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quinta-feira, 1 de setembro de 2016

A geringonça e o stick de hóquei

"...Faz um ano, o gestor do PS apresentou aos portugueses, com o suporte da “autoridade” dos ilustrados consultores que o elaboraram, um macro plano de reestruturação da economia e das finanças do país, de modo a conseguir o crescimento da produção...., a diminuição dos prejuízos, no caso do défice, e o fim da austeridade. O que seria excelente, não fora o plano baseado em pressupostos que escapavam ao seu controle, mas que um afinado power-point considerou jeitosos para consubstanciar um modelo inovador capaz de colocar, de uma penada, o país a crescer, a dívida a diminuir, o défice a definhar, a austeridade a acabar. Crescimentos das exportações a 5,9% e do investimento a 7,8% vinham mesmo a calhar...Claro que qualquer observador sensato e autoridades independentes, nacionais e internacionais, verificaram que os pressupostos, para além de incontroláveis, eram incapazes de produzir os resultados previstos. O que se confirma no “crescimento” da produção, que andará abaixo de 1%, efeito de pressupostos irrealizáveis, com a receita fiscal a crescer o triplo do produto, aumentando a carga tributária e estagnando consumo e investimento, a despesa a aumentar, o investimento público a cair para compensar o aumento dos funcionários e o fim do IVA da restauração. As exportações de 2016 apresentaram o valor mais baixo desde 2009, enquanto a dívida atingiu o valor mais alto de sempre. Numa democracia de qualidade... o plano político e económico da geringonça, padecendo do síndroma do stick de hóquei...seria rejeitado no Parlamento... Ao contrário, ofereceram-no como presente à geringonça, que teima em manter pressupostos e modelo. E cá estamos todos a aguentar as stickadas, máximos na dívida, zero na economia.
PS: Para compreender a analogia do stick, ler o meu artigo, A Geringonça e o stick de hóquei.

4 comentários:

Carlos Sério disse...

Pois, e a alternativa é. . .

Rui Fonseca disse...


Ilustre António,

Tens muita razão.
É com os pressuspostos que se constroem as conclusões pretendidas.
Foi assim que se fizeram muitos investimentos, públicos e privados, para gozo dos empreiteiros, dos políticos e de vários banqueiros e caixeiros. Com tantos desmandos da tripla ganância a dívida pública continua incontrolada. O Banco de Portugal divulgou hoje que subiu em Julho mais de 800 milhões de euros.

Este governo acabará por tropeçar nas ilusões com que se montou.
É uma questão de tempo, talvez mais cedo que o Presidente da República desejaria.

Mas não se dê por terminado o que ainda não acabou.
Em 2016, provavelmente, as exportações apresentarão o valor mais baixo desde 2009. Mas ainda falta um quadrimestre e, em quatro meses, talvez as vacas acabem por levantar voo.

Henrique Pereira dos Santos disse...

Muito bom artigo

Pinho Cardão disse...

Caro Carlos Sério:
Gostei. O meu amigo já desiste de contestar, o que é sinal de inteligência. Quanto à alternativa? Bom, até apetece rememorar o Titirica: pior do que está não fica...

Caro Rui:
Fico satisfeito com a tua concordância. E, ainda bem, estás um verdadeiro optimista. Por mim, infelizmente, não consigo acreditar que as vacas voem, muito menos em 4 meses...

Caro Henrique Pereira dos Santos:
Muito obrigado. Por mim, também apreciei muito os seus artigos sobre os incêndios.