O Dr. Manuel Pinho esteve ontem na Ordem dos Economistas a apresentar o seu Plano de Investimentos Prioritários.
Aspectos positivos:
a) enorme assistência: sala à cunha
b) muito grande participação: segundo o moderador, foram colocadas 37 questões ao Ministro
c) boa exposição inicial do Dr. Manuel Pinho
Aspectos negativos:
a) a maioria das questões colocadas ficou por responder.
Ao que me lembro, e entre outras, não foram respondidas ou não foram cabalmente respondidas as questões colocadas sobre os seguintes pontos:
.Lógica do esforço de investimento público versus apoio ao investimento privado à produção de bens transaccionáveis e para exportação
.Justificação do esforço de investimento público, com motor do crescimento, quando as evidências das economias que mais têm crescido negam esse facto
.Justificação da insistência do esforço de investimento público, quando foi o próprio ex-Ministro das Finanças, Prof. Campos e Cunha que referiu que às altas taxas médias de investimento público, em Portugal, nos últimos 20 anos, tem correspondido um crescimento médio medíocre da economia.
.Justificação da introdução da alta velocidade em Portugal, como forma de não ficarmos isolados na Europa, segundo o Ministro da Economia, face á poupança de meia-hora no trajecto Lisboa- Porto: é esta meia-hora que provoca o isolamento?
.Se a alta velocidade traz rapidez, o Aeroporto na Ota torna mais demorado o acesso a Lisboa ou de Lisboa à Europa, em relação à actual situação. Como tal, a rapidez não parece argumento decisivo.
.Custo de exploração do TGV e do Aeroporto e custo a pagar pelos contribuintes
.Impacto sobre o emprego
.Posição da Comissão Europeia veiculada há dois dias sobre o impacto no défice
Etc, etc
O Dr. Manuel Pinho utilizou três argumentos principais: a comparação com Espanha, nomeadamente no que se refere ao seu Plano de Transportes, cerca de 240 mil milhões de euros de intenção de investimento até 2020, a comparação do peso do investimento público em relação ao PIB, na Coreia, Irlanda e Espanha e a inconveniência de decidir os projectos de tal envergadura apenas no último ano da actual legislatura.
Como tal, a sua decisão, neste momento, visaria aumentar a confiança dos agentes económicos.
“En passant”, o Ministro também foi dizendo que o esforço de investimento nas infraestruturas de transportes não será grande nos próximos anos, apenas 0,9% do PIB.
Podemos estar descansados!...
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terça-feira, 26 de julho de 2005
Ministro da Economia na Ordem dos Economistas
O Hinduísmo
“…No começo, este mundo deve ter sido o Ser puro, único e sem segundo…”
Aruni, sábio filósofo, 2600 anos a. C.
O Hinduísmo é uma das três grandes religiões do mundo, seguida por quase mil milhões de pessoas.
Nasceu do choque da invasão ariana sobre os povos hindus e os seus princípios começaram a ser escritos, há cerca de 2600 anos,, quando a Europa ignorava ainda a escrita.
É uma religião com contornos muito específicos: não tem papa, isto é, não tem uma autoridade religiosa, mas tem uma ortodoxia, não tem dogmas, mas tem uma moral, não procura a expansão, mas mantém um fervor desaparecido noutras religiões.
As imagens dos seus deuses estão em todo o lado, nas lojas, nas casas, nos transportes públicos e não é por proselitismo: ninguém é hindu, senão por nascimento ou por adesão espontânea.
Terá sido na Índia que nasceu a filosofia, há 26 séculos.
A ideia de Deus esteve aí, desde logo, presente.
Muita controvérsia deve ter havido, a avaliar pela profundidade do que o sábio e filósofo Aruni, na altura, escreveu:
“No início, este mundo não era senão Ser, sem dualidade.
Alguns, é certo, afirmam que, no começo, este mundo não era senão não-Ser, sem dualidade, não era senão o Ser saído do Não-Ser.
Mas como é que isso seria possível? Como é que o Ser poderia sair do não-Ser?
No começo, este mundo deve ter sido o Ser puro, único e sem segundo…”
No entanto, séculos mais tarde, este Ser puro e único e sem segundocomo que se desdobra numa Trindade dos deuses hindus: Brahama, o Criador, Vishnu, o Protector e Shiva, o Destruidor do mal.
No Hinduísmo, como no Cristianismo, também há uma Trindade.
