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domingo, 14 de junho de 2009

Retemperar as rotinas...

- Fachada da Universidade de Salamanca -
Com o avanço da idade vai sendo cada vez mais nítida a necessidade e o desejo de retemperar as rotinas com períodos de descanso repartidos, para deles fazermos mais repetidamente as coisas que nos dão prazer, com calma, com tempo, sem stress e sem relógio.
E o que me dá prazer é ver coisas bonitas e interessantes, aprender coisas novas, espreitar outros ambientes, experimentar novas sensações, conviver com a natureza e com outras culturas, sentir como vivem outras pessoas e olhar para a sua história e desfrutar da sua hospitalidade.
Desta vez estive uns diazinhos em Espanha. Aproveitei para conhecer Cáceres e voltei a Salamanca, cidade da qual guardava boas recordações e que tinha vontade de voltar a ver. É uma cidade magnífica e única.
É uma cidade universitária, berço da primeira universidade de Espanha, nascida em 1218, e uma das mais antigas da Europa. Todos os anos 60.000 estudantes de todo o mundo vão estudar para Salamanca. O resultado é uma cidade inteiramente devotada à vida universitária, que se importa com a arte, a cultura, a música e, como não podia deixar de ser, com o entretenimento e o lazer.
Salamanca é considerada uma das mais espectaculares cidades renascentistas da Europa. Ao longo dos séculos a pedra que reveste os monumentos e os edifícios da parte antiga da cidade ganharam uma cor dourada, razão pela qual Salamanca é conhecida por La Ciudad Dorada. Esta pedra é única e originária de uma zona que lhe fica próxima.
Com o pôr do sol a pedra dourada ganha uma luz alaranjada que combinada com uma iluminação primorosamente escolhida faz do fim do dia e da noite um local quente e mágico.
É uma cidade que alia o peso da tradição histórica com a juventude que nela estuda e vive. Tem uma concentração muito grande de monumentos históricos lindíssimos e riquíssimos, que compreendem, entre outros, os edifícios da Universidade, as Catedrais, a Praça Mayor, a Casa das Conchas, vários conventos e igrejas em que convivem estilos gótico e “plateresco”. Encontramos em Salamanca um ambiente extremamente cuidado, virado para a fruição do espaço público, orientado para a valorização do património histórico, com a preocupação de preservar a história monumental da cidade e de proporcionar ao visitante um acolhimento familiar.
Fiquei satisfeita por lá ter voltado e recordar o que a minha memória vagamente ainda tinha retido. Foi um bálsamo para os dias de rotina que de novo se seguem...

sábado, 13 de junho de 2009

Passeando pela Galiza e Asturias

Praia das Catedrais (Ribadeo)

Uns dias de férias logo a seguir às emoções eleitorais foram um corte tão radical que me parece ter estado fora muito mais que uns poucos dias feriados. Mas cumprimos o plano de tentar recuperar um pouco da filosofia zen, a bem da sanidade mental na velhice que nos prometem longa e a bem do reavivar de pequenos prazeres que o dia-a-dia vai afastando quase sem darmos por isso. Sem computador, sem televisão e só com o jornal diário que estivesse na mesa onde nos sentávamos ao acaso para beber uma “caña”, desta vez fomos ao norte de Espanha, bem na fronteira entre a Galiza e as Astúrias, num “raio de acção” que nos permitiu ir a Ribadeo e à Rota das Praias, depois Gijón, Oviedo Lugo e, já de regresso, a Santiago de Compostela e Vila Garcia de Arosa, com paragem de um dia numa vilazinha encantadora chamada Cambados, com belas construções em granito a lembrar os mosteiros e berço desse néctar que é o vinho Alvarinhos.
É um passeio lindissimo, entre montanhas e praias fluviais e marítimas, algumas ainda meio selvagens, e pequenas vilas piscatórias onde ainda há vestígios nítidos das formas tradicionais de encontrar sustento, embora os sinais da crise também se notem bem nas construções abandonadas a meio e no comércio abalado.
É incrível o que se construiu em Espanha nestes últimos dez anos, tantos quantos estive sem ir para esses lados, e é uma pena que muitas localidades costeiras estejam hoje esmagadas por prédios e prédios de apartamentos, uns a esconder os outros, bem à semelhança do que encontramos por cá. E é claro que os jornais espanhóis falam muito de como sair da crise e apontam o turismo como uma fonte possível desse novo éden, pondo em causa a oferta de má qualidade e apelando a um novo planeamento, etc, etc. Por enquanto, em Junho, ainda se pode circular por algumas praiazinhas, mas os enormes parques de estacionamento à entrada e o caos dos sentidos do trânsito nas ruelas que atravessam as vilas mostram à evidência que o Verão não deve ser tranquilo por aquelas bandas.
No entanto, há coisas que nunca mudam, por estranho que pareça. Na descida a caminho de Santiago de Compostela, a mais de 100 km de distância já se viam os peregrinos de todas as idades, muitos grupos de jovens com os seus bordões com a concha, outros de bicicleta e, à medida que nos aproximávamos, um carreirinho quase constante que saía dos caminhos assinalados há séculos. Com chuva, vento, ou sol abrasador, lá seguiam todos a rota teimosamente lembrada apesar do crescimento das cidades e das vias rápidas que encurtam as distâncias mas dificultam o encontro entre as pessoas.
Passear devagar, parar para ver, não ter horas nem pressa é assim como fazer tudo ao contrário do que já é hoje a nossa rotina, por isso três ou quatro dias parecem um mês...

sexta-feira, 12 de junho de 2009

Café ou conversa?

