Não sei em que momento da história recente é que o sonho da felicidade individual ao alcance de todos, obtido através de sociedades justas, solidárias e livres, deu lugar a esta pasta informe em que tudo é possível a cada momento, para logo se tornar odioso no momento seguinte, para depois ser de novo glorificado… Pelo caminho que caiam os que não se adaptam, que se calem os que não aceitem, que se iludam os que não entendem. O que é mais incrível é que quanto menor é a convicção mais alto se grita, trucidando os que ousam balbuciar alguma dúvida, criando um ruído tal que esmorece a coragem de afrontar, e assim se vai aceitando com um encolher de ombros, ao princípio envergonhados, depois mais ligeiros, por fim sem qualquer emoção, apenas um vazio de sentimentos e de esperança. Confunde-se hoje muito vagamente o que é um engano legítimo ou o que foi uma mentira tentada e falhada e aceitam-se desculpas pelas duas tal como se aceita que não haja desculpas a dar. Tanto faz. As desculpas também não importam, logo virão outras, e outras, já ninguém se lembra a que se devem porque também não se levam a sério as afirmações. As palavras até parecem as mesmas, tolerância, verdade, justiça, respeito, mas depois levanta-se uma pontinha e o que elas revelam é imposição insidiosa, mentiras flutuantes, arbitrariedade, insolência, tudo muito bem embrulhado em oratórias ocas e confusas. Chamam-lhe relativismo mas eu acho que é por caridade, ou por uma réstea de vergonha de se lhe chamar simplesmente falsidade, porque não se trata de procurar entender os pontos de vista dos outros para se progredir nas opiniões, o que se trata mesmo é de destruir o que quer que seja que pudesse ter algum crédito e gerar confiança e exigência. Num mundo de “ e daís” todos podem tentar a sua sorte, o pior é que também ninguém espera coisa nenhuma de quem ganha.
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sexta-feira, 14 de maio de 2010
E daí?
Não sei em que momento da história recente é que o sonho da felicidade individual ao alcance de todos, obtido através de sociedades justas, solidárias e livres, deu lugar a esta pasta informe em que tudo é possível a cada momento, para logo se tornar odioso no momento seguinte, para depois ser de novo glorificado… Pelo caminho que caiam os que não se adaptam, que se calem os que não aceitem, que se iludam os que não entendem. O que é mais incrível é que quanto menor é a convicção mais alto se grita, trucidando os que ousam balbuciar alguma dúvida, criando um ruído tal que esmorece a coragem de afrontar, e assim se vai aceitando com um encolher de ombros, ao princípio envergonhados, depois mais ligeiros, por fim sem qualquer emoção, apenas um vazio de sentimentos e de esperança. Confunde-se hoje muito vagamente o que é um engano legítimo ou o que foi uma mentira tentada e falhada e aceitam-se desculpas pelas duas tal como se aceita que não haja desculpas a dar. Tanto faz. As desculpas também não importam, logo virão outras, e outras, já ninguém se lembra a que se devem porque também não se levam a sério as afirmações. As palavras até parecem as mesmas, tolerância, verdade, justiça, respeito, mas depois levanta-se uma pontinha e o que elas revelam é imposição insidiosa, mentiras flutuantes, arbitrariedade, insolência, tudo muito bem embrulhado em oratórias ocas e confusas. Chamam-lhe relativismo mas eu acho que é por caridade, ou por uma réstea de vergonha de se lhe chamar simplesmente falsidade, porque não se trata de procurar entender os pontos de vista dos outros para se progredir nas opiniões, o que se trata mesmo é de destruir o que quer que seja que pudesse ter algum crédito e gerar confiança e exigência. Num mundo de “ e daís” todos podem tentar a sua sorte, o pior é que também ninguém espera coisa nenhuma de quem ganha.
quinta-feira, 13 de maio de 2010
Pelo menos metade?
O Ovo de Colombo
Revisionismos
É só mais uma brincadeira IV
E falaram de Santana Lopes, de Durão Barroso, de Manuela Ferreira Leite e de Cavaco Silva.
Ainda não consegui perceber como é que se esqueceram de Salazar e do Marquês de Pombal??
O Governo não pede desculpas, pede dinheiro
Morrer de “primavera”...

É muito provável que neste momento já tenham nascido os primeiros seres humanos que irão viver 150 anos. Entretanto, os que atingem idades provectas deverão agradecer aos seus genes e, quando morrem, morrem de “primavera”, como hoje um doente me contou a propósito da morte de uma tia.
– Oh senhor doutor, podia ver-me mais cedo? É que morreu uma tia minha e tenho que ir ao funeral. – Morreu de quê? – Morreu de primavera. – De primavera?! – Sim. Já tinha 93 primaveras...
Crime sem castigo
Têm sido esses que, ao longo dos anos, com lugar cativo nos jornais, rádios e televisões, vêm dando o suporte ideológico à política socialista que vê o Estado como motor da economia, e que toma a despesa pública como o factor decisivo de crescimento económico.
Os efeitos estão à vista. Gastou-se sem limite para crescer e os resultados são a crise económica e financeira instaladas. Corta-se agora na despesa para sobreviver e aumentam-se os impostos para satisfazer os credores, que o endividamento continua a crescer.
Pois deviam ser esses professores, doutores e professores doutores a arcar com o aumento de impostos. Diminuindo-lhes drasticamente os professorais vencimentos, já que, pela amostra, não sabem ensinar bem. E obrigando-os a trabalhos forçados para lhes iluminar a doutoral cabeça e para pagar o mal que ajudaram a fazer. De modo a que o crime não fique sem castigo.
A coca cola e o aumento do IVA
Há muitos anos, no tempo em que havia inflações muito elevadas, um ministro foi confrontado com o custo de vida dos portugueses: "Senhor Ministro, o que pensa do facto dos portugueses estarem a sentir na carne este agravamento do custo de vida?" E o Minsitro respondeu, sem interromper o seu caminho "Sim, sim, sentem na carne, no pão, no leite..." Dessa vez a coca cola não veio à baila.
Política económica: caminho sem saída e sem retorno?
2. Volto a referir, tal como nos últimos Posts aqui editados, que estas decisões só aparentemente são decisões nacionais – na verdade elas são ditadas do exterior (se de Bruxelas, de Berlim ou de Paris ou de todos, pouco interessa).
3. Com efeito, a autonomia na condução da política orçamental em Portugal (tal como na Grécia e em parte em Espanha) acabou...e não regressará tão cedo, provavelmente não regressará nunca mais.
4. Tendo a noção de que este “Plano de Austeridade” não resulta de uma decisão autónoma das autoridades nacionais, isso não é motivo para que nos devamos resignar perante o erro fundamental de política que lhe está subjacente e, muito menos, que calemos a divergência em relação a esta política.
5. A grave situação financeira que Portugal enfrenta deriva de um problema económico como temos chamado a atenção, vezes sem conta: o enorme desequilíbrio entre a despesa e a produção, que nos obriga, ano após ano, a aumentar o nosso endividamento ao exterior em valores próximos de 10% do PIB.
