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sexta-feira, 19 de agosto de 2011

O caso paradigmático da Parque Expo

A senhora ministra Assunção Cristas anunciou a intenção de o Estado finalmente liquidar a Parque Expo. A razão para esta decisão é óbvia: trata-se de uma empresa criada com finalidade muito precisa e determinada que se esgotou há muito. Porém, sobreviveu mais de uma década além do prazo razoável para o desmantelamento do Expo 98, fase final da existência social da empresa atento o seu escopo. 
A verdadeira razão pela qual sobreviveu dá que pensar e deve constituir uma lição tal o preço hoje a pagar. Oficialmente a Parque Expo manteve-se no universo do sector empresarial público porque era necessária uma entidade gestora de tudo quanto sobrou da Expo 98. Imobiliário, pavilhões, oceanário, marina, infra-estruturas e alguns equipamentos que os municípios de Lisboa e Loures não quiseram assumir. Um acervo heterogéneo constituído sobretudo por bens de rendimento negativo (como é o caso dos pavilhões, com excepção do pavilhão atlântico) cuja manutenção gerou e acumulou dívida. Outra razão para a manter activa foi o aproveitamento do know how adquirido no plano da reabilitação de amplas zonas degradadas. Mas na realidade foi a dimensão da dívida a verdadeira razão para o prolongamento da vida da Parque Expo. É que a liquidação tinha e tem por efeito incontornável a assumpção pelo Tesouro do imenso passivo da Parque Expo. E todos os governos, confrontados com este efeito, foram "empurrando o problema com a barriga" à espera de melhor oportunidade para decretar o óbito (ainda que com pena do desaparecimento dos lugares de administração e não só, que sempre deram um jeitão para satisfazer algumas clientelas mais exigentes). O ponto de chegada é este: em Dezembro de 2010, o endividamento da Parque Expo atingia 224,9 milhões de euros. Os juros suportados nesse ano foram de 4,8 milhões de euros, registando-se 4,98 milhões de euros de prejuízos. Este caso é, pois, paradigmático e - espera-se -, uma lição para todos os que têm o poder de decidir sobre a conformação do sector público a qualquer nível de administração (central, regional, local).

Falta perceber como vai o accionista Estado resolver, nesta particular conjuntura, o impacto da liquidação efectiva da empresa. Seja como for, já se percebeu que o pior é fazer agora o que os outros fizeram, isto é, deixar que se agigante o que já se revelou absolutamente insustentável. Resolvido o imbróglio da liquidação, fica a consciência do tremendo erro que é manter uma empresa deficitária à espera que  surjam melhores condições ou um negócio milagroso, capazes de fazer desaparecer ou diminuir o passivo entretanto acumulado. Estas ilusões espalhadas por gestores iluminados, mas sobretudo interessados num conveniente status quo, termina, sempre mais tarde do que mais cedo, pelo inevitável pagamento de uma factura que ninguém deixa de considerar indecente.

Por terras da Eslávia do Sul- Eslovénia e Croácia não são Balcãs-XI

Uma coisa irrita os croatas e eslovenos, que é englobá-los na designação genérica, mas muito comum, de países da Península Balcânica, ou de países balcãs. Porque é falso em termos geográficos e porque, sobretudo, atenta quanto à sua própria identidade.
Quanto a pertencerem Península Balcânica, basta olhar para o mapa da Europa para lhes reconhecer toda a razão. A Eslovénia e a Croácia estão situados em plena massa continental, não havendo qualquer península próxima.
Quanto a serem países Balcãs, também não é verdade. A cordilheira dos Bálcãs estende-se do leste da Sérvia até ao mar Negro. Acontece que a Eslovénia nem fronteira tem com a Sérvia e o território da Croácia desenvolve-se bastante mais a sul da Sérvia e dos Balcãs, interpondo-se a Bósnia-Herzgovina em grande extensão na separação de fronteiras entre aqueles dois países. A grande montanha da Eslovénia são os Alpes Julianos e da Croácia os Alpes Dináricos, extensões naturais para leste da cordilheira alpina.
Mas se geograficamente é uma designação incorrecta, em termos de identidade como nação e em termos culturais ainda é maior.
Eslovénia e Croácia sempre foram países de alfabeto latino e nesse alfabeto construíram a sua língua e literatura, contrariamente aos seus vizinhos sérvios e bósnios, com alfabeto cirílico; sempre foram países de população católica, contrariamente aos seus vizinhos do norte e este, ortodoxos ou muçulmanos; e experimentaram, ao longo dos séculos, pertenças diferentes, que lhes moldaram de forma diversa hábitos e maneira de ser e pensar. A Eslovénia sempre esteve próxima, geograficamente da Áustria e política e economicamente da Alemanha. A Croácia sofreu larga influência das repúblicas italianas. E tanto um como outro destes países só sofreu marginalmente o domínio otomano.
E tanto Eslovénia como a Croácia não gostam de ser metidas no pacote de instabilidade dos, esses sim, países balcânicos. Chamarem-lhes balcânicos, põe croatas e eslovenos fora de si. E com toda a razão!

