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segunda-feira, 22 de maio de 2006

Jean Battista dos Santos



OBSERVATIONS ON THE ARRESTED TWIN DEVELOPMENT OF JEAN BATTISTA DOS SANTOS, born at Faro in Portugal in 1846por P. D. Handyside, M. D. (Edinburgh: Maclachlan and Stewart. London: Robert Hardwicke, 192 Picadilly, 1866).

As monstruosidades atraem os cientistas desde os tempos imemoriais, ajudando a compreender muitos fenómenos.
Na minha busca por obras antigas, consegui adquirir, num leilão, uma interessante brochura sobre um caso muito raro. Nunca tinha observado algo semelhante, mas também não sou teratologista. O que me levou à sua aquisição foi o facto do título apresentar o nome de um português, nascido em Portugal, Faro, em 1846.
Não resisto à tentação de publicar a ilustração que a acompanha. Informo que, de acordo com a descrição do caso clínico, o João Battista dos Santos, apesar das anomalias, não manifestava quaisquer problemas das suas funções físicas e mentais, fazia uma vida normal e manifestava, segundo o médico, forte masculinidade.

Por Terras do Congresso do PSD- II

Na minha primeira Crónica expliquei as circunstâncias em que fui ao Congresso do PSD e referi como capítulos seguintes a indicação do perfil dos oradores e a estrutura dos discursos.
Como ponto prévio, não posso deixar de referir o tipo de democracia vigente no Congresso, que me pareceu algo exótica e peculiar, baseada num sistema de castas, em que os direitos são iguais para cada casta, mas muito diferenciados de casta para casta. Nomeadamente no direito ao falar, que é o mais inalienável direito de um Congressista a sério.
Então, e para abreviar, a hierarquia está estabelecida desta maneira, a começar nas castas mais baixas e a terminar nas mais altas. (E andei eu a pensar tantos anos que castas só na Índia...)
1. Militantes de base não iniciados; 2. Militantes de base experimentados
3. Militantes de base muito influentes nas bases; 4. Aspirantes a Notáveis
5. Notáveis; 6. Muito Notáveis e Membros superiores dos Órgãos Nacionais
Mas nesta hierarquia há ainda uma diferenciação essencial: é que as primeiras quatro categorias têm que se inscrever para falar, enquanto as duas últimas enviam mensagens à Mesa a dizer a hora a que se dignam intervir.
Os Militantes de base são o verdadeiro sustentáculo do Partido e a sua função é essa. Complementarmente, é-lhes consentido falar no Congresso, mas de forma muito racionada e mitigada. Neste contexto, o espécimen mais baixo, Militante de base não iniciado em Congressos, tem direito a três minutos, cronometrados ao centésimo de segundo.
Para compreender o comportamento das castas seguintes, há que referir que nos Congressos vigora um verdadeiro mercado secundário de “direitos” de tempos de discurso, em fracções de três minutos, direitos esses que se adquirem num mercado informal, mas não menos verdadeiro. O mecanismo é encontrar alguém que se inscreva como orador, com a condição de desistir, de forma a ceder o seu tempo ao adquirente. Para isso, basta dirigirmo-nos a um "broker" de tempos, cujo perfil apresentarei noutro post.
Deste modo, o espécimen seguinte, Militante de base experimentado, compra no mercado um direito de três minutos, tendo assim a faculdade de falar seis minutos cronometrados ao décimo de segundo.
O espécimen seguinte a contar de baixo, Militantes de base muito influentes nas bases, procede como o anterior, mas o seu poder aquisitivo permite-lhe adquirir dois “direitos”, isto é, 6 minutos; deste modo, tem direito a 9 minutos de discurso, aqui cronometrados ao segundo.
Os Aspirantes a Notáveis já estão a meio caminho entre as Bases e as castas mais elevadas. São os mal-amados, por não serem carne nem peixe. Mas dado que têm alguma autoridade sobre as castas inferiores, começam a ser tolerados pelas castas superiores. Adquirem vários “direitos” de tempo de discurso. A sua “performance” passa a ser cronometrada ao minuto.
Aqui há duas sub-espécies: os que ainda estão no primeiro grau do aspirantado e apressam o final do discurso, quando a Presidente diz que o tempo chegou ao fim e os que, por considerarem que já têm graduação suficiente, dizem que vão terminar, mas prosseguem como se nada tivesse acontecido.
Os Notáveis e Muito Notáveis não têm que se inscrever: mandam uma mensagem à Presidente dizendo a hora a que lhes convém falar, normalmente perto das 20 horas. Também não têm que comprar direitos de “fala”. Embora recebam sinais discretos de que o tempo terminou, só acabam quando expuseram as suas ideias.
Quero aqui ressalvar que esta classificação de Notáveis visa apenas assinalar o seu lugar na hierarquia das castas e só por singular coincidência tem a ver com o “curriculum” pessoal e profissional de cada militante.
Como é, aliás, o caso dos órgãos agora eleitos (o respeitinho é bonito...) e sobretudo o nosso amigo e Autor do 4R, Miguel Frasquilho!...