6. Este desequilíbrio entre a despesa e a produção só pode ser resolvido com dois tipos de medidas: (i) fomentando a produção dos sectores de bens transaccionáveis, com estímulos fiscais e financeiros pelo menos e (ii) contraindo, de forma drástica, o formidável volume de recursos que são postos à disposição dos múltiplos sectores públicos, Administrativo e Empresarial, nos planos central, regional e local bem como das empresas que actuam em mercados protegidos da concorrência.
7. É impossível ignorar que o grande desequilíbrio entre a despesa e a produção resulta do facto de a multiplicidade dos sectores públicos e protegidos consumir muito mais do que gasta, enquanto que o sector de bens transaccionáveis vai definhando dia a dia perante os nossos olhos esbugalhados...
8. Aumentar impostos, directos ou indirectos, significa afectar cada vez mais recursos aos sectores públicos, para que estes continuem a “garantir” o enorme desequilíbrio entre a despesa e a produção...
9. Aumentar impostos, sobretudo os directos, significa impor custos crescentes e competitividade decrescente ao já tão fragilizado sector produtor de bens transaccionáveis, conseguindo mais um contributo para “garantir” a perenidade do enorme desequilíbrio entre a despesa e a produção...
10. Da combinação destes dois ingredientes resulta que o processo de endividamento externo do País não tenha mais solução...até ao dia em que as fontes de financiamento encerrem de vez...
11. Não estaremos assim metidos à força num caminho sem saída e sem retorno?
A economia técnica
O mesmo Governo corta agora a despesa e sobe os impostos, para podermos sobreviver.
Demonstração mais realista não poderia haver do "êxito" de tão sofisticada economia técnica!...
Calado que nem um rato...
Encontro de Bento XVI com o mundo da cultura

(…) a cultura reflecte hoje uma «tensão», que por vezes toma formas de «conflito», entre o presente e a tradição. A dinâmica da sociedade absolutiza o presente, isolando-o do património cultural do passado e sem a intenção de delinear um futuro. Mas uma tal valorização do «presente» como fonte inspiradora do sentido da vida, individual e em sociedade, confronta-se com a forte tradição cultural do Povo Português, muito marcada pela milenária influência do cristianismo, com um sentido de responsabilidade global, afirmada na aventura dos Descobrimentos e no entusiasmo missionário, partilhando o dom da fé com outros povos.(…). Este «conflito» entre a tradição e o presente exprime-se na crise da verdade, pois só esta pode orientar e traçar o rumo de uma existência realizada, como indivíduo e como povo. De facto, um povo, que deixa de saber qual é a sua verdade, fica perdido nos labirintos do tempo e da história, sem valores claramente definidos, sem objectivos grandiosos claramente enunciados.(…)
De facto, o diálogo sem ambiguidades e respeitoso das partes nele envolvidas é hoje uma prioridade no mundo, à qual a Igreja não se subtrai(…) Constatada a diversidade cultural, é preciso fazer com que as pessoas não só aceitem a existência da cultura do outro, mas aspirem também a receber um enriquecimento da mesma e a dar-lhe aquilo que se possui de bem, de verdade e de beleza.
Esta é uma hora que reclama o melhor das nossas forças, audácia profética, capacidade renovada de «novos mundos ao mundo ir mostrando», como diria o vosso Poeta nacional.Vós, obreiros da cultura em todas as suas formas, fazedores do pensamento e da opinião, «tendes, graças ao vosso talento, a possibilidade de falar ao coração da humanidade, de tocar a sensibilidade individual e colectiva, de suscitar sonhos e esperanças, de ampliar os horizontes do conhecimento e do empenho humano. […] E não tenhais medo de vos confrontar com a fonte primeira e última da beleza, de dialogar com os crentes, com quem, como vós, se sente peregrino no mundo e na história rumo à Beleza infinita».
(…)Convido-vos a aprofundar o conhecimento de Deus tal como Ele Se revelou em Jesus Cristo para a nossa total realização. Fazei coisas belas, mas sobretudo tornai as vossas vidas lugares de beleza. Interceda por vós Santa Maria de Belém, venerada há séculos pelos navegadores do oceano e hoje pelos navegantes do Bem, da Verdade e da Beleza.
quarta-feira, 12 de maio de 2010
Cultura de compromisso
É só mais uma brincadeira III
Uma besta!

“Santa Clara das Águas”
Ontem fui com os meus três netos assistir à apresentação de um livro infantil, “Santa Clara das Águas”, de José Jorge Letria e ilustrado pela minha filha do meio, Inês. O evento teve lugar no auditório do edifício construído no perímetro do belo mosteiro de Coimbra que eu conheço há muitos anos. Um monumento cuja beleza a descoberto deslumbra qualquer um.À noite recebi um e-mail com um smile :( a denunciar a tristeza. Envio-me o seu pequenino texto, simples e amoroso. Não teria demorado mais do que um minuto a lê-lo.
Eu já o li e vou dá-lo a lê-lo aos que estiveram presentes e aos não presentes, porque um pai tem que mostrar orgulho nos seus filhos.
Aqui vai...
Agradeço a presença de todos nesta sala, à minha família, aos meus amigos, colegas, conhecidos…
Ter a Dra. Leonor Riscado a apresentar este livro, é uma honra, não só porque a admiro profissionalmente, mas sobretudo pela amizade, carinho e gratidão que sinto por ela.
Ter o Prof. António Modesto a comentar sobre o meu trabalho e sobre o meu percurso enquanto ilustradora, é um privilégio (muito grande)! Foi nele e no seu trabalho que descobri o encanto da ilustração e o prazer de ilustrar.
Hoje estão aqui comigo, estas duas pessoas que tanto admiro e estimo! Agradeço as vossas palavras e elogios. O meu percurso enquanto pessoa e ilustradora deve muito a vocês.
Este livro foi um grande desafio, ilustrei-o em sete noites, ou melhor, em alguns pedacinhos dessas noites…
Gostei, gostei muito de o desenhar, a história encantou-me, envolveu-me e fez-me sonhar. Quando isso me acontece, quando sinto este mesclar de sentimentos, tudo se torna mais fácil, mesmo que o texto e o pouco tempo que dispomos exija muito de nós.
Agradeço ao Rui pelas noites em que passou ao meu lado, enquanto o desenhava (que entretanto me ia “acordando”, quando os olhos começavam a cair).
Aos meus pais, agradeço sempre, por tudo! Nem preciso de lhes dizer mais nada…
Aos meus irmãos, em especial à minha irmã (e ela sabe bem o porquê), amigos e colegas que tantos elogios me dão!
Mas no fundo, este livro é dedicado inteiramente às três crianças da minha vida, à minha filha Maria Leonor e aos meus dois sobrinhos, Mariana e João António.
Ainda são pequeninos, mas um dia, espero, que sintam prazer em lê-lo e a vê-lo, o mesmo que eu senti quando o imaginei e ilustrei!
Obrigada a todos os presentes
terça-feira, 11 de maio de 2010
Palavras de esperança...
Vivemos uma época de profunda crise de finanças públicas, em que cresce a descrença relativamente ao futuro, em que se agudizam as assimetrias sociais e em que continua a faltar uma visão estratégica para o País e a capacidade de fazermos as reformas necessárias que permitam construir uma sociedade de bem-estar acessível a todos.