Voa, Falcão, voa!


Voa, Falcão, voa! Voa, que bem mereces!... E a liberdade de voar é tua. Fica certo de que os portistas não te esquecerão!

quinta-feira, 18 de agosto de 2011

No silêncio de uma noite de verão...

A noite vai caindo. Tomamos lugar na confortável plateia do terraço da casa que se debruça sobre o belo jardim. Queremos assistir ao entardecer e ao anoitecer e, depois, ao silêncio da noite e ser embalados pela sua frescura. É um hábito que se repete em cada verão, em cada noite, sem cansar, sempre igual mas sempre diferente.
Enquanto a noite vai chegando assistimos a uma sinfonia de harmoniosos sons, ora fortes ora fracos, ora mais perto ora mais longe. Não as vemos, talvez cantem para defender os seus territórios ou para conquistar “parceiros”. São as cigarras com a sua impressionante cantoria numa fantástica persistência, a que se juntam um ou outro pássaro de canto leve e melodioso.
No horizonte despontam as montanhas da Serra da Atalhada, recortadas por finas linhas cinzentas que se unem ao céu azul. O jardim mostra-se pintado de uma variedade quase infinita de tons e formas. Agora mais nítidas, sem o sol comendo-lhes a cor. Descobrimos os longos braços das centenárias palmeiras, um pouco mais ao lado as duas velhas magnólias e mais adiante as copas dos pinheiros alinhados em sebe. No fresco relvado do final de dia, as espirradeiras e romãzeiras estão mais vivaças e a velha tília não deixa de surpreender. A leve atmosfera é agora inundada pelos aromas que se desprendem da terra, formando uma fragrância única envolvente.
A natureza descansa de mais um dia quente e seco, ganhando energias para o dia que se segue, outro e mais outro. É uma noite de verão de temperatura amena e agradável própria do campo montanhoso. O céu permanece azul. Aqui e ali vão despontando as estrelas, primeiro devagarinho, depois aceleradamente, e o céu termina forrado de milhões de pequenas e cintilantes luzes com as quais fazemos desenhos e procuramos as constelações que a ciência durante séculos descobriu e confirmou.
Envolvidos pela abóbada celeste sentimo-nos minúsculos, tudo fica relativizado face à grandeza do universo. O desconhecido e o infinito estão agora bem presentes. Bem acordados, deitamos mãos à imaginação e ao sonho.
De vez em quando uma osga mais atrevida faz mudar o rumo das atenções. Surge de mansinho junto à lanterna à procura de um qualquer mosquito distraído. Agradecemos. A bela noite de verão avança, serena e relaxante…

Por terras da Eslávia do Sul-Os lagos de Plitvice-X



O Parque Nacional dos Lagos de Plitvice na Croácia foi declarado como Património da UNESCO em 1979. Estende por cerca de 20000 hectares de abundante vegetação e muitas espécies de animais selvagens, nomeadamente ursos e lobos. Mas o seu principal encanto está nos 16 lagos, montanha abaixo, ligados por dezenas de cascatas e cataratas.
A preservação da natureza chega ao cúmulo, não sei se justificado, de ser proibido tomar banho, para não conspurcar as águas. Nem, muito menos, são permitidas embarcações, a não ser para levar os visitantes ao início do percurso pedestre dos lagos. Um caminho que demora a fazer cerca de três horas, mas é um verdadeiro encanto.

