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terça-feira, 26 de agosto de 2008

No pasa nada


Na manhã de hoje, que a comunicação social tenha notado, foram assaltados com violência dois bancos, duas estações de serviço e uma estação dos CTT.
Numa só manhã.
Se durante o resto do dia não ocorrer algo de mais assinalável, as estatísticas revelarão que nada de especialmente gravoso aconteceu.
Tudo ocorrências dentro da média.
Nada de preocupante.

Adenda. Afinal ao inicio da tarde foi assaltado mais um banco em Lisboa. Andam por aí criminosos desatentos ás estatísticas...
Adenda 2.Não me parece que haja uma grande alteração relativamente aquilo que tem sido habitual. Em termos matemáticos (?!), não posso dizer se há mais ou menos. Há com certeza um aumento de relevo mediático” - Leonel de Carvalho, responsável pelo Gabinete Coordenador de Segurança à TSF sobre os mais recentes crimes violentos. O MAI e o outrora loquaz secretário de estado José Magalhães concordarão. Valha-nos a matemática para nos sentirmos seguros!

“O heresiarca”...

Maurice Vlaminck, Retrato de Guillaume Apollinaire (1903)


Uma jovem iraquiana, artilhada com explosivos, desistiu do suicídio ao entregar-se às autoridades, ao contrário de três mulheres que na semana passada se fizeram explodir durante uma peregrinação xiita. Desta vez, o Profeta estaria, provavelmente, mais atento, e deverá ter soprado ao ouvido da jovem, dizendo-lhe para não cometer tamanha atrocidade, alertando-a para o facto de que o fundamentalismo religioso que impera por aí ser a maior estupidez humana.
O que eu não sabia é da existência de uma “brigada do pudor”. Dois judeus ultra-ordoxos, daqueles que usam canudinhos nos cabelos, casacas negras, chapéus, e andam quase sempre a abanar a cabeça, de um jeito semelhante a alguns animais bem conhecidos, mas decerto muito mais espertos que muitos seres humanos, espancaram uma mulher judaica divorciada no apartamento desta, enquanto um terceiro incendiou uma loja de roupa (não especificam que tipo de roupa, mas presumo que não é difícil adivinhar). Neste caso Jeová devia estar distraído. Não gosto de dar conselhos aos deuses, mas acho que deveria escolher melhor os seus correligionários, porque senão ainda se arrisca a andar em má companhia!
Por fim, fiquei decepcionado pelo facto de não ter ido avante o projecto de um padre italiano que queria fazer um concurso para “Miss Freira”. Teve que arrepiar caminho, vá-se lá saber por que carga de água! De acordo com o padre, “O concurso da freira mais bonita tinha por único objectivo dar a conhecer através da Internet um aspecto positivo da vida das religiosas”. A pretensão do padre é mais do que justa, tentando desmistificar que as freiras não são todas velhas, feias, tristes e rabugentas. Eu acredito, piamente, que deve haver muitas freiras simpáticas, cheias de vitalidade e lindas. Basta consultar alguma literatura e histórias para ficarmos com a ideia de que beleza e vitalidade foi coisa que nunca faltou às freiras...
Espero que não venha a ser rotulado de herético por ter escrevinhado estas breves palavras que não são mais do que uma síntese, e de uma simples reflexão, com base em três notícias publicadas hoje, curiosamente o dia em que escritor francês Guillaume Apollinaire nasceu, em 1880, e morto 38 anos devido à gripe espanhola. Como era francês tem direito à designação de gripe espanhola, se fosse português passava a ser a pneumónica.
Ponho-me a pensar se a genialidade e a provocação tão típicas de Apollinaire não teriam enriquecido a sua colectânea de contos, “O Heresiarca & C.ª”, com estas notícias...

CR7- A cabeça e os pés

No último mês, diz o DN de anteontem, Cristiano Ronaldo, a par de um novo Rolls Royce Phantom comprado por 426.000 euros, ainda com matrícula convencional, gastou mais 188.000 euros na compra da matrícula CR7 para o seu Bentley.
Parece que o moço não pode agora passar sem a personalização dos objectos com a marca CR7, estendendo-a a telemóveis incrustados com pedras preciosas, a brincos de diamantes, e, em geral, às jóias que adquire, mas também aos jeans, a almofadas de sofás, à cama em que dorme e às mesas em que come. Até o fundo da piscina não escapa e está a ser decorada com mosaicos em forma de CR7.
Para assinalar a pertença, mesmo que transitória, algumas das namoradas já foram também presenteadas com brincos CR7.
Na minha opinião, não é criticável, muito menos condenável, devendo até ser considerado quem, respeitando a legalidade e princípios éticos, pelo trabalho, pelo espírito de iniciativa e liderança, ou pelos talentos com que nasceu ou soube adquirir, ganhe muito dinheiro.
Ao contrário, não tenho qualquer consideração por quem esbanja gratuitamente riqueza pessoalmente ganha ou herdada, não procurando, nem lhe dando, entre as diversas alternativas ao dispor, um fim socialmente útil.
Cristiano Ronaldo nasceu com um enorme talento para o futebol e, com a ajuda de quem teve a sorte de encontrar no Sporting e no Manchester, pôde elevar esse talento ao nível dos maiores do mundo. Tornou-se um ícone do marketing, potenciado pelo poder da principal marca que o patrocina, a Nike. É apresentado como um exemplo e nomeado como embaixador de tudo e alguma coisa. O mérito é-lhe reconhecido no enorme ordenado que ganha.
É, contudo, ofensiva a forma como o desbarata.
Endeusado como nunca, porventura mal aconselhado, Ronaldo passa por uma má fase, bem evidenciada no futebol praticado no último Campeonato da Europa ou nas peripécias de querer fazer prevalecer a sua vontade de transferência, rasgando o contrato com o Manchester. Oxalá se trate de devaneios passageiros.
Porque, onde falta a cabeça, os pés de pouco servem.