Insondáveis caminhos

A italiana ENI é parceira da portuguesa GALP em Portugal, detendo uma fatia importante do seu capital social.
Aconteceu que no concurso internacional aberto pelo Estado timorense para a exploração de petróleo no mar de Timor, a GALP não escolheu como parceiro o seu accionista, aliás durante algum tempo considerado seu "parceiro estratégico". Ou então aconteceu que a sua ex-parceira estratégica ENI - mas ainda accionista de referência - não a escolheu a ela, GALP, como parceira de consórcio naquele concurso.
Resultado: o consórcio liderado pela ENI passou a perna ao grupo que a GALP integrava, afastando a empresa nacional da hipótese de explorar petróleo em Timor.
Consta que a ENI, accionista da GALP, ofereceu 4,5 vezes mais a Timor do que o consórcio que a portuguesa, na qual tem interesses a italiana, integrava.
Podemos assim inferir:
(a) Que ganhou a ENI, porque se abriram novas áreas de exploração de um recurso cada vez mais valioso;
(b) Mas também perdeu a ENI porque uma das suas participadas - a GALP - não logrou obter o direito de exploração, não valorizando por isso as participações que nela detém;
(c) Decerto perdeu a GALP, não só a hipótese de celebrar um contrato com o Estado irmão de Timor, mas uns largos milhões de euros que, ao que consta, foi quanto teve de desembolsar só para adquirir o processo de concurso;
(d) E lá perdemos todos nós, contribuintes portugueses, que continuaremos a financiar com o pouco que há o desenvolvimento de Timor, porque pelos vistos ainda não será desta que a ccoperação com a jovem Nação se transformará numa via de duplo sentido.

Vem-me a despropósito à memória (às vezes ocorrem-me despropósitos destes, que fazer?) o esforço que aqui há uns bons anos - com Timor ainda ocupado pela Indonésia - , Portugal fez para defender junto do Tribunal Internacional de Justiça os direitos de exploração do petróleo no Mar de Timor daquele hoje Estado independente, perante a gula da Austrália. Mobilizámos nessa altura um dos melhores juristas, o Doutor Sérvulo Correia. Sem resultados no processo que a tarefa era ciclópica, mas valendo o gesto generoso de uma pátria que sentia ser seu o indeclinável dever de defender os recursos de que dependia o futuro dos timorenses.

Mas é como diz o poeta: não existe diplomacia económica, mas tudo vale a pena porque a nossa alma nacional, de tão generosa, nunca é pequena!

Outros tempos, outros investigadores...

Faz hoje anos que nasceu Arthur Ignatius Conan Doyle (22 de Maio de 1859).
No tempo de Sherlock, o mistério do envelope 9 seria resolvido em menos de 24 horas. Outros tempos, outros investigadores…

Oh! Agências semeai!

