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segunda-feira, 8 de maio de 2006

Para onde vamos?

Permito-me dar um pouco mais de atenção ao tema “reforma da despesa pública”, aproveitando o interessante texto do Boletim Mensal/Abril/2006 do BCE, já aqui citado.
Para além da Irlanda, são nesse texto referidos outros 6 casos de reforma da despesa em países do Euro: Bélgica, Luxemburgo, Holanda, Espanha, Áustria e Finlândia.
Os três primeiros fazem parte, juntamente com a Irlanda, do grupo dos que mais cedo lançaram as suas reformas, meados dos anos 80.
No segundo grupo, as reformas começaram nos anos 90, já no contexto da preparação para as regras do euro (nós dormíamos ainda o sono profundo dos felizes, no qual ainda nos mantemos embora carregados de pesadelos).
O texto do BCE não deixa de referir que os restantes cinco países, Alemanha, França, Itália, Portugal e Grécia pouco ou nada fizeram para reformar as “public expenditures” ou “fiscal policies” e são também aqueles que agora não conseguem entender-se com as regras do Pacto de Estabilidade.
Importante é a conclusão segundo a qual os 7 países reformadores apresentam hoje um desempenho económico bem superior, com um crescimento potencial que é quase o dobro do observado nos restantes 5.
E não mostram, por enquanto, qualquer dificuldade em manter a disciplina das suas finanças públicas.
Para além do caso da Irlanda, é dada especial ênfase à experiência reformista da Espanha (caixa da pág. 70, para quem queira consultar o site).
Após a euforia subsequente à adesão às Comunidades Europeias – lembremos os Jogos Olímpicos de Barcelona e a Expo de Sevilha em 1992 – a economia espanhola entrou em desaceleração em 1992 e em recessão no ano seguinte (um ano de desfasamento em relação a nós), o que contribuiu para elevados défices orçamentais e para o aumento do desemprego que atingiu 24% em 1993.
A partir de 1994 foi empreendida uma importante reforma da despesa pública, concentrada no quadriénio 1994-1997.
Nos dois primeiros anos, a relação despesa pública/PIB baixou 3% e até 2004 baixaria 8%. A despesa corrente primária baixaria, no mesmo período, 6% do PIB.
Poderão por aqui concluir que a sugestão que há poucos dias avancei, de uma diminuição de 1% ao ano, durante 7 anos, na relação despesa pública/PIB, para além de indispensável não se afigura um objectivo inatingível.
Os espanhóis, para melhor garantirem o sucesso da reforma, resolveram começar em 1994/95 com um orçamento bi-anual, incluindo fortes restrições na evolução dos salários da função pública, reduções nos efectivos da função pública (rescisões amigáveis?) e significativas poupanças em transferências sociais e em subsídios.
Nos dois anos seguintes, a despesa discricionária (que não obedece a disposições legais) seria ainda mais comprimida, com ênfase no consumo público e nos subsídios.
Resultado: consolidação orçamental, redução significativa dos défices – em 2004 geraram mesmo um superavit – economia a crescer de forma invejável (para nós), redução da taxa de desemprego a menos de metade do atingido em 1993.
Entrada no euro sem problemas, beneficiando bastante da redução dos juros.
De que mais precisamos para perceber o que temos de fazer?
Vamos aceitar “PIB no fundo da U.E. até 2050” como pressagia a Comissão Europeia?!

O elogio da loucura!...

As voluntariosas e patrióticas “decisões” do Primeiro-Ministro José Sócrates sobre os projectos de investimento da nova Refinaria, em Sines, ou da Portucel, creio que em Setúbal, estão a ser postas em causa pelos serviços “competentes”.
Esta situação fez-me recordar as palavras do Dr. Jorge Coelho, há cerca de um ano, a propósito do processo da Portucale, quando referiu o seguinte: ”… não acredito que algum ministro… corra o risco de decidir contra o parecer dos serviços que prepararam o suporte à decisão. Só um louco o faria.”
Ora, se só um Ministro louco contraria o parecer dos serviços, posso então concluir:
1º Um Ministro lúcido concorda sempre com o parecer dos serviços. Mesmo se o parecer dos Serviços é louco, a concordância do Ministro é um sinal de lucidez!...
2º Mas, se o Ministro é lúcido, não vejo para que serve o Ministro, já que bastam os Serviços!...
3º Ao contrário, se o Ministro é louco, e contraria os serviços, não vejo para que servem os Serviços. Basta o Ministro!...
4º Um Ministro lúcido não faz nem serve para nada. É um mero custo!...
5º Um Ministro louco faz tudo e substitui os Serviços. É um activo inestimável!...Merece mesmo ser levado nas palminhas, já que constitui o único meio de baixar a Despesa do Estado e de reformar a Administração Pública!...
Conclusão Final: a um Sócrates lúcido, prefiro um Sócrates bem “louco”, um Sócrates capaz de formar um Governo à medida, cheio de ministros loucos!...
Comece já a remodelar, Sr. Primeiro-Ministro, que a Pátria o reconhecerá para sempre!..

Competitividade Fiscal: Agora, o Exemplo da Alemanha

Mesmo estando, desde há mais de duas semanas nos EUA – e, portanto, apesar da maravilha que é a Internet, com acesso a menos informação do que estivesse no nosso país – chegaram-me ecos, através da imprensa portuguesa que o Ministro Alemão das Finanças, Peter Steinbrueck anunciou estar o Governo daquele país a estudar uma forte redução sobre os impostos das empresas já para 2007. E a justificação foi esta: “Queremos baixar as taxas porque sabemos que estamos numa concorrência internacional”. E, apesar de se ter recusado a entrar em grandes pormenores, sobre o tema, preferindo referir que dentro em breve será apresentado um plano detalhado e quantificado, o Ministro Steinbrueck referiu que, deste modo, espera tornar a Alemanha numa pátria mais atractiva para empresas estrangeiras e, desse modo, aumentar as receitas.
Ora, como todos sabemos, e tal como Portugal, também a Alemanha não vive propriamente num “mar de rosas” orçamental… mas o que estas declarações reflectem é uma extraordinária lucidez e aderência à realidade por parte do Ministro. Terá que cortar na despesa? Óptimo, porque a consolidação orçamental saudável e duradoura faz-se sobretudo do lado da despesa. Poderá perder alguma receita, sobretudo num primeiro momento? Provavelmente, mas se ao mesmo tempo proceder a alguma simplificação do embrulhado sistema fiscal germânico, e eliminar isenções, deduções e excepções existentes, ao mesmo tempo que desce as taxas de imposto, até pode ser que não existam perdas...
Porém, ao anunciar esta descida, o Governo Alemão mostra que não dorme, e que se apercebe que não se encontra sozinho no mundo (os países da Europa de Leste estão logo ali ao lado, e são tão competitivos fiscalmente!…). E a Alemanha é bem mais competitiva do que Portugal e até tem crescido mais…
Julgo que este exemplo mostra, uma vez mais, a falta de acerto do nosso Governo em matéria fiscal. Pois se nem os Grupos de Trabalho criados para simplificar o nosso sistema fiscal apresentaram ainda trabalho!... E depois, é evidente que não podemos, por motivos orçamentais, descer taxas de imposto, coeteris paribus. Mas se simplificarmos ao mesmo tempo o sistema fiscal, creio que podemos baixar taxas de imposto até um certo limite, que não perdemos receita. E é a isto que não nos podemos permitir: não podemos perder receita; agora, baixar taxas de imposto e simplificar o sistema fiscal, não vejo por que tal não possa ser prosseguido.
Até porque basta olhar o mundo em redor para nos apercebermos que esse é o caminho, juntamente com o que de (positivo) o Governo tem anunciado noutras áreas... parecendo, contudo que, nesta, está desatento… e quem para somos todos nós.
A este propósito, aliás, não posso deixar de citar a Dra. Manuela Ferreira Leite que, há cerca de duas semanas atrás referiu, a propósito da trajectória orçamental escolhida pelo actual Governo, que "(…) Não é viável nós pensarmos que a nossa carga fiscal vai aumentar, nós temos todos que trabalhar para que a carga fiscal se reduza e enquanto não conseguirmos reduzir a carga fiscal, o país não vai crescer (…)". Sem dúvida, não poderia concordar mais. Só que isto já era perceptível desde 2000/2001 e, desde então para cá, infelizmente, muito pouco ou quase nada foi feito nesta matéria. Até o que tinha sido prometido foi adiado e, depois, “dissolvido”… E agora… um zero absoluto. Com os prejuízos que todos conhecemos... Será que nem os exemplos que chegam de fora nos abrem os olhos?!...

Por Terras do Tio Sam – Maio 07, Domingo – Capítulo 16

E pronto, já estou de volta à Costa Leste – que é como quem diz, mais perto de casa! Boston é, desde há poucas horas, “minha residência” até à próxima quarta feira de manhã, quando partir para a última etapa, rumo a New York.

Saímos do hotel em Dallas pouco depois das 8 da manhã, apesar de só termos voo próximo das 11 horas porque não só ainda são cerca de 30 kms até ao aeroporto, como tínhamos que entregar o automóvel alugado, o que, ao contrário do que tinha acontecido em Seattle, não era no próprio aeroporto, ainda que não fosse longe.

Depois foi o check-in e a decisão sobre se haveria ou não de levar “farnel” no avião, porque, uma vez mais, se no voo quiséssemos comida, ou a pagávamos, ou a levávamos nós. Como de Chicago para Seattle tinha levado uma refeição McDonald’s, e de Seattle para Dallas tinha decidido nada levar e nada comer, agora só me restava uma alternativa para experimentar neste voo da American Airlines: comprar a “tal” comida no avião, para ver como era. E, enfim, descontando que se tratava de comida de avião – se é que me percebem… - e que custou USD 4, não me parece que fosse assim tão mau: aperitivos tipo cheetos com sabor a queijo, caju e amendoins, duas crackers com queijo para barrar, uma salsicha fumada, frutos secos (passas e pedacinhos de maçã, essencialmente) e quatro bolachinhas de manteiga. As bebidas (desde que não alcoólicas), eles (ainda) oferecem aos passageiros (as alcoólicas pagam-se, o que também acontece em voos internacionais de companhias de aviação norte-americanas). Enfim, apesar de tudo, para mim foi melhor do que o McDonald’s da outra vez (que foi novamente a opção do Marc e de muitos outros passageiros), e parece-me que sempre que tornar a viajar em voos domésticos nos EUA optarei por esta possibilidade.

A viagem em si fez-se bem. Foram pouco mais de 3 horas tranquilas, nas quais me tornei fã do puzzle japonês Sudoku, que parece estar na moda em todo o lado e que consiste em completar uma tabela 9X9, com números de 1 até 9, garantindo que em nenhuma linha, coluna, ou caixa 3X3 existam números repetidos. Assim explicado, até parece fácil, mas experimentem!... Existem três níveis: fácil, médio e diabólico – mas mesmo o "fácil", asseguro-vos que de fácil tem muito pouco.

Uma vez tendo aterrado no Logan International Airport, que serve Boston, como aqui não há carro para alugar, apanhámos um táxi e, mal cheguei ao Doubletree Hotel Boston - Downtown, dirigi-me – claro! – ao fitness center, não só porque de manhã não tinha havido tempo para o habitual jogging mas também porque, por ser domingo, o encerramento era às 17 horas. Por isso, só pude correr um bocadito – o que, mesmo assim, foi melhor que nada!...

Tal como os outros hotéis em que tenho ficado, este é muito simpático, sem luxos, mas muito cómodo, eficiente e bem localizado.

O jantar foi aqui ao pé – uma salada, para contrastar com as carnes todas do Texas (muito se come por lá, como de resto um pouco por todos os EUA!...) -, num bar-restaurante que, de acordo com o que me foi explicado, é o segundo mais antigo de Boston e se chama Jacob Wirth.

Agora é hora de actualizar o diário e, a seguir, ainda vou colocar um outro breve post sobre uma matéria que muito me interessa (como verão, se o lerem!...) e depois é hora de descansar, porque amanhã e terça temos o Programa de Boston que, como verão nos posts relativos a cada um dos dias, é bem interessante.