segunda-feira, 25 de agosto de 2008

“Demência”...

Convivi sempre com pessoas de idade e aprendi muito com elas.
O conceito de que a idade acarreta bom-senso, paz, serenidade e sabedoria é verdadeiro mas só em parte. Acompanha-a outras facetas, ângulos sombrios e tristes, marcados pelo arrependimento, subversão, doença, sofrimento e a estranha percepção de que o fim está ao virar da esquina mais próxima.
O livro, “A mesa de limão”, de Julian Barnes, escritor britânico, demonstra, através de vários contos as diferentes realidades emergentes no decurso do envelhecimento. A escolha do título, baseou-se na simbologia chinesa, segundo a qual o limão representa a morte.
Ao mesmo tempo que lia esta obra, deliciava-me com uma outra, “Gente de palmo e meio” de Augusto Gil. Os contos deste genial autor focam as crianças com as suas aspirações, visões do mundo, virtudes, traquinices, medos, desejos, insegurança, tragédias, alegrias e sempre muita esperança mesmo entre os mais desafortunados; em perfeito contraste com a obra de Barnes. Augusto Gil oferece-nos doces e suculentas laranjas que, com o tempo, e na perspectiva “barniana”, acabarão por se transmutar em amargos limões.
A primeira vez que tive a noção do que era a demência ocorreu quando tinha acabado de entrar na faculdade. A tia São, que conheci sempre velha, e que tinha perdido o único filho quando era nova e depois o marido, era uma pessoa alegre, seca de carnes, com um permanente sorriso infantil, encantadora, exímia contadora de estórias, fazia de tudo e, sobretudo, adorava conversar. Vivia num concelho vizinho e, sempre que a visitava, fazia-me uma festa dos diabos, do género: - Oh Manelzito, como estás crescido! E logo a seguir: - E como vai a escola? Contava-me estórias e preparava-me um lanche em que era obrigado a comer um pão enorme de centeio, quentinho, barrado, generosamente, com manteiga e ornamentado com uma boa lasca de presunto, acompanhado, quase sempre, de uma valente caneca de café de cevada. Mas, às vezes, sobretudo no Verão, sem que mais ninguém soubesse, ofertava-me um copito de vinho morangueiro, fraquito, que surripiava na adega, onde me levava a pretexto de qualquer coisa. – Não digas a ninguém que eu te dei o vinho! Estás a ouvir? Era a única vez que ficava séria! Claro que não me fazia rogado!
Quando adoeceu, foi para casa da minha avó. Ao princípio não me apercebi bem o que se passava. Tinha longos momentos de lucidez. Mas de tempos a tempos, virava-se para mim e dizia: - Oh Manelzito, como estás crescido! Como vai a escola? E eu lá lhe dizia, claro. Passados pouco minutos, depois de silêncios confrangedores, olhava para mim e perguntava: - Quem és tu? – Então tia, não me está a reconhecer? Olhava, olhava e dizia com expressão de satisfação: - Oh Manelzito, como estás crescido! E como vai a escola? Depois abria a janela da sua mente e conversava normalmente, contando coisas do passado e interessantes estórias, algumas das quais nunca tinha ouvido, sempre com o seu sorriso infantil.
Com o tempo, a lucidez foi-se apagando e os períodos de reconhecimento do género: - “Oh Manelzito, como estás crescido! E como vai a escola?”, tornaram-se menos frequentes, até que a janela do tino se fechou definitivamente e ficámos sem o seu sorriso infantil e sem as estórias encantadoras, passando o resto da vida, se é que se pudesse chamar vida, num estado lastimável.
Recordei-me da tia São, mulher do povo, dura, simples e culta, que poucas vezes deverá ter saído de um círculo com um raio de dez quilómetros, devido aos seus contos - a lembrar, embora à distância, Augusto Gil, obrigando-me no fim a retirar as conclusões morais dos mesmos. E só me largava quando ficava satisfeita. Um verdadeiro exame oral! -, e devido à notícia segundo a qual a antiga primeira-ministra britânica, Margaret Thatcher, se encontra demente, conforme relata a sua filha num livro.
O fenómeno da demência está a tomar proporções epidémicas. Ainda há dias, a imagem de Adolfo Suarez, que desempenhou um papel importante na transição democrática em Espanha, ao lado do rei, desconhecendo o papel que teve naquele país, incomodou-me. Outros exemplos de políticos famosos que exerceram com brilhantismo as suas actividades acabaram por vir a sofrer desta terrível doença, caso de Ronald Reagan.
É estranho que muitas pessoas brilhantes, quer tenham sido presidentes, primeiros-ministros, cientistas, artistas ou simples mulheres e homens do povo, mas que revelaram um qualquer traço de superioridade ou até de genialidade, acabem por perder o juízo.
Será que estamos perante um caso de pleiotropia? Vantagem na vida adulta e desvantagem na velhice? Laranjas doces que acabam por transformar-se em limões?
Mas, pensando bem, quem quer comer laranjas amargas?!

