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sexta-feira, 31 de agosto de 2018

Uma besta humana

Custa-me utilizar a palavra, nunca o fiz, mas só uma besta humana, como Maduro, é que recusa ajuda humanitária internacional, preferindo que o seu povo morra à míngua de alimentos e medicamentos. Diz ele que isso seria uma interferência na soberania da Venezuela, o que significa que a soberania de Maduro se concretiza na fuga, fome e morte dos compatriotas.  
E dizer que tem por cá apoiantes. Institucionais, o que é o mais grave.

quinta-feira, 30 de agosto de 2018

O comboio da geringonça

Notícia verdadeiramente sensacional, com direito a extensa reportagem do telejornal da manhã da estação pública de televisão: o comboio passou novamente a parar no apeadeiro da aldeia de Lapa do Lobo, localidade do concelho de Nelas! Acontecimento que teria apenas significado meramente local passou assim a ser acontecimento de relevo nacional.
Ridícula e primária esta forma canhestra de propaganda do governo, que visa contrabalançar todos os enormes problemas da ferrovia nacional: falta de investimento, comboios parados por falta de manutenção, atrasos, anulação de comboios sem pré-aviso, deixando as pessoas penduradas nas estações, mau serviço.
Mas, claro,a geringonça move-se e o governo está atento: o apeadeiro de Lapa do Lobo voltou a ter o seu comboio!

segunda-feira, 20 de agosto de 2018

Salário mínimo aumentado para 39,5 euros, um paraíso socialista

Multidões de homens, mulheres e crianças procuram fugir do paraíso venezuelano, tentando o refúgio nos países vizinhos. É o resultado da criminosa política de Chavez e, agora, de Maduro, uma política atentatória dos mais elementares direitos humanos, mas por cá bem apoiada pela esquerda comunista e bloquista. Os venezuelanos procuram fugir da tirania, da ditadura, da fome e da miséria, de um regime que tudo sacrifica à ideologia, mesmo à custa da fome e do assassinato dos cidadãos.
A inflação galopante provocada pelas políticas económicas do ditador socialista podem bem aferir-se pelo agora decretado aumento do salário mínimo de 5,19 MILHÕES para 180 MILHÕES de bolivares, o que em euros significa um aumento de 1, 14 EUROS para 39,5 EUROS!...
Salário mínimo de 39,5 euros, só num verdadeiro paraíso. Socialista, claro está! 

Congratulations Greece!

|20 agosto 2018| Para mim é claro que alguém da direção nacional do maior partido parlamentar, naturalmente o seu presidente, virá a terreiro durante o dia de hoje comentar o significado da mensagem amplamente difundida de Mário Centeno, presidente do Eurogrupo, na qual justa e justificadamente se regozija por a Grécia se ter libertado do jugo das condicionalidades, após 3 - três - 3 programas de resgate. E estou certo que Rui Rio não deixará de comentar essa mensagem à luz das repetidas declarações condenatórias proferidas repetidamente por um homónimo do presidente do Eurogrupo, ministro das finanças em Portugal, sobre o árduo caminho trilhado por Portugal para a recuperação conseguida de alguma da sua soberania.

quarta-feira, 15 de agosto de 2018

Acuidade policial


Há um ano atrás o senhor diretor da PJ assegurava que tinha descoberto, escassas horas após a tragédia de Pedrogão, a concreta árvore responsável pelo incêndio. Agora já tem debaixo de olho postes da EDP. Ainda dizem que nada funciona neste País...

sexta-feira, 10 de agosto de 2018

A absolvição do SIRESP

No ano passado, o SIRESP foi apontado pelo 1º Ministro como um dos grandes responsáveis, se não o maior, pela desgraça do incêndio de Pedrógão e, em coro, toda a geringonça, governo e apoiantes,  pediam a nacionalização da empresa e culpavam a Altice pelo sucedido. 
O tempo foi passando e agora a Altice, com o acordo dessa mesma geringonça e do mesmo governo, passou  passou a ter a maioria do capital do SIRESP. 
Não podendo acreditar que mesmo um governo irresponsável como este pudesse assim premiar a Altice pelo crime de que a acusava há um ano, só pode concluir-se que o SIRESP foi mais uma desculpa rasteira utilizada por esse mesmo governo e pelo 1º ministro para fugir às suas responsabilidades.
Entretando, e agora sem falhas do SIRESP, o fogo de Monchique que durou 7 dias, foi considerado excepção pelo 1º Ministro, como se regra fosse um fogo durar 7 dias, mesmo no tempo em que tudo era culpa do SIRESP.

quarta-feira, 8 de agosto de 2018

Agora, em Monchique...

