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domingo, 4 de junho de 2006
Terei tempo para me por "em dia"?
Está agora? O regresso a este blog, após uma semana de ausencia, é a prova mais científica da vitalidade reinante.
A deliciosa e requintada prosa do Dr. P. Cardão ( por terras Poveiras ) é de antologia e aguça o apetite para, numa próxima, assistir "ao vivo" mas sem nunca o dispensar desta imprescindível descrição! como não pude comentar aqui ficam os meus parabéns retardados.
Quanto a promessas / ameaças governamentais e quanto a propostas legislativas também não estivemos nada mal: procriação médicamente assistida, finalmente, e num texto que parece muito equilibrado e técnicamente bem apoiado; proposta de reforma do estatuto da carreira docente, proposto um novo método de ingresso e avaliação para discussão e aperfeiçoamento; proposta de liberalização da propriedade de farmácia e assinatura de um acordo que, na sua esmagadora maioria, é impossível de concretizar; a cruel afirmação de que "Portugal é visto como um País em contínua degradação e declínio"-Jack Welch; o 1º veto presidencial sobre a exagerada "lei das quotas"; a vital proposta sobre o dia do cão...
Interessante ainda é o ajuste dos horários parlamentares ao Mundial, excelente exemplo para todos os profissionais que bem podem seguí-lo (porque não?)e parar o País para ver se com tamanha entropia o México sai derrotado. Deixo aqui a minha imensa pena em não ter ouvido uma forte discordância e da parte do grupo parlamentar do Psd.
Parabéns, Dr. F. Almeida por aquele monumental castanheiro, a árvore de que mais gosto, talvez poeque caracteriza a paisagem do nordeste transmontano, mas nunca ouvi falar de nenhuma com tantos séculos! E como ela vingou sem a "moderna" protecção ambientalista...
sábado, 3 de junho de 2006
Mais Pantominas!...
A trama central da peça é a seguinte: “Quem sou quem sou? quem sou/n´é quem sou quem sou/sou eu n´é que sou eu/ n´é n´é n´é que sou eu?”.
Segundo Jorge Silva Melo a história insere-se na mentalidade dos italianos, que “conseguem encontrar o sagrado em personagens da ralé”.
A peça é representada na Cadeia, porventura indo de encontro ao sentir do autor que “ nem imagina os seus textos no teatro”!...
Na Cadeia das Mónicas? E se lá ficassem todos?
Os Pantomineiros
O Teatro Taborda vem apresentando a peça “As 4 Gémeas” de Raul Taborda Damonte, autor argentino, mais conhecido como Copi. Segundo a crítica da página de teatro do DN de há dias, é a “história de duas gémeas delinquentes que recebem como prenda de aniversário outro par de gémeas”.A peça “junta assim quatro mulheres vigaristas, ex-reclusas, traficantes e tóxico-dependentes que, num jogo psicadélico, ficam cegas, surdas, morrem uma e outra vez, ressuscitam e dão-se a comer aos cães”.
Neste mundo de anormalidades, um leve resquício de senso há a registar. A actriz e encenadora do espectáculo Joana Brandão reconhece que “o maior desafio está em fazer passar o universo de Copi, que tem um humor negro…”
Muito negro, mesmo…um verdadeiro buraco negro, onde se desvaneceu a inteligência.
Ah, e agora que vai haver o Dia Nacional do Cão, há que lavrar um vigoroso protesto pelo facto de as actrizes se darem a comer aos ditos, em manifesto desrespeito pela boa prática alimentícia dos animais.
O espectáculo vai participar, em Outubro, no Festival Internacional do Teatro de Oriente, na Venezuela…isto se as enchentes que se adivinham no Teatro Taborda assim o permitirem, claro, já que personagens ainda deve haver, pois duvido que os cães lhes peguem!...
sexta-feira, 2 de junho de 2006
Ainda a estória do lobo e da estrada
Mandem-nos é já todos para o Alferce!...
Mal acabei de incluir no 4R a minha Nota anterior sobre o custo de não molestar os 7 lobos de Vila Pouca de Aguiar, a 15 milhões de euros por unidade, quando folheio o DN e vejo uma notícia sobre mais uns distúrbios provocados por uma virtual águia-de -bonelli.
A história conta-se em poucas palavras.
A Rede Eléctrica Nacional, REN, vai instalar uma Linha de Alta Tensão entre Sines e Portimão.