Convenções americanas

"Ficarão a saber quem nós somos, quais são os nossos valores e como é que educamos os nossos filhos" – assim falou Obama aos seus eleitores, incentivando-os a conhecer melhor a sua história pessoal e a da sua família. A sua mulher, Michele, será a oradora no 1º dia da Convenção. Madeleine Albright, democrata, considera que ele tem que dar a conhecer-se aos americanos que não foram os seus apoiantes porque ainda há muitos que não sabem quem ele é. O comentador da notícia explicou que Obama tem uma "história" diferente da da generalidade dos americanos e que tem que provar que, apesar disso, é um americano "como os outros".
A luta entre o candidato democrata e o republicano promete ser renhida e, em matéria de experiência política, as comparações ganham agora uma nova dimensão. Adensadas as nuvens em matéria de segurança interna e conflitos internacionais, os americanos estão a pensar duas vezes se se deixam ir em “modas” ou se têm que pesar o seu voto com critérios mais sólidos. Obama, pelos vistos, acha que o “carácter pessoal” ainda não foi suficientemente posto à prova, nem mesmo na prestação que ambos os candidatos tiveram que vencer quando foram a um encontro realizado pela igreja evangélica, em que a última pergunta, perante uma plateia imensa, foi “Qual foi o seu maior pecado?” Assim mesmo, como se houvesse o direito de devassar em directo para as tv’s a consciência de cada um, sendo que a absolvição, ou não, é uma decisão colectiva que só sairá no dia do voto.
Convenhamos que ambos estiveram à altura da hipocrisia da pergunta com a hipocrisia da resposta. Obama disse que o seu maior pecado era ter tido um comportamento egoísta (??) quando experimentou droga e álcool na sua juventude, MacCain disse que lamentava não ter conseguido “salvar” o seu primeiro casamento. Ficaram assim anulados estes pontos negros daquelas almas e, pelo menos, são duas armas de arremesso que ficam em casa dos opositores. A confissão na praça pública sempre tem outra emoção e dá garantia aos eleitores de que um não volta a ser egoísta e que o outro é fiel à mulher. Relevante, sem dúvida, falta agora saber como é que educam os filhos.

Ministro "enjaulado"!...

Temos que prestar a devida homenagem a Manuel Pinho, denominado Ministro da Economia, tantas vezes injustiçado. Neste último fim-de-semana, em visita de trabalho ao Algarve, mostrou denodado esforço e profunda dedicação pela coisa pública, ao ponto de estar pessoalmente presente em grandes realizações que evidenciam aos mais cépticos o entusiasmo com que apoia e dinamiza alguns importantes sectores da economia nacional.
Foi uma viagem sacrificada, mesmo com risco da própria vida, da qual Manuel Pinho diz ter sobrevivido, mas que lhe proporcionou “sensações únicas”. “Nesta visita ao Algarve, tive muitas sensações únicas. Na sexta-feira, fiz uma volta ao Autódromo de Portimão com o Tiago Monteiro. Sobrevivi a essa experiência, foi muito interessante, mas não quero repetir”, diz o Ministro. Claro que agradecemos os riscos que correu, a bem da nação!...
No sábado, para relaxar, mas cumprindo rigorosamente o plano estabelecido, o que, aliás, é raro, nomeadamente nas visitas ao estrangeiro, Manuel Pinho foi obrigado a nadar durante uma hora com Michael Phelps, na piscina de um hotel de Vilamoura. “Foi um encontro fortuito. O Phelps é uma pessoa simples e entusiasta. Foi uma conversa simpática em que ele revelou o que é preciso para ser campeão”. Muito bem!...
Ainda com os músculos doridos, esperava-o ainda o pior. É que, a seguir, Manuel Pinho teve que sair da piscina, tomar banho e aprimorar-se para acompanhar Catherine Deneuve, em Loulé, a uma visita a uma exposição de arte contemporânea, numa mina de sal gema, a 280 metros de profundidade. O intenso prazer de ser cavalheiro de companhia de Catherine não atenuou o incómodo de ser transportado a tal profundidade num elevador que, segundo o DN, se “assemelhava a uma jaula”. Isto é, a visita ao Algarve acabou com Manuel Pinho “enjaulado”!....
Convenhamos que não é tratamento que se dê a Ministro, e logo para acabar um fim-de-semana de ministerial trabalho tão alucinante e fatigante!...
Claro que pode recuperar durante a semana. A economia tem obrigação de devolver o sossego ao seu Ministro!...
Nota: Tratou-se de uma visita ao Algarve, disse o Ministro ao DN. Portanto, trabalho. Claro que, no período de férias, o Ministro dará a devida atenção à economia. Acontece que Ministro pouco tempo tem para férias...