Ouvi ontem num canal televisivo um especialista muito especialista em fogos florestais dizer que operações de limpeza, construção de caminhos e de pontos de água na Serra de Monchique, tal como proposto por uma associação de produtores florestais, eram meros paliativos, sem importância decisiva no combate ao incêndio que lavrava há já vários dias.Como importância quase nula teriam as espumas que retardariam o fogo e que não constam das aquisições do governo. 
Ficamos então a saber que só um povoamento florestal desenhado de raiz em rigoroso e científico power-point, ignorando tudo o que existe, é que poderá salvar o país do flagelo dos fogos. 
É óptimo termos assim tão meritórios cientistas que definem estratégias contra os fogos numa situação ideal em que esses fogos, dizem eles, não existiriam.
Até lá, pois, é deixar arder, para que tudo recomece e o power-point se cumpra. Agora, em Monchique... 

segunda-feira, 30 de julho de 2018

Uma roblusta estratégia win-win...

Com a demissão de Ricardo Robles ganhou a política séria e honesta. E a esquerda ganhou um empresário, sem dúvida o melhor dos mundos para um empresário.

domingo, 29 de julho de 2018

Um Bloco cheio de ética

Catarina Martins, defendendo o seu camarada do Bloco, o vereador do Bloco Ricardo Robles e não negando que o prédio deste esteve à venda durante vários meses, só não se realizando por falta de comprador, reafirmou que "não houve especulação imobiliária, porque o prédio não foi vendido...".
Bom, se um indivíduo, durante uma disputa, aponta uma pistola carregada ao adversário e carrega no gatilho, mas a pistola falha, não há má conduta, muito menos crime, porque o homem não morreu... 
A ética do Bloco em todo o seu esplendor!


"Morte e anjos"...

Comecei muito cedo a lidar com a morte. Tão cedo a ponto de não a levar a sério, ou melhor, como se fosse a coisa mais natural do mundo. E é. Na altura ficava triste quando conhecia as pessoas. Sabia que a morte as levava e que nunca mais iria vê-las. Achava injusto, porque gostava de as ouvir, sobretudo quando contavam histórias. Sou um apaixonado por histórias, ainda hoje me comporto como se fosse uma criança sedenta de ouvir narrativas, Morria um parente, um amigo, um conhecido e eu perdia a fonte de muitas histórias. Agora, que estou a escrever sobre a morte, perpassam-me pela mente flashes de muitas. Sobrepõem-se umas às outras com cor, com som, com risos, com lágrimas, com fantasias e com curiosidades de todas as formas e feitios. São as lembranças dos meus mortos, dos mais velhos, dos que me ensinaram. Também recordo outras mortes, como se fosse hoje, de meninos com a minha idade com os quais brinquei. Neste caso não são histórias, mas peças de teatro, reais, tão reais que levaram comigo parte de mim, ficando eu com a saudade, fragmentos das suas almas. Também convivi com a morte de quem não conhecia, gente sem história e sem nada, alguns respiraram poucos minutos ou horas e outros nem chegaram a saborear o ar que eu respirava. Não contaram histórias, mas eu conto-as em seu nome. Quando as levava à terra, para serem transformadas em anjos de Deus, ficava na dúvida sobre esta forma horrível de as matar assim que nasciam para O poderem servir. Ficava na dúvida sobre a Sua bondade. É verdade, recordo estes pensamentos quando via as pequenas caixas de cartão branco, ou urnas miniaturas, a serem lançadas na cova e ter de deitar, no final, dois ou três torrões de terra sagrada sobre eles. Olhava em redor. Desconfiados do que estaria a pensar, diziam-me: - São anjos que o Senhor escolheu para O servir. Ouvia e ficava num silêncio inquiridor e sofredor. Mas hoje, passado tanto tempo, digo o que sentia, uma enorme tristeza e um sentimento de injustiça que não se adequava ao que me apregoavam a propósito de Deus e suas virtudes. No regresso, com as mãos pintadas de terra, e enfiadas nos bolsos dos calções, punha em causa tudo o que ouvia. Sentia-me cúmplice de atos pouco justos. - Se Deus é tão poderoso e bondoso como dizem, então, porque não "fabricava" anjos de outra forma? Matar crianças à nascença não era correto. As mães que punham os seus filhos nas minhas mãos choravam. Eu vi e ouvi, mais do que uma vez.
Queria falar sobre a morte, essa constante da humanidade. Queria dissertar sobre o medo que encerra e a dor que provoca. Afinal não consegui, porque acabei de contar uma história sobre os que nunca tiveram nome, que mal saborearam o ar da Terra, e que foram condenados a terem de servir no exército do Senhor.
Olho para as mãos. Parece-me vê-las enfeitadas de terra avermelhada e quente...
Doem.