O inevitável estudo de impacto ambiental, levado a efeito pela Universidade do Algarve, através do Centro de Estudos Avifauna Ibérica, detectou nas imediações do percurso 3 ninhos da dita espécie, dois no Alentejo e um perto da localidade de Alferce, no concelho de Monchique.
Em consequência, e para não causar qualquer espécie de agravo ao tal ninho, este douto Centro de Estudos “desviou” o percurso da linha de alta tensão para cima da povoação de Alferce, onde habitam 450 pessoas.
Entretanto, a REN propôs um traçado alternativo, ou a trasladação do ninho.
A entidade que procedeu ao Estudo de Impacto Ambiental não aceita nem uma coisa nem outra, e mantém que 400 KV passem por cima da cabeça dos 450 Alfercenses, que valem bem menos que um ninho.
"Depois da polémica sobre o lince-ibérico no concelho de Monchique, que ainda ninguém conseguiu ver, surge agora uma águia. Tem mais valor do que um ser humano?", interroga-se, segundo o DN, o proprietário de um café em Alferce.
É óbvio que tem, por onde é que o meu amigo tem andado?… Um ninho é um ninho, e os 450 seres humanos do Alferce, na opinião do Centro de Estudos da Universidade do Algarve, até já se terão habituado a ser maltratados pelos poderes públicos…
Um vereador duvida mesmo da existência do bicho no local. É que, nota, "não se sabe se, de facto, existe águia-de-bonelli".
Ma que interesse tem isso de saber se a águia existe ou não? Se não fosse a águia, seria o lince, se não fosse o lince, seria o lobo, se não fosse o lobo, seria o morcego…se não fosse o morcego inventava-se bicho desconhecido, que isto do poder dos ambientalistas não pode esmorecer. Ah, e a indústria dos estudos do impacto ambiental tem sempre que arranjar objecto justificativo, se não real, ao menos virtual.
Que, de qualquer forma, e sempre, nós pagamos.
E ainda temos que aguentar que prefiram um ninho, mesmo virtual, a 450 pessoas!...
A ser comidos pelos lobos!...
Por má coordenação dos projectos, por cedências ao poder ambientalista que quer ter sempre a última palavra ou por que quer que seja, acontecem aberrações insuportáveis para quem ainda pense direito e com senso. Eu sei, eu sei que muita gente logo diz que não há pensar direito, não há uma norma, etc, etc. Pensem como lhes apetecer!...
Mas dá vontade de não pagar mais um tostão de impostos quando se assiste a factos como o que o jornalista Rui Pego, citado pelo DN, contou no Correio da Manhã de há dias.
“Sete lobos ibéricos, reunidos em alcateia, com domicílio no concelho de Vila Pouca de Aguiar, obrigaram à construção de um viaduto e alterações na ligação entre Viseu e Chaves, dado o facto de o traçado se intrometer no percurso que os estimados exemplares têm o hábito de fazer. A delicadeza custa entre 100 e 150 milhões de euros. Qualquer coisa como 15 milhões por lobo, mais euro, menos euro”.
O Estado vai gastar então 15 milhões de euros por cada um dos sete lobos de Vila Pouca. O mesmo Estado que não gasta um cêntimo, porque diz que não tem, quando é preciso fazer uma estrada ou um pequeno posto de saúde, ou uma obra de saneamento para servir 70 pessoas em tantas Vilas Poucas deste país…Mas lobos são lobos, não podem entrar em “sress”, não se podem enervar, devem ter uma excelente qualidade de vida, o Estado fez-se para eles, como se fez para os morcegos de Sicó e para tantas outras excelentes criaturas...
Mas há Governo neste país que possa explicar esta loucura? E temos nós que a suportar?
quinta-feira, 1 de junho de 2006
Verdade sem consequência?
A confirmar-se que era exactamente este o teor do compromisso firmado pelo Governo, afinal o senhor Primeiro-Ministro ou estava mal informado - hipótese pouco provável tratando-se de um ex-ministro do ambiente - ou então desviou-se do santo caminho da verdade quando deu a entender que neste negócio pretenderam vender ao Estado Português gato por lebre.
Afinal, como suspeitei, nesta história e desde o início, sempre houve gato...