Até amanhã, então!

domingo, 7 de maio de 2006

A ler...

...de Paulo Gorjão, no Bloguitica, "Tudo na mesma?"

Um fim-de-semana repleto de factos inesperados

  • Marques Mendes foi eleito lider do PSD por uma esmagadora maioria dos votos expressos nas primeiras eleições directas.
  • José Ribeiro e Castro obteve uma vitória "clarificadora" no Congresso do CDS.
  • Freitas do Amaral desmente as suas declarações ao ´Expresso´.

Custa a digerir tanta inesperada novidade em tão pouco tempo!

ADENDA

  • O Sporting acede directamente à Liga dos Campeões (e Benfica consegue segurar 3º lugar)

No reino da procriação...

... para alimentar a segurança social.
Ouvi o anúncio do Governo - era um anúncio ou mais um daqueles testes para ver se pega? - sobre a penalização dos casais que não têm filhos, no tocante aos descontos para a segurança social.
Primeiro julguei que era uma brincadeira. Depois pensei que ainda não sabiam bem o que queriam. Agora tenho a certeza que decidiram disparatar.
Todos sabemos que aquilo que hoje descontamos não fica "guardado" para nos ser pago aquando das nossas reformas. É gasto nas pensões que hoje são pagas.
E por isso, sabemos que são os nossos filhos que irão pagar as nossas reformas.
E também sabemos que quem não tem filhos tem um rendimento disponível substancialmente superior aos casais que têm filhos.
Mas pretender criar um mecanismo de agravamento com base na inexistência de filhos é como abrir a caixa de pandora:
- a partir de que idade é que se considera que uma pessoa deve ter filhos?
- como se aplicam os agravamentos a um pai ou uma mãe que tem filhos mas que não contribuem para o seu sustento?
- como se tratam as situações de adopção?
Basta pensar um pouco, para facilmente se criarem uma dúzia de situações que não "encaixam" no sistema.
Mas há uma pergunta incontornável: como é possível defender este sistema de agravamento e simultaneamente pretender despenalizar o aborto a pontos de colocar o próprio Estado a pagar os respectivos actos médicos?
Nota: Antes de colocarem algum comentário sobre o meu "conservadorismo", quero esclarecer que sou casado, tenho dois filhos e defendo a despenalização do aborto.

Elejam-se os serviços, nomeiem-se os políticos!...

Para quê eleições de políticos, se os serviços é que nos governam?
Na sua excelente Nota com o título “A insustentável leveza de uma governação mediática”, e a propósito do projecto da nova refinaria de Sines, o Ferreira de Almeida chamou a atenção para o frenesim propagandístico de novos investimentos por parte do Primeiro-Ministro e do Governo, sem cuidarem de se assegurar que todas as premissas estão devidamente asseguradas para trazerem aos projectos um final feliz.
No final de contas, o efeito psicológico que um louvável, se prudente, voluntarismo Primeiro-Ministro pretenderia alcançar, de mostrar a confiança dos empresários e a capacidade de realização do Governo, acaba de se voltar contra si próprio, com grande prejuízo para todos.
No entanto, e não podendo ser acusado de “socrático” e, muito menos, de socialista, sou levado a crer que nem todos os projectos já anunciados (não incluo aqui o da OTA ou do TGV) estariam assim numa fase tão preliminar de análise, que tivesse levado o Primeiro-Ministro a publicitá-los, sem uma presunção firme de que viriam a ser aprovados. A última coisa que Sócrates quererá é morrer pela boca, transformando cicuta em promessas.
A ser assim, só posso explicar as dificuldades existentes pela “captura” e aprisionamento do Primeiro-Ministro pelo poder da burocracia instalada e da rendosa pressão ambientalista (e não falo do Governo, porque esse já foi “capturado há muito!...)
Parece-me efectivamente que Sócrates tem uma real vontade de acabar com procedimentos inúteis, com circuitos burocráticos paralelos, com demoras que propiciam a corrupção.
E é aqui que os burocratas se levantam, ao verem atingido o âmago dos seus poderes: pois que é isso de anunciar projectos sem a “nossa” assinatura formal, que é isso de pôr limites à imensa e rentável cadeia de pareceres instituída? Sem isso, a que é que ficamos reduzidos?
Jorge Coelho, com a sua reconhecida inteligência prática, reconheceu bem esses poderes com uma frase lapidar, a propósito de um tema que também metia ambientalistas, o caso Portucale: "Ministro que não segue o parecer dos serviços é louco!..."
A questão é essa: estamos entregues aos serviços!...
Para quê, então, eleições para políticos, se os burocratas é que governam?

Por Terras do Tio Sam – Maio 06, Sábado – Capítulo 15

Foi um dia recreativo e cultural o último que passámos em Dallas.

De manhã, para além do jogging a que tento - e tenho conseguido! - submeter-me todos os dias, fiquei no quarto do hotel a tentar "colocar-me em dia" com Portugal, através do e-mail e das notícias que a Internet nos traz.

Por volta da uma da tarde, veio buscar-me ao hotel o Dr. Joseph Henry Mendenhall, Jr. German Teacher at L. D. Bell High School, que me levou a conhecer Southfork Ranch e uma das melhores, maiores e mais recentes zonas comerciais de Dallas, o North Park Mall. No Southforf Ranch as Dras. Bonita Tan e Marina Labuz juntaram-se a nós. Tratou-se de mais uma organização do World Affairs Council de Dallas, que tem sido impecável e irrepreensível em todos os aspectos. Desta vez fui sozinho não tive a companhia do Marc, que preferiu ficar por sua conta em Dallas, visitando alguns museus, suponho eu (de que abdiquei porque queria mesmo fazer o programa de hoje, e porque me pareceu que esses museus teriam pouco a ver com a realidade texana).

O Southfork Ranch, como penso que (quase) todos sabem, era a propriedade em que residia a família Ewing, tornada famosa na série "Dallas", que passou em 96 (!) países de todo o mundo (incluindo Portugal) no final dos anos 70 e em boa parte da década de 80. Quem não se lembra de J.R. Ewing, o “mau da fita”, do seu irmão “bonzinho” Bobby Ewing, das suas mulheres, Sue Ellen e Pamela, respectivamente, ou dos pais, Jock e Ellie Ewing? Pois é, creio que todos nos lembramos…
E foi realmente interessante ver o que é hoje o Southfork Ranch. À boa maneira americana, foi convertido numa atracção turística que nos faz recordar a série "Dallas" em todos os pormenores. Tem, obviamente, uma gift shop, um restaurante, e existe um visita guiada, num tractor com um atrelado enorme que nos leva a ver a casa, a piscina com as mesas onde os Ewing tomavam o pequeno almoço (lembram-se?), a propriedade, o carro de Jock Ewing (um Lincoln antigo), enfim, tudo. Porém, nem todo esse "tudo"é como parecia ser na série. Desde logo, porque apenas os exteriores eram filmados ali; todos os interiores foram filmados nos estúdios da produtora, em Hollywood. Portanto, ainda que se possa visitar a casa por dentro, com excepção da sala, arranjada para se parecer com o salão dos Ewing, ela tem pouco a ver com os interiores que víamos na televisão. E a casa e a piscina são, na realidade, bem mais pequenas do que apareciam no ecrã. Como eram “transformadas”? Bem, com os habituais “truques” cinematográficos, nomeadamente com lentes e câmaras especiais. Até a longa estrada que era percorrida pelos bólides da família desde o portão até ao casario é, na realidade, bem mais curta, pelo que segundo me explicaram, eles faziam o trajecto várias vezes, até que tudo era depois montado de modo a parecer um percurso enorme. Técnicas cinematográficas…

Enfim, lá visitámos tudo aquilo e vimos também o museu, onde, para além de até existir uma árvore genealógica da família Ewing, se pode ler a história da série, os relatos nas revistas da época, e como estão, e o que fazem hoje os actores que contracenavam em "Dallas"!...

Depois visitámos então o tal North Park Mall – o tal onde já tinha estado, mas muito de fugida, para comprar os óculos – e, posso assegurar-vos que, se acham o Centro Comercial Colombo grande, bem, então este, não sei como o qualificar: julgo que terá pelo menos o dobro da área do Colombo… com imensas lojas de toda a variedade de artigos e produtos e, como hoje foi sábado, estava cheio, mas mesmo cheio de gente.

Em seguida, e antes de regressar ao hotel, ainda passámos no Central Market, um supermercado onde se vendem vinhos internacionais e onde, obviamente, existem também vinhos portugueses. Embora a variedade não fosse muita – não era tão grande como a que encontrei na Spanish Table de Seattle - , sempre consegui comprar uma garrafa de Santa Fé de Arraiolos tinto (produzido por Bacalhôa, Vinhos de Portugal, S.A.), de 2004, que ofereci aos nossos anfitriões na home hospitality que se seguiu.
De facto, às 18 horas, já novamente com o Marc, encontrei-me no hotel com o Prof. Pedro Lopes – é verdade, um português! – que nos conduziu à sua casa, nos arredores de Dallas, onde jantámos na sua companhia e da sua família: a mulher, Jennifer Lopes, e os sogros, Dianna e Deon. As duas filhas do casal, Lisbon, de 3 anos, e Francesca, de 1 ano e meio, fizeram apenas uma esporádica aparição, pois estavam já nos preparativos para se deitarem.
Os Profs. Pedro Lopes e Jennifer Lopes são ambos doutorados e leccionam Espanhol (os dois) e Português (só o Pedro) no Richmond College e residem aqui na região há cerca de um ano, embora ele, que é português, tenha vindo para os EUA há cerca de 10 anos, para fazer o Doutoramento (ela é norta-americana).
Durante as viagens (ida e volta) falei sempre em português, e com alguém que também nasceu em Setúbal como eu (vejam bem a coincidências, apesar de depois ter ido viver para Braga), e que conhece bem os problemas do país pois, apesar de estar ausente há cerca de uma década, vai a Portugal pelo menos uma vez por anos, segundo percebi. Na sua vivenda – muito simpática, tipicamente americana – falou-se sobretudo em inglês, pois apesar de a Jennifer entender e se expressar fluentemente na nossa língua, os seus pais (sogros do Pedro) não a percebem nem falam.
Foi um serão muito agradável, onde muito se falou de Portugal e dos EUA, sobretudo do Texas, e das experiências profissionais e de viagens de cada um, entre outros assuntos. A ementa? O aperitivo foi batatas fritas com guacamole e depois, como prato principal, tivemos bifes de porco no churrasco - é verdade, assados (ou deverei dizer, grelhados?) naqueles aparelhos/grelhadores BAR-B-Q que os norte-americanos têm nos quintais de casa e que usam em churrascos, como se vê nos filmes e séries oriundos dos EUA - , acompanhados por grits, que é uma espécie de puré-de-batata, só que feito com milho (e que é muito saboroso), e bróculos, tudo acompanhado com molho Bar-b-q (tal como no jantar de véspera, em Fort Worth).
De sobremesa, um saboroso bolo de chocolate.
E foi, portanto, assim, que tive a minha dose de refeição texana familiar, ainda que a família fosse, de facto, meio… portuguesa, o que acabou por tornar tudo (ainda) mais agradável!...

E agora que regressei ao hotel, depois de escrever este diário, irei fazer rapidamente as malas e dormir – já é quase meia noite - , uma vez que amanhã a alvorada é às 6:30 horas para regressarmos à Costa Leste dos EUA: o destino, agora, é Boston, e vou ficar no fuso horário com que iniciei a minha estadia aqui nos States – o que significa que vou estar mais próximo de casa!...

De toda a forma, devo referir, para concluir que, tal como sucedeu em Seattle, ter conhecido Dallas – e o Texas – foi uma experiência óptima e a merecer certamente um bis!...

Até amanhã a todos, já com menos horas de diferença de Portugal!

sábado, 6 de maio de 2006

Por Terras do Tio Sam – Maio 05, Sexta – Capítulo 14

O último dia do Programa em Dallas – amanhã é Sábado e teremos actividades recreativo-culturais, e domingo partimos para Boston.