Contrastes

A realização, em Madrid, de mais uma Jornada Mundial da Juventude, reúne centenas de milhares de jovens de todo o mundo, numa impressionante manifestação em que convergem valores comuns, convivência multicultural, desejo de partilha e uma quase insuspeita capacidade de mobilização de jovens de todo o mundo em torno de uma peregrinação de carácter religioso. Os jovens vão a Madrid para um encontro com o Papa Bento XVI, para ouvir o que ele tem para lhes dizer sobre o que se espera deles, da sua atitude enquanto membros de uma comunidade e pessoas que têm responsabilidades perante os princípios e valores que assumem. Não lhes irá certamente falar de facilidades, nem do direito à indignação, nem da expectativa de que os pais e os governos lhes providenciem tudo o que ambicionam e que lhes falta. Estes jovens são, por contraste, a resposta às grandes angústias dos que se interrogam sobre o futuro, são o oposto dos que ocupam praças e aí ficam dias a fio, reclamando nem se sabe bem o quê, mas tendo grande cobertura televisiva e jornalística. São, também, o oposto dos que irrompem pelos bairros destruindo tudo o que encontram ou roubando para vender na net tudo o que conseguiram apanhar nessas vagas de violência.
Seria, pois, de esperar, que tal manifestação pela positiva suscitasse um coro de aplausos de todos os quadrantes, que fosse apontada como um sinal de que há larguíssimas camadas de jovens que sabem o que querem, que assumem o que pensam, que procuram em vez de esperar que lhes venha parar às mãos. Seria de esperar que os “custos” desta iniciativa fossem considerados, por uma vez, um investimento fantástico e altamente reprodutivo, o investimento nos jovens, nos seus objectivos, na promoção de uma rede ligada por um ideais e busca de um sentido para a vida.
Seria de esperar este aplauso unânime, sobretudo quando bem recentemente os distúrbios londrinos suscitaram rios de teses sobre a insuficiente orientação dos jovens, sobre a necessidade de não cortar subsídios, salas de convívio, programas de ocupação. Rios de palavras sobre a falta de referências, o consumismo estéril, uma insatisfação difusa para a qual só tribunais e prisões parecem ter hoje força dissuasora.
Mas não. O gigantesco encontro de jovens com o Papa abriu uma “polémica sobre o custo da visita” e chega-se ao cúmulo de valorizar a manifestação de uma centena de “indignados” e os testemunhos de uns quantos desconhecidos auto intitulados laicos para noticiá-los como “símbolo da divisão da Espanha católica e laica” (capa do Público de hoje)!
E não deixa de escandalizar que os mesmos que há dias peroravam sobre a falta de enquadramento familiar e social dos jovens que partiam montras para roubar ténis e plasmas, apontando os efeitos perigosos de uma geração egoísta e superficial que se sente desnorteada, achem agora que tem todo o sentido falar em “polémica laico/religiosa” e em “custos com a visita do Papa”, ignorando olimpicamente as virtualidades imensas desse movimento de jovens, da dinâmica das suas organizações na preparação deste encontro, na reflexão que se dispõem a fazer em conjunto, enfim, de um aproveitamento a todos os títulos notável da capacidade de comunicar, se organizar e se deslocar.
Quando o que deviam mostrar, e sublinhar, é que as mesmas facilidades tecnológicas e logísticas são aproveitadas por uns, para os distúrbios, para enfrentar a polícia e para suscitar lamúrias e queixas e, por outros, para tentar construir um mundo melhor, dizendo “presente” à afirmação de valores e à exigência de quem os interpela.

Vai amargá-las, vai!...

Ontem, o Barcelona ganhou a Super-Taça de Espanha, ao derrotar mais uma vez o Real Madrid, sem apelo nem agravo. Todos os jogadores do Barcelona são melhores, e pronto. Não há nada a fazer.

Mas no próximo dia 26, no Mónaco, é que vão ser elas. Não é já a simples Super-Taça Espanhola, mas sim a superlativa Super-Taça Europeia. Com o poderosíssimo FCPorto!

Aí, o Barcelona vai amargá-las. Seguramente, vai amargá-las!

quarta-feira, 17 de agosto de 2011

Por terras da Eslávia do Sul- Significado de hajduk-IX



O Hajduk Split é um dos principais clubes croatas, jogando normalmente nas competições europeias. Procurei saber o significado da palavra hajduk e com a explicação veio um pouco da história da Croácia.
Em inícios do século XVI, o Império Otomano (Turcos) invadiu o norte do território da Croácia (a parte sul constituída pela Dalmácia, no litoral, vendida aos venezianos, como referido em anteriores posts, foi poupada à invasão). Seguiram-se sangrentas batalhas, com avanços e recuos, até que os Turcos passaram a controlar praticamente todo o território croata, em 1592. Todavia, logo no ano seguinte, o exército otomano começou a ser obrigado a retirar, vindo a Casa de Habsburgo, para quem a coroa da Croácia tinha passado no início do conflito, a retomar quase todo o território.
Foi assim curto o domínio turco sobre a Croácia. Mas, contrariamente ao que frequentemente se refere sobre a tolerância otomana, a presença turca deve ter atingido extrema violência, já que continua a persistir na memória colectiva dos croatas. O ódio aos turcos aparece em toda e qualquer explicação histórica ou conversa sobre a realidade croata.
Foi nessa altura das invasões otomanas que surgiram os hajduci, grupos de croatas que não davam tréguas e combatiam os turcos por todas as maneiras e feitios, aproveitando também, em horas de trégua nos combates, para se “financiarem” junto dos mercadores ricos, dos agricultores mais abastados e dos viajantes incautos.
Com o tempo, a figura foi-se tornando romântica e passou a simbolizar os heróis lutadores pela liberdade e contra a supremacia ilegítima.
E se os nossos clubes ostentam nos emblemas o dragão, a águia ou o leão, o clube croata homenageia, no seu nome, todos aqueles que, lutando contra o domínio otomano, participaram na luta secular por uma Croácia independente.

OE/2012: Assembleia tem de dar bom exemplo...