A mensagem que o Papa Bento XVI nos trouxe no seu primeiro dia de visita a Portugal foi uma mensagem humanista de esperança, de partilha e de solidariedade, mas também de apelo à necessidade de repensarmos modelos de vida e de renovação de compromisso colectivo na prossecução do bem comum.
Num contexto de grande apreensão e desesperança que marca a vida de muitas pessoas, o apelo à fé e a afirmação da mensagem de Cristo constantes da homilia que o Papa Bento XVI hoje proferiu na missa celebrada no Terreiro do Paço devem merecer a reflexão de todos.
O mundo vive hoje uma crise de princípios e valores que muito se deve à falta de verdade e à abusiva relatividade que caracterizam os actuais modelos de vida. As situações de crise que estamos a atravessar, de natureza económica, ambiental e social, são também crises morais e estão interligadas.
Na Encíclica “Caritas in veritate”, o Papa Bento XVI aponta que a “ humanidade tem necessidade de uma profunda renovação cultural” e que a resolução das actuais crises “impõe um modo de viver marcado pela sobriedade e solidariedade”.
As mensagens do Papa não irão resolver os problemas graves que atravessamos, mas devem constituir pela sua dimensão humanista uma base de reflexão que nos deve interpelar a todos sobre as mudanças que temos que fazer.
E que tal uma lei que proibisse o excesso de demagogia?
Aumento de impostos devia ser direcção proibida...
2. O Governo que até há pouco tempo excluía de forma “categórica” essa possibilidade, começou a vacilar e agora já a admite em termos que infelizmente não deixam margem para grandes dúvidas...
3. Bem sei, tal como procurei explicar no último Post “REQUIEM pela política económica”, que estas decisões já não são nossas, são-nos impostas do exterior, de forma mais ou menos explícita.
4. A autonomia da política orçamental, infelizmente muito mal exercida ao longo dos últimos 12 anos pelo menos, chegou ao fim – os objectivos dessa política, os “timings” e os meios para os cumprir - serão doravante ditados pelos credores e por seus representantes, a nível oficial ou profissional...
5. Sem embargo, considera-se lamentável que tenhamos que recorrer a aumentos de impostos para aguentar um nível excessivo e exorbitante de despesa pública...nós não temos receitas fiscais a menos, nós temos é despesa pública a mais – e vamos ainda agravar a carga fiscal para manter, a todo o custo, um nível de despesa pública manifestamente exorbitante?!
6. Esta aparente incapacidade para enfrentar de uma vez por todas o real e mais grave problema da economia do País – o excesso brutal de despesa pública, quer ao nível das Administrações Públicas quer ao nível dos sectores empresariais públicos – é um péssimo sinal de renúncia, um grave sintoma de incapacidade para tomar as decisões de eliminação dos desperdícios de recursos que urgentemente se impõem...
7.É bem possível que os novos “managers” da nossa política orçamental não acreditem na capacidade das autoridades nacionais para implementar com eficácia medidas de efectiva redução da despesa e pretendam por isso que o aumento das receitas, via agravamento de impostos, assegure o cumprimento dos objectivos.
8. Mas então será motivo para dizer que também os novos “managers” da nossa política orçamental estão sofrendo de miopia política - o aumento de tributação para prolongar um nível altíssimo de ineficiência na afectação dos recursos, implica uma quase certeza de que os graves desequilíbrios da economia não vão ser resolvidos e de que o recurso a mais e mais endividamento externo será uma inevitabilidade...
9. Tem toda a razão o Pinho Cardão quando se insurge contra esta política...está na hora de o aumentos de imposto ser considerado direcção proibida!
Mudar de política e de políticos
O inacreditável é que tudo isto poderia ser evitado…E não venham dizer que a culpa é dos credores, das agências de rating ou da senhora Merkel. Para males destes não pode haver perdão”.
Daniel Bessa, em Tempos de Sofrimento, Expresso de 8/05/10.
Daniel Bessa vem tendo sobre a despesa pública um pensamento de geometria variável. Ainda há pouco tempo o vi defender, na Conferência Anual dos Economistas, o OE para 2010, que prevê mais despesa corrente. Desta vez, está no lugar geométrico certo. Oxalá perdure. Porque nos mostrou, à evidência, o que nos pode acontecer.
segunda-feira, 10 de maio de 2010
Os cegos da economia
Na química, oxigénio+ hidrogénio = água.
Na física, a diferença de potencial entre dois pontos de um condutor é proporcional à corrente eléctrica (Lei de Ohm)
A economia, em determinadas circunstâncias, é também uma ciência exacta: mais despesa pública = mais impostos.
Pelo andar da carruagem, estão aí a chegar. Não tem nada que saber!...
É só mais uma brincadeira II
domingo, 9 de maio de 2010
REQUIEM pela política económica...
2.Quando deparamos com este “finale” nada brilhante, é forçoso recordar que tudo isto começou há cerca de 11 anos, paradoxalmente em ambiente de grande festa, quando aderimos à Confraria do Euro, orgulhosamente instalados no seu “pelotão da frente”.
3.Aí, de um só golpe, prescindimos dos dois mais importantes instrumentos de regulação económica de que até então (ou até um pouco antes) dispúnhamos:
- A taxa de câmbio, que nos tinha permitido, em momentos críticos (com o FMI a tiracolo) alterar o valor externo da moeda;
- A taxa de juro, que tinha tido um importante papel coadjuvante da taxa de câmbio na contracção da procura interna.
4.Parece que quase ninguém (nas chamadas altas esferas do poder) em Portugal se
terá então dado conta disso, mas ficamos nessa altura reduzidos à política
orçamental e às chamadas políticas estruturais.
5.A política orçamental, como temos repetido “ad nauseam”, foi utilizada da
pior maneira possível, tendo contribuído para agravar o desequilíbrio da
economia e para acelerar o endividamento ao exterior que as muito baixas taxas
de juro e o aventureirismo dos bancos tinham já feito disparar.
6.A política estrutural por sua vez serviu sobretudo para compor discursos bem
elaborados e para justificar meia dúzia de iniciativas mais ou menos pomposas
mas de eficácia nula ou quase nula no tocante ao fortalecimento da capacidade
de oferta de bens e de serviços transaccionáveis – plano tecnológico, novas
oportunidades, etc.
7.Sem nos darmos conta, estávamos assim a preparar o terreno para mais dia menos dia
virmos a perder o que nos restava de autonomia da política económica.
8.E esse dia chegou, talvez quando os incautos cidadãos menos esperavam…
em meados do ano 2011, com o País asfixiado em dívidas, os credores
apertando o cerco, exigindo taxas de juro cada vez mais elevadas…
9.Doravante, a política orçamental terá que cumprir os objectivos que os credores
determinarem, até porque, é bom não esquecer, a evolução da nossa dívida
externa só conhece um sentido - vai continuar a aumentar, a ritmo muito forte,
por maiores que sejam os aplausos ao PEC- “fetiche”…
10.E ai de nós se não cumprirmos os objectivos orçamentais que os credores nos
fixarem…
11.Deveremos lamentar-nos por este triste fim da política económica nacional?
Não pode motivo de contentamento, certamente, perdermos toda e qualquer
autonomia na condução da política económica…mas quando nos lembramos do
uso que dela foi feito, não nos deve deixar muitas saudades…
Parabéns ao Benfica
Mais que vencer o dito, a grande honra é suceder ao glorioso F.C.P.!...