Pela manhã tivemos uma reunião na Exxon Mobil Corporation, uma das maiores companhias petrolíferas (e não só…) do Mundo, sedeada em Dallas. O nosso anfitrião na sede social da empresa, nos arredores de Dallas e numa zona muito verde – mais parecendo environmental friendly –, foi o Dr. David Bailey, Manager, Government Relations & Issues.O encontro foi muito interessante, tendo-nos sido apresentada a companhia, a sua actividade, a sua presença a nível interno e mundial (encontram-se também presentes em Portugal, onde a "Exxon Mobil" passa a "Esso", tal como em outros países - até porque a Mobil, na Europa, foi adquirida pela BP), o mercado do petróleo e de outras fontes energéticas, as perspectivas para a empresa e a indústria petrolífera, os elevados preços do petróleo e o seu impacto quer na empresa (que também compra crude, apesar de o produzir e que, portanto, é igualmente afectada pela actual alta do preço) quer na economia. Falou-se também de Portugal e da sua elevada dependência petrpolífera (a maior, de entre os países da UE-25), do “estado” de outras fontes energéticas no nosso país, enfim, uma multiplicidade de assuntos que nos levaram até ao meio-dia.

Depois, foi hora de ir buscar os meus óculos e de almoçarmos – desta vez, a ementa foi mexicana (há uma enorme variedade de restaurantes mexicanos aqui no Texas, em virtude de este Estado fazer fronteira com o México e de muitos mexicanos aqui residirem). A seguir, despedimo-nos do Sean McAuley, que só nos acompanhou nas visitas e reuniões que tínhamos agendadas em Dallas; nas actividades recreativo-culturais não estará presente.

O início da tarde foi passado no hotel, a colocar algumas “matérias portuguesas” em dia e, por volta das 17 horas, veio ter connosco o Mr. Tony Kukreti, Residential & Commercial Relocation Specialist, igualmente contratado pelo World Affairs Council de Dallas, que nos levou a jantar e nos acompanhou a um rodeo em Fort Worth.
Nesta cidade que, tal como Dallas, é servida pelo Dallas-Fort Worth International Airport, fomos jantar a uma zona próxima do The Cowtown Coliseum - histórico, segundo "eles", por ter sido o primeiro recinto de rodeos coberto a nível mundial - onde teve lugar o rodeo.
É uma zona em que parece que estamos no antigo faroeste, com as ruas empedradas (de propósito, claro) e saloons de um lado e outro que, contudo, por dentro, ou são gift shops, ou restaurantes. Tudo muito bem preparado para atrair turistas…
Jantámos no Riscky’s, um restaurante que nos tinha sido recomendado. Tivemos uma refeição tipicamente texana que, no meu caso, consistiu numa salsicha fumada enorme (tipo Frankfurt), com batatas fritas, feijão e legumes, tudo com molho bar-b-q (pelo menos é assim que “eles” o escrevem…). A acompanhar, uma cerveja mexicana Corona, muito leve e que também é familiar dos portugueses (já há alguns anos que é vendida no nosso país).

O rodeo foi uma experiência muito interessante, com os tradicionais – segundo me disseram, porque nunca tinha assistido a nenhum por inteiro, nem na televisão, onde só tinha visto excertos – números de montar um touro (enorme) e conseguir aguentar-se “lá em cima” durante 8 segundos; as provas de laçar um vitelo, quer por um cowboy a cavalo (que depois tem que desmontar rapidamente e atar três das quatro patas do vitelo), quer por dois (em que o segundo tem que lhe laçar as patas traseiras); e a prova de destreza e velocidade, em que um cowboy a cavalo tem que tornear, no mais breve espaço de tempo possível (e estou a falar de pouco mais de 10 segundos…), três obstáculos estrategicamente colocados no recinto, apanhando penalizações de 5 segundos por cada derrube de obstáculos. Ah, e claro, à boa maneira americana, sempre com muitos intervalos, em que há imensas distracções que mantêm o público entretido.

Tendo começado às 8 horas da noite, o espectáculo terminou pouco depois das 21:30 horas, o que ainda nos deu tempo para, no regresso ao hotel e já em Dallas, termos passado pela zona onde, em Novembro 22, 1963, foi assassinado o Presidente John Fitzgerald Kennedy. Aí, hoje, na Dealey Square ergue-se, em sua homenagem, o John Fitzgerald Kennedy Memorial (um símbolo de paz, construído em 1970), encontrando-se assinalados com cruzes, na estrada contígua, os dois locais em que o Presidente Kennedy foi baleado naquele fatídico dia de 1963. Não deixa de ser um encontro marcante com a história que, pelo menos a mim, me deixou bem pensativo…

Enfim, de regresso ao hotel, ouço lá fora o barulho de trovões, pelo que acho que se avizinha mais uma tempestade, que por aqui são muito frequentes. Aliás, ainda na noite passada, fui acordado por uma, bem violenta, por volta das 3 das manhã e que, durante mais de meia hora, fustigou a cidade e arredores. Mas, apesar disso, o calor que se tem vivido todos os dias (em redor de 30 graus, por isso poderão imaginar como será no Verão…) teve continuação durante a noite (só ligeiramente a temperatura baixou), pelo que não são as tempestades que tornam o Texas mais "fresquinho"…

Amanhã, o último dia aqui em Dallas continuam as actividades recreativo-culturais, que terminam com mais uma experiência de home hospitality (tive a primeira em Seattle), a última que viverei nesta minha viagem.

E, como sempre, cá estarei, no final do dia, a dar conta do que pude conhecer e experimentar.

Boa noite a todos e até amanhã!

sexta-feira, 5 de maio de 2006

Um cansaço assaz oportuno...

Em Janeiro de 2005, escrevi neste blog sobre Freitas do Amaral.
Na altura, Freitas acabara de dar um passo que já se antecipava - a colagem ao PS.
Agora, ficamos a saber pelo Expresso que está cansado de estar no Governo ou que o Governo o cansa: "Chego ao fim do dia completamente estoirado", afirma.
Convenhamos; não é forma de anunciar um problema de saúde; nem de confessar o peso da idade.
Haverá segunda intenção neste anúncio?
O tempo o dirá.
Mas ao afirmar que "não precisa de provar mais nada na vida política", denota uma situação de esgotamento, desencanto e até desinteresse pelo papel que tem que desempenhar como MNE, em particular quando é o responsável pela preparação da presidência portuguesa da UE em 2007.
Esta atitude só se compreende num Ministro que está a anunciar a sua saída do Governo.
E vai criar um problema ao Primeiro-Ministro e ao PS - uma remodelação!
Freitas do Amaral no passado acabou zangado com a direita e o centro.
Agora caminha para se zangar com o PS.
Ainda acaba como a figura mais detestada pela classe política portuguesa.

Estádio ecológico...


E não é um sobreiro!...
Uma sombrinha sabe sempre bem!

A insustentável leveza de uma governação mediática

Parece irremediável o abandono da intenção de investimento numa nova refinaria, protagonizada por Patrick Monteiro de Barros.
O caso suscita-me duas breves notas.
Infelizmente confirma-se o que muitos suspeitaram: a ligeireza dos anúncios do senhor Primeiro-Ministro de muitos e vultuosos investimentos. Anúncios que têm escassos meses e que, nas palavras do chefe do governo, demonstravam a imensa confiança dos empresários na evolução positiva da economia do País e, logo, na capacidade de realização deste governo.
Afinal, uma de duas: ou a confiança dos empresários nunca foi a que o governo imaginou (face até às exigências conhecidas para concretização deste projecto); ou então foi o governo que depressa perdeu a confiança nos empresários.
Segunda nota. Se for verdade o que foi tornado público, o projecto da refinaria vai por água abaixo porque o governo não se definiu - ou não se definiu a contento das pretensões dos empresários - quanto à comparticipação pública no investimento inicial e no pagamento do encargo decorrente do nível de emissões de CO2 provocadas pela nova refinaria.
Se assim foi, acho espantoso.
A irresponsabilidade de anunciar como certo um investimento que dependia da ponderação de condições que pelos vistos não estavam criadas e, pior do que isso, não estavam estudadas (uma delas, a questão das emissões, necessariamente do conhecimento do Engº Sócrates, ex-ministro do Ambiente!), pode custar ao País bem mais do que a deserção de um projecto, por muito importante que se revele na conjuntura actual. Pode justamente atingir aí, onde a crise tem raízes: na confiança de quem tem condições para investir e na credibilidade geral das medidas de política que com pompa e circunstância são tornadas públicas.
Sempre me pareceu que a leveza da política prisioneira das preocupações mediáticas, teria um alto preço. Está, para nossa desgraça, a confirmar-se.
Desejo patrioticamente que este sentimento se desvaneça com futuros anúncios de concretização dos grandes investimentos na mesma ocasião anunciados. O País agradeceria. E os resultados das sondagens, então sim, compreender-se-iam melhor.

Argumentação extravagante!...

Não há fábrica, nem golfe, nem casa, nem ponte, nem mesmo caminho, onde a Quercus e as outras associações ditas ambientalistas não vejam a mão do diabo ou da especulação para destruir o nosso doce “habitat”.
Qualquer buraco é um monumento natural, qualquer espécie animal é vaca sagrada.
Dadas as carências de refinação a nível mundial, ao ponto de na Câmara de Deputados dos EUA se ter discutido apoio estadual a novos investimentos no sector, um grupo industrial propôs ao Governo o projecto de uma nova refinaria em Sines.
Pois este novo projecto da refinaria de Sines é agora o cavalo de batalha para a Quercus.
Na contestação ao projecto, vem usando até um argumento aparentemente sedutor, e que consiste em referir que as emissões da refinaria e das novas centrais de ciclo combinado representam um quarto do total das licenças de emissão de CO2 atribuídas à indústria portuguesa pelo actual plano e, como tal, põem em causa outros projectos.
A argumentação é linda, para além de extravagante!...
Não se deve autorizar a refinaria, porque põe em causa outros projectos; como estes não existem, tem que se esperar que apareçam; quando e se aparecerem, já lá vai a oportunidade do investimento na refinaria!...
Não há aqui nada de política, apenas a salvação da humanidade, claro!....
Com menos emprego e mais dificuldades para os portugueses, mas sem emissões!...
Mas é assim que se vão alimentando as organizações políticas que fazem da exclusão e da miséria humana o lastro para a sua afirmação.
Lamentável é que o Ministério do Ambiente, por acção ou omissão, se vá tornando uma mera sucursal destes fundamentalismos.

Por Terras do Tio Sam – Maio 04, Quinta – Capítulo 13

O primeiro dia do Programa em Dallas iniciou-se às 8:45, hora a que saímos do Hotel para a University of Texas at Dallas. No lobby do hotel estava à nossa espera o Dr. Sean McAuley, que nos acompanhará nas visitas locais que temos programadas. O Dr. Sean McAuley é britânico, mas está a viver em Dallas desde Fevereiro último, e trabalha no World Affairs Council, entidade local que, em conjunto com o Department of State, tratou dos pormenores da nossa estadia nesta cidade do Texas.
Na University of Texas at Dallas – que ainda fica a umas boas milhas da cidade – tivemos uma manhã muito interessante, com os Professores Adolf Enthoven, Professor of Accounting e Director, Center for International Accounting Development School of Management and Administration, Douglas Eckel, Director of Corporate Relations e David Springate, Finance Professor, Associate Dean for Executive Education.
Foi-nos mostrado o campus universitário, enorme (tal como as cidades, as ruas, os edifícios, etc. também o são no Texas) mas muito bem concebido e também muito recente. Enquanto fazíamos o tour, fomos trocando impressões sobre o estado da educação nos EUA e em Portugal, as ambições da Universidade, as suas relações com o mundo empresarial – em que sobressai a nossa bem conhecida Texas Instruments, Inc. – as possibilidades de aprofundar relações com instituições universitárias em Portugal, entre outros Tivemos, ainda, no Center for International Accounting Development, contacto com os alunos – todos eles estrangeiros, incluindo alguns de Angola e do Brasil, países com interesse especial na área petrolífera – que estão a frequentar um Programa de Pós-Graduação, intitulado Advanced International Program in Oil and Gás Financial Management, e que resultou de uma parceria da universidade com a KPMG. Aliás, o Prof. Adolf Enthoven – uma simpatia! – foi ao ponto de me ter apresentado a toda a turma como convidado desse dia – o que, naturalmente, fez com que tivesse proferido algumas palavras de apresentação, agradecimento e circunstância.
A University of Texas at Dallas é actualmente frequentada por cerca de 15 mil alunos, entre licenciatura e pós-licenciatura (pós-graduações, mestrados, etc.) – o que, apesar de ser elevado (sobretudo para nós), fica muito abaixo de outras universidades, mesmo texanas, como a de Austin, por exemplo, frequentada por cerca de 50 mil alunos.

