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terça-feira, 7 de junho de 2005

EXTRA! EXTRA!

Notícia de última hora: Freitas do Amaral diverge do Ministro dos Negócios Estrangeiros quanto à solução da crise europeia.
Fontes próximas destas duas personagens apostam que Freitas tem argumentos capazes de levar o Ministro a rever a sua posição.

segunda-feira, 6 de junho de 2005

Começaram os fogos...


foto de Yuri Bonder

...que de ano para ano nos fazem mais pobres.

Uma vida a pintar flores...


Henri Fantin-Latour
Henri Fantin-Latour. O homem que passou a vida a pintar flores. E nunca se cansou...

Medicamentos gratuitos

Os governantes socialistas andam numa verdadeira jigajoga pelo país explicando aos seus militantes as razões das medidas, ou melhor, as suas intenções.
Em Santarém, o Senhor Ministro Correia de Campos lá foi dissertando sobre as “medidas difíceis” do seu Governo.
Um militante questionou-o porque razão terá de “passar a pagar cinco por cento dos medicamentos que é obrigado a tomar para não cegar enquanto os que vão passear ao Algarve continuam a passar de graça na Via do Infante”. A resposta do Senhor Ministro não deve ter agradado ao militante. A mim também não. Disse que está garantido mecanismos para aqueles que não possam suportar os encargos. Gostava de saber quais são esses mecanismos. Será que têm de provar que são pobres? Que declarem valores abaixo de um montante do IRS?
Conheço vários colegas que concordam que todos os doentes devem pagar alguma coisa e que os medicamentos nunca deveriam ser gratuitos. Acontece que certas doenças crónicas são limitativas e susceptíveis de impedir a concretização de muitos projectos de vida. A gratuidade de alguns fármacos não me choca rigorosamente nada. Preocupo-me com o facto de muitos doentes, até agora beneficiários destas medidas sociais, não venham revelar que são novos-pobres. A sua auto-estima e identidade podem ser feridas se tiverem que revelar a pobreza envergonhada que grassa por aí. Quanto ao mau uso na sua utilização não colhe, a não ser que haja alguma rede de contrabando com o reino vizinho. Se assim for chamem a polícia.
Estou de acordo com a necessidade de poupar e sermos mais racionais com os nossos limitados recursos, mas há limites. Afinal, onde vai parar o Estado Social?

“Terapêuticas raciais”…

Recentemente, a comunidade científica anunciou que uma combinação de dois medicamentos (que existem há muitos anos) tinha um efeito muito positivo na insuficiência cardíaca, doença que está a alastrar de uma forma preocupante, devido ao facto de as pessoas viverem cada vez mais. Até aqui nada de surpreendente. O facto mais relevante assenta em que a dita combinação actua na população negra e não na população branca.
É do conhecimento científico que certas etnias apresentam maior ou menor susceptibilidade a certas doenças. O homem interage com o seu património genético face ao ambiente em que se encontra. A interacção exprime-se no primeiro face às pressões evolutivas do segundo. Quando se afasta do seu local, ou melhor do ambiente em que foram seleccionados os genes dos seus antepassados, acaba por manifestar patologias diversas.
Esta descoberta levanta novos problemas até agora impensáveis. Ou seja, selecção de terapêuticas em função de características raciais. Assim, face ao um negro com insuficiência cardíaca, o sucesso é muito maior, com a combinação em causa, do que com um branco. Poderão dizer: e depois? O que interessa é que haja melhoras e uma maior sobrevivência.
O que está subjacente, a este fenómeno é, muito provavelmente, alguma diferença genética. Acontece que muitos genes se distribuem independentemente da cor da pele. Significa esta observação que muitas pessoas, umas mais morenas, outras até louras e de olhos azuis poderem ser portadoras de genes “africanos”, sem saberem! Se os genes em questão, não forem os que determinam a cor da pele, é muito provável que muitos brancos possam beneficiar, também, da nova terapêutica. O problema que se pode levantar diz respeito ao facto de nas indicações terapêuticas poder estar expresso a indicação racial e, neste caso, desencadear reacções negativas. Não há qualquer problema em ser portador de genes “africanos”, mesmo que contribuam com alguns riscos, em determinadas circunstâncias. Os de origem “branca”, também não são menos inócuos, em muitas outras. No nosso caso, o que não falta são genes “africanos” espalhados pelo país. Recordo-me de há muitos anos ter lido um trabalho de um historiador português no qual afirmava que não havia um único cidadão nacional que não tivesse sangue de celta, de judeu, de árabe ou de negro. À laia de gozo, também afirmou que apenas sete importantes famílias afirmavam que eram puras. Não disse quais eram. Mas, quanto à eventual “pureza” a natureza encarrega-se sempre de trocar as voltas…
A emergência de terapêuticas raciais é muito perigosa, em todos os aspectos: podem contribuir para um agravamento do racismo, além de prejudicar a saúde de muitos que, sendo “brancos e, mesmo muito branquinhos”, irão recusar uma terapêutica eficaz, já que seria uma forma de admitir antepassados do continente-berço da humanidade. Não há vergonha nenhuma, porque em última análise Adão e Eva eram negros…

