Número total de visualizações de páginas

quarta-feira, 10 de janeiro de 2007

Golpe cultural!...


Ontem ouvi várias notícias sobre o enorme incremento, em 2006, das visitas aos museus portugueses, que tiveram crescimentos da ordem dos 70% a 90% nos principais espaços.
Fiquei alarmado com o estado da nossa cultura!...
Ao que tenho ouvido, verdadeira cultura era a que acontecia no Rivoli do Porto, com 17 visitas diárias, no máximo, claro!... Ou com a que transparece da generalidade dos filmes portugueses, a que só conseguem aceder 400 cidadãos muito preparados e cultos, no máximo também, claro!...
Pelo que essa de os museus atraírem cada vez mais gente e não ficarem confinados aos funcionários e especialistas me começa a parecer como algo de estranho e alarmante.
E que deve ser firmemente denunciado, por traduzir um verdadeiro golpe cultural!...

"Vão e regressam"...

Certas situações são muito incómodas e, não obstante a frequência com que ocorrem, não vejo modos de uma pessoa se adaptar.
Há alguns anos um vizinho adoeceu gravemente. Tratei de o encaminhar para o serviço mais adequado de forma a começar a terapêutica. Fiquei surpreendido com o facto de não a ter iniciado. Durante anos o senhor manteve aquele ar doentio e, apesar de saber que andava em consultas no hospital, dizia que afinal não precisava do tal tratamento. Até que, um dia, entrou num estado tal que o obrigou a começar o que devia ter iniciado há muitos anos. Acabei por saber que recusava sistematicamente o tratamento e que, concomitantemente, se deslocava longe do seu local para fazer tratamentos "naturais".
Não querendo por em causa as opções de cada um, mesmo falando de situações graves, não posso deixar de lamentar os serviços prestados pelas ditas "medicinas" alternativas. Muitos adeptos são capazes de testemunhar os efeitos benéficos e milagrosos destas práticas, apesar da ausência de evidências científicas. Também sabemos que o medicamento mais poderoso, em termos humanos (a homeopatia veterinária não funciona, apesar de alguns esforços em provar o contrário), é o placebo. Mesmo na medicina, dita convencional, o efeito placebo está sempre presente e de que maneira! Quantas vezes utilizamos produtos cuja eficácia é duvidosa ou, não o sendo, em doses muito aquém do recomendado, com aquela finalidade? Incontáveis! No entanto, as "alternativas" encerram uma atitude bastante curiosa. Passo a explicar: se houver sucesso, os louros são da medicina alternativa, e os seus cultores cantam hossanas a quem os livrou de tamanhos males que a medicina não conseguiu tratar. Em contrapartida, caso de insucesso, a culpa não é do tratamento. Qual quê! É do doente, por este ou aquele motivo. Ou seja, deixam sempre no ar que, no caso de malogro, o doente poderia ter feito mais e melhor. Simplesmente notável! Se analisarmos os casos de negligência ou pedidos de responsabilidade aos autores de tamanhos disparates o que é que acontece? Nada! Ninguém é acusado.
Claro que no meio de tudo isto aparecem, também, alguns curiosos cujo enquadramento é muito difícil de fazer, em termos de “prática clínica”! Os chamados “médicos populares” conseguem lembrar-se de coisas que nem o diabo é capaz e que lhes pode sair caro. Que me lembre só um tolo de uma ilha açoriana, que fazia terapêuticas com pesticidas para o tratamento do cancro, é que foi condenado. E logo pesticidas que são substâncias que actuam mesmo! Se tivesse feito diluições homeopáticas não teria tido, provavelmente, problemas. Mas não, pensou que quanto mais concentrado melhor. Se mata a bicheza também mata o “bicho”! Mais valia ter utilizado urina de rapariga virgem (mesmo que não fosse)!
Na medicina convencional, os casos de sucesso são, para grande parte dos doentes, devidos às terapêuticas, e a Deus (não esquecer este pequeno grande pormenor), ao passo que, para alguns, e são cada vez mais, o insucesso é devido à falha e "negligência" dos profissionais de saúde ou ao não desenvolvimento da medicina. - Então, senhor doutor, a medicina ainda não descobriu a cura para esta doença? Afinal não está tão desenvolvida como isso! É uma pergunta-comentário que frequentemente ouvimos como que a desdenhar das limitações médicas, apesar do tremendo desenvolvimento que protagonizou no último século.
Eles vão e, muitos, regressam em condições lamentáveis, mas regressam, sendo recebidos sem qualquer recriminação, embora tarde, muito tarde mesmo, morrendo nas nossas mãos, porque têm de morrer às mãos de alguém...

