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terça-feira, 14 de fevereiro de 2012
Corrida ao ouro...
segunda-feira, 13 de fevereiro de 2012
Wolfgang Munchau põe Grécia e Portugal no mesmo "saco"...porquê?
2.O mais curioso – ou desolador, consoante o ângulo de análise que queiramos adoptar – é que no artigo em que advoga essa solução, intitulado “Why Greece and Portugal ought to go bankrupt”, Munchau dedique cerca de 99% do espaço a analisar a situação dramática em que a Grécia se encontra e que, na sua opinião já não tem outra saída que não seja, quanto mais tarde pior, a “falência” e a consequente saída do Euro...
3....e ao chegar ao final do artigo, numa súbita inspiração, quando rebate a opinião dos que advogam a saída imediata da Grécia da zona Euro (necessariamente com default no serviço da dívida) e a utilização dos fundos (que seriam utilizados na operação de apoio à Grécia) para salvar Portugal, Munchau diz discordar desta opinião, considerando que será melhor deixar que ambos os países entrem em "default" embora permanecendo na zona Euro...
4.Para além da evidente contradição que consiste em, na parte inicial do artigo, Munchau sustentar a saída Grécia da zona Euro - dizendo mesmo que deverá ser essa a opção do próximo 1º Ministro grego - e na parte final, sustentar a falência do País sem abandonar o Euro, Munchau mostra-se muito castigador em relação a Portugal...
5....pois, sem outros argumentos que não seja “my personal belief”, ele conclui que “it would be best to recognise the desolate state of both countries, to let both default inside the monetary union and then use a sufficently increased rescue fund to help them to rebuild themselves...”!
6.Decididamente, Munchau assume neste artigo um papel “mauzão”, enfiando Portugal e a Grécia no mesmo "saco", sem qq preocupação de justificar tal opção...o que explicará esta súbita má disposição de Munchau em relação a Portugal?
7.Será Munchau adepto do Chelsea, tendo aproveitado este artigo para destilar toda a sua frustração pelo insuficiente desempenho do treinador português que está conduzindo o clube para uma posição de mediocridade? Será?
Ainda Garzón
Notícia surpreendente? Só para quem se deixa iludir...
Os livros têm o diabo no corpo

Por isso arrumar uma estante é sempre uma complicação, lembras-te deste livro, já viste a dedicatória, estava em tal emprego quando o comprei, ou em tal sítio, este foi o meu pai que o trouxe, aquele foi o teu pai que mo deu, aquele custou uma fortuna, estes trouxemos das viagens que fizemos, já nem lembrava, deixa esse, não mudes, esse sim, pode ir lá para cima, esse não, esse para que o queres, e quando não nos lembramos começamos a folhear e lembramo-nos logo, ah, já sei, é mesmo interessante, queres ouvir um bocadinho?, e assim se passa a tarde toda de domingo, os livros todos espalhados no chão, a pilha dos que são para sair ainda tão pequena e os que são para ficar, mais os que andavam por aí espalhados pelos cantos, fazem um monte enorme. Fiquei angustiada com as escolhas, não gosto de me separar dos meus livros, nem sequer de os mudar de sítio, gosto deles assim caóticos, nunca consegui organizar por autores, ou por temas, ou seja lá pelo que for a não ser por gostar mais ou menos deles, ou de quem mos deu, ou pela memória que despertam. Dá-me um secreto prazer que a minha metade da estante seja um enigma para os outros, uma balbúrdia, como dizem os entendidos, pois sim, mas é assim que eu gosto.