Bom sinal

Não é todos os dias que lemos de um jornalista, ainda por cima director de jornal como é Luís Osório, palavras como estas (editorial de hoje de A Capital):

«É verdade que o jornalismo em Portugal se está a transformar numa espécie de "santa inquisição". A muitos jornalistas interessa aproveitar tudo o que possa descredibilizar o poder. Alguns dos profetas do quarto poder acreditam, à semelhança de alguns juízes, que são o fiel da balança e os verdadeiros justiceiros do sistema. Essa propensão para o populismo jornalístico pode garantir audiências, mas, ao mesmo tempo, condena o seu exercício à mediocridade mais pantanosa e torna-nos agentes directos da profunda degradação da democracia e, no futuro, co-responsáveis pela aparição de correntes que, como disse a propósito do "não" ao referendo europeu, corporizem os anseios mais básicos e populistas dos que pedem na rua por um novo mundo e pela "morte" desta geração de políticos».

Carácter

A leitura de Herbert Spencer (1820-1903) fez-me registar uma frase que é um bom convite à reflexão: «A educação tem por objecto a formação do carácter» (Social Statics, 1850). Carácter é vocábulo que tende a cair em desuso, mas a ideia de o identificar com o propósito da educação merece ser recuperada. Longe da utilização corrente do bom ou mau carácter, de alguém que tem ou não tem carácter, a estruturação do carácter não é mais do que a construção da identidade do indivíduo, daquilo que o torna único. Spencer parece inspirar-se em Kant que associava o carácter à moral e aos valores, alicerces da liberdade individual e do progresso humano. Por isso não é de estranhar esta tónica de Spencer na ideia de carácter, sabendo que também Kant havia alertado: «Nós vivemos numa época de disciplina, de cultura e de civilização, mas ainda não vivemos numa época de moralização. No estado presente do homem, poder-se-á dizer que a felicidade dos Estados cresce ao mesmo tempo que a miséria dos homens » (Reflexões sobre Educação, a partir das notas das lições proferidas na Universidade de Königsberg, 1776-1787).

Depois do que li, vi e ouvi entre nós, durante a última semana, começo a compreender porque o termo carácter caiu em desuso, sem que a educação possa fazer algo para o contrariar, porque ela própria o desvalorizou. Em comparação com o tempo de Kant há só uma pequena diferença : nem a felicidade do Estado cresce, nem a miséria dos homens diminui. Talvez porque nos confrontamos com um deficit ... de carácter.