A história das religiões mostra-nos, aliás, como todas elas têm troncos de mistério comuns, vindos dos primórdios da humanidade, já que o homem é o mesmo, com interpretações várias consoante os tempos e os lugares.
Interessante a nota de que, no hinduísmo, a ideia de Deus não é expressa por um substantivo, mas por um adjectivo, de modo a realçar-lhe as qualidades.
segunda-feira, 25 de julho de 2005
Puberdade acelerada…
É do conhecimento geral que a obesidade constitui um grave problema no mundo ocidental. Não são só os adultos as vítimas deste flagelo. As crianças também têm vindo a sofrer, de tal forma, que, quando uma criança apresenta uma morfologia normal, vem logo a mamã a pedir ajuda para o seu querido menino que está “magrinho”. – Magrinho uma ova, minha senhora! O seu filho é o exemplo de um jovem normal. Esta constitui uma das minhas respostas face à inquietude dos pais. Não sei se os convenço. Às tantas não! Ao confrontarem o tórax realçado pelos arcos costais e uma barriga plana ou escavada com o torneamento e almofadas gordas dos restantes miúdos devem concluir que não estou bem da cabeça!
A saúde futura destes jovens poderá estar comprometida, não só pelas doenças associadas, mas, também, pelos problemas comportamentais resultantes de uma antecipação do início da puberdade.
Trabalhos em curso estão a demonstrar uma onda de puberdade precoce nos países em que se observa obesidade excessiva. De facto, as crianças europeias começam, nalguns casos, a manifestar sinais aos sete anos de idade, em vez dos dez e onze anos conforme se trata de meninas ou de rapazes. Ou seja, não tarda muito que as crianças ao entrarem no ensino básico manifestem já o desabrochar de sinais com uma antecipação de três a quatro anos! As consequências destas mudanças hormonais vão-se manifestar no próprio comportamento e na aprendizagem. É difícil antever o futuro destes miúdos que já não são crianças, mas também não são adolescentes, são “qualquer” coisa como “betweens” entre os dois grupos. Às tantas já devem sentir-se com capacidade de sair à noite, conviver em espaços próprios dos mais velhos, com formas de relacionamento a traduzir uma estranha mistura entre criança e o vulcanismo inerente dos tradicionais adolescentes.
Claro que as causas deste fenómeno poderão ter a ver com a superalimentação, a qual, estimula a produção de hormonas sexuais, ou mesmo com os efeitos tóxicos de muitas substâncias que andam por aí – fruto da poluição humana – e que também simulam as mesmas hormonas, como se estivessem a ser sujeitos a verdadeiras e perigosas “terapêuticas” hormonais. Outras hipóteses têm sido consideradas, tais como, o excesso de televisão, ou, no caso das meninas, a falta da presença do pai.
São precisos mais estudos para comprovar estas hipóteses, mas, de qualquer forma, convém estarmos atentos para estes fenómenos, os quais vão dar muitas dores de cabeça aos pais e educadores. As hipóteses de maternidade precoce, abandono escolar ou rendimentos económicos diminutos são equacionadas. A par destes eventuais problemas não nos admiraremos se, no futuro, um miúdo ou miúda de nove, dez anos ou onze anos, começar a discutir política ou a exigir a produção de preservativos “small”, apesar de terem, ainda, de andar sentados nas cadeirinhas adequadas à idade nos popós dos papás! …
Sócrates e as presidenciais
Richard Doll
Dentro da sua vasta obra, destacamos o estudo sobre o consumo do tabaco em médicos britânicos e o cancro do pulmão iniciado em 1951 e que possibilitou provar pela primeira vez os seus efeitos negativos na saúde humana. Na sequência deste estudo pioneiro, e um dos mais completos, foi possível inaugurar uma nova era: a prevenção das doenças crónicas, nomeadamente, cardiovasculares e cancro.
Muitos milhares de cidadãos vivem hoje e são saudáveis graças ao trabalho deste notável cientista.
Transfusão de sangue
O parecer, no seu cômputo geral, veio "legitimar" práticas já assumidas pela classe médica. Em caso de recusa consciente por parte de um adulto, os médicos devem-na respeitar, embora lhes custe testemunhar o esvaziamento da vida de um ser humano à vista do sangue que as suas mãos carinhosamente transportam. No caso das crianças, compete ao médico decidir o que melhor lhes convém. Aqui, a vontade dos pais não deve sobrepor-se à do clínico. Hoje, em caso de conflito, basta ter autorização judicial para subtrair, temporariamente, aos pais os direitos sobre os seus filhos.