Usufruam, usem…mas não abusem!...
Parabéns. Mereceram.
Pikaia

Mudo com uma certa frequência a imagem de fundo do meu portátil. Agora optei pelo Pikaia, o mais velho antecessor dos vertebrados, uma criaturinha com cerca de 5 cm que viveu há 570 milhões de anos durante o maior orgasmo de vida jamais vista neste planeta, explosão cambriana, e na qual os religiosos conseguem “ver” a mão de deus. O que é lhe teria passado pela cabeça na altura? Alguma experiência? Vá-se lá saber. Daquela simpática criatura descendem os vertebrados, seres humanos incluídos. Os estudiosos destas matérias têm à disposição o famoso Xisto de Burguess, a pedra da Roseta dos paleontólogos. O que aconteceria se voltássemos novamente a esse longínquo período e se tudo recomeçasse de vez? Às tantas não seríamos nós, os humanos, que estaríamos aqui, mas sim, talvez, outra espécie mais evoluída ou, então, outras tão desenvolvidas como as que nos rodeiam, mas sem homens e sem mulheres criados à imagem e à semelhança de deus. Porquê? Porque são os pequenos nadas que conseguem fazer as grandes diferenças. Se “Há um nada que faz os reis e os vagabundos, podendo até dar-se o caso, de o útero lhes ser comum”, então é de prever que as mudanças operadas teriam seguido outro caminho que não este. Frutos de um acaso e descendentes de uma Pikaia. A natureza brinca ao sabor de pequenos acontecimentos, entretendo-se a criar e a destruir vidas. De momento, existem apenas 5% de espécies que já existiram neste calhau perdido. As outras 95% já foram à vida. Que desperdício! Às tantas deveriam haver algumas que poderiam ter originado coisinha melhor. Mas a vida continua, e continua a obedecer a algumas e interessantes regras, como a da poupança. A natureza sabe da poda. Nada de gastos, se quiserem sobreviver. De vez em quando lembra-se de apagar umas tantas espécies, umas vezes porque não respeitam as suas leis, outras por algum capricho mais espetacular. Agora até tem um aliado de peso, nesta tarefa de extermínio, e que a deve chatear demais, os homens. Os recursos energéticos que põe à disposição das espécies ou são utilizados de preferência na procriação ou na manutenção. Quando privilegia a primeira, a existência da espécie fica assegurada pela multiplicação dos seus membros e, depois deste período, pouco ou nada fica para a vida adulta, acabando por desaparecer. Em contrapartida os que investem pouca energia na procriação transferem-na para a sua manutenção. É o que acontece com muitas espécies que chegam a viver dezenas e dezenas de anos, e algumas até ultrapassam os cem anos. Nestas, as alterações celulares são muito pouco comuns e, como tal, não sofrem de grandes patologias.
Os seres humanos “optaram” pelo investimento energético durante a procriação e crescimento extrauterino. Compreende-se a razão, já que não viviam muito para além dos trinta anos. Logo, as necessidades energéticas de manutenção não faziam grande sentido, o que foi determinante para o aparecimento de células degenerativas e de um envelhecimento mais do que evidente, quando conseguiram ultrapassar aquele limite. A partir daqui surgem as doenças. As espécies que privilegiam a fase de manutenção crescem mais lentamente e vivem muitos anos. Quando o homem conseguiu ultrapassar a esperança de vida dos trinta anos, entrou numa nova fase, a de “excedente de vida”, vivendo mais de quarenta anos, chegando a alcançar os noventas anos, e não vai ficar por aqui. E agora? Para conseguir viver com qualidade precisa de “energia” para a sua manutenção durante estas longas décadas que não estavam previstas. Energia no mais amplo sentido, com tudo o que se pode depreender ou depender da palavra. Muita energia, muitos custos e mesmo assim não vai ser fácil. Mas tem que ser, de outra maneira vai continuar a sofrer. Não pode “desviar a energia” despendida para a procriação e o desenvolvimento extrauterino, porque os compromissos evolutivos são irreversíveis. Agora, precisa de investimentos durante as duas fases e, na segunda, a da manutenção da vida, as exigências vão ser astronómicas. O que estamos a observar, a nível social e económico, é de uma violência comprometedora para a sobrevivência da espécie humana que decidiu, e muito bem, a partir de certa altura romper com os caprichos da natureza, desobedecendo-lhe e, ao mesmo tempo, querendo domesticá-la. Mas será que vai ser capaz?
- Oh Pikaia, mas que é que te deu nesse dia? O que é te passou por esse primórdio, esboço, ou como queiram chamar “princípio”, que um dia levaria à feitura de um cérebro, para andares a “pikaiar” a tua vizinha? Ah! Imagino que deverá ter sido do calor. Eu sei, no Câmbrico fazia muito calor. É sempre uma boa desculpa. Uma pequena distração momentânea, um pequeno “nada”, de deus...
sábado, 8 de maio de 2010
Levar Lisboa para o Poceirão
Sapateiro que vai além do chinelo...
Carlos César, no Expresso de hoje, aludindo à eventual candidatura de Cavaco Silva.
Mais um insigne estadista que passou à acção directa. Aqui, da ofensa directa.
Coitados, não sabem nem sonham que sapateiro não deve ir além do chinelo...
É só mais uma brincadeira
Benvindo a Portugal, Papa Bento XVI

Portugal é um país católico e isso não significa que o Estado se confunda com a religião, mas significa com certeza que o Estado não pode ignorar a religião professada pelos seus cidadãos e que impregna a nossa cultura e os nossos valores há séculos e séculos. Reconhecer a importância que a visita do Papa tem para a grande maioria dos portugueses não é nenhum acto de Fé oficial, é uma decisão de puro respeito que a mais elementar sensibilidade política tinha que entender. Esses teóricos de um estado imune a contaminações religiosas agarram-se à bíblia constitucional, a tábua das Leis ditada para organizar sociedades e não para comandar os espíritos, muito mal estamos quando se pensa que toda a essência de um povo se esgota nas regras das leis feitas pelos homens. Nada impede que quem assim não sente vá trabalhar arduamente nesses dias, feche as janelas, a rádio e a televisão e declare que não vive neste País de atrasados agarrados a uma fé que os seus elevados intelectos consideram absurda. Mas não é isso que lhes serve, não lhes basta serem livres de escolher, precisam que os outros se submetam, que não se manifestem, que rezem às escondidas lá em casa. O que lhes servia mesmo era o fingimento de um dia como os outros, a arrogância de ignorar, a falta de caridade de proibir. Caritas, como ensina a encíclica, o amor pelos outros, é o que falta a tanta teoria da modernidade. Como se o povo e a sua fé alguma vez se vergassem a esta prepotência bem pensante, cheia de lógicas a regra e esquadro, mas vazia de humanidade.
sexta-feira, 7 de maio de 2010
"Os rios são como os homens"

Certos olhares perturbam-me, dão-me a sensação de que estão a pairar num estranho horizonte, invisível, longínquo, ao mesmo tempo que anseiam mergulhar nos meus. Sinto que querem transmitir algo a que não é alheia uma entoação suave, doce, humilde e recatada. Quando presencio estes casos estou seguro de estar perante uma alma em sofrimento.