1.Na semana passada, uma alta responsável administrativa da AR alvitrou a possibilidade de um corte de 3 a 5% (em relação ao gasto deste ano, supõe-se) na despesa a orçamentar para 2012.
2.A confirmar-se esta indicação, julgo estarmos perante uma (muito) má notícia: numa altura em que aos portugueses duma forma geral estão a ser exigidos sacrifícios “em cadeia” – (i) imposto extraordinário sobre rendimentos englobados no IRS, já em 2011; (ii) aumentos nos transportes públicos em torno de 20%, já em vigor; (iii) agravamento das facturas da electricidade e do gás natural já a seguir; (iv) provável agravamento do IVA aplicável a diversos produtos de consumo corrente, também a seguir; (v) e o mais que ainda iremos ver – não me parece possível que a AR se possa limitar a um corte quase cosmético de 3 a 5% nas suas despesas.
3.Aqui como noutros “fora” tive oportunidade de opinar que a dimensão dos sacrifícios que têm de ser exigidos aos portugueses, nesta incontornável cura da “bebedeira” do Euro, reclamava da parte da classe política uma atitude de exemplo muito clara. Doutro modo, fenecer-lhe-á moralidade para exigir aqueles sacrifícios.
4.Acresce que nos encontramos num ponto em que aumenta a pressão sobre o Governo para que mostre, de forma convincente, que vai cortar a sério na despesa pública – e o Ministro das Finanças já disse que se prepara para apresentar cortes de 9% na despesa primária (assim percebi) em 2012…
5.Face a tudo isto, a sugestão da AR reduzir as suas despesas entre 3 a 5% em 2012 é simplesmente inaceitável, quase lhe chamaria obscena…
6.Tanto mais que existe um consenso generalizado, na opinião pública, sobre a necessidade de uma redução significativa do número de deputados, à qual o Partido da Rosa se opõe, fundado na sua conhecida e inabalável convicção despesista…
7.Em conclusão, uma redução de pelo menos 10% no orçamento da AR para 2012 afigura-se um imperativo moral.
8.E um bom exemplo seria uma redução de pelo menos 15%, como é exigido a empresas públicas e outros entes públicos…
9.Veremos que exemplo a AR pretende dar ao País…espera-se que o bom senso prevaleça e que não deixem afundar mais a má nota que o Parlamento já desfruta…

Por terras da Eslávia do Sul-Palácio de Diocleciano-VIII



Volto a Split e ao Palácio de Diocleciano referido no meu último post.
Muitas vezes temos a ideia de que o planeamento de obras é coisa recente. E que data do tempo em que os economistas, engenheiros e matemáticos construíram as teorias do caminho crítico e os grafos, apoiados em modelos matemáticos no âmbito da investigação operacional. Apesar disso, as obras continuam a exceder o prazo previsto e os custos aumentam na proporção.
Tal não aconteceu certamente com o Palácio de Diocleciano, uma enorme estrutura com 215 metros de comprimento, e 180 metros de largura, um dos lados dando para o mar, ocupando uma área de cerca de quatro hectares. Espantoso é que esta obra imensa tenha demorado apenas onze anos a construir e pronta a ser habitada, para mais com pedra que tinha que ser trazida da ilha adjacente de Brac, célebre pela qualidade das suas pedreiras. Comparemos com o tempo de construção do Centro Cultural de Belém, obra mais simples e de muito menor envergadura.
Poderá imaginar-se a logística do projecto, que englobou a exploração de pedreiras, a construção de meios de transporte para o mar, de cais acostáveis, de inúmeras barcaças de transporte, de engenhos de içar as pedras. E que incluiu os trabalhos de arquitectura e escultura, as enormes colunatas, as estátuas, os bustos, as cerâmicas, e todos os adornos de um palácio imperial. Com legiões de pedreiros, canteiros, escultores, carpinteiros, artistas, cerâmicos, trabalhadores do ferro e do ouro, decoradores e o que mais se possa imaginar. Split tornou-se efectivamente num enorme centro empresarial, industrial e comercial de 294 ao ano 305 da nossa era.
Facto histórico e também original é que Diocleciano foi o único Imperador que tomou para si, e com antecipação, a decisão de resignar e fez construir o Palácio para viver após a entrega do poder, que aconteceu logo que findas as obras. Diocleciano viveu aí por mais uns seis anos, até ao fim dos seus dias. Perante as convulsões que se seguiram à sua resignação, ainda se tornou cônsul por um período curto, de forma a pacificar o Império, logo voltando ao Palácio para não mais regressar à política, embora para tal muito instado. Em vez do poder, dizia preferir dedicar--se a “cultivar os seus repolhos dálmatas…”.
Outra faceta de Diocleciano foi a perseguição feroz aos cristãos. Tal explica que não tenha sido encontrado em Split, região em que nasceu, viveu e morreu, qualquer vestígio de estátua ou busto que perpetuasse a memórias do Imperador. Tudo foi destruído, após o imperador Constantino ter adoptado o cristianismo como a religião do Império.