Almoçámos no refeitório da Universidade e às 12:45 partimos em direcção ao nosso encontro seguinte, na Greater Dallas Chamber, onde, às 13:30, nos esperavam os Drs. David Michaelsen, Manager, International and Technology Business Development e Robert Hudspeth, Financial Consultant and Advisor to Greater Dallas Chamber.
Tratou-se de uma reunião muito produtiva e interessante, em que nos foi apresentado o panorama das relações com o exterior do Estado do Texas e da região de Dallas-Fort Worth com o exterior – em que predominam as relações com países asiáticos (os primeiros 6 lugares, e 7 nos 10 primeiros lugares, sendo que os outros três são europeus; a China surge numa posição já destacadíssima em primeiro lugar).
De acordo com os nossos anfitriões, o Texas tem vindo a crescer continuamente acima da média dos EUA, e a ganhar quota em termos nacionais, quer em termos de riqueza, quer de população. Segundo o Dr. Robert Hudspeth, se o Texas fosse um país independente, seria o 10º do mundo (a Califórnia, primeiro Estado dos EUA, seria o 7º).
Falou-se ainda de relações laborais na Europa, nos EUA e no Texas que, devido a legislação própria (que cada Estado, dentro de certos limites, pode adoptar), tem dos mercados mais flexíveis dentro do-já-de-si-flexível mercado norte-americano, para além de não tributar nem famílias, nem empresas (tributa as vendas – sales tax – e os bens imóveis, entre outros impostos menores, e é assim que angaria receitas estaduais). O resultado? A instalação, no Texas, de grandes multinacionais – Nokia, Nortel, Alcatel, Samsung, Ericsson, Lufthansa SkyChefs (serviço de catering da Lufthansa), entre outros – portadoras de novas tecnologias, potenciadoras de empresas e actividades satélite e que, assim, geram mais emprego. Ora aqui está mais um exemplo – e na maior economia do mundo – como a competitividade fiscal não é nenhum mito; pelo contrário, é uma realidade e bem visível. Quem dera que, entre nós, o Engº Sócrates percebesse isto!...
Depois, fruto da experiência internacional do Dr. Robert Hudspeth, ainda acabámos por percorrer sistemas fiscais e de segurança social em alguns países asiáticos, como Singapura e Hong-Kong, tendo este tema surgido devido à dificuldade que EUA e Europa têm vivido ultimamente nestas áreas.
Enfim, foi um encontro muito produtivo, não só devido aos temas que tinham a ver directamente com a Greater Dallas Chamber, mas também aqueles que, mais lateralmente, foram sendo proporcionados.

Às 14:45, arrancámos rumo ao último encontro de hoje, noa arredores de Dallas novamente, na Mary Kay, Inc., gigante mundial na venda directa ou porta-a-porta de artigos de cosmética e beleza, sobretudo femininos. Esta empresa surgiu em 1963, quando a sua fundadora, Mary Kay Ash, resolveu investir todas as suas economias – USD 5 mil, muito dinheiro na época – no negócio acima referido, e que haveria de florescer de forma surpreendente. Esta empresa, cuja fundadora foi presidente até falecer, em 2001, encontra-se também presente em Portugal, e tem como cor distintiva o rosa, o que até se nota nas viaturas que são imagem de marca e que utiliza nas suas acções de campanha: Cadillac, nos EUA, Mercedes, na Europa. As suas unidades fabris são apenas 2: uma em Dallas (sede da empresa) e outra… adivinhem? Pois é: na China! E já desde 1995!... De qualquer forma, para quem pense que esta forma de venda porta-a-porta não dá resultado, sempre lhes digo que, por exemplo, as suas vendas globais em 2005 totalizaram cerca de USD 2.2 mil milhões; e que possui mais de 1.6 milhões de consultoras de beleza em todo o mundo (está presente em mais de 30 países). Chega?!...
Bem, na Mary Kay, Inc., estivemos com Kerry Tassapoulos, Vice-President, Government Relations and Compliance e também com Nathan P. Moore, Senior Vice-President, General Counsel & Secretary, e, depois de nos ter sido apresentada a empresa (um dos maiores sucessos nascidos em Dallas), visitámos o edifício sede, de natureza executiva e administrativa – que tem 13 andares, número de sorte para Mary Kay Ash, que iniciou a actividade numa sexta-feira, Setembro 13, 1963 – o gabinete da fundadora, que se mantém igual ao dia em ela faleceu, o museu (que conta a história da empresa e da sua fundadora, claro...), enfim, mais de uma hora de visita no total e uma experiência muito interessante, até porque muito diferente de tudo o que tínhamos visto até agora.

Depois foi tempo de visitar um grande e moderno centro comercial de Dallas, onde tentámos – e conseguimos! – arranjar uns óculos graduados para mim, porque entretanto perdi os meus, não tendo sequer a noção de onde os deixei… ora como preciso deles para ver, sobretudo ao longe (e ainda tenho eventos culturais muito interessantes, como verão em futuros relatos...), lá recorri a uma consulta com um médico local, integrado numa loja enorme – um serviço que também já muitas lojas especializadas praticam em Portugal –, escolhi uma armação e… amanhã de manhã tenho os óculos prontos!...

Por volta das 7 da tarde chegámos ao hotel e logo me liguei à Internet para colocar trabalho e notícias de Portugal em dia e, mais tarde, escrever este diário. Devido ao cansaço, hoje jantei no quarto e agora é hora de dormir, porque amanhã novo dia intenso nos espera!...

quinta-feira, 4 de maio de 2006

Desculpem o incómodo...

... mas alguém se apercebeu que vai haver "directas" no PSD?
Que o País está interessadíssimo nesta eleição?
Que a disputa mobiliza os militantes do PSD?
Que a comunicação social tem dado grande destaque a este acontecimento?
E que a opinião pública...

Gravidez ultra serôdia!


Já não é a primeira vez que uma mulher engravida após a menopausa. Desta feita, uma britânica, de 63 anos, está prenhe graças às técnicas de fertilização in vitro utilizando óvulos de dadora e espermatozóides do marido. O médico responsável foi o polémico italiano Severino Antinori.
Um perfeito disparate que, no caso vertente, ainda apresenta outra particularidade. A senhora é médica e, ainda por cima, psiquiatra infantil!
Além dos riscos inerentes para a senhora, a criança tem uma grande probabilidade de vir a sofrer no seu desenvolvimento e até ser privado da mãe, por motivos óbvios. Claro que há sempre alguém que poderá invocar o facto de muitas crianças terem perdido as suas jovens mães e, mesmo assim, não deixaram de se criar.
A fertilização in vitro deve ser considerada como uma forma de ultrapassar determinados problemas, permitindo a concretização do sonho da maternidade e paternidade, e não como um capricho. Neste caso a senhora é mãe de dois filhos.
A necessidade de legislação específica é fundamental para por cobro a estas situações de mães ultra serôdias. De qualquer modo, haverá sempre países em que será possível realizar caprichos deste cariz e, atendendo ao envelhecimento da população, não vai faltar procura, pondo em causa o velho provérbio: “homem velho e mulher nova filhos até à cova”.

Para onde vamos?

Vale a pena divulgar o que a Irlanda conseguiu, em matéria de reforma da despesa pública, e nos imensos benefícios que a sua economia retirou dessa corajosa e lúcida opção política assumida na segunda metade dos anos 80.
Recordo que a Irlanda, hoje apontada como um caso notável e invejável de sucesso na sua gestão macroeconómica, se encontrava há cerca de 20 anos numa situação algo semelhante àquela em que nos encontramos hoje em Portugal: (i) economia deprimida; (ii) desemprego a crescer, próximo dos dois dígitos; (iii) inflação muito elevada; (iv) défices orçamentais crescentes e aparentemente incontroláveis, (v) dívida pública acima de 100% do PIB.
Após um primeiro período de contenção iniciado em 1983, a Irlanda adoptou em 1987 um Programa de Recuperação Nacional, cujo elemento central consistiu numa profunda reforma da despesa pública.
Esta reforma teve um efeito espectacular.
Em 3 anos, 87-89, a despesa pública primária (despesa total sem juros) em % do PIB diminuiu 11%, quando comparada com o máximo de 41,6% que havia atingido em 1982.
A despesa pública total baixaria 15,6% do PIB, entre um máximo de 49,8% em 1982 para 34,2% em 2004.
Esta reforma da despesa pública na Irlanda combinou medidas de consolidação orçamental “stricto senso” e medidas de carácter estrutural.
Do lado da consolidação “stricto senso”, registou-se uma significativa redução do consumo público, em resultado de restrições ao crescimento dos salários e de uma grande redução de efectivos na função pública. Só entre 1982 e 1989 os efectivos diminuíram 14%.
A estas medidas adicionaram-se importantes reformas que permitiram uma apreciável redução nas despesas com transferências do Estado e nos subsídios. Estes últimos terão baixado cerca de 2/3 só em 1988.
Outras reformas tornaram possível uma diminuição considerável das despesas da segurança social e com a saúde publica. Foram apertados os critérios de acesso aos benefícios da segurança social e o valor dos benefícios foi congelado em termos reais.
Em consequência deste conjunto de medidas, a criação de emprego foi fortemente incentivada, o crescimento económico acelerou e permitiu que a prazo relativamente curto começasse a emergir um excedente orçamental o qual, por sua vez, facilitou uma significativa redução de impostos e da dívida pública.
A redução da carga fiscal viria a constituir um incentivo poderoso ao investimento, nomeadamente estrangeiro, e a economia irlandesa não mais parou de crescer, sempre muito acima da média da U.E. e depois da zona euro.
O PIB cresceu 5% em 2005 e este ano deverão apresentar idêntico resultado…
A entrada no euro foi para eles de uma enorme simplicidade, tendo até aumentado os superavits orçamentais.
Este exemplo irlandês vem citado com destaque, em “caixa”, num interessantíssimo artigo publicado no último Boletim Mensal do BCE (Abril/2006), páginas 61 a 73, cuja leitura se recomenda (www.ecb.int / Publications /Monthly Bulletin).
À especial atenção de Tonibler e de Anthrax, que aí poderão encontrar resposta eloquente para as suas dúvidas quanto à (in)eficácia da despesa pública no caso português (com particular interesse o 3º parágrafo, “Linkages between public expenditure, economic growth and fiscal sustainability”).
Aí se pode também constatar que Portugal foi o País da EU em que a despesa pública mais cresceu entre 1960 e 2004: passamos de 14,7% para 46,5% do PIB, uma variação de +31,8 p.p.
Para o mesmo período, o crescimento médio da despesa nos países do euro foi de 17,3 p.p.
Será muito difícil realizar em Portugal, nesta altura, uma reforma de tipo semelhante à que a Irlanda promoveu há quase 20 anos?
Certamente que é muito difícil, seria ingenuidade ou má fé pensar ou admitir o contrário.
Mas haverá outra solução para o problema económico português que não seja muitíssimo difícil?

Por Terras do Tio Sam – Maio 03, Quarta – Capítulo 12

Ora cá estou no Texas, terra de cowboys, e mais propriamente, em Dallas!