Recordo-me de há já algum tempo ter lido textos evocativos de episódios característicos da vida política e social da 1ª Republica em Portugal – vamos já na 4ªRepublica, segundo este blog, quase se perdem no tempo essas memórias.
Uma das bandeiras do marketing político da época era a abertura de novas escolas, em especial para o ensino primário.
Na instrumentação desse marketing político, bem menos frenético que o actual apesar de vanguardista para o tempo, os miúdos das escolas apareciam a cantar um hino intitulado “Oh, Escolas semeai!”, o qual pretendia fazer ao mesmo tempo um apelo e um elogio, com requintado sabor musical, ao projecto, supostamente ambicioso, de abertura de novas escolas.
Nas duas últimas semanas, o meu espírito inquieto foi alertado por duas notícias que considerei muito curiosas e que me trouxeram à memória aquele hino da velha propaganda das novas escolas.
Concretamente, trata-se da criação de novas Agências para o Investimento, na Região dos Açores e no concelho de V.F. de Xira.
Não bastava a Agência Portuguesa para o Investimento, está agora lançado o precedente para a criação de Agências para o Investimento com base regional ou local.
Apercebo-me de que estas iniciativas surgem como o eco, talvez folclórico mas não surpreendente, de um marketing oficial que diariamente se esforça por anunciar novas intenções de investimento, que pretende por o País em acção sob a bandeira do investimento.
Sem investimento não há futuro, portanto toca a agarrar o futuro com ambas as mãos.
Se a moda pega, vamos ter por esse País fora agências de investimento, de preferência em cada concelho, como sucedeu (e continua ainda) com a criação de centenas de empresas regionais, municipais e intermunicipais – quase sempre sob o pretexto de melhor aplicar os recursos públicos - as quais muito têm contribuído para o “sucesso” da nossa economia.
O que é preciso é investir, ou pelo menos que se agite a ideia do investimento, por todo o País, de Trás-os-Montes ao Algarve e Regiões Autónomas.
Deixo então aqui a sugestão para que no Ministério da Economia alguém se lembre de mandar compor um hino com título “Oh! Agências semeai!”, para ser entoado pelos muitos orfeões que (felizmente) existem no nosso País, por ocasião da cerimónia de criação de cada uma das futuras agências para o investimento.
Importa todavia não esquecer que, cada vez que uma agência destas é criada, se torna necessário dota-la de uma Direcção, de técnicos que analisem os projectos de investimento, de secretárias de apoio à Direcção e aos Técnicos, de telefonistas, de empregados administrativos, de contínuos, motoristas etc,etc. Para além das instalações, secretárias, computadores, telefones, automóveis, etc,etc.
Portugal, no seu melhor...