sábado, 28 de julho de 2018

UM PAÍS DE HIPOCRITAS

O caso do vereador Robles e dos seus naturais apetites por uma existência confortável à custa dos proveitos da promoção imobiliária só chama mais a atenção por que se trata de alguém com responsabilidades no Bloco de Esquerda, formação que se afirmou arvorando-se de uma superioridade moral contra todos os que não correspondem ao perfil do que julga ser a sua base social de apoio. Mas de Robles está a política nacional cheia. Ao longo da minha vida, quantas e quantos vi sairem da mediania a que estariam condenados pela ordem natural que o mérito impõe ou pela falta de aptidões e de conhecimentos, só porque souberam empunhar convenientes e oportunas bandeiras. Quantas e quantos conheci que, incapazes de apanhar outro elevador, ascenderam à custa da condenação dos que se esforçam por criar riqueza, primeira condição para a distribuir. Quantas e quantos, do CDS ao BE, fazem na vida o contrário do que apregoam nas tribunas, sabendo que está aí a garantia do seu pontual abono de família e de uma confortável pensão quando as circunstâncias os arredarem da vida pública. São poucos - ou são alguns, mas sem palco mediático - os que ousam apontar para a nudez do rei que desfila, os que se incomodam com um sistema dominado pela hipocrisia e capturado por hipócritas. Mas ainda são muitos os que confiam ou os que, com o seu voto, concedem o benefício da dúvida ao sistema partidário que temos, assente nesta ilusão de justiça e retidão, financiado por parte substancial dos rendimentos de quem tem mérito, de quem trabalha ou tem sucesso no que empreeende. Um País que tal consente é responsável pelo que tem. E merece-o.

sexta-feira, 27 de julho de 2018

Um retrato da dita escola pública

Um dos Sindicatos dos Professores acusa de fraude o Ministério da Educação na avaliação de estudantes no 3º período, por  lhes ter sido atribuída de forma automática a nota do 2º período. 
O Ministério da Educação diz que isso terá acontecido porque "os docentes se recusaram a entregar as notas dos alunos...não possibilitaram o contacto, não atenderam o telefone, não foram à escola...". 
 Ora vejamos: 
1. Os professores fazem o mal e o sindicato a caramunha, acusando o governo por faltas que deveria atribuir em primeira mão aos professores. Assim a modos como aquele sujeito que matou os pais e depois pede clemência ao tribunal por ser órfão. 
2. O governo acha tudo normal, pois apenas diz que se limitou a aplicar a lei, sem uma palavra, já nem digo de crítica contundente, mas de reparo  à actuação dos professores, não vão os sindicatos aborrecerem-se. 
Para os sindicatos os professores são um fim em si mesmo, existem porque sim e em função de nada, a não ser deles próprios e o ministério, salvo alguns arrufos para manter as aparências, até concorda. E até vai aumentando o seu número, quando o número de alunos vai diminuindo.
Um retrato da escola pública em Portugal.
PS: Obviamente que uma enorme percentagem de professores são competentes, dedicados e cumpridores e vão sustentando a dita escola pública. O que só comprova a maldade do modelo em que estão inseridos. 

terça-feira, 24 de julho de 2018

"A minha andorinha"...



Faz agora dois anos que vivi com uma andorinha. Não consigo esquecê-la. Tenho imensas saudades. Ensinou-me muitas coisas. Bela, doce e amiga. Uma andorinha dourada que a par de outros animais sabem dar vida à vida, mesmo que morram nas minhas mãos...