Eis aqui uma grande diferença entre governos de maioria absoluta homogénea e governos minoritários e ou maioritários com apoio parlamentar pluripartidário. Nos primeiros, uma das coisas que se torna irrelevante é a verdade. Por muito chocantes que sejam os desvios dos responsáveis, quase nunca têm consequência. Nos segundos, os ministros envolvidos neste caso (economia e ambiente) estariam neste momento nos seus gabinetes a verter da secretária para caixotes os últimos papéis. Amanhã, por certo, as secretárias já seriam ocupadas por outros...
Até porque, na comunicação social, na oposição e no interior dos partidos apoiantes do governo se fariam de imediato sentir os pedidos do sacrifício dos ministros faltosos, sem admitir qualquer outra saída.
Mas pensando bem a atitude do Senhor Ministro Pinho até deve merecer alguma compreensão pública. Ou não se tratasse de problema chato e embaraçoso que face aos efeitos nocivos sobre a envolvente ambiental ninguém, afinal, gosta de assumir: emissão de gases...em excesso.
Nobreza!
É interessante o facto de muitas pessoas desejarem conhecer os seus antepassados mais distantes. Dizem alguns entendidos que ajuda a fortalecer a identidade de uma pessoa. Talvez sim, talvez não! Encontrar pessoas distintas pode ajudar, mesmo recorrendo às profundezas do tempo, a integrar algumas das suas facetas mais positivas, o que constitui um ganho. Em contrapartida, se esbarrarem num estafermo qualquer, saltam por cima, como se nunca tivesse existido, ou então remetem-no para uma falha momentânea da linha de montagem da sua pessoa.
Um dos aspectos que não consigo aceitar é a pretensa “nobreza genética” daqueles que consideram ter como antepassado um qualquer “nobre”. Divirto-me à brava com estas pretensões genéticas. Apesar da descodificação do genoma humano, que eu saiba, ainda não foi encontrado nenhum gene ou genes específicos que permitem identificar e caracterizar os “nobres”. Mesmo nas chamadas linhagens reais, caracterizadas por fortes cruzamentos “endogâmicos” seria interessante efectuar alguns estudos genéticos a fim de analisar o parentesco. Estou convicto da existência de muito sangue plebeu introduzido à socapa. Quem sabe se não terá sido este facto o factor determinante que evitou tamanha degenerescência?
Este breve comentário emergiu após ter lido uma pequena crónica sobre genealogia e o facto de D. Duarte Pio ter uma linhagem que esbarra no faraó Ramsés I (século XIV a.C.)! Ao longo de tantos séculos, os “genes ramsémicos” deverão ter tido uma fortíssima diluição tipo homeopática, pelos vistos! Parece que não é possível recuar mais no tempo, o que impossibilita conhecer outros tipos de antepassados, nomeadamente a fina-flor da nobreza do Paleolítico Superior.
Aceito a transmissão da “nobreza”, mas só da humanística, através do “ADN” cultural, familiar, social e escolar. Quanto aos genes, o melhor é misturá-los, o máximo possível. Sempre é um bom contributo para a biodiversidade humana e reduz o risco da patetice…
Prós e Contras
Do referido painel de oradores, mal escolhido para não variar, salientou-se o Dr. Medina Carreira (MC) pela forma desassombrada como apresentou os seus pontos de vista e como profetizou o futuro negro que nos espera.
Eu não tive possibilidade de ver o programa na íntegra, mas acompanhei algumas passagens da intervenção do Dr. MC, tendo-me apercebido do estilo algo apocalíptico das suas previsões.
Troquei entretanto impressões com algumas pessoas que viram o programa, de diferentes tendências e até idades, e em todas elas encontrei a mesma inquietação quanto ao futuro profetizado pelo Dr. MC.
Será mesmo assim? Perguntaram-me. Será que o Estado vai chegar a um tal grau de insolvência que deixará de poder pagar as pensões de reforma por exemplo? Ou os salários da função pública?
Procurarei, em breves linhas, explicar que, estando de acordo com o Dr. MC no diagnóstico da nossa dificílima situação – tenho usado a expressão ALERTA VERMELHO para caracterizar o alto risco em que nos encontramos - não partilho porém da visão apocalíptica da sua profecia.
Com efeito, se não fossemos capazes de resolver o problema do crescimento da despesa pública – que, pelo menos de acordo com a informação mais recente, de Abril, continua sem controlo – chegaria o momento em que a situação se tornaria verdadeiramente crítica.