domingo, 21 de maio de 2006

Por Terras do Congresso do PSD- I

O Miguel Frasquilho inaugurou as crónicas de viagem no 4R, com o brilhante relato da sua ida aos Estados Unidos.
Não podendo competir com o Miguel, lembrei-me, apesar de tudo, de fazer o relato da minha deslocação de Lisboa à Póvoa do Varzim, para o Congresso do PSD.
Gostaria de dizer, em primeiro lugar, que tenho estado presente em vários Congressos deste partido. As diversas Direcções, provavelmente para fortalecerem o meu perfil de independente social-democrata, nome técnico de que se socorriam para definir a minha condição de militante não encartado da causa, sistematicamente me enviavam um convite para os ditos.
Era óptimo. Convidado é a melhor condição para ir a Congressos. Deambula-se, conversa-se, aprazam-se uns bons almoços e jantares e passa-se com facilidade à mastigação, ouve-se e vê-se o que se quer. Não temos que votar, não temos que discursar, não temos mesmo qualquer obrigação, a não ser responder, no fim, à pergunta ritual de saber se tínhamos gostado. Pois eu, que só ouvia e via o que queria, claro que gostava sempre, enaltecia sempre o acontecimento, e prontificava-me sempre para ir ao próximo.
Era de facto ocasião para assistir a grandes espectáculos, dramáticos uns, como a saída de palco de Luís Filipe Meneses, após ter vexado injustamente muitos Companheiros com esse delirante epíteto de “sulistas, elitistas e liberais”, cómicos outros, como essas teatralizadas entradas em palco de PSL, e trágicos outros, como aquele em que o mesmo PSL quase obrigava o Congresso a não ter fim, por força de formalismos estatutários só ao alcance de mentes muito superiores à minha. E isto só para falar em episódios mais recentes.
Mas desta vez, na Póvoa do Varzim, já não foi assim!...
A verdade é que, considerando ser meu dever patriótico ajudar o Partido, bastante combalido após o vendaval PSL de 2004, tornei-me militante encartado, istoé, com cartão, em Maio do ano passado.
E tendo, agora, anuído ao honroso convite para fazer parte de uma das listas de candidatos da minha Secção, aceitei, na condição de último suplente.
Devido a um problema, julgo que técnico, acabei por ser votado na honrosa qualidade de 1º Suplente e, devido a outros imponderáveis, acabei por ser promovido a Delegado efectivo da Secção.
Confesso que caprichei em cumprir abnegadamente o meu dever. Entre outras, posso indicar, como testemunha isenta e independente, o também Autor deste Blog, Miguel Frasquilho.
No decorrer dessas horas de incessante oratória, e dado que o meu estatuto de iniciado não me permitia entrar nos bastidores da grande política dos Congressos, que é a “negociação” dos nomes das listas dos Órgãos do Partido, fui reflectindo nalguns pontos que achei interessante dar a conhecer no Blog.
O primeiro tem a ver com o Perfil dos oradores e com a Estrutura dos discursos.
O tema é pesado e não pode ser analisado com ligeireza, pelo que fica para o próximo capítulo.

Deserto


Dias de total aridez.
Dias do nada.

"For the Love of God"

For the Love of God” irá ser a obra de arte mais cara do mundo. O artista britânico Damien Hirst vai incrustar uma caveira com diamantes.
Segundo o autor, o objectivo “é celebrar a vida e mandar a morte para o inferno”. Sendo a caveira o símbolo máximo da morte, “que melhor maneira de a cobrir com o símbolo máximo do desejo, luxúria e decadência?”.
A única parte da escultura que não será coberta por diamantes serão os dentes, porque, de acordo com o artista, "é preciso um elemento grotesco para que a peça funcione como uma obra de arte. Deus está nos detalhes". Ora, se for necessário realçar o “elemento grotesco”, nada melhor do que escolher um crânio com dentes cariados. Sempre é um sinal de que os dentistas não estão nos detalhes…
Ah! Valor estimado da peça: 50 milhões de libras…

sábado, 20 de maio de 2006

“Procriação medicamente assistida às escondidas?!”…

A procriação medicamente assistida é um tema apaixonante que merece atenção, reflexão e debate, a vários níveis, devido às múltiplas consequências resultantes da aprovação da respectiva legislação.
É notório a existência de um conjunto de soluções semelhantes entre as diferentes correntes ideológicas, havendo outras que se desviam, como seria de esperar.
O debate ético não é fácil. Algumas personalidades “permitem” certas soluções que não são aceites por algumas correntes religiosas, sendo, por isso, as suas posições rotuladas de iníquas, o que me incomoda.
Neste processo, em curso, nasceu um movimento cujo objectivo é referendar a PMA. Um direito perfeitamente natural numa democracia. O que me causa alguma perturbação são os argumentos aduzidos. Hoje, uma ex-deputada do PSD explicou que a razão do pedido de referendo á “a lei estar a ser feita às escondidas do povo”. Podem apresentar todos os motivos que acharem adequados, mas não devem insultar os representantes da nação.
Na legislatura anterior, a coligação da maioria elaborou um projecto-lei, depois de muita insistência, já que o governo nunca mais apresentava a sua proposta. Foi um processo complicado. Na altura, que eu tenha detectado, não vi qualquer movimento para a realização de um referendo, e estive bem envolvido no assunto. Então, na IX Legislatura as “coisas” não estavam a ser feitas “às escondidas do povo”?
É preciso ter tino e muito cuidado, porque, de facto, “há mesmo coisas escondidas” e, numa democracia, não deve haver espaço para elas. Todos têm o direito de exprimir as suas opiniões e utilizar os mecanismos transparentes, justos e legais, sem que tenham de utilizar argumentos pouco cristalinos…