De modo que fiz uma bela tentativa de organização, tive um trabalhão e acabou tudo mais ou menos como estava, tirando uma dezena de novos que entraram e de antigos que saíram, mas ainda não me convenci a separar-me deles, mais uns dias e ficam em segunda fila, e volta tudo ao mesmo.
domingo, 12 de fevereiro de 2012
"Escadaria de almas"

Sábado. Manhã de sol de uma primavera serôdia. Movimento pouco usual na praça. Cavaletes, pintores, batas sujas, cada um para seu lado. Depressa apreendi estar perante uma sessão de pintura ao ar livre. Há mais gente? Sim. Andam dispersos por aí. Vasculhei alguns quadros em que pinturas embrionárias denunciavam os novos seres, para o efeito bastava projetá-las nos espaços envolventes. Quando terminam? Lá para o fim da tarde estão prontos para serem expostos. Não foi difícil adivinhar que cada artista tinha escolhido as melhores e, também, as mais previsíveis paisagens.
À hora aprazada fui ver o resultado. Alguns mais elaborados, outros menos, mas de qualquer modo demonstrativos de um esforço artístico. Houve entretanto um quadro que me atraiu de imediato, pela técnica, pelo calor e pela forma de abordar a paisagem envolvente. Não sendo da terra, era a primeira vez que a visitava, conseguiu fugir ao apelo dos espaços mais atraentes e fixou-se em pormenores laterais. Precisamente a parte lateral da igreja, focando a escadaria de acesso à mesma, e algum arvoredo, que outrora foi muito mais rico e diversificado. Não a abordou de frente e se o fizesse decerto surpreenderia qualquer um, porque a frontaria é de uma elegância única espraiando-se até infinito, oferecendo os seus olhos e corpo aos raios solares que no final da tarde devem sentir um prazer único em a acariciar. E mesmo nos dias em que não acordem, a sua beleza emana raios de felicidade, retribuindo calor, como se fossem cartas de amor ao deus sol, ou à deusa lua, ou a quaisquer almas que nas trevas da noite necessitam de algum calor. Mas não, fixou-se na lateralidade do templo.
Estranho. Por que razão terá focado aquele ângulo, questionei-me. Poderia ter-lhe perguntado, mas já se tinha ido embora. Veio cedo, deixou-se impregnar por algo que lhe chamou a atenção e, ao fim de algumas horas, a gestação estava concluída, parindo um quadro que não deixo de mirar todas as semanas.
Gosto do jogo de sombras, da luminosidade, da frescura da verdura, das cores das folhas dos arbustos, mas sobretudo do pormenor da escadaria. Ao longo dos séculos foram calcadas por inúmeras almas, vivas e mortas, muitas subiram com alegria e emoção no coração, outras com desconforto, ansiedade e tristeza, mas houve, também, quem as descesse com lágrimas de dor no rosto ou com pérolas de alegria nos olhos.
Os episódios que testemunhei ao subir e ao descer aquelas escadarias, corroídas pelo tempo, pela dor e pela raiva, mas também perfumadas pela alegria, pela esperança e pelo amor, emergem como magia sempre que olho para o quadro, muito mais realista. Se o pintor tivesse pintado a igreja de frente ficaria seduzido pela sua beleza e estética, esquecendo o significado de algo que representa a alma coletiva de uma comunidade.
O pintor não se deixou seduzir pelos belos recantos da localidade, atreveu-se a capturar almas, muitas almas, perdidas e achadas.
Whitney Houston: The Voice
Morreu Whitney Houston. Ontem, 11 de Fevereiro de 2012, aos 48 anos de idade, em Los Angeles, onde se encontrava para assistir à cerimónia dos Grammys (os Óscares da música) que hoje se realiza. Pouco me importam as razões da sua morte: ainda não consigo acreditar...
Dois anos mais velha que eu, lembro-me bem quando apareceu, com 21 anos, em 1985. Uma beleza arrebatadora (muitos dizem que, se quisesse, podia ter sido modelo), uma voz inigualável. Poderosa e vibrante, mas ao mesmo tempo suave e aveludada, percorrendo várias oitavas. Como nunca tinha ouvido.