Chiado: teremos aprendido com a catástrofe?


«Há muitos edifícios que estão devolutos e temos um grande receio que se possa dar uma catástrofe na baixa como foi o incêndio do Chiado. Temos que fazer tudo o que está ao nosso alcance para evitar essa situação». As palavras são do Arq. Manuel Salgado, vereador da Câmara Municipal de Lisboa. É bom que os responsáveis se lembrem de Santa Bárbara antes de trovejar. Quem conhece a baixa de Lisboa sabe bem que a repetição da tragédia, se nada for feito, é infelizmente uma possbilidade bem próxima.

Para lá das avisadas palavras do responsável pelo urbanismo, falta perceber, agora que o novo regime do arrendamento urbano já provou não ser solução, o que é afinal "fazer tudo ao nosso alcance". Agora, não um ou dois anos depois de um acontecimento trágico que deveria mobilizar para a reconstrução mas também para a aprendizagem. Agora, que transcorreram duas décadas desde o incêndio que devorou o coração de Lisboa.


domingo, 24 de agosto de 2008

Poligamia e longevidade masculina...

Como é do conhecimento geral a esperança de vida das mulheres é superior à dos homens na ordem dos 6 a 8 anos.
Agora, um estudo veio demonstrar que os homens poligâmicos vivem mais do que os monogâmicos...
Interessante!

“Combater o colesterol à dentada”!...

Afirmar que a fruta é um produto indispensável e que faz bem à saúde é um lugar comum que dispensa mais comentários. A variedade é imensa e, de um modo geral, partilham de características idênticas ainda que em concentrações diferentes.
Presumo que qualquer um terá a sua fruta preferida. É natural. A minha é a maçã. Desde que me conheço que adoro maçãs. Além das suas qualidades sápidas, há outras que me levaram a preferi-la. Rija, fácil de transportar, resistente ao choque e brincadeiras de crianças, não largava sumo, não se desfazia nos bolsitos, ao contrário do pêssego, da pêra, da ameixa, não ficava traumatizada com “hematomas”, como as bananas, e não deixava cheiro nos dedos, como as laranjas. Gostava, igualmente, das formas, dos diferentes tamanhos, das cores, das texturas, dos sabores e, sobretudo, de dar dentadas e comer a casca. Em contrapartida, detestava o ritual civilizacional, que me era imposto às refeições, de descascá-las ou cortá-las com faço e garfo. Para um miúdo, ansioso por se libertar do altar da mesa, o momento da sobremesa era um martírio, porque manejar a faca e o garfo para a cortar em pedaços exigia uma destreza própria de um cirurgião. Um tormento, um esforço “hercúleo”, demorava tempos infinitos, estragava mais do que comia e a gula em a saborear ficava sempre insatisfeita e tinha que a matar aos bochechos, o que não me satisfazia mesmo nada. Habitualmente, pedia licença para me ausentar antes desse momento, mas perguntavam logo: - E a fruta? A maçã? Respondia que não fazia mal, levava-a no bolso e depois comia-a. Fazia este espectáculo, para evitar aquele ritual e, sobretudo, para ter o prazer de a comer à dentada, o que fazia de imediato, às escondidas, logo que me ausentava. Um alivio! Um prazer!
Claro que naquela altura, comer uma maçã à dentada era fácil, o pior veio mais tarde, quando os dentes começaram a mostrar fragilidades.
Recordo-me que há poucos anos, na véspera de uma conferência que ia realizar em Lisboa, sobre “Colesterol e Doenças Cardiovasculares”, fiquei num simpático hotel, daqueles que têm o hábito de ofertar um cestinho de fruta. Como cheguei um pouco tarde e o jantar já tinha sido esmoído, ao entrar no quarto, ressaltou, com uma beleza digno de registo, um cesto contendo belas peças de fruta, entre as quais se destacavam duas sedutoras maçãs. Lindas, redondas, avermelhadas, brilhando com um encanto especial do género: dá-me uma dentada! Pensei logo que só uma maçã poderia ter o efeito que teve na Eva. Nem o pêssego, nem a banana, nem a laranja, nem a pêra, nem o kiwi, nem a ameixa poderia seduzir quem quer que fosse. De facto, só a maçã! Vai daí e retirei a primeira, esfreguei-a como se estivesse a retirar um pó imaginário e dei-lhe uma valente dentada. Foi então que um dos incisivos claudicou, ficando reduzido a metade. Irra! Parti o dente! Estou tramado! Amanhã vou fazer uma conferência sobre o “Colesterol e as Doenças Cardiovasculares” meio desdentado. Além deste aspecto, o raio da língua, curiosa, lambia, estupidamente, o rebordo do dente fracturado, ficando dorida. Olhei para o pedaço que faltava na maçã, uma sugestiva cratera, que não teve tempo de acastanhar-se, à qual perdoei o mal que me tinha feito e embalei no seu sensual convite, agora como mais cuidado e utilizando os caninos, até chegar ao caroço. Olhei para a irmã gémea e dei-lhe o mesmo destino. Mesmo assim, confesso, soube-me bem.
No dia seguinte, lá fiz a minha conferência, explicando os vários factores de risco, a evolução das doenças, a forma de reduzir a hipercolesterolemia, sem fazer afirmações do género: “combata o colesterol à dentada”, tal como agora estamos a assistir, por parte de uma associação de produtores de maçãs!
Esta coisa de usar o “mal”, neste caso personificado pelo colesterol, como fonte de promoção de certos produtos, começa a ser uma perigosa mania, que não se restringe apenas ao consumo de maçãs, já que inclui iogurtes, manteigas com “metade de gorduras(!)”, leites modificados, sardinhas de conserva, “tintitos”, pão sem colesterol (!), alhos, beringelas e muito mais produtos. Qualquer dia, ainda aparece uma associação de frutos de pilriteiros a afirmar que os pilritos são do melhor que há para combater o colesterol, ou então os produtores de ginjas a proclamarem alto e em bom som que o melhor são as ginjas. - Com ou sem “elas”? -Com “elas” devem ser muito mais eficazes!
No caso dos pilritos e das ginjas não é necessário dar dentadas. Mas, quando tiverem que as dar, caso das maçãs, cuidado com os dentes! Vejam lá se os incisivos aguentam com as trincadelas no fruto “proibido”. Trincadelas sem dúvida saborosas, mas é preciso ter dentes! Se tiverem dúvidas, usem faca e garfo ou mesmo uma navalhita. Quanto às dentadas dos promotores comerciais não há perigo nenhum de ficarem sem os dentes, porque são postiços e sabem morder à maneira!
Quanto ao colesterol, se a “dentada” não der resultado, não fiquem preocupados, porque o prazer de comer uma maçã é superior a qualquer redução do colesterol...

