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domingo, 18 de junho de 2006

Várias pronúncias tem o Norte

Uma reunião da CCDR-Norte com um deputado socialista deu origem a uma notícia em que este último se congratulava por alegadamente 40% das verbas do futuro QREN se destinarem "ao Norte". Não relevo - mas estranho - o facto de serem deputados e dirigentes da CCDR, e não o ministro responsável pelo desenvolvimento regional, a anunciar a distribuição de verbas do próximo quadro comunitário de apoio. O que verdadeiramente me preocupa é o facto de não se perceber de que "norte" falam estes senhores. Será porventura o mesmo "norte" que nos anteriores QCA concentrou na Área Metropolitana do Porto a larguíssima percentagem dos montantes destinados à coesão territorial, deixando esquecidas as regiões tradicionalmente mais pobres que assim continuaram na senda do empobrecimento, do isolamento e, consequentemente, da desertificação humana?

A ver vamos...


O homem nem existe!...


Ao comprar os jornais de hoje, um diário e um desportivo, como sempre, dei-me ao cuidado de espreitar as primeiras páginas dos diversos títulos publicados.
Em todos os jornais, grande destaque ao Portugal-Irão de ontem. Mas, para meu espanto, excepto num deles, todas as enormes fotografias glorificadoras do feito eram do Ronaldo e do Figo, tendo pura e simplesmente esquecido o protagonista do jogo. O Deco, considerado o homem do jogo pela FIFA, nem existia. A avaliar pelos destaques, nem sei mesmo se terá jogado, e muito menos se não foram outros que meteram o golo espectacular que pôs Portugal a ganhar...
O problema não está na troca dos protagonistas, nesta matéria do futebol. O problema é o enviesamento, hoje tão bem exemplificado, que os sagrados critérios jornalísticos vêm trazendo à vida nacional.
Na fotografia, a minha homenagem à verdade daquele jogo.

Fui buscar a fotografia ao Crackdown, a quem agradeço desde já, porque no SAPO não há fotografias do Deco com a camisola nacional. De facto, o homem nem existe e eu ando a sonhar!...
Em aditamento:Tendo procurado melhor no SAPO, sempre encontrei fotografias do Deco com a camisola da selecção nacional. As minhas desculpas!...

“Land art” e sacos de plástico…

A arte de Christo e da sua mulher, Jeanne-Claude, causava-me, a princípio, uma certa impressão, mas, ao longo do tempo, acabei por ficar preso daquela monumentalidade traduzida em pontes e monumentos embrulhados ou ilhas envolvidas com superfícies coloridas. Arte espectacular e efémera.
Esta súbita recordação foi despertada pelo último relatório da Programa Ambiental das Nações Unidas. De acordo com este importante documento, os oceanos estão ameaçados pelo aquecimento global, pela pesca selvagem e por várias formas de poluição. No tocante à poluição, os plásticos estão a inundar os oceanos, já que, por cada milha quadrada, foram contabilizados 46.000 mil detritos.
Há muito tempo que várias entidades têm vindo a denunciar esta situação, mas, pelos vistos, sem qualquer sucesso.
Os plásticos, além de não serem facilmente degradáveis, viajam com extraordinária facilidade. De facto, muitos, oriundos do Brasil ou do Japão, chegam a pontos tão longínquos como o norte da Escócia, ou, então, o caso de muitas dezenas de milhar de patinhos de plástico, libertados de um contentor no meio do Pacífico, terem sido localizados no estreito de Bering, não sei se dispersos ou se na tradicional fila Lorenziana!
Dizer que os tradicionais sacos de plástico constituem o pior crime da humanidade soa a exagero. O que é certo é estarmos perante um dos principais poluentes com grave impacte ambiental. Provocam danos na vida selvagem, bloqueiam os sistemas de drenagem e permanecem décadas no ambiente.
Introduzidos na década de setenta, passaram a fazer parte das nossas vidas. Globalmente utilizamos entre 500 mil milhões a um trilião por ano, qualquer coisa como 150 sacos por cada pessoa deste planeta (um milhão de sacos por minuto!).
Os animais marinhos são as principais vítimas dos sacos de plástico ao considerá-los como alimentos. Tartarugas, golfinhos e baleias, entre outros, têm sofrido as consequências, muitas vezes mortais. A título de exemplo, uma baleia encontrada na Normandia tinha 800 kg de sacos de plástico e outras embalagens no estômago!
Os movimentos anti-saco de plástico começam a despertar, embora sem grande sucesso face aos interesses dos produtores.
A irritante poluição está bem traduzida no nome pelo qual é conhecida: “poluição branca” na China, “flor nacional” na África do Sul ou “calções das bruxas” na Irlanda.
Alguns países, como a Irlanda e a Dinamarca, estabeleceram taxas para a aquisição dos sacos, o que levou a uma redução significativa do seu uso. Aqui está uma boa sugestão para mais um “impostozito”. Se a capitação em Portugal for 150 sacos por pessoa/ano, ao multiplicarmos por 10 milhões, teríamos qualquer coisa como 1.500 milhões de sacos vezes 10 cêntimos…150 milhões de euros! Nada mau! Mas o melhor é pedir ajuda a quem perceba de taxas, impostos e economia…
A “land art”, na qual se integra a arte de Christo, mesmo utilizando plásticos, não constitui um atentado contra o ambiente, já que as exposições são transitórias e reutiliza os materiais. Aquilo que estamos a fazer é uma verdadeira “arte de lixo” ao tentar embrulhar e esconder o planeta em sacos de plástico…