Daí até meados dos anos 90, foi sempre a somar. O seu álbum de estreia, “Whitney Houston”, foi o primeiro mais vendido de sempre por uma cantora. Ganhou 415 prémios durante a sua carreira, entre Emmys, Grammys, Billboard Music Awards, American Music Awards e muitos outros. São vários os sucessos inesquecíveis, muitos deles “números 1s”. Desde Saving All My Love For You (o primeiro “número 1”), a Million Dollar Bill, de 2009, o seu último sucesso. Permitam-me nomear apenas aqueles que considero os seus três melhores temas e enormes êxitos: I Will Always Love You, o tremendo sucesso do filme The Bodyguard em que contracenou com Kevin Costner; o hino à dança I Wanna Dance With Somebody (Who Loves Me) e a verdadeira obra de arte que é Greatest Love Of All. Recordo a sua actuação numa homenagem a Mohammed Ali em que a sua interpretação de Grestest Love of All é memorável, de cortar a respiração.
Não exagerarei se disser que foi o seu tumultuoso e violento casamento com Bobby Brown, em 1992 – do qual nasceu uma filha, Bobbi Kristina (1993) –, que a retirou progressivamente do pedestal, levando-a a refugiar-se no consumo de drogas e álcool que lhe arruinaram a voz. Mesmo depois do previsível divórcio, nunca mais se recompôs. Tive a oportunidade de a ver ao vivo em 1998, em Lisboa, e em 2010, em Londres. Em ambas as ocasiões, pude constatar, com tristeza, que a sua voz, embora continuasse poderosa, já não apresentava a versatilidade nem a pureza dos anos 80 e início dos anos 90. E que o seu físico estava também frágil, desgastado.
Como ainda nesta madrugada dizia o locutor da CNN que fazia a reportagem sobre a sua morte, não tinham que lhe ter dado quaisquer informações sobre Whitney Houston. Ele tinha crescido a ouvi-la, sabia tudo sobre ela. Não precisava de coros, dançarinos, grandes orquestrações ou produções: nos seus anos memoráveis, bastava-lhe abrir a boca, e a música aparecia, como que por encanto. Posso fazer minhas estas palavras – e acrescentar que tenho todos os seus álbuns e singles, verdadeiras preciosidades que a imortalizarão.
Existem muitas vozes femininas excepcionais, cada uma à sua maneira, que muito aprecio. Mas a voz da verdadeira Whitney, aquela que vale a pena ser lembrada, era inigualável. Como ainda há pouco ouvi Gladys Knight dizer na CNN, nunca mais haverá outra voz como a de Whitney Elizabeth Houston, de seu nome completo. Para mim, The Voice. Obrigado pela voz e pela música, Whitney. Rest In Peace.
sábado, 11 de fevereiro de 2012
Mofo e mais mofo!
Garzón
Cristo "pescador de almas"

Há anos, no regresso de uns curtos dias de férias a Castela e Leão, guinei inesperadamente quando li a tabuleta a indicar Sabugal. Sempre desejei conhecer aquela vila. Como nunca se tinha atravessado nas minhas deslocações profissionais, pensei, é hoje. Senti que lhe tinha de prestar vassalagem. Não me arrependi, nem poderia, perante a carga histórica que lhe está associada. Efetuei um pequeno périplo, almocei e fui até ao castelo. O dia escaldava. Cheguei a pensar que o diabo, se passasse por aquelas bandas, deveria sentir-se bastante incomodado.
A beleza do local aliada ao silêncio do auge do verão empurraram-me para tempos remotos, provocando-me uma sensação agradável. Certos ambientes ajudam-me a viajar no tempo. Viagens que não desgosto de fazer. Lembrei-me do poeta, aventureiro, herói e brigão Brás Garcia de Mascarenhas, autor do "Viriato Trágico", que ali foi aprisionado como traidor à pátria. Uma vida fascinante, começada em Coimbra quando feriu gravemente um nobre por ter traído um amigo, coisas de saias. Preso, conseguiu fugir. Depois foi um corrupio por esse mundo fora e por cá, também, que digam os castelhanos. Lembrei-me do episódio em que com linhas, agulhas, tesoura, farinha de trigo e um livro religioso para consolo da alma, que o governador, condoído, lhe emprestou, conseguiu, recortando e colando as letras, escrever ao rei a originalíssima carta expondo a sua situação. O soldado enviado por um amigo levou-a à corte. D. João IV mandou, naturalmente, libertá-lo.
