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quarta-feira, 31 de maio de 2006

Esperar sentado!...


A generalidade dos economistas bem pensantes tem vindo a defender uma diminuição dos impostos, mas só como consequência da diminuição da despesa pública. Não passa de uma afirmação politicamente correcta, não leva a lado nenhum, mas é vista como afirmação muito responsável, além de susceptível de agradar a qualquer Governo.
Tenho para mim precisamente o contrário e venho-o afirmando sempre que posso: a despesa pública só descerá quando diminuírem os impostos. Só perante menos receita é que os Governos se decidirão a gastar mais racionalmente.
Ora, segundo o DN de ontem, também António Pires de Lima, deputado do CDS/PP, se tornou mais um político correcto, ao afirmar que “logo que se conheçam os resultados ao nível da evolução da redução da despesa pública, creio que é altamente desejável prosseguir com uma política de redução de impostos”.
Como, segundo as últimas estatísticas conhecidas, a Despesa Pública tem vindo naturalmente a aumentar mais do que o orçamentado, bem pode esperar sentado!...

10 comentários:

CCz disse...

Caro António Pires de Lima,

É precisamente ao contrário, avançar com a redução do jugo fiscal, para libertar a economia e impor a redução da despesa pública.

Pinho Cardão disse...

Caro CCz:

É muita honroso para nós que a 4R sirva de correio para as suas epístolas para o António Pires de Lima. E nem cobramos selo!...
não sei é se ele "assinará" este blog!...
Mas que o destinatário é o APL, isso é, pois só assim entendo o teor do comentário!...

Tonibler disse...

100% de acordo. Aliás, tenho o camarada Pinho Cardão como o único economista com que consigo concordar.

Mas se os políticos politicamente corretos e economicamente errados tivessem dúvidas, podiam lembrar-se do tempo em que se aumentou os impostos para pagar três guerras a 4000 km de distância, depois para pagar o esforço de uma revolução. Nunca desceram, só aumentaram. E, curiosamente, três guerras a 4000 km de distância com os respectivos contingentes militares deslocados parecem peanuts nas contas de hoje.

E cada um de nós pode contribuir na redução da receita....

LMSP disse...

100% de acordo.
Os desperdícios são muito maiores do que muitos pensam. A semana passada contaram-me uma história no mínimo caricata. Uma simples engenheira pretendia entrar na função pública, pois pensava ter o futuro garantido sem precisar de trabalhar (a expressão era dela). O desejo era tão forte, que aceitou ir a uma entrevista para telefonista do ministério da saúde. Ficou muito triste pois não conseguiu ser a escolhida, mas ficou muito mais impressionada pois existiam 3000 candidatas.
Mas mais impressionados ficaremos todos nós, se pensarmos que as entrevistas eram feitas por 3 funcionários do ministério.
Agora vejamos as contas: 3000 entrevistas * 1 hora/por entrevista * 3 funcionários * 12,5€/hora de funcionário = 112.500€

Marga disse...

Iol Iol Iol...
Como é? A despesa pública diminuíria se as receitas diminuissem? Só contaram para você..
Deve ser uma nova proposta da oposição PSD. Espectáculo....

CCz disse...

Caro Pinho Cardão:

Concerteza que o destinatário era APL!
Sem dúvidas!!!

Pinho Cardão disse...

Cara Marga:

Se os seus rendimentos mensais ou anuais diminuirem, o que é que faz?
Se for responsável, terá que se adaptar à nova situação, cortando no surpéfluo.
Se for irresponsável, endivida-se até que lhe cortem essa possibilidade e passará um mau bocado...
O corte nas receitas seia uma atitude responsável para obrigar o estasdo a gastar menos.
Por isso, se a oposição PSD fizesse essa proposta teria o meu aplauso.

Pinho Cardão disse...

Caro CCZ:
E ele lê o blog?

RuiVasco disse...

1.Diminuir as receitas, partindo do pressuposto que, sendo responsável, cortará no superfluo? OK. E onde estão os responsáveis para isso? Porque não se sentem cortes, bem pelo contrário?
2. A despesa na Admn.Pública aumentou. Não aumentou a eficácia. Não se cortou no pessoal a mais. Ou algum ingénuo acredita que a Adm Pub. não tem pessoal a mais? Tem a menos a trabalhar. Os outros dão à lingua sobre futebol, vão lendo jornais, especialmente desportivos e o 24HORAS, ou a discutir a necessidade de uma greve, pois os malditos governantes querem reduzir pessoal.
3. Não há solução para este País se não se fizerem pelo menos e, rapidamente, 3 coisas:
a) Cortar as despesas na APub. reorganizando e melhorando a orgânica e eficácia de cada funcionário. Menos farão decerto melhor;
b) aumentar a produtividade, definindo uma estrategia para este País, criando riqueza, e sequente aumento das receitas do Estado. Queremos ser um País de agricultura, como aparece, há dias, por aí numa campanha? Deve ter sido o Gato Fedorento a lembrar-se disso numa manobra de marketing. Conseguimos criar ou manter PME, com qualidade e vender essa imagem? Porque se extinguiu então o IPQualidade, redistribuindo por serviços dispersos e desenquadrados, quando isso deveria ser uma luta de fundo, em geral; queremos ser um País de Turismo, com 900 kms de costa, clima ameno, belezas naturais que outros com menos,desenvolveram e já têm o feed back? etc.
c) aumentar os Impostos, já, antes que seja tarde, porque os resultados da maior riqueza e aumento de produtividade, não se sentem em 4 ou 5 meses. Pagarei tb essa factura, mas prefiro essa agora, do que uma muito maior e gravosa, quando não houver remédios.

De resto não tenhamos ilusões. Quem as tiver dá cabo da vida dele, da minha, dos meus filhos e dos filhos de todos nós, e do futuro e das gerações vindouras deste País. É tempo de colocar os pés na terra.
E termino lembrando o que me parece óbvio: estas medidas carecem de outras complementares e simultâneas que não vou,agora, desenvolver. Em síntese: Educação, formação profissional; alteração de mentalidades; combate à fraude e evasão, que, apesar de melhoria, continua em níveis incomuns na Europa, combate ao trafico de influências e à corrupção. Invista-se nisso, pq são investimentos que criarão riqueza, qualidade de vida e auto-estima nos portugueses.
Algumas destas medidas demorarão anos, ou mesmo uma geração. Portanto, e como o problema é agora, não há solução: aumentar as receitas dos impostos e diminuir com coragem os custos da Ad.Publica.
Doutra forma, acabam-se as regalias da seg. social, as pensões, as reformas e o que mais se verá. Ou então fecha-se o País.
O resto é conversa politiqueira, ou projectos de engenharia financeira que só resulta nos papéis. Insisto: MCarreira não está certo, está certíssimo.
Não creio que o País, apesar das efabulações, dos corajosos guerreiros e marinheiros, se tenha transformado num País de cobardes. Esta é apenas uma opinião.

Pinho Cardão disse...

Caro Rui Vasco.
Concordo com quase tudo o que diz.
Mas não posso concordar com o aumento de impostos. Mais?
Já se paga que baste, dando conta, nos directos, nem pensando em tal, nos indirectos, quando come, quando bebe, quando compra e dá de beber ao carro, quando fuma,quando compra uma camisa, quando usa a Internet...
Pois quanto mais receitas tem o Estado mais gasta...
Tem que se lhe cortar na ração!...