O exemplo da Liga das Nações

Foi há precisamente 87 anos, a 10 de Janeiro de 1920, que no rescaldo do primeiro conflito mundial se instituiu oficialmente a Liga das Nações, ou, como também ficou conhecida, a Sociedade das Nações.
Nasceu com o Tratado de Paz de Versalhes, com o propósito de evitar uma nova guerra à escala planetária. E morreu, de modo inglório, exactamente porque foi incapaz de se opor às movimentações bélicas do Eixo, ao rearmamento da Alemanha, após a invasão da Manchuria pelo Japão e da Abissínia pela Itália.

Evoca-se o exemplo da Liga das Nações no momento em que um novo secretário-geral das NU inicia funções, numa situação internacional extremamente complexa, de uma paz e segurança internacionais particularmente frágeis.
O novo secretário-geral e o novo secretariado da ONU, bem como o Conselho de Segurança, têm pela frente a missão de afirmar a Organização, reformando-a e redefinindo-lhe o papel face aos novos desafios, designadamente no que à resolução pacífica dos conflitos e à prevenção da guerra diz respeito.
Redefinir o papel das Nações Unidas passa também por transformá-la no principal agente para a solução dos problemas mundiais, reocupando um lugar que, terminada a guerra fria, tem sido claramente preenchido por uma só potência.
Tarefa gigantesca e que tem de ser levada a cabo com enorme realismo, uma vez que o princípio da igualdade entre soberanias é uma bonita proclamação doutrinária, mas não tem qualquer relação com a realidade do mundo actual.
Também aqui servem as lições da História. Porque, apesar da ideia da criação da Liga das Nações ter partido do presidente norte-americano Wilson, como é sabido os EUA nunca integraram o organização, impedidos pelo Senado. No não envolvimento dos EUA na Liga das Nações residiu afinal o princípio do fim do projecto. A correlação de forças - afinal o factor que conta - obriga a que se crie um movimento de pressão internacional, dinamizado pelo secretário-geral, no sentido de persuadir a Administração norte-americana a confiar na Organização o essencial das missões de garantia da segurança internacional e de restabelecimento da paz, pondo termo a este período em que o unilateralismo tem tido o terrivel preço das dezenas, senão centenas de milhares de vidas perdidas nos conflitos das últimas décadas.

Ingenuidade? Talvez, mas porventura a única solução que permite assegurar a sobrevivência da ONU e a crença na bondade dos seus objectivos.


Memórias de uma viagem presidencial II

A propósito da viagem presidencial à Índia, relembrei ontem os “preparativos” de uma viagem de Soares a Itália, em que participei em nome da empresa a que pertencia.
A esta distância, e para além da peripécia do dinheiro de bolso ontem evocado, lembro-me de três factos relevantes: o discurso de Soares no jantar de gala da Confederação da Indústria Italiana (Cofindustria), a sessão de trabalho com esta Associação em Bolonha, a doença de Soares nesta cidade e o doutoramento de Soares, também em Bolonha.
Estava realmente curioso em ouvir o discurso de um Presidente socialista na casa maior do capitalismo industrial italiano. Foi um discurso notável, adequado ao acontecimento, com uma componente de marketing q.b., que subscreveria por inteiro. Só que de socialista nada tinha. Soares no seu melhor estilo…capitalista no caso!...
A sessão de trabalho dos empresários portugueses com a Cofindustria em Bolonha teve algum interesse, pelo que foi diagnosticado dos problemas de investimento em Portugal, mas foi para esquecer, ou então, para relembrar, pelas peripécias que rodearam o seu início.
Os empresários portugueses estavam representados pela CIP, pela Associação Industrial Portuguesa, pela Associação lndustrial Portuense, para além da CAP e da CCP. Havia lugar na mesa para um representante da Cofindustria e para um representante da indústria portuguesa. Aos italianos não passou pela cabeça que a nossa florescente indústria tivesse três representantes qualificados. A organização portuguesa também não achou o facto relevante. Pelo que se deu a inevitável discussão sobre qual delas, a CIP, a AIP ou a AIP(portuense) devia estar na mesa, já que todas se arrogavam de serem as mais representativas. A sessão começou com largo atraso, depois de se ter colocado mais uma cadeira na mesa, ficando no entanto ainda uma das associações empresariais de fora. Claro que o facto foi glosado durante a sessão, quer por italianos, quer por portugueses. Passados 16 anos, as coisas continuam na mesma, sem uma voz verdadeiramente representativa do patronato industrial português. O que pode explicar muitas das debilidades da nossa indústria. Pois se os industriais nem têm tido nem engenho nem arte para se conseguir entender entre eles, como poderão entender as exigências de uma integração em espaços económicos mais vastos, como a UE, ou a complexidade de uma economia cada vez mais globalizada?