1.000 dias de radioso azul e branco!...

Faz hoje 1.000 dias, mil dias, que o FCPorto se mantém ininterruptamente no 1º lugar dos Campeonatos da Liga Profissional de Futebol. Dois anos e nove meses consecutivamente à frente!...
Discretamente, para não se saber muito, um jornal assinalou o feito.
Assinala-se também aqui no 4R!...
Os autores benfiquistas e sportinguistas não se importarão e os nossos comentadores, também bons desportistas, sabem reconhecer a qualidade!...

sábado, 23 de agosto de 2008

O veto e as críticas ao veto


Têm sido muitas e de vários quadrantes as críticas ao veto político ao decreto da AR que visa alterar as regras do divórcio.
Conhecia o decreto mas não as razões do senhor Presidente da República para a recusa de promulgação. Entretanto fui ouvindo repetidos comentadores dizer que os invocados motivos de natureza jurídica deixavam muito a desejar.
Só hoje pude ler a mensagem do senhor Presidente em que comunica à AR as razões do veto.
Duas anotações.
Não vejo ali argumentação técnico-jurídica, mas discordâncias claras e motivadas quanto ao novo regime do divórcio e, sobretudo, ao novo modelo de casamento a que conduz. Veto por razões políticas, claramente.
Segunda. Concordo com a intenção do legislador de não fazer depender o divórcio da culpa. Pela simples razão de que sendo o casamento, para mim, uma união de afectos, cessando o afecto poucos serão os motivos que podem levar a manter-se deveres que, pela sua natureza pessoal, só o formalismo jurídico concebe que continuem a vincular ambos os conjuges. Muito menos devem ser razões patrimoniais a justificar uma comunhão de vida que pelo menos um dos membros do casal não deseja.
Mas concordando eu com a intenção que subjaz ao decreto, não posso deixar de reconhecer que a mensagem do PR dá que pensar, sobretudo pelas considerações que tece à falta de garantia de cumprimento dos deveres dos conjuges que se mantêm inalterados na lei comum, à desprotecção do conjuge mais fraco (a mulher nalgumas circunstâncias, pese embora a liberdade de obter facilmente o divórcio ser noutras o definitivo remédio) e à prognose quanto aos efeitos do novo regime.
Concluo que gratuitas não são as razões presidenciais (das quais é absolutamente legítimo discordar). Gratuitas são - como é hábito - as críticas de quem "acha", julga e opina sem conhecer.

sexta-feira, 22 de agosto de 2008

Espírito olímpico III



“Não foi uma competição justa. Lutei um pouco contra os árbitros, parecia uma luta contra quatro..."


Telma Monteiro, atleta olímpica e do Benfica-9ª no judo 52 Kg.





A moça já ganhou muitas provas e é uma campeã, pese o infeliz resultado de Pequim. Mas apreendeu depressa a mística benfiquista... Quando não se ganha...

Insegurança - realidade ou criação mediática?