Cá em casa temos alguma experiência e vivência com diferentes espécies animais. Periodicamente cai uma sem sabermos como. Nem sempre as coisas acabam bem. Mesmo assim deixam marcas e saudades. Relativamente à passarada já andou por aqui, noutros tempos, uma pobre andorinha das chaminés. Não sobreviveu. Foi há muitos anos. Na altura não tive possibilidade de estudar e saber qual a melhor forma de a cuidar. Ainda por cima tive de me ausentar. Recordo também um pequeno pardal meio louco que um dia, em pleno voo, entrou pela janela do carro e marrou no vidro oposto. Uma chatice dos diabos. Ficou inconsciente durante longos minutos. Quando recuperou não “fazia coisa com coisa”. Deve ter feito “traumatismo craniano”! Foi o meu diagnóstico. Durante alguns dias alimentámo-lo à nossa “maneira”. Pão, arroz, massa cozida e água. Ao fim de alguns dias “teve alta a pedido”. Piou alto, e em bom som, e foi à vida. Não sei se ficou maluco, mas pardais malucos é a coisa mais natural do mundo.
A outra foi uma pobre pomba depauperada que não conseguia levantar voo. Estava tão fraca que se deixou apanhar sem dizer um pio. - Deve estar doente. Disse a minha mulher. – Pois está! Com o bico partido como é que o animal pode comer. Começou a ser alimentada com cuidado. Ao fim de pouco tempo tinha recuperado totalmente. A gratidão do animal foi interessante. Como “sabia” que nunca podia alimentar-se por si própria, seguia-nos como um verdadeiro cachorrinho. Em cima do ombro, voando em nosso redor ou batendo as asas de felicidade ia para toda a parte. Gostava imenso de ir às compras com a minha mulher. Andou assim durante algum tempo até que um dia desapareceu. Não foi como o “sacanita” do pardal, que se pirou assim que se sentiu bem, mas deve ter sido apanhada por alguém. Os animais quando se afeiçoam aos seres humanos não conseguem distinguir quem lhes faz bem ou mal. Acreditam em todos. Mal.
Mas houve mais. O “Chiquito” era um pequeno coelho branco que veio para casa em pequeno. Foi oferecido à minha filha mais velha. Habituou-se ao ambiente caseiro e dormia na adega. Quando o chamávamos, “Chiquito”, “Chiquito”, subia as escadas numa correria louca e nunca fez uma curva, era tudo em ângulo reto, o que o levava a derrapar. Um doido varrido. Entrava na sala e punha-se ao meu lado deitado, muito sossegado, a ver televisão. “Adorava” ver desenhos animados! Até que um dia a minha sogra não achou piada às carpetes roídas. Foi parar a uma coelheira numa fazenda de pessoas amigas e mais tarde aos estômagos de apreciadoras de carne de coelho. Curiosamente tinham como apelido “Coelho”! Confesso que não consigo comer carne de coelho. Nem pensar.
Agora apareceu-me esta andorinha. Nunca pensei que sobrevivesse. Já passaram dez dias. Está linda, jeitosa, mimada e não me larga um instante. Adora dormir no meu ombro. Pede-me comida e água. Durante estes dias já me ensinou muitas coisas. Tantas que gostaria de as descrever. Há cuidados, emoções, sentimentos e formas de ver a vida que nunca pensei que um frágil animal conseguisse despertar. Há horas que está, como dizem os galegos, no meu “ombreiro”. Dorme, chilreia, é feliz e está confiante.

Propaganda, propaganda, só propaganda!

Perante a calamidade, natural seria que a decisão do governo, tomada há 4 dias, de enviar dois aviões para ajudar a combater os fogos na Suécia fosse imediatamente concretizada e os aviões já estivessem operacionais naquele país. Mas não, só vão conseguir levantar voo hoje, 4 dias depois. É que havia que arranjar tempo para que o 1º Ministro, Ministro da Administração Interna, Secretário de Estado da Protecção Civil, Directores da Protecção Civil viessem diariamente às rádios e televisões enaltecer esse enorme feito de disponibilizar dois aviões. Disponibilizar em Portugal, porque à Suécia provavelmente só chegarão quando os fogos estiverem extintos. 
Ah, e acabei de ouvir que o Ministro da Administração Interna está no aeroporto a despedir-se da tripulação. Não tarda estará de volta a recebê-la, com mais uma discursata de auto-louvor, travestido de solidariedade.
PS: Entretanto, também ouvi que uns tantos elementos da protecção civil acompanham a tripulação para coordenar os trabalhos, que isto de pôr no ar dois aviões é matéria assaz complexa ...  

domingo, 22 de julho de 2018

"Democracia"...