Medeia, no Teatro Nacional D. MariaII

Fantástica peça, notável encenação de Fernanda Lapa, a partir de uma tradução de Sophia de Mello Breyner recentemente editada.
Bonito cenário, bem vestida, óptimo coro, representação e dicção excelentes; um diálogo bem ao sabor da tragédia grega, onde paixão, loucura, justiça/injustiça são intensamente vividos e transmitidos.
Uma peça estética e elegante, ao nível do melhor teatro que se faz por essas capitais fora; com uma única diferença: enquanto que nessas ditas capitais se sai confortado de um espectáculo deste nível ao ver a multidão que invade os teatros e enche de palmas os actores, aqui...o D.Maria, a uma 6ª feira à noite, nem meia plateia encheu e nem um único camarote tinha gente!!! A 15 euros o bilhete...não é por aí!
Dá-me ideia que o público português só vai ao teatro quando os actores são os de telenovela, quando a televisão, nossa ou a brasileira, lhos "apresentou" . Ou então, como diz F.Almeida, andamos todos bombardeados com o Mundial!!!
Mas como o blog...é o blog, a quem gosta de teatro, recomendo sem reservas.

sexta-feira, 19 de maio de 2006

Credibilidade...

Credibilidade
... é uma palavra que pode destruir quem dela abusa.

Efeito de estucha

Como muitos portugueses gosto de futebol.
Gosto do espectáculo.
Como muitos portugueses estou na expectativa da melhor prestação da selecção nacional.
Mas começo a ficar cansado de a toda a hora, em qualquer estação de rádio e televisão ter de gramar com tudo quanto tem que ver com o seleccionador, o outro seleccionador, o presidente da federação, o secretário da federação, o massagista, os jogadores que estão, os jogadores que não estão, as mulheres dos jogadores, o pai do jogador, o amigo de infância do jogador, o tipo que guarda as chuteiras dos jogadores, o fulano que é dono do hotel de alojamento, o operário que interveio na construção do hotel, a senhora que ali faz a limpeza, o emigrante anónimo que exacerba os dotes daquele e censura fortemente a exclusão do outro, os adjuntos e a comissão técnica, o cozinheiro, os jornalistas que vão fazer a cobertura dos jogos, os que vão apoiar os jornalistas que vão fazer a cobertura, os locutores, os comentadores...
São horas e horas de tempo de antena nisto! O prime time das Tv´s, esse é cada vez mais consumido com estes interessantes temas, comprimindo o restante dos serviços noticiosos...
Pergunto-me como é possível que haja público para tais assuntos. Mas a verdade é que há. A prova: cada dia que é descontado no tempo que falta para o Mundial, mais intensa é a programação à volta destas questões que nada de interesse acrescentam.
Eis a dimensão de uma verdadeira alienação de massas! Para dezenas de milhares, talvez centenas, já nada do que se passa no País e no mundo, interessa.
Fico a pensar como reagirão se contrariando o desejo de todos, a selecção não for feliz nos resultados. Não será uma decepção. Será, a medir por este fenómeno, o mergulhar numa profundíssima depressão...

Uma frase inocente...

... sem qualquer relação com o actual momento ou com qualquer acontecimento deste fim-de-semana:
"Marcelo seria um excelente candidato à liderança do PSD" (Vasco Rato ao semanário 'O Independente' de 2006-05-19).

“Alergias, processionárias e telenovelas”….