Os telejornais de ontem dividiram-se entre a boa nova da medalha de ouro conquistada para Portugal por Nelson Évora, e repetidos casos de criminalidade violenta e organizada, numa onda que dá a sensação não ter precedentes.
O repetido zapping encontrou sempre a notícia de mais situações de carjacking, assaltos á mão armada a estações de serviço, a bancos e ourivesarias, tiros disparados sem qualquer hesitação em direcção a quem pretendeu defender o que era seu, apreensões de armas ilegais, agressões a agentes da autoridade, detenções, perseguições e meliantes a monte.
Jornais de hoje dão conta que nos últimos tempos, já depois da alteração da lei que prometia tornar mais dificil a aquisição e detenção de armas de fogo, aumentou substancialmente o número de cidadãos portugueses que sentiram necessidade de comprar e licenciar uma arma de defesa pessoal.
Consequência de um aumento real da criminalidade organizada e mais violenta? Ou mera sensação de insegurança resultante, designadamente, da exposição e exploração mediáticas dos casos que vão fazendo o dia-a-dia das notícias?
A edição do ´Expresso´ de amanhã analisa o fenómeno olhando para as estatísticas. E chega á conclusão que não existe hoje mais criminalidade violenta do que a registada há cinco anos. O que se passará é, assim, segundo as conclusões a que chega o ´Expresso´, a criação de um ambiente em que as pessoas se sentem mais inseguras.
Mesmo que se admita que as estatísticas criminais permitem esta ilacção, a verdade é que os portugueses não podem ficar descansados com ela. A ser assim, significa que os factores que nos últimos anos têm posto em causa a brandura dos costumes nacionais e o tradicional clima de paz e segurança (de que se alimentava o melhor turismo, por exemplo) não foram erradicados, antes se mantêm mesmo que não se tenham agravado. Significa, no fundo, que os atentados à liberdade, à integridade e até à vida das pessoas, como aos bens, não infletiram em número e não se alteraram em gravidade.
Seria espantoso que o resultado fosse outro.
Com efeito, nos últimos tempos é notório que o Estado enfraqueceu. O Estado de Direito é fraco e esta democracia encolhe-se perante a violência que, em situações extremas, reza a História que a põe em causa. Fraco, seja pela perda constante da credibilidade e da confiança públicas nos aparelhos de justiça e de segurança. Seja pela vulnerabilidade a que a abertura das fronteiras no espaço da UE expôs o País, ainda recentemente anotada, de modo implícito, pelo General Leonel de Carvalho a propósito de um últimos casos de crimes sofisticados.
Ora, o primeiro sintoma de um Estado fraco é esta sensação de insegurança, extraia-se o que se extrair das estatísticas, que leva cada vez mais pessoas de bem a adquirir armas de fogo para se protegerem. Sintoma agravado por uma onda politicamente correcta segundo os melhores canones da doutrina bloquista: (i) pelo crime é sempre a sociedade a responsável, nunca o criminoso (sobretudo se pertencente a uma minoria); (ii) qualquer medida de reforço do aparelho repressivo, por via normativa ou por reforço de meios materiais das forças encarregadas de manter a ordem e combater o crime, é de comum entendida como o trilhar a passos largos do tenebroso caminho do securitarismo; (iii) a falta de apoio e estímulo ás polícias sempre suspeitas (e não raras vezes acusadas) de propenderem para a desproporção na utilização dos meios, atitude que chega ao ponto de se condenar nos agentes da lei o que sociológos, psicologos, juristas, analistas mais variados e até políticos imediatamente procuram compreender e até justificar quando se trata dos mesmos meios empregues pelos criminosos.

Não faltará quem pense que o Estado se tornou cobarde na luta contra a criminalidade violenta. E que as máquinas da justiça e da segurança parecem mobilizar-se mais com os apitos dourados e outras questões do género, do que com estes fenómenos que fazem com que um País, outrora tranquilo, tenha receio de sair à noite ou coloca em sobressalto os pais ou os conjuges sempre que os seus se atrasam no regresso a casa. Amanhã ler-se-à no semanário que esse receio não é hoje mais justificado do que o era nos últimos anos. Pode ser que não seja. Mas é isso que nos faz dormir mais descansados?

Investimento estrangeiro em terras: nova forma de colonialismo?

A recente turbulência nos mercados de matérias-primas agrícolas e, em especial, as políticas restritivas adoptadas por países produtores – das restrições impostas à exportação de arroz pela Índia, pelo Vietnam e pelo Egipto, ao bloqueio da Ucrânia aos embarques de trigo ou à imposição pela Argentina de um imposto extraordinário sobre as exportações de cereais – levaram alguns países importadores a repensar a sua estratégia de abastecimento desses produtos.
Curiosa a estratégia adoptada entre outros por países do Golfo grandes produtores de petróleo e também pela China, que consiste em adquirir extensas áreas de terra arável em países produtores de cereais para aí realizarem investimentos em plantações e garantirem por essa forma, para o futuro, os abastecimentos que têm estado sujeitos a enormes contingências.