Vivemos neste momento um período de expectativa, que pode durar mais uns meses, justificado pelas medidas anunciadas pelo Governo em algumas frentes, no sentido de travar o crescimento insustentável da despesa e de cumprir as metas de redução do défice público prometidas a Bruxelas – não mais de 4,6% do PIB em 2006, não mais de 3,7% em 2007 e não mais de 3% em 2008.
Todavia, aquele período de expectativa terminará, mais cedo ou mais tarde, se vier a verificar-se que o grau de execução das medidas anunciadas é insuficiente para cumprir satisfatoriamente os objectivos assumidos.
Aí começaria outro problema que consistiria na revisão para baixo da qualidade do risco atribuído à Republica Portuguesa, por parte das agências internacionais de rating, com o consequente agravamento da taxa de juro que o Tesouro português teria de pagar em novos financiamentos para cobertura do défice.
Se a situação mesmo assim não ficasse resolvida, persistindo o descontrolo, o risco da Republica voltaria a ser aumentado e os juros subiriam novamente.
Esta operação repetir-se-ia as vezes que fossem necessárias até que, vergados ao peso insuportável da dívida, teríamos mesmo de mudar de rumo, nem que para isso fosse necessário, por exemplo, mudar a Constituição.
Este processo pode estender-se por 2,3 ou 4 anos, mas será inevitável caso não tenhamos capacidade para corrigir, de forma autónoma e voluntária, o excesso de despesa pública.
Mas a inevitabilidade desse processo, que teria custos muito elevados não tenhamos ilusões, assegura que o cenário apocalíptico do Dr. MC não seja possível.
Para não ser muito longo, deixo para próximo post algumas observações complementares.
As insustentáveis avaliações dos professores
Sei o que são avaliações, pois trabalhei em empresas que levavam este assunto muito a sério, convictas de que os trabalhadores, a par dos clientes, são os seus melhores activos.
Mas essas empresas não concebiam nem concebem a avaliação dos Colaboradores por entidades externas, nomeadamente os clientes. No caso das Escolas, os clientes são, evidentemente, os Pais ou os alunos.
Porque uma coisa é a avaliação e outra a medida da satisfação dos clientes e dos colaboradores. E para medir e avaliar as causas desta satisfação ou insatisfação existem métodos adequados.
Como tal, acho muito bem e é obviamente útil que se meça, através de inquéritos apropriados, e referentes a cada escola, o índice de satisfação dos pais dos alunos e até dos próprios alunos. E a concepção do inquérito pode ir até ao pormenor que se entender. Com inquéritos bem concebidos e conduzidos pode saber-se muito bem onde estão as principais insuficiências ou os principais valores. E, em consequência, implantar as medidas correctivas.
Outra coisa é a avaliação dos professores, que deve ser feita internamente.
É da conjugação destes dois modos de aferir a actividade docente que as escolas podem melhorar e não do lançamento à toa de ideias pouco amadurecidas, mesmo que de grande impacto mediático, mas de utilidade nula.
A frase da semana
"Mais substituições
A Senhora Ministra da Educação pondera a constituição de bolsas de alunos para substituir os colegas que faltam às aulas..."
quarta-feira, 31 de maio de 2006
Extraordinário!
Lisboa, 31 Mai (Lusa) - Um projecto de resolução apresentado pelo PSD na Assembleia da República pretende instituir o dia 06 de Junho como o "Dia Nacional do Cão", um animal que, diz o partido, vive junto do Homem desde a pré-história. No projecto, a que a agência Lusa teve acesso, os deputados do PSD consideram importante instituir no calendário oficial um dia "dedicado à sensibilização de todos para o importante papel que a relação com os cães" tem na vida do Homem, dia "que pode ser particularmente interessante para uma importante pedagogia de valores de cidadania a incutir nas crianças e nos jovens". Por esse motivo, sugerem os social-democratas, o "Dia Nacional do Cão" deveria ser o mais próximo possível do "Dia da Criança", que se comemora a 01 de Junho. A proposta do PSD surge na sequência da apresentação no Parlamento, no passado dia 02, de uma petição, subscrita por 7.162 pessoas, pedindo a criação do "Dia Nacional do Cão". A petição, dinamizada por criadores e "amigos" do "melhor amigo" do Homem, foi na altura entregue ao presidente da Assembleia da República, Jaime Gama, tendo os responsáveis frisado que se tratava de uma iniciativa supra-partidária, não escondendo o desejo de que a questão fosse discutida ainda na presente sessão legislativa. A ideia de criar um dia dedicado ao cão antes do início das férias tem como objectivo sensibilizar as pessoas para a necessidade de não abandonarem os cães no Verão, prática que acontece com alguma frequência, disseram na altura. A proposta do PSD está aberta ao apoio de outros partidos, disse uma fonte ligada ao projecto, frisando que não há qualquer interesse partidário na iniciativa e que a ideia mereceu no início do mês o agrado de Jaime Gama. "O cão cumpre hoje relevantes papéis de auxílio e companhia social, de que são exemplo os cães guia para cegos ou para outros cidadãos portadores de deficiência, os cães polícias ou os cães bombeiros", lê-se no projecto de resolução agora apresentado. Diz o PSD que o cão "é hoje uma presença marcante na vida de milhões de portugueses", estimando-se que "está presente em mais de um milhão de lares nacionais". FP. Lusa/Fim
Fui confirmar. Não é peta!
