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terça-feira, 2 de agosto de 2016

E as janelas, senhores, e as janelas?


Uma das curiosidades dos prédios holandeses situados ao longo dos famosos canais é terem apenas uma janela para a frente. A fachada é estreita, invulgarmente estreita, e a explicação está no facto de, há 3 séculos atrás, o rei ter decidido taxar cada janela.
Por cá, a imaginação tributária pode muito bem chegar a esse ponto, ou mesmo virem a taxar por cada telha consoante a cor e a qualidade, ou os toldos para proteger do sol e do calor, ou os cortinados, sei lá, é só olharmos bem para o imóveis e deixar correr a imaginação. Para já, o “coeficiente de qualidade e conforto” vai ser reavaliado para efeitos de IMI, passando a ter uma ponderação de até 20% em vez dos atuais 5%, conforme a exposição solar e a vista usufruída. Isto ao mesmo tempo que se vai falando de um IMI “acumulado”, crescendo exponencialmente em função do número de imóveis que o proprietário tenha, e do regresso do imposto sucessório entre pais e filhos, depois de uma vida inteira a pagar a hipoteca,os IMIs e o mais que já pesa ou venham ainda a inventar sobre a propriedade. E depois, nos dias em que não falam do aumento de impostos, lamentam-se e interrogam-se sobre a degradação dos prédios ou os altos valores das rendas no mercado, por que motivo será? 

6 comentários:

Pinho Cardão disse...

Lá chegará a geringonça, cara Suzana, lá chegará. Taxará o sol e a chuva, as portas e as janelas, tudo o que exista sobre a terra. A palavra é feia, mas diz tudo: chulos!...

Gaudêncio Figueira disse...

A grande imaginação tributária é aquela que permite aos rendimentos de capital em viagem permanente do Panamá para Hong Kong e de Hong Kong para o Luxemburgo. Capital limpinho, limpinho, sem impostos. A "chularada" só se sentirá bem quando?
Eu, pagador de impostos, me confesso estou farto da PàF que entrou a matar nas reformas e salários com um "brutal aumento de impostos" prometeu reformar o Estado e não deu um passo.
A iniciativa privada quando vende uma residência não "vende" a vista e a exposição solar? Não pode servir a mesma regra para cobrar impostos? Será preferível não pagar mais impostos quando sabemos que andamos com borda debaixo de água?
A geringonça, descansem, vai cair mas não empurrem. Grande Marcelo que recusou um Portugal entre "bons" e "maus" e deixou a PàF a falar só quando lhes apoio apesar de provir dessa área política.

Margarida Corrêa de Aguiar disse...

Suzana
Mas é a bem da justiça fiscal! Uma boa justificação para tudo ser permitido. "Justiça fiscal" que de tanto ser invocada já ninguém acredita nela.

Gaudêncio Figueira disse...

É na justiça fiscal e na retórica política que já ninguém acredita.
Resta um PR que acha que é bom não termos um País "maneta" só com mão direita. Descansem que a "geringonça" vai cair, mas se colocam o País à frente dos vossos partidos deixem-na em PAZ e pensem naquilo que farão sem ser a demagogia barata dos tempos "Pafianos".

Suzana Toscano disse...

Caro Gaudêncio Ferreira, tenho dificuldade em perceber porque é que uma crítica a uma decisão do atual Parlamento ou do atual Governo pode fazer "perigar a geringonça" ou significar o desejo de o substituir pelo "PaF" como diz. Querer que governem bem, e de acordo com o que se propuseram, é ameaçar a estabilidade? Nunca ouvi tal coisa. É muito preocupante que se adopte a tese de que, se os outros fizeram então não se pode dizer nada agora, nem vejo que quem critica agora tivesse que ter concordado com os anteriores. Há um certo preconceito nisso tudo, não lhe parece?

Gaudêncio Figueira disse...

Preocupante é retórica com que as elites políticas buscam votos.
Andam há 40 anos neste blá-blá em que "o meu partido é melhor que o teu", mas acertam sempre as agulhas para tratarem dos seus interesses de grupo esquecendo o BEM COMUM. Dou-lhe dois exemplos de servidores do Bem Comum Durão Barroso - desertou para tratar de si e não ver cair a "tanga" aos concidadãos- António Guterres que achando que a situação vivida não levava a nada, tal como Durão também saiu, mas espero que consiga ver diferença entre ambos.
A oposição a quem governa é legítima. As críticas são salutares.
Já não parece democracia andarem, desde Out., a prever um tsunami que felizmente não tem acontecido. Descansem nestas coisas há mais marés que marinheiros que vão voltar a governar. Não tragam certo tipo de malabaritas que depois fogem às responsabilidades