terça-feira, 9 de janeiro de 2007

O que é a vida!

Num destes sábados passados, fui calmamente às Avenidas Novas tratar de fazer umas compras e resolver uns assuntos de natureza mais doméstica. Levava um saco de plástico com dois pares de sapatos. Apercebi-me de um sapateiro e entrei.
Um homem de setenta anos, robusto, de ar bondoso, pediu-me, educada mas não servilmente, que escrevesse o meu nome nas solas – um método de identificação eficaz, como é sabido – estendendo-me uma esferográfica com o bico voltado para si.
Nesse momento, disse: “Que pena que tenho de não saber ler.” Primeiro, silenciei-me de pasmo; depois, avisou-me a prudência que lhe retorquisse:
- Qual é o nome do Senhor?
- […].
- É o segundo nome do meu Pai, tem graça. De onde é o Senhor […]?
- De ao pé de Vila Franca de Xira.
- Não é muito longe de Lisboa.
- Não, não é longe de Lisboa.
- Porque é que o Senhor […] não aprendeu a ler?
- Éramos dez irmãos e comecei a trabalhar muito cedo. Ajudava a sustentá-los.
- Porque é que não aprendeu depois?
- Depois já era adulto, trabalhava, ganhava e já não me deu para aí. Estas coisas são mesmo assim. Hoje, tenho pena de não saber ler.
Olhei para as mãos daquele homem. Uma vida de trabalho. Numa pequeníssima oficina. O pouco que pude observar da sua técnica pareceu-me primoroso, sério, feito com esmero e gosto. Vi sapatos já reparados, acertados e engraxados. Pareciam novos. Acrescentei-lhe que já havia poucas pessoas com a sua arte, gente que estava a desaparecer e não tinha sido substituída. Profissões como esta eram nobres, e muito tinham contribuído para a sociedade. Pareceu-me saber tudo isto muito bem.
A quantia que, depois, lhe entreguei pelo arranjo dos sapatos, tanto mais impecável quanto imaginara que não tinham grande concerto, foi a de quem nunca pode enriquecer.
Fiquei comovida. “Meu Deus, como é possível? Que horrível injustiça”, pensei durante dias e penso. A quantas pessoas de bem e úteis à sociedade o Estado teve a infelicidade de não poder chegar!...
O que é a vida!

Ufff!


Prestes a partir, e em rescaldo da operação “fazer malas”, tenho que concluir duas coisas. A primeira, é que tenho coisas demais, senão não teria tido tanta dificuldade na selecção (calma, homens do 4r, ainda não acabei!...). A segunda é que me faltam imensas coisas que eu nunca tinha reparado que não existiam no meu armário e que, de repente, se tornam imprescindíveis. Descobri um largo manancial de compras futuras pelo simples facto de dizer às sempre solidárias amigas, irmãs, tias, sobrinhas e, claro!, filhas, as minhas angústias de eleição. E vinha logo a pergunta: “Então não tens isto? E aquilo? NÃO TENS??” Comecei a sentir-me diminuída, esborrachada mesmo, quando ao ar de misericórdia se iam juntando saquinhos com os ditos objectos, generosamente emprestados para me evitar enxovalhos durante a viagem…E alinham-se ali adornos para todos os gostos, conforme as opiniões se dividiam: cores fortes, lamés, sedas e ouros. Ou, pelo contrário, sóbrio e levezinho, cuidado que não se amachuque, e o ferro? Levas o ferro? - Não é preciso, no hotel tratam…- NO hotel? És doida, se confias no que fazem no hotel…
Enfim, já despachei as malas com o meu espólio, indigente, se der crédito ao que ouvi.
Estou muito entusiasmada com a partida mas quando vier, vingo-me nas lojas, olá se vingo!;)