Este tema mereceu destaque num interessante e desenvolvido texto publicado na edição do F. Times de 20 do corrente.
Entre os países investidores, cabe referir a Arábia Saudita e os Emiratos Árabes Unidos, para além da China e da Coreia do Sul.
Entre os países destinatários deste novo tipo de investimento destacam-se o Sudão, a Etiópia, a Ucrânia e o Kazakistão.
Caso notável é o do Sudão, onde o governo local demarcou 17 grandes áreas, num total de 880.000 hectares, para projectos de investimento estrangeiro na agricultura.
Também na Etiópia os responsáveis governamentais têm mostrado grande interesse na captação de investimento estrangeiro deste novo tipo, sendo provável que os sauditas venham a assumir aqui um papel importante.
Algumas organizações internacionais têm chamado a atenção para os riscos destas operações de investimento estrangeiro, as quais implicam a celebração de acordos entre investidores e países recipientes do investimento que, entre outras vantagens, dão aos investidores total autonomia na política comercial, não ficando por exemplo sujeitos s quaisquer restrições à exportação que venham a ser decretadas em tempos de crise.
Compreende-se perfeitamente que os investidores pretendam obter estas garantias – de outro modo não teriam as suas necessidades satisfeitas quando mais precisam.
Mas também se compreende que, em futuras crises de abastecimentos, nomeadamente nos países onde os projectos se situam, causará algum embaraço verificar que parte da produção interna desses bens seja dirigida para o exterior, para satisfazer as necessidades de populações com níveis de vida incomparavelmente superiores...
Jacques Diouf, Director-Geral da FAO, refere mesmo a expressão “neo-colonialismo” para caracterizar este tipo de acordos de investimento.
Direi, num breve comentário, que até poderá ser “neo-colonialismo”: só que neste caso estaremos perante um novo figurino de colonialismo, um colonialismo de tipo contratual, em que o “colonizado” aceita livremente as condições desejadas pelo “colonizador”.
Algum progresso em relação a anteriores formas de colonialismo, há que reconhecer...

"Brincar" aos polícias e aos ladrões...

Francamente que não entendo este tipo de actuações por parte da justiça. Será falta de sensibilidade dos juízes, falta de formação, má aplicação da lei, inadequação da lei à realidade, falta de informação? A situação relatada pelo JN é motivo de preocupação. A ajudar ao clima de violência que se tem vindo a verificar, com especial ênfase neste Verão, junta-se a perplexidade da descoordenação no seu combate por parte de operadores policiais e judiciais como sugere a história relatada na notícia. Fica-se com a sensação de que as polícias puxam para um lado e os tribunais puxam para o outro!
Não percebo o que pode levar um delegado do Ministério Público a deixar ir em liberdade dois assaltantes detidos pela polícia, neste caso a GNR da Mealhada, prescindindo da sua apresentação a um juiz de instrução, apanhados na posse do produto do roubo, depois de assaltarem à mão armada uma bomba de combustível, munidos de caçadeiras e pistolas.
Não sei que danos pessoais e patrimoniais provocaram, o que sei é que andam armados, aos tiros, colcando em perigo, mais do que tudo, vidas humanas e contribuindo para a insegurança de pessoas e bens.
Será que é necessário que tenham que resultar vítimas mortais para que a nossa justiça leve a sério estes casos?
Afinal, decorridas 48 horas sobre o assalto à bomba de combustível, os mesmos assaltantes seriam capturados pela Polícia Judiciária em Setúbal, por suspeitas de terem realizado vários assaltos à mão armada a restaurantes e sequestro de pessoas, tendo sido presentes a um juiz do tribunal de Setúbal.
Pergunto-me porque é que não há informação cadastral centralizada à qual as autoridades policiais e os tribunais possam aceder em qualquer ponto do País para se inteirarem sobre o histórico criminal de cidadãos? Será que a Mealhada e Setúbal dispunham da mesma informação?
É que a actualização permanente da informação e a sua acessibilidade em tempo útil por quem dela necessita para aplicar a justiça são factores fundamentais no combate à criminalidade.
Não deveríamos evitar este tipos de episódios? É assim tão difícil corrigir estes erros? Não temos outras coisas mais divertidas para fazer que andar a “brincar” aos polícias e aos ladrões?

