artigo completo no i: Um real exemplo e uma política irreal
domingo, 13 de maio de 2018
Porto, Porto, Porto, Porto!
F.C. Porto, novamente Campeão Nacional de Futebol, 2017-2018
Oh, meu Porto, onde a eterna mocidade
Diz à gente o que é ser nobre e leal.
Teu pendão leva o escudo da cidade
Que na história deu o nome a Portugal.
Oh, campeão, o teu passado
É um livro de honra de vitórias sem igual
O teu brasão abençoado
Tem no teu Porto mais um arco triunfal!
Porto, Porto, Porto, Porto
Porto, Porto, Porto, Porto
Porto, Porto
Quando alguém se atrever a sufocar
O grito audaz da tua ardente voz
Oh, Oh, Porto, então verás vibrar
A multidão num grito só de todos nós
Porto, Porto, Porto, Porto
Porto, Porto, Porto, Porto
Porto, Porto
quinta-feira, 19 de abril de 2018
Uma geringonça ao sabor do vento
A UTAO, organismo criado pela Assembleia da República como Unidade Técnica de Apoio ao Orçamento, considera que o Programa de Estabilidade não prevê nenhuma medida de consolidação permanente significativa. O que significa que, sem a queda esperada nos juros, o resultado trará um agravamento nas contas.
Nenhuma medida estrutural, pois. Mudando o vento favorável, novamente as finanças públicas à deriva. E a economia, por arrasto, a ter que pagar mais impostos. Que, pelo sim, pelo não, o Programa de Estabilidade já prevê. Indirectos, para disfarçar que existem, como é apanágio da geringonça.
quinta-feira, 12 de abril de 2018
A bem da nação, da geringonça, claro está!
Tantas palavras, tanta dedicação aos serviços públicos por parte da geringonça e do governo socialista e, no fim, nunca maior terá sido a degradação dos serviços de saúde. Atrasos nos pagamentos, que dificultam ou impossibilitam aquisições necessárias, cortes e cativações orçamentais (para que serve o orçamento?), listas de espera crescentes, desigualdade de horários, uns com 35 horas e outros com 40 horas semanais, indignidade na acomodação dos doentes, adiamento de investimentos urgentes, contestação permanente de diversas classes profissionais, nomeadamente médicos e enfermeiros.
O Ministro da Saúde, impotente, já passou a pasta ao camarada das Finanças. E este diz, disse ontem no Parlamento, que a culpa era do anterior governo. Assunto arrumado. Nada, pois, a fazer. Até porque, mesmo para a geringonça, o dinheiro não chega para tudo, e há que respeitar prioridades. Entre redução de horários de trabalho, descongelamentos e progressões, admissão por grosso de precários e, logo, mais funcionários agradecidos e votantes, satisfação de interesses corporativos de amigos, e atendimento hospitalar condigno a escolha é óbvia. É que a geringonça é mesmo muito boa a fazer o balanço entre o que lhe convém para se manter no poder e o que são as necessidades da população.
Tudo, pois, a bem da nação. Da nação da geringonça, claro está.
terça-feira, 10 de abril de 2018
A maior carga fiscal dos últimos 22 anos
Os impostos não cessaram de aumentar pela mão do actual governo da geringonça, ao ponto de terem sobrecarregado os cidadãos, em 2017, com a maior carga fiscal dos últimos 22 anos. No entanto, António Costa, Centeno e toda a geringonça continuam a criticar o anterior governo por ter aumentado os impostos e, pior, a dizer que agora os diminuíram, tendo restituído dinheiro aos portugueses. Uma atitude cobarde, por não assumir responsabilidades, e uma atitude indigna da ideia de democracia. Mas, pelos vistos, bem própria de uma geringonça, que a tudo recorre para enganar o povo.
Agora, é o economista do PS Paulo Trigo Pereira e mais 3 economistas de esquerda que não negam as estatísticas ( o que até é um feito assinalável nestes tempos geringôncicos) e afirmam mesmo que até 2021 a carga fiscal dificilmente poderá diminuir. É caso para dizer: volta, Vítor Gaspar, estás perdoado. Pelo menos, não eras cobarde nem enganavas o povo, quando anunciavas um "colossal" aumento de impostos. Que este governo ainda vai aumentando, embora tenha o descaramento de o negar.
segunda-feira, 2 de abril de 2018
Resultados de uma política mentirosa
E este governo da geringonça conseguiu a proeza de atingir um novo máximo da dívida pública, record absoluto. Simultaneamente com um máximo da carga fiscal. É obra!
