Uma das maiores conquistas da humanidade prende-se com a descoberta e a utilização das vacinas. Centenas de milhões de pessoas devem a vida a esta prática que se tornou rotineira e abrangente face ao complexo mundo de inúmeros “microagressores”. Apesar de todas as conquistas e aperfeiçoamento tecnológicos associados às maravilhosas evidências científicas neste setor, mesmo assim existem detratores que põem em causa as suas vantagens. Todos têm direito à sua opinião, mesmo que não seja racional e inteligente. Neste caso não há muito a fazer. Se forem adultos, então que se amanhem. Não querem ser vacinados? Bom, podem não querer, mas para algumas são obrigados por imposição da legislação. E ainda bem. As medidas legislativas que impõem a obrigatoriedade de vacinação contra certas doenças é uma forma de proteger a saúde de cidadãos. Na prática, o não respeito não se faz acompanhar de medidas sancionatórias. Certo é que pode ter algumas consequências, como não permitir a matrícula nalgum estabelecimento de ensino e, até, dificultar ou impedir o acesso à atividade profissional. Situações limite que, na prática, não são atingidas, porque as pessoas acabam por as acatar. O pior são alguns grupos que recusam sistematicamente a vacinação por motivos “ecológicos” ou doutrinários. Nestes casos, as crianças poderão ser as principais vítimas dos preconceitos paternais que podem por em causa a saúde dos filhos, levando-os à morte. É compreensível que, caso surjam evidências de perigo para a saúde das crianças, provenientes da vacinação, os opositores se sintam “legitimados” nas suas condutas. Foi o que aconteceu quando a partir de um estudo publicado em 1998, numa revista médica altamente prestigiada, The Lancet, se estabeleceu uma relação entre o autismo e a composição de algumas vacinas que continham uma substância denominada timerosal, um derivado do mercúrio.
O autismo é uma situação problemática em que as crianças ficam afetadas na comunicação e no relacionamento, podendo ser altamente disfuncional em termos comportamentais. Existem estudos de que este problema está em crescendo. As causas não são bem conhecidas e além dos fatores genéticos são apontadas outras, externas, resultantes de exposição a toxinas e infeções. O estudo em causa veio reforçar a opinião de alguns pais que viam naquela prática a causa dos males dos seus filhos. Durante todo este tempo, acompanhei com algum interesse o debate e a investigação a propósito desta associação que levou a reformular a composição de algumas vacinas e ao crescente medo em vacinar a pequenada, sobretudo com a vacina tríplice, que na Inglaterra chegou a atingir foros de recusa altamente preocupantes ao ponto de causar apreensão face a novas epidemias do sarampo, com todas as terríveis consequências que esta doença pode provocar. No meio disto tudo, os pedidos de indemnização devidos à utilização do timerosal não se fizeram esperar. Entretanto, os vários estudos epidemiológicos começaram a não conseguirem evidenciar a tal associação e muito menos estabelecer os nexos de causalidade. Mas a situação começou a impregnar as sociedades ao mais alto nível e com intensidade muito forte nos restantes, pelo que foi quase impossível desfazer a ideia inicial.
Pois bem, agora, ao fim de 12 anos, a revisa médica britânica acaba de retirar do seu arquivo o polémico artigo. Esta retratação surge na sequência de um pedido formal nesse sentido efetuado noutra publicação científica, The British Medical Journal. Afinal, o autor do artigo, Andrew Wakefield, é acusado de má conduta científica. Trabalhava para os advogados de pais que achavam que os filhos tinham sido vítimas das vacinas. Todo o processo de investigação foi posto em causa, em termos de metodologia científica e ética com desprezo total pelos interesses e direitos das crianças. Wakefield e os restantes coautores correm riscos de virem a ser penalizados.
A má conduta e a fraude científica constituem realidades que não devemos escamotear e que podem perigar a segurança e o bem-estar de outros, alimentando, muitas vezes, certas pessoas que aguardam ansiosamente por factos ou informações suscetíveis de legitimar as suas condutas ou doutrinas, mais do que discutíveis, a raiarem mesmo o crime.
E agora? Agora, não vai ser nada fácil descontaminar a poluição mental provocada.
O autismo é uma situação problemática em que as crianças ficam afetadas na comunicação e no relacionamento, podendo ser altamente disfuncional em termos comportamentais. Existem estudos de que este problema está em crescendo. As causas não são bem conhecidas e além dos fatores genéticos são apontadas outras, externas, resultantes de exposição a toxinas e infeções. O estudo em causa veio reforçar a opinião de alguns pais que viam naquela prática a causa dos males dos seus filhos. Durante todo este tempo, acompanhei com algum interesse o debate e a investigação a propósito desta associação que levou a reformular a composição de algumas vacinas e ao crescente medo em vacinar a pequenada, sobretudo com a vacina tríplice, que na Inglaterra chegou a atingir foros de recusa altamente preocupantes ao ponto de causar apreensão face a novas epidemias do sarampo, com todas as terríveis consequências que esta doença pode provocar. No meio disto tudo, os pedidos de indemnização devidos à utilização do timerosal não se fizeram esperar. Entretanto, os vários estudos epidemiológicos começaram a não conseguirem evidenciar a tal associação e muito menos estabelecer os nexos de causalidade. Mas a situação começou a impregnar as sociedades ao mais alto nível e com intensidade muito forte nos restantes, pelo que foi quase impossível desfazer a ideia inicial.
Pois bem, agora, ao fim de 12 anos, a revisa médica britânica acaba de retirar do seu arquivo o polémico artigo. Esta retratação surge na sequência de um pedido formal nesse sentido efetuado noutra publicação científica, The British Medical Journal. Afinal, o autor do artigo, Andrew Wakefield, é acusado de má conduta científica. Trabalhava para os advogados de pais que achavam que os filhos tinham sido vítimas das vacinas. Todo o processo de investigação foi posto em causa, em termos de metodologia científica e ética com desprezo total pelos interesses e direitos das crianças. Wakefield e os restantes coautores correm riscos de virem a ser penalizados.
A má conduta e a fraude científica constituem realidades que não devemos escamotear e que podem perigar a segurança e o bem-estar de outros, alimentando, muitas vezes, certas pessoas que aguardam ansiosamente por factos ou informações suscetíveis de legitimar as suas condutas ou doutrinas, mais do que discutíveis, a raiarem mesmo o crime.
E agora? Agora, não vai ser nada fácil descontaminar a poluição mental provocada.