Uma tarde de trabalho como tantas outras. Antes de iniciar, um pequeno passeio levou-me ao jovem rio acabado de sair do ventre da serra próxima, titubeante, puro e límpido, e que amorosamente acariciava os longos fios da frondosa cabeleira verde da mãe natureza. Fiquei durante uns bons momentos, no cimo da velha e estreita ponte, a vê-lo a correr esperançoso e vaidoso por vales e lameiros. Pensei: - Mal sabes o que te espera ao longo do teu percurso até te confundires com as águas de outros rios. Quando fores mais velho diluir-te-ás sem saber onde, e perderás a tua identidade. A memória das tuas origens começará a esvanecer-se nesse preciso instante e, por fim, quando alcançares o vasto oceano, onde tudo se confunde e se funde, já não te recordarás onde nasceste nem dos alegres momentos da tua jovem vida ao sair do algar, em que tudo parecia simples, suave e promissor, quando te inundavam de belos instantes e de muitas confidências. Uma alegria que vai transformar-se em sofrimento e na morte.
Os rios são como os homens, nascem com satisfação, crescem com esperança, vivem com sofrimento e morrem cheios de dor.
O senhor começa a responder às minhas perguntas com um olhar e uma entoação que não me são estranhos de todo, acabando por responder à que não cheguei a formular: - Há três anos morreu-me uma filha de acidente de viação. Tinha 23 anos. Olhei-o e deixei-o discorrer o tempo que quis. Enquanto o senhor perorava eu ia construindo toda a cena com os pormenores que me iam entrando, quais agulhas incandescentes, nos meus ouvidos. Local, posição, imagem feminina, estupefação que a deverá tê-la atingido antes do golpe mortal, tudo se processava como um filme. Ao mesmo tempo sobrepunham-se outros relatos semelhantes, alguns ditos nas semanas anteriores, e ocorridos na mesma povoação como se fosse uma maldição que atingia os jovens daquela zona. Outros, muitos outros, armazenados na minha memória libertavam-se como diabos à solta atormentando-me e recordando a crucificação estúpida, e não redentora, dos pais e mães que vivem tão horríveis tragédias, ano após ano, sem encontrar uma explicação, um significado, nada, a não ser uma escorrência dolorosa das almas. Escorrência idêntica a todos, que emerge através do olhar e se materializa em formas de expressão suave, doce, humilde e recatada.
Os meus pensamentos já não correspondem à beleza e à esperança dos jovens rios. Já correram muitas léguas e contornaram muitos meandros, mesclando-se com pensamentos de outros, sobretudo pais e mães, incompreensivelmente vítimas da forma mais brutal de violência.
Ao final da tarde, depois da turbulência existencial, fui impelido a ver novamente o jovem rio. Verifiquei que continuava a correr solitário, titubeante, puro, límpido, silencioso, acariciando a mãe natureza. A minha imagem e as minhas confidências devem tê-lo incomodado. Senti que desta vez fugia, agora menos esperançoso e muito menos vaidoso.
Os rios são como os homens e os homens como os rios.
A tese, a antítese e a síntese
A antítese: Vieira da Silva , hoje, em Paris, declarou: "é de tal maneira normal adiar investimentos que o Governo já fez uma reestruturação do seu programa de investimentos aquando da apresentação do Programa de Estabilidade e Crescimento e do seu desenvolvimento".
A síntese: Também hoje, em Paris, José Sócrates afirmou: "com franqueza, considero um pouco ridícula a ideia que tudo o que está a acontecer na especulação financeira contra Portugal, contra Espanha e contra outros países e contra a Europa se deve aos investimentos que o nosso país está a fazer".
Que seria de nós sem estas decisões da UE?
quinta-feira, 6 de maio de 2010
Uma excelente entrevista
Somos todos gregos
Este é um episódio verídico, que possivelmente se repete por todos os cantos dessa maravilhosa Europa da mobilidade. Pela primeira vez um jovem europeu sente na pele o estigma da acusação, da humilhação e da vergonha de ser tratado sem respeito nem dignidade. Cada país apressa-se a vir ao palco dizer que não é como a Grécia, Deus nos livre, pois não, uma espécie de vírus vergonhoso e contagioso, ligam a televisão e assistem à revolta, à violência e às multidões e assustados dizem “nós não somos assim, nós não somos assim”. Talvez resultasse melhor se dissessem que todos tiveram culpa, que a Grécia somos todos nós quando ignorámos os sinais, quando se estimulou o recurso ao crédito, quando se fizeram manobras financeiras visionárias, quando se aceitaram défices errados, estatísticas políticas, promessas impossíveis. Viram e calaram? Tiveram culpa. Não viram e confiaram? Tiveram culpa. Acabada a festa, é preciso apanhar as canas e reconhecer que, em maior ou menor grau, somos todos gregos. Por este caminho, a crise financeira vai deixar feridas bem profundas, ódios e ressentimentos que o dinheiro não resolve. Os povos merecem respeito e os políticos deviam sabê-lo.
Acção directa
Violência
Quando vejo certos eventos desportivos fico de boca aberta com os relatos e atitudes de muitos adeptos. Violência física, psicológica e verbal passa a ser uma constante. Nota-se uma necessidade de humilhar, de ofender, de provocar e de gritar falsas superioridades, uivando expressões e faiscando maneiras de uma combatividade terrível como se tivessem aberto alçapões de raiva contida.
Na altura em que os “maiores” se confrontam, então é mais do que certo que muitos, digo muitos e não alguns, revelam o que são, uns perfeitos imbecis desejosos de descarregar bílis negra. A situação é particularmente grave ao ponto de serem mobilizados importantes efetivos policiais para conter hordas de selvagens que, à sombra dos acontecimentos desportivos, sentem que podem exteriorizar o que lhes vai nos cérebros primitivos. Formas ejaculatórias de agressividade. Neste capítulo, os meios de comunicação social gostam de lançar gasolina no fogo ao relatarem de forma excessiva, e pouco compreensível, alguns eventos, dando-lhes a aparência de verdadeiras batalhas de uma guerra sem fim. Ainda me recordo de um selecionador nacional falar de jogos “mata-mata”. Simbólico, mas revelador de uma transferência das velhas batalhas para os estádios. Para muitos não interessa como ganhar, o que interessa é derrotar o “inimigo” não o opositor, humilhá-lo, levá-lo a dobrar o joelho. Neste capítulo deixam de ser cidadãos normais, comportam-se como verdadeiros soldados de religiões inimigas. Cegos, mesmo cegos, só lhes interessa “matar-matar”.
As televisões e os jornais deveriam baixar o interesse para níveis aceitáveis e deixar de transmitir as declarações infelizes, inoportunas, embaraçosas e estúpidas que, por sua vez, alimentam outros fanáticos, numa espiral de violência com consequências que podem ser terríveis. Eu sou deste clube, eu sou de outro, o meu é melhor, o meu clube é que é, eu faço tudo pelo meu, e eu até dava a própria vida. A partir daqui é fácil enveredar para a irracionalidade comportamental, chegando alguns adeptos, por exemplo, a registarem como sócios os filhos ao nascer como se fossem animais sacrificados a um qualquer deus. Uma excentricidade que pode originar lunáticos no futuro, como é fácil de ver.