Chá, vinho, cerveja, chocolate, brócolos, canela, águas, iogurtes, bagas, açafrão, vinagre, café, alhos, sardinhas, azeite, só para falar de alguns produtos, têm sido objeto de estudos científicos que provam ser benéficos na saúde. Que novidade! É tão fácil demonstrar os efeitos benéficos do que quer que seja e até o oposto, ou seja, também podem fazer mal à saúde. Como explicar estes achados? É fácil. São tantos, tantos os fatores que estão na base da saúde ou da sua perda, e a interação entre eles são tão complexos, que se torna um pouco difícil saber qual o verdadeiro papel de cada um. Sendo assim, não é de excluir o papel de outros fatores. Além do mais, há uma grande confusão entre associação e causalidade. Quanto à primeira, é relativamente fácil de estudar, mas, quanto à última as coisas são muito mais complexas.
Mas por que razão continuam a ser anunciados na comunicação social os efeitos benéficos na saúde de todos aqueles produtos? Será que há interesses económicos subjacentes à promoção? Haverá empresas que estão interessadas no financiamento deste tipo de investigação? Não sei, mas considero pertinente fazer estas perguntas.
Esta reflexão vem a propósito de uma notícia, segundo a qual as idosas que bebem café perdem menos memória. É do conhecimento dos cientistas, desde há já algum tempo, que a ingestão regular de cafeína está associada a menos doença de Alzheimer e de doença de Parkinson. Já agora podiam também ter dito que um cigarrito a acompanhar o café também ajuda a diminuir o risco destas doenças!
O que é curioso nesta notícia é que a associação foi encontrada apenas nas mulheres. Nos homens, nada! Que chatice! E eu a pensar que com dois cafezitos por dia podia diminuir o risco de uma demência! Ah! Já me esquecia! Parece que beber café diminui o risco de lesões hepáticas devido ao álcool. Quando souberem isto, vai ser o bom e o bonito. Depois de beberem uns bons copázios de vinho tinto, que até faz bem ao coração, algumas pessoas acabam por abusar deste efeito cardioprotetor e arriscam a sofrer lesões hepáticas Mas devem lembrar-se logo a seguir: - Um cafezito para a sossega e para proteger o fígado! Voltando à discrepância de género quanto aos efeitos protetor do café nas capacidades cognitivas, a favor das mulheres, gostaria de perguntar aos investigadores se tomaram em linha de conta a forma de tomar o café ou o chá. Não devemos esquecer que as senhoras gostam de “coloquiar” ao redor de um café ou de um chá durante horas e horas a fio. Ora, sendo assim, seria de perguntar se foi tomada em linha de conta esta variável, “conversas de mulheres”. Não é por nada, mas trata-se de um ótimo exercício para os neurónios, e talvez explique melhor a associação mais do que propriamente a ingestão de cafeína!
Café ou conversa? Eu opto mais pela conversa, mas como não vejo interesses de natureza económica subjacente à última, não vou, seguramente, ver anunciado nas páginas dos jornais as virtudes da estimulação cognitiva da conversação...
Estou convicto de que as sessões de “má língua” serão muito mais benéficas do que café e quejandos.

Venham mais seis

O Portugal dos Pequeninos completou 6 anos. Presença indiscutivelmente marcante na cibéria, o 4R deseja que estes sejam os primeiros de muitos mais, garantindo a pluralidade e a elevação do espaço blogosférico. Parabéns, pois, ao João Gonçalves pela constância e qualidade do que escreve, que por aqui há muito nos habituámos a ler e a apreciar.

quinta-feira, 11 de junho de 2009

Um passado muito penalizador do futuro...