Memórias de uma viagem presidencial I

Começo,desde já, por referir que se trata de uma cena verdadeira, mas de um "post" politicamente incorrecto!...
O Presidente da República inicia hoje a sua visita à Índia. Acompanhado por seis dezenas de empresários, que têm que pagar a sua deslocação.
Este facto altera radicalmente o que acontecia com anteriores Presidentes, nomeadamente Soares, que sempre se fazia acompanhar de gratuitas e luzidias comitivas.
Em 1990, se bem me recordo, integrei a comitiva da viagem de Mário Soares a Itália, na minha qualidade de Administrador de uma das empresas convidadas. Para a preparação do passeio, os empresários e gestores foram convidados a deslocar-se a Belém, dois ou três dias antes. Na sessão, foi evidenciado o programa e foi entregue a cada qual um envelope, que um dos presentes, mais apressado, logo abriu. Deparou com documentação vária e…pasme-se, com umas dezenas de contos de dinheiro de bolso!...Tendo, de imediato, expressado o seu espanto, logo lhe foi explicado que essa era uma prática inaugurada pela “Presidência”, já que o Presidente convidava um grande número de pessoas e nem todas, nomeadamente jornalistas convidados a título pessoal, e artistas possuíam os meios que os empresários possuíam para uma deslocação condigna!... Deste modo, e para não haver discriminações, o dinheiro de bolso para despesas ocasionais era entregue a todos!...
Passado o episódio, alguém questionou a Presidência sobre alguns “pormenores” da visita. Foi então respondido que a “Presidência” pensava que a integração de empresários nas viagens à Europa não envolvia nem atenção nem contactos especiais, sendo apenas desejável que estivessem presentes na Sessão com a Cofindustria e nas cerimónias protocolares!…Isto, porque os empresários conheciam bem os seus clientes europeus e a Europa estava mesmo aqui ao lado. Para viagens a continentes distantes, então sim, talvez se justificasse algum apuro!...
E assim, lá fui eu e tantos outros, que encheram um grande avião, como mero objecto de adorno da comitiva!...Foi uma visita de estadão, com escritores, escultores, arquitectos, artistas, jornalistas aos molhos, políticos, empresários, gestores, dirigentes associativos, eu sei lá!...
Só faltou mesmo o elefante de embaixadas anteriores ao Papa e a Roma…mas Soares era agnóstico e o elefante já tinha morrido!...
(A continuar)

O "arakiri" do ministro Correia de Campos, para 2007!

É voz corrente o velho ditado "ano novo, vida nova"...pois não é que o Ministro da Saúde profetizou para este 2007 "um ano difícil e controverso"? E mais...
Parece que disse, com seu ar compostinho-blasé que, este ano, retiraria o primeiro lugar de impopularidade à sua colega da Educação!
E aí está a promessa do alargamento do novo modelo digital de controlo da assiduidade os médicos, a todo o País!

Visto assim, "a seco" todos perguntam: e por que não? Acontece a todos!
Então se há lugar a pagamento de horas extraordinárias, não há controlo de horário?

Surgem as mais variadas perguntas, provavelmente com a sua lógica...
Eu sou radicalmente contra esta medida e mais, nem sequer a entendo num contexto ( tambem anunciado pelo ministro, no mesmo "pacote") de entrega da gestão de serviços clínicos aos médicos desses serviços, que se organizem em grupo e se candidatem.
Esta proposta de modelo de gestão intermédia, já contemplada na Lei de Bases da Saúde ( dos anos 90, governo PSD) nunca foi posta em prática, a não ser timidamente num Centro de Responsabilidade Integrada (CRI) nos Hosp. da Univ. de Coimbra, no celebre serviço de cirurgia cardio-toráxica, dirigido pelo Prof. Manuel Antunes.

Como é que se faz uma proposta destas, que é excelente e já era mais que tempo para que qualquer governo a concretizasse...(pena o PSD não o ter feito!) como é que se faz uma proposta destas, com base em contratualização de serviços prestados e correspondente remuneração de acordo com os serviços prestados...e depois se funcionalizam os médicos!!!

