Mas, chegado ao fim dos considerandos, de solidez inquestionável, e das propostas que talvez só os políticos menores rejeitam, o meu estimado amigo António Pinho Cardão, remata:
Como as coisas são: essa é mesmo a parte mais séria do texto!...
Caro Rui Fonseca:
Saindo, como agora se diz, da sua zona de tranquilidade, obrigando os partidos a renovarem-se sob pena de não serem votados. Como diz o Bartolomeu, mas não só.
https://www.facebook.com/DemocraciadeQualidade
Caro Bartolomeu: Tirou-me as palavras da boca. Mas é preciso uma mobilização dos cidadãos para exigir renovação. O Manifesto Por Umsa Democracia com Qualidade visa esse objectivo. https://www.facebook.com/DemocraciadeQualidade
Os "manifestantes" estão a programar uma série de acções de divulgação e debate do documento, está em curso uma apresentação aos partidos políticos, organizações sindicais e patronais, e procura-se sensibilizar a comunicação social. Claro que tudo isto é difícil, mas sem sementeira não se colhem frutos. Está-se na sementeira.
Caro Alexandre Burmester: Não tem razão. O que refere é um francesismo: on ne doit pas priver... Em bom português a fórmula é: não se devem privar os leitores. .. Os leitores é que são o sujeito .
Meus caros Pinho Cardão e Alexandre Burmester, "obrigaram-me" V.Exas a indagar. E ainda bem, pois cheguei à conclusão que sou eu quem tem razão uma vez que usei as duas formulações e...estão ambas corretas. O que quer dizer que os meus caros Amigos têm razão, mas à vez. Vejamos o que diz a doutrina: "1) A questão é saber qual a construção correta: "Não se deve dizer tais coisas", ou "Não se devem dizer tais coisas"? 2) De acordo com Vitório Bergo, "em frases deste modelo, o verbo dever constitui, em regra, auxiliar do infinitivo que se lhe segue, sendo que a partícula se apassiva o todo verbal. Destarte, concorda aquele com o substantivo a que se refere o infinitivo e que é, em uma, o seu sujeito" (1); em outras palavras, para tal autor a única forma correta seria: "Não se devem dizer tais coisas". 3) Anote-se, porém, que ambas as estruturas estão corretas, mas cada qual delas tem uma explicação própria (2), devendo-se realçar, desde logo, que ambas estão na voz passiva. (...) 10) Em continuação, o ensino de Júlio Nogueira se dá no sentido de que, muito embora se encontrem exemplos de construção no singular, é preferível, sobretudo por eufonia, a concordância no plural, além de mais habitual nos clássicos.4 11) Domingos Paschoal Cegalla, sem considerações teóricas acerca do assunto, considera, por um lado, "boa concordância dizer" Podem–se colher as frutas; por outro lado, refere que "também é lícito, em construções desse tipo, deixar o verbo auxiliar poder no singular: Pode-se colher as frutas".(5) (...) 14) Reitere-se, por fim, ante a própria análise da divergência entre os gramáticos e as aceitáveis justificativas para as duas sintaxes, que o melhor parece ser validar, em tais casos, ambas as construções: ou com o verbo no singular, ou com o verbo no plural. (15) De todas essas observações vê-se que estão igualmente corretas ambas as construções: I) – "Note como se pode eliminar quatro palavras"; II) – "Note como se podem eliminar quatro palavras".
_________
1 Cfr. BERGO, Vitório. Erros e Dúvidas de Linguagem. Rio de Janeiro: Livraria Editora Freitas Bastos, 1944. Vol. H, p. 191.
2 Cfr. BUENO, Silveira. Português pelo Rádio. São Paulo: Saraiva & Cia., 1938. P. 123-124.
5 Cfr. CEGALLA, Domingos Paschoal. Dicionário de Dificuldades da Língua Portuguesa. 2. Ed. Rio de Janeiro: Nova Fronteira, 1999. P. 320.
