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segunda-feira, 19 de junho de 2017

Seis notas à tragédia de Pedrógão

1.Primeiro que tudo, a minhas condolências, e as do Quarta República, pelas vítimas da tragédia de Pedrógão, engolidas pelas chamas de um inferno dantesco. 
2. Depois, a minha homenagem a quem, com poucos meios, mas suprema coragem e abnegação, com risco da própria vida, combateu os fogos, impedindo o alastramento e salvando pessoas e bens.
3. Também uma palavra de apreço para os partidos políticos, nomeadamente os da oposição, que se abstiveram de criticar e culpar o governo, ao contrário das barragens de críticas em que o PS, PC e Bloco são useiros e vezeiros em situações menos dramáticas, sempre que o PSD está no Governo. Lembro-me perfeitamente da vergonhosa gritaria nos grandes fogos de 2003 ou 2004.
4. Muitos membros dos órgãos de soberania acorreram a Pedrógão, passeando-se pelos écrans das televisões sem nada dizerem, repetindo-se uns aos outros e repetindo o que os jornalistas já haviam dito e reafirmavam depois, replicando o que mesmo antes acabara de ser referido. Também vimos uma ministra cujo objectivo da deslocação parece ter sido o de informar sobre os pontos de acolhimento e confirmar ou ir actualizando o número de vítimas, infelizmente já por demais conhecido.
5. Comentando a enorme tragédia, e como sempre acontece, as televisões descobriram um enorme corpo de iluminados que tudo sabem sobre fogos e a maneira de os evitar e combater. Em termos de power-points, presumo, face ao que pude ouvir. 
6. Por fim, há notícias de que o Comando da Protecção Civil terá demorado 5 horas a responder aos angustiantes apelos vindos de Pedrógão. Verdade ou mentira, é algo que deve ser investigado até à última gota. Até para que a responsabilidade não se fique pela trovoada seca que se abateu sobre um pinheiro, logo miraculosamente encontrado, ou mesmo seja atribuída aos eucaliptos.

domingo, 18 de junho de 2017

O eterno renascimento dos ídolos

Se um empresário, um gestor, um político, grande, médio ou pequeno, faz optimização fiscal dos seus rendimentos (e optimização fiscal não é fuga ao fisco, mas uma actuação legal dos contribuintes,  através da utilização das diferentes alternativas fiscais permitidas, de modo a não pagarem mais imposto do que aquele efetivamente é devido), aqui del-rei que é criminoso, foge ao fisco, utliza off-shores, cadeia com ele, nem julgamento é preciso. Os media fazem a propaganda do delito, julgam e condenam e a turba aplaude e exige castigo maior. 
Mas se é um desportista afamado, ídolo das multidões, a coisa muda de figura. Aí, nem há sequer suspeita de optimização, muito menos de ocultação de rendimentos, o ídolo está inocente, o criminoso é o fisco, e a acusação só pode ser um acto de xenofobia, racismo ou perseguição pessoal. 
Sempre foi assim, a humanidade é isto mesmo: vai criando ídolos, novos deuses, que venera e adora e a quem não reconhece sombra de pecado.
Nada de essencial mudou no homem: no fundo, no fundo, permanece como de há dez mil anos, três mil anos ou trezentos anos a esta parte. Os deuses mudam, o homem permanece o mesmo. Mesmo que revestido da mais actualizada tecnologia.

sexta-feira, 16 de junho de 2017

Um fisco indecente

Hoje um amigo mostrou-me uma notificação de penhora de vencimentos emanada das finanças, obrigando a reter e a entregar ao fisco um sexto do vencimento de uma empregada doméstica, sob pena de, não o fazendo, ver o seu próprio ordenado penhorado. 
Acontece que a citada empregada, uma boa senhora, já morreu vai para 3 anos. 
Eficiente este fisco, o que não cobra em vida quer cobrar depois dela acabada.

domingo, 11 de junho de 2017

Oh, La Gauche, mon Dieu!...