terça-feira, 16 de agosto de 2011

O alpercheiro e a Europa

O alpercheiro era a árvore mais antiga do meu jardim, devia estar quase a completar vinte anos desde que o plantei, depois de muito escolher entre as que havia à venda na feira de Mafra. Era magrita e pouco promissora, em Janeiro é difícil saber se as árvores novas são robustas ou não, além disso eu ia à procura de um pessegueiro e levei algum tempo até aceitar o conselho, “leve esta que não se arrepende, os frutos são autêntico mel”.
E assim foi, devo ter tido sorte ao escolher aquele sítio para a instalar, apesar de ser um pouco ventoso ela aguentou corajosamente e a o fim de pouco tempo já nos presenteava com os seus deliciosos frutos. Primeiro poucos, lembro-me da emoção do primeiro ano em que os primeiros quatro ou cinco alperces, grandes e dourados, sobreviveram aos vendavais da Primavera e à antecipação dos passaritos gulosos, e como foram religiosamente divididos pelos membros da família, para que todos se pudessem regalar com aquele prodígio.
Cada ano dava mais, chegava a ser preciso por um pau a amparar o peso dos ramos, tão carregados eles estavam, além de ter que se tirar alguns frutos amontoados, para que outros pudessem crescer. Houve uma Páscoa em que os minúsculos frutinhos, ainda mal despontados, eram às dezenas, adivinhava-se uma colheita abundante não fosse a ideia dos meus sobrinhos de irem jogar à bola usando o tronco do alpercheiro como marco da baliza. É claro que a pontaria apontava para o alto, um golo, dois golos e…ei! Mas que ideia é essa? Boladas no alpercheiro?, fora daqui seus piratas, a darem cabo dos frutos…! Mas era tarde demais e muitos deles já juncavam a relva como se fossem pequenos berlindes verdes.
Tirando esses pequenos episódios, todos os anos enchíamos vários cestos de alperces e cheguei mesmo, por várias vezes, a fazer compota dos que amadureciam demais antes que tivéssemos tempo de lhes fazer as devidas honras à mesa.
No ano passado, durante o Inverno, o pior estrago causado por um temporal foi um dos ramos principais do alpercheiro ter sido atingido por um raio. Tive que o cortar e a árvore ficou um tanto desequilibrada no seu porte mas, mesmo assim, não falhou na sua fecundidade e pensei que se tinha recomposto. Mas este Inverno foi outro ramo grande a secar, sem aparente razão, na altura de nascerem as folhas aquele tronco ficou seco e quebradiço, não houve outro remédio senão tirá-lo, para evitar o progresso da doença que já se temia.
Em Julho ainda pudemos saborear os deliciosos alperces da nossa árvore, mas notámos que não foram tão grandes nem tão abundantes como era costume e, além disso, muitos dos frutinhos pequenos não chegaram a amadurecer e caíram antes de tempo.
Até que na semana passada a folhagem estava toda murcha, ainda verde, é certo, mas sem seiva nem viço e esta semana a árvore estava seca, os ramos quebradiços e as folhas ainda presas mas castanhas escuras, como se tivessem sido sopradas por um súbito vento abrasador.
Fiquei desolada com a morte do alpercheiro, a pensar se poderia tê-lo salvo se tivesse sabido ler os sinais de aviso dos seus troncos queixosos. Estaria atacado de um mal mais profundo que foi alastrando, enquanto eu me contentava em ir cortando um ou outro ramo menos resistente, convencida de que assim salvava o mais importante.
Ouço as notícias sobre a Europa, um País atrás do outro, e lembro-me do meu alpercheiro, não serve de nada fingir que é só um ramo ou outro a ter que ser cortado do conjunto, como se assim se contivesse a doença. Vai enganando e adiando, é certo, mas um dia olhamos a árvore e ela já não dá sinais de vida.

Por terras da Eslávia do Sul-Split-VII




Split, se é conhecida pelo seu clube de futebol, o Hajduk Split, tem no Palácio de Diocleciano a sua origem como cidade e o pólo de atracção de milhões de visitantes. Diocleciano tornou-se Imperador de Roma em 284 d. C., e decidiu erigir um Palácio perto da cidade romana de Salona, na costa croata, de onde se diz ser natural, e que serviria de sua residência, o que aconteceu no ano 305. O Palácio, com 215 metros de comprimento, com frente de mar, e 180 metros de largura ocupa uma área de cerca de quatro hectares e foi construído em onze anos apenas. Facto admirável e surpreendente, tanto mais que toda a pedra provinha de uma ilha costeira, necessitando de ser transportada em barcaças. Quatro grandes portas, uma por cada lado, davam, e continuam a dar, entrada para o Palácio.
O Peristilo, pátio central interior ornamentado por fiadas de colunas, hoje movimentado ponto de encontro e esplanada com cafés, continua a dar passagem para o Mausoléu, entretanto transformado na Catedral de S. Dómnio, para os templos, as termas, o vestíbulo, e os apartamentos imperiais. É o local onde diariamente o Imperador, acompanhado do seu séquito, continua a aparecer, saudando o povo, erguendo o polegar em sinal de contentamento, baixando-o, em sinal de condenação. No dia em que lá estive, o polegar baixou e o ar do Imperador implacável até os aplausos passarem a ser satisfatórios…
A cidade vizinha de Salona foi invadida e destruída em 615 pelos ávaros (ramo dos eslavos), tendo-se parte dos seus habitantes refugiado no Palácio, onde foram construindo uma verdadeira cidade, com casa de habitação, ruas estreitas, igrejas, edifícios administrativos. O entulho da construção foi lançado nas espaçosas caves abobadadas, que assim permaneceram pefeitamente intactas e puderam ser devolvidas ao seu esplendor.
Apesar da destruição, o Palácio ainda contém muitas construções originais, coexistindo com extraordinários monumentos das diversas épocas posteriores. Por isso, o Palácio, por si só, constitui um verdadeiro museu histórico.