MÃEZINHAAAA!!!
Esperar sentado!...

Tenho para mim precisamente o contrário e venho-o afirmando sempre que posso: a despesa pública só descerá quando diminuírem os impostos. Só perante menos receita é que os Governos se decidirão a gastar mais racionalmente.
Ora, segundo o DN de ontem, também António Pires de Lima, deputado do CDS/PP, se tornou mais um político correcto, ao afirmar que “logo que se conheçam os resultados ao nível da evolução da redução da despesa pública, creio que é altamente desejável prosseguir com uma política de redução de impostos”.
Como, segundo as últimas estatísticas conhecidas, a Despesa Pública tem vindo naturalmente a aumentar mais do que o orçamentado, bem pode esperar sentado!...
Tabaco e legislação
Tirando o Butão, o único país do mundo em que é proibido fumar, os países divergem, e muito, no alcance das respectivas medidas, destinadas, sobretudo, a proteger a saúde dos trabalhadores e dos não fumadores.
A “onda” é recente, não é nenhuma moda, e vai continuar a alastrar. Este movimento que começou nos E.U.A. tem viajado de Oeste para Leste e, curiosamente, os países do Sul e católicos têm aderido com uma força invulgar face ao Centro e Norte da Europa. A Inglaterra ainda está a estudar o assunto e na Alemanha não se vislumbra tão cedo qualquer produção legislativa, preferindo fazer acordos com as diferentes instituições, pensando resolver, em 2008, 80% dos problemas relativos ao consumo do tabaco.
O que leva os povos católicos ou sulistas a produzirem legislação mais avançada, relativamente aos outros? Talvez tenha a ver com o comportamento menos cívico, da maioria dos fumadores, colidir com os interesses dos não fumadores que estão “fartos” de serem incomodados e, por este motivo, acabem por aceitar mais facilmente as medidas restritivas. Além do mais, as “meias-leis” não servem para nada, a não ser para perpetuar hábitos pouco saudáveis.
Não sei se esta é, ou não, uma boa explicação para o fenómeno. De qualquer modo, fez-me recordar uma pequena história, em que um colega flamengo não queria acreditar que os portugueses são um dos povos que fumam menos. Expliquei-lhe que era verdade. De facto, segundo os últimos dados, Portugal apresenta a prevalência mais elevada da União Europeia de não fumadores! Teimosamente, o belga continuava a contra-argumentar citando as opiniões de outros colegas estrangeiros que se queixavam, assim que chegavam a Lisboa, dos fumadores portugueses. Tive que explicar que os portugueses fumam muito menos do que os outros povos, mas, em contrapartida, um luso-fumador é capaz de fazer mais “estragos” do que 15 ou 20 Alemães ou Suíços, por exemplo! Aliás, é muito comum, no final de uma refeição, um dos convivas “sacar” do seu maço e perguntar: - Não o incomoda, pois não? E o que é que vamos dizer? Claro que há sempre alguém capaz de dar a seguinte resposta: - Incomoda sim senhor! Com licença. Levanta-se e pira-se! Mas, a maioria, educadamente encolhe-se e cala-se… Daí a tal percepção de que somos grandes fumadores. Ora, nesta perspectiva, os portugueses não fumadores irão acolher e aceitar com a maior naturalidade qualquer legislação, por mais restritiva que seja, desde que não sejam incomodados. Até, porque estão fartos…
terça-feira, 30 de maio de 2006
Por Terras do Congresso do PSD- Retorno aos Códigos- X e Final
Esse velho militante de feitio jovial chegou mesmo a dar-me dois exemplos e mandou-me pensar sobre o seu significado. Reencontrei-o ontem. Então já decifrou? - pergunta-me ele. Confessei-lhe a minha inaptidão total para o efeito.