Aquela que ia resolver os problemas da Europa... A tal lufada de ar fresco de que falavam os socialistas portugueses, depois da vitória de Hollande...A tal que apostava no crescimento, como se o crescimento fosse um jogo de casino...
...Mas uma televisão já disse que o PS francês acabou por ficar aquém das piores expectativas. Já temos, pois, vencedor.

quinta-feira, 8 de junho de 2017

A nova Troyca geringôncica

Os hospitais foram obrigados a reduzir em 35% a contratação de médicos, enfermeiros e outros profissionais da saúde, de acordo com um decreto-lei do Governo que já entrou em vigor. Com tal medida, diz a SIC, algumas unidade de saúde já terão começado a cancelar cirurgias, antecipando a falta de médicos.
Claro que a contratação de muitos desses profissionais se destinava a colmatar a diminuição dos horários de trabalho para as 35 horas semanais.
Pois é, diminui-se o tempo de trabalho e repõem-se vencimentos, a benefício dos profissionais, e aumenta-se o tempo de espera, a prejuízo dos doentes.
Não há dúvida que a nova troyca geringôncica vai muito além da antiga troyca. Só que os cortes de verbas da antiga eram um atentado contra o Serviço Nacional de Saúde, enquanto os ainda maiores cortes da nova são para o proteger...
Milagres do novo tempo...

segunda-feira, 5 de junho de 2017

Gato escondido...com rabo de fora

Dívida pública em 31 de Agosto de 2014:      216.697 milhões de euros
Dívida pública em 31 de Dezembro de 2015: 226.383 milhões de euros
Dívida pública em 30 de Abril de 2017:          244.020 milhões de euros
Em 16 meses, com défices ditos pequeninos, os menores de sempre, a geringonça aumentou a dívida em 17.637 mil milhões de euros. Nos últimos 16 meses do anterior governo, a dívida aumentou 9.686 milhões de euros, apenas cerca de metade.
Diminui o défice, cresce a dívida, venham lá os sábios da geringonça explicar o fenómeno.
Mas que aqui há gato, lá isso há: gato escondido com um grande rabo de fora. Precisamente aquele apêndice que somaria ao défice se as contas fossem autênticas. 

quarta-feira, 24 de maio de 2017

Das técnicas de venda e publicidade

Aqui há uns meses o conceituado jornal A Bola citou um jornal inglês que noticiava que  determinado jogador do Benfica iria ser transferido para um clube de Inglaterra. 
Na sequência, um outro jornal português despropositadamente abelhudo questionou o periódico inglês sobre os fundamentos e a fonte da notícia, tendo obtido como resposta que a fonte tinha sido um jornalista de A Bola.
Agora, e coincidentemente com o retomar da notícia de uma eventual transferêncisa de Centeno para o Eurogrupo, há uma publicação que escreve que Schauble afirmou que Centeno é o Ronaldo da Ecofin. 
Acreditando que não há um resquício, mínimo que seja, de inverdade no facto de a afirmação ter sido feita, estou perfeitamente seguro de que uma busca à fonte da notícia nunca se traduziria em qualquer semelhança com a fonte de A Bola. Embora, e tratando-se em ambos os casos de transferências, haja que publicitar o produto. Enquanto é tempo.

Políticos sem futuro...

Jean-Claude Juncker, Presidente da União Europeia, não tem filhos.
Macron, o novo Presidente francês, não tem filhos.
Angela  Merkel, Chanceler da Alemanha, não tem filhos.
Theresa May, 1º Ministro do Reino Unido, não tem filhos.
Paolo Gentiloni, 1º Ministro da Itália, não tem filhos.
Os 1ºs Ministros da Holanda, Mark Rutte, da Suécia, Stefan Löfven, do Luxemburgo, Xavier Bettel, e da Escócia, Nicola Sturgeon, não têm filhos. 
Notava alguém "o desproporcionado número de responsáveis políticos que tomam decisões sobre o futuro da Europa, mas que não têm participação pessoal nesse futuro..."
De facto, dá que pensar...

