A democracia é considerada como a forma mais correta e digna de viver em sociedade. De facto, atendendo aos princípios que defende, é verdade. Verdade e desejável. Transmite confiança e coloca-nos todos no mesmo plano com os mesmos direitos e deveres. Teoricamente é a mensagem que passa. E na prática? Na prática não. Longe disso. Não temos os mesmos direitos e nem somos iguais perante a lei.
A política é o meio através da qual grupos com interesses e/ou ideologias tentam alcançar o poder e distribuir o "bem-bom" pelos seus correligionários. Dispenso comentários sobre o significado de "bem-bom".
Os seres humanos, como sempre aconteceu ao longo da evolução, e em estreito paralelo com outras espécies, querem mandar. Mandar é uma garantia de sobrevivência, e a sobrevivência faz-se na nossa espécie à custa de ideologias e interesses doutrinários. Os clãs existem, como sempre existiram, e são o melhor garante de sobrevivência do elemento do grupo. Matar para não ser morto, roubar para não ser roubado, dominar para não ser escravizado. Tudo isto e muito mais. Há os que doutrinam e os que não querem ser doutrinados. Há os que mandam e os que não querem ser mandados. Há os que têm força e os que querem também ter. Há os que têm uma ideologia e os que têm outra perfeitamente distinta. Não há possibilidade de consenso, e o respeito não é mais do que uma mera teatralidade. Matar para não ser morto, mesmo entre os elementos da mesma espécie, é uma regra ditada pela força evolutiva. A história, quer a recente, quer a mais remota, está enfermada de milhares de testemunhos.
A democracia tem o condão de deixar passar a ideia de liberdade e de igualdade. De facto, tem. Quanto à fraternidade é um mito, alimentado e desenvolvido por correntes doutrinárias ou religiosas, uma espécie de aparente boa vontade que consegue acalmar a raiva dos que sofrem, dos que são maltratados, humilhados e ofendidos em todos os setores da (h)umanidade. Tudo isto nas barbas da democracia!
A corrupção e o nepotismo sãos os braços direito e esquerdo das diferentes ideologias. Muitos, mas muitos, alimentam-se e sobrevivem à sua custa.
A imposição de princípios ideológicos/doutrinários/ religiosos tem esse objetivo, impor as ideias aos outros. Mas se os outros "aceitassem" seria uma "tragédia". Ficávamos todos em "pé de igualdade". O pior é que os recursos nunca chegariam para todos, logo, o melhor é contribuir para acirrar as diferenças. Quanto mais diferenças, melhor. Sendo assim, alimentá-las, o que não é nada difícil e complicado, é imperioso para que determinados grupos políticos assaltem o poder e provoquem raiva, desconfiança e mal-estar nos opositores.
Tudo isto faz-se nas barbas da democracia.
A democracia não é mais do que a mais bela das poesias transformada em negócios e assaltos ao poder para muitos poderem "sobreviver".
Não há volta a dar. Não vejo como. Talvez acredite na "democracia pura" dos cemitérios e dos crematórios, onde somos, "efetivamente" (uma blague a terminar este texto), verdadeiramente "iguais"!