Foi um dia de viagem, pelo que não há muito que contar – até porque cheguei ao Adam’s Mark Hotel já eram quase 7 da tarde: é que, se no sábado “ganhei” 3 horas – em Seattle são menos 8 horas do que em Portugal, e em Washington, DC, são “só” 5 -, agora “perdi” 2 horas: em Dallas são 6 horas a menos do que no nosso país. Assim, o meu dia de hoje ficou 2 horas mais curto… e, não sei se por ter “andado” para leste outra vez, ou se é o subconsciente – as saudades?... – a trabalhar, senti hoje que tinha, de algum modo, iniciado a viagem de volta… isto é, o regresso a casa… que, apesar de tudo, ainda vem longe!...

A viagem decorreu sem sobressaltos e, desta vez, ao contrário do que tinha sucedido no Sábado, nem houve grandes farnéis no avião. Acho que talvez o facto de o voo se ter iniciado pouco depois das 10:30 da manhã, influenciou muito a questão… o pequeno-almoço tinha sido tomado há ainda pouco tempo, pelo que a maioria dos passageiros nada levou para a viagem…
… O que também aconteceu comigo que, como quis evitar a comida (?) que era vendida no avião – o que parece que é prática comum nos voos internos nos EUA , como já em posts anteriores referi – aterrei no Dallas-Fort Worth International Airport (porque serve as duas cidades) cheio de fome, eram quase 16:30 horas. Mas como depois ainda fomos buscar o carro alugado que aqui temos à nossa disposição e enfrentámos algum trânsito nos cerca de 30 kms que separam o aeroporto de Dallas, só comi, mesmo… ao jantar, já aqui no hotel, por volta das 19:30 horas. Quanto ao hotel, fez-me lembrar, apesar de ser bastante menos sumptuoso e de o quarto ser menor, aquele em que fiquei em Las Vegas (onde estive há três anos), o Caesar´s Palace, pois não só é constituído por diversas torres (bem altas, com quase 40 andares cada uma), onde se situam os quartos, como todos os serviços são pagos à parte, incluindo o pequeno almoço.

Eu e o Marc jantámos num restaurantes de uma das torres, no 38º andar, e que tem uma vista magnífica sobre a cidade e as pradarias que a rodeiam, num cenário muito plano a perder de vista… excepto pelos muito arranha-céus, alguns deles muito envidraçados e espelhados, que existem em down town Dallas, e que – obviamente! – fazem lembrar (não sei se se recordam) o genérico da série que tem o mesmo nome desta cidade e que passou durante anos a fio em várias televisões de todo o mundo, incluindo em Portugal.

Quanto ao hotel, mais uma vez sem grandes luxos, parece ser muito funcional e… com fitness center, onde amanhã, por volta das 6:30 locais lá estarei a fazer jogging – afinal hoje não corri, pelo que amanhã tenho que recuperar!...

E como o meu estômago já melhorou, estou pronto a começar o Programa aqui no Texas, o que acontecerá amanhã bem cedo!

Uma boa noite a todos e até amanhã!

Traço contínuo


Há uma fotografia dele, fantástica, com o braço em ângulo recto, todo força e firmeza, e a garota encarrapitada nele, como se fosse um baloiço, a rir, a rir, a rir.
Há outra com ele a caminhar, com aquele passo meio desmanchado, e uma das filhas pequenas pela mão, mal lhe chegava aos joelhos, um chapelinho branco meio torto e a outra mão a agarrar o pacotinho de milho para dar aos pombos, ali junto à Igreja de S. Domingos.
E há filmes, dezenas, centenas de filmes, já meio estragados de tanto serem vistos e revistos, porque “passar filmes” era uma etapa obrigatória em qualquer festa de família. Todos feitos por ele, filmados, revelados, muitas vezes ilustrados com brincadeiras e truques que deixavam a garotada presa ao écran, que se desenrolava na sala. Tirava-se um quadro que tivesse um prego bem forte, as luzes apagadas e todos corriam a sentar-se no chão a ouvir os relatos e largar em gritaria quando ele contava a história de maneira diferente do costume. “Não é assim, pai! Esta bicicleta não era a do pneu furado!”, “O macaco não mordeu nada a mão da M., ela é que lhe puxou o rabo!”
O momento alto, porém, era quando ele começava a rebobinar o último filme, a dizer que a máquina de projectar já estava a ferver, “é hora da malta toda ir dormir, já chega por hoje” e afinal ainda ali estava a caixa com o filme do “Lobo da Cabeleira Comprida”. Era um desenho animado a preto e branco, com legendas que ele lia todas trocadas para nos irritar, fez o mesmo truque com os netos, o filme já todo colado, a máquina encravava-se e já sabiam de cor os bocados que faltavam. Mas nunca atinavam com a frase certa mesmo depois de terem aprendido a ler, porque o que lhes ficou na memória era o avô a pregar partidas e a dizer que os cordeiros é que faziam casacos com a pele do lobo. E que isso só se via porque a gola do casaco era a cabeleira comprida, que ficava de fora mesmo quando o lobo se disfarçava de carneirinho.
É dessas sessões que vem a história da cigarra e da formiga que acaba bem, com a formiga a abrir a porta à cigarra e ela, meio enregelada, a acolher-se na generosidade da outra. Uma das netas um dia revoltou-se porque a professora “contou a história mal” e disse que a formiga fechou a porta na cara da cigarra. “Temos que lhe mostrar o filme do avô, mas se não for ele a ler as legendas ela não vai perceber…”, dizia ela. Pois temos.
Ficaram milhares de histórias para contar, como uma espécie de linguagem comum, e ele no meio de todas elas, como um traço nítido, inconfundível, construindo uma história única.

quarta-feira, 3 de maio de 2006

Francisco Jose de Goya Y Lucientes


O Três de Maio de 1808
(ou a execução dos defensores de Madrid) - Museu do Prado

Os notáveis

"Portugal tem economistas a mais e empresários a menos" , disse José Roquete , na semana passada, numa Conferência na Ordem dos Economistas.
Não daqueles, penso eu, que diariamente labutam nas empresas, mas daqueles que, em gabinetes liofilizados e em ambientes quimicamente puros, estão sempre prontos a dar a explicação definitiva para não ter acontecido hoje o que ontem solenemente tinham previsto, os mesmos que, não perdendo tempo, logo aproveitam para cientificamente projectar o amanhã.
Tem razão José Roquete, eu, economista, confesso!...

Por Terras do Tio Sam – Maio 02, Terça – Capítulo 11

E lá se passou, pois, o último dia em Seattle – amanhã espera-nos Dallas e o Texas!

Logo de manhã, às 9 horas, uma reunião na Seattle Metropolitan Credit Union com a Dra. Michelle Purnell-Hepburn, Vice President e Chief Financial Officer.
A Seattle Metropolitan Credit Union (SMCU) é uma cooperativa financeira não-lucrativa, que foi fundada em 1933. Neste género de instituições - existem, hoje, cerca de 9 mil em todo o país -, qualquer indivíduo que se torne membro, torna-se também accionista, sendo que todos os accionistas o são em igualdade percentual e com direito a eleger o board de administradores, de que a minha interlocutora de hoje faz parte (em relação à SMCU).
A conversa que mantivemos versou sobre a relação da SMCU com os seus clientes – e accionistas –, bem como sobre as dificuldades que este tipo de instituições tem em relação aos bancos. Dado que não são lucrativas, estão isentas de impostos (o que os bancos comerciais não gostam…) e quaisquer resultados que tenham são imediatamente utilizados para proporcionar condições mais favoráveis aos clientes, seja na remuneração de depósitos, seja na concessão de empréstimos. Os depósitos são a única fonte de recursos que podem ter (ao contrário dos bancos), tendo a concessão de crédito a mesma variedade de qualquer banco comercial (consumo, habitação, etc.). No ano passado, SMCU concedeu crédito num montante superior a USD 122 milhões – o que, atendendo a que se trata de uma entidade local (ou estadual, se quisermos), não está nada mal.

Depois, o resto da manhã foi livre, o que aproveitei para descansar um pouco no hotel, dado que devo ter comido algo que não me caiu bem na véspera, ou mesmo no domingo, e que hoje fez efeito… enfim, espero que amanhã esteja melhor, porque estar assim em casa já é mau – imagine-se longe de casa!...

Depois do almoço – que para mim foi uma sopa e nada mais – rumámos ao Enterprise Seattle – Partners for Regional Prosperity, para nos encontrarmos com o Dr. Jeff Marcell, Vice-President of Economic Development.
O Enterprise Seattle é uma organização que se dedica a tentar atrair e manter empresas em King County (a área do Estado de Washington em que se insere Seattle), de molde a potenciar o desenvolvimento e bem-estar da região. De acordo com o Dr. Jeff Marcell, o Estado de Washington, onde vivem pouco mais de 6 milhões de pessoas (ou cerca de 2% da população dos EUA), conta bem mais do que isso no Produto Norte-Americano e o seu crescimento económico tem-se situado claramente acima da média do dos EUA (que, como se sabe, já tem sido bem maior do que o da União Europeia…). Três ícones de Seattle são, por exemplo, a Boeing, a Microsoft e a Starbucks (pois é, também daqui é originária!). Ah e, claro, uma das mais reputadas universidades americanas, a University of Washington, claramente na “Primeira Divisão”. Essencialmente, os cinco sectores de actividade que o Enterprise Seattle mais quer (continuar a) atrair para potenciar o desenvolvimento de King County são, sem qualquer ordem de preferência, clean technologies, information technology, aerospace, international trade and logistics e biotechnology and life-science.
Para além disso, Seattle possui condições ímpares para atrair recursos humanos qualificados: as zonas verdes abundam, a cidade é bastante acolhedora e as zonas residenciais são essencialmente compostas por vivendas – os prédios encontram-se em clara minoria, o que hoje em dia não é habitual nas grandes cidades, como sabemos. Obviamente, isto traduz-se no facto de o Estado de Washington se situar no Top 3 dos Estados dos EUA com população activa possuidora de habilitações mais elevadas.
O Entreprise Seattle, que aqui se estabeleceu há dois anos, copiando o que já existia noutros Estados Norte-Americanos, conta com financiamento público (creio que do Estado de Washington e do King County) e também privado (dos seus “clientes”, isto é, as empresas que por aqui se estabelecem) e, depois do arranque, encontra-se agora em fase de consolidação, sendo as perspectivas muito positivas, de acordo com o Dr. Marcell.

O último encontro do dia fez-nos regressar à University of Washington (onde já ontem tínhamos estado), para uma reunião com o Dr. Phil Shekleton, Associate Director do European Union Center (um dos 8 que existem nos EUA, e o único que se localiza na Costa Oeste). Tratou-se de outra troca de impressões muito interessante, ao nível económico e político (Ciência Política era a área de especialização do nosso anfitrião), sobre a actual situação na UE, em Portugal, as relações EUA/UE, e do próprio Estado de Washington com a UE. O Estado de Washington é, de todos os Estados Norte-Americanos, o mais dependente do exterior (isto é, o que mais exporta e importa, para o que muito contribuem a Boeing e a Microsoft) e, apesar de ser com a UE que mantém mais relações comerciais internacionais, muitas vezes tal não é percebido pelos seus habitantes em geral, e empresários ou decisores em particular, devido não só à localização geográfica privilegiada para o comércio com a Ásia (é o porto da Costa Oeste dos EUA que mais próximo fica do continente asiático), como porque, na maior parte das ocasiões, a UE ainda não é entendida como um bloco. Ora, se individualmente, o Japão e o Canadá são os primeiros parceiros comerciais deste Estado, em conjunto, a UE surge destacada na liderança. E, portanto, este Centro tem um papel fundamental na promoção das relações EUA/UE e, sobretudo, do Estado de Washington/UE.

O dia acabou com um jantar na zona das docas de Seattle, onde me foi permitido saborear a qualidade do marisco da costa local, sem dúvida de grande qualidade, e um dos mais afamados nos EUA.

