Número total de visualizações de página

quarta-feira, 21 de setembro de 2016

O regabofe da autonomia fiscal.

Criticam os opositores da UE e partidos da geringonça a perda de autonomia, e até de independência, que a  integração na UE provocou em Portugal, nomeadamente em termos de política monetária, e também em termos do controle exercido sobre a política orçamental.
Mas, se atentarmos no uso que a geringonça faz da autonomia que mantém em termos de política fiscal, mal de nós se a condução da política monetária e de uma política orçamental sem controle caísse em tais mãos. Se a política fiscal já se traduz num enriquecimento sem causa de um Estado perdulário, um eventual domínio pela geringonça das outras políticas inevitavelmente levaria ao mais desbragado locupletamento do Estado à custa do cidadão contribuinte.
Para o Estado e para os partidos que nele e por ele se sustentam, um regabofe, a autonomia fiscal. E uma perda absoluta para a economia legal e para os portugueses que nela teimam em integrar-se.

2 comentários:

Rui Fonseca disse...


Caríssimo António,

Não invoqueis o nome do Estado em vão...

O Estado é um ente abstracto sem capacidade volitiva, sempre dependente de um corpo de tutores.
Quando afirmas que "a política fiscal já se traduz num enriquecimento sem causa de um Estado perdulário ..." quererás dizer, assim entendo eu, que o governo actual da República (ou o governo da Câmara L, ou da Câmara P, ou etc.) gerem perdulariamente, isto é, sem racional critério económico, os dinheiros públicos.

Desculpa-me a impertinência da minudência mas compreenderás que , a invocação do Estado constitui, de facto, embora não intencionalmente, uma desresponsabilização dos culpados pelos desaforos praticados em nome desse ente abstracto a que chamamos Estado.

E esta citação generalizada do Estado como culpado redunda, naturalmente, em paradoxos.

Afirma o meu muito estimado Amigo que "a política fiscal já se traduz num enriquecimento sem justa causa ..."
Ora, se o governo, tutor do Estado, é perdulário, o Estado, que é, neste caso, um balanço dos activos e passivos do País, não fica mais rico, porque, com ou sem justa causa,fica mais pobre.

Ou não?

Pinho Cardão disse...

Caro Rui:
Uma argumentação perfeitamente irrefutável.
Digamos que utilizei um eufemismo, tomando o Estado pelo governo e outros poderes executivos. Mea culpa!...