Portugal tem estado a pagar caro a factura do défice de qualificações. São décadas de políticas mal sucedidas que comprometeram o desenvolvimento do País.
Segundo um relatório recente do Centro Europeu para o Desenvolvimento da Formação Profissional, Portugal registava em 2007 6,7 milhões de trabalhadores pouco qualificados, número este que representava 75% da população com mais de 15 anos. Na Europa o peso dos trabalhadores pouco qualificados representava 38% da mesma população.
Segundo o mesmo relatório Portugal vai evoluir para um rácio de 58% em 2020, valor que continuará a ser o mais elevado da Europa, que se prevê registe também uma melhoria, situando-se em 29%.
Este fosso que nos separa da Europa permite-nos perceber que temos que assumir a qualificação profissional como um desígnio nacional, porque a qualificação dos recursos humanos é fundamental para competirmos. Com baixas qualificações teremos dificuldades em gerar riqueza, como, aliás, o passado se encarregou de nos mostrar. Sem riqueza não há economia de bem estar.
É preciso, portanto, combater assertivamente o fenómeno do abandono escolar, melhorando o sistema de ensino e proporcionando apoios efectivos às famílias e jovens com dificuldades económicas e culturais, assegurando reais oportunidades de desenvolvimento e evitando que aquelas dificuldades sejam razão de desistência.
O investimento em capital humano é gratificante para uma sociedade e é um factor fundamental de desenvolvimento económico e de justiça social. Descobrir e desenvolver talentos e aptidões constitui um objectivo estratégico superior para o qual temos que olhar muito seriamente. Perdemos muito tempo, mas nunca é tarde para corrigir os erros e fazer melhor.

Homenagear em Vida!


As comemorações do 10 de Junho englobam sempre nas cerimónias um momento dedicado a homenagiar pessoas que, sob diversos critérios adoptados e em várias áreas de actividade, se entendeu terem contribuído para o desenvolvimento, a projecção e o bom nome do país.
Ontem, lá foram chamadas 30 figuras que a Presidência da República entendeu serem dignas de destaque; se é que me não escapou mais nenhum, todos, à excepção de Salgueiro Maia, estavam vivos e "saborearam" presencialmente tamanha distinção.
Tantos outros Portugueses, vivos, haverá igualmente ou ainda mais merecedores!
E digo vivos, porque sempre me causou alguma angústia o reconhecimento póstumo, se o tempo de vida e de actividade foi suficiente e demonstrativo de valor nacional.

Por coincidência de homenagens, tinha-me amavelmente sido entregue em mão, há dois dias, pelo Presidente do Conselho Directivo do Instituto Nacional de Saúde Doutor Ricardo Jorge, um livro intitulado "Doutora Laura Ayres, uma Vida dedicada à Saúde Pública (1922-1992)" que eu resolvi ler, exactamente ontem.
Tive o privilégio de, no início da minha actividade profissional, trabalhar 11 anos com esta Senhora, entre 1974 e 1985; uma figura impar de humanismo, de liderança, de capacidade de trabalho, de visão sanitarista, de investigadora, de médica, de pedagoga, de cidadã.
Morreu de um acidente vascular cerebral, 6 meses antes de se reformar,de completar os 70 anos, foi a "Grande Senhora da Sida", como lhe chamaram, foi a figura televisiva e telegénica que todos os dias entrava na casa dos portugueses, a partir de 1985, quando surgiu o primeiro caso de Sida em Portugal e quando o Mundo científico já falava da doença, desde o início dos anos 80.
Teve uma vida cheia das mais nobres tarefas profissionais, representou o País nas mais prestigiadas organizações internacionais, foi uma figura do maior destaque na Saúde Pública, como docente, como cientista, como política.
Não vou aqui detalhar o seu trabalho, devo-lhe imenso, influenciou-me como ninguém, pois nunca, até hoje, presenciei ninguém que tivesse tamanha dedicação à causa pública e tamanha consideração e atenção pelos cidadãos anónimos, doentes ou não,que a procuravam, entrando porta dentro com as suas mais diversas angústias, para falar "com a Sra. Dra. que dirigia o Instituto Ricardo Jorge e presidia á Comissão Nacional de Luta contra a Sida"...

Quando acabei de ler o livro que agora lhe foi dedicado deparei-me, no fim, com as suas homenagens póstumas: o grau de Grande-Oficial da Ordem de Santiago da Espada (o grau de Oficial lá o recebeu em vida, um ano antes de morrer...); a medalha de Honra do município de Loulé; o patronímico de uma rua de Loulé; o seu nome atribuído à Escola secundária de Quarteira; o "Prémio Laura Ayres de Controlo de Doenças Transmissíveis/Microbiologia"; a inauguração de um busto na sede da Comissão Nacional de Luta contra a Sida; a atribuição do seu nome ao Centro de Virologia do Instituto Ricardo Jorge e...no mês passado,inaugurou-se o Laboratório Regional de Saúde Pública do Algarve a que foi dado o nome de Laura Ayres!!!

O velho ditado do "mais vale tarde que nunca", às vezes, não me convence.

quarta-feira, 10 de junho de 2009

Despesa pública: 51.3% do PIB, 7ª maior na UE-27

O leitor terá, certamente, a ideia – que continua muito enraizada na sociedade portuguesa – de que a despesa pública em Portugal é “baixa”. “A verdade é que estamos abaixo da média da Europa” – é frequente ouvir-se. Sucede, porém, que esta “verdade” desde há muito o deixou de ser.