É mesmo obra de uma política lesa-população e lesa-economia, de uma política enganosa que vai camuflando défices, como se eles não se viessem a evidenciar na dívida e nos impostos.
quinta-feira, 29 de março de 2018
Fogo-de-vista, fogo-de-lágrimas: ala moço, que se faz tarde!...
E cá vamos andando, nesta democracia sem qualidade.
Porventura com a memória do Dia de Trabalho para a Nação, decretado
por Vasco Gonçalves, estabeleceu o primeiro-ministro dois dias de
mobilização nacional para a causa da floresta, convidando cidadãos,
deputados e partidos a juntarem-se nas ações de limpeza. Seis minutos e
47 segundos foi a contribuição direta do primeiro-ministro para a defesa
da floresta. Mais do que isso levou certamente a vestir a armadura para
a sua defesa pessoal: botas resistentes, proteção para as pernas,
óculos e viseira, protetor dos ouvidos, casaco e capacete garbosamente
amarelos. Uma alegoria perfeita: devidamente couraçado, seis minutos de
roçadora na mão e ala, moço, que se faz tarde, é preciso ir ver roçar a
outra banda, mas inculcada ficou a ideia de que o seu trabalho ficou
feito e de que a responsabilidade que resta é toda dos proprietários. E
os ministros sapadores, não do mato mas do microfone, ampliaram a
mensagem.
A mensagem do primeiro-ministro estaria certa se ao fogo real que
matou mais de uma centena de portugueses tivesse respondido o governo
com legislação entendível e medidas praticáveis, em vez de um fogo-fátuo
de propaganda de ações mal-amanhadas que deixam o cidadão e pequeno
proprietário do minifúndio desprotegido e cada vez mais confuso. Claro
que o ilustrado cidadão urbano, a leste dessas pindéricas e provincianas
questões, é o primeiro a aplaudir a ação decidida do governo. E a votar
em conformidade.
Uma lei que é “exemplo de leis mal feitas, sem base técnica ou científica”, no dizer da Comissão Independente...
Caso leitor esteja interessado em saber o porquê, artigo completo no jornal i.
quarta-feira, 28 de fevereiro de 2018
A informação a que temos direito
Há pouco, um dos telejornais transmitiu uma reportagem sobre as próximas eleições italianas, na qual se previa a vitória da Forza Italia de Berlusconi e dos partidos seus aliados. Curiosamente, nas entrevistas de rua, o jornalista só conseguiu encontrar votantes nos partidos de esquerda...
E esta, hem?
domingo, 25 de fevereiro de 2018
Uma mentira pegada
“Se o Fundo de Resolução não tiver os meios financeiros (para recapitalizar o Novo Banco em 2018, face aos prejuízos de 2017), recorrendo a
todos os meios que tem disponíveis, então poderá, ao abrigo do
acordo-quadro, pedir um financiamento ao tesouro”.
Disse ainda o
governante que, caso venha a ser necessária a intervenção do Estado, “não deverá haver nenhum impacto adicional” na dívida pública.
Duas frases eufemísticas que definem o propósito de enganar do governo e da geringonça.
Claro que o Secretário de Estado sabe bem que o Fundo de Resolução não tem esses meios. Até porque, por força de apoios anteriores, o Tesouro já teve que emprestar meios ao Fundo de Resolução.
E claro que o Secretário de Estado também sabe bem que, se tiver que dispor desses meios adicionais terá que aumentar a dívida, ao contrário do que refere.
De eufemismo em eufemismo, uma mentira pegada.
quinta-feira, 8 de fevereiro de 2018
E há quem goste!...
Há mais precários agora que no tempo da Troyca, diz o DN, com base em dados acabados de publicar pelo Instituto Nacional de Estatística.
Pois é, a geringonça é farta em palavras, mas parca na acção. Também faz orçamentos mirabolantes, dizendo que vende lebre, mas depois de cortes e cativações, acaba por servir gato.Mas há quem goste.
Até...
terça-feira, 30 de janeiro de 2018
Assim vai o país da geringonça...