Na Foto: Peristilo e, à esquerda, Catedral erigida em parte no Mausoléu de Diocleciano

segunda-feira, 15 de agosto de 2011

Pelas terras da Eslávia do Sul-Trogir - VI









Lembro-me que o pequeno Pavilhão da Croácia na Expo 98 me deixou uma assinalável impressão, vindo dessa data a minha vontade de visitar o país. Acontece que o património cultural desse país ultrapassou o que imaginar podia.

Trogir é mais uma cidade monumental carregada de história, mais uma cidade croata Património da Humanidade. Fundada por colonos gregos no século VII a.C., foi romana, croata, húngara, destruída pelos sarracenos no século XI, tártara, húngara, veneziana, do império Habsburgo, jugoslava, italiana, novamente jugoslava e croata.
Situado numa pequena ilha-península, o centro histórico é todo ele um monumento românico-gótico amuralhado e muito bem conservado: edifícios a partir do século XIII, castelo, palácios, conventos, igrejas (dez, destacando-se a Catedral de S. João do século XIII), um belíssimo conjunto, salpicado de excelentes esplanadas apinhadas de turistas. Aliás, o turismo é a principal actividade económica desta cidade de dez mil habitantes.
Trogir, uma verdadeira jóia croata e da humanidade.

domingo, 14 de agosto de 2011

Pelas terras da Eslávia do Sul -V









Sibenik, na costa adriática, mais uma cidade histórica património da humanidade, pelos testemunhos notáveis sobretudo da época da Renascença. Entre estes, avulta a Catedral de S. Tiago (na foto).
Cidade edificada numa colina, como que os monumentos se vão sobrepondo à medida que se vai subindo, numa profusão de igrejas, praças, conventos e sólidos edifícios habitacionais bem guardados por uma sólida fortaleza.
Fundada no ano 1000, teve o seu período de prosperidade com os venezianos. Daí também chamar-se Solbenico.
Alvo de várias tentativas de conquista pelo Império Otomano, sempre lhe resistiu, a exemplo do que se passou na enorme maioria do território da Dalmácia, onde a influência otomana e, consequentemente, o Islão, não se fizeram nem fazem sentir.

sábado, 13 de agosto de 2011

Pelas terras da Eslávia do Sul- IV



Zadar é uma cidade croata da costa adriática, justamente Património da Humanidade.
Cidade edificada sobre uma pequena península, bordejando um mar azul, teve uma das primeiras universidades da Europa, no século XIV.
A primeira grande presença conhecida é a dos romanos de que é testemunho principal o forum que data do século I.
Caído o Império Romano do Ocidente, e depois de uma curta conquista pelos Godos, a cidade passou ao domínio de Bizâncio. Dessa data surgem monumentos carregados de história, como a Catedral de Santa Anastácia (século IX), construída junto ao fórum e utilizando muitas pedras desta construção bem visíveis acima das fundações.
A herança dos venezianos, a quem toda a Dalmácia, cidades e ilhas foi vendida em 1420 por 100.000 ducados pelo soberano húngaro, é notória nos palácios, nas majestosas igrejas, conventos e edifícios públicos. E nas imponentes muralhas que rodeiam a cidade.
A influência da península itálica levou várias cidades a terem um nome italiano, como acontece com Zadar, Zara em italiano. Aliás, em muitas zonas da costa, a par do croata, fala-se um dialecto muito próximo do italiano.
A confluência monumental da época romana, bizantina e veneziana faz justamente Zadar uma cidade património da humanidade.
Como monumento moderno, anota-se o recentíssimo Órgãos do Mar. Trata-se de uma obra levada a cabo por um músico e um engenheiro que, aproveitando a força da corrente marítima, faz a água entrar em tubos instalados sob esplanada e que reproduz os sons de um órgão. As pessoas podem ouvir a música das ondas confortavelmente sentadas em bancadas de pedra que fazem parte da própria esplanada. Zadar, uma cidade antiga, muito bem conservada, mas ao mesmo tempo uma cidade moderna.