Este ano, 2009, pela primeira vez, que me lembre, a despesa pública total atingirá mais de metade (!) da riqueza nacional: numa base comparável com os anos anteriores[i], a despesa total do Estado chegará a 51.3% do PIB. Quer isto dizer que já mais de metade da produção nacional em 2009 será canalizada para as Administrações Públicas (Estado Central, Regiões Autónomas e Autarquias Locais). Ou seja, os portugueses irão trabalhar até aos primeiros dias de Julho (mais de metade do ano!...) para pagar a totalidade do Sector Público.

E na União Europeia (UE-27), este nível de despesa corresponde já ao sétimo mais alto – e à posição de Portugal mais próxima do topo de sempre!... Naturalmente, quer a média dos 27 (50%), quer dos 16 países que compõem a Zona Euro (50.1%) foi superada. Para já nem falar que a vizinha Espanha, no 19º lugar e um peso de 45.2%, fica bem longe...

Sucede ainda que já entre 2004 e 2008 o peso da despesa pública na riqueza nacional era da mesma magnitude da média europeia (46.4% e 46.5%, respectivamente, em média, nesses 5 anos). E desde o primeiro ano em que há dados para a UE-27 nesta matéria (1999), a subida da despesa pública portuguesa tem sido imparável. Nesse ano, a posição do peso do Sector Público Português era a 16ª entre os 27 e o peso no PIB era inferior em mais de 3 pontos percentuais à média europeia… Veja-se onde chegámos…

Pode o leitor dizer: atenção – é preciso ver a evolução da despesa pública ajustada dos ciclos económicos, que influenciam quer a arrecadação de receita quer as despesas pagas[ii]. E, tendo o leitor razão, a verdade é que, procedendo dessa forma (correcta), o resultado final até é pior: embora a nossa posição continue a ser a 7ª em 2009, a despesa pública está até mais acima da média europeia (porque, tanto quanto se sabe para já, a crise poderá atingirá mais duramente em umas décimas a Europa do que Portugal): 51.2% contra 49.9%. De resto, a evolução desde 1999 é quase retirada a papel químico do que acima foi referido, começando com um 14º lugar nesse ano.

E pior: esta evolução é explicada pelo comportamento das despesas correntes (em que se incluem os gastos com a “máquina” do Estado, os subsídios, as transferências e o pagamento de juros da dívida pública), em tudo semelhante ao da despesa total[iii], e que representa a fatia de leão do seu valor (mais de 91%)…

… Porque, a verdade é que, se a despesa pública em Portugal não tem crescido mais, isso deve-se unicamente à descida das despesas de capital (e sobretudo do investimento público), em que a tendência tem sido a inversa: o seu peso tem descido no PIB e já é inferior à média europeia[iv].

No contexto de crise em que vivemos, o leitor poderá pensar que a despesa pública portuguesa atingiu este patamar historicamente alto (subiu de 45.9% do PIB em 2008 para uns estimados 51.3% em 2009) porque os estímulos orçamentais do Governo para combater a crise foram elevados… Só que, de acordo com dados divulgados pela própria Comissão Europeia, esses estímulos têm, em Portugal, um peso de apenas 0.9% do PIB, abaixo da média da Zona Euro (1%) e claramente abaixo das ajudas concedidas à economia pelo Governo Espanhol (2.3%)…
Assim sendo, na Europa, com maiores estímulos do que em Portugal, a despesa pública subiu, em média, cerca de 3.5 pontos percentuais do PIB entre 2008 e 2009 – contra os cerca de 5.4 pontos percentuais de subida no nosso país. O que significa que não foi devido ao combate à crise que tal sucedeu…

Vale ainda a pena enunciar os países europeus com maior peso da despesa pública no PIB, até à posição de Portugal: Suécia (56.6%), França (55.6%), Dinamarca (54.9%), Bélgica (52.9%), Finlândia (52.9%) e Áustria (51.9%). Curiosamente, ou talvez não, são países em que, tradicionalmente, a despesa pública elevada tem correspondência em serviços públicos (apoio social, saúde, educação) de reconhecida grande qualidade – o que, como sabemos, infelizmente não acontece em Portugal. Aliás, de acordo com o prestigiado Euro Health Consumer Index (de origem sueca), por exemplo, só países como a Letónia, a Bulgária e a Roménia têm, na UE-27, um pior sistema de cuidados de saúde do que Portugal – mas têm também um nível de despesa pública muito inferior à nossa!...

O peso da despesa pública portuguesa no PIB é, assim, não só muito elevado mesmo no contexto europeu, como totalmente desproporcionado para a qualidade (muito fraca) de serviços que é prestada pelo Estado aos utentes. É certamente possível (e desejável) fazer melhor – e com menos recursos, aplicando de forma mais eficiente menos dinheiro (isto é, menos impostos) dos contribuintes. Acresce que, como já referi, esta realidade tem vindo a ser agravada[v] por um peso cada vez maior das despesas correntes e um peso cada vez mais diminuto das despesas de capital (ao contrário do que se passa na Europa).

