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domingo, 27 de dezembro de 2015

A burocracia no seu esplendor: a culpa foi do Paulo Macedo...

Um doente entrado numa sexta-feira morreu no Hospital de S. José morreu na segunda-feira seguinte devido a hemorragia cerebral, dado o hospital não ter podido efectuar a respectiva intervenção cirúrgica. Por "indisponiblidade" dos profissionais das equipas de neurocirurgia vascular e de neuroradiologia, que não concordam com os valores actualmente propostos para o pagamento das horas de prevenção ao fim de semana.
A culpa tem sido geralmente apresentada como sendo exclusiva do anterior Ministro Paulo Macedo.
Bem vistas as coisas, o Hospital foi irrepreensível na burocracia: acolheu o doente e prodigalizou-lhe uma maca, deixou-o permanecer quando confirmou, se confirmou, que as equipas cirúrgicas faziam greve, não cuidou de o transferir para outro hospital, público ou privado e deu-lhe um teto para morrer. Assim, a culpa foi efectivamente do Ministro Paulo Macedo.
Há crime quando o automobilista que provoca um acidente deixa um ferido sem assistência. Deixar um acidentado grave sem assistência num Hospital Central durante um fim de semana é mera formalidade burocrática imputável a um qualquer ministro cessante.
Os médicos que fizeram greve e os burocratas que com ela se conformaram tiveram comportamento exemplar. Assim acontece quando a burocracia é erigida em princípio absoluto de gestão. E a greve se chama indisponibilidade. A culpa foi efectivamente de Paulo Macedo.

10 comentários:

Paolo Hemmerich disse...

A imprensa pode até ter seu "culpado" para esse fato escabroso, pois estão mais preocupados com a questão política que o fato suscita do que com a questão humana! Porém, a Justiça por certo tem outra idéia quanto à responsabilidade pela citada omissão de socorro!! A direção do hospital e os funcionários de plantão não poderão se eximir da responsabilização pela morte do paciente, com ou sem greve!!!

opjj disse...

Pegou à primeira, foram falta de recursos. Até o criançolas do presidente da ordem dos médicos em bico dos pés veio logo, foi culpa de Macedo!
Nem sonhou que fosse a irresponsabilidade da organização desde Santarém.
Já agora, qual o passado do falecido. Há exames médicos? Aneurismas aos 29 anos, será consistente?

JM Ferreira de Almeida disse...

Revolta-me que alguém tenha perdido a vida por falta de assistência médica. Sempre e em quaisquer circunstâncias. E revolta-me o aproveitamento político da perda eventualmente evitável de um vida, acentuado pela desfaçatez de todos os candidatos a PR que se apressaram nas condenações. A política atinge o seu pior quando
não encontra limite sequer no respeito pelo que há de mais sagrado.

Floribundus disse...

os sovietes hospitalares têm sempre razão

a culpa é da 'múmia de Belém, do PPc, dos contribuintes'

tenha muito cuidado com o que escreve porque consta que este estado totalitário da bosta adquiriu equipamento para elaborar lista de fascistas

Tavares Moreira disse...

É visível que a forma como a comunicação social e um cortejo de políticos sem coragem cívica ou totalmente demagogos têm tratado estes lamentáveis episódios de perda de vidas por falta de assistência médica em hospitais públicos (dos provados nada consta, curiosamente), se insere num "remake" da velha história de Caça às Bruxas, aliás mais própria de um fim-de-regime do que de uma simples mudança de governo.
Todavia, parece-me existir uma clara intenção por detrás desta "Caça às Bruxas": denegrir, até à exaustão, a política de imposição de disciplina orçamental que caracterizou estes últimos anos, procurando colocar a máxima pressão no aumento da despesa pública como forma de redenção política do País.
O Governo, se porventura está achando graça a estes episódios e pretende tirar deles dividendos políticos, que se cuide, pois este tipo de processos, uma vez iniciados, costumam tornar-se virais, alastrando a todas as áreas da administração pública e, num abrir e fechar de olhos, colocar o Ministério das Finanças numa situação ingerível.

Alberto Sampaio disse...

Lamentável e vergonhoso! São os políticos que temos. Quando se verificam estes comportamentos vergonhosos, tenho de me lembrar que eles (os políticos) surgem de entre nós. Temos todos de procurar ser melhores para que os que a sociedade (nós) gera também o sejam.

Tiro ao Alvo disse...

Soube-se, no dia seguinte à saída da notícia, que o INEM, quando se dirigiu ao HSJ, obteve antecipadamente a confirmação de que o doente seria ali aceite. E disso informou, por escrito, a comunicação social. Portanto, a minha questão é esta: sabendo-se que o doente poderia, em princípio e indiferentemente, ser tratado num dos dois hospitais de Lisboa (HSJ e HSM), porque foi escolhido o HSJ, sabendo-se hoje que, então, não tinha aquele serviço disponível? Será muito difícil apurar quais os responsáveis? Por onde anda o jornalismo de investigação?
E concordo que algumas tragédias são aproveitadas por grupo de profissionais interesseiros (como aconteceu no caso em apreço, por parte de alguns médicos e de alguns enfermeiros), com atitudes que, a mim, me fazem lembrar abutres à espera que a preza morra.

Antonio Cristovao disse...

Excelente.

Bartolomeu disse...

É obvio que a culpa não foi de Paulo Macedo.
A culpa foi e continua a ser daqueles que vendem a alma a valores a que não juraram ser fieis. E isto aplica-se a todos, desde os Paulos Macedo aos médicos e administradores.
Gostava de saber se eles recorrem aos hospitais públicos, quando algum familiar adoece, ou se lhes aconselham, para casos semelhantes, por exemplo, o hospital da Luz.
Este país está de pernas para o ar e não tem cuecas!

ainda ha disse...

gosto do seu humor (negro). corresponde à realidade deste país de caca.
leia, se quiser, o meu comentário no post seguinte de Margarida Corrêa de Aguiar.