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terça-feira, 25 de março de 2014

Chocante...

Depois da OCDE, ontem foi a vez do Instituto Nacional de Estatística. O retrato da pobreza ontem conhecido é chocante. Chocante. São dois milhões de pessoas em risco de pobreza, que sobrevivem com pouco mais de 400 euros. As pessoas mais atingidas são as crianças, as famílias com filhos a cargo e os desempregados. A taxa de risco de pobreza em Portugal aumentou em 2012 para 18,7%, cresceu para níveis que não se verificavam há praticamente dez anos.
Quanto aos indicadores de privação material, os dados são de 2013. No ano passado, 25,5% dos portugueses viviam em privação material, mais 3,7 pontos percentuais do que em 2012 (21,8%), enquanto 10,9% da população estava em privação material severa.
A desigualdade social - assimetria na distribuição de rendimentos - também aumentou. O fosso entre os 10% mais ricos e os 10% mais pobres aumentou. A diferença passou para 10,7 vezes, quando em 2011 estava em 10.
Esta situação agora revelada seria bem pior não fosse a solidariedade das famílias e das comunidades que apesar de também afectadas pela crise servem de almofada da “segurança social”, substituindo ou complementando o sistema de Segurança Social.
É um retrato com o qual não nos podemos conformar, que mostra bem os resultados da falta da intervenção do Estado para apoiar as famílias que não têm como autonomamente resolver as suas carências económicas e, em muitos casos, a privação material em que vivem.
A cedência política à inevitabilidade da crise não é aceitável, onde o Estado deve intervir deve estar lá. A dimensão social precisa de atenção redobrada, o Estado – que somos todos nós – não pode deixar para trás pessoas e famílias que tendo sido atingidas pela crise dela não se conseguem libertar sem ajuda e sem ajuda terão dificuldades em se incluírem numa retoma da economia. As políticas de protecção social não cumpriram com os objectivos de combate à pobreza e à desigualdade social.
A economia é fundamental, mas a dimensão social é igualmente importante. Agora que as campainhas da pobreza tocaram alto – pelo menos tiveram eco mediático - pode ser que os nossos responsáveis políticos se entendam. A dimensão social tem que passar a estar no topo da agenda política...

6 comentários:

Luis Alves Ferreira disse...

Esta situação vem de trás e mantém-se, faz parte do retrato do país. A própria estatística mostra os traços de continuidade do fenómeno ao longo do tempo. O que é estranho e causa perplexidade é que muita gente deslumbrada pelos brilhos ocasionais duma classe média pequena mas exuberante tenha criado a "imagem" dum país que vive "acima das suas possibilidades" quando uma parte substancial da população sempre viveu à míngua, nas margens da miséria. O Portugal das ideias feitas é muito diferente do país real. É a "estatística" que o afirma...

Bartolomeu disse...

Se não fosse o sentimento forte de solidariedade social que ainda encontramos por este país fora, não sei se o ambiente nas ruas se manteria tão pacífico como tem sido até aqui.

João Pires da Cruz disse...

A situação é sensivelmente a mesma desde sempre. Não há notícias novas...

Carlos Sério disse...

Cara Margarida
Na verdade a nossa situação é desesperada. Infelizmente ainda há muita gente que desconhece, ou não quer por razões ideológicas ou partidárias, reconhecer as causas do nosso desespero.
Esta situação não vem de trás. Foi conscientemente criada por este governo. O “ajustamento”, o empobrecimento dos portugueses foi propositado, laboratorialmente ensaiado pelo governo e pela Troika. Falava-se que Portugal constituía um teste à chamada “desvalorização interna”.
Em 2007 a dívida pública portuguesa era de 67,1% do PIB, em 2010 de 93,5% e em 2013 foi de 129,4%. Em 2007 e em 2010 os portugueses não tinham cortes nos salários e nas pensões, não tinham os subsídios de desemprego, doença, abono de família e inserção social drasticamente diminuídos no valor e no alcance, não tinham um colossal aumento de impostos, tínhamos uma taxa de desemprego em 2007 de 8%, em 2010 de 10,8% e em 2013 de 16,0%, não tínhamos recessão mas um crescimento de 2,4% do PIB em2007 e 1,4% em 2010, o Estado não estava mais pobre com a venda dos CTT e outro património dos portugueses ao desbarato, e criávamos mais riqueza em 2007 o PIB foi de 168.737 milhões de euros, em 2010 de 172.860 e em 2013 de 163.454, os portugueses não tinham o acesso à Educação e Saúde mais caras e difíceis e não tínhamos a sangria dos nossos jovens quadros que emigram em massa.
Portanto meu caro, Luís Alves Ferreira, a situação não vem de trás. Vem da frente, vem dos ensaios rebuscados e forjados pelos sábios neoliberais que quiseram testar a suas políticas de “ajustamento” num país economicamente fraco e com um governo submisso às suas ordens. Não confunda as coisas, o essencial do acessório.

idalete Giga disse...

Quando se atinge o nível , não de pobreza, mas de miséria de um povo, na sua quase totalidade, é caso para perguntar: para que serviram tantos sacrifícios que deram origem a tanta fome, a tanta exploração do trabalho, a tanta injustiça social, tudo criminosamente programado ao milímetro por seres que não têm o direito de viver. Por isso, Portugal tem de acordar de vez e expulsar para bem longe todos os políticos corruptos ( eles passeiam-se por aí, alegremente e ainda zombam dos que caíram na miséria por sua causa!!!). NO dia 25 de Abril, em vez de uma festa hipócrita, devíamos fazer uma nova REVOLUÇÃO a sério(!!!)Não votemos nesta cambada de bandidos para as eleições do Parlamento Europeu(!!!)

Luis Moreira disse...

O Carlos Sério é só carlos...