Mais uma desmistificação que fica feita – e que reforça a situação cada vez mais delicada em que, em termos económicos, Portugal se encontra. Não é, seguramente, propositada, esta trajectória em direcção ao abismo – e todas as opções políticas que têm sido tomadas são, certamente, muito bem intencionadas. Mas temos que convir que, se assim não fosse, infelizmente, não se notaria grande diferença...

[i] Na apresentação do OE’2009 o Governo decidiu introduzir uma alteração metodológica no que diz respeito ao registo das contribuições para a Caixa Geral de Aposentações que, embora não alterando o valor do défice, faz com o valor das rubricas “despesas com o pessoal” e “contribuições sociais” seja reduzido em mais de 1.5 pontos percentuais do PIB, o que inviabiliza a comparação não só dos valores de 2009 destas rubricas com o passado, mas também dos grandes agregados das receitas e das despesas públicas, que descem todos de valor (e, claro, em percentagem do PIB). Assim, para poder comparar os valores de 2009 com os dos anos anteriores, e porque esta alteração metodológica carece de aceitação (e aprovação) quer por parte do INE, quer do Eurostat, todos os dados relativos ao corrente ano que são citados no texto são calculados de acordo com as regras que continuam a ser aceites a nível internacional e que garantem a comparabilidade ao longo do tempo.

[ii] Por exemplo, quando a economia cresce menos ou se contrai, o Estado recebe automaticamente menos receitas de impostos (o desemprego aumenta e as pessoas ganham menos, logo pagam menos IRS, compram menos bens e serviços, logo pagam menos IVA, etc.). E, também automaticamente, o Estado gasta mais dinheiro, por exemplo, em subsídios de carácter social (como os subsídios de desemprego).

[iii] A evolução da despesa corrente, da despesa corrente primária – que exclui os juros da dívida pública, a componente da despesa que os responsáveis das finanças menos controlam porque depende dos valores das taxas de juro, cuja evolução se encontra ligada às condições da economia e ao stock de dívida pública existente (que, por sua vez, reflecte a evolução das finanças públicas até ao momento em questão) –, e da despesa corrente primária ciclicamente ajustada tem sido muito semelhante à da despesa total: em 1999, nestes três agregados a posição era a 17ª entre os 27, com valores de 37.5%, 34.5% e 34.5% do PIB, respectivamente (em média, entre 5 e 6 pontos percentuais abaixo da UE-27 e da Zona Euro); em 2009, a despesa corrente já é a 7ª mais elevada e as despesas corrente primária e corrente primária ciclicamente ajustada ocupam a 8ª posição com 47.1%, 43.9% e 43.8%, respectivamente. Em todos os casos, já cerca de 1 ponto percentual acima da média da UE-27 e da Zona Euro.

[iv] Nas despesas públicas de capital, a trajectória de Portugal tem sido inversa à da Europa: o peso era de 5.8% do PIB em 1999 (3.5% na UE-27) e no ranking europeu o lugar era o terceiro; em 2009, o peso descerá para 3.8% (já abaixo dos 4.2% da UE-27) e a posição será a 17ª!…

[v] Tratando-se do rácio “Despesa Pública/PIB”, para o seu aumento quase ininterrupto em termos anuais tem também contribuído o fraquíssimo crescimento do denominador desde há dez anos a esta parte. Por exemplo, com uma evolução do PIB acima de 3% ao ano, estes problemas, pelo menos em parte, não se colocariam. Abordarei este tema de forma desenvolvida num texto a publicar brevemente.


Nota: Este texto foi publicado em Junho 09, 2009, no Jornal de Negócios.

Lisboa, actualmente uma cidade desmazelada.

Quando uma povoação se desertifica de gente, como hoje acontece na Capital, as mazelas parece que vêm "ó de cima": sai-se á rua, não se vê gente...vê-se a cidade ao pormenor!
A sensação é semelhante àquela que se tem quando desfazemos uma casa, bonita e confortavel e a olhamos vazia, pronta a nos mostrar todos os defeitos que já lá estavam e nós pouco reparavamos.

O dever de cuidar não pode ser só das estruturas autárquicas, mesmo imaginando-as de grande zelo, não há aprumo que se imponha à incivilização geral e instalada dos habitantes e transeuntes.
E esta incivilização marca-nos: deita-se lixo em qualquer parte, atira-se para qualquer canto, rua, quintal, terraço do vizinho de baixo, através de qualquer janela...dias seguidos a passarmos nos mesmos sítios e a vermos os mesmos sacos, a mesma roupa velha, os mesmos papelões, as mesmas latas e garrafas, as mesmas velharias que alguém decidiu pôr à porta sem tratar dos procedimentos adequados.

A recolha de lixo faz-se automática, feita por autómatos, incapazes de se desviarem da "job-description" do seu manual de tarefas e, portanto, incapazes da recolha de outro qualquer sedimento que esteja fora de um contentor de lixo, mesmo que ali ao lado!
Já ninguém acompanha os carros de recolha de lixo, com uma pá e uma vassoura manuais, como dantes e, como na maioria das cidades por essa europa fora, ainda se pratica.