Estas condutas revelam facetas zoológicas primitivas prontas a dispararem para outras áreas. Espero que não ocorram. Mas nunca se sabe.
A natureza humana não é domesticável, por mais que queiramos, pode ser acalmada durante algum tempo, mas quando as circunstâncias se agravam, apelando à irracionalidade reptiliana, então é de esperar a repetição de fenómenos que já marcaram a alma e o corpo de muitos seres humanos. Resta a esperança da solidariedade humana quando as catástrofes se instalarem. Só não sei se serão os mesmos seres humanos...
Vamos guardar só para nós...
quarta-feira, 5 de maio de 2010
Escola Eça de Queirós - retrato de um país pequeno com um coração grande
Dez alunos de diferentes raças e países prepararam uma redacção sobre a sua experiência em Portugal e cada um leu o seu texto primeiro na língua materna, depois em português, e é emocionante assistir ali, de seguida, à sucessão de toadas, de sons estranhos e depois aos diferentes sotaques que embelezavam a língua portuguesa. Todos referiram as primeiras dificuldades e depois os progressos, a ajuda que encontraram, os amigos, o sol e a beleza do país. Bulgária, Biolorrússia, Tailândia, Angola, Moçambique, Roménia, S.Tomé, Brasil, Cabo verde, Inglaterra… em todos o mesmo sinal de quem se sente já parte deste mundo estranho onde chegaram por mil e uma razões e onde muitos vieram para ficar.
Muitos referiram a dificuldade do português, a gramática complicada e os “verbos que nunca mais acabam”, mas riam-se e logo confessavam o prazer de hoje já conseguirem falar e entender, que assim já podiam conversar com os amigos em vez de estarem sozinhos a “embirrar com tudo”.
Por todos, fixei as palavras do jovem Engenheiro da Colômbia, que está a fazer um mestrado no Técnico, onde apenas dois colegas falam português e que não quis regressar à sua terra sem saber falar a nossa língua. Matriculou-se naquela escola no curso de português para adultos e aí aprendeu, diz ele, muito mais do que a entender e a comunicar, aprendeu que “Portugal é um País muito pequeno mas com um coração muito grande.”
Um discurso da 1ª República
terça-feira, 4 de maio de 2010
Rua de almas
Ouvi pela primeira vez o seu nome quando o Arvelos cantava ao fim da tarde, bêbado que nem um cacho, o fado Hilário, junto ao pontão dos caminhos-de-ferro, com uma voz triste, mas bem timbrada, que o álcool não conseguia roubar. Tinha dias. Quando dava para a tristeza, em oposição a momentos mais alegres, em que entoava músicas e versos muito “marotos”, era certo e sabido que tinha de ser aquele fado.
A minha capa velhinha
É da cor da noite escura
Ela quer acompanhar-me
Quando for p’rá sepultura
Conheço aquela rua há muito tempo, mas só hoje é que parei e escolhi uma casa de pasto, embora se autointitulasse restaurante. Simples, desde o espaço às pessoas, comida incluída, mas saborosa. Nas paredes, quadros, relíquias e um resto de capa de estudante rasgada presa à parede com um fita de grelo amarela, a homenagear o boémio que morreu precocemente.
Ela há-de ir contar aos vermes
Ai, já que eu não posso falar
Segredos luarizados
Ai, da minh’ alma a soluçar
Uma certa nostalgia emergia naquele espaço a que não era estranho a violenta luz do sol arrefecida por um vento caprichoso e pelas poucas almas que passeavam nas redondezas. Uma estranha sensação que já vivi em alguns funerais.
Eu quero que o meu caixão
Tenha uma forma bizarra
A forma de um coração
Ai, a forma de uma guitarra.
Rua de almas. Antes de almoçar cruzei com uma. Conheço-a desde os meus tempos de criança. Nasceu e criou-se na minha terra. Olhou-me e não me reconheceu, nem desta vez nem nas anteriores. Ocupa invariavelmente um pequeno espaço num cruzamento de velhas artérias. Desta vez parecia uma sentinela, rígido, sob a ombreira de uma porta, recatado, com barba por fazer mas cuidada. Olhos tristes à procura de alguém ou à espera de qualquer coisa. Imóvel, sem expressão facial, sem a alegria e a vivacidade de outrora em que, na sua terra natal, vendia felicidade e exuberância, cativando os amigos e os mais putos. Um dia foi trabalhar para Viseu e deixou de ir à terra natal que dista apenas umas seis léguas. Nunca soube porquê! Impressionou-me a sua atitude. Nunca me lembro de que posso encontrá-lo, mas quase sempre que vou à minha cidade preferida, esbarro na sua figura. Parece uma flor solitária a murchar lentamente com a passagem dos anos, à espera de algo naquele belo cruzamento. À espera de quê? Não sei, mas sinto que aguarda alguém que nunca mais aparece até um dia ele próprio desaparecer. Talvez seja isso. Está à espera de desaparecer, como outros que vi ao longo do tempo deambular naquelas vias ansiosos por encontrarem uma saída. Eram sofredores da minha terra e só a morte foi capaz de os acalmar. Se houvesse purgatório, aquele espaço poderia reivindicar aquele estatuto.
Quando dou por mim verifico que já tinha calcorreado mais do que uma vez as estreitas ruas. Um ritual que se repete sempre que passo por aquelas bandas. Ao olhar para a casa onde nasceu o Hilário, recordo que o cantador da minha terra, a quem ouvi pela primeira vez o seu fado, também andou por ali ondulando ao sabor do acaso e à indiferença dos homens como uma velha e rasgada capa de estudante...
A minha capa ondulante
Foi feita de negro tecido
Não é capa de estudante
Mas é mortalha de vencido
Contágios e mais contágios, uma nova pandemia?
Esqueçamos as histórias, façamos o trabalho de casa...
2. Assim conhecemos já:
(i) a lenda do inimigo americano que atenta ferozmente contra a vida do Euro, procurando preservar a hegemonia do USD;
(ii) a denúncia do imoral comportamento das agências de rating, que nos traíram com os seus inoportunos “downgrades”, acompanhada da magnífica ideia da criação de uma agência de rating europeia, devidamente obediente aos órgãos políticos para garantir doravante a suma qualidade dos riscos nacionais;
(iii) a desfaçatez dos mercados, dominados por especuladores que não reconhecem a superior qualidade das políticas de consolidação orçamental dos nossos inspirados governos, etc, etc.
3. Também conhecemos a determinação de fazer avançar – não se sabe ainda se rumo ao frigorífico ou ao congelador – as grandes obras públicas que na actual conjuntura deverão constituir um motivo de especial conforto para os nossos credores, que estão muito confiantes no “free cash-flow” esperado de tais projectos para poderem finalmente descansar sobre a qualidade dos seus créditos...
4. O que não conhecemos ainda é o impacto orçamental, em 2010, 2011, 2012...das medidas “adicionais” de consolidação (admitindo que existiam algumas antes...) entretanto anunciadas mas sem que se saiba quando e como serão “implementadas” para escorar a situação precária das finanças públicas...