Ao sair do castelo, apetrechado com uma série de livros sobre a localidade e romances de autoria de pessoas ilustres da terra, cujos nomes e feitos deverão limitar-se ao concelho e zonas vizinhas, mas que nem por isso deixam de ser verdadeiramente importantes, tropecei numa pequena loja recheada de muitos e interessantes artigos, desde pedras parideiras até imensos artefactos hebraicos. Bem visto as coisas não era de espantar, já que naquelas zonas os judeus encontraram algum sossego durante pelo menos algum tempo. A senhora reparou na minha surpresa e, delicadamente, levou-me até ao piso inferior onde tive oportunidade de ver uma velha casa hebraica com sinais e locais destinados ao culto. Passei um bom bocado da tarde na conversa. Antes de sair chamou-me a atenção, no meio de muito material judaico, duas imagens em barro, um Cristo na cruz, muito efeminado, diria mesmo provocante e um Cristo sentado num estranho banco, que não se conseguia por em pé, com uma rede nas mãos, muito ocupado a apanhar almas, estas representadas por pequenos peixes. Riu-se, eu também, Cristos naquele local? Ao pegar no "pescador de almas" senti-me atraído pela sua beleza e arte. Ao fim de algum tempo, disse-lhe para que o empacotasse. Embora não fosse barato não discuti o preço. Naquele momento lembrei-me de um conselho que um judeu me deu há longos anos, não há dinheiro que substitua o prazer de uma obra de arte. Pois é, desde que haja dinheiro! Enfim, ao fim de algum tempo já não me recordava do preço.
Não sendo um estudioso da Bíblia lembro-me que a passagem que faz referência aos "pescadores de homens" marca o início da convocação dos primeiros apóstolos, quando Cristo arrebanhou Pedro, André, Tiago e João, oficiais da pesca, para se colocarem ao serviço da sua doutrina. "Farei de vós pescadores de homens". Pena foi que ao longo do tempo muitos dos "pescadores de homens" se tivessem transformados em "caçadores de homens". Naquele local sentia-se essa violação dos princípios cristãos.
Olho para o meu Cristo "pescador de almas", que não se equilibra, tenho de o encostar à parede, de semblante baixo e preocupado a olhar para a rede onde algumas almas escamosas se encontram presas.
Liberto-as ou não? Julgo que é o que está a pensar!
Nunca mais se decide! Não faz mal. Eu espero.
sexta-feira, 10 de fevereiro de 2012
Reformas
Dívida das Câmaras, se for bem explicada, tem pouco significado...
2.Na sua simplicidade, sinceridade e autenticidade, esta declaração pode constituir um “template” de grande potência para muitas outras situações de endividamento e ajudar, quiçá de forma decisiva, a resolver o problema do excessivo endividamento do País, que tanto nos tem consumido...
3.Na verdade, não poderá esta mesma conclusão ser aplicada a múltiplos sectores da actividade em Portugal? Dou alguns exemplos:
- A dívida das PME’s, se for bem explicada, pode ter pouco significado;
- A dívida das Empresas Públicas (EPE’s), se for bem explicada, também pode ter pouco significado;
- A dívida dos Hospitais (EPE’s), se for bem explicada...
- A dívida das Fundações....
- A dívida das Famílias....
- A dívida do Estado - Administração Central...
- A dívida das Regiões Autónomas (Madeira “à la tête”, evidentemente)...
- A dívida dos Clubes de Futebol...
...e assim sucessivamente!