São raros os passeios de Lisboa sem mazelas: pedras soltas da calçada, perigosas irregularidades causadas pelas raízes das árvores mais velhas, pilaretes dos passeios atirados abaixo e por lá "jazendo" por tempos infinitos, sujidade acumulada de anos e anos sem ver um jacto de lavagem, ervas de altura e de estética pouco recomendável...um rol de desmazelos, que chamam mais desmazelo.
Educação cívica, também nos mais novos, não existe, basta passar junto a escolas secundárias ou a MacDonald's!

Os curtos períodos pre-eleitorais tentam sempre uma cosmética, mas não chega, passa logo...porque as soluções são outras.

91% dos juízes avaliados com 'bom' e 'muito bom'

Estamos a precisar de boas notícias. Por isso, cada vez que lemos uma, rejubilamos. Escreve-se no DN que 91% dos senhores magistrados judiciais avaliados em 2008 tiveram classificação de ´bom´ e melhor que ´bom´. Tratando-se de uma amostra significativa da magistratura, creio que a partir de agora podemos por de lado os nossos piores receios. Não é, pois, por causa da falta de bons juízes que a Justiça está como está. E tudo quanto para aí vai aparecendo de aparentemente absurda aplicação das leis, não é afinal mais do que a núvem tomada por Juno. O País tem justas razões para se sentir aliviado. Porque mais uma vez se confirma que o problema não está nos bons aplicadores da lei, assim julgados e certificados; está na má qualidade das leis. Quem o não sabia já?

terça-feira, 9 de junho de 2009

Cuidado com os gatos e com certos...

Há alguns anos escrevi uma crónica intitulada “Jogo do gato e do rato”, onde descrevia o efeito do toxoplasma, um parasita, nos ratos. O toxoplasma necessita do gato para se multiplicar sexualmente. Deste modo, “sabendo” que os gatos apreciam ratos, faz com que estes últimos, quando estão infetados, percam muitas das capacidades de fugir, através de uma lentificação ao estímulo do inimigo, permitindo que os felinos lhe chamem um figo! Aqui está como a natureza usa - às vezes abusa! -, certos oportunismos, tudo com o objetivo de sobrevivência.
Na altura equacionei a hipótese de que a toxoplasmose humana poderia ter também algum efeito no comportamento humano, não para sermos papados por gatos, claro está, mas “lentificando” alguma reações neurológicas, do tipo – e aqui caricaturei, como é óbvio -, eventual subserviência a certos predadores sociais que abundam por aí aos molhos. Foi uma tentativa de justificar a expressão “Jogo do gato e do rato” que caracteriza muitas situações em que os humanos são os protagonistas.
Agora, acabo de ler uma notícia relativa a um estudo de investigação que revela que os indivíduos que são do grupo sanguíneo Rh negativo e que tenham sofrido toxoplasmose têm um risco duas vezes e meia superior de sofrerem um acidente de viação, devido à tal “lentificação” mental. Não se sabe qual o papel da ausência da proteína que está na base do grupo Rh negativo. Ainda na mesma notícia, o autor calcula que ocorram 400.000 a um milhão de mortes, todos os anos, por acidentes de tráfico devido à infeção por toxoplasmose! E vai mais longe ao sugerir que os indivíduos Rh negativo deverão ser testados para se saber se foram ou não vítimas de toxoplasmose, sobretudo nos casos de condutores de qualquer tipo de veículo.
Ora aqui está uma descoberta que, a ajuntar-se a outras semelhantes e que já conhecíamos há alguns anos nos animais, pode ajudar a compreender certos comportamentos “lentos” ou subservientes de muita gente que anda por aí. Não me admiraria nada que certas individualidades começassem por oferecer simpáticos gatinhos e depois, depois...