Metamorfose

Quando viajo, lanço-me no espaço sem grandes metas ou objetivos, aponto para uma área ou região e vou ao deus-dará na expectativa de ser contemplado pela fortuna e os deuses. Os universos paisagístico e cultural, e a diversidade dos hábitos humanos, são de tal ordem e riqueza que acabo sempre por tropeçar na beleza e não há nada melhor do que sentir as emoções despertadas pelo belo e o inesperado.
À noite, depois do jantar, demos um passeio pela cidade e esbarrámos num edifício setecentista muito bem conservado; numa tarjeta vertical podia ler-se: Centro de Arte Contemporânea. Já sei onde podemos ir amanhã de manhã. No dia seguinte, sob um calor infernal, visitámos o museu, que se prolongava nas traseiras em amplos e luminosos espaços de arquitetura moderna. A exposição de quadros e desenhos de Graça Morais é digno de contemplação. Nunca tinha tido oportunidade de os ver e fiquei agradavelmente surpreendido pela qualidade estética e pelo título, “Metamorfoses”. A temática das mulheres, recorrente, adquiriu uma estranha simbiose com insetos. Mulheres aparentemente estranhas desejosas de transmitir as suas vivências, esperanças e desesperos. Quadros fortes, alguns imponentes, figuras que incomodam, uma raridade capaz de exaltar o orgulho de um povo e que fariam as delícias de qualquer metrópole mundial. Quem diria que em Bragança iria encontrar este espaço. Foi então que recordei a sua apologia feita por um transmontano devidamente reconhecido na cidade, Adriano Moreira.
Sentei-me durante alguns momentos num pequeno auditório a ouvir a autora a dissertar sobre a sua vida e obra. Mulher de aldeia, mas o que me ficou marcado de forma intensa, como se fosse a imagem de um quadro seu, foi o título do documentário, "Na cabeça de uma mulher está a história de uma aldeia". Com esta frase a autora pretende explicar o porquê da sua obra, com base num passado que a marcou, arca recheada de histórias, de emoções e sentimentos.
Aproximava-se entrementes a hora do almoço quando, espontaneamente, talvez influenciado pela frase da pintora, “história de uma aldeia”, propus ir até Rio de Onor, aldeia comunitária perdida nas montanhas que, com a aldeia vizinha espanhola, desafiou durante anos todas as convenções e leis que apartam povos e países. Não foi fácil chegar lá, e, receoso de não saber onde iríamos almoçar, decidimos parar numa pequena aldeia a meio do trajeto, e ainda bem, senão ainda nos arriscávamos a ficar sem almoço. Um pequeno restaurante xistoso e bem ajustado com um forno em plena atividade, o que me surpreendeu. Duas jovens simpáticas disseram o que havia. Escolhi uma costeleta e a minha mulher bacalhau. Foi fácil de perceber que o forno instalado no fundo da sala era para grelhar. Uma refeição deliciosa, sem ementa escrita, sem preços, apenas com boa educação e melhor comida. No final, um preço mais do que justo, ou melhor, ante a gigantesca posta e o bacalhau que dava para duas ou mais pessoas, um valor modesto. Não há nada melhor do que uma aldeia. Se "na cabeça de uma mulher está a história de uma aldeia", então, pensei, “no estômago de um homem está o sabor de uma aldeia.” Chegámos a Rio de Onor, uma bela e pequena povoação. Atravessámos a fronteira sem saber onde é que estava a linha de corte, como se nunca tivesse existido. Andámos até esbarrar num pequeno povoado espanhol perdido naquela zona montanhosa, Puebla de Sanabria, que desconhecia, mas valeu a pena, porque se trata de uma joia, uma povoação medieval tão bem conservada que até chegámos a pensar que alguém tinha aberto um portal do tempo transportando-nos séculos atrás. Limpa, cuidada, sem portas de alumínio, nem francesices e respeitadora de regras, que, pelos vistos, foram bem instituídas e acatadas pelos responsáveis e cidadãos daquelas bandas. Valeu a pena este encontro que, infelizmente, não se observa entre nós. Foi então que, mais uma vez, me lembrei das palavras de Graça Morais, "quanta beleza não passa pela história de uma aldeia"? Ao fim do dia, enquanto desfrutava o sabor da noite numa esplanada, a minha memória começou a entrar em erupção. Somos frutos de muitas vivências, mas algumas, como as vividas nas aldeias, devido aos efeitos diretos das forças da natureza, adquirem algo intrinsecamente diferente e que, se não forem preservadas, criarão vazios quase que impossíveis de preencher. Algumas vão desaparecendo, mas outras poderão ser preservadas para que mais tarde se possa dizer "na cabeça de uma mulher e de um homem está a história de uma aldeia".
Que beleza! ser-se objeto de uma inesperada metamorfose, num dia muito quente de verão, nas terras perdidas de Trás-os-Montes...

Custa a acreditar...

Custa a acreditar que seja verdade! Uma sentença que peca pela falta de qualidade humana e destituída de razoabilidade, um valor que anda bastante arredado de muitas frentes da vida do país. É uma decisão que ganha maior perplexidade por estar em causa a protecção de crianças. Alguém percebe como pode esta sentença ser cumprida?

sexta-feira, 12 de agosto de 2011

Será que a praga dos BURACOS orçamentais não tem fim?