sábado, 17 de junho de 2006

A lição da Azambuja

Uma vez por outra, alguém com voz num dos principais meios de comunicação, põe a nú algumas cruas realidades. Abordando assuntos dolorosos, não cala a verdade por muito imprópria que possa parecer aos cultores do politicamente correcto.
Bom sinal. Pode ser que esteja finalmente a passar a fase do fascínio de uns tantos pelas patetices bloguistas, e se comece a perceber que só com realismo e inteligência poderemos vencer as dificuldades.
Quem pôs o dedo na ferida foi Nicolau Santos, hoje no ´Expresso´.
Nicolau recordou que em 2003 se anunciou pela primeira vez a hipótese de encerramento da unidade da GM na Azambuja. Já nessa altura porque se revelava pouco competitiva em termos dos custos de produção. A reacção da comissão de trabalhadores foi a reivindicação de aumento salarial generalizado e uma quase imediata paralisação.
Nesse mesmo dia ficou, como é óbvio, traçado um curto futuro para a fábrica da Opel da Azambuja.
Os responsáveis pela desgraça de muitas famílias, neste caso, estão bem identificados. Só não vê quem entende que as comissões de trabalhadores e os sindicatos, mesmo quando contribuem para estes desfechos, são vacas sagradas em que ninguém pode tocar.
Desta feita, por muito que se esforcem os deputados do PCP e do BE sempre presentes, de negro vestidos, nestas ocasiões de estertor (procurando iludir as suas próprias responsabilidades no estímulo à contestação social mesmo em situações de eminente ruptura), dificilmente conseguirão remeter para os do costume - o governo e o capitalismo internacional - as culpas do brutal impacto do encerramento da fábrica.

Falta esperar pelo milagre de um retrocesso na intenção da GM. Se se verificar, apagarei com gosto este post. Mas mesmo que o venha a apagar, não mudarei a minha opinião sobre a irresponsabilidade de alguns sindicatos e comissões de trabalhadores e dos partidos que inspiram uns e outros.

Oxalá a vitória me ajude neste transe!...

Em tempo de Mundial, o 4R não pode ignorar a selecção nacional, até porque hoje joga com o Irão. Simples adepto, não sendo treinador nem jornalista, confesso a minha enorme dificuldade em perceber, mesmo depois de ter consultado toda a literatura disponível, se o nosso Grupo é forte ou acessível nem, muito menos, deslindar se uma época estafante ou descansada é desfavorável para nós, mas vantajosa para os outros.
Todos os dias a literatura especializada nos inunda com a alta qualidade da nossa selecção, a sétima no ranking da FIFA, e com a altíssima categoria dos nossos representantes, com particularíssimo destaque para o Figo, o Figo e o Figo que, segundo Scolari, até terá rejuvenescido dois anos... Mas também, todos os dias, esses mesmos especialistas nos alertam para as enormes dificuldades do nosso Grupo, que só é fácil para os menos letrados.
Sendo assim o nosso Grupo tão complicado, sou levado a pensar que um grupo fácil, onde os virtuosos atletas portugueses melhor expressariam os seus talentos, seria aquele em que fossemos acompanhados pelo Brasil, Argentina, Espanha, Itália, ou outras quejandas, em vez de termos a companhia do Irão e de Angola, respectivamente 23º e 58º no ranking FIFA!...
Também a literatura especializada vem batendo, como desvantagem assinalável, a tecla do cansaço dos nossos talentosos jogadores, após uma época estafante nos melhores clubes da Europa, enquanto os seleccionados dos outros países do Grupo são favorecidos por terem tido uma época bem mais regalada. Assim, os atletas angolanos apresentam a vantagem de estar cheios de força física e anímica, certamente pelo facto de nem terem tido clube para jogar, como o Akwá e o guarda-redes João Ricardo, ou então por jogarem em modestos clubes, com menos jogos e menos desgaste, enquanto atletas nossos nas mesmas condições têm a desvantagem de se apresentarem algo debilitados, por pouco terem jogado, como é o caso do Costinha, do Maniche, do Quim, do Postiga, etc, etc.
Perante estas aparentes contradições que o meu espírito e a minha lógica cartesiana não são capazes de superar, estou a mergulhar numa verdadeira angústia existencial.
Que nem sequer é atenuada pelas afirmações de Figo, ontem, em A Bola, em que diz taxativamente que autoriza o Deco a jogar!...”O Deco não tem que estar preocupado, pois aquela (…posição em que joguei contra Angola…) não é a minha posição…”- referiu. Porque, se fosse…
Oxalá a vitória de Portugal, com Figo a guarda-redes, Figo na defesa, Figo na linha média e Figo no ataque, mesmo fora da sua posição, me ajude neste transe!...