Ao mesmo tempo que os trabalhadores da Ricon tudo fazem para defender os seus postos de trabalho, os trabalhadores da AutoEuropa tudo fazem para deixar de trabalhar.
terça-feira, 23 de janeiro de 2018
Pois é, o rosto da austeridade!...
Para os alemães o ministro português é o rosto do sucesso da austeridade...
Nada de espantar: a carga fiscal vai aumentando, o investimento público no mínimo histórico, cortes e cativações a torto e a direito, serviços de saúde em degradação, défice a diminuir drasticamente...
quinta-feira, 18 de janeiro de 2018
A visão sistémica de Centeno
"...precisamos de gerir activamente os riscos que existem nas nossas economias e essa é a agenda para os próximos meses"
Mário Centeno, em visita ao Ministro das Finanças alemão.
"...antes de sequer se começar a falar sobre partilhar riscos, deve-se assegurar que os riscos são reduzidos"
Peter Altmaier, Ministro das Finanças alemão, em resposta.
E lá ficou Centeno em sentido, emendando a mão: "prefiro a palavra 'gestão' de risco porque se baseia numa visão mais sistémica...".
Pois é, visão sistémica...
quinta-feira, 11 de janeiro de 2018
Crescimento, apesar do governo e da geringonça
O Programa do Partido Socialista, mais tarde algo reformulado pela geringonça, baseava os seus objectivos de crescimento económico, na parte que poderia dominar, no consumo privado e no investimento público. No consumo privado, através da reposição de rendimentos e do fim da austeridade, segundo dizia, e no investimento público que dinamizaria a actividade económica.
Claro que o crescimento através do consumo privado tornou-se impossível, já que a reposição de rendimentos, que abrangeu sobretudo os funcionários, foi absorvida por um colossal aumento dos impostos indirectos, mantendo-se, no essencial, a carga fiscal (aliás, até irá subir em 2018 relativamente a 2017, segundo o Quadro da Receita e da Despesa constante do OE). Adicionalmente, e na medida em que o consumo pudesse crescer, uma parte substancial seria dirigida a produtos importados, dinamizando a actividade económica de outros países e não a economia nacional. Basta olhar, não já para bens de consumo duradouro, mas para a origem estrangeira de muitos produtos de primeira necessidade expostos nos supermercados.
Quanto ao investimento público, o grande crescimento foi na diminuição, atingindo sucessivos recordes negativos. A necessidade de conter o défice levou a cortes substanciais no investimento e no consumo público e a cativações e a engenharias orçamentais que afectaram de forma muito negativa o funcionamento dos serviços públicos.
E assim o crescimento que se tem verificado deve-se apenas a pressupostos e variáveis que o governo da geringonça não domina e que não beneficiaram de qualquer política pública de incentivo, as exportações e o turismo, bem como, num âmbito mais geral, a evolução positiva da economia europeia e mundial.
Por isso é perfeitamente grotesco vir o governo apregoar que o crescimento se deve à política da geringonça.
Não, se há crescimento, é apesar do governo e da geringonça.
quarta-feira, 10 de janeiro de 2018
Ai este aquecimento global que provoca neve...
O aquecimento global já chegou ao deserto do Saara.
Ainda bem, caso contrário, continuaria a ser um deserto de gelo...
sexta-feira, 5 de janeiro de 2018
Conversa fiada
O Governo da geringonça vem propagando a diminuição da dívida pública, dando como prova os reembolsos antecipados ao FMI.
Acontece que tais reembolsos não se traduziram na diminuição da dívida, pois só foram possíveis por endividamento adicional equivalente no Banco de Portugal.O Banco de Portugal substituiu o FMI na dívida, beneficiando a geringonça do programa de compra alargado do Eurosistema. Com os reembolsos ao FMI, a dívida pública detida pelo banco central ascendeu a 26 mil milhões de euros.
Aliás, a dívida nunca poderá diminuir enquanto houver défices orçamentais.
Afinal, e mais uma vez, gato escondido com rabo de fora e conversa fiada para enganar o povo. Área de negócio em que a geringonça revela a sua colossal competência.
quarta-feira, 27 de dezembro de 2017
Liderança de malucos
O reinado da geringonça é um achado de extravagâncias e de achados verdadeiramente mirabolantes.