quinta-feira, 18 de maio de 2017

Mitos e Obstáculos

O país tem vivido de mitos, de tal modo assimilados que já são tomados como realidade. Eles servem a classe político--burocrática instalada que os sustenta e dinamiza, pois lhe trazem retorno eleitoral assegurado.
Mito é pensar-se que o Ministério das Finanças é o Ministério das Finanças do país quando geralmente tem sido apenas o Ministério das Finanças das administrações públicas, ou até só de algumas, ou unicamente do setor público estatal. Para melhor servir tal objetivo, o Ministério das Finanças tornou-se tentacular, comandando ou influenciando decisivamente cada vez mais áreas e organismos, acentuando a prevalência do Estado na esfera económica e tornando clara a subordinação da economia real à lógica das administrações públicas e do calendário eleitoral. Prova é a política fiscal, concebida ao exclusivo serviço do Estado e ao arrepio da economia, ou a política orçamental, ao serviço dos interesses das burocracias instaladas e dos partidos do poder. O Ministério das Finanças, salvo honrosas exceções ou mercê de imposição externa, tem-se constituído como o grande patrono dos interesses burocráticos e partidários, prodigalizando-lhes o dinheiro que retira à economia, ao investimento, à formação e reorganização empresariais, e, assim, à produtividade e inovação...
(se interessar, continuar a ler, meu artigo no jornal i)

terça-feira, 16 de maio de 2017

Em prol da educação dos vindouros do século XXII

"É importante que na OCDE, no âmbito da educação 2030, projetada para pensar... como será a educação do próximo século...se identifique também que os estudantes têm de ser ouvidos... ", afirmou hoje, em Lisboa, o Ministro da Educação,Tiago Brandão Rodrigues, discursando em evento da OCDE
Pensar, aqui e agora, a educação do próximo século? Isto sim, é de Ministro que se leva muito a sério. Não sei é se, a brincar, a brincar com tanta seriedade nos quis tomar a todos por parvos. E sobretudo, os vindouros do século XXII.
PS: Creio que desta vez, para brilhar na OCDE, o insigne Ministro foi bastante além do que lhe dita o Mário Nogueira...

Direito e Justiça

A preparar pronúncia sobre ato judicial, lembrei-me de em tempos ter lido de Fukuyama (no seu fundamental The Origins of Political Order) uma reflexão marcante sobre o primado do Direito na perspetiva das suas origens na Europa. Revisitando-o, relembrei uma das mais simples mas ao mesmo tempo mais ricas definições de Direito que conheço: Direito é o conjunto de regras abstratas de Justiça que une uma sociedade. Regressado aos papéis que os órgãos da Justiça produzem, é incontornável constatar que o nível de abstração a que chegou o Direito o transforma tantas vezes na impossibilidade de chegar à Justiça...

sábado, 13 de maio de 2017

Uma ideia de jogo que ajudou o Benfica a ser campeão



A minha alma azul e branca, dorida, não me impede de dar os parabéns pela conquista do Campeonato ao Benfica e ao seu treinador. E aos seus simpatizantes. 
Isto sem prejuízo da larga comparticipação do treinador do meu clube, cuja ideia de jogo é bem o caos que o desenho mostra.
Uma ideia de jogo que levou à eliminação pelo Chaves da Taça de Portugal, e que não conseguiu mais que o empate com Feirense, Belenenses e derrota com Moreirense para a Taça da Liga, e a consequente eliminação, não merecia ganhar o Campeonato.
 Caos pior que tal ideia de jogo não me lembro de nenhum, nem o apresentado pelo Quinito, há tempos quase imemoriais. Mas esse durou pouco tempo no dragão. Este ainda lá está.  E insiste na ideia.

Um país em modo de avé maria!

Todo um país em avé maria, mesmo que só em modo de televisão. E, em Fátima, um povo em êxtase.

sexta-feira, 12 de maio de 2017

Uma indecência

Estive hoje com uma senhora idosa, 97 anos. Em 2016, e vi os comprovativos, teve um AUMENTO da sua pensão de reforma de 0,73 euros por mês e um AUMENTO da sua pensão de viuvez de 1,05 euros por mês. No total, um aumento de 1,78 euros por mês, isto é, pouco mais de 5 cêntimos por dia, no conjunto das duas pensões. 
Mas todos os dias ouvimos, da forma mais descarada, a geringonça vangloriar-se de que aumentou as pensões e pôs fim à austeridade.
Uma indecência.

quinta-feira, 4 de maio de 2017

A maior caça ao voto de sempre!...