sexta-feira, 16 de junho de 2006

Sunamitismo

"Sunamitismo" ( Pedro Esteban Fernández, 92)
Os homens, a partir de certa idade, enfrentam vários problemas relacionados com a redução progressiva da testosterona, fenómeno conhecido por andropausa. Alguns cientistas não aceitam esta designação, criada em contraponto à menopausa. A razão é simples: enquanto a menopausa decorre num curto período de tempo, no homem as alterações processam-se de forma lenta e contínua.
São várias as consequências: perda de energia, disfunção sexual, défice cognitivo, depressão, perda da massa muscular e aumento da gordura, entre outras.
A diminuição da testosterona processa-se a um ritmo de 0,8 a 1,6% ao ano, a partir dos quarenta anos.
Desde sempre que o homem procurou utilizar elixires, não só para prolongar a vida, mas também para manter a juventude ou rejuvenescer. Desde a utilização de testículos de animais, à famosa vasectomia proposta por Eugene Steinach, que levou mais de uma centena de individualidades a sujeitarem-se a esta prática, entre os quais se destaca, a título de exemplo, o famoso Sigmund Freud, até à introdução da testosterona sob a forma oral, injectável ou, mais recentemente, gel e "adesivos", muitas mais práticas têm sido utilizadas. De facto, os estudos mais recentes apontam para benefícios notáveis desta terapêutica hormonal de substituição masculina, desde que haja vigilância adequada por causa do cancro da próstata. Abrem-se novas perspectivas para o homem, para minimizar e reduzir os problemas que o aflige, à medida que envelhece. A utilização correcta da testosterona poderá trazer grandes benefícios em todas as áreas que já descrevemos, abrindo uma nova era, a da substituição hormonal masculina.
Mas, tal como já afirmei, a procura de remédios para o envelhecimento, não é de agora. Aliás, no livro dos Reis, do Velho Testamento, podemos ler a seguinte passagem: “Sendo, pois, o rei David já velho, e entrado em dias, cobriam-no de roupas, porém não se aquecia. Então disseram-lhe os seus servos: busquem para o rei meu senhor uma moça virgem, que esteja perante o rei, e tenha cuidado dele; e durma no seu seio, para que o rei meu senhor se aqueça. E buscaram por todos os termos de Israel uma moça formosa, e acharam a Abisague, sunamita; e a trouxeram ao rei. E era a moça sobremaneira formosa; e tinha cuidado do rei, e o servia; porém o rei não a conheceu”.
Esta passagem está na base de um fenómeno denominado sunamitismo, cujo objectivo era rejuvenescer velhos com o calor e fluidos de jovens. O sunamitismo chegou a ser prescrito pelos médicos dos séculos XVII e XVIII (e até mais tarde), tais como Thomas Sydenham e Hermann Boerhaave. Será que a presença de uma jovem, junto de um corpo velho, teria o condão de estimular a produção de eventual testosterona? Bem, no caso do rei de David, não deu qualquer resultado... O que teria acontecido se o rei David tivesse utilizado "gel ou adesivos" de testosterona?

quinta-feira, 15 de junho de 2006

Taxilogia

Segundo li no Diário de Notícias, para se ser taxista qualificado tem que se frequentar um curso de 550 horas lectivas, isto "para quem nunca trabalhou como motorista”. Porque, "para quem já tem dois anos de experiência como motorista de empresa”, o curso obrigatório é de 200 horas.
Daí deduzo que Taxilogia é o curso que se exige a quem pretenda seguir a carreira de operador de condução de táxi, antes denominado taxista.
Muito bem esse número de horas, porque a coisa verdadeiramente não é nada fácil. Veja-se que um operador de condução de táxi só tem normalmente dois pés, mas três pedais para activar, assim como tem geralmente duas mãos, mas um só volante para rodar. Isto é, se lhe sobram mãos, faltam-lhe pés, pelo que a sincronização deste vasto instrumental se reveste, manifestamente, de complexidade extrema…
A Matemática, a Física ou a Filosofia, ao pé da Taxilogia, são de uma simplicidade enervante.
Tendo cada uma daquelas disciplinas do Secundário 3 tempos de 90 minutos por semana, no ano lectivo serão 162 horas. As três ocuparão 486 horas, menos 64 horas do que a complexa Taxilogia!...
Aí se compreende que o DN diga que há falta de taxistas, quando abundam os detentores de tantos outros diplomas!...
Depois destas 550 horas de curso taxilógico obrigatório, um operador de condução de táxis é um verdadeiro bacharel por Bolonha. Por isso, todas as vezes que entrar num táxi, em vez de Bom Dia ou Boa Tarde, passarei a dizer Bom dia ou Boa Tarde, Sr. Engenheiro Condutor!..
E ao dar-lhe esse título, considero-me dispensado de dar gorgeta!...Porque até se poderia ofender!...

Ano de 6010 da criação do Mundo

“Adão, Pai dos Homens, foi criado no dia 28 de Outubro, às duas horas da tarde... Assim o afirma, com majestade, nos seus "Annales Veteris et Novi Testamenti", o muito douto e muito ilustre Usserius, bispo de Meath, arcebispo de Armagh, e chanceler-mor da Sé de São Patrício (Adão e Eva no Paraíso - Eça de Queiroz)”.