Durante todo este processo, tive oportunidade de acompanhar e analisar a posição das Testemunhas de Jeová. Não obstante não concordar com os seus argumentos, reconheço que se comportaram com muita dignidade. A postura face ao parecer revela facetas muito interessantes. Por exemplo, não vieram a terreiro afirmar que era iníquo. Apesar de não concordarem com algumas das conclusões, revelam um sentido de respeito que importa dissecar. Não vão opor-se, pelo contrário, vão aceitar que, nos casos dos filhos, os médicos procedam à transfusão de sangue sem a sua autorização. Penso poder interpretar esta posição de duas formas. A fé das Testemunhas é indiscutível e intensa, mas, em caso de perigo de vida das crianças, a força do amor é também indiscutível e intensa. Perante este conflito qual a posição a tomar? A fé ou a vida dos filhos? A situação é dramática. Provavelmente, no seu íntimo, a dúvida deverá privilegiar a vida de um filho, pelo menos na grande maioria. Havendo alguém que tome uma decisão, retirando a responsabilidade aos pais, deverá ser um alívio, já que não têm de entrar em conflito com a sua fé e a vida dos filhos será salva. A outra interpretação poderá basear-se no facto de podermos estar perante uma tentativa de evolução e adaptação relativamente ao conceito do valor do sangue na perspectiva religiosa.
Como bem ouvi, as Testemunhas amam os seus filhos, querem o melhor para eles, são respeitadoras de estilos de vida saudáveis, não embarcam em misticismos ou fantasias, pelo que a atitude médica e o parecer do Conselho Nacional de Ética acabam por ajudá-los sem por em causa a legitimidade das suas crenças.
domingo, 24 de julho de 2005
No Reino do Absurdo
De facto, se olharmos de repente para os acontecimentos extraordinários com que convivemos nos últimos anos, só nos resta riscar do nosso vocabulário aquela expressão comum "Não é possível!"
Vejamos, muito sumariamente. Em 1999, as eleições deram ao Partido Socialista uma 2ª vitória, desta vez a rasar a maioria absoluta. Estão lembrados de que até estavam já feitos os cartazes a dizer "Obrigado Portugal", tal era a confiança no conforto da vitória? Pois o Governo saído dessa eleições governou metade do mandato e, na sequência da derrota nas autárquicas, o 1º Ministro, num gesto dramático sem precedentes, atirou-se para chão e declarou o país um pântano ingovernável... Não é possível, teríamos dito uns tempos antes se alguém alucinado aventasse tal cenário. Mas foi.
Novas eleições, vitória do PSD, maioria assegurada pela coligação com o PP. Corria o início do 3º ano de Governo, o País vivia a euforia do Euro 2004, distraído por alguns dias da necessidade de trabalhar com afinco para recuperar da grave crise económica. Na Europa, escolhiam-se os novos Comissários e a discussão por cá seguia morna, ainda que com alguns laivos de mistério para os mais atentos.
Eis que, sem aviso prévio, é anunciado que o 1º Ministro português será o futuro Presidente da Comissão Europeia, facto que seria certamente motivo de grande orgulho e honra nacional. Todos os maçadores detalhes daí resultantes teriam que estar resolvidos em poucos dias, para que o candidato pudesse ter tempo de se preparar. Não é possível! dissémos todos. Mas foi.
O Presidente da República, que não se tinha eximido a críticas sobre o eventuais excessos da política de rigor do anterior Governo, dá posse ao novo Governo sob o signo da vigilância apertada em matéria de rigor. O novo 1º Ministro, para calar rumores sobre a falta de legitimidade, consagra-se em Congresso já em exercício de funções, como se fosse de admitir que o próprio Partido derrubasse o seu 1º Ministro. Como foi tudo isto possível?, mas foi.
Mas eis que 6 meses decorridos, o Presidente da República conclui que afinal aquele Governo não servia e decide dissolver o Parlamento sem demitir o Governo, gerando-se um consenso (??) sobre a razoabilidade de, ainda assim, ser apresentado o orçamento para 2005. Alucinante? Não, pois aconteceu.
Temos portanto novas eleições, que deram a maioria absoluta ao Partido que durante os três anos anteriores se disitinguiu por combater tenazmente as políticas de contenção orçamental e de reformas públicas necessárias. Assumido o Poder, o novo ministro das Finanças nãoperdeu tempo: durante dois meses, a catadupa de medidas de carácter restritivo atordoou os portugueses e convenceu-os de que não havia mesmo outro caminho senão o que já tinha sido anunciado pelos Governos anteriores, só que desta vez com cores ainda mais carregadas. Impossível, esta reviravolta política? Não, aconteceu.