Logo, a ideia de querer pôr a Santa Casa da Misericórdia de Lisboa a investir 200 milhões de euros, digo 200 milhões de euros, por 10% do Banco Montepio Geral. Uma ideia fantástica que pressupunha que o Montepio fosse mais valioso que o BPI, já nem digo que o Novo Banco!...
Depois, essas aparições recentes de António Costa nos locais dos grandes incêndios do Verão, quando alguma obra vai aparecendo, e esse discurso de Natal, cheio de sentimento e afecto, quando na altura da primeira tragédia mais não fez do que pirar-se para férias, deixando o povo à sua sorte...
Seguiu-se essa lei ignóbil do financiamento e da isenção de IVA dos partidos políticos, logo quando em 2018 a carga fiscal sobre os portugueses aumenta em 2018, os quadros do OE o confirmam, contra aquilo que a geringonça mentirosamente, com ar matreiro, vai dizendo.
E, cereja no topo do bolo, perante o despropósito da lei e o alarido geral, alguns dos partidos que na véspera aprovaram a lei, vêm no dia seguinte dizer que a mesma “não espelha a posição de fundo sobre esta matéria”...
E é nesta liderança de malucos que temos que ir vivendo...
sábado, 23 de dezembro de 2017
Feliz Natal
Quando na rádio já mal
se ouve uma música de Natal e até o Stille Nacht, que enterneceu milhões, é
silenciado...
...Quando os cartões de
Boas Festas já apagaram todas e quaisquer imagens de um Menino no berço que justificou a sua existência...
...Quando a comemoração
do Natal já vai acabando para se transformar num mero feriado igual a outros
tantos...
...Quando os preconceitos
das minorias se sobrepõem ao sentimento das maiorias e o Natal começa a ser
banido do espaço público...
...Quando o acontecimento
fundador do Natal é transformado em percentagens de vendas a mais ou a menos...
...E o seu simbolismo
tende a desaparecer...
...Eu quero enviar a
todos, Autores, Leitores e Comentadores do 4R um verdadeiro postal de Natal.
Votos amigos de Boas Festas e de um
Feliz Natal
Assim, qualquer habilidoso governa...
E António Costa prometia solenemente o milagre de reembolsar os lesados do BES sem custos para o contribuinte, criticando asperamente o governo anterior, que não tinha esse gene milagreiro. Através do Banco de Portugal, da Banca em geral, ou de um qualquer ignoto Fundo, a coisa havia de se arranjar.
Ontem, e como quem não quer a coisa, o Ministro das Finanças anunciou que o reembolso aos lesados será efectuado com um empréstimo do Estado, 145 milhões como primeira prestação do pagamento. Porque pôr o contribuinte a pagar era a solução mais barata...
Depois...é uma questão de fé, Centeno diz que espera recuperar o dinheiro, só não sabe quais os prazos em que tal poderá ocorrer. Ah, e para pagar a segunda e terceira prestações, ainda não sabe como serão obtidos os
montantes necessários. Todavia, face ao precedente, não custará muito adivinhar...
Bom, mas tudo bem, ninguém irá falar nisso. O problema ficou resolvido, ficando tudo por resolver. Mais uma habilidade do 1º Ministro. Mas assim qualquer habilidoso pode fazer que governa.
sábado, 16 de dezembro de 2017
Folgar a semana inteira...
Os sindicatos da Auto Europa afectos à Intersindical andam a brincar com o fogo.
Claro que a Wolkswagen, depois dos 700 milhões de euros investidos para fabricar o novo veículo em Palmela, não vai deixar a Auto Europa antes de amortizar o capital investido, obra de quatro ou cinco anos. Mas o fabrico pode ser continuado noutras fábricas da Auto Europa que continuam a disputar o modelo. Ou em fábricas novas, nomeadamente na República Checa e em Marrocos, sendo que este último país se tornou muito apetecível para a indústria automóvel. Aliás, o Ministro da Indústria de Marrocos acaba de anunciar a concretização de 26 projectos industriais no sector automóvel, representando um investimento de 1,23 mil milhões de euros. E notícias e factos vêm sugerindo que a Wolkswagen pensa seriamente neste país.
