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sábado, 4 de novembro de 2017

A insegurança privada

Perante os acontecimentos, o Governo volta a legislar sobre as empresas e o exercício da segurança privada.
Acontece que a segurança privada prolifera pela simples razão de que falha a segurança pública. Uma boa segurança pública tornava a privada redundante. Faria então melhor o Governo legislar sobre segurança pública.
Entretanto, pagamos o que ainda há de segurança pública e, directa ou indirectamente, pagamos a segurança privada. O que é óptimo para o Governo: não gasta e ainda recebe os impostos que recolhe dessa actividade. A segurança dos cidadãos é coisa de terceira ordem. Mas legisla-se, para mostrar serviço. 

5 comentários:

Vasco Ja foste disse...

Pinho Cardão, the ultimate oximoro: Boa e publica!!!!

Rui Fonseca disse...



Caríssimo António,

Bem visto.

A segurança privada é um negócio em crescimento exponencial.
Há casos, e não são poucos, em que de segurança pouco fazem.
Refiro-me a funções de recepcionista em serviços públicos. Não consigo entender porque contratam órgãos do Estado serviços a empresas privadas para este tipo de trabalhos.
Percebe-se que, até, a segurança de instalações militares esteja entregue a privados?

Por outro lado, percebe-se que o controlo de entradas de passageiros com bagagens nos aeroportos portugueses esteja entregue a uma empresa privada?


Quanto à questão que tem estado a abrir os noticiários, estamos a falar de um tipo de segurança onde impera a lei da força.
Há pouco, passava num canal de televisão num espaço público o repetido relato dos acontecimentos nas proximidades da discoteca.

Alguém esclarecia:

"Aquilo não teve nada a ver com a discoteca. Foi o dono de uma rulote
que, ali perto, vende bifanas e cachorros que pediu ajuda porque
foi ameaçado de assalto. Aliás, era bom que a polícia já tivesse visto o cadastro criminal do rapaz que foi atacado pelos seguranças"

Por que não chamou o dono da rulote a polícia?
Porque a polícia não tem força?

Rui Fonseca disse...


Ainda a propósito de segurança pública:

Há dias, na noite de 31/10 para 1/11, a juventude daqui deste lugar, alguma dela acompanhada de mamãs e papás, entretinha-se a brincar ao halloween. Talvez para lhe dar alguma originalidade, alguns grupos rebentavam petardos. Isto, na sequência de um período dramático de incêndios que relembrou aos mais esquecidos ou mais irresponsáveis que estava proibida o lançamento de artefactos de fogo.
Telefonámos à GNR local.
Respondeu-nos, quem nos atendeu, que já tinham conhecimento do que relatava, e que colegas seus já estavam a dirigir-se para o local. Eram cerca de 22 horas. Ouvimos petardos até à meia noite.

Pinho Cardão disse...

Meu caro Rui:
Comentário oportuno e muito pertinente, o teu.
A segurança do cidadão é uma das missões essenciais do Estado e, assim, dos governos. Acontece que os governos, e este particularmente, andam é ocupados com os seus lóbis e potenciais eleitores, esquecendo por completo o interesse público. O governo procura assegurar mais Estado para os seus, deixando de haver Estado para muitos. Nos recentes incêndios, o cidadão não contou com qualquer Estado, sendo abandonado à sua sorte.
Quanto à polícia, a sua não comparência ou demora na comparência temo que se venha transformando em legítima defesa. Qualquer intervenção que vá um pouco além da persuasão dá normalmente lugar a processo disciplinar, suspensão e um chinfrim dos diabos na comunicação social. Os bandidos infractores sabem disso. Por outro lado, noticiava há dias um jornal que os polícias têm que pagar a farda caso se rompa ou deteriore em qualquer intervenção. Sendo assim, a vantagem está toda do lado dos bandidos. Mas é isto que o politicamente correcto ordena, pretendendo transformar a polícia num grupo de missionários psicólogos e sociólogos com a função de confortar e a defender os meliantes na sua acção contra a sociedade.

Pinho Cardão disse...

Caro Vasco Já foste:
Grande ironia a do meu amigo....
De facto, nos tempos que correm, "boa e pública" em simultâneo é mesmo o último paradoxo, uma perfeita contradição nos termos.
Acontece que, se os governos cingissem o estado às suas funções essenciais e dessem a devida atenção a estas, elas poderiam ser bem desempenhadas. Como tal não acontece, não lhe sobra tempo nem jeito para desempenhar quer as funções essenciais, quer as supérfluas com um mínimo de competência. Competência, sim, em extorquir dinheiro à economia para a maltratar e aos cidadãos. É este o estado de coisas que temos.