A democracia é considerada como a forma mais correta e digna de viver em sociedade. De facto, atendendo aos princípios que defende, é verdade. Verdade e desejável. Transmite confiança e coloca-nos todos no mesmo plano com os mesmos direitos e deveres. Teoricamente é a mensagem que passa. E na prática? Na prática não. Longe disso. Não temos os mesmos direitos e nem somos iguais perante a lei.
A política é o meio através da qual grupos com interesses e/ou ideologias tentam alcançar o poder e distribuir o "bem-bom" pelos seus correligionários. Dispenso comentários sobre o significado de "bem-bom".
Os seres humanos, como sempre aconteceu ao longo da evolução, e em estreito paralelo com outras espécies, querem mandar. Mandar é uma garantia de sobrevivência, e a sobrevivência faz-se na nossa espécie à custa de ideologias e interesses doutrinários. Os clãs existem, como sempre existiram, e são o melhor garante de sobrevivência do elemento do grupo. Matar para não ser morto, roubar para não ser roubado, dominar para não ser escravizado. Tudo isto e muito mais. Há os que doutrinam e os que não querem ser doutrinados. Há os que mandam e os que não querem ser mandados. Há os que têm força e os que querem também ter. Há os que têm uma ideologia e os que têm outra perfeitamente distinta. Não há possibilidade de consenso, e o respeito não é mais do que uma mera teatralidade. Matar para não ser morto, mesmo entre os elementos da mesma espécie, é uma regra ditada pela força evolutiva. A história, quer a recente, quer a mais remota, está enfermada de milhares de testemunhos.
A democracia tem o condão de deixar passar a ideia de liberdade e de igualdade. De facto, tem. Quanto à fraternidade é um mito, alimentado e desenvolvido por correntes doutrinárias ou religiosas, uma espécie de aparente boa vontade que consegue acalmar a raiva dos que sofrem, dos que são maltratados, humilhados e ofendidos em todos os setores da (h)umanidade. Tudo isto nas barbas da democracia!
A corrupção e o nepotismo sãos os braços direito e esquerdo das diferentes ideologias. Muitos, mas muitos, alimentam-se e sobrevivem à sua custa.
A imposição de princípios ideológicos/doutrinários/ religiosos tem esse objetivo, impor as ideias aos outros. Mas se os outros "aceitassem" seria uma "tragédia". Ficávamos todos em "pé de igualdade". O pior é que os recursos nunca chegariam para todos, logo, o melhor é contribuir para acirrar as diferenças. Quanto mais diferenças, melhor. Sendo assim, alimentá-las, o que não é nada difícil e complicado, é imperioso para que determinados grupos políticos assaltem o poder e provoquem raiva, desconfiança e mal-estar nos opositores.
Tudo isto faz-se nas barbas da democracia.
A democracia não é mais do que a mais bela das poesias transformada em negócios e assaltos ao poder para muitos poderem "sobreviver".
Não há volta a dar. Não vejo como. Talvez acredite na "democracia pura" dos cemitérios e dos crematórios, onde somos, "efetivamente" (uma blague a terminar este texto), verdadeiramente "iguais"!

"O Rogério"...


Faz hoje dois anos que conheci o Rogério. Desde esta cena já passei muitas vezes pelo mesmo local. Passo e recordo o Rogério. Nunca mais o vi. Tenho receio de que já não exista. O melhor é não perguntar. Passo pelo mesmo local e recordo a história de um dia de calor. Sou filho de histórias e quero ser pai e avô de histórias. Sim, sem histórias não sou ninguém...

Aproveitei o dia livre para o encher de prazer e de emoção. Basta-me andar ao “deus-dará” para tropeçar com pequenos episódios, acontecimentos e fazer belas descobertas. Cada vez gosto mais de andar ao sabor do vento do tempo. Eu também me transformarei um dia nesse vento.

