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sexta-feira, 20 de março de 2015

A Lista II

Tive a pachorra e a suprema paciência de ouvir parte das audições no Parlamento dos Director Geral e Sub-Director Geral da Autoridade Tributária e Aduaneira e um pouco da audição do Secretário de Estado dos Assuntos Fiscais. 
Por parte de alguns Deputados não ouvi questões, mas processos de intenção, não ouvi perguntas, mas insistência em certezas não comprovadas, mas convenientes, não percebi vontade de esclarecimento, mas chicana pessoal e política.
E vi Deputados interrogantes que demonstravam completa e absoluta ignorância do funcionamento de qualquer instituiição, pública ou privada. E, sobretudo, verifiquei que, para alguns deputados, a tarefa de qualquer membro de governo se exprime e esgota no básico limiar de competência evidenciado nas questões formuladas. Baixo grau de competência, mas compensado por cinismo no grau mais elevado. 
E, pelo que ouvi, fiquei convicto de que os censores da inquisição não ficariam desapontados com o tipo de algumas das perguntas formuladas.
PS: Já sabia que os membros do Governo são achincalhados em qualquer audição parlamentar; chegou agora a vez dos altos responsáveis da administração pública. Uma completa irresponsabilidade. 

11 comentários:

opjj disse...

Absolutamente de acordo.Gente impreparada.
Pergunta, estaria o deputado GALAMBA bêbado? Parecia uma barata tonta a sentar e levantar, mandar bitekes e por fim de volta do telemóvel com carregador na mão.
Paranóia!

Pinho Cardão disse...

Lamentável verificá-lo, mas o Secretário de Estado foi condenado por conhecer a Lista e simultaneamente por a desconhecer.
Tal como na inquisição, um sujeito ia à fogueira se confessava e ia na mesma se não confessava...

Manuel Silva disse...

Sr. Dr. Pinho Cardão:
Diga-me só uma coisa, aqui, publicamente.
Se o governo fosse do PS (ou outros, PCP e BE, nunca conseguirão governar, felizmente, e não digo isto por achar que ficamos bem servidos com o PS) a sua posição seria a mesma?
Digo isto porque a nossa vida pública está pelas ruas da amargura quanto a isenção e capacidade crítica.
Quando se trata dos nossos, nunca houve nada de irregular; quando se trata dos outros, é só irregularidades.
E isto de parte a parte.
E quando aparece alguém que tenta sair desta camisa-de-força maniqueísta e estúpida na sua essência, tenta-se logo sair dos argumentos e ver como se pode detectar uma ponta por onde identificar essa personagem com o outros (os inimigos) e atacá-la «ad hominem» em vez de atacar os argumentos que apresenta.
Mas faça, por favor, o que lhe peço.
Para memória futura.
P. S. Olhe que eu jamais me esquecerei que o senhor jurou a pés juntos, disseque estava lá, era deputado, que Jorge Sampaio disse na AR «há mais vida para além do défice». Lembra-se?
Eu provei-lhe que não só não disse isso como quis dizer outra coisa bem diferente, mas para se saber tem de se ler todo o discurso e isso é incompatível com o «tempo detergente» que vivemos, em que se fala do que se não sabe e se deturpa o que se ouve.

Manuel Silva disse...

Homens sem qualidades não assumem responsabilidades.
José Pacheco Pereira
http://www.publico.pt/politica/noticia/homens-sem-qualidades-e-sem-responsabilidades-1689734?page=-1

Pinho Cardão disse...

Caro Manuel Silva:
1. Para memória futura é uma figura usada em processos judiciais. O meu amigo já se arvora em juíz e censor, o que não lhe fica bem. Esses tempos já lá vão.
2. Quanto às declarações de Jorge Sampaio, o meu amigo refugia-se na semântica, toma o acidente pela substância, o acessório pelo essencial, a derivada pela função. Com mais ou menos gongorismo e redondismo pelo meio, que tornava os discursos de Jorge Sampaio verdadeiros oráculos, o essencial da frase de Jorge Sampaio e que por toda a gente foi entendido menos pelo meu amigo, é que havia mais vida para além do défice. E por muito tempo a frase foi assim glosada como crítica pelo PS e PSD e como frase gloriosa pelos partidos à esquerda do PSD.
Portanto, meu caro, o que disse, mantenho. O resto é conversa fiada e semântica de trazer por casa. A interpretação de um texto faz-se no contexto.
3. Quanto ào seu último comentário, de tão miserável que é, deixo passar.