Também a "nossa" gramática FLIP Priberam apresenta a mesma solução. Esclarece assim: "d) 1.º A amendoeira, a figueira, a alfarrobeira e a nespereira vivem no Algarve em grande quantidade. 2.º Dá-se (ou dão-se) no Algarve a laranjeira e a nespereira. No 1.º dos exemplos anteriores, os sujeitos são todos do singular e o verbo está depois deles. Quando assim acontece, o verbo emprega-se no plural. No 2.º exemplo, o verbo está antes do sujeito. Quando assim acontece, o verbo emprega-se indiferentemente no singular ou no plural. Foram (e nunca foi) Vasco da Gama e Pedro Álvares Cabral dois grandes navegadores portugueses. (Em casos como este, em que o verbo tem um predicativo no plural, só pode empregar-se o verbo no plural.)
e) 1.º O mar e os rios agradam à vista. 2.º Agradam à vista os rios e o mar. 3.º Agrada (ou agradam) à vista o mar e os rios. No primeiro dos exemplos anteriores, um dos sujeitos é do singular e o outro é do plural (mar, rios), e estão ambos antes do verbo. Quando assim acontece, isto é, quando os sujeitos são de números diferentes e estão antes do verbo, do predicado, este emprega-se no plural. No 2.º dos exemplos anteriores, o primeiro dos sujeitos é do plural e o segundo do singular. Quando assim acontece, o verbo emprega-se também no plural. No 3.º dos exemplos, o verbo está antes dos sujeitos, mas o primeiro destes é singular. Nesse caso, o verbo pode empregar-se indiferentemente no singular ou no plural".
Obrigado pelo trabalho a que se deu em prol da cultura e da tão maltratada língua portuguesa. ;-)
E, como não quero sobrepôr-me a tão eruditas citações, trago ao pelourinho o meu professor de Português, no meu longínquo antigo 2º ciclo do liceu, o provecto Dr. Baltasar Valente, por sinal também professor de Francês.:-)
Eu diria que o uso acabou por legitimar a sintaxe por si originalmente empregue, mas, se me permite, ficaria na minha de que, sendo o sujeito "se", o predicado só pode ser conjugado na 3ª pessoa do singular.
É como a velha questão do "Vende-se andares" ou "Vendem-se andares". Sempre me ensinaram que só a primeira forma é correcta.
Caro Ferreira de Almeida: Grande investigação! Concordo que ambas as formulações estão correctas, mas, como eu sustentei e agora um ilustre gramático citado pelo meu amigo confirma, "é preferível, sobretudo por eufonia, a concordância no plural, além de mais habitual nos clássicos". Porque a concordância no singular soa a francesismo. Soa, não, é!
Caro Alexandre Burmester:
Salvo o devido respeito e porventura novas investigações do nosso Ferreira de Almeida, o "se" nunca é sujeito de nada, nem pode ser sujeito de nada. A não ser que seja usado como substantivo. Ex: SE é uma palavra engraçada...
«Índice de indeterminação do sujeito – Relaciona-se a verbos intransitivos, transitivos indiretos ou de ligação, uma vez conjugados na 3ª pessoa do singular.
Nota importante: De modo a identificar tal classificação, basta substituirmos o “se” por alguém ou ninguém.
Ex: Precisa-se de funcionários qualificados. Alguém precisa de funcionários qualificados.»
Bom, caro Alexandre Burmester, é a minha animosidade face aos francesismos: on a besoin de fonctionnaires qualifiées... Mas admito que possa ter razão.
24 comentários:
Caro JFMA,
Obrigado, nunca iria descobrir.
Caro Pinho Cardão,
bom texto ao que não faltou o toque humorístico da respeitabilidade do PR.
Bato palmas!
Mas, chegado ao fim dos considerandos,
de solidez inquestionável, e das propostas que talvez só os políticos menores rejeitam, o meu estimado amigo António Pinho Cardão, remata:
"Têm a palavra os cidadãos livres deste país"
Têm, como ?
Expressa no voto, caro Rui Fonseca.
Caro Ferreira de Almeida:
Sensibilizado pela surpresa...
Caro João Pires da Cruz:
Como as coisas são: essa é mesmo a parte mais séria do texto!...
Caro Rui Fonseca:
Saindo, como agora se diz, da sua zona de tranquilidade, obrigando os partidos a renovarem-se sob pena de não serem votados. Como diz o Bartolomeu, mas não só.
https://www.facebook.com/DemocraciadeQualidade
Caro Bartolomeu:
Tirou-me as palavras da boca. Mas é preciso uma mobilização dos cidadãos para exigir renovação. O Manifesto Por Umsa Democracia com Qualidade visa esse objectivo.
https://www.facebook.com/DemocraciadeQualidade
Caro António Pinho Cardão,
Li o Manifesto, aliás já tinha lido há algum tempo.