1.Acabam de ser divulgados, tanto pelo Governo como por representantes do FMI/EU novos BURACOS orçamentais...
2.Um primeiro BURACO não é propriamente novo, é mais a confirmação de um já pré-anunciado, ascendendo a 1,1% do PIB - quase € 2 mil milhões - e tem a ver com a sub-orçamentação de salários no Estado Central (Forças Armadas, forças de segurança, outros não identificados).
3.Mas há mais dois, um provocado pelo “inevitável” BPN – de € 320 milhões mas segundo a notícia este valor é já líquido de receitas de transferência de Fundos de Pensões (quais?) para a Seg. Social – o outro provocado pela “inevitável” Região Autónoma da Madeira (RAM), este de € 277 milhões, para o qual não foi dada explicação detalhada.
4.Para compensar contabilisticamente estes dois novíssimos BURACOS, que totalizam quase € 600 milhões, parece que mais uma vez vai ser lançada mão de receitas extraordinárias com a transferência de mais fundos de pensões de bancos para a Seg. Social...
5.No caso deste novo BURACO “made in” BPN, é motivo para recordar, "ad nauseam", a desculpa dada pelo Ministro das Finanças para recusar em Novembro de 2008 o Plano Cadilhe de recuperação e saneamento do BPN: “Recusei essa proposta porque não podia aceitar que fossem os contribuintes portugueses a pagar as perdas, ou a suportar grande parte das perdas”...
6.....Sendo que o dito Plano Cadilhe contemplava, para além de uma injecção de fundos dos accionistas de € 380 milhões, um apoio REEMBOLSÁVEL do Estado de € 600 milhões...Dá para acreditar?
7.No caso do BURACO “made in RAM”, cujos contornos ainda não são conhecidos, traz-me à memória uma interrogação que faço para mim próprio quando o Dr. A. J. Jardim nos "arrasa" com a sugestão de independência da RAM: que modelo de financiamento da “República da Madeira” terá ele em mente quando sugere tal independência?
8.Mas a mais angustiante interrogação que coloco ao receber esta notícia: será que a praga dos BURACOS orçamentais não tem mais fim, vai perseguir-nos até à eternidade?

Não vale tudo...

Escrito em Outubro de 2008:
(...) Considero, por isso, escandalosa e vergonhosa a decisão de transformar uma parte central da zona ribeirinha, mais precisamente Alcântara, num gigantesco porto de carga e descarga de contentores de mercadorias que irá ocupar 1,5 km de extensão, mandando embora para Santa Apolónia o actual terminal de cruzeiros considerado um ponto turístico de referência para os turistas que chegam e para os lisboetas que gostam de os apreciar. Porquê interromper a reabilitação paisagística que, embora muito lentamente, tem vindo a ser feita na zona ribeirinha devolvendo-a aos cidadãos? (...)

Valeu a pena o movimento popular que se insurgiu contra a mega construção do terminal de contentores de Alcântara. Depois de a Assembleia da República ter anulado o prolongamento do contrato de exploração do terminal celebrado entre o Governo e a Liscont, agora foi a vez do Ministério do Ambiente chumbar a expansão do terminal de contentores de Alcântara, depois de o estudo de impacte ambiental, entretanto realizado, considerar que “os impactes paisagísticos são negativos e muito significativos, afectando em permanência a qualidade visual e o equilíbrio da paisagem ribeirinha, envolvendo um grande número de utentes da cidade, residentes e turistas”.
Fiquei muito satisfeita com este desfecho. Espero que a zona ribeirinha continue a ser reabilitada e devolvida à Cidade, respeitando a sua beleza e potenciando a sua fruição enquanto espaço público...

quinta-feira, 11 de agosto de 2011

Pela terras da Eslávia do Sul-III




A Dalmácia é a faixa litoral da Croácia, correndo junto ao Adriático por largas centenas de quilómetros e numa largura à volta dos 50 quilómetros. Ao longo de grande parte da costa não se depara mar aberto, já que centenas de ilhas se sucedem de forma ininterrupta.
A região encontra-se habitada desde o primeiro milénio antes de Cristo. No século III a.C. chegaram os romanos, a região foi romanizada, tornando-se a província romana da Dalmácia no ano 33 a. C. Com a queda do Império Romano do Ocidente, a Dalmácia foi tomada pelos Godos, mas reconquistada logo após por Bizâncio, ficando a fazer parte do Império Romano do Oriente.
Tomasda por invasores eslavos por alturas do século VII, a Dalmácia tornou-se posteriormente domínio dos húngaros até ser vendida à República de Veneza por 100.000 ducados, Ilhas incluídas. Os Venezianos governaram a Dalmácia por 377 anos, de 1420 a 1797, data da queda da República de Veneza. Parte da Dalmácia passou então para as mãos de Napoleão, seguindo-se vicissitudes várias, como a cedência, também parcial, à Áustria, retorno à França, passagem para o Império dos Habsburgos. Anos após a 1ª Grande Guerra Mundial, a Dalmácia incorporou a Croácia no novo país Jugoslávia, que significa Eslávia do Sul.
Dado tal passado histórico, muita é a riqueza monumental deixada pelos vários povos e diferenciadas civilizações que passaram pela Dalmácia, que bem soube conservar esse valioso legado histórico. Ele está bem presente nas magnificentes cidades antigas de Zadar, Sibenik, Trogir, Split ou Dubrovnik.

Na foto, a Catedral de S. Dómnio, em Split, construída no interior do Palácio de Diocleciano, sobre o Mausoléu do Imperador.