4.Estranho que não tenha ainda ocorrido, "a quem de direito", fornecer estas explicações, de forma convincente, ao FMI e à União Europeia – à Troika, para ser mais simples – o que poderia ter evitado tanta complicação e tanta medida de austeridade...
5.E também aos mercados/agências de rating, poderíamos ter sido capazes de vender uma boa explicação sobre a virtuosa origem de todas as dívidas que em Portugal foram geradas ao longo dos últimos anos - concluindo que as mesmas têm, no final de contas, pouco significado face ao imenso benefício que proporcionaram...
6. É muito possível que tanto mercados como agências de rating estejam disponíveis para mudar radicalmente de posição/opinião em relação a Portugal, quando receberem tal explicação...
7.Não teremos aqui o que se pode chamar um “ovo de Colombo”, para resolver a nossa crise financeira? Não acreditam? Alguma coisa deve ser feita...
8.Talvez o Governo possa solicitar ao Presidente da ANMP que prepare, com tempo e em detalhe, um plano explicativo do “Pouco Significado dos Endividamentos Sectoriais e Nacional” (PSESN), propondo-lhe em seguida assessoria permanente nas negociações com a Troika.
9. Quem sabe se não iríamos abrir uma nova era no processo de regeneração financeira do País, alterando radicalmente o PAEF e conseguindo realizar os mesmos objectivos? E sem dor nem irritação, como dizia um velho “spot” publicitário?...
A sentença
Deu-se o caso na Califórnia, em que o réu, um homem de 47 anos e sem cadastro criminal, ia acusado de violência doméstica, por ter agredido e deitado as mãos ao pescoço da mulher quando ela protestou por ele não se ter lembrado de que era o dia de aniversário dela.
Como toda a gente sabe, ignorar o aniversário da mulher é um ato de grande alarme, uma autêntica prova de desamor se foi puro esquecimento ou um desafio insolente se com isso pretende demonstrar até que ponto anda descontente com a relação. Digo isto porque uma pessoa que seja indiferente a esse ponto já não tem emenda, se o marido se esquece e a mulher não o faz notar então faz de conta que já não vivem juntos, nada a salvar.
O juiz terá ouvido o relato dos factos e lá deduziu que nem ela gostou de ser ignorada nem ele gostou de se ver criticado pela indiferença, tratar-se-ia assim de um caso de incapacidade de expressão de sentimentos positivos, uma liçãozinha de sentimentos de pernas para o ar, digamos assim, devias ter-te lembrado dos meus anos, não me lembrei o que é que queres, não sei porque é que te aturo se nem dos meus anos te lembras, não quero mais conversas dessas, vou falar disso até me apetecer, e por aí fora até ao desastre.
Podia ter sido assim, não sei, mas acabou mal, ele perdeu a cabeça e bateu-lhe, quase a estrangulou com a fúria, o juiz é que teve que apreciar a questão e avaliar a punição. E decidiu que se calhar o melhor era ensinar ao homem uns básicos sobre como-demonstrar-que-se- quer-bem, então do que é que a sua mulher gosta, de bowling, e restaurantes, há algum que prefira, o homem a rir-se, enfiado, a recear estar a ser troçado, diga lá, o Lagosta Vermelha, pois muito bem. O senhor vai sair da prisão, vai comprar flores à sua mulher, arranja-se, leva-a ao Lagosta Vermelha e depois vão jogar bowling, ouviu? Vai fazer assim e acabou-se.
Todos na audiência estavam pasmados, a segurar o riso, o juiz é ridículo, mas o juiz manteve-se sério, talvez tenha tido pena da rudeza bruta do homem, talvez tenha acreditado no que a mulher disse, que estava disposta a perdoar. Lá achou que valia a pena um pouco de pedagogia, menos lei e mais lição de vida.