Um comentário final para dar conta da impossibilidade de ter conhecido a Microsoft, um dos meus maiores interesses na visita a Seattle, e que desde muito cedo, na preparação desta viagem, dei a conhecer na Embaixada dos EUA em Lisboa. Sei que o Department of State fez inúmeras tentativas e um enorme esforço no sentido de me proporcionar uma visita e contactos com a Microsoft – a exemplo do que sucedeu, por exemplo, com a Boeing ontem. E se é verdade que bastaria o facto de ter podido conhecer a Boeing para justificar ter vindo a Seattle (como referi no post anterior), a verdade é que, apesar do programa interessantíssimo que me foi, aqui, proporcionado, sinto que faltou qualquer coisa… Por certo a Microsoft terá tido razões mais do que suficientes para não ter sido possível incluí-la no “meu” Programa, mas lá que tive pena que isso tivesse acontecido, isso tive - sem quaisquer problemas o afirmo.

Mas pronto – quem esteve, esteve; quem não esteve, estivesse! E a verdade é que gostei muito, mas mesmo muito, de ter estado estes três dias e meio em Seattle (fiquei realmente fã!), cumprindo um fantástico Programa que me foi proporcionado pelo Department of State, em conjunto com autoridades e organizações locais.

E agora é altura de fazer as malas porque amanhã de manhã partimos para Dallas, em pleno Texas, onde a temperatura irá certamente subir (e muito, apesar de hoje o dia ter estado muito agradável por aqui)!

Poema

Se todo o ser ao vento abandonamos
E sem medo nem dó nos destruímos
Se morremos em tudo o que sentimos
E podemos cantar, é porque estamos
...Em sangue, embalando a própria dor!...
...
Quando a manhã brilhar refloriremos
E a alma beberá esse esplendor
Prometido nas formas que perdemos!...

Sophia de Mello Breyner Andresen

terça-feira, 2 de maio de 2006

Uma curta reflexão…


Certos acontecimentos, quando ocorrem connosco, ou com amigos, despertam-nos para o recolhimento.
Não sei se é bom-tom ou adequado falar da morte num blog. Não é um tema fácil e desmotiva a maioria das pessoas que preferem abordar assuntos agradáveis ou polémicos. De qualquer modo, sendo a única certeza comum aos seres vivos, sentimos a necessidade de, tempos a tempos, fazer uma reflexão.
Hoje em dia, morre-se de uma forma isolada, “asséptica”, como se houvesse um sentido de vergonha ou mesmo de fuga. A maioria morre num quarto ou enfermaria de um hospital só ou acompanhado dos técnicos de saúde. A mim horroriza-me que alguém morra nestas circunstâncias sem a companhia de um ente querido. Talvez porque tenha tido uma educação em que a morte tinha um outro sentido, não sei! Lembro-me das primeiras vezes em que fui confrontado com esta situação.
A primeira constitui uma das lembranças mais antigas e mais fortes. Tinha cinco anos e a minha amiga de brincadeira morreu de garrotilho. Primeiro fui eu a sofrer e passados alguns dias a minha companheira adoeceu acabando por morrer. Não me esconderam a situação. Fui vê-la e estive a seu lado. A imagem ainda perdura na minha mente. Uma cor fria que nunca tinha observado em ninguém e um buraco na garganta ainda meio ensanguentado. Claro que perguntei porque é que tinha aquele buraco. Lá me explicaram que era para respirar, mas mesmo assim não conseguiram salvá-la. Não gostei de ver o buraco. Acompanhei-a ao cemitério atrás da velha carreta da misericórdia num dia muito quente. Foi a primeira vez que entrei no cemitério e assisti ao cerimonial. Nunca mais me esqueci, nem mesmo hoje, passados 50 anos, deixo de olhar e passar por aquele lugar, sempre que vou ao local. Recordo-me sempre da menina e das nossas brincadeiras.
Mas a primeira vez que assisti a uma morte tinha seis anos. Não me custou nada. Um velho tio acabou os seus dias no seu quarto acompanhado dos seus familiares.
No último dia, ao fim da manhã, mandaram-me chamar o padre Sobral, mais conhecido pelo padre “Rodelas”, para ministrar a extrema-unção. Lá fui mais o padre e as minhas primas para o quarto. O padre “Rodelas” paramentou-se adequadamente e começou a sua prédica, enquanto eu segurava o balde com o hissope. Lembro-me, como hoje, o momento em que o tio Miguel, ofegante, foi aspergido pela água benta a qual me salpicou os olhos quando estava a olhar para o tecto onde estava pendurada, em cima da cama, a velha bicicleta do meu tio. E, enquanto limpava os olhos, perguntava aos meus botões: - Como é que o tio Miguel conseguiu por a pasteleira lá no tecto? E se ela caísse enquanto dormia? Este tio é mesmo maluco!
Depois do almoço, o tio Miguel adormeceu para sempre e nunca mais o veria a fazer os seus cigarros de barba de milho enquanto contava as suas aventuras da Grande Guerra. Morrer assim é outra coisa, sem sombra de dúvida. Depois, ao longo dos anos, os familiares foram desaparecendo e eu acabava por estar presente nas cerimónias com a maior naturalidade. Claro que tenho saudades daquelas pessoas das quais guardo fios e fios de afectos e histórias mirabolantes que a foice da morte nunca conseguiu cortar nem consegue, a não ser quando Átropos, a parca, cortar o meu fio…

Tragicomédia...

...é um drama onde se associam elementos trágicos e cómicos.
É o que se passa em alguns sectores em Portugal, aqui e agora.
Imaginam uma farmácia sem medicamentos? Um quartel de bombeiros ou uma esquadra da polícia que viram cortado o fornecimento de combustível às suas viaturas? Uma escola sem energia eléctrica ou água?
E acreditam que um Tribunal possa ficar privado do acesso ao Diário da República?
Pois por mais extraordinário que possa parecer, foi o que ouvi agora numa estação de rádio! Assim mesmo: a Imprensa Nacional cortou o fornecimento do Diário da República aos Tribunais, alegadamente por falta de pagamento.
Este sucesso ocorre pouco mais de um mês após o senhor Primeiro-Minstro ter anunciado a "desmaterialização" do jornal oficial de modo a ser a versão electrónica do Diário da República a fazer fé.
Simplex!

Para onde vamos?

Reconheço que o meu último post foi por demais longo, não apenas no critério do comentador Antrax.
Por isso irei ser mais breve, na referência final ao relatório Bruegel (agradeço ao Dr. Ferreira de Almeida que tenha indicado o site do Bruegel a Anthrax).
O que nos cabe fazer para ultrapassar a dificílima situação em que caímos?
O relatório diz que a restauração da competitividade perdida nestes 7 anos, impõe que durante um longo período de tempo – no mínimo durante os próximos 7 anos, prevejo – os custos unitários do trabalho cresçam abaixo da média da zona euro.
Mas isso não bastará para que a inflação baixe, de forma sustentada.
Será também indispensável aperfeiçoar os mecanismos de formação dos preços, o que requer, urgentemente, muito mais concorrência nos mercados de bens e de serviços.
A situação de quase monopólio, em boa parte associada a posições privilegiadas do Estado em alguns sectores importantes, reclama por isso rápidas mudanças.
Repare-se que continuamos com uma taxa de inflação superior à da zona euro – e a divergência tem vindo a agravar-se, nos últimos meses. Se não alterarmos esta tendência, estaremos a complicar, cada vez mais, a já muito difícil solução do nosso problema económico.
E ainda, “last but not the least”, teremos de ser capazes de reduzir, “heroicamente”, a despesa pública em % do PIB. Como objectivo, para os próximos 7 anos, apontaria para uma redução de não menos de 1% ao ano. Mas não se pode falhar um único ano, haja ou não eleições.
A despesa pública passaria assim dos actuais 49% para não mais de 42% do PIB até 2012. Seria possível reduzir impostos directos e indirectos, pelo caminho. A economia ganharia.
Quanto à nossa capacidade para responder a estes desafios, confesso algum desconforto face ao que se tem vindo a passar, não obstante os anúncios de (algumas) importantes reformas.
Tenho muito receio de que não existam a clarividência e a persistência necessárias, por parte dos decisores políticos, para estes tremendos desafios.
A evolução recente, designadamente o continuado crescimento da despesa pública, a ritmo muito superior ao do crescimento do PIB, tanto em 2005 como no período já conhecido de 2006, justificam, na minha perspectiva, que nos coloquemos em “ALERTA VERMELHO”.
Para terminar, esclareço que o relatório não advoga qualquer solução “revolucionária”, do tipo abandono do euro.
Essa ideia, que algumas pessoas têm sugerido, teria nesta altura consequências devastadoras, a começar, se bem entendo, pelo próprio sistema financeiro. Este veria grande parte dos seus créditos transformados em moeda nacional (escudinho?) ao mesmo tempo que seria obrigado a manter grande parte dos seus passivos em euros pois os credores externos, hoje com grande peso, não aceitariam outra solução.
O resultado desta operação iria abalar o sector financeiro, com reflexos inevitáveis no resto da economia - forte agravamento dos custos de financiamento.
Os aumentos de taxa de juro do BCE serão “peanuts” perante este cenário.
Para Antrax, e não só, basta por hoje (14 parágrafos).
No próximo post, o exemplo da Irlanda.

Mais uma Agência!...

Segundo jornais da semana passada, chegou-se a consenso na Assembleia da República, no âmbito da Comissão do Orçamento, quanto à criação de uma Agência independente, a funcionar junto do Parlamento, com responsabilidade pela elaboração de previsões macroeconómicas, pela feitura de simulações orçamentais, pela produção de cenários a médio e longo prazo, bem como pela elaboração de estatísticas sobre o sector público ou mesmo pela contabilização, de acordo com alguns, ou apenas com vista a habilitar os senhores deputados com informação idónea sobre essas matérias, de acordo com outros.
De qualquer forma, a discussão já não é sobre a criação, que é ponto assente, mas sobre o estatuto dos seus membros, nomeadamente o prazo pelo qual serão contratados, uma legislatura, cinco anos ou dez anos.
Em qualquer caso, e nas actuais circunstâncias, aí está mais uma forma de delapidação do nosso dinheiro.
Então, para a elaboração de previsões e do Quadro Macroeconómico não temos já o Banco de Portugal e os Gabinetes de Estudos do Ministério das Finanças e da Economia? E os Srs. Deputados não dispõem também das previsões independentes de conceituados organismos como a OCDE, o Banco Central Europeu, o Banco Mundial ou a Comissão Europeia, para não falar já de muitos departamentos de research de instituições financeiras credíveis?
Que valor acrescentado trará, neste ponto, essa Agência?
E para a elaboração de simulações orçamentais e de cenários a médio e longo prazo não existem já departamentos, como o Departamento de Prospectiva e Planeamento, creio que é assim que se chama, onde trabalham alguns dos melhores economistas do Estado?
E para a elaboração e tratamento de estatísticas sobre o que quer que seja não existe já o Instituto Nacional de Estatística?
E se fosse preciso um qualquer trabalho específico não podia ser encomendados a estas entidades?
E para uma adequada contabilização das receitas e das despesas de acordo com as normas da Comissão Europeia não existem os departamentos governamentais?
Não desconheço que nalguns países, nomeadamente junto da Câmara dos Representantes e do Senado dos EUA, existem esses organismos ou agências.
Mas os senhores deputados deveriam pensar, pelo menos uma vez, na oportunidade de trazer tais soluções para Portugal, quando tantas limitações ainda existem na produção de informação orçamental fiável à qual essa agência pudesse recorrer.
Era aqui que deviam porfiar, começando pela base; não brilhariam tanto, mas apresentariam trabalho honesto e profícuo.

Por Terras do Tio Sam – Maio 01, Segunda – Capítulo 10

O dia começou hoje com a primeira visita a uma universidade desde que estou nos States: a University of Washington, aqui mesmo em Seattle. Para além de ter conhecido o campus universitário – lindíssimo, muito verde, afinal como acontece um pouco por todo o lado nesta cidade- e de ter visitado a biblioteca, um edifício magnífico, ao estilo antigo, em pedra, muito grande e cheio de vitrais, mas muito funcional, tive ainda uma reunião com o Professor Stephen Turnovsky, do Research Center for International Economics, Department of Economics. Discutiu-se um pouco o trabalho do Professor Turnovsky na modelização do comércio internacional e na distribuição do rendimento, áreas para que a sua investigação tem estado mais virada. Além disso, o Professor Turnovsky conhece relativamente bem os Professores António Nogueira Leite, Vasco D’Orey, Ferreira Machado, Isabel Horta Correia e Sérgio Rebelo. Com excepção do Professor Sérgio Rebelo, todos os outros foram meus professores, ou na licenciatura, ou no mestrado, pelo que foi fácil estabelecer comunicação.