5. Lembrei-me destas breves considerações quando esta tarde li declarações, habitualmente bem fundamentadas e sensatas, do nosso conhecido Daniel Gros, que recomenda a Portugal a adopção imediata de duras medidas de austeridade para evitar ser o segundo País a necessitar da assistência dos outros países do Euro (sem ou com Grécia é uma boa pergunta...).
6. Daniel Gros mais uma vez chama a atenção para a similitude das situações entre Portugal e a Grécia no que aos desequilíbrios económicos respeita – com alguma desvantagem para Portugal, até – manifestando a sua opinião de que Portugal precisa de dar sinais inequívocos de que faz o “trabalho de casa” para não ser apanhado numa situação semelhante à da Grécia.
7. Ser apanhado numa situação semelhante à da Grécia significaria, concretamente, ser o próximo país a ter de pedir ajuda aos seus pares e ao FMI, caso a capacidade de financiamento no mercado vier a mostrar-se insuficiente para dar cobertura a todas as necessidades de financiamento da economia, tanto do Estado (em sentido alargado) como do sector privado.
8. Porque tenho em boa conta a opinião de Gros, concordo que é tempo de nos deixarmos de histórias “esfarrapadas”, de "jumbo" obras públicas insaciáveis consumidoras de capital e mais destruidoras que criadoras de emprego - e de começarmos a fazer, como se impõe, o difícil mas incontornável trabalho de casa...que já tarda, de resto...
Ai que solidariedade...
segunda-feira, 3 de maio de 2010
Bem me parecia que existia um boa razão...
O Euro e o seu inimigo americano...
2. Terão finalmente percebido que já não era credível continuar a sustentar (i) que tudo vai bem, (ii) que as contas estão sob controlo, (iii) que a consolidação orçamental sofreu um pequeno revés fruto da crise internacional mas vai ser retomada, etc, etc, etc - como já toda a gente percebeu que nada disto é consistente, importava mudar a linha de defesa para outra frente da ficção opinativa...
3. Assim, gente de fértil imaginação, encontraram uma tese que até soa bem aos ouvidos dos habitualmente incautos ouvintes/espectadores: os americanos nunca gostaram do Euro, que veio por em causa a hegemonia do USD - por isso mercados, especuladores, agências de rating americanas (e esquecem a fatal CIA?!) estão agora apostados em destruir o Euro, lançando uma poderosa campanha de descrédito sobre a zona Euro e sobre a viabilidade – até agora tão risonha – da moeda comum.
4. Esta histriónica construção tem naturalmente como fundamental desígnio que possam manter-se intocáveis os erros de política económica próprios, que tiveram e têm papel determinante na emergência desta crise – mas a sua lógica deixa em aberto alguns insondáveis mistérios.
5. Em primeiro lugar, deve lembrar-se que o Euro existe desde há quase 11 anos – desde 1 de Julho de 1999 – e nunca os americanos se preocuparam muito ou pouco com ele, apesar de ter havido durante este período pelo menos 8 anos de presidência Bush, certamente o mais perverso de todos os nossos inimigos americanos...
6. E só ao 11º ano é que os americanos se lembraram da necessidade de combater o Euro? Tendo para isso mobilizado os especuladores, as agências de rating e sabe-se lá quem mais...para desferir de surpresa, aproveitando a desguarnecida fronteira da Grécia, um ataque de dimensões gigantescas à moeda do maior bloco económico mundial?
7. Mais extraordinário ainda, este ataque estava reservado exactamente para a presidência de um grande amigo da Europa, Barack Obama – grande amigo pensávamos nós, vemos agora que por detrás daquela face simpática, daquele discurso de paz, de uma forma fresca de fazer política se esconde uma vontade perversa de destruir o Euro e de atingir em cheio a economia europeia, para salvaguardar a hegemonia do USD...
8. É impressionante como George W. Bush deixou escapar a oportunidade de lançar um ataque contra o Euro, ele que detestava a Europa e os europeus, sentimento que estes retribuíam generosamente...deixando para Obama o privilégio de atingir o Euro no coração!
9. O que são capazes de imaginar estes “opinion makers” quando se trata de arranjar desculpas de mau pagador...
Uma viagem inacabada...
Não tive possibilidade de fazer um passeio de barco para cruzar as dezenas de ilhas, da qual a mais conhecida é a Ilha de Itaparica, e enseadas e para avistar do mar a cidade de Salvador. Mas o passeio marítimo que percorri por várias vezes, entre o Rio Vermelho e a península de Itapagipe, onde fica a fervorosa Igreja do Bom Fim, permitiu-me alcançar a largura e a profundidade a perder de vista da Baía de Todos os Santos e apreciar de muito perto vários fortes defensivos da época da colonização colocados em locais mais avançados sobre o mar, ver as praias a perder de vista e as ondas sem fim a debruçarem-se sobre o areal e cheirar a profusa vegetação que decora as encostas que recortam a Baía.
A grande atracção arquitectónica e cultural de Salvador encontra-se no Centro Histórico, classificado Património da Humanidade, no qual encontramos um grande aglomerado colonial urbanístico e artístico, o maior do Brasil. À medida que vamos entrando e caminhando a sensação de espanto e o reencontro com a história vão crescendo. Descobrimos rapidamente que estamos como que em "nossa casa". Tudo nos diz alguma coisa, com um misto de sentimentos de familiaridade e novidade.
Muito mais haveria para contar. Mas para terminar, vale a pena também visitar o Convento do Carmo localizado no Bairro do Pelourinho. A sua construção iniciou-se no século XVI pela Ordem Primeira dos Freis Carmelitas. Foi primorosamente restaurado, dando lugar a uma pousada (Grupo Pestana) requintadamente decorada, a convidar ao prazer de juntar o conforto à imponente história e cultura de Salvador da Bahia.
domingo, 2 de maio de 2010
sábado, 1 de maio de 2010
O retrato grego
A própria Espanha decidiu pura e simplesmente eliminar 29 das 106 empresas públicas e vai fazer cortes significativos na alta Administração Pública, suprimir cargos de direcção e de administração, reduzir a presença no sector empresarial.
Tudo para diminuir a despesa pública.
Como na Grécia, em Portugal provou-se mais uma vez que uma crescente despesa pública deprime a economia, em vez de a fazer crescer, pelos impostos que arrasta, pelo endividamento que provoca, pelos juros que exige. Uma verdade evidente, mas que os piores cegos, os que não querem ver, ignoram e continuam a negar.
Uma travagem na despesa e nos irracionais investimentos públicos iria minoraria os danos. Ao contrário, a política de Sócrates vai obrigar, não tarda, a aplicar a receita grega. Numa total insensatez, nem olhando para esse retrato grego, com a população na rua, o governo tem emenda.
G.O.P.: máquinas poderosas de destruição de emprego!
2.Esta situação significa que todo e qualquer esforço de investimento em Portugal, nas actuais condições financeiras, terá de ser financiado por recurso a poupança externa, isto é a financiamento externo.
3.É pois de natureza financeira a grande restrição a que se encontra hoje sujeito o crescimento da economia portuguesa e que tenderá a agravar-se inevitavelmente nos próximos anos com o rápido aumento do endividamento ao exterior que até as previsões oficiais apontam.