domingo, 5 de junho de 2005

moeda pesada


moeda pesada Posted by Hello

Yap é uma pequena ilha no Pacífico, situada no Arquipélago da Carolinas, próximo das Filipinas.
Com mais três ilhas forma os Estados Federais da Micronésia.
Yap é uma ilha de vida calma e muito sui-generis: um Governador chegou a querer aprovar uma lei para proibir a gravata.
Mas o que verdadeiramente caracteriza esta ilha é a existência de uma moeda verdadeiramente forte e imune a qualquer tentativa de roubo.
É uma moeda de pedra, em forma de mó, que pode pesar várias centenas de quilos e até toneladas.
Contudo, o seu valor não se mede pelo tamanho, mas pela sua história.
Existem 20.000 exemplares de diferentes valores.
Estas moedas são utilizadas para transacções importantes, como a aquisição de terras.
Neste tipo de negócio, esta moeda pesada consegue, até, competir favoravelmente com o dólar americano, também usado localmente, por força do turismo.
Também é utilizada para agradecer um grande favor.
Dado o seu peso, a moeda não circula, mantendo-se no mesmo sítio, junto a uma estrada, de uma casa ou noutro local qualquer.
Esta moeda de pedra chegou a ser aceite por Bancos do Havai como garantia de empréstimos e era cambiada com outras moedas.
Em relação ao dólar valia o seu diâmetro multiplicado pela espessura, multiplicado por 75 dólares.
Quando a moeda tinha uma boa história, havia todo o empenho em cumprir os empréstimos, pois, caso contrário, o Banco ficava a lucrar também essa mais valia.
Curioso, não?

De saudar...

... a aprovação em Conselho de Ministros, do último dos POOC, para o cordão litoral algarvio entre Vila Moura e Vila Real de Santo António, pronto na mesma altura em que foi terminado e aprovado o POOC Sintra-Sado em 2003, mas misteriosamente desaparecido durante todo este tempo. Em combate, certamente...
Formulo dois votos.
O primeiro, que não se reduza este plano, fundamental para a sustentabilidade de metade da costa algarvia, em mais um instrumento que só é conhecido pelo que proíbe. Com o fecho da malha dos POOC´s, o litoral português fica dotado de um conjunto de instrumentos especiais de ordenamento do território que, para além de proibições e demolições essenciais à protecção de amostras significativas de ecossitemas, mas também do homem eliminando o edificado exposto à transgressão do mar, contém orientações e paradigmas que é fundamental por em prática. Foi com esse objectivo que o XV Governo aprovou um ambicioso programa de acção para o litoral português, o Programa Finisterra, perdido mais tarde nas teias da mais absoluta indigência política e que o actual ministro pareceu declarar não pretender recuperar. É pena que o não reabilite.
Segundo voto. Haja a coragem de executar em especial este POOC, sobretudo onde ele doi mais aos interesses ilegítimos como por várias vezes aqui assinalei. Não servirá de desculpa para o marasmo a situação financeira actual porquanto o primeiro-ministro, o ministro do ambiente e os secretários de estado sabem bem que o que investirem aí tem um retorno em dobro a muitissimo curto prazo.
Saúdo ainda a aprovação do Plano de Ordenamento do Parque Natural da Arrábida, também deixado pronto há anos, ainda no XV governo. É um instrumento de gestão de conflitos, com prevalência do interesse maior que é o da conservação da natureza, sem esquecer, com equilíbrio, a permissão disciplinada de actividades de relevância económica perfeitamente compatíveis com os objectivos de preservação dos recursos naturais.
O ruído feito por pescadores e autarcas (em vésperas de eleições seria estranho que com eles não fizessem coro) é, em boa verdade, desproporcionado, salvo se tiver sido alterada a proposta técnica, que conheço bem, relativa à delimitação e às condicionantes a aplicar no Parque Marinho Professor Luiz Saldanha. Em vários quilómetros de área protegida da costa e plataforma marinha adjacente, somente menos de dez por cento constitui zona de protecção total.
Também quanto à Arrábida faço votos que da fase do planeamento se passe para a da gestão efectiva dos recursos, que os há ali em abundância e valiosos, a necessitar de quem lhes deite a mão.

Cristalino!...

“As decisões, fruto da reflexão e da escolha, são, desde logo, a matriz geradora de próximo futuro.
A reflexão significa, desde logo, o treino na observação da realidade e na sua compreensão participada, buscando, a cada momento, a fuga ao preconceito ou á tendência do passado, incorporando os novos elementos e treinando a capacidade de compreensão e do acolhimento.
A cidade…é hoje, tendencialmente uma estrutura que acolhe funções cognitivas e de produção de conhecimento, verificando, simultaneamente, forças de compactação…e forças de dispersão.”