Será que o Prof Manuel Antunes anda de relógio electónico pelo serviço?
Será que ele não sabe quem lá vai e a que horas?
Será que ele não tem o trabalho programado?
Será que o imprevisível não é o dia-a-dia da Medicina?

O Ministro bem pode vir dizer ( e isto é popular, as pessoas gostam de ouvir...) que "as obrigações contratuais são para cumprir, quem não quiser cumprir que o diga e vai trabalhar lá para fora"...cá para mim, está no lançamento do seu arakiri, já está na rampa para 2007!!!!

segunda-feira, 8 de janeiro de 2007

Parabéns, Atlético!...


O F.C. Porto deu ontem uma enorme alegria às gentes de Alcântara e sobretudo ao tristonho reino onde convivem águias e leões. A Bola, pela primeira vez de há muitos anos, dá quase toda a primeira página ao F.C.Porto…pela derrota, claro, já que, nas horas de vitória, o jornal é muitíssimo mais comedido.
Também, quase pela primeira vez, concordo com o critério editorial: é que uma derrota do Porto é acontecimento único, que urge salientar e aproveitar até ao limite!...
Amolecido por falta de oposição interna, pretensioso e certo da vitória, o Porto não foi capaz de reagir ao querer e denodo do Atlético.
No futebol, na economia, na política, como em tudo na vida, uma saudável concorrência e uma boa oposição são o melhor estímulo para a vitória.
A sua falta só pode levar à derrota!...Parabéns, Atlético!...

domingo, 7 de janeiro de 2007

Um bilião de árvores

Inspirado no exemplo de Wangari Maathai, a queniana a quem foi atribuído o Nobel da Paz em 2004 que liderou um movimento responsável pelo plantio de milhões de árvores por vários dos países africanos, o Programa para o Ambiente da ONU (PNUA) desafia as instituições políticas centrais e locais, as empresas e em geral a sociedade civil dos Estados a promover a reflorestação, plantando mil milhões de árvores durante o ano que agora se inicia.
Trata-se de um excelente programa, esperando-se que o mundo a ele adira.
Compensar não só os milhares de hectares de floresta que diariamente se perdem, mas também apostar nas cidades verdes, é um projecto que só pode ser acarinhado pela comunidade internacional pelos beneficios colectivos que serão colhidos do seu sucesso.
Espero que Portugal adira. É uma oportunidade de se reporem vastos activos biológicos perdidos nos desvastadores fogos florestais. Mesmo em tempo de dificuldades financeiras, oxalá o governo, as autarquias, a sociedade, saibam fazer as contas. Neste caso as contas não se fazem tendo em vista o curto prazo, mas sim os benefícios que uma floresta sustentável trará no futuro. Benefícios no plano económico de que o País de resto vem tirando vantagem há muitos anos. Mas também no combate à poluição, à erosão e à desertificação. Na protecção da paisagem. Na defesa da diversidade biológica através da recuperação de habitats.
Do governo espera-se que os estímulos financeiros ou fiscais sejam pensados em função da mais valia para o País no desenvolvimento das actividades ligadas à floresta.
Mas esta é também um oportunidade de corrigir os erros das políticas de florestação levadas a cabo no passado, apostando mais nas espécies autóctones, aspecto que igualmente preocupa o PNUA que garante assistência técnica de modo a evitar que este programa favoreça a alteração dos ecossistemas pela introdução de espécies inadequadas.

Filhos precisam-se!