Como a reunião terminou mais cedo do que o previsto, houve oportunidade para visitar o Jardim Japonês de Seattle (Seattle Japanese Garden), que fica perto do campus universitário, no Washington Park Arboretum. Foi o meu primeiro contacto ao vivo com um jardim deste género, e posso dizer que gostei imenso: muito bem arranjado, uma enorme variedade de cores nas flores, um lago bonito e, claro, muito, muito verde.

Foi, pois, com esta visão que arrancámos rumo à maior unidade produtiva da Boeing, nos arredores de Seattle, em Everett. Aí, tivemos um almoço oferecido pela companhia, com o Dr. David K. Reese, Federal & International Government Relations e com a Dra. Debra Santos (de ascendência portuguesa), Director, International Sales, Europe, Russia & Central Ásia, Commercial Airplanes.
Hoje, a Boeing emprega, só em Seattle, mais de 60 mil trabalhadores, embora possua outras instalações nos EUA (para o que ajudou a fusão com a – ou melhor, a compra da – McDonnell Douglas, em 2000) e opera em três vertentes: aviação comercial, aviação militar e área espacial.
Foi uma refeição muito agradável e produtiva, porque creio que aprendi imenso sobre aviação e a Boeing. Na verdade, abordámos tópicos tão interessantes como o mercado global de aviação, a realidade actual da Boeing e as perspectivas da própria empresa, as relações Boeing-Airbus e a visão que a Boeing tem da sua rival europeia, e a Boeing em Portugal (hoje, toda a frota da TAP é composta por Airbus, por exemplo…), a problemática dos modelos com 4 motores versus modelos com 2 motores, entre outros.

Seguiu-se, depois, a visita à linha de produção da companhia, nomeadamente dos modelos Boeing 777 (o mais moderno jacto da Boeing), 767 e o clássico “Jumbo” 747, que em breve sofrerá uma remodelação, que envolverá, por exemplo, o aumento do upper deck, e que se chamará Boeing 747-8. O maior modelo hoje produzido pela companhia é o Boeing 777-300 (pouco maior que o 747), com capacidade para cerca de 360 passageiros (menos que o 747 que, por causa da cabina superior le,va mais de 400 passageiros) existindo igualmente a menor versão 777-200.
Cada um destes modelos é de longo (767) e muito longo curso (777 e 747), sendo que o único modelo de médio curso que a Boeing fabrica hoje em dia é o 737, que é montado noutra fábrica, também no Estado de Washington.
Desde 2000 que a sede social da Boeing se situa em Chicago, o que aconteceu por motivos de gestão; no entanto, as unidades produtivas principais continuam, como já referi, a situar-se em Seattle, onde a companhia foi fundada, em 1919.

Enfim, não poderia deixar de referir que a “jóia da coroa” da Boeing é o modelo “787 – Dreamliner”, que começará a ser produzido no final desde ano e que se prevê começar a voar em meados de 2008. Trata-se de um modelo mais pequeno que o 777, que transportará cerca de 300 passageiros (segundo eles, em condições bem mais cómodas do que as actuais), muito rápido, com um alcance de mais de 15 mil kms (igual ao que os maiores aviões conseguem hoje percorrer) e que, devido à investigação levada a cabo pelos engenheiros da companhia, precisará de cerca de menos 20% de combustível do que outros aviões utilizados em missões semelhantes. De acordo com a Boeing, tratar-se-á de uma “pequena” revolução no mundo da aviação. Este modelo representa uma opção totalmente diferente da da Airbus que, como se sabe, apostou no “Super-Jumbo” A-380, que, ao que soube, em versão standard, tem capacidade para cerca de 550 passageiros. De acordo com a Boeing, na rota directa que recentemente abriu entre Chicago e Shanghai, operada pela American Airlines, e que se encontra propagandeada pela empresa por todo o lado, enquanto que o A-380 transportará os 550 passageiros nessa rota, o Boeing 787 poderá, com a mesma quantidade de combustível utilizada pelo A-380, percorrer três vezes essa distância, o que, a acontecer, permitirá o transporte de 900 passageiros (300x3)… Daí que a companhia esteja muito confiante com o lançamento deste modelo.

No enormíssimo pavilhão de produção que visitámos (1000 metros de comprimento, 500 de largura) num veículo motorizado, trabalham por turnos cerca de 22 mil empregados, enquanto que nos escritórios se concentram cerca de 10 mil engenheiros, projectistas, pessoal administrativo e outros. Apesar de a linha de montagem se situar aqui em Seattle, as diferentes peças e partes dos aparelhos são fabricadas em pouco por todo o mundo (em mais de 100 países, entre os quais se conta, segundo me disseram, Portugal), tendo nós tido oportunidade de verificar os casos da Turquia, do México, do Japão e da Rússia.

Tratou-se de uma experiência muito enriquecedora e impressionante e que, por si só, valeu a vinda a Seattle.

O resto da tarde foi passado a conhecer um pouco de down town Seattle, isto é, os arredores do hotel. A cidade é muito acolhedora (apesar do frio que continua a fazer) e creio que deve ser muito agradável viver aqui, até pelas imensas zonas verdes que existem. Depois, jantei novamente no quarto, porque, não sei se devido aos efeitos do jet lag, se por qualquer outra razão, me sinto muito cansado...
... e por isso, é hora de dormir, que amanhã o dia torna a começar bem cedo.

segunda-feira, 1 de maio de 2006

John Kenneth GALBRAITH (1908-2006)


"Hão-de concluir que o Estado é o tipo de organização que, embora faça mal as grandes coisas, também faz mal as pequenas".(foto e citação retiradas do Pura Economia)

Foie Gras



As autoridades de Chicago aprovaram um regulamento proibindo a venda de foie gras nos restaurantes e mercados. Esta iniciativa é o resultado dos esforços de activistas defensores dos direitos dos animais. A actriz Margaret Houlihan, “pasionaria” da causa dos patos e gansos, chegou a comparar a situação das aves aos prisioneiros torturados em Abou Ghraib! O regulamento prevê contra-ordenações da ordem dos 500 dólares e convida à respectiva denúncia. Não sei se os denunciadores recebem alguma contrapartida, tipo refeição gratuita de “arroz de pato”.
A campanha contra o foie gras começa a dar os seus resultados. Nalguns estados, muitos restaurantes já deixaram de o usar e nos próximos anos irão entrar em vigor leis nesse sentido, havendo mesmo a possibilidade de considerar crime a posse do produto!
Sabemos como se produz o foie gras. De facto, não é muito agradável - é mesmo uma violência - o que fazem aos animais, mas o mesmo acontece com as galinhas (que diga o Tonibler!) e os porcos que não têm espaço, além de muitas outras violências como o tratamento anabolizante das vacas norte-americanas ou andar aos tiros aos patos.
O fígado gordo é uma situação cada vez mais comum nos seres humanos. Na sua origem, destacamos o consumo excessivo de álcool e alimentos ricos em gorduras. Não sei qual a prevalência do “foie gras” nos norte-americanos, mas deve ser muito elevada. O melhor seria que as associações de defesa dos interesses dos animais incluíssem, também, os seres humanos nas suas lutas, protegendo desta forma o fígado dos seus compatriotas.
As tentativas de corrigir algumas situações podem ser, até, pertinentes, mas as formas como são aplicadas chocam, e muito, sobretudo, quando se fazem comparações do género esteatose hepática forçada das aves ao tratamento dado aos prisioneiros de Abou Ghraib. Não tarda muito e ainda vão invocar um novo "holocausto" e comparar os produtores a Josep Mengele.
Como o nosso amigo Miguel Frasquilho anda por aquelas bandas, o melhor é avisá-lo para não comer foie gras, não vá apanhar uma multa. Além do mais é muito rico em colesterol e não há jogging que o elimine…

O Programa Nacional da Política de Ordenamento do Território

No passado dia 27 de Abril, a II Série do Diário da República registava mais um aviso. Um aviso mais, como tantos outros, assinado por membro do Governo, anúncio de que seguramente muito poucos (quase só os que por dever de ofício consultam a série secundária do jornal oficial) se deram conta.
E no entanto esse anúncio, remetido para páginas que quase ninguém lê, pretende convocar os portugueses para a discussão de um documento que, atendendo à sua transversalidade, deveria ser visto como uma peça fundamental da sustentabilidade: o PNPOT - Programa Nacional de Política de Ordenamento do Território.
Confesso-me dividido com o anúncio, face ao seu conteúdo.
A obrigação de o Estado aprovar o PNPOT data de 1998, decorrente da entrada em vigor da Lei de Bases da Política do Ordenamento do Território e do Urbanismo (Lei nº 48/98, de 11 de Agosto). A Resolução do Conselho de Ministros que determinou a sua elaboração é de 2001. Em 2002 constitui-se a equipa multidisciplinar encarregada da elaboração da proposta técnica. Pelos vistos, essa proposta, após ter sido caucionada (ou não) politicamente, vê agora a luz do dia, oito anos depois de a lei atribuir ao Governo o dever de a preparar!
Dir-se-à que vale mais tarde que nunca, e eu estou de acordo.
O que já não posso entender é o teor da convocatória.
Para os menos familiarizados, o PNPOT é "só" o documento que, proposto pelo Governo, a Assembleia da República há-de aprovar como lei (aliás, constitui o único instrumento de gestão territorial cuja aprovação cabe ao Parlamento), o qual, concretizando as opções de desenvolvimento económico e social, definirá um modelo de organização social visando, entre outros, estabelecer os objectivos e princípios assumidos pelo Estado numa perspectiva de médio e longo prazos quanto à localização de actividades, dos serviços e dos grandes investimentos públicos (artº 28º do DL nº 380/99, de 22 de Setembro).
Ora, apesar da importância do PNPOT, no qual deverão residir os diagnósticos mas também as soluções para a concertação de interesses (públicos e privados, estaduais e locais) e para a coordenação de intervenções sobre o território, o Governo concedeu para a discussão pública escassos 60 dias! Isto é, o prazo mínimo previsto na lei. Mas mais: este período cai parcialmente no mês de Julho e, cado o governo decidisse prorrogá-lo, coincidiria com Agosto e Setembro, meses óptimos se se achar que a discussão pública, e o consequente dever de ponderar os seus resultados, são uma grande maçada, a evitar ou a minimizar...
Sempre achei chocantemente curto o prazo minimo legal para uma discussão desta relevância. Mas também sempre confiei que, mandando a mesma lei envolver os principais actores territoriais e os cidadãos em geral na discussão das grandes opções sobre a ocupação do território, o bom-senso e a seriedade do Governo (qualquer que viesse a ser o Executivo responsável pela proposta) levaria a considerar um prazo bem mais longo, que necessariamente acomodasse um período de informação ao público sobre o conteúdo do documento (decerto denso e complexo), sem o qual não existirá verdadeira discussão(ninguém discute o que não conhece, claro está).
Seja como for, e já que este Governo frustou a minha confiança e não parece à primeira vista interessado em favorecer uma discussão pública séria e informada, volto-me para o Parlamento a quem cabe, em última instância aprovar o PNPOT e que por isso tem uma particular responsabilidade na vigilância do até lhe ser submetida a propsta.
Faço votos para que à Assembleia da República, tantas vezes entretida com o alecrim e a manjerona, não escape este verdadeiro atentado ao princípio da participação pública em matéria tão importante para o futuro colectivo, e exija que não se subtraia ao debate sério aquele que deverá ser o documento de enquadramento dos instrumentos planificatórios aos mais variados níveis.
Sobretudo porque há bem pouco tempo o Estado Português protestou, ao ratificar a Convenção de Aarhaus, adoptar postura bem distinta no que respeita à informação e participação públicas sobre os instrumentos de gestão territorial.

A ver vamos, sendo certo que voltaremos ao tema.