Ontem, tive que presidir a um júri de provas académicas, cujo tema abordava as atitudes, crenças e intenções comportamentais de adolescentes face à Sida/VIH. A temática, pertinente, focou dois grupos de alunos do sexo masculino de duas escolas, uma regular e a outra prisional. As diferenças eram notórias e, no seu conjunto, permitem compreender muito deste terrível fenómeno que atinge os portugueses. De facto, dos 25 países da União, Portugal apresenta a prevalência mais elevada de seropositividade, constituindo a sida uma das principais causas de morte antes dos quarenta anos.
Há muito que fazer nesta área, em que o factor cultural desempenha um papel primordial, mas, atendendo ao elevado abandono escolar e baixo nível académico, não se prevê grandes modificações nas atitudes e comportamentos dos nossos compatriotas mais jovens.
Os adolescentes são muito influenciáveis, adoptando comportamentos meio estereótipados com a maior facilidade. Veja-se a notícia, segundo a qual, começam a apresentar, quase sob forma epidémica, manifestações alérgicas. Claro que as velhas processionárias, que nesta altura do ano manifestam o seu direito à vida, podem, em conjunto com outros factores ambientais, ser responsáveis por muitos casos. Mas, o efeito de certas telenovelas, que estão a prender a atenção dos mais jovens, também podem ser responsáveis por vários casos, através de fenómenos de mimetização dos protagonistas. Fenómeno muito conhecido e perfeitamente quantificado poderá ser utilizado como forma de induzir e alterar o comportamento das massas, no bom sentido, ou seja, na promoção da saúde. Presumo que no Brasil já foram efectuados ensaios nesse sentido e, no nosso caso, os guionistas deveriam introduzir mensagens e informação que pudessem ajudar a modificar e alterar as crenças, atitudes e comportamentos dos jovens, de forma subliminar ou ostensiva, tanto faz. Num mundo em que a manipulação das vontades é uma constante, através de vários processos, por que não a utilizar para as boas causas? Bem estruturada e devidamente planeada, presumo que não ofende a ética nem mesmo a liberdade do ser humano, e, enquanto, não atingirmos o nível cultural adequado, sempre poderá ajudar a minimizar muitos flagelos que nos atingem.

Mais um Congresso do PSD

O PSD está de novo em Congresso.
Eleito directamente pelas bases, o Dr. Marques Mendes obteve o poder suficiente para não ficar refém das intrigas partidárias e tem uma legitimidade acrescida para tomar as decisões que se impõem.
Duas matérias constituem um bom teste para ver como é que o Presidente do PSD vai usar esse poder que recebeu dos militantes. A primeira tem a ver com a escolha das cúpulas partidárias, e aí veremos se a sua ideia de necessária renovação é retórica ou vontade firme de fazer o partido respirar novos ares; a segunda, tem a ver com o modo de fazer oposição, se baseado numa postura responsável de futuro Primeiro-Ministro, delineando alternativas políticas globais ou baseado na guerrilha permanente e inócua, visando alvos pontuais, para obter o aplauso fácil.
Sem novas pessoas, dinâmicas, experientes, com sentido de estado e de serviço público, com experiências profissionais diversas, que não usem o Partido como trampolim para as suas carreiras, antes ponham os seus conhecimentos ao serviço do Partido, não há renovação possível. O pensamento continuará a ser o mesmo, as políticas as mesmas, as frases as mesmas, a mediania e a monotonia do costume.
Por outro lado, nestes três anos de cura na oposição, compete ao PSD elaborar um Programa de Governo alternativo e credível. Esse Programa deve ser a base da oposição a fazer ao Governo.
Se as políticas do Governo estão em conformidade com o que o PSD preconiza, então louve-as; se não estão, então critique-as.
Esperemos então os próximos tempos, para ver em que param as modas.