Pinho Cardão disse...

Faltou mais uma coisa, Sr. Manuel Silva. O Senhor lê, mas treslê. Pergunta se o governo fosse do PS a posição seria a mesma?
Mas eu falei do governo no post?
Mais, no primeiro post sobre o assunto, A Lista, critiquei o governo. Que, tanto quanto sei, é do PSD/CDS.
O meu amigo treslê, de facto.

João Pires da Cruz disse...

Para um homem a quem ninguém nunca deu responsabilidades, o Pacheco Pereira fala muito...

A ideia fascista de que um político é responsável pelo estado é uma anedota de que este país não se consegue livrar por causa desta mentalidade salazareta (e cavaquista). Depois, quando só têm políticos que são funcionários do estado e a única coisa que sabem produzir é burocracia, fica tudo muito admirado...

Manuel Silva disse...

Dr. Pinho Cardão:
«o meu amigo refugia-se na semântica, toma o acidente pela substância, o acessório pelo essencial, a derivada pela função.»
Se o acidente, no caso, não conta, porquê então a insistência no «défice» quando este termo nunca foi pronunciado?
Mesmo depois de ter sido bastas vezes desmentido pelo próprio.
Afinal, o acessório, quando se quer fazer politiquice em vez de discussão política a sério, conta: de facto.
O uso corrente que fazemos de «memória futura» quer apenas dizer que é para registarmos na nossa memória e usarmos em caso de incoerência entre o que se diz num dado momento e o que se diz noutro: nada mais. Não vale a pena tirar ilações despropositadas.
Afinal, os políticos são desancados por dizerem uma coisa num momento e o seu contrário noutro, mas os cidadãos comuns já o podem fazer?
Quanto ao seu comentário ao artigo do JPP, está no seu direito ter a opinião que quiser ter.
Mais uma vez a sua opinião nada tem a ver com a crítica se dirigir contra o seu governo.
Se o Costa for 1.º ministro, casos como este continuarão a surgir.
E o JPP fará, certamente, o mesmo tipo de críticas: veremos o que o senhor pensará delas.


j. manuel cordeiro disse...

Também tive essa mesma pachorra e ouvi as referidas audições. Discordo da sua leitura. Pelo contrário, até foi Paulo Núncio quem desrespeitou, repetidamente, a AT afirmando que os funcionários tinham uma atitude voyarismo por irem consultar dados fiscais por mera curiosidade. Foi uma linha de argumentação repetida e, portanto, lógico concluir, preparada. O presidente de um dos sindicatos frisou a inexistência de processos disciplinares por consultas indevidas. Não vejo que a palavra do sindicalista valha menos do que a de Paulo Núncio.

Sobre achincalhamento dos membros do governo, não vejo em lado algum onde isso tenha acontecido. Por acaso até foram os dois deputados do PSD que constantemente interromperam o convidado sindicalista, procurando boicotar o seu discurso, julgo eu, ao ponto de serem repetidamente chamados à atenção pela mesa.

Paulo Núncio foi repetidamente questionado como é que se podia manter no lugar se não sabia o que é que se passava no organismo que tutela. Ou é incompetente ou sabia e é conivente. A pergunta era relevante e ele, em vez de responder, passou ao ataque, no caso ao BE, afirmando que o BE estava a colar-se a Ferreira Leite e que isso era um sinal de desmembramento do partido. Portanto, quem é que estava a achincalhar quem?

Mas se calhar não vimos a mesma audição.

Pinho Cardão disse...

Porventura não.

João Pires da Cruz disse...

Concordo, não se diz a ninguém que se está a colar a Ferreira Leite. Haja moderação!