Mas eis que, no auge da vaga de medidas e quando se esperava, em suspense, pela sua execução, se demite, sem mais nem ontem, o próprio Ministro das Finanças! Cansado, exausto, ao fim de 4 meses de anúncios. Drama nacional, vergonha pela credibilidade perdida? Não, o melhor é depositarmos todas as esperanças no novo titular e repetir, agora já frouxamente, a bondade das políticas anunciadas. Impossível, isto não pode ter acontecido? Erro, aconteceu.
Mas o País olhava esperançado as eleições presidenciais, saltando agilmente sobre as autárquicas que não parecem oferecer o grau de stress a que já nos vamos habituando. Candidato para aqui, recusas para li, Manuel Alegre diz que não vai, o Ministro dos Negócios Estrangeiros Freitas do Amaral dá uma entrevista surrealista e (pouco) cifrada em que diz "Never say Never".
Esta parece ser de facto a frase que mais se adapta à vida política nacional.
Porque o Dr.Mário Soares que, ainda há pouco, ao celebrar 80 anos de idade, tinha esclarecido o povo sobre as sua intenções firmes de dizer "Basta!" à sua intervenção política activa, surge agora, com emoção de comentadores e grande azáfama dos militantes socialista, como o óbvio candidato da esquerda!
Será o Dr. Mário Soares, por mais respeito e consideração que mereça, o Presidente da República que os portugueses precisam? Ou o que interessa é compôr o tabuleiro do xadrez político a curto prazo, resolver um problemazinho de apresentação de nomes, e entreter os jornais com mais uns editoriais e comentários próprios de quem não contava com esta?
Impossível? No reino do Absurdo já nada nos pode surpreender.
Instituto de Medicina Tropical

Instituto de Medicina Tropical
É uma foto do Ferreira de Almeida.
Eu também vi muitos consultórios semelhantes, com publicidade garrafal a “medical facilities”, como Raios X, Análises Clínicas, etc.
Num deles, em Delhi, passou-se o curioso episódio que passo a contar.
Caminhava eu, com um médico amigo, por uma rua próximo do hotel, rua extremamente movimentada, com casas de um ou dois andares, com o piso térreo fervilhante dos comércios mais variados, publicitados em enormes letras e imagens coloridas.
As cozinhas de rua tinham animada clientela.
Ao saltar sobre uma poça de água, pareceu-me ver um sujeito com um estetoscópio auscultando um cliente, num espaço aberto para a rua.
Voltei atrás, contornando o pequeno charco, para me certificar e dei com o meu colega médico, parado, a observar a cena.
Era, de facto, o consultório médico do Dr. Singh: uma sala aí de 10 metros quadrados, com um canto ocupado com uma mesa pequena e uma cadeira para o Dr. Singh e um banco para o cliente, servindo o resto do espaço como sala de espera, onde havia uns cinco ou seis pretendentes à consulta.
Olhando para o exterior, e vendo em nós dois potenciais clientes, o Dr. Singh não perdeu tempo e convidou-nos a entrar.
O meu amigo entrou, identificando-se, de imediato, como médico português e eu fiquei à porta.
O Dr. Singh deve ter ficado felicíssimo, já que deixou a auscultação e o doente e veio para a porta conversar, que o espaço era exíguo.
Após cinco ou dez minutos de animada troca de impressões e também de cartões, o Dr. Singh voltou à profissão e nós regressámos ao hotel.
O interessante é que, durante o “intervalo”, nenhum dos clientes se manifestou impacientado!...
Entretanto, fui imaginando o Prof. Massano Cardoso (ou o estimado Reformista que, por vezes, visita este blog), a dar consultas num contentor de 10 metros quadrados e os seus sofisticados doentes sentados junto à porta, com um charco de água à saída e uma vaca a refrescar-se!...
sexta-feira, 22 de julho de 2005
As aparências iludem: afinal, é só fachada!...
Jaipur-Palácio do Vento(Fotografia gentilmente cedida pelo Ferreira deAlmeida)
A fachada permite adivinhar um palácio grandioso.
Mas não é assim.
Trata-se apenas de uma fachada de um palácio que não existe, o Hawa Mahal ou Palácio do Vento, em Jaipur.
As concubinas do Marajá de Jaipur andavam tristes e desgostosas, por estarem confinadas ao palácio real, já que não era de bom tom saírem à rua.