Confusão nos numeros do desemprego

Nos últimos dois dias têm surgido comentários contraditórios sobre a evolução do desemprego em Abril.
O IEFP divulgou em Abril uma descida de 2% do número de desempregados inscritos em relação a Abril de 2005.
Para essa descida concorreu uma eliminação administrativa (“limpeza”) de 4.192 supostos desempregados que, de acordo com dados da Segurança Social, estariam a descontar - o que quer dizer que estariam a trabalhar não podendo ser desempregados.
Esses “falsos” desempregados foram abatidos ao total, só por si fazendo baixar a taxa de desemprego em quase 1%.
Assim, a redução do nº de desempregados teria sido de mais ou menos 1% e não de 2%.
Acontece todavia que esta limpeza dos ficheiros do desemprego, através do cruzamento de dados com a Segurança Social – que parece de todo conveniente, numa óptica de rigor estatístico – tinha começado em Março, justificando então uma primeira “limpeza” dos tais falsos desempregados.
Então, para termos uma ideia da efectiva variação dos desempregados em Abril, seria necessário somar os dados das duas “limpezas”, de Março e de Abril, adicionar esse número ao de desempregados reportado pelo IEFP e depois comparar com o número de Abril/2005.
Se o número de falsos desempregados objecto de limpeza em Março foi sensivelmente igual ao de Abril, a conclusão a tirar será de que a taxa de desemprego terá estagnado em Abril; nem baixou – como as estatísticas oficiais parecem sugerir - nem aumentou.
Mas se a “limpeza” de Março foi superior à de Abril, então, em termos efectivos, o desemprego terá mesmo aumentado em Abril de 2006 em relação a Abril/2005, como parece sugerir a UGT pela voz do seu Presidente.
Em suma uma confusão que me parece lamentável pois retira credibilidade a dados estatísticos que são da maior importância para avaliar o estado global da economia.
Poderia ter-se evitado isto, trabalhando durante 12 meses com duas séries, uma com dados corrigidos e outra com os dados segundo a antiga metodologia.
Julgo que o próprio Governo, ao contrário do que alguns próximos possam pensar, não sai nada beneficiado com esta “trapalhada”. É mais um factor de descrédito, bem dispensável.
Esta situação fez-me recordar uma notícia recente do Financial Times sobre a manipulação dos dados do desemprego na Venezuela. O regime de Chavez, através do controlo político do organismo responsável pelas estatísticas, conseguiu reduzir a taxa de desemprego em 50% sem que ninguém perceba bem como foi possível uma tal redução.
Há, com certeza, uma grande distância entre as duas realidades.
Mas, pese embora essa distância, esta prática de alteração estatística pouco transparente não me parece nada recomendável.

quinta-feira, 18 de maio de 2006

Por falar em vacas...


... não resisto a postar este cartoon, demonstrando que o iberismo tem mesmo razão de ser! Se não somos iguais, somos muito parecidos...
Por acaso o jornal que publicou este delicioso cartoon foi, salvo erro, o escolhido para as confissões iberistas de um dos nossos governantes.

Pois, pois...estação de serviço público!...



Aqui há dois ou três dias, vi na RTP 1, estação de serviço público, uma reportagem sobre as simpáticas vaquinhas espalhadas pelas ruas da capital, que constituem a chamada “Cow Parade”.
Achei uma interessante iniciativa, não percebendo, contudo, o porquê desse novo-riquismo erudito de usar expressões estrangeiras, quando as temos bem portuguesas.
Nessa reportagem vi miúdos e menos miúdos às cavalitas nas ditas vaquinhas, com os pais tanto ou mais divertidos que os seus irrequietos rebentos.
Até porque há uma votação para a melhor vaquinha, achei estranho esse comportamento, que poderia, em pouco tempo, deteriorar o objecto artístico. Mas, depois, até pensei que seria mesmo assim.
Ontem tive oportunidade de as ver ao vivo. São bem engraçadas, pachorrentas e amigáveis.
Mas no pedestal de cada vaquinha está um letreiro bem visível que diz qualquer coisa como isto: “ não entrar em contacto com o objecto exposto”.
E numa delas, ouvi este diálogo:
- Não ponha o miúdo em cima da vaca, não vê o letreiro?
- Ah!... mas como vi na televisão os miúdos em cima da vaquinha...pensei que não fazia mal!...
Pois, pois…estação de serviço público!...