Ao longo da vida fui confrontado com várias situações que contribuíram, e muito, para a minha formação.
Uma delas foi uma discussão acerca da criação do mundo. Na altura, andava no 3º ou no 4º ano e, após um jogo de bilhar no café da terra, em que consegui vencer pela primeira vez um colega mais velho e “perito” na matéria, envolvi-me numa acesa troca de palavras a propósito de determinados achados humanos que afirmei terem sido produzidos há mais de 10 ou 20 mil anos. O pateta começou a rir e a dizer que isso era impossível, porque o mundo era muito mais recente, tinha sido criado 4.000 anos antes de Cristo. Foi quando perdi as estribeiras e disse-lhe das boas. E cheguei a perguntar-lhe onde tinha aprendido tamanha asneira e se não esteve atento nas aulas de história. O que é certo é que não consegui demover um milímetro que fosse, argumentando que foi o padre que lhe tinha dito. Subi a calçada fulo da vida e quando cheguei a casa desabafei a minha indignação. Como era possível um comportamento destes?
Hoje, não me surpreende atitudes destas. Apesar de todas as conquistas, divulgação e democratização da ciência, cerca de metade dos norte-americanos acreditam que Deus criou o homem tal como é há 10.000 anos ou mesmo menos. A percentagem dos que acreditam na evolução a partir de formas de vida primárias atinge apenas 13 por cento. O restante acredita que a evolução ocorreu, mas sob a vontade de uma entidade suprema. O interessante é a existência de uma correlação inversa entre a criação plena do homem por Deus e o nível educacional.
A par da criação, outro tema que sempre me incomodou foi o fim do mundo. A visão escatológica está tão presente na nossa sociedade que tudo serve de pretexto para a invocar. Altera-se o clima, é o fim do mundo, quando chegaram à Lua diziam que ia ser o fim do mundo, aparece um cometa é fim do mundo, fim de século e de milénio sinónimos de fim do mundo, isto só para contar com alguns cenários. Nunca acreditei nas histórias de fim do mundo. Em pequeno dizia que o fim do mundo acontecia com muita frequência, bastava ver os que iam para Vale Maceira (o local do cemitério lá do burgo)!
A natureza humana é mesmo assim. As emoções sobrepõem-se às evidências. Há mesmo quem ponha em dúvida se haverá alguém que queira viver num mundo regulado por frios intelectos. Também concordo. O que seria da vida se não fossem os disparates?

quarta-feira, 14 de junho de 2006

Não faz mesmo sentido!...

Desde que eclodiu a crise timorense, Paulo Gorjão tem ministrado, no Bloguitica, um verdadeiro curso de política internacional, a propósito de Timor.
Para além das opiniões pessoais e críticas, faz chamada para múltiplos artigos, notas de blogs e declarações de responsáveis políticos, nacionais e estrangeiros, sobre o tema.
Por isso, creio mesmo que quem vem acompanhando esse blog já tem os créditos necessários para ser um qualificado bacharel, segundo o Processo de Bolonha.
Todavia, e por infelicidade, escapou-lhe a excelente Nota do Ferreira de Almeida, no 4R, dia 13 de Junho, intitulada Faz sentido?
De facto não faz nenhum sentido esquecer essa Nota. Até porque, com ela, os visitantes do Bloguítica, para além de bacharéis passariam a ter, desde logo, os créditos suficientes para um brilhante mestrado!...
Mas nada que uma visita ao 4R não resolva!...

Regionalização ou Descentralização

Há sinais de que estes temas estão a voltar ao cimo da agenda política.
O PS parece não desistir do velho projecto da Regionalização, apoiado por alguns notáveis, especialmente da região Norte.
O PSD aparece a defender um projecto aparentemente diferente, da descentralização/desconcentração, visando atribuir novas competências aos Municípios em matérias como a educação e a saúde.
Em ambos os casos está subjacente a ideia de que aproximando a Administração Pública dos cidadãos se obtêm melhores resultados, no pressuposto de que com essa proximidade se ganha eficiência na gestão dos recursos públicos.
Melhor conhecimento das realidades implicaria melhor resposta às necessidades colectivas e, em consequência, conseguir idêntico grau de satisfação de necessidades colectivas aplicando menos recursos.
Ou, em alternativa, com os mesmos recursos conseguir maior grau de satisfação das necessidades colectivas.
Tudo isto é hoje muito duvidoso, para além de muito vago.
Parece evidente – quase uma verdade de La Palisse – que a maior proximidade das administrações locais ou regionais dos problemas dos cidadãos lhes confere, em princípio, a possibilidade de obter um melhor conhecimento das necessidades colectivas na respectiva área de competência ou jurisdição.
Mas já será discutível que daí se possa concluir que essas mesmas administrações farão um melhor uso dos recursos públicos na satisfação das necessidades colectivas.
Julgo mesmo que isso só se verificaria forçosamente numa hipótese: da existência de recursos ilimitados para a satisfação das necessidades colectivas.
A situação que temos hoje é todavia muito diferente. Temos recursos escassíssimos para satisfação de imensas necessidades.
Não estou nada certo que, em tais circunstâncias, os responsáveis municipais/regionais se encontrem na melhor posição para assegurar uma hierarquização correcta das prioridades na satisfação das necessidades colectivas.
Creio mesmo que existe uma tendência, algo perversa, para que o investimento na melhoria da satisfação de algumas necessidades básicas – redes de saneamento, sistemas de tratamento de resíduos sólidos, sistemas de abastecimento de água, por exemplo – seja preterido por despesas em obras mais vistosas, que geram uma satisfação mais rápida e fácil nos eleitores locais.
Não quero ser injusto e dizer que é sempre assim. Creio todavia que a experiência dos últimos anos é bem pouco animadora quanto a esta realidade.
Não é minha intenção aprofundar a discussão das vantagens ou desvantagens da regionalização ou da descentralização/desconcentração.
O meu ponto hoje prende-se mais com a constatação de que, tanto a regionalização como a descentralização estarão congeladas por muitos anos por causa da dramática situação das nossas finanças públicas.
Se quiserem, dito doutro modo, a serem levados mesmo a sério, esses projectos teriam como consequência (entre outras) a definitiva impossibilidade de resolução do problema das finanças públicas em Portugal.
É esta, sinceramente, a minha opinião. Pode ser que não tenha razão, mas a ver vamos…

“Mais uns anitos de vida”…


Podemos considerar como extraordinária a posição dos industriais ligados à produção de bebidas alcoólicas que, recentemente, despertaram para a necessidade de promoverem iniciativas, das mais diversas, conducentes a uma ingestão moderada por parte do cidadão, de forma a limitar ou impedir consequências nefastas.