quinta-feira, 21 de agosto de 2008

Sobreendividamento ou a história do Feijoeiro Mágico


O DN de ontem conta que 60% dos sobreendividados portugueses têm três a dez empréstimos e que, só até Julho, já quase mil famílias pediram ajuda à Deco, mais 26,2% do que há um ano. Causa perplexidade que haja pessoas a acumular empréstimos a este ponto, uns atrás dos outros, uns para tapar os outros, sei lá, deve ser um desespero ir ao banco pedir mais e mais sabendo-se que se tem cada vez menos capacidade de saldar as dívidas. Mas o que é mais impressionante é que as principais causas do endividamento são o desemprego (53%), a doença (18%), o divórcio (15%) ou seja, não será por leviandade ou consumismo fútil que se ultrapassa o orçamento familiar mas é a alteração imprevista das circunstâncias da vida que provoca a dimensão desta sangria. Será imprudência, por não se prever esses azares, será porque se vive o dia a dia sem poupar para os períodos mais negros, será porque é difícil ou se tem vergonha de reduzir o nível de vida quando o infortúnio bate à porta?
O que parece, no entanto, é que não são as viagens a Punta Cana ou a compra de automóvel de maior cilindrada que leva as famílias ao garrote, pelo menos a generalidade, mas a necessidade de sobreviver quando a vida dá uma volta má. A publicidade para incentivar o recurso aos empréstimos é tão intensa que deve ser uma tortura, para quem necessita, resistir, parece tudo tão fácil! Venha cá, nós ajudamos, de que é que está à espera? Os bancos chamam, as pessoas vão, no fim enredam-se num emaranhado que as sufoca.
Mas o mais grave é que os bancos devem saber que ainda falta cativar os mais fracos, os que são mesmo fúteis, que não precisam de dinheiro para viver normalmente mas que cobiçam bens que não caberiam nunca no seu orçamento e, esgotado o filão dos aflitos, assestam baterias aos que ainda vivem descansados. Apesar de todos os avisos sobre o alarmante nível de endividamento das famílias portugueses, a publicidade é impiedosa e tão agressiva que se torna repugnante. Já não é para se aproveitar do estado de necessidade, mas para criar essa miséria onde ela ainda não se estabeleceu. Veja-se os anúncios da Caixa Geral de Depósitos, instituição pública, nobre e respeitável, e que devia, se não ser uma referência, ao menos não dar o mau exemplo. A campanha que corre há uns dias incita ao crédito para se comprar…uma moto de água! “Já decidi, realizei o meu sonho, sem pagar nada!” Lá para Outubro, depois de umas corridas no mar com a bela máquina, logo se pensa nesse detalhe. Venha, está à espera de quê, para quê privar-se desse gosto inocente?
Ouço e ocorre-me um filme de desenhos animados que via quando era pequena, um rapaz muito pobre que chegava à porta de um belo castelo, tinha medo de entrar, assustava-o aquela imponência, mas a porta abria-se como uma boca a rir, as janelas piscavam como olhos amigáveis e brincalhões e as torres tranformavam-se em braços que acenavam para o acolher. Mal ele entrava, da porta do castelo saía uma língua medonha, que se lambia como se o tivesse tragado. Lá dentro, um gigante terrível que ele tinha que vencer para ficar com a pata dos ovos de oiro.
O sobreendividamento é uma versão para adultos da história do Feijoeiro Mágico, nem sempre tem um fim feliz.

Também nos Açores, emprego a pataco!...

Corre animada a Campanha para as Eleições Regionais dos Açores. Autonomia, autonomia, mas não há como copiar os “bons” exemplos do Continente. E em matéria de promessas de emprego, Sócrates começa a fazer escola!…
O Líder do PSD Açores, Costa Neves, revelando-se um aprumado e bom aluno, comprometeu-se em criar 14.000, nem mais um, nem menos um, 14.000 postos de trabalho nos próximos 4 anos. Se ganhar as eleições, evidentemente!...
Claro que o Presidente do PS Regional e do Governo Açoriano não podia ficar para trás e prometeu mais 18.000 novos empregos. Também se ganhar as eleições, é óbvio!,,.
Da quantidade absoluta, o despique passou para aspectos de mais fino recorte e da mais elaborada economia de direcção central.
Costa Neves pormenorizou: dos 14.000 novos postos de trabalho, “ 9.000 são para mulheres e 3.000 mil para as sete ilhas ameaçadas de desertificação”. Não referiu o destino dos 2.000 que faltam, mas pode supor-se que serão distribuídos pelas duas ilhas verdes.
De qualquer forma, fico pelo menos com uma dúvida quanto ao êxito do programa. É que, pelas contas que faço, não podendo ser senão homens esses 3.000 potenciais empregados que serão colocados nas sete ilhas desertas, não vejo, como é que, assim desacompanhados, serão capazes de repovoar as ditas…
Espera-se a contra-resposta de Carlos César, mas bacalhau a pataco será coisa que não faltará na Região!...
A cada açoriano, seu bacalhau!...

Espírito olímpico II

"...Não sou muito dada a este tipo de grandes competições, como os Jogos Olímpicos”!...
Vânia Silva, lançadora do martelo, após a eliminação
Filósofa, a nossa martelista!...

Lamentável

A crer nas crónicas, o senhor ministro Mário Lino disse aos jornalistas, referindo-se ao acidente no aeroporto de Barajas:
"Um acidente como este que ocorreu em Madrid apenas chama a atenção para uma coisa que já se sabia: a localização de um aeroporto dentro de uma cidade, de uma zona urbana, tem riscos que não deviam ser corridos".
O senhor ministro precisa urgentemente de começar a medir as palavras. Um acidente "como este" não serve "apenas" para chamar a atenção para pontos de vista políticos, por mais acertados que sejam. No momento em que se chora a perda de muitas dezenas de vidas e se imagina o sofrimento e a agonia dos familiares, sentimentos que todos deveriam saber respeitar, nada de mais lamentável do que este oportunismo.

Parabéns, Nelson!...





Nélson Évora, já campeão do mundo, acabou de ganhar a medalha de ouro olímpica do triplo salto.

Parabéns, Nelson!...