Depois de termos almoçado, bem, demos um pequeno passeio pela localidade. O sol estava no seu pique. Gente nem vê-la. O calor apertava e de que maneira. Procurávamos incessantemente a sombra quando, de repente, surgiu uma figura surpreendente. Um velho, mirrado pelos anos, com uma das mãos, a esquerda, a apertar simultaneamente a camisola e as calças (ou pijama), como a querer evitar que lhes caísse aos tornozelos, caminhava à pato e a pequenos e instáveis passos. – Valha-me Deus! De onde terá surgido aquela figura? Disse para a minha mulher. – Fugiu de algum sítio. Só pode. Pela forma como caminha, e atendendo à idade, aquela cabeça está toda baralhada. Vamos. Vamos perguntar-lhe o que é que ele anda a fazer. Avançámos meia dúzia de metros e interpelei-o. – Bom tarde, bom senhor. Boa tarde. À segunda saudação parou e olhou-me. – Como é que se chama? Tive de repetir mais duas vezes. Deu-me a sensação de que estaria a processar a resposta a uma pergunta que deve ter ouvido várias vezes ao longo da vida. – Rogério. Rogério. – Ó senhor Rogério, o que anda a fazer com este sol? – Bjjjj. Bjjj. Bjjj. Fugi de casa. – O quê? Fugiu de casa? Mas o senhor sabe o que fez? Com quem é que vive? Sem perceber, voltou a sorrir e a lançar os seu “bjjjjs”. – Mas sabe ir até à sua casa? – Sei. – Ai sabe? Onde é que mora? – Ali. – Ali onde? – Ali. E apontava o local. Disse para a minha mulher: - Isto vai ser complicado. Como a conheço bem, vi logo que se ia meter com o Rogério. Pôs-se a falar com ele e, claro, não tardou a vê-lo todo sorridente e a dançar. Levantou os braços, começou a agitar os dedos ao mesmo tempo que levantava o rabiosque acompanhado da tentativa de se elevar do chão. – Valha-me Deus. Ó senhor Rogério vá para casa por amor de Deus. – Está bem. Está bem. Avançou pela rua principal, velha de séculos e de história, até chegar junto de uma escadaria cujos degraus, monstruosos mesmo para um jovem, tentou galgar. À primeira tentativa ia malhando com os ossos no granito escaldante. A minha mulher correu e segurou-o. Depois, com muita dificuldade, ajudou-o a subir. Lá em cima, na rua medieva, começou a caminhar com os trejeitos de quem não sabe para onde ir. Passou em frente a uma casa, porta escancarada, junto da qual, num velho assento de granito, uma velha apanhava o ar da tarde à sombra. Vi que ela lhe disse alguma coisa, mas o Rogério continuou na sua marcha. Sempre na expectativa do que poderia acontecer, aproximei-me da velha e perguntei-lhe se sabia quem era aquele senhor. – Não. Não sei. – Não conhece o Rogério? – Não. - Não? Não é daqui? Sorriu e vi que não estava melhor da cabeça. Pus-me no seu encalço, até que o apanhei. Gritei-lhe: - Ó Rogério! Ó Rogério! À segunda interpelação parou. Olhou-me e com aquele ar de quem está aprisionado dentro de um cérebro esquecido ficou à espera de instruções. – Vamos para casa. Estão todos preocupados consigo. O pior é que eu não sabia onde morava, até que duas senhoras presenciaram a situação. Vi que o conheciam. Pedi-lhes ajuda. Sem ficarem muito surpreendidas, disseram-me que era comum andarem à sua procura. – Sabem onde é que ele mora? Quando me disseram onde era fiquei de boca aberta. Afinal, vivia na casa cuja porta estava escancarada e na qual, sentada no banco de granito, estava a mulher. – O quê? Aquela senhora é a mulher? – É sim senhor. Mas ela não sabia quem era o Rogério! – Sorriram. Estava tudo explicado. Enfiei o braço debaixo do braço direito dele, enquanto a mão esquerda apertava insistentemente as calças para que não caíssem. Levei-o até casa. Satisfeito com o episódio, começou a querer dançar. As senhoras que o conheciam bem disseram-me que em novo saltava no ar e batia com os pés um no outro a dançar. Não perdeu o jeito, faltou-lhe apenas a elevação. Entrou em casa. Depois, duas vizinhas vieram em seu auxílio e estivemos a conversar um bom bocado sobre o quadro. Sei que ambos tinham mais de noventa anos e...
Agradeceram a nossa ajuda.
O país está cada vez mais deserto, mais pobre e mais velho...

“Interrogação”...