É estranho, no mínimo, este despertar serôdio para uma problemática que, quer queiram quer não, não deixaram de promover e consequentemente retirar os respectivos (e substanciais) lucros, sem se importarem com os efeitos físicos, psíquicos, sociais e familiares resultantes do consumo excessivo de bebidas alcoólicas.

Esta viragem não é mais do que uma antecipação ao impacto das futuras medidas legislativas comunitárias, as quais terão repercussões na diminuição do consumo. No fundo tentam acautelar o futuro!

Os movimentos destinados a salientarem os efeitos benéficos das bebidas alcoólicas tem-se multiplicado a um ritmo tal que não deverá haver alguém que não “saiba” qualquer coisita sobre esta matéria. O efeito positivo da cerveja na osteoporose, e do “tinto” nas doenças cardiovasculares são alguns exemplos que têm tido honras de primeira página e dos noticiários televisivos.

É raro o dia em que não surgem novas “descobertas”. As mais recentes prendem-se com uma substância chamada resveratrol, a qual reduz de uma forma intensa as complicações pulmonares resultantes do efeito do tabaco, além de ser capaz de prolongar a vida, pelo menos em animais de experiência. Como esta substância se encontra no vinho tinto, não tarda que os lóbis do álcool comecem a propagar mais umas “virtudes”, e quem sabe se não conseguirão mesmo, à semelhança dos novos anúncios de morte e de doença dos maços de cigarros, obter autorização com vários dizeres tais como: “o vinho tinto protege das doenças cardiovasculares”. Neste caso, o dilema de um fumador, cujo maço de cigarros indique: “ o tabaco provoca doenças cardiovasculares” ou o “tabaco provoca doenças pulmonares” fica resolvido com a ingestão da garrafita de tinto. Ai provoca! – Então, vamos lá fazer a profilaxia! Fico protegido das doenças cardiovasculares e evito mais umas complicaçõezitas pulmonares. E como tem o resveratrol, até tenho como bónus mais uns anitos de vida. Pois é! O pior são as complicações hepáticas resultantes do consumo excessivo de álcool. Mas neste último caso, beber uma boas chávenas de café protege o fígado de lesões relacionadas com o consumo de álcool. Neste caso, os produtores e revendedores de café também poderiam colocar rótulos do género: “O café protege-o contra a cirrose hepática”.

Ora aqui está uma interessante associação: se o tabaco provoca doenças cardiovasculares, o melhor é beber uns copitos de vinho para “neutralizar” esse efeito. Mas como o álcool pode provocar cirrose hepática, que tal uns cafezitos para travar esta complicação? …

Vão marchar para outro lado!...

Uma série de projectos PIN, isto é, projectos com potencial interesse nacional, têm vindo a abortar com enorme estrondo. Ora se a designação é rigorosa, e o aborto se dá, tem que se entender que os Serviços que intervêm na análise se estão “borrifando” para o interesse nacional, visando apenas interesses específicos e particulares. Como tal, os seus responsáveis deviam ser chamados à responsabilidade e demitidos. Como isso não acontece, posso supor que o qualificativo de PIN não é visto pelo próprio Governo como algo mais do que um adorno de marketing do Ministério da Economia. Seja uma situação ou outra, a coisa parece-me grave, pois demonstra a completa descoordenação dos diversos departamentos governamentais.
Nada a que o Ferreira de Almeida já não tenha aludido em diversos “posts” e comentários no 4R, chamando a atenção para a visão dispersa dos projectos e para a consequente necessidade da sua análise integrada. E aqui há uns oito dias, escreveu um esclarecedor “ post”, intitulado “Os PIN ou a responsabilidade de governar”, onde comentava o facto de o Presidente da API – Agência Portuguesa para o Investimento, ter feito uma proposta para que os PIN passassem a ser aprovados em Conselho de Ministros.
A razão estará no facto de a declaração de um projecto como PIN pouco efeito ter nos diversos Serviços que sobre ele se têm que pronunciar, quer em cumprimento de prazos, quer na integração das suas diversas valências, daí resultando a sua muito fraca taxa de concretização.
De facto, se não for visível um empenho forte do Governo na sua aprovação, cada Serviço tende a exercer a sua esfera própria de poder e lá fica o projecto “empatado” nos diversos coletes de força da burocracia.
Ainda a propósito da refinaria de Sines, mais um PIN abortado, o Diário de Notícias de ontem apresenta um exemplo acabado desta forma burocrática e descoordenada de exercer o poder.
Numa entrevista ao Secretário de Estado do Ambiente, Humberto Rosa, pergunta o jornalista: "Como explica então que o Estado tenha assinado um memorandum como aquele?"
Resposta do Secretário de Estado: “O Ministério do Ambiente não assinou esse memorandum. Foi a API que assinou”.
Lapidar!
E já que estamos em tempo de marchas populares, por que não pô-los a marchar para outro lado?

Um Mundo desequilibrado...