Então, diga-me lá quais foram as frases com que lhe exemplifiquei a coisa?
Olhe, respondi eu, uma delas foi algo parecido com esta: um Militante com experiência autárquica exalta no Congresso o papel das Autarquias no serviço às populações, afirma a sua plena realização nessas funções, jurando não as trocando por quaisquer outras, enquanto o povo nele manifestar a sua confiança.
E então? - pergunta-me o Mestre. Ante o meu silêncio, pôs-me a mão no ombro, como gostava de fazer, quando entrava em alguma confidência. E disse-me: o meu amigo precisa é de mais Congressos!... Olhe, não lhe vou ainda dar a chave, mas faço-lhe outra pergunta: acha que um militante vai dizer num Congresso que se sente muito bem nas suas funções, que quer continuar nelas enquanto o povo nele manifestar a sua confiança, mas que, por isso mesmo, vai mudar para o PS, se o líder continuar a apoiar o seu rival no concelho? E vai dizer que isso é a maneira mais fácil de fazer o PSD perder uma autarquia? Olhe que isto não tem nada a ver com o que estávamos a falar, continuou…é só para você pensar…
E então e a outra frase, pergunto eu, aquela em que um Notável jura inteira fidelidade ao líder e, para salientar essa fidelidade, até refere que já dele discordou num ou noutro assunto ou até, noutros Congressos, apoiou o candidato opositor?
Também não lhe vou já interpretar esse exemplo, disse-me o Mestre. Mas pense nesta outra coisa: não seria um disparate sem nome um Notável dizer no Congresso que, se já tinha apoiado outros candidatos, poderia muito bem continuar a fazer o mesmo, se agora não tivesse um lugar destacado nos órgãos do Partido?
Despediu-se logo, com um abraço, e não tive qualquer possibilidade de o reter. A cinco metros, volta-se para trás e disse-me: olhe que ainda lhe hei-de explicar o código!…
Terei tido uma aproximação à chave? Não sei. Mas sei que ali fiquei, perplexo e constrangido, por não poder revelar no 4 R a chave do código, como prometera no Capítulo VI.
A “Velha Europa” sempre ao ataque
Mais uma vez, não se acredita. Poderá gerar imensos lucros? Mas para quem?! Ah, claro, para financiar os fundos comuns da União Europeia, funcionando como “impostos europeus”. Se calhar, para financiar um pouco mais os agricultores franceses, ao abrigo da PAC… ou para manter ou aumentar outra qualquer situação de ineficiência que, infelizmente, abunda por essa Europa fora.
Mas não saberá este Senhor que os SMS, por exemplo, já pagam IVA? E que, portanto, assim, propõe uma dupla tributação?!...
É isto, precisamente, o que hoje distingue a Europa de outras zonas do Mundo, como os EUA ou a Ásia mais competitiva. E, do meu ponto de vista, é uma distinção claramente no mau sentido. Neste caso, surgiram novos tipos de comunicação, os SMS e os e-mails, que hoje têm uma utilização verdadeiramente espantosa. Porquê? Porque são práticos, eficientes e baratos. Mas então, eis que o melhor (perdão, o pior) espírito eurocrata logo pensa em os tributar… e, consequentemente, em os tornar menos atractivos.
Claro que se esta “brilhante” iniciativa – que, de acordo com a notícia, calcule-se, tem o apoio da maior parte dos Governos, Eurodeputados, e Comissão Europeia – for por diante, não tenho dúvidas de que o volume crescente de SMS e e-mails sofrerá um revés, e perder-se-á em eficiência, rapidez e valor acrescentado. Em suma… em criação de riqueza.
Enquanto na Europa continuarmos a pensar desta forma iremos continuar, ano após ano, a marcar passo em relação a outras zonas desenvolvidas e menos desenvolvidas do Mundo, que já hoje são muito mais dinâmicas do que a nossa União Europeia (em média, claro, e felizmente, com excepções bem conhecidas). Como os EUA, o Canadá, a Austrália e, claro, as inevitáveis China, Índia, e outros países asiáticos.