Com uma luta sem sentido, a não ser político, e por este andar, os trabalhadores da Auto Europa podem correr o sério risco de folgarem não apenas ao fim de semana, mas todos os dias da semana.
Oxalá venha imperar o bom senso, e em tempo útil. Mas muito do mal está feito. E não é esquecido.
segunda-feira, 11 de dezembro de 2017
Da palavra dada à verba orçamentada, uma distância nada honrada...
O debate do Orçamento para 2018 confirmou a minha opinião inicial de
que se tratava de um Orçamento sem qualidade, um mero exercício de
powerpoint em que tudo é milimetricamente ajustado para servir
exclusivamente os interesses corporativos que sustentam a geringonça,
mas promovido como imagem apelativa, todavia fictícia, de um Orçamento
ao serviço do país.
Pior ainda, aconteceu que grandes bandeiras e promessas do governo
consubstanciadas no estribilho da “palavra dada, palavra honrada” não
tiveram acolhimento nas verbas orçamentais. Ou o governo não honrou a
sua palavra no Orçamento ou foi o Orçamento que se rebelou contra o
criador e desonrou a palavra do governo.
Dada e mil vezes repetida foi a promessa da reposição de rendimentos.
Todavia, é o próprio quadro-síntese das receitas e despesas da
administração pública do relatório do OE que desmente a promessa, ao
explicitar um aumento da receita do Estado, em termos absolutos e em
relação ao PIB. Se a receita do Estado vem, ou veio, da economia, das
empresas e das famílias, e se o Estado arrecada uma parcela maior, são
as empresas e famílias que a suportam. E, se os portugueses suportam e
pagam uma parcela maior do PIB e ficam com uma parcela menor, o Estado
não repõe rendimentos, antes recolhe uma parcela adicional através,
nomeadamente, da anestesiante tributação indireta.
Assim, das duas, uma: ou o governo não honrou a sua palavra no
Orçamento ou foi o Orçamento que imediatamente se rebelou e desonrou a
palavra do governo.
Ler mais, artigo completo no i, no âmbito da série Por Uma Democracia de Qualidade: Da palavra dada à verba orçamentada, uma distância nada honrada
sábado, 9 de dezembro de 2017
É fartar...é fartar...
A Câmara de Lisboa vai ter 124 assessores e secretárias para apoiar 17 vereadores, e já começou a assinar contratos. Alguns dos assessores contratados são
ex-candidatos autárquicos que não foram eleitos.
Os os Serviços da Câmara são incompetentes e não assessoram devidamente S. Excias os senhores Vereadores, ou os incompetentes são S. Excias os senhores Vereadores, que precisam de aulas suplementares para assimilar as complexas matérias camarárias.
quarta-feira, 6 de dezembro de 2017
Por vezes...uma coisa certa
Como já no tempo do Governo Passos Coelho, o Instituto de Gestão da Dívida Pública vai adequando o perfil da dívida ao sentimento e pulsar do mercado. Agora, vai trocar dívida com maturidades para 2019 e 2020 por dívida a prazo mais largo e presumivelmente a taxas mais baixas.
Esta é a autêntica e necessária reestruturação da dívida, aquela que se vai fazendo aproveitando as oportunidades do mercado. Não aquela que os partidos da geringonça, apoiados por um grupo de artistas bem pensantes (incluindo deputados e membros do actual governo...), desejavam, e para quem reestruturação seria feita de um só jacto, sob pena de recusa de reembolsos, concordassem ou não os credores.Recusa que, segundo o actual Secretário de Estado dos Assuntos Parlamentares, poria os alemães e franceses de joelhos a tremer...
Mas também não aquela reestruturação saída dos cérebros iluminados do grupo de trabalho dos deputados da geringonça que propuseram ao governo toda uma política de endividamento com base no curto prazo e no correspondente menor custo, descurando um prudente balanceamento da dívida e a inevitabilidade da subida a prazo das taxas de juro.
Ainda bem que o IGCP ignora as vozes tolas da geringonça e actua com responsabilidade e racionalidade.
segunda-feira, 4 de dezembro de 2017
O minutinho do dragão
Limpinho, limpinho...referiu Jorge Jesus, então treinador do Benfica, em comentário ao jogo que ganhou ao Sporting em 2013, e em que os clamorosos erros do árbitro, certamente devidos a uma colossal infelicidade, interferiram directamente no resultado e levaram à derrota do Sporting. A arbitragem de então emparelhou com mérito nos primeiros lugares da asneira, onde Inocêncio Calabote tem o lugar de maior e merecido destaque.