O homem saiu condenado a aprender a tratar bem a sua mulher, a mostrar que lhe quer agradar, pode ser que descubra que não é assim tão difícil tentar, pequenos gestos, pensar no que ela gosta, dar importância ao momento. E ela estranhará, talvez fique a pensar que ele só o faz para não ir preso, talvez até lho diga abertamente, quando o vir todo bem arranjado a estender-lhe desajeitado o ramo de flores, só fazes isso porque senão ias preso, talvez ele contenha o impulso de a esbofetear de novo por ela teimar em o criticar de novo por falta de amor, talvez ele se lembre do juíz e lhe diga, simplesmente, faço isto porque gosto de ti.
Talvez a sentença faça História, quem sabe? Às vezes os grandes problemas têm soluções bem simples.
Íris
Baixa informação e baixa política
As escutas estão proibidas por lei, a não ser com expresso mandato judicial. Não para a comunicação social que, aproveitando ilicitamente os acontecimentos que cobre, capta conversas pessoais ou particulares, através de microfones sofisticados e da imagem abusiva. Capta e difunde, o que significa uma total conivência das hierarquias das redacções na ilegalidade.
Ontem e hoje foi amplamente difundida uma dessas conversas entre o Ministro português das Finanças e o seu congénere alemão.
quinta-feira, 9 de fevereiro de 2012
"O senhor doutor toma medicamentos?"
O inaceitável paternalismo de Schulz
quarta-feira, 8 de fevereiro de 2012
Chorão
"Escrow account" para a Grécia? É capaz de não ser má ideia...
2.Neste quadro aparentemente sem saída, a não ser a saída para o abismo por parte da Grécia, a Alemanha e a França terão tido a ideia de utilizar uma “escrow-account” para receber os fundos que vierem (se vierem) a ser disponibilizados ao abrigo do 2º pacote de ajuda.
3.Os fundos depositados nesta “escrow account” seriam utilizados prioritariamente no reembolso da dívida pública grega cujo vencimento ocorra durante o prazo de execução do novo PAEF, sendo a parte restante disponibilizada à Grécia apenas em função do cumprimento (fiscalizado) dos objectivos e demais obrigações inscritos no novo PAEF.
4.Estaria assim assegurado que, durante o período de execução do 2º Programa que vai seguir-se (assumindo que se segue...), a dívida grega, em capital e juros, será paga sem sobressaltos...
5....Sendo também certo que o pagamento da parte da dívida que se vença para além do final do período de execução do Programa, caso este seja um insucesso, não estará assegurado, podendo por isso a Grécia entrar em default nessa parte...
6.Mas a verdade é que este mecanismo, que retira à Grécia a livre disponibilidade dos fundos da ajuda internacional – embora dispense a “tirânica” ideia alemã de retirar competência à Grécia para gerir as suas finanças públicas, uma intolerável violência face às boas provas prestadas por Atenas – assegura que pelo menos durante os 3 anos de duração do 2º Programa um cenário de default estará praticamente afastado.
7. Neste quadro, será possível preparar - com tempo e sem grande agitação - um cenário de libertação da Grécia do jugo feroz do Euro, definindo uma solução para as obrigações gregas cujo vencimento ocorra depois do período de execução do Programa, isto é depois do 1º trimestre de 2015...
8.Não parece pois má ideia, esta da “escrow-account”...e para Portugal tem a vantagem de isolar o problema grego durante um período que nos deve permitir, caso saibamos cumprir satisfatoriamente o nosso estimado PAEF, fazer o regresso aos mercados com “pezinhos de lã”...
9....e tb de percebermos, caso não sejamos capazes de fazer o que nos compete, qual o tipo de tratamento que nos estará reservado...
10.Mais um argumento para darmos atenção ao que diz o Dr. Medina Carreira e não os “papagaios” que diabolizam, sem cessar, o “ultra liberalismo” das medidas de contenção orçamental...
Filho és, pai serás

Decorre na Holanda um debate sobre a possível legalização do suicídio assistido aos que tenham mais de 70 anos e decidam livremente escolher a morte, independentemente das razões que determinem essa vontade. O agendamento deste debate no Parlamento resultou de uma petição que recolheu mais de 100 000 mil assinaturas num mês. O fundamento será o da “liberdade de escolher”, o direito de cada um assumir que já não vale a pena viver, sendo que essa angustiosa dúvida só terá relevância social a partir dos 70 anos.