Não viam ninguém, a não ser o marajá e os eunucos e só podiam conversar entre elas.
Invadiu-as uma grande monotonia.
Temendo uma generalizada falta de motivação das damas para as suas nem sempre fáceis tarefas, que a prática do Kama Sutra continha exigências de elevado nível qualitativo, e procurando preservar a sua qualidade de vida, o Marajá resolveu presenteá-las com uma varanda de onde pudessem ver o movimento da cidade e recriar a vista com os passantes.
A fachada foi erguida em 1799 e constitui um dos símbolos de Jaipur.
Quando, há dias, passei em Jaipur, era voz corrente que as antigas concubinas ainda vivas, as suas filhas, netas e bisnetas viram no Ferreira de Almeida, que tinha visitado Jaipur em Novembro passado, o novo Marajá, pelo que o convidaram para os seus antigos aposentos.
Da sessão ou das sessões havidas, o Ferreira de Almeida só me enviou a fotografia da fachada…reservando tudo o resto para si!...
Depois desta revelação, pode ser que, agora, ele nos mostre algumas coisas proibidas!...
Até doi a alma!
São seres humanos, como nós!...
Depois da cidade cor-de-rosa de Jaipur, o destino era a cidade azul de Jodhpur, assim colorida para amenizar as temperaturas do vizinho deserto de Tahar.
Como entre Jaipur e Jodhpur a distância se mede por mais de 8 horas de autocarro (menos de 300 quilómetros), o percurso foi feito em comboio, cerca de 5 horas.
Na estação de Jaipur, tive uma das experiências mais terríveis da minha vida, de exposição brutal da miséria e da degradação humanas.
De um lado e do outro, ao longo de uma extensa plataforma que atravessava a estação e dava acesso à gare, alinhavam-se corpos humanos, deitados no chão, imóveis todos, muitos estropiados, na maioria cobertos , situação estranha num fim de tarde de muito calor, alguns literalmente embrulhados dos pés á cabeça, possivelmente mortos á espera de serem recolhidos.
Os detritos, o lixo e porcaria de toda a espécie acumulavam-se entre os corpos inertes e o odor era nauseabundo.
Entre as alas de homens, mulheres e sujidade, um corredor estreito para passar: teria duas, três centenas de metros, mas não me lembro de um caminho me parecer tão comprido e tão sem fim.
E ainda me martelam a cabeça as palavras de um companheiro de excursão, que, atrás de mim, exclamou: óh Pinho Cardão, e pensar que todos eles são seres humanos, como nós!...
Em Jodhpur, a saída da estação faz-se por uma passagem superior semelhante á de Jaipur, com as mesmas alas de pessoas deitadas, quais estátuas jazentes.
Já não fiquei tão impressionado, efeito da vacina de Jaipur: a facilidade de adaptação dos humanos é enorme!...
A poucos minutos de autocarro, aguardava-nos, num belo parque, um requintado e luxuoso hotel.
quinta-feira, 21 de julho de 2005
Este blog só publica coisas sérias

Fatehpur Sikri- O capricho de um Imperador
Agra, 4 de Julho
No século XVI, o Imperador muçulmano de Agra, Akbar, debatia-se com o drama de não ter filho varão que lhe sucedesse.
Um vidente disse-lhe que, se casasse com uma esposa hindú, teria um filho.
Assim aconteceu.
Em homenagem ao vidente, Akbar resolveu mudar a capital do seu império para o local, a 40 quilómetros de Agra, em que aquele lhe apareceu a dar tão profícuo conselho.
Como era um sítio árido e sem água, o Imperador foi aconselhado a não edificar a capital nesse local.
Os argumentos não o convenceram e construiu uma grandiosa cidade fortificada, com portas imponentes, zonas públicas e privadas, em que se incluía o harém, palácios luxuosos, mesquitas e tudo o que, de requintado, uma cidade imperial poderia ter.
Em homenagem à sua esposa hindú, a arquitectura é uma fusão harmoniosa de estilo islâmico e hindu, aparecendo figuras como elemento decorativo, totalmente banidas na arquitectura islâmica.
O Imperador convencera-se de que o vidente, se teve a virtude de lhe dar um filho, também teria o poder de obter água para o abastecimento da cidade.
Por fatalidade, o vidente morreu antes que o Imperador o tivesse reencontrado para lhe pedir tal desígnio.
De qualquer forma, a cidade de Fatehpur Sikiri, assim se chamava e chama, foi capital do império de Akbar, durante 14 anos, de 1585 a 1599, altura em que teve que ser abandonada, por nela ser impossível viver, dada a escassez da água.
