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domingo, 5 de fevereiro de 2017

Necessidades de Financiamento do Estado: mais clareza seria útil...


1.    O IGCP divulgou, em 10 de Janeiro último, o montante das Necessidades de Financiamento Líquidas (NFL) do Estado (Administrações Públicas) para 2017: €12,4 mil milhões, ou seja cerca de 6,7% do PIB.

2.     Sendo necessidades líquidas, não incluem, por definição, as amortizações de dívida que se vencem em 2017.

3.      Aquando da divulgação, o IGCP esclareceu que as NFL incluem € 2,7 mil milhões para a capitalização da CGD, a que acresce, naturalmente, o montante do défice orçamental programado, de 1,6% do PIB ou seja cerca de € 3 mil milhões.

4.    Ficam assim explicadas necessidades de financiamento equivalentes a € 5,7 mil milhões (cerca de 3% do PIB)…mas falta explicar os restantes 3,7% do PIB, ou seja mais de 50% do total das NFL…

5.    Pode ser, por exemplo, que em 2017 se pretenda efectuar reembolsos antecipados ao FMI, tal como aconteceu em 2016 (€ 4,5 mil milhões), mas nada se sabe por enquanto.

6.     Ou que se pretenda aumentar a almofada de liquidez, para prevenir tempos mais difíceis, tal como já sucedeu em 2016 (variação de + € 4 mil milhões), mas nada sabe, também.

7.    Um pouco mais de clareza nesta matéria poderia ser útil, talvez contribuísse para acalmar um pouco os mercados, quem sabe…

8 comentários:

opjj disse...

DIZ V.Exª. que em 2016 este governo deverá ter constituído uma almofada de reserva de X MILHÕES.
A ministra MARIA LUIS disse que tinha os cofres cheios. Falou-se de 18 a 20MM€ e nunca mais se ouviu nada.
Se V.Exª souber do paradeiro deste dinheiro, agradeço a informação.
Cumps.

Tiro ao Alvo disse...

Caro Tavares Moreira, não me parece razoável que se recorra a mais financiamento público, possivelmente a taxas muito acima de 4%, para fazer pagamentos ao FMI, cuja taxa, julgo saber, não será superior. Ou estarei enganado?

Tavares Moreira disse...

Caro opjj,

Desconheço o whereabouts desses fundos...mas, muito provavelmente, ter-lhes-á acontecido o mesmo que a outras formidáveis quantias arrecadadas pelo erário público: foram consumidos.

Caro Tiro ao Alvo,

Não estou certo se emitir dívida ao prazo de 10 anos - só possível a taxas (bem) superiores a 10 anos, na presente conjuntura de mercado como justamente refere - para reembolsar parte do empréstimo do FMI, será vantajoso para o Estado, como foi em 2016. Também duvido.
Mas as emissões a prazos mais curtos, menos onerosas que a do prazo de 10 anos, também podem servir para isso.
Mas nada se sabe, como refiro no Post.

João Pires da Cruz disse...

Caro Tavares Moreira,

Mas o reembolso ao FMI não se enquadra como amortização? No resto, certamente haverá uma justificação para o destino do dinheiro. O que falta mesmo é quem acredite nela.

Tavares Moreira disse...

Caro Pires da Cruz,

O reembolso ao FMI, se ocorrer tal como em 2016 e em 2015, seria um reembolso antecipado, não previsto no programa anual de reembolsos do IGCP. Por isso deverá ser contabilizado nas NFL.

Pinho Cardão disse...

Para onde vai o resto? A falta de explicação só significa que a explicação é difícil. Mas grande parte desse "resto" tem destino garantido à partida: é que pode fazer-se engenharia no défice, mas é impossīvel fazê-la na dívida...

Tavares Moreira disse...

Caro Pinho Cardão,

Para onde vai o resto é, naturalmente, a pergunta que se impõe...até agora sem resposta.
Anunciar enormes necessidades de financiamento, várias vezes superiores ao montante previsto do défice orçamental, sem justificação conhecida, parece-me não ser a política adequada neste momento de relação melindrosa com os mercados financeiros...

Richard William disse...

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