Fernando Seara, em artigo no Diário de Notícias de 5 de Junho de 2005, com o título "O futuro das cidades e das comunidades"

Conselho: sugiro a quem viva na cidade que fuja, de imediato, para qualquer aldeia, mesmo longínqua!...

Chega cedo a desorientação!

Admiro-me das coisas que sou capaz de aqui confessar. Desta vez não guardo segredo que apostei ter o PS e o seu governo, de maioria confortavelmente absoluta, maior resistência à adversidade do que a que está a revelar.
Eis que leio uma notícia de última hora, a propósito dos calmantes que o ministro da Saúde tenta ministrar (como é proprio de ministro...) às hostes socialistas de Santarém, descontentes com as politícas neo-liberais demolidoras do Estado Social, notícia que dizia, nem mais nem menos do que isto:
"Ciente de que as medidas anunciadas prenunciam forte contestação social, Correia de Campos advertiu que se houver um "destempero social muito grande" alguma indústria, como a do sector automóvel, que se instalou em Portugal, vai para outros países".
Este estilo, ele sim destemperado e chantagista, revela desde logo uma fraca capacidade de explicar a necessidade, a proporcionalidade e, em última análise, a bondade das políticas, rectius, das medidas avulsas de combate à "surpreendente" situação financeira do País.
Mas preocupante, preocupante, é a desorientação que se denuncia nestes périplos frenéticos pelas federações socialistas de ministros e ilustres dirigentes, marcados pelas gritaria do Dr. Jorge Coelho ou pelas ameaças de condenação do País ao mais obscuro dos infernos se o Povo (a começar pelo povo socialista) não compreender as boas e morais intenções deste governo-de- quase- salvação- nacional.
Mas é, em boa verdade, só uma questão de tempo. Deixemos passar as eleições autárquicas que as inquietas bases logo descansarão por largo tempo da companhia militante dos seus mais altos dirigentes. Até lá são necessárias, pois são elas que fazem as campanhas eleitorais e nada melhor do que manter a chama acesa, ainda que pelo preço de uns tantos impropérios e alguns apupos. Passadas as eleições, tudo voltará ao normal e as explicações virão por comunicado oficial. Membro do governo não terá tempo nem pachorra para ouvir mais desaforo de quem não compreende o mundo, a europa, o país, e ainda para mais não sendo da oposição!

sábado, 4 de junho de 2005

Bonito pensamento

"Os valores são o eixo da roda.
A roda anda, passa por mudanças e o eixo acompanha a roda, mas não anda"

Adriano Moreira

“Cuidado com as segundas-feiras!”…

Sabemos, desde há muito tempo, que certos eventos têm mais probabilidade de ocorrerem a certas horas do dia, da semana, ou do ano. No caso dos acidentes cardiovasculares, as primeiras horas da manhã são mais propícias, assim como as segundas-feiras. As explicações têm surgido em catadupas. Algumas foram estudadas e parecem poder explicar grande parte do fenómeno. Assim, ao acordar, o “medo”, a “ansiedade” de viver mais um dia neste mundo atribulado pode desencadear certos fenómenos ou agravar outros. A pressão arterial pode aumentar e, deste modo, condicionar o aparecimento do evento em pessoas que já sofram de problemas cardiovasculares. Estudos recentes revelam que às segundas-feiras são registados mais 20% de enfartes do que nos outros dias e a pressão arterial sobe.
Durante o fim-de-semana as pessoas libertam-se de muitos problemas e ao relaxarem diminui a pressão arterial. O retorno à vida laboral é suficiente para um aumento, o tal, que pode fazer a diferença nos predispostos a sofrerem um acidente vascular. Comparativamente, os que ficam a dormir nas manhãs de segunda-feira ficam mais protegidos. Pudera! E o que acontecerá aos que dormem nas manhãs de segunda, de terça, de quarta, de quinta, de sexta? Às tantas ficam ainda mais protegidos! Aqui está um “bom” exemplo de prevenção cardiovascular!
Mas, para contrariar o risco de hipertensão existem muitas outras medidas. A do sal, todos já conhecem, embora, poucos pratiquem a restrição do seu consumo. No entanto, aqueles que tiveram a sorte e o privilégio de mamarem nas tetas das mamãs, têm menos risco de virem a sofrer de hipertensão na vida adulta. O benefício desta prática é tão positivo como o que resulta da diminuição do sal ou o de fazer exercício físico como adulto.
Deste modo, a prática da amamentação que já demonstrou ser útil em muitas outras situações adquire mais um argumento de peso para a sua prática. As mamãs também têm benefícios, e não são poucos, desde um risco mais baixo de cancro da mama e do cancro do ovário, até à redução da osteoporose. Sendo assim, neste último caso, também não irão “necessitar” de aderir ao consumo de cerveja e ao seu recente e badalado efeito anti-osteoporose… Sempre se evitam mais umas complicaçõezitas…