Andar acalma

Acabo de jantar. Olho para o relógio. São oito horas e trinta e cinco minutos. O habitual. Levanto-me e anuncio: - vou dar a minha voltita. Seja Verão ou Inverno, faça frio ou chova, lá vou eu estimular os músculos de um organismo que se habituou, durante décadas, a um sedentarismo patológico, apenas interrompido, aquando do exercício ao nascer e durante a recruta.
Despertei tarde e a más horas para uma atividade muito importante, base da manutenção da saúde. Pois! Bem prega Frei Tomás! Fartei-me de aconselhar e de ensinar os outros. Agora tive que me ouvir, e ainda por cima apeteceu-me puxar as próprias orelhas, o que não fiz, já que foram alvo, em tempos, das mãos sapudas e da cana-da-índia do professor primário, tendo ficado ultrassensíveis à dor.
Ao longo destes últimos meses, de rotina pedonal pós prandial, acabei por conhecer e analisar comportamentos de outras pessoas que, àquelas horas, se mostram na via pública.
Cruzo-me com a senhora dos cães que, excitados por saírem à rua, puxam a dona como se fosse uma charrete, obrigando-a a andar em passo acelerado. – Boa noite! Responde com a mesma saudação e um sorriso relâmpago. Num dos cruzamentos, nunca sei qual, espero que um senhor de meia-idade, que, religiosamente, muito mais do que eu, se exercita há muitos anos, irrompa como se fosse um cavalo a trotear. Parece uma seta. Então a curvar é uma artista. Numa fração de segundo, apoia-se num pé e roda o corpo num perfeito ângulo reto e dispara na nova direção. Não sei como é que ele consegue fazer aquilo! Um dia tentei imitá-lo, mas tramei-me. Finquei o pé numa posição e ao rodar o corpo, zás, os músculos da região lombar gritaram alto e em bom som. Passeio abortado! No regresso, outra senhora a passear o seu little dog, num passo lento e cheio de interrupções pelas constantes farejadas do canídeo. Não deverão tirar partido do exercício, exceto, talvez, o nariz do animal. Olho para o fundo da rua e começo a ver a jovem de fato de treino dotada de um par de mamas empertigadas como se fossem dois mísseis a correr e a ameaçar cair a qualquer momento, não fosse o contrapeso de umas generosas nádegas de prateleira.
Outros, menos regulares, mas, mesmo assim, semiconscientes da importância de uma prática física pós prandial, vão aparecendo, cada um com as suas características, como é o caso do “caminheiro” que percorre diariamente quilómetros, sempre com o seu boné, mesmo à noite, haja ou não humidade, e que gosta de relatar, quando esbarramos com ele, os acontecimentos mais marcantes do dia e do bairro.
Por vezes, confronto-me com um novo passante. Chama-me a atenção a forma como anda. Não é um habitué. É alguém que precisou de sair, de andar. Nota-se que tem essa necessidade. Para acalmar? Muito provavelmente!
Andar acalma. Basta olhar como colocam um pé à frente do outro, como balanceiam os braços e como projetam os olhos num horizonte imaterial. Vê-se perfeitamente que não caminham para estimular os músculos, para combater, minimizar ou prevenir qualquer maleita física. Não! Caminham com outra finalidade. O corpo converge com a alma sofredora, atrofiada, angustiada. Andar acalma e permite que possa renascer e libertar-se de algum traumatismo. Nota-se tão bem! Afinal não é só o corpo que beneficia do exercício, até a alma, sobretudo quando sofre...

Mais umas verdades convenientes

Sem surpresa, o senhor Presidente da República acaba de comunicar que não promulga o decreto da AR que visava alterar a lei do financiamento dos partidos políticos e das campanhas eleitorais.
Mais do que o já esperado acto de higienização da vida política, é significante a mensagem clara e contundente do Chefe do Estado - a ler aqui - que a pretexto da justificação do veto dirigiu aos partidos representados na Assembleia da República, todos eles coniventes na opção que aqui, no 4R, mereceu o nosso comentário crítico.
Não são conhecidas ainda as reacções dos partidos políticos. Mas antevejo o incómodo perante algumas das razões expressas no comunicado presidencial, algumas verdades convenientes que os partidos têm de ouvir:

"Importa ainda ter presente que a alteração que agora se pretendia introduzir se afigura inoportuna, atenta a aproximação de vários actos eleitorais e a actual conjuntura económica e financeira do País".

segunda-feira, 8 de junho de 2009

Europeias: prognóstico do 4R e um caso de mau gosto na noite eleitoral

1. Comparando o prognóstico do 4R/tm (editado a 31 de Maio) e os resultados das eleições de ontem, conclui-se o seguinte:
- A abstenção (quase 63%) ficou bem acima da que tínhamos admitido (55 a 60%);
- O resultado em % do PSD (31,7%) ficou muito próximo do limite inferior do intervalo atribuído (33 a 35%);
- Os resultados do Bloco e da CDU (10,7%) ficaram pouco acima do limite superior do intervalo de previsão (8 a 10%);
- O score do CDS-PP ficou dentro do intervalo de previsão (8 a 10%);
- O score do PS (26,6%) foi a grande excepção e “decepção” - ficou muito abaixo do intervalo de previsão (34 a 36%) – espero que possamos vir a ter no futuro mais “decepções” deste tipo...
2. Recordo de ter referido que, caso a abstenção viesse a mostrar-se mais elevada, isso implicaria penalização para o “incumbente”...queria com isto dizer que admitindo por hipótese um nível de abstenção 5 pontos mais elevado, como veio a verificar-se, a vitória já não seria para o incumbente...
3. Não obstante, confesso que seria incapaz de prever uma derrota tão expressiva do dito “incumbente”...mais de 5 pontos abaixo do PSD era qualquer coisa que não me parecia possível, sempre procurei não confundir previsão com desejo...
4. Em balanço, reconheço que desta vez as previsões do 4R, apesar de muito próximas dos resultados na maioria dos casos, falharam todavia num ponto essencial - o do vencedor. Da próxima tentaremos fazer melhor, aqui fica a promessa.
5. A noite eleitoral ficou manchada por uma operação de mau gosto: a ideia de publicar uma sondagem para as legislativas no próprio dia da eleição para o P.E. Não se dando por satisfeitos com essa triste audácia, os inventores de tal ideia funérea tentaram ainda massacrar alguns responsáveis políticos, sobretudo do PSD, extorquindo-lhes comentários sobre os resultados dessa sondagem dantesca...
6. Ao assistir a essa operação, pareceu-me que estávamos perante algo de semelhante a um inquérito aos participantes num repasto, pedindo para opinarem sobre o prato da carne quando estavam ainda a começar a comer a sopa...
7. Será que não perceberam que pessoas que se preparavam para votar em eleições europeias, concentradas no seu voto desse dia, não estavam nas condições apropriadas para emitir opinião acerca das próximas eleições? E já agora porque “carga-de-água” não as inquiriram também sobre as autárquicas? Isto parece invadir francamente a esfera do absurdo...
8. Por outro lado é muito estranho o resultado de tal sondagem à luz dos resultados das eleições de ontem...sugere pré-fabricação...
9. Será que a estação de TV responsável por esta farsa tinha assim tanta necessidade de agradar ao Governo? Se não tinha, como explicar uma iniciativa tão infeliz?