E subscrevo as propostas nele contidas.
E depois, o que é que faço?
Desculpa a ingenuidade da questão
mas considera-a porque é genuina.
Os "manifestantes" estão a programar uma série de acções de divulgação e debate do documento, está em curso uma apresentação aos partidos políticos, organizações sindicais e patronais, e procura-se sensibilizar a comunicação social. Claro que tudo isto é difícil, mas sem sementeira não se colhem frutos. Está-se na sementeira.
Agora entendi.
Obrigado.
Um excelente texto, muito obrigado pela indicação. Onde encontramos mais informação sobre "os manifestantes"? Obrigado.
Já descobri a resposta à pergunta que fiz no comentário anterior. Obrigado.
Não é "Não se devem", mas sim "Não se deve". O sujeito é "se", terceira pessoa do singular.
Tem razão. Grato, Alexandre Burmester. Corrigi.
Serviço público, caro Ferreira de Almeida :) Li quando saíu no jornal i, é para continuar, caro Pinho Cardão, ou foi só dessa vez?
Cara Suzana:
Seguir-se-ão textos de outros subscritores do Manifesto. Às quartas-feiras.
Depois, logo se verá!
Caro Alexandre Burmester:
Não tem razão. O que refere é um francesismo: on ne doit pas priver...
Em bom português a fórmula é: não se devem privar os leitores. ..
Os leitores é que são o sujeito .
Meus caros Pinho Cardão e Alexandre Burmester, "obrigaram-me" V.Exas a indagar. E ainda bem, pois cheguei à conclusão que sou eu quem tem razão uma vez que usei as duas formulações e...estão ambas corretas. O que quer dizer que os meus caros Amigos têm razão, mas à vez.
Vejamos o que diz a doutrina:
"1) A questão é saber qual a construção correta: "Não se deve dizer tais coisas", ou "Não se devem dizer tais coisas"?
2) De acordo com Vitório Bergo, "em frases deste modelo, o verbo dever constitui, em regra, auxiliar do infinitivo que se lhe segue, sendo que a partícula se apassiva o todo verbal. Destarte, concorda aquele com o substantivo a que se refere o infinitivo e que é, em uma, o seu sujeito" (1); em outras palavras, para tal autor a única forma correta seria: "Não se devem dizer tais coisas".
3) Anote-se, porém, que ambas as estruturas estão corretas, mas cada qual delas tem uma explicação própria (2), devendo-se realçar, desde logo, que ambas estão na voz passiva.
(...)
10) Em continuação, o ensino de Júlio Nogueira se dá no sentido de que, muito embora se encontrem exemplos de construção no singular, é preferível, sobretudo por eufonia, a concordância no plural, além de mais habitual nos clássicos.4
11) Domingos Paschoal Cegalla, sem considerações teóricas acerca do assunto, considera, por um lado, "boa concordância dizer" Podem–se colher as frutas; por outro lado, refere que "também é lícito, em construções desse tipo, deixar o verbo auxiliar poder no singular: Pode-se colher as frutas".(5)
(...)
14) Reitere-se, por fim, ante a própria análise da divergência entre os gramáticos e as aceitáveis justificativas para as duas sintaxes, que o melhor parece ser validar, em tais casos, ambas as construções: ou com o verbo no singular, ou com o verbo no plural.
(15) De todas essas observações vê-se que estão igualmente corretas ambas as construções: I) – "Note como se pode eliminar quatro palavras"; II) – "Note como se podem eliminar quatro palavras".
_________
1 Cfr. BERGO, Vitório. Erros e Dúvidas de Linguagem. Rio de Janeiro: Livraria Editora Freitas Bastos, 1944. Vol. H, p. 191.
2 Cfr. BUENO, Silveira. Português pelo Rádio. São Paulo: Saraiva & Cia., 1938. P. 123-124.
5 Cfr. CEGALLA, Domingos Paschoal. Dicionário de Dificuldades da Língua Portuguesa. 2. Ed. Rio de Janeiro: Nova Fronteira, 1999. P. 320.