A metade da Joana, eis a questão!...

A coluna de Opinião da última página do DN vem sendo a oportunidade para os clássicos comentadores das esquerdas, quase sempre desavindas, fazerem, por uma vez, o discurso da unicidade, em torno da crítica à comunicação do Presidente da República no 25 de Abril (e, como sub-produto, à política do Governo...). Até hoje, não sabia o que mais admirar, se o imutável estilo de “cartilhismo” argumentativo de RC, se o habitual “cinismo” de NBD.
Mas hoje, com o início de Maio, mês em que a Primavera mostra todo o seu fulgor, uma página se virou no comentário político.Na sua coluna, na última página do DN, Joana Amaral Dias inovou, inaugurou novos tempos, trouxe novas experiências, em suma, atingiu na análise o paroxismo final.
Porventura assoberbada com falta de tempo para grandes lucubrações, em virtude da sua ocupada carteira de eventos, JAD recorreu aos sites da Internet, em que, a partir de duas ou três “palavras-chave”, se alinha um eloquente discurso ou um oportuno e relevante comentário.
Ora então vejamos como, a partir da palavra “Presidente” e da palavra “ metade”, lhe foi servida essa fecunda justaposição de palavras, que veio a dar uma profundidade inusitada à análise: “…Resta saber como é que um Presidente da República, que fala assim quando ainda pretende conquistar a metade que o preteriu, falará quando essa metade deixar de ser necessária…”
Vá lá, Joana, recorra a outro site, que não a deixe cair em vergonhas e incongruências dessas...
Então a Joana, que tanto acusou o homem de falar pouco, quando precisava de “conquistar” metade dos votos e mais um, pergunta como é que ele irá falar quando tiver as duas metades e, assim, nas suas pitorescas e circunspectas palavras, uma delas “deixar de ser necessária”!...
É óbvio que vai deixar de falar…e a Joana, lastimavelmente para si, deixar de comentar, por falta de matéria…
Esclarecido este ponto, fico com uma angustiante dúvida, que é a de saber em qual das metades vai ficar a Joana…

Por Terras do Tio Sam – Abril 30, Domingo – Capítulo 9

… E Seattle lá amanheceu sem chuva! Felizmente, porque no dia de hoje estava programada um passeio de barco nas baías desta cidade, onde vivem cerca de 500 mil habitantes, se contarmos a cidade propriamente dita, ou 1.7 milhões, se contarmos a área metropolitana.
Aliás, situando-se Seattle no noroeste dos EUA, muito próximo da fronteira com o Canadá, e também da cidade canadiana de Vancouver, o clima aqui é sempre mais “para o frio” e “para o molhado”; e se hoje tivemos sorte porque não choveu, já com o frio nem tanto, porque esteve muito frio, sobretudo da parte da manhã.

Já recuperei do desgaste das viagens de ontem (e creio que também do jet lag de três horas a menos em relação a DC), e o dia começou, como habitualmente, com um jogging matinal no fitness center do hotel (7 kms, mais coisa menos coisa), seguido do pequeno-almoço. A seguir, pegámos no carro alugado, com o Marc Nicholson ao volante, e descemos para a zona do porto. Ao contrário da maioria das cidades americanas, Seattle não é plana, registando uma inclinação prolongada entre o chamado down town (centro da cidade) e a zona mais portuária (descendente a caminho do porto).
Quando chegámos ao cais dos Argosy Cruises, o Marc foi levantar os nossos bilhetes e ainda tivemos tempo de passear um pouco por ali.
Ao meio dia em ponto partimos para o largo de Seattle, que apesar de ser uma cidade marítima, está protegida da "fúria"´do Oceano Pacífico por uma baía interior, a Elliot Bay, que depois se junta ao Oceano por um canal que abre a linha da costa exterior (chamemos-lhe assim). O resultado, como já referi, é que a cidade se encontra perfeitamente protegida do “huge ocean ahead”. Com o frio que fazia (e como eu vim mais preparado para o Verão...), ainda bem que o navio tinha uma parte que não era ao ar livre, onde estive a maior parte do tempo, mas que nos permitia ver tudo perfeitamente.
Na primeira parte do cruzeiro, navegámos, assim, na Elliot Bay ao largo de Seattle e pudemos ver o porto, que é um dos maiores da costa oeste dos EUA e é um dos principais pontos de exportação e importação com a Ásia (naturalmente). Aliás, nos cais do porto eram visíveis imensos contentores importados da China, à espera do desalfandegamento.

Nota: Não me recordo se o meu pai, nos 30 anos que andou embarcado, alguma vez esteve em Seattle. Se estiver a ler esta crónica, pode ajudar-me, pai?... Em todo o caso, estou certo que bem gostaria de ver o porto (no caso de o não conhecer) ou de o rever (no caso se já aqui ter estado).

É também magnifico observar do mar o perfil da cidade, com os seus múltiplos edifícios, alguns arranha-céus e imensos prédios mais baixos e vivendas à beira-mar (que, segundo o speaker da viagem, valem um "balúrdio"…) - vivendas que, aliás proliferam por toda a Seattle, o que é bem elucidativo da qualidade de vida que por aqui se tem...
O que já não deve ser nada magnífico é tomar banho de mar por aqui, porque, em todo o ano, a temperatura da água dificilmente ultrapassa os 10 graus (!)… sendo que hoje, por exemplo, estavam 6 a 7 graus. Quentinho, não acham?!...
Depois, por volta das 13 horas, foi altura de virarmos para dentro e de passarmos, através de uma represa, para o Union Lake, lago interior de Seattle, de água doce. Na represa, o navio entra, as portas fecham-se e começa a entrar água doce, que fica sempre por cima da salgada (que, devido ao sal é bastante mais densa). Como “eles” sabem o nível que a água salgada não ultrapassa, é até aí que o navio sobe e, quando as portas de acesso ao Union Lake se abrem, a água salgada fica na represa e depois regressa à Elliot Bay – e só a água doce passa para o lago interior. Foi um processo muito curioso, que ainda demorou cerca de 15 minutos. Já no Union Lake – em que a água é ainda mais calma, continuámos a ver imensas moradias mesmo ao nível da água e algumas mesmo sobre a água(assentes em estacas, o que não poderia suceder se estivessem mesmo viradas para o oceano, sem nenhuma protecção, claro), como é o caso da casa do filme “Sleepless in Seattle”, da primeira metade dos anos 90, que alguns terão visto (eu por acaso não vi mas, agora, depois de aqui ter estado, podem estar certos que verei quando regressar a Portugal), mas de que todos, seguramente, terão ouvido falar – e que deu mais fama a esta cidade. Impressionante é também o número de barcos de recreio que vimos, quer ancorados, quer em rampas nos jardins das tais casas sobre o lago, e que estão prontos a ser lançados na água.
A propósito, o speaker referiu-nos que, apesar de existirem por aqui grande mansões (é o termo), nenhuma se compara à de Bill Gates (o patrão da Microsoft), que fica mais para o interior, nas margens de outro lado de água doce, o Lake Washington (e que, portanto, não vimos), e que se encontra avaliada, segundo as suas palavras, em mais de USD 1.5 mil milhões (!)…
Atracámos por volta das 14 horas e o autocarro que nos esperava trouxe-nos de volta ao cais de partida, já que os passageiros tinham por aí os seus meios transporte.
Aí chegados demos uma volta pelo mercado local (aberto do domingo, e que se parece muito com os mercados – ou praças – tradicionais que temos em Portugal, como por exemplo o de Setúbal que, por razões óbvias, conheço bem…), e pela zona comercial do porto, onde comprei alguns recuerdos, e ainda tive oportunidade de, numa loja chamada Spanish Table – mas que vende produtos ibéricos, e não apenas espanhóis –, comprar um vinho tinto Esporão (colheita de 2001) para oferecer à nossa anfitriã do jantar, na primeira experiência de home hospitality (de que já falarei).

Nessa loja, a rapariga que me atendeu é portuguesa (chama-se Cláudia Soares e é do Porto), está a estudar em Seattle (Ciência Política, creio) e trabalha em part-time nesta Spanish Table; já se sabe, é sempre bom encontrar compatriotas, sobretudo quando estamos quase do outro lado do Mundo – e ainda é melhor quando essa cara é bonita, como aconteceu!... Aliás, não deixa de ser curioso que só demos por que éramos os dois portugueses quando ele me perguntou “Did you ever try Portuguese wine?”, ao que, à minha resposta “I am Portuguese!”, ela retorquiu “Ah, então boa tarde!”… Imaginem a minha cara de espanto!... E, desculpem-me a imodéstia, mas acho que esta sequência só abona em favor do inglês de ambos (!)… porque se ela não tivesse perguntado aquilo, eu ia sair sem desconfiar de nada… e ela provavelmente também não!

Depois foi o regresso ao hotel, porque apesar de Seattle ser menos "comprida" ou "espalhada" do que DC, a verdade é que continua a ser uma cidade dos EUA, onde o conceito de espaço é muito mais amplo do que na Europa, pelo que os pés me começavam a doer…

A home hospitality teve início às 18 horas (levámos o carro, sempre conduzido pelo Marc Nicholson), em casa da Dra. Maryann Budlong, uma vivenda numa boa zona residencial próxima da costa e já algo afastada da down town. A Dra. Maryann – que me pareceu ter pouco mais de 50 anos – é Principal Consultant, Telecom Industry, tem muita experiência internacional e viveu muitos anos na Ásia. Creio que não se poderá falar em família americana típica, uma vez que além dela estiveram connosco, ao jantar, duas suas amigas orientais, uma delas CEO da Vidiator Technology, também baseada em Seattle, e a outra, uma estudante sul-coreana, que está a completar um ano universitário em Seattle (creio que numa espécie de Programa Erasmus). Esta última encontra-se a viver em casa de Maryann – que creio, como vive sozinha (com um cão e dois gatos), acolhe estudantes nestas experiências internacionais.
O convívio foi óptimo. Começámos com aperitivos (tostinhas, caju, queijo fresco em creme, especiarias orientais que não sei descrever, e truta fumada – que nunca tinha comido e é óptima –, acompanhados por vinho branco californiano), que talvez tenham demorado um pouco demais (quase duas horas), enquanto o jantar era cozinhado, e que é a única referência menos positiva que posso fazer (mas que não teve, de facto, grande importância).
Depois, a refeição propriamente dita foi composta por uma entrada, constituída por uma salada de caranguejo com manga e maçã e, como prato principal, o que “eles” chamam beef estufado com batatas, cenouras, cogumelos e cebolas, igualmente estufados. A carne era óptima (desfazia-se na boca), mas fez-me lembrar alguma da carne que usamos no cozido à portuguesa e que eu, quando era pequeno, tinha muita dificuldade em comer (pronto: fazia “pastel” e não gostava nada – talvez porque não fosse macia como esta)… Creio que a minha mãe não deixará de se rir com este episódio…
Como bebida para acompanhar, a anfitriã resolveu abrir a garrafa de vinho tinto que lhe tinha oferecido, tendo todos ficado maravilhados (excepto o Marc, que já conhecia) e fãs dos nossos vinhos (ora ainda bem)!...
A sobremesa foi um delicioso bolo de chocolate acompanhado de um chá asiático e licor de chocolate (no meu caso) ou de outras bebidas. Tudo muito bom, mas que sem dúvida me obrigará a trabalhos forçados amanhã no ginásio do hotel!...
Falou-se de tudo um pouco, das experiências de cada um, de viagens, de vários países do mundo, enfim, um convívio muito agradável.
A próxima (e última) home hospitality, está programada para Dallas, no próximo Sábado.

Chegámos ao hotel às 22:30, ainda tive que trabalhar um pouco (para Portugal), escrevi o diário – como podem constatar… – e… cama, que amanhã a alvorada é às 6:30, para queimar calorias no ginásio antes da primeira reunião, na University of Washington.

Apesar de amanhã ser feriado em Portugal, aqui não o é: o labor day (assim mesmo, sem o "u", à americana) celebra-se na primeira segunda-feira de Setembro. Por isso, depois do interregno do fim-de-semana, o Programa continua já amanhã…