5000

Uma marca, só para assinalar 5000 posts no 4R.

A exculpação fácil

Há dias, pelos vistos antes de os visados terem tido conhecimento directo do facto, a imprensa noticiava que uma ex-vereadora e alguns técnicos da Câmara de Lisboa tinham sido acusados pelo Ministério Público de cometimento do crime de abuso de poder por alegadas atribuições indevidas de casas sociais.
Foi amplamente noticiado que no despacho acusatório se dizia que o mesmo crime seria imputável aos ex-presidentes da mesma câmara, Jorge Sampaio e João Soares, não fora a circunstância de o tempo decorrido ter gerado a prescrição.
É de uma gravidade tremenda esta verdadeira e própria acusação pública, e só este clima de absoluta complacência com os erros da justiça é que não permite perceber que o inconcebível acontece todos os dias. Grave, tremendamente grave, desde logo porque deixa sem defesa os visados, sobretudo se o libelo for ignominioso. Tratando-se de personalidades notadas, ainda assim conseguiram protestar alto a sua indignação.
Hoje o Ministério Público veio desculpar-se. Espero que os visados não aceitem as desculpas porque não é com desculpas que se descarta uma responsabilidade destas.
Fica para mim claro que, se não fossem os visados quem são ou não fossem audíveis os seus protestos, nem passaria pela cabeça dos senhores procuradores a ideia de um pedido de desculpas.
Acresce que o facto em si é de uma gravidade tal, que as consequências não podem quedar-se por este "perdoem lá qualquer coisinha". A não ser que se tenha perdido por completo a noção de quanto custa limpar a sujidade de uma acusação pública infundada. O que, penso, não é hipótese a por de lado, atentos outros casos do passado.
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CORRECÇÃO: Este post foi escrito no pressuposto errado de que as desculpas dos senhores procuradores se deviam às imputações feitas a Jorge Sampaio e João Soares de indicios de crimes prescritos. Afinal não. O pedido de desculpa deveu-se à atribuição de factos ao primeiro antes de ter tomado posse! Apesar da minha gaffe, não retiro nada quanto à substância do que escrevi. Nem tão pouco entendo que ficaram a crédito desculpas. Porque estas coisas não se resolvem com desculpas. Já agora pergunta-se: estes erros também são motivados pela má lei que temos?

Confrangedor

Esta noite dormi mal!
Não me saiu da memória a imagem confrangedora de um "Altis" vazio de gente.
Aquelas cadeiras todas em fila, muito arrumadinhas...ninguém as usou!
Estar presente nas más horas, apoiar quando é preciso e quem precisa é um acto trivial de nobreza de carácter, que ontem esteve ausente nos militantes e simpatizantes socialistas.
Os meus genes incomodaram-se...

domingo, 7 de junho de 2009

Um dado importante

Diferentemente do que prevíramos, o PSD conseguiu recuperar eleitorado ao PS que não perdeu só para a sua esquerda. E isso é decisivo para criar uma dinâmica de vitória nas legislativas e não meramente o efeito de suster a erosão eleitoral verificada nos últimos escrutínios.

A declaração da noite

De Paulo Rangel. O resultado foi uma derrota das campanhas da insinuação, da suspeição e da política rasteira.

Crime e castigo

A votacao no PSD comprovou mais uma vez que os portugueses apreciam uma campanha pela positiva. E comprovou tambem que a malidecencia nao compensa.
Nota: E nao consigo escrever mais, que estes computadores alemaes estao a dar-me cabo da prosa!...

Pela boca morre o peixe...

A propósito de humilhações eleitorais, recorde-se uma das páginas de um certo diário de campanha.