Um importante debate público

Iniciou-se ontem, com uma sessão pública de apresentação presidida pelo sr. Primeiro-Ministro, o período de discussão pública da proposta técnica do Programa Nacional da Política de Ordenamento do Território (PNPOT).
Trata-se de um documento estratégico da maior relevância, como procurei salientar aqui, continuando a parecer-me contraditório e inconsistente por um lado o reconhecimento da sua importância para o futuro do País e por outro a escassez do período dado para a discussão pública (dois meses, parcialmente coincidente com habitual período de férias).
Duas notas positivas que é devido assinalar.
A primeira no capítulo da informação, essencial para que haja uma participação útil (para o que tem de ser esclarecida porque ninguém discute - ou devia discutir... - sobre o que não conhece). Está de parabéns a DGOTDU - Direcção-Geral do Ordenamento do Território e Desenvolvimento Urbano pelo excelente trabalho de divulgação, em termos de acesso fácil e compreensivo do imenso manancial de informação que integra o PNPOT, traduzido na criação do sítio http://www.territorioportugal.pt/ que possibilita, além do mais, a participação em linha do público.
A segunda para sublinhar a presença do Primeiro-Ministro na sessão pública de lançamento do PNPOT e da correcta colocação que fez das questões do ordenamento do território (em contraste com a vulgaridade do discurso do sr. Ministro do Ambiente) .
Prometem-se momentos de esclarecimento sectorial complementares da divulgação por este meio. Era bom que fossem efectivamente realizados, não só em foros especializados mas para a população em geral porquanto, como a abrir o PNPOT muito bem se escreve "um país bem ordenado pressupõe a interiorização de uma cultura de ordenamento por parte do conjunto da população. O ordenamento do território português depende, assim, da vontade de técnicos e de políticos, mas também do contributo de todos os cidadãos".
Desconfio, porém, que em tão pouco tempo não seja possível organizar sessões motivadoras da participação dos cidadãos, sendo certo que por muito que faça o Governo não pode contar nesta matéria com a colaboração da comunicação social. Até porque jamais o esforço de ordenamento teve ou terá a atenção dos media neste País. Esse não vende. O que vende é o desordenamento, ou muitas vezes o que se toma por desordenamento. Esse "passa". Ad nauseam.

quarta-feira, 17 de maio de 2006

”Reforma dos animais de experiência”…


A experimentação animal tem contribuído de uma forma ímpar para o conhecimento e desenvolvimento da saúde dos seres humanos. No entanto, vários activistas têm contestado a utilização dos animais, afirmando que os novos recursos laboratoriais e computacionais podem substitui-los, evitando a violação dos seus "direitos".
Ao colocarem em pé de igualdade os direitos dos animais e dos seres humanos, partem de um pressuposto, cujo objectivo é chocar a comunidade de todas as maneiras possíveis.
Convêm relembrar que, à medida que o tempo passa, as regras da experimentação animal são cada vez mais apertadas, e ainda bem! Os direitos dos animais têm de ser respeitados. Mas, há necessidade de irmos mais longe. Questiona-se se as experiências realizadas nos laboratórios, mesmo respeitando as leis e a ética, correspondem à realidade. O ambiente das experiências não corresponde ao natural, logo, os resultados, quer sejam biológicos ou comportamentais, podem estar enviesados. Este pormenor levou à criação do conceito denominado enriquecimento do ambiente. Ou seja, criar e recriar em laboratório, condições de satisfação para os animais, permitindo-lhes correr, esconder, brincar, interagir com o que habitualmente poderiam encontrar. O conceito, chega ao ponto de, por exemplo, fornecer brinquedos a alguns animais, substituindo-os periodicamente para evitar que se aborreçam!
Se os animais de experiência são insubstituíveis, em muitas circunstâncias, os cientistas não podem deixar de se preocuparem com o seu bem-estar. A testar esta afirmação recordo que alguns animais até já têm direito à reforma, como aconteceu recentemente com vários chimpanzés, retirados das experiências médicas, os quais foram conduzidos para uma espécie de reserva natural, no estado norte-americano de Louisiana, onde irão gozar os seus direitos....Prova de reconhecimento da humanidade.