Em desrespeito total pela regra do concurso na admissão de funcionários públicos, o governo vai integrar largas dezenas de milhar (fala-se em cerca de 100.000...) trabalhadores da função pública a recibo verde ou ao abrigo de contratação sem vínculo permanente com o estado. 
Um esquema de admissão que vai levar dezenas de milhar de trabalhadores a entrar na função pública sem concurso, ou com concurso feito à medida, privilegiando, em total desrespeito pela lei, um conjunto de cidadãos e sonegando o direito de concorrer a todos os outros que têm o direito de procurar trabalho no estado ao abrigo da legislação em vigor. 
Claro que um cidadão que entra no desempenho de funções públicas mediante concurso entra pelo seu próprio valor e não tem que dizer obrigado a ninguém. Mas um cidadão que arranja emprego permanente à custa de um procedimento singular e ao arrepio das normas em vigor, tende a ficar agradecido a quem lho concedeu. O governo sabe isso muito bem e o calendário das admissões não engana. Até às Autárquicas, alguns entrarão; até às Legislativas, entrará o resto. Não há admissões grátis. 
PS: E que dizer de os Sindicatos da Função Pública poderem entrar no processo de admissão? Nunca se foi tão longe na forma de recomendar prosélitos e impedir outros de entrar. A geringonça vai fazendo o seu caminho. Cuidando dos seus e de si, que os outros nada lhe interessam.

segunda-feira, 1 de maio de 2017

Quem venha atrá...que feche a porta...

Por extrema caridade, ainda pensei que o famigerado Relatório da Dívida Pública das 15 versões diferentes fosse apenas uma forma tosca da arte de perder tempo. Mas não, aquilo é uma afirmação explícita da validade do aforismo quem venha atrás que feche a porta...
Como é sabido, um grupo de deputados do PS e do Bloco, e outro de catedráticos, doutorados, licenciados, superiormente coordenados por um membro do governo produziram um documento propondo medidas de reestruturação da dívida pública. Inútil, porque o governo já declarou que não o adopta, o próprio coordenador não se revê nele,  o representante do Bloco logo referiu que as propostas do Relatório não eram as do Bloco e o PS, apertado na geringonça, deu uma no cravo e outra na ferradura. O Presidente da República, na sua política de afectos, comentou que era um documento que merecia reflexão...
Seguindo o Presidente, reflecti e pergunto-me como é que tal conjunto dito de grandes economistas se prestou a deitar cá para fora um documento de tal teor. Para não falar noutras, as propostas de diminuição da maturidade da dívida e de privilégio das emissões de curto prazo ( e a crítica explícita ao IGPC), logo num momento de taxas baixas, constituem, só por si, demagogia de  bradar aos céus, por procurarem o desafogo no curto prazo, coincidente com as expectativas de governo da geringonça, mas colocando o país a correr riscos enormes de liquidez e de preço no futuro. Também a diminuição das provisões do BP se insere em em tal política de um miserável oportunismo. Para além das medidas erradas, de  uma assentada mais um golpe no BP e no IGCP e, assim, na credibilidade externa. 
Nem vale a pena continuar. Aquilo não é um Relatório, nem uma forma tosca da arte de perder tempo. É, sim, uma afirmação explícita de que quem venha atrás que feche a porta...

domingo, 30 de abril de 2017

Golpes de vista...

Pelo que venho lendo, e ainda hoje li, as faltas para penalty na área dos adversários do actual campeão são sempre apercebidas pelo juiz de campo, assinaladas e marcadas. O que é perfeitamente justo e correcto. Ali, há sempre uma visão larga dos lances.
Ao contrário, impecilhos de vária ordem impedem que idênticas faltas na área do maior adversário do campeão também se tornem apercebidas ao juiz de campo. Impecilhos que tornam a visão estreita ou deturpada e que os competentes media e comentadores atribuem à intromissão de um qualquer obstáculo na área da visão, ou à rapidez da jogada, e também justificam por pertinentes critérios pessoais de avaliação de intencionalidade da infracção ou da posição dos membros do infractor ou de quem chegou primeiro à bola. O que, para eles, também é justo e correcto, mesmo que óbvio seja o contrário. 
Também para esses ilustres de vistas largas, em média fica tudo equilibrado. Os penaltys que são oferecidos a uns são compensados pelos que são retirados aos adversários. O mesmo equilíbrio se aplica à visão dos juízes: alguma visão por vezes deficiente é compensada por momentos de golpes de vista verdadeiramente assinaláveis.
Golpes de vista concretizáveis em títulos...claro está!...

