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segunda-feira, 17 de abril de 2017

Tudo se compra...tudo se vende...

Segundo dados já conhecidos da execução orçamental de 2016, a despesa pública diminuiu 3.000 milhões de euros, valor que mais que triplica os 900 milhões previstos no orçamento.Dado o aumento de remunerações da função pública, no valor de algumas centenas de milhões, tal significa que o "corte" na despesa, excepto pessoal, foi muito para além dos 3.000 milhões de euros, afectando negativamente o cumprimento de muitas funções do Estado, e do Estado Social. Uma política  perversa, de compra de funcionários e sindicatos a troco de melhor remuneração, os primeiros para gerirem as situações de desagrado dos utentes, os segundos para deixarem de proclamar a degradação dos serviços públicos, justificação no passado de greve continuadas.
E assim vai a geringonça defendendo, em acaloradas palavras, o Estado Social, mas aviltando-o nos actos e na prática. Tudo se compra,tudo se vende. 
PS: Claro que a diminuição da despesa pública é um bem em si, se for estável e representar reformas de fundo dos serviços. Porque, se assim não for, como não foi, é mero fogo de artifício, muito aclamado no momento, mas que de imediato se extingue

5 comentários:

João Pires da Cruz disse...

Não sei se será assim, caro Pinho Cardão. Há ali "truta" e há tanta gente a tentar perceber o golpe que se esquecem de perguntar com todas as letras onde está afinal o corte. Alguém já perguntou ao ministro, em concreto, o que conseguiu cortar que os governos anteriores não conseguiram? É que depois andamos a pagar organismos de controlo que só fazem contas que qualquer pessoa pode fazer e dali também não vai sair nada. Em rigor, aquilo que sei é que, ou há golpe - que envolve bem mais que o governo e a presidência da república - ou há milagre.

Pinho Cardão disse...

Pois é, caro JPC, debato-me com o mesmo problema e com o mesmo dilema, mas sou talvez um pouco mais crédulo que o meu amigo. De qualquer forma, as contas referem-se ao desvio entre o orçamentado e o realizado em 2016, não entre o realizado em 2015 e 2016. Por outro lado, a referência é o PIB nominal, naturalmente superior em 2016 ao de 2015. Esta é a forma, porque, quanto à substância, as dúvidas são mesmo grandes. A começar pelo enorme "gap", ainda não explicado, entre o défice e o acréscimo da dívida, e a continuar por um volume grande de despesa efectuada, mas que foi alvo de pedido dos serviços para não ser facturada em 2016. E, por último, onde é que já foi publicado o valor do PIB? Os valores, défice, dívida, execução orçamental referem-se a uma grandeza que, neste momento, é o que se quiser...

SC disse...

Claro que há golpe. Cortar noutros sítios - a outros.
Um outro caminho, aquele que teimavam em dizer que não existia ou nos levava para o inferno...
C'os diabos!

Pinho Cardão disse...

Golpe ou milagre, mandava a ética republicana, que tanto apregoam, que fosse tudo bem explicadinho ao pagante, qualquer que ele seja.

Fernando S disse...

"Um outro caminho, aquele que teimavam em dizer que não existia ou nos levava para o inferno..."

Não sei se é "o inferno" ... mas que a divida e o respectivo custo do financiamento aumentaram e o crescimento economico em vez de ser maior foi menor ... não é certamente "o paraiso" !!

E, já agora, o "caminho que teimavam em dizer que não existia", o de acabar com a austeridade e crescer mais, afinal não existe mesmo !!