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segunda-feira, 13 de março de 2017

O envelhecimento demográfico e as políticas públicas

Artigo que publiquei hoje no Público: Nas economias mais desenvolvidas, o fenómeno do envelhecimento demográfico é uma realidade inexorável que está a entrar, cada vez mais, pela casa adentro. Por cá, o assunto não tem merecido a atenção que exige, não apenas pela dificuldade que temos demonstrado de descolarmos do curto prazo, mas também pela falta de visão necessária para o desenho de políticas públicas com objectivos que no médio e longo prazos operem os efeitos desejáveis. (...)
A este propósito, um artigo recente publicado na Harvard Business Review chama a atenção para o papel chave da inovação para o crescimento da produtividade. É aqui que podemos encontrar respostas para fazer face à pressão que o envelhecimento demográfico está a colocar na despesa social e nas finanças públicas.
Entre os que dizem que será suficiente e os que duvidam ou não acreditam, o caminho passa por as populações dos países envelhecidos tomarem consciência da relação entre a solução dos problemas criados pelo envelhecimento e a existência de uma cultura pró-inovação.
Aqui, assumem grande importância as políticas públicas – como acontece na Alemanha e no Japão - que lidam com o assunto de uma forma sistémica, isto é, que têm estratégias nacionais integradas e transversais, intertemporalmente consistentes, fortemente apostadas no investimento na inovação, identificando caminhos para os quais deve ser canalizado o esforço.
É muito importante que as populações tomem consciência do envelhecimento. Não basta saberem que vivem mais anos: é fundamental que compreendam as políticas públicas do envelhecimento e participem nelas, se organizem enquanto sociedade civil, de modo a criar um clima favorável às transformações da economia e organização social. Temos toda a vantagem em sermos protagonistas da mudança.
Antecipar caminhos, dispor de uma estratégia para lidar com as boas e as más notícias é a única via. O pior que nos pode acontecer é o futuro bater à nossa porta e não estarmos preparados para o receber. Apesar de cada vez mais estudiosos investigarem e escreverem sobre o assunto – o que por si só já constitui um aspecto positivo – é necessário e urgente integrar na agenda do País o tema do envelhecimento demográfico.

3 comentários:

Bartolomeu disse...

Excelente texto, Dra. Margarida.
O assunto em análise, transversal a todos os extratos da sociedade, adquire dimensões e gravidades que carecem de reflexão, discussão e decisões adequadas e urgentes. Do meu ponto de vista, é urgente também que se encontrem soluções capazes de tornar os idosos, úteis; pessoal e socialmente. Os Estados devem-se procurar em estruturar-se no sentido de criar duas classes: a dos trabalhadores ativos e, a dos trabalhadores lúdicos, constituídas por quem não atingiu a idade da aposentação e pelos que a ultrapassaram mas necessitam manter-se ativos, úteis e independentes.
E, não tenho parado de pensar... sabemos que os estados islâmicos cobiçam a Europa. Essa cobiça, ultrapassa o sonho, é um desígnio que consideram santo e para o qual se preparam há muito. Deixarmos que na Europa o número de idosos ultrapasse o dos jovens, não estaremos a oferecer condições ideais para que os nossos vizinhos do norte de África nos invadam e subjuguem?

Fernando Vouga disse...

"E, não tenho parado de pensar... sabemos que os estados islâmicos cobiçam a Europa. Essa cobiça, ultrapassa o sonho, é um desígnio que consideram santo e para o qual se preparam há muito. Deixarmos que na Europa o número de idosos ultrapasse o dos jovens, não estaremos a oferecer condições ideais para que os nossos vizinhos do norte de África nos invadam e subjuguem?"

Muito oportuno e muito bem observado. E é o nosso futuro enquanto nação que está em risco.

Margarida Corrêa de Aguiar disse...

Caro Bartolomeu
Partilho das suas preocupações. O assunto é muito sério. Também neste aspecto falta uma visão europeia, o problema não é específico deste ou daquele país.