Pior que um moralista, só um falso moralista!

A notícia de que o actual Ministro das Finanças recebe uma tença real anual de 115.000 euros devido a ter prestado elevados serviços ao reino, durante os seis anos que esteve no Banco de Portugal, merece algumas considerações. Em primeiro lugar, tem todo o direito, porque a lei permite receber a tença. Em segundo lugar, para receber tão “chorudo” prémio, vitalício, o senhor deverá ter feito algo de muito importante para o país, traduzindo-se em mais valias de muitas dezenas de milhões de euros. Só assim se justifica que vá receber, pelo menos, cerca de 3.400.000 de euros até aos oitenta anos e, até mais, caso viva mais anos, o que, naturalmente, desejo. Convinha que tivéssemos acesso aos resultados da sua obra para podermos certificar do seu mérito. Caso não seja possível provar que vale a recompensa, então estamos perante um caso de imoralidade política. Ou seja, não deveria ter aceite o cargo que ocupa. A justificação de que essa verba não tem nada a ver com a Segurança Social ou a Caixa Geral de Aposentações, mas sim com o Fundo de Pensões do BP é caricato, pelo menos, para mim. O dinheiro que recebe é do Banco de Portugal. Mas o Banco de Portugal não é dos portugueses?
Ao propor medidas moralistas e racionais, para combater o défice, algumas das quais são mais simbólicas do que práticas, o senhor Ministro fica muito fragilizado. A atribuição das pensões aos dirigentes do BP é feita por uma “comissão de vencimento” (palavra de honra que é a primeira vez que ouço uma comissão com esta curiosa designação) dependente do ministro da tutela. Ora, aqui está uma boa oportunidade para auscultar a capacidade moralizadora do ministro das Finanças e do Governo a que pertence, eliminando, desde já, as reais tenças aos Governadores e Vice-governadores do BP, a não ser que demonstre que são dotados de capacidades excepcionais, únicas e geniais capazes de fazerem “dinheiro” para combater a eterna pobreza de inúmeros portugueses. Sendo assim, e provando-se que criaram “riquezas extraordinárias”, então proponho uma actualização da pensão. Mas como tenho dúvidas, o melhor seria que o senhor Ministro e os restantes membros do Governo deixassem de ser moralizadores. Não esquecer que, pior que um moralista, só um falso moralista.
A este propósito, o senhor Primeiro-Ministro afirmou que toda a polémica ao redor deste assunto é uma tentativa de assassinato político. Face às inúmeras reacções verificadas, podemos imaginar que, em Portugal, deverão existir milhões de potenciais “assassinos políticos”! A tese da “inveja” não colhe minimamente. Devemos respeitar e admirar todos aqueles que produzem riqueza. Quantos mais melhor.
Ah! Parece que no próximo Conselho de Ministros estas situações irão ser “corrigidas”. Pois!...