Finalmente, a notícia termina com a informação de que a Comissão Europeia está igualmente a analisar a possibilidade de serem criados outro tipo de taxas, designadamente sobre os bilhetes de avião ou sobre companhias petrolíferas. E que outros novos impostos podem estar na calha. Uma verdadeira delícia… Mais e mais impostos! Já somos pouco tributados, não é?!...
A “Velha Europa” volta a atacar… para dar mais uma valente machadada no nosso já frágil dinamismo económico, e para nos dificultar ainda mais a já parca criação de riqueza europeia.
Mais comentários para quê?!... São artistas europeus!...
segunda-feira, 29 de maio de 2006
Por terras do Congresso do PSD- IX- O meu Discurso- Parte Final
Caros Companheiros:
Todos sabemos que um Partido político não é uma empresa, mas muitos dos princípios, muita da doutrina e muita da prática da gestão das empresas podem ser aplicados aos Partidos políticos e às suas Direcções.
O Presidente do nosso partido tem um grande objectivo que os militantes lhe confiaram, que é, enquanto oposição e através de propostas construtivas, ajudar este país a governar-se e fazer tudo para ganhar as próximas eleições.
O Presidente do Partido tem o poder, que lhe foi conferido por eleições directas. Tem toda a legitimidade para decidir, nomeadamente para escolher para os órgãos nacionais os militantes que julga que melhor o poderão coadjuvar.
Mas, se alguma sugestão muitos militantes lhe podem dar era que, em detrimento de equilíbrios circunstanciais, ou de fidelidades de ocasião, escolhesse pessoas competentes, com sentido de estado e bom senso.
O Presidente do Partido tem falado de renovação, que aliás invoca no ponto 7 da sua moção, onde refere, a bold, para melhor se ver, que “o partido tem de se abrir mais à participação activa dos seus militantes”. É altura de passar da retórica, em que todos convêm, para a prática, em que muitos discordam.
Mas, se o Presidente do PSD escolher só de entre aqueles que são seus incondicionais, de pouco vale tê-los. Não lhe trazem valor acrescentado. Basta ele.
Escolha antes pessoas capazes de lhe dizerem que não, cara a cara, mas ao mesmo tempo leais e, como tal, incapazes de virem para o exterior vangloriar-se do feito.
Escolha pessoas com ideia de serviço, que não utilizem o Partido para as suas carreiras profissionais, mas pessoas capazes de colocar incondicionalmente os seus conhecimentos para servir o Partido.
Escolha pessoas habituadas a conjugar o presente do indicativo com determinação, em detrimento daquelas que apenas sabem usar o condicional e fazer prosa redonda, oracular ou bizantina.
Não escolha pessoas “gastas”, por anos e anos de televisão, de partido ou de governo. Já nada de novo têm para dizer. Escolha, antes, pessoas livres, com capacidade para inaugurar um novo ciclo político, com um programa alternativo sério. Porque são as pessoas que fazem os programas e não o contrário.
Porque penso que é tempo de ganhar eleições através da seriedade e da credibilidade de uma equipa, em vez de as ganhar com a facilidade de promessas irrealizáveis. O tempo é de exigência.
É isto, Sr. Presidente do PSD, o que muitos militantes lhe pedem.
Tenho dito
Amanhã, no último capítulo, retomo os Códigos do Congresso, para finalizar esta maratona.
Uff!....
Monumento

Árvores podem ser monumentos.
A que a fotografia documenta é o primeiro castanheiro declarado de interesse público nos anos 40 do século passado. Há quem diga que tem mais de 900 anos.
Ainda me lembro dele, dando frutos, quando em miúdo brincava ali, na mata da Senhora dos Remédios, na minha Lamego, mesmo ao lado do Santuário.
Hoje, velhinho, substituiu as folhas ralas e os poucos ouriços por um capachinho de heras que lhe empresta a dignidade do verde.
Orgulhoso, é dos que morrerá de pé.
(foto colhida, com a devida vénia, no Dias com Árvores).
Vergonha Global - II

Vergonha global
Millions of girls work as domestic servants and unpaid household help and are especially vulnerable to exploitation and abuse. Millions of others work under horrific circumstances. They may be trafficked (1.2 million), forced into debt bondage or other forms of slavery (5.7 million), into prostitution and pornography (1.8 million), into participating in armed conflict (0.3 million) or other illicit activities (0.6 million). However, the vast majority of child labourers – 70 per cent or more – work in agriculture". Ler mais aqui.