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domingo, 30 de março de 2014

A fonte oficial

A fonte oficial é um símbolo da república. Não há governo que dispense comunicar com o Povo através de uma fonte oficial que os media igualmente apreciam aproveitando para matar a sede que os definha.
A fonte oficial é um equipamento público de primeira grandeza. É barata e satisfaz necessidades gerais. Permite estar no palco sem ser chamuscado pelas luzes da ribalta, salvo ingenuidade ou disparate de primeira água. Mas permite também reunir as boas graças dos mensageiros, alargando a sua rede de fieis sedentos.
Contudo, nos últimos tempos as fontes oficiais têm tido uma eficaz concorrência. Fontes não oficiais, mas detentoras de alvará de acesso às melhores das fontes, são usadas, uma vez por semana para aplacar a sede, em direto, anunciando ao povo as boas novas e testando a reação às piores. Chamam-lhes comentadores. Para mim, quase sempre, uma seca.

4 comentários:

Bartolomeu disse...

Uma coisa, são as fontes; as bicas onde cada um coloca a "bilha" e a enche até à medida que lhe aprouver. Outra coisa que poderá ser completamente diferente é - ou são - a/as nascente/s que alimenta/m essas fontes. É que, a água que corre numa fonte pode ser proveniente de uma ou de mais nascentes e nem todas elas possuírem a mesma qualidade, ou a mesma composição química - ou - mineral. Há por aí muitas fontes onde a água que brota, vem inquinada. No entanto, alguns serviços municipais, mais sensíveis para as questões de saúde pública, colocam ao lado desses mananciais, um aviso de que aquele líquido é impróprio para consumo. Outras... deixam ao critério e afinação do palato do sequioso passante. Será que o melhor é optarmos por consumir somente água engarrafada com a Denominação de Origem Controlada? Ou... abstermo-nos por completo do consumo de tão precioso líquido, e passarmos a borrifar-nos tanto para a fonte, como para a/s nascente/s?!

Margarida Corrêa de Aguiar disse...

José Mário
Há também as fontes não oficiais com acesso a fontes oficiais...

jotaC disse...

Esta técnica não é nova e aplica-se em situações diversas. Lembro-me de um diretor que em jeito de inconfidência a uma linguaruda espalhava algumas linhas de medidas na forja que iriam alterar o status quo do pessoal. Quando as coisas caíam verdadeiramente em cima o pessoal acabava por aceitá-las como sendo uma fatalidade, e o curioso é que não havia grande alarido...

Bartolomeu disse...

Lembro-me bem desses dois, caro Jóta Cê. O Provincial do mosteiro e a Madre do convento, uma dupla que se completava. Se um dizia "mata", logo o outro complementava a medida com um "esfola"! Quem ainda colocava alguma ordem nas decisões eclesiásticas, era o Papa, com as suas bulas e as punhadas em cima da mesa. Vade retro Satana!