Maior ainda foi a infelicidade da equipa de arbitragem do jogo de anteontem do Porto com o Benfica, infelicidade agora até ampliada com a repetida falha de visão adicional do videoárbitro.
Francamente, obrigar tais cavalheiros a exibir publicamente tanto azar é um atentado aos direitos humanos. Não se faz! E há que poupá-los, definitiva e irrevogavelmente.
quinta-feira, 30 de novembro de 2017
Bolcheviques e mencheviques...
Os trabalhadores da Auto Europa rejeitaram mais uma vez o acordo sobre os horários de trabalho, nomeadamente ao sábado, negociado entre a Administração da empresa e a Comissão de Trabalhadores.
A continuar assim, não será só ao sábado que poderão descansar. A memória é curta e parece que ninguém se lembra do que aconteceu com a deslocalização da OPEL da Azambuja.
segunda-feira, 27 de novembro de 2017
Um Primeiro-Ministro cata-ventos
Primeiro, o INFARMED passava para o Porto. E a mudança já estava prevista na candidatura do Porto a sede da Agência Europeia do Medicamento, palavra do 1º Ministro. Verificou-se que não.
Depois, eram apenas alguns serviços do INFARMED que passavam para o Porto.
Agora, a passagem do INFARMED para o Porto é apenas uma intenção.
Depois, eram apenas alguns serviços do INFARMED que passavam para o Porto.
Agora, a passagem do INFARMED para o Porto é apenas uma intenção.
Pior que uma geringonça ao sabor dos ventos, um 1º Ministro cata-ventos
PS: Lisboa foi a cidade primeiramente escolhida para a candidatura à sede do AEM, por ser a que supostamente apresentava melhores condições, com base em estudos efectuados, segundo o Ministro Santos Silva. Parece que esses "estudos" nunca foram apresentados nem existiam. O Porto reivindicou e o Governo logo mudou de posição.
PS: Lisboa foi a cidade primeiramente escolhida para a candidatura à sede do AEM, por ser a que supostamente apresentava melhores condições, com base em estudos efectuados, segundo o Ministro Santos Silva. Parece que esses "estudos" nunca foram apresentados nem existiam. O Porto reivindicou e o Governo logo mudou de posição.
sexta-feira, 24 de novembro de 2017
Convite-Apresentação do livro Reforma Política
Respigo do convite:
A sessão inclui o lançamento do livro "Reforma Política Urgente", incluindo
o Manifesto Por uma Democracia de Qualidade e vários artigos da autoria
de António Pinho Cardão, Clemente Pedro Nunes, Fernando Teixeira
Mendes, Henrique Neto, João Luís Mota Campos, José António Girão, José
Ribeiro e Castro, Luís Campos e Cunha e Luís Mira Amaral
quinta-feira, 23 de novembro de 2017
A rua manda, a geringonça acata
Em plena discussão do Orçamento de Estado no Parlamento, uma manifestação alterou por completo a anunciada e orçamentada política de descongelamento de carreiras dos professores.
Afinal, o poder está nos sindicatos e na rua. O grito comanda a governação. Quem não berra não mama. A rua manda, e geringonça e Parlamento acatam.
Nota: Não está em causa julgar o congelamento ou o descongelamento, mas a completa subversão de poderes, e logo em pleno debate do OE.
segunda-feira, 13 de novembro de 2017
Irresponsabilidade ou inimputabilidade?
Invocar, como fez o 1º Ministro, um despacho do anterior governo para justificar a autorização de cedência do Panteão para o jantar da Web Summit é um acto da mais refinada cobardia e hipocrisia política. Porque esse Despacho, aliás respeitante a todos os monumentos nacionais, salvaguardava a não autorização da cedência, tout court, e sobretudo para eventos que não respeitassem a dignidade do monumento, museu ou palácio.
Lembra também o ziguezaguear cobarde de Centeno, quando alijou para António Domingues o ónus de não ter compreendido as condições em que aceitou ser administrador da Caixa Geral de Depósitos.
Quando as coisas correm mal, o governo sacode a sujidade do capote, responsabilizando os outros pelo lixo que faz.