Também a "nossa" gramática FLIP Priberam apresenta a mesma solução. Esclarece assim:
"d) 1.º A amendoeira, a figueira, a alfarrobeira e a nespereira vivem no Algarve em grande quantidade. 2.º Dá-se (ou dão-se) no Algarve a laranjeira e a nespereira. No 1.º dos exemplos anteriores, os sujeitos são todos do singular e o verbo está depois deles. Quando assim acontece, o verbo emprega-se no plural. No 2.º exemplo, o verbo está antes do sujeito. Quando assim acontece, o verbo emprega-se indiferentemente no singular ou no plural. Foram (e nunca foi) Vasco da Gama e Pedro Álvares Cabral dois grandes navegadores portugueses. (Em casos como este, em que o verbo tem um predicativo no plural, só pode empregar-se o verbo no plural.)
e) 1.º O mar e os rios agradam à vista. 2.º Agradam à vista os rios e o mar. 3.º Agrada (ou agradam) à vista o mar e os rios. No primeiro dos exemplos anteriores, um dos sujeitos é do singular e o outro é do plural (mar, rios), e estão ambos antes do verbo. Quando assim acontece, isto é, quando os sujeitos são de números diferentes e estão antes do verbo, do predicado, este emprega-se no plural. No 2.º dos exemplos anteriores, o primeiro dos sujeitos é do plural e o segundo do singular. Quando assim acontece, o verbo emprega-se também no plural. No 3.º dos exemplos, o verbo está antes dos sujeitos, mas o primeiro destes é singular. Nesse caso, o verbo pode empregar-se indiferentemente no singular ou no plural".
Caro Pinho Cardão,
Eu esqueci-me de colocar o devido "smiley" no comentário que fiz, que não pretendia ser pedântico ;-).
Mas indo agora à sua asserção, em "Não se deve privar os leitores", insisto que o sujeito é "se", e "os leitores" o complemento directo.
Costumo ser insuspeito de francesismos! ;-)
Um abraço
Caro JM Ferreira de Almeida,
Obrigado pelo trabalho a que se deu em prol da cultura e da tão maltratada língua portuguesa. ;-)
E, como não quero sobrepôr-me a tão eruditas citações, trago ao pelourinho o meu professor de Português, no meu longínquo antigo 2º ciclo do liceu, o provecto Dr. Baltasar Valente, por sinal também professor de Francês.:-)
Eu diria que o uso acabou por legitimar a sintaxe por si originalmente empregue, mas, se me permite, ficaria na minha de que, sendo o sujeito "se", o predicado só pode ser conjugado na 3ª pessoa do singular.
É como a velha questão do "Vende-se andares" ou "Vendem-se andares". Sempre me ensinaram que só a primeira forma é correcta.
Um abraço
Caro Ferreira de Almeida:
Grande investigação!
Concordo que ambas as formulações estão correctas, mas, como eu sustentei e agora um ilustre gramático citado pelo meu amigo confirma, "é preferível, sobretudo por eufonia, a concordância no plural, além de mais habitual nos clássicos".
Porque a concordância no singular soa a francesismo. Soa, não, é!
Caro Alexandre Burmester:
Salvo o devido respeito e porventura novas investigações do nosso Ferreira de Almeida, o "se" nunca é sujeito de nada, nem pode ser sujeito de nada.
A não ser que seja usado como substantivo. Ex: SE é uma palavra engraçada...
Caro Pinho Cardão,
Lamento contradizê-lo, mas está enganado! ;-)
«Índice de indeterminação do sujeito – Relaciona-se a verbos intransitivos, transitivos indiretos ou de ligação, uma vez conjugados na 3ª pessoa do singular.
Nota importante:
De modo a identificar tal classificação, basta substituirmos o “se” por alguém ou ninguém.
Ex: Precisa-se de funcionários qualificados.
Alguém precisa de funcionários qualificados.»
http://www.portugues.com.br/gramatica/as-funcoes-se-.html
Bom, caro Alexandre Burmester, é a minha animosidade face aos francesismos: on a besoin de fonctionnaires qualifiées...
Mas admito que possa ter razão.
On n'a, surtout pas, besoin de gallicismes. Ça, je suis d'accord! ;-)
Mas o sujeito indeterminado não é particularidade do francês, já agora:
"One needs qualified staff"
"Man braucht qualifizierte Mitarbeiter"
Claro!
Também por isso é que a nossa língua é diferente! Portanto, salientemos a diferença.
Gostei deste bocadinho!
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