A cidade abandonada é verdadeiramente monumental e encontra-se excelentemente conservada. Restará dizer que Akbar foi o avô do construtor do TajMahal, em Agra.
Início de colaboração Miguel Frasquilho
Mas como o texto é longo, é preciso procurar em "o quarto da república".
Espero que não tenham insónias!...
Cumprimentos a todos e obrigado.
PS(D) - E para fazer inveja (!), sábado, Julho 23, vou de férias por três semanas, que bem precisado estou!...
Desejo igualmente boas férias a quem também vai gozar de um merecido descanso anual!
Shifting Perspectives
Shifting Perspectives é o título de uma exibição fotográfica que foi organizada por Richard Bailey.
Bailey, fotógrafo, tem uma filha com a Síndroma de Down. Com o objectivo de reduzir o estigma associado, foram apresentadas fotografias de 365 crianças a fim de “mostrar que cada uma é diferente”.
A foto é de uma colega cuja filha, Vitória, também sofre da síndroma. A foto foi tirada pela própria mãe…
Autoridade quer acabar “blogs”
Parque Natural do Litoral Norte

Faço votos para que a reclassificação que finalmente vê a luz do dia (preparada que estava há três anos) contribua para a execução de políticas de protecção do litoral, em especial das zonas abrangidas pelo novo Parque Natural, gravemente ameaçadas pela erosão.
Ainda sobre os nossos Parques.
Oiço as notícias de mais um incêndio na Serra da Arrábida. E vem-me à memória a profecia de um activo político, então deputado da oposição e hoje membro do Governo, ocupante de uma das casas condenadas à demolição pelo poder judicial, que aos microfones de uma rádio dizia que a aprovação do Plano de Ordenamento do Parque Natural da Arrábida era um convite aos incendiários.
Ironia do destino: foi o Governo de que agora faz parte que acabou por aprovar o tal Plano. E a Arrábida arde, é um facto...
Entradas de leão...
Cansaço?? Ao fim de 4 meses, dos quais uma boa parte em pleno "estado de graça"?
A mensagem oculta do Ministro das Finanças não lhe fica bem, por muitas razões que possa ter para a confessar. E não lhe fica nada bem porque a aceitação de um lugar desta responsabilidade significa um compromisso que deveria ter sido cuidadosa e seriamente ponderado, não só nas vertentes pessoais e familiares que obviamente sempre acarreta, mas na avaliação das suas forças e da sua coragem para enfrentar as enormes dificuldades que se anteviam.
Arriscou, convencido de que, por ser ele, tudo se iria acomodar à sua vontade? Ou esqueceu-se de garantir a solidariedade e o apoio do 1º ministro e da equipa governamental para então avançar com as medidas que entendia adequadas? Foi vaidade ou insensatez?
Para ser Ministro das Finanças ou de outra pasta qualquer não basta ser um técnico competente e isso não é de agora, a política é uma arte bem difícil apesar de ter caído na desconsideração geral. Mal, como se vê, porque a cada momento se prova a sua real dificuldade.
Cansou-se, ao fim de poucos meses de estar num Governo com maioria absoluta, de ter tido condições para anunciar com estrondo a sua receita para curar todos os males do país que somos e eis que atira com a porta às primeiras contrariedades (não contaria com elas?).
Terá talvez a ilusão de ficar para a história como o ministro iluminado que sabia muito bem tudo o que era preciso fazer mas que foi imolado no altar das conveniências políticas antes de ter podido sequer começar a concretizá-las. Fraca glória.
Nostálgicos das economias de direcção central
É grave, porque significa a vitória dos que defendem a virtuosidade da despesa pública e das grandes obras públicas(aeroporto e TGV) para gerar crescimento.
É grave, porque significa a vitória dos que pretendem mais intervenção do Estado na economia.
É grave, porque uma e outra desta vitórias se vai traduzir, em prazo curto, em novos impostos, decréscimo do rendimento e do investimento privado e, afinal, em decréscimo do produto.
No estado actual da nossa economia, o investimento estatal também não vai resolver o problema do desemprego dos portugueses, já que tal tipo de obras públicas recorre sobretudo á mão de obra barata dos imigrantes.
É este o nosso problema , o de termos políticos completamente impreparados, por ideologicamente nostálgicos das economias de direcção central.
É este o drama dos socialistas e, por tabela, dos portugueses.