sexta-feira, 3 de junho de 2005

Bom fim de semana

Chegámos ao fim de uma semana estafante. O ritmo com que o Governo anuncia medidas deixa-nos quase exaustos. Chama-se a isto levar a sério o conselho de que as más notícias e as medidas difíceis devem ser todas tomadas logo no início do Governo, não vão depois os eleitores lembrar-se das malfeitorias, ainda que animadas do melhor espírito de governação! No entanto, tudo tem um limite de credibilidade e começamos a desconfiar que não é possível tomar tantas decisões em tão pouco tempo. Decisões, quero eu dizer, e não anúncios de decisões para um futuro a considerar. Ora, tirando 2 ou 3 casos concretos, como é o caso do congelamento de escalões e de suplementos remuneratórios, que deverão integrar já o orçamento rectificativo, e os aumentos de impostos, o que estamos a assistir é à re-elaboração em versão "heavy" do programa do Governo - que vai rever as carreiras e regime remuneratório até finais de 2006; que vai rever o regime de pensões; que vai alterar o regime de afectação e desvinculação dos funcionários; que vai transformar os dirigentes da administração pública em comissários políticos legalmente investidos; que vai combater a fraude e evasão fiscal com um novo regime que torne públicos os rendimentos de todas as pessoas. ..Tudo temas que deviam ter sido bem claros no programa do governo e que são isso mesmo - um programa de acção para a legislatura. E só falo de alguns, porque a catadupa de anúncios tem sido tal que nem dá tempo para os apreendermos devidamente. Será que o Governo quer mesmo que as pessoas entendam cada medida? Ou que fique só uma nebulosa tão densa que a concretização de uma pequena parte delas já nos suscite um suspiro de alívio por afinal não terem sido as outras todas? É sem dúvida uma atitude de coragem assumir que tudo isto deve ser feito JÁ. Esperemos que seja também uma prova de credibilidade quando for a sua execução, uma vez que está em causa o interesse nacional.

Existimos de forma concisa

Andorinhas - Veronica Carter
_____________

Existimos de forma concisa

num gomo de laranja, no feixe
de luz oblíquo ao parapeito da janela,
nas superfícies das paredes que sobem
até ao tecto da casa, no vidro outrora
e na gota de chuva e quando cessa a chuva
no troar das andorinhas, existimos de forma
concisa

não tendo o mundo outra forma de existir.

Visitantes de Colares


Colares


Em primeiro plano, podem avistar-se o Prof. Massano Cardoso e o Dr. Pais de Sousa passeando-se em Colares!...

Política académica

O MNE, Freitas do Amaral, admitiu "em teoria" a "hipótese" de adiar o processo de referendo do TCE: «pode acontecer que os 25 países, à volta da mesma mesa, por consenso, sem a imposição de ninguém, sem países de primeira e segunda, cheguem à conclusão que o melhor é parar para pensar melhor». Reparem na terminologia e reconheçam que parece estarmos perante uma discussão académica: "em teroria", "pode acontecer", é uma "hipótese", se calhar "o melhor é parar para pensar melhor". Como é que um Ministro pode esquecer-se que é Ministro, voltando a vestir a beca de professor universitário dado a especulações sobre o que pode acontecer?
Afinal qual é a posição do Governo português?
Qual a posição que Portugal vai adoptar na próxima cimeira?
Será que vai adoptar o argumento do carroceiro e integrar-se no consenso - esse malfadado consenso que tudo permite e legitima?
É interessante analisar a "cambalhota", precisamente no dia seguinte às declarações de Cavaco Silva. O sinal está dado. Vou ficar a aguardar a posição do PSD, com muita curiosidade.

Quem ventos semeia...

...normalmente colhe tempestades. Ou: os efeitos mediáticos do discurso falso-moralista.

quinta-feira, 2 de junho de 2005

Diálogo de surdos

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Depois de mais um NÃO, agora dos holandeses, tem todo o sentido a proposta de Cavaco Silva de parar para pensar e não deixar cair o projecto europeu num beco sem saída. A próxima cimeira dos Chefes de Estado ficou com uma agenda bem pesada e, entre nós, a teimosia do PS, PSD e Governo, ao querer agendar o referendo para a data das autárquicas, poderá ser um erro político grave. Mais uma vez Cavaco deu uma lição de política a alguns aprendizes que por aí andam. Será que eles ouvem?