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terça-feira, 1 de dezembro de 2015

A geringonça II- Sobretaxa geringonçada...

No início, era a contestação completa da Sobretaxa do IRS e a garantia da sua eliminação imediata.
Depois constituiu-se a geringonça. E logo pareceu, e até apareceu noticiado, haver integral acordo sobre a matéria. Mas, logo que geringonciamente montados, os bons parceiros mudaram de opinião. Ao ponto de não aprovarem a proposta do seu governo e levarem a discussão para as reservadas sessões semanais de coordenação e, a fazer de conta, para a Comissão especializada. Com excepção do PC, todos já se esqueceram das garantias dadas. E, entre baixar para 1,75%, eliminá-la em alguns escalões de rendimento, torná-la progressiva noutros, lá se vão entretendo na conversa. Entretendo, mas não entendendo: tiveram que pedir ao governo informação e dados estatísticos sobre a coisa que, pouco antes,  tinham dado como certa. 
Ah, mas continuam a dizer que em 2017 a sobretaxa acaba para todos...mas ressuscitada, com nome diverso, nos novos escalões que criteriosamente se propõem estudar...
Afinal, a gerigonça começa logo avariada. E geringonçada. 

6 comentários:

João Pires da Cruz disse...

Caro Pinho Cardão, o que falta no seu racional é que o ministro das finanças tem um cenário macro-económico. Ao contrário do anterior governo austeritarista que baseava o seus orçamentos em previsões, que são sempre falíveis, o actual governo baseia os seus orçamentos no rigor do cenário macro-económico. Enquanto o governo de Passos Coelho previa um défice inferior a 3% para 2015 que se espera verificar, o cenário macro-económico já estabelece um défice de 2.8% para 2016. Portanto, não interessa muito o ritmo da sobretaxa ou dos aumentos salariais, por o cenário já está definido.

Pinho Cardão disse...

Agora percebi, caro João Pires da Cruz!...Afinal, o cenário do Centeno explica tudo...e comporta tudo. Um verdadeiro cenário macroelástico

Tavares Moreira disse...

O dito Cenário macroeconómico traz-me à memória uma engraçada história que se contava no Banco de Portugal acerca do Professor Fernando Emygdio da Silva, que foi Administrador do Banco nos anos 50 e 60, sendo ao mesmo tempo Presidente do CA do Jardim Zoológico de Lisboa, ao qual dedicou grande apoio e do qual foi um grande mecenas, segundo também me contaram.
Já não tive oportunidade de conhecer o Prof. Emygdio da Silva, mas contou-me um dia o Dr. Silva Lopes, que com ele conviveu, que o Prof. Emygdio adorava falar francês e até tinha um discurso escrito em francês que, de quando em quando, apresentava em diversos locais onde o BdeP tinha presença (convém não esquecer que nesse tempo o BdeP tinha também funções de banco comercial para além das de banco emissor).
Pois bem, quando acontecia ser anunciada uma dessas sessões com o prof. Emygdio como orador, as pessoas lá no Banco diziam "lá vai o Prof. Emygdio fazer O discurso"...não era fazer um discurso, mas O discurso, que toda a gente já conhecia...
Com o Cenário Macro-económico, qualquer dia estamos na mesma: lá vai o Senhor Ministro apresentar O CENÁRIO...

João Pires da Cruz disse...

E haverá maior rigor que umas contas públicas que apresentem sempre o mesmo resultado independentemente dos factores conjunturais?

Carlos Miguel Praxedes disse...

E, por acaso, foram os que lá estão que criaram a geringonça?

Alberto Sampaio disse...

A eliminação da sobretaxa era uma das bandeiras do bando dos 3 e de cada 1. Afinal ao fim de 2 meses ainda não terão apresentado nada. O ac é incompetente, mas um grande espertalhão. Não é por acaso que deixou algumas abéculas como o galamba na AR. Mas pior ainda estará o orçamento que parece ser para as calendas gregas. Aliás o ac(*) nem deve querer apresentá-lo. Entretanto vai entretendo os parceiros com uns rebuçados e a oposição e os media (os poucos que ainda não prestam vassalagem) com questões menores.

(*) Fiz um esforço enorme para tentar escrever PM onde aparece ac mas não consegui, por considerar que seria um insulto ao meu País. Nem mesmo consegui escrever ac em maiúsculas. Peço que me perdoem.