Há matérias em que o Mundo aprendeu pouco com a História, nem quedas de Impérios alguma vez e para alguns serviram de lição!
Bem, vou deixar os comentários...serôdios...e passo ao facto: será que viram a fantástica notícia que nos dá conta que alguns Airbus A380 estão a ser transformados em mansões aéreas para multimilionários?
A Airbus fez parceria com a Lufthansa Technik, que é especialista na decoração interior de cabines, por forma a que o dito A380 venha a ter ( para além de suites, sauna nas casas de banho, escritório, salas de estar VIP's, salas de conferências e de refeições---tudo equipado com ecrãs de plasma gigantes...) venha a ter, dizia, ginásio, casino e campo de golf!!!
Extraordinário!
Parece que o avião dá para isto e muito mais, é o maior avião de passageiros d o Mundo com a altura de um prédio de 3 andares e o comprimento equivalente a 2/3 de um campo de futebol...
É "baratíssimo"! 300 milhões de euros!!!
Diz a notícia que a lista de interessados está cheia de" gente de gostos requintados".
Será?
Será que os barões do petróleo, os chefes de Estado de países do Médio Oriente,o sultão do Brunei, o príncipe saudita Alwaleed Al Saud são gente de gosto requintado?
Ou são gente de gosto confinado, Cultura deficiente, espírito deslumbrado, amoralidade humana, isolamento "aéreo" ( bem confirmado neste caso)..., etc, etc,
É que os séculos vão passando...e já não se compreende tanto, assim, um Mundo tão desequilibrado!

Estatinas e gripe


Em Setembro de 2005, num artigo publicado na Science, discutia-se o papel das estatinas como forma de prevenir as complicações decorrentes da gripe. De facto, entre 1996 e 2003, os doentes com gripe aos quais tinham sido prescritos estatinas nos 12 meses anteriores apresentavam um risco 26% mais baixo de virem a sofrer pneumonias ou outras doenças respiratórias graves. Esta classe de medicamentos protege as pessoas de graves complicações.

Agora, um estudo muito interessante revela que as estatinas, medicamentos para reduzir o colesterol e que têm efeitos imunomoduladores e anti-inflamatórios, além da protecção cardiovascular, desempenham, também, outras funções, tais como redução das complicações tipo infecção pulmonar e sanguínea. Deste modo, o seu uso durante a infecção virusal poderá ser acompanhada de benefícios muito grandes. O facto de serem facilmente disponibilizadas e baratas, graças aos genéricos, e de uma percentagem significativa de doentes serem habituais consumidores deste grupo de medicamentos, por motivos cardiovasculares, abre novas e interessantes perspectivas para a prevenção e tratamento em caso de epidemia. As vantagens decorrentes da facilidade na sua obtenção a que se associa o baixo preço são factores tranquilizantes e quem sabe se não porá em causa a tentativa de açambarcamento do famoso Tamiflu.

Não me admiraria nada que os produtores dos antivirais venham a fazer uma grande operação de marketing para que as autoridades procedam à sua aquisição, quanto antes!

Também seria interessante ver o que irá acontecer nos próximos tempos, face a estas descobertas. Às tantas, muitas pessoas começarão a tomar estatinas (não há perigo de ruptura de stocks) com medo de virem a ser contaminados pelo vírus da gripe. Para já, caso se verifique este comportamento, ainda poderemos observar uma redução muito significativa das doenças cardiovasculares, mesmo que não ocorra a tal pandemia…

Só espero que não seja aproveitada como uma forma de “manipulação” para vender mais estatinas…

terça-feira, 13 de junho de 2006

Faz sentido?

A pergunta será impertinente para muitos porque toca num daqueles assuntos em que não se deve tocar porque constituem consenso nacional. Sacrossanto. Que não pode ser posto em causa. Nem em sussurro...
O apoio de Portugal a Timor em crise é um desses.
Como a minha opinião nada muda - e mesmo que mudasse... - confesso que cada vez que um dos responsáveis governamentais se pronuncia pela presença militar portuguesa em Timor, a pergunta herege apoquenta-me. Faz sentido?
O nosso Ministro de Estado e da Administração Interna acha que sim. Acha mais: se a comunidade internacional pedir (suspeito que não tem sequer que pedir muito...) reforçamos o nosso contingente da GNR. Faz sentido? Tenho profundas dúvidas.
Se é o orgulho que nos obriga a estar porque a Austrália está, creio que a razão é um disparate. A Austrália é a potência regional por aquelas paragens. Tem por isso especiais responsabilidades na manutenção da paz na região, sendo natural que lhe caiba o mandato internacional de coordenação de forças constituídas para o efeito .
Se é por os nossos governantes sentirem uma particular responsabilidade histórica em relação a Timor, uma espécie de insuportável peso na consciência nacional, penso então que o disparate é um tanto maior.
Portugal redimiu-se de uma descolonização desastrosa quando desempenhou um papel corajoso e irrepreensível contra a ocupação Indonésia. Durante um largo período lutámos sozinhos contra tudo e contra todos. Lográmos inverter a opinião pública internacional que anos a fio nos foi desfavorável, ou então nos ignorava olimpicamente. Conseguimos cativar a Europa e os EUA. A maioria do membros do Conselho de Segurança. Fomos determinantes na independência de Timor. Estaremos mesmo assim e para sempre condenados a expiar o pecado da descolonização falhada à custa de um enorme e permamente esforço, mesmo que os timorenses não se esforcem por encontrar o rumo (como é pressuposto da auto-determinação que tantas vidas custou)?
Mas pergunto-me se faz sentido tendo em conta também a conjuntura dificil que o País actualmente vive. Observo o pudor que leva a classe política a não questionar quanto custa ao País mais este acto de solidariedade com Timor Lorosae, agora que passou o tempo da solidariedade emocional. Não, não se deve falar destas coisas materiais quando está em causa uma coisa tão espiritualmente nobre como o futuro de um jovem, pequeno e pobre País que esteve (está?) à beira de uma guerra civil (não porque o povo continua pobre apesar das ajudas, mas porque se degladiam as elites), diz-se em surdina.
Mas faz sentido? Faz sentido que não se questione a intervenção portuguesa também deste ponto de vista? Sobretudo se pensarmos que se pedem sacrifícios enormes aos portugueses porque corremos o risco do empobrecimento acelerado? Quando não há condições para a poupança por mais esforçado que o trabalho seja? Numa situação em que cada vez há mais gente no desemprego ou sofrendo a dor da incerteza sobre se terá ainda emprego, amanhã, daqui a uns meses? Quando os que hoje se vêem privados de uma parte do rendimento para a contrapartida de uma pensão de reforma que ninguém responsavelmente garante que venha a ter no futuro?
Faz sentido que este esforço de muitos milhões, se peça a um Estado na situação financeira delicada como é a nossa?
Podem julgar-me demagogo. Mas tenham santa paciência, em consciência e procurando ser justo, julgo não fazer qualquer sentido.
Sei que turvo o santo consenso que se estabeleceu sobre este assunto. Mas em consciência não vejo razões para que a solução não passe pelo contributo de outros, mais próximos, mais preparados e seguramente noutras condições internas para colaborar numa solução de paz.
O quê?! O petróleo? Ah! Essa é outra conversa. Ou então, se é a mesma, a razão do nosso empenho não é um disparate. É do mais rematado absurdo!