4.Perante este quadro, compreendem-se as dificuldades de acesso ao crédito que as pequenas e médias empresas têm vindo a sentir e que agora também são extensivas aos particulares: a capacidade adicional de concessão de crédito do sistema financeiro é menor, são bem mais rigorosos os critérios de análise de risco e aumentou a exigência de garantias para cobrir os riscos assumidos (relação loan to value).
5.A sinistralidade do crédito tem aumentado bastante – o crédito mal-parado dos bancos a empresas privadas não financeiras mais do que duplicou nos últimos 12 meses – o que também explica a maior relutância que os bancos têm hoje em conceder crédito ao sector privado, com excepção das grandes empresas.
6.E os bancos, sendo-lhes dada essa possibilidade, preferem naturalmente conceder crédito ao sector público alargado que teoricamente proporciona menor risco e que pela regulamentação em vigor lhes consome menos capital…é preferível conceder crédito a uma empresa pública mesmo que completamente falida (e há tantas!) mas com o aval do Estado do que a uma média empresa privada com algumas dificuldades financeiras...
7.Esta situação tem tendência a agravar-se à medida que a dependência financeira externa aumentar, ditando uma crescente escassez de crédito para a economia.
8.Estamos pois a assistir a um típico fenómeno de “crowding-out” do sector privado no acesso ao crédito que explica, em boa parte, o formidável aperto de cinto a que este sector está sujeito e o rápido aumento do desemprego que dele deriva…
9.O anunciado lançamento das Grandes Obras Públicas (G.O.P.) só vem acentuar - e de que maneira - esta perversão no financiamento da economia. Com o eventual prosseguimento das G. O. P., o “crowding-out” do sector privado no acesso ao crédito será assustador, funcionando com uma poderosa mola impulsionadora do aumento de desemprego.
10.Assim sendo, justificar as G.O.P. com o argumento da criação de emprego será um dos maiores embustes de que há memória…as G.O.P., para além de contribuírem para aumentar a dependência financeira externa, actuarão como máquinas poderosas de destruição de emprego…
11.Avante com as G.O.P., pois, em nome do emprego!
Parabéns “Pílula”!
À época, a miséria, e a alta taxa de natalidade, provocavam perturbações sociais e familiares muito graves. As políticas de controlo de natalidade tinham muitas dificuldades em se imporem devido às limitações de ordem técnica e a muitos detratores que invocavam os mais diversos motivos. Alguns chegaram a considerar que a redução da natalidade iria favorecer o avanço do comunismo e o genocídio dos “negros”. Quanto aos movimentos religiosos, estes viam tudo e não viam nada! Apregoavam perigos para a estabilidade social, afirmavam que as mulheres ao tornarem-se sexualmente livres iriam fazer coisas muito feias e, além do mais, iriam contra a vontade divina, como se Deus se importasse com estas coisas! A pílula chegou a ser proibida em determinadas zonas, noutras só as mulheres casadas é que podiam ter acesso e se sofressem de irregularidades menstruais!, tornando-se igualmente num símbolo de imoralidade como se a humanidade fosse desde a noite dos tempos muito diferente com ou sem qualquer contracetivo.
A imoralidade apregoada pela igreja levou à ”interdição” do seu uso. Ainda me recordo de ouvir conversas, que hoje à distância são de arrepiar, em que as mulheres passariam a “encornar” os maridos, não podiam comungar, corriam o risco de excomunhão, não teriam funeral cristão e que Deus acabaria de as enviar para o inferno. Uma perfeita idiotia que muitas crentes ignoraram e continuam a ignorar. Ainda bem!
A repressão da sexualidade foi, e contínua a ser, uma obsessão por partes dos movimentos religiosos e sociais, como se fosse a coisa mais impura que há neste planeta. Há aqui qualquer coisa de freudiano, um “profundo anseio de pureza, pureza ritual que mantém viva a igreja” de acordo com Richard Rorty. O seu interlocutor, o filósofo italiano Gianni Vattimo, responde-lhe que “este problema nos dias de hoje tem-se tornado cada vez mais verdadeiro, porque a igreja aplica esta ideia de pureza e de moralidade sexual a questões de bioética, que se tornaram mais relevantes, uma vez que não importa tanto às pessoas a falta de pureza sexual, nem mesmo dos padres, mas sim o facto do ADN poder sofrer modificações”. Ainda de acordo com este filósofo, “será talvez a bioética a matar o posicionamento da igreja em relação à sexualidade”. Quem diria?
Outros credos têm comportamentos similares ou mesmo paradoxais. O Alcorão, por exemplo, trama qualquer um ou uma, sobretudo “uma”, em matéria de sexualidade cozinhada fora das suas estritas regras. Em contrapartida, oferece orgias que escapam à nossa imaginação assim que chegam ao paraíso, de preferência com bombas à cintura, onde o deboche é o máximo, mas só do lado de “lá”! Aqui não. Nem pensar. Veja-se o que acontece às mulheres muçulmanas quando “violam” as regras de pureza desta religião. Vá lá, o cristianismo não quer que se faça deste lado nem no “outro”. Ao menos é coerente. Não promete poucas vergonhas no céu e as únicas que podem ser, eventualmente, praticadas é no inferno, e neste caso está fora da sua jurisdição.
Pois é! São poucos os humanos que conseguem escapar à tentação do pecado, à exceção dos assexuados e assexuadas, mas estes são poucos. Este fenómeno, tentação para pecar, talvez explique a obsessão pela virgindade e o “pavor” das formas femininas.
Se olharmos para a história humana podemos verificar que a obsessão pela virgindade não é nenhuma novidade apontando para a existência de vaginas de sentido único, sai um ser humano sem ter entrado nada! Perseu, filho de Júpiter que emprenhou a virgem Danae com chuva de ouro é um exemplo; a virgem Nana recolheu uma romã de uma árvore regada com o sangue de um assassino, colocou-a no peito e deu à luz um deusito qualquer; o próprio Genghis Khan, que parece ter sido quem mais descendentes teve neste planeta até hoje, nasceu de uma filha virgem de um mongol, Mercúrio nasceu da virgem Maia, enfim, fiquemos por aqui porque senão torna-se muito aborrecido andar a falar de vaginas de sentido único.
Os seres humanos que andam por aí, e os que já andaram, são provas, mais do que evidentes, de que o canal do nascimento tem dois sentidos. Com a introdução da pílula, e a sua democratização, as mulheres passaram a controlar a sua fecundidade, a sua sexualidade e caminhar em direção à liberdade.
A pílula merece sem dúvida votos de um feliz aniversário e de parabéns extensível às mulheres e homens conscientes do planeta Terra.
Tinta Robbialac "Vermelho Estaline"!!!
Como é possível fazer marketing a um tipo de tintas Robbialac com a designação “Estaline”? A cor, como podem observar (pág 8 do catálogo), é de sangue, a relembrar o sangue de milhões de vítimas do criminoso ditador soviético. Não me admira que haja ainda alguém que seja capaz de utilizar esta tinta, imaginando as paredes da sua sala ou do quarto salpicadas de sangue dos seus inimigos. Mas uma empresa usar a designação de Estaline?! Será correto? Será eticamente aceitável?
Senhores da Robbialac tenham juízo e mais respeito, pintem as vossas caras de preto, por mim não me oponho que seja preto da Robbialac...