Interrogo-me frequentemente sobre muitos assuntos. Ao interrogar-me consigo despertar histórias escondidas no tempo, sabendo que muitas delas foram sepultadas em espaços conhecidos, mas também consigo ressuscitar dores e antecipar tragédias. A explosão de emoções ocorre em qualquer momento no meu cérebro desejoso de paz. Faz parte do longo caminhar do tempo. Olho para as mãos, que felizmente não tremem, e peço para dar vida ao que já morreu e ao que vai morrer. Uma espécie de oração para quem não sabe rezar, não obstante o ralhar e o admoestar de quem quis que aprendesse a ladainhar sem sentido frases e mais frases sem as entender, a não ser a sensação de cantar melodias bolorentas que para mim não era mais do que um faz de conta. Esforcei-me, mas não tive sucesso. Não estou arrependido. Olho para as mãos, que ainda vivem, e peço-lhes que escrevam. O meu medo é não conseguir dar vida às palavras e não poder saborear algo que a justifique. Escrever é isso mesmo, tentar respirar com ansiedade o prazer momentâneo de dar vida às palavras e às frases como se fossem filhos acabados de nascer. Sempre diferentes e surpreendentes. Quando passa um tempo, mesmo que seja curto, sem escrever, a angústia soma-se ao medo, provocando um terrível mal-estar, a querer imitar o que a vida me prometeu. Não sabia das suas promessas, mas sempre desconfiei. Agora que o tempo se esfarela vejo o que estava escondido. Bate certo, a vida não serve para grande coisa a não ser para atormentar e libertar a criatividade através de uma espécie de gastronomia da escrita, a descoberta de sabores que não serve para alimentar mas para compensar, através do prazer, o saber do que é viver, algo muito diferente do que me foi prometido. Bate certo. Resta-me continuar a interrogar e a tentar ressuscitar histórias sepultadas e desejosas de serem conhecidas. Devo-lhes isso. Para quê? Não sei e nem interessa, mas sempre engano o tempo, sobretudo o estranho presente.

Descaramento é que não falta!

Ontem foi lançado ao mar o primeiro navio construído nos Estaleiros da West Sea, empresa a quem foram subconcessionadas as instalações dos antigos Estaleiros de Viana do Castelo. A  subconcessão das instalações desta empresa que somava desorganização e prejuízos, e em quem os clientes não confiavam, foi a solução encontrada para salvar o essencial dos postos de trabalho e o know-how existente. No entanto, gerou um forte movimento contestatário, greves, manifestações, e até um velório organizado em 2013 pelo actual residente da Câmara Municipal de Viana do Castelo. Um exemplo perfeito de como estratégias políticas se sobrepõem ao bem das populações.
Com enorme desplante, o Presidente da Câmara esteve agora presente na cerimónia da inauguração do barco.E a madrinha de baptismo do navio é a mulher do primeiro-ministro António Costa, líder do Partido Socialista que então encabeçava, com o PC e o Bloco, a solução encontrada.
Descaramento é mesmo coisa que não falta, e até abunda, nesta governação geringôncica.

sábado, 21 de julho de 2018

O estado a que isto, a escola pública, chegou!

Mas alguém podia imaginar que os senhores professores podiam ir de férias sem darem as notas de fim de ano aos alunos ou, na moderna pedagogia, fazerem a avaliação dos alunos? 
Pois bem, pensaram os senhores professores que, de falta em falta, iam protelando as avaliações. E foi preciso que o Ministério da Educação viesse estabelecer que os senhores professores só podiam ir de férias após as avaliações terminadas. 
Bom, apesar de tudo, uma primeira atitude de rebeldia do Ministério perante os chefes sindicais a quem o Ministro é sempre atento, venerador e obrigado.  Mas que revela o estado a que isto, a reclamada escola pública,  chegou.

quarta-feira, 18 de julho de 2018

"Castigos"...

Leio, no intervalo de duas consultas, a notícia de que em Braga, Sameiro, militares da GNR contestam o comandante do posto que os ameaça com "castigos" por não passarem multas.
Meu Deus! Que forma de estar na vida. Um pequeno exemplo que ilustra a mesquinhez e a mediocridade de um cidadão.
O senhor comandante tem, às tantas, de mostrar um bom "desempenho" das suas funções e contribuir para encher o bolso do estado.
E mais não digo!
https://www.jn.pt/justica/interior/revolta-na-gnr-de-braga-contra-castigos-a-quem-passa-poucas-multas-9606660.html