As más notícias-II: o aumento da falência social


A Associação Portuguesa de Apoio à Vítima recebeu no ano passado 347 queixas de idosos vítimas de violência física e psíquica praticada pela família, número que nos últimos cinco anos atingiu 2.484 crimes.

Estes são os números conhecidos. E qual a real dimensão desta falência social que a vergonha tanta vez leva a esconder?

As más notícias: a diminuição das falências

Segundo noticiou o Diário de Notícias de ontem, o número de falências de empresas diminuiu pela primeira vez em quatro anos. Em 2005, faliram 1747 empresas, o que significou uma queda de 33% em relação às 2605 falências observadas em 2004.
Quando se anuncia um menor número de falências, muitas pessoas concluem que a economia está a melhorar e os Governos normalmente retiram do facto ilações favoráveis à governação. No entanto, quer uma, quer outra são conclusões falsas.
Desde logo, porque um processo de falência demora, em média, cerca de dois anos. Deste modo, os casos concretizados em 2005 reportam a empresas que se apresentaram à falência em anos anteriores. Se se pretendesse concluir por uma evolução favorável da economia, então a conclusão seria que a melhoria não era em 2005, mas sim em anos anteriores, provavelmente quando outros governos estavam à frente do país. Mas este é o aspecto menos importante. Porque o aspecto verdadeiramente importante tem sobretudo a ver com um número de falências profundamente desajustado à nossa estrutura empresarial.
Um proteccionismo ainda não erradicado tem vindo a perpetuar um conjunto significativo de empresas que, ao longo dos anos, acumulam prejuízos, não pagam impostos, não cumprem com Clientes e Fornecedores, distorcem a concorrência, e ocupam, abusivamente, o lugar de outras, mais aptas e viáveis.
As falências apresentam números irrisórios: de 2002 a 2005 foram declaradas apenas 6.970 falências, sendo que, nos últimos 10 anos, a média de falências andou à volta de 900 por ano, em termos relativos valor não comparável, por tão baixo, com o que acontece nos outros países.
Para que tivéssemos uma estrutura empresarial adequada seria necessário que o número de falências subisse. Portugal deve ser dos poucos países em que as empresas nascem, crescem, vivem, uma grande parte vegeta, mas não morrem.
Assim, nas circunstâncias actuais, uma notícia sobre a diminuição do número de falências não é uma boa notícia: é que, ao contrário dos países mais desenvolvidos, em Portugal ainda não se compreendeu que um processo de falências correcto e tempestivo é o meio mais adequado para punir quem merece ser punido e para preservar o bem social de uma empresa, isto é, o universo dos clientes, fornecedores, instalações, equipamentos e trabalhadores, universo esse que poderá continuar a produzir, só que, agora, com novo dono e nova gestão.
A diminuição do número de falências não é, pois, uma boa notícia, significando apenas que continuam a funcionar empresas que não criam valor, limitando-se tão só a parasitar a riqueza produzida por outras.

“Prevenção Senhor, prevenção!”…

Acabei de adquirir uma tradução em português de uma obra de H. Fournier, efectuada por Narciso Alberto de Sousa: “ O onanismo – suas causas, perigos e inconveniente para o indivíduo, família e sociedade: - remédios” (Coimbra, 1879). É notável o conteúdo desta obra, no que respeita à quantidade de asneiras, pseudo-interpretações, princípios moralistas, numa época em que devia haver um certo grau de liberdade intelectual e de respeito pela ciência. Um bom exemplo de anti-ciência que me fez recordar um pequeno texto que escrevi há algum tempo sobre tão ancestral prática.