Eu gostava de saber quantas pessoas com 70 ou mais anos, ou mesmo com 65, assinaram essa petição, gostava mesmo de saber quantos dos que assinaram tratam dos seus pais ou avós, quantos tiveram a possibilidade de acompanhar com amor o envelhecimento e a decrepitude daqueles que amaram. É que eu nunca vi uma pessoa idosa desejar verdadeiramente morrer, pelo contrário, vi o apego à vida, vi as chamadas de atenção, vi o desejo de serem cuidados quando estiveram doentes. Talvez tenha tido sorte, mas nunca vi tamanho desgosto pela vida, a não ser, por vezes, o da dura consciência do peso que podem constituir para os outros, o que é coisa bem diferente.
Por isso, independentemente das muitas e variadas ordens de considerações que o tema pode suscitar, choca-me muito em especial o pequeno “detalhe” da idade: a partir dos 70 anos. Há suicídios em todas as idades, o desejo de morrer pode ser determinado por tantas circunstâncias ao longo da vida, veja-se as notícias sobre o número crescente de suicídios na Grécia, ou o drama dos suicídios entre os jovens, qual a razão, então, pela qual os defensores desta causa se cingem aos 70 ou mais anos? Qual o problema que, em consciência, sta petição pretende resolver, o dos velhos que se sentem a mais ou o dos novos que não sabem o que fazer com os seus velhos ? Tenho a noção da crueza como formulo a questão mas, na verdade, reconheço neste agendamento o avanço tenebroso de uma consciência negativa em relação aos velhos, a nossa avançadíssima civilização poderá considerar que, assim como há uma idade para a reforma, poderá vir a haver uma idade para morrer. Não será obrigatória, mas será compreendida, ficará implícita a saída “honrosa” para aqueles que não puderam encontrar, depois dessa idade/guilhotina, um sentido para a vida. Li há tempos, já não sei onde, que o grave problema da demografia e do envelhecimento colocariam muito em breve nas agendas políticas a questão do direito a morrer. Começaria por agendas libertárias, invocando os direitos individuais à livre escolha, mas seria impossível estabelecer a fronteira, onde há um direito pode muito bem passar a haver um dever, não te queixes do modo como vives ou sofres, se não estás bem suicida-te, é só pedires!, podemos muito bem imaginar este diálogo futuro entre um filho e um pai, uma versão moderna da tradição samurai ou da que se contava existir entre alguns povos nómadas, quando os velhos não conseguiam já acompanhar as caravanas deviam escolher o momento em que ficavam para trás, ao relento, até serem comidos pelas feras.
Não tenhamos dúvidas, o “direito de escolher morrer” tal como está agora em debate na Holanda, não é mais do que a formulação simpática do “dever morrer”, a agenda política ainda está embuçada no humanismo, na falsa compaixão pelos que carregam o terrível peso de se sentirem vivos e inúteis, mas se têm o direito também têm a opção, a espada do samurai será estendida para evitar a “desonra” da dependência, dos custos com a saúde, da necessidade de afeto atenções ou mesmo, quem sabe, de ser tempo de libertar heranças porque se faz tarde.
É caso para lembrarmos a parábola do velho a quem o filho vai levar para a montanha, para aí o deixar abandonado até morrer. Antes de saírem o filho estende-lhe um cobertor, para não passar frio, e o velho pede-lhe que divida o cobertor ao meio. Uma metade seria para ele levar, a outra para o filho guardar, para quando fosse a vez dele ser levado para a montanha. Filho és, pai serás, assim como fizeres, assim acharás.
A honra e a dignidade dos velhos poderá, num futuro que afinal já está em discussão, resumir-se a uma condenação. E os velhos seremos todos e cada um de nós.