Também a tragédia de Pedrógão foi devida ao downburst, o surto de legionella num hospital público foi devido a falha técnica e os últimos incêndios em Coimbra,e Viseu ao aquecimento global. E Tancos nem existiu.
Não sei se irresponsabilidade ou inimputabilidade. Talvez ambas. Escolha quem quiser.
sábado, 11 de novembro de 2017
Gastos essenciais são os eleitorais...assim actua a geringonça
O governo recusou verbas para contratar meios de combate a incêndios pedidos pela protecção civil, titula na primeira página o Jornal de Notícias, na sua edição de ontem, 10 de Novembro.
Tratava-se de reforços, justificados pelas previsões meteorológicas, para vigorar entre 1 e 15 de Outubro, incluindo meios terrestres e aéreos, neste caso mais 200 horas de voo. Os pedidos não foram aceites e os helis pedidos não puderam voar, diz o JN.
Pois é, depois vieram os dias 7 e 8 de Outubro, os grandes incêndios e 41 mortes. Para isso, não havia orçamento. Para conveniência eleitoral da geringonça, há...e à tripa forra.
Nota: Deixo o link, que resume a notícia, mas o mesmo refere que a página não pôde ser encontrada. A notícia foi publicada na página 4 da edição de 10 de Novembro do Jornal de Notícias.
quinta-feira, 9 de novembro de 2017
Simplesmente saúde
E se fosse um hospital privado a produzir e distribuir legionella aos utentes? Manifestações não faltariam em defesa da saúde pública e a pedir o encerramento, o Ministério da Saúde informava ser essa uma hipótese em estudo, os administradores já tinham sido chamados a prestar declarações.
Esquecem-se que a saúde (como a educação) não é pública, é de cada cidadão e que compete ao Estado (e aos governos) assegurar os melhores serviços no sector público e, com uma regulação exigente e bem cumprida, no privado. E, já agora, a opção por um ou por outro.
Mas se o estado (e o governo, seu agente) nem cuida do que directamente lhe pertence, que autoridade tem para cuidar do resto?
terça-feira, 7 de novembro de 2017
E o diabo ainda não chegou...dizem eles...
É agora um hospital público a contaminar os seus próprios doentes, profissionais e visitantes com a legionella, tendo já provocado a morte a duas pessoas.
Alguma coisa correu mal, diz o Ministro da Saúde, afirmação perfeitamente inútil e redundante.
Claro que não houve "cortes" orçamentais que obstassem a uma eficaz manutenção, porventura algumas retençõezitas sem qualquer importância. Nem "cortes" nos procedimentos ou nos investimentos, porventura também alguma dilação nas encomendas. Os "cortes", perdão, as retenções nem correram mal...talvez um problema técnico é que foi o diabo...
...O diabo, uma força de expressão, pois se, depois dos incêndios e de um hospital a distribuir legionella pelos utentes, o diabo ainda não chegou, o que é que estará aí para vir?
Alguma coisa correu mal, diz o Ministro da Saúde, afirmação perfeitamente inútil e redundante.
Claro que não houve "cortes" orçamentais que obstassem a uma eficaz manutenção, porventura algumas retençõezitas sem qualquer importância. Nem "cortes" nos procedimentos ou nos investimentos, porventura também alguma dilação nas encomendas. Os "cortes", perdão, as retenções nem correram mal...talvez um problema técnico é que foi o diabo...
...O diabo, uma força de expressão, pois se, depois dos incêndios e de um hospital a distribuir legionella pelos utentes, o diabo ainda não chegou, o que é que estará aí para vir?
sábado, 4 de novembro de 2017
A insegurança privada
Perante os acontecimentos, o Governo volta a legislar sobre as empresas e o exercício da segurança privada.
Acontece que a segurança privada prolifera pela simples razão de que falha a segurança pública. Uma boa segurança pública tornava a privada redundante. Faria então melhor o Governo legislar sobre segurança pública.
Entretanto, pagamos o que ainda há de segurança pública e, directa ou indirectamente, pagamos a segurança privada. O que é óptimo para o Governo: não gasta e ainda recebe os impostos que recolhe dessa actividade. A segurança dos cidadãos é coisa de terceira ordem. Mas legisla-se, para mostrar serviço.
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