sábado, 29 de abril de 2017

Os contentinhos reestruturadores da dívida pública

Parece que o plano socialista-bloquista de reestruturação da dívida teve 15 versões. Um plano eclético, pois, em que cada reestruturador meteu a sua colherada e deixou a sua pitada. Ou, numa linguagem mais modernaça, onde cada reestruturador deixou a sua pegada. Mas qualquer processo eclético  apresenta  um terrível senão: é que, feito para agradar a todas as correntes, deixa de ser coerente. 
O que, no caso, não produz qualquer efeito nocivo, antes pelo contrário, já que simplesmente se destina à épater le bourgeois, que até gosta de balões bastante coloridos, mesmo que rebentem mal sejam lançados ao ar. Mas que, por um momento, o patego gosta de olhar.

sexta-feira, 28 de abril de 2017

E as pernas dos alemães já tremem!...

Pagamento a 60 anos, juros a 1%, 28 mil milhões de dívida perpétua no Banco de Portugal, diminuição das provisões e aumento dos dividendos do banco central, reestruturação a envolver apenas as autoridades europeias...eis o insigne plano do Grupo PS/Bloco, coordenado por um ilustrado governante, e composto por uns quantos catedráticos, outros tantos doutorados economistas,  e uma pitada de deputados, para resolver o problema da dívida. Que, de uma rajada, cairia de 130,7% para 91,7%, veja-se a precisão, do PIB.  
Confesso que sòzinho, e sem precisar de apoio doutorado ou catedrático, faria um power-point tão válido e, certamente, muito mais aprimorado.
De qualquer forma, as pernas dos alemães já devem estar a tremer , que a ameaça de um dos autores tem que ser levada a sério!...

quinta-feira, 27 de abril de 2017

Um cavalheiro que partiu: Serafim Marques, também Cordeiro do Vale

Soube agora da morte de Serafim Marques, anteontem, creio que com a idade de 92 anos. Fundador e sócio nº 2 do CDUL, Clube Desportivo Universitário de Lisboa, um dos "pais" do râguebi nacional, divulgador incansável do atletismo, jornalista da RTP. Conheci-o em 1980, na minha passagem pela empresa, era ele um consagrado jornalista da área desportiva, famoso nomeadamente pelos conhecimentos e pelo ritmo com que ilustrava as transmissões de atletismo e as mais importantes do râguebi internacional. Educado, modesto, extremamente simpático, dotado de boas relações humanas, vi-o sempre como um perfeito cavalheiro, perdão a quem considera esta palavra desajustada e fora de tom nos tempos que correm.
Naquele ano, a RTP procurava recompor-se da sua persistente situação de bancarrota económica e financeira, tendo sido tomadas medidas de fundo com vista à inversão da situação, entre as quais o combate aos abundantes gastos surpérfluos, nomeadamente deslocações ao estrangeiro, que só eram autorizadas a título muito excepcional e pelo Conselho de Administração (abro aqui um parêntesis para referir que nesse ano a RTP teve os primeiros resultados positivos da sua história, na altura, de 23 anos!...).
Ora o  Serafim Marques veio ter comigo, pesaroso por lhe ter sido recusada a ida, creio que a Londres, para assegurar os comentários ao vivo dos jogos do Torneio das Cinco Nações, e pedindo uma autorização excepcional, dada a qualidade do evento. Como não podia excepcionar a deslocação, tentei convencer o Cordeiro do Vale, nome de guerra que adoptou como jornalista de desporto, de que, dado o seu profissionalismo e qualidade,  ninguém notaria se os comentários fossem feitos de Lisboa. Claro que não o convenci, mas ...vai ver que, mesmo em Lisboa, tudo correrá bem, disse-lhe, em despedida. 
Correu então o torneio, com o Cordeiro do Vale a comentar dos estúdios do Lumiar. Terminado, apresentou-se no meu gabinete, logo no dia seguinte de manhã, bem disposto e sorridente.
- Vê, como tudo correu bem? 
- Oh, Sr Dr., parece que sim, tenho recebido muitos parabéns e ainda há pouco encontrei um grupo de malta do râguebi que me disse: então o torneio terminou ontem à noite e já cá está? Como é que conseguiu?  
Um senhor profissional e cavalheiro, o Serafim Marques também Cordeiro do Vale. Que descanse em paz.