Nesse tempo Judá desceu de entre seus irmãos e entrou na casa dum adulamita, que se chamava Hira, e viu Judá ali a filha de um cananeu, que se chamava Suá; tomou-a por mulher, e esteve com ela. Ela concebeu e teve um filho, e o pai chamou-lhe Er. Tornou ela a conceber e teve um filho, a quem ela chamou Onã. Teve ainda mais um filho, e chamou-lhe Selá. Estava Judá em Quezibe, quando ela o teve. Depois Judá tomou para Er, o seu primogénito, uma mulher, por nome Tamar. Ora, Er, o primogénito de Judá, era mau aos olhos do Senhor, pelo que o Senhor o matou. Então disse Judá a Onã: Toma a mulher de teu irmão, e cumprindo-lhe o dever de cunhado, suscita descendência a teu irmão. Onã, porém, sabia que tal descendência não havia de ser para ele; de modo que, toda vez que se unia à mulher de seu irmão derramava o sémen no chão para não dar descendência a seu irmão. E o que ele fazia era mau aos olhos do Senhor, pelo que o matou também a ele (Génesis 38:1 – 38:10).

É muito provável que esta história tenha condicionado muitas das atitudes e interpretações populares e médicas acerca do onanismo.
Até ao final do século XVIII pensava-se que o esperma era fabricado pelo cérebro, descendendo para se acumular nos testículos.
O esperma era considerado como um “licor” muito precioso, pelo que era necessário não desperdiçá-lo e, consequentemente, deveria ser reservado para a procriação. Além disso, era “bombeado” para a circulação geral redistribuindo a sua riqueza e qualidades por todo o corpo. Face a estes argumentos não é de admirar o aparecimento de diferentes técnicas destinadas a impedir que se vertesse tamanha preciosidade. Infusões, dietas, colchões especiais, corpetes tipo armadura, cinturões dos mais diversos tipos e até aparelhos destinados a acomodarem os pénis com tamanhos diferentes (havia já respeito pelos aspectos ergonómicos), feitos de latão, os mais baratos, até aos de prata! O assunto era de tal modo relevante que suscitava a elaboração de trabalhos “científicos” destinados a provar o perigo para a saúde de tal prática (caso do famoso Tissot com as suas obras: “O onanismo”, dissertação sobre as doenças produzidas pela masturbação ou “Aparelhos cirúrgicos de Misericórdia contra o onanismo”, entre outras).
Em meados do século XX estes conceitos ainda estavam bem presentes. Basta ver a obra de Eugene Steinach que propunha a vasectomia, precisamente para evitar que se perdesse o esperma e desta forma contribuir para o rejuvenescimento. Foram muitos os que se sujeitaram a esta “poupança” seminal, mas não enriqueceram em termos de juventude. Este conceito não é apanágio do mundo ocidental. Quem diria que já vigorava na antiga China, e, segundo os médicos chineses, o melhor era fazer amor sem ejacular! Paciência de chinês!
Hoje, sabe-se que não há qualquer prejuízo, pelo contrário, até pode ser benéfico. De facto, um trabalho recente, realizado na Austrália, sugere que, quanto mais vezes um homem ejacula — sobretudo entre os 20 e os 50 anos — menor é o risco de contrair cancro da próstata. Discute-se quais as razões para este efeito “protector”. Provavelmente, a ejaculação impede as substâncias cancerígenas de agredir a próstata, além de sofrerem uma forte concentração naquele órgão. A hipótese de estagnação prostática carece de confirmação, como é óbvio.
Se Onã tivesse tido conhecimento deste trabalho poderia ter respondido ao Senhor quando lhe perguntou: — Onã, Onã, o que estás a fazer?!
— Prevenção Senhor, prevenção!
Não tinha provavelmente sido morto e as “coisas” teriam sido muito diferentes….

segunda-feira, 12 de junho de 2006

Então...


... um bom Santo António

Vieira da Silva e Santana Lopes, a mesma luta!...

É bem verdade que os “bons espíritos” acabam sempre por se encontrar!...
Todas as vezes que o PSD esteve no Governo e Santana Lopes se via mais longe de ser líder, vinha sempre propor haver pessoas diferentes na liderança do Partido e na chefia do Governo.
Os argumentos eram sempre pertinentes, tão pertinentes como aqueles que justificaram, em fase posterior, que Santana Lopes tivesse também o seu tempo de glória como líder do Partido e 1º Ministro, ainda por cima, e por vicissitudes várias, sem eleições para qualquer dos cargos!...
Agora é Vieira da Silva, outrora o braço direito do chefe da ala esquerda e Secretário-Geral do PS, Ferro Rodrigues e agora Ministro deste Governo, que vem pregar a mesma doutrina, em entrevista ao Jornal de Notícias.
A uma pergunta do entrevistador sobre se “funciona ter um líder que é primeiro-ministro e ao mesmo tempo responsável pela dinâmica do Partido”, Vieira da Silva respondeu, de forma algo engrolada, diga-se:
“…Como partido do Governo, para não fugir à sua questão, a acumulação da liderança governativa com a liderança partidária sempre existe, mas na dimensão operativa espero que, no decurso da preparação do congresso que está aí à porta, seja possível encontrar uma solução institucional, uma solução operativa que reforce a ligação entre o Governo e o partido sem que isso passe necessariamente por uma acumulação das funções…”
Ora Vieira da Silva, que conhece bem o PS, pois até já foi responsável do Partido para a organização, vem agora defender que o Partido Socialista deve “procurar outra solução para a liderança”. Estranho? Talvez não, a não ser que, e após Manuel Alegre, se continuem a marcar espaços próprios no PS, à revelia de Sócrates que, para muitos socialistas, governará demasiado às direitas…Não sou socialista, mas na actual situação do país, estas “guerrilhas” só distraem da governação e não me agradam mesmo nada.
Enfim, Vieira da Silva e Santana Lopes, a mesma luta!...