A Alemanha está preocupada com a sua baixa de natalidade, com efeito uma das mais baixas da Europa; cada alemã tem em média 1,4 filhos, valor claramente insuficiente para assegurar a renovação de gerações.
Esta preocupação conduziu o governo alemão a reforçar os incentivos à natalidade, aumentando o período de licença de maternidade/paternidade – para 12/14 meses – e criando um novo apoio monetário, medidas que visam incentivar as mulheres que trabalham a ter filhos.
A iniciativa do governo alemão passou praticamente despercebida entre nós. Não nos diz respeito, pensamos nós.
Sim, é verdade, que não vamos dela beneficiar, mas devíamos, isso sim, parar um pouco para pensar no assunto: a verdade é que Portugal tem a taxa de natalidade mais baixa da Europa.
O Eurostat divulgou recentemente um estudo com as projecções demográficas para a população com mais de 65 anos. Portugal deveria prestar mesmo muita atenção ao que projecta o Eurostat – o que aliás não é novo – porque os países europeus onde a percentagem da população com mais de 65 anos será maior em 2050 são a Espanha (36%), a Itália (35%), a Alemanha, a Grécia e Portugal (32%).
No ano que terminou o Governo aprovou a sua “reforma da segurança social” – matéria à qual dediquei, em Novembro de 2006, por ocasião da sua discussão na Assembleia da República, dois aprofundados textos no 4R, razão pela qual me abstenho agora de a voltar a comentar – sem, no entanto, ter colocado os incentivos à natalidade como um tema central do debate. Recordo que o Governo deixou cair, isso sim, a proposta que apresentou aos Parceiros Sociais de modular a taxa social única em função da natalidade, agravando-a para quem não tivesse filhos.
Políticas de incentivo à natalidade precisam-se! Privilegiando medidas que incentivem os casais a terem mais filhos, apoiando-os e beneficiando-os, diferenciando-os através de políticas activas, daqueles casais que optam por não o fazer ou porque não podem.
O Governo e os Parceiros Sociais acordaram – no âmbito do "Acordo sobre a Reforma da Segurança Social", assinado em Outubro de 2006 – debater ao longo de 2007 a definição de uma política de natalidade.
Espero sinceramente que não haja mais adiamentos, porque o tempo corre a favor do envelhecimento da população!
O País terá muito a ganhar – e não apenas por razões de mera aritmética de segurança social – se for capaz de se rejuvenescer. Uma sociedade com mais crianças e mais jovens será por certo uma sociedade mais equilibrada – de todos os pontos de vista – e necessariamente mais feliz.
Filhos precisam-se!

Mais uma vez!...

Ontem, e mais uma vez, pelo menos uma estação de televisão entendeu voltar a transmitir, pela centésima vez, as imagens “clandestinas” da execução de Sadam. Mais uma vez mudei de canal, pelo que só conheço o início da cena, quando há dias fui apanhado desprevenido. E, mais uma vez, ouvi jornalista e comentadores em grandiloquentes manifestações de crítica à gravação das imagens e de condenação do sujeito que fez. Com o que, aliás, concordo em absoluto.
Mas tenho que registar a hipocrisia, falta de ética e recusa de princípios deontológicos mínimos, para além da falta de gosto, que levam os jornalistas, editores, subdirectores, directores adjuntos e directores de informação a considerar como boas para emissão imagens cuja recolha dizem reprovar.
Atitude indigna esta, que faz regredir ao tempo em que se dava ao povo o “espectáculo” das execuções públicas. Nessa altura, para “exemplo”, e sem preconceitos. Agora, por razão de preconceituosos “critérios jornalísticos” ou, então, por razão de outros não menos reprováveis conceitos, voltados para um “voyeurismo” e comercialismo sem limites. Mas não venham então falar da superioridade moral dos critérios informativos!...

A fazer as malas...


Fazer as malas é sempre uma operação complicadíssima. Ou se leva tudo o que parece que vai fazer falta, caso em que a mala se recusa a sair do chão, ou se leva “o essencial” e sou eu que não quero levantar voo. É incrível como a sensação de segurança está ligada a uma montanha de objectos que no dia a dia nos parecem tão pacíficos mas que, na hora de os largar por uns dias, ganham vida, são caprichosos, aparecem-nos a sair das gavetas e a ameaçar que se não os levamos…
Bem sei que hoje pode parecer absurdo, com a garotada a correr mundo mal lhes nascem os dentes. Mas a primeira vez que fiz uma viagem maior foi pouco tempo depois de casar, íamos estar fora três semanas e foi no princípio de Outubro, tanto podia estar calor como frio, enfim, o cenário mais difícil de gerir em termos de roupa. Preparei então a minha mala esgotando todas as hipóteses de que me lembrei para garantir que nada me faltaria naqueles dias fantásticos. Quando fiquei pronta, o meu marido tentou pegar na mala e ia caindo. Cheio de paciência, desafiou-me: -“Quando conseguires andar 2 metros com esta mala, estamos prontos a partir!” É claro que tive que me separar de metade dos indispensáveis e mesmo assim não consegui passar a barreira dos 2 metros…No fim da viagem tive que reconhecer que não cheguei a tirar da mala nem metade do que tinha levado!
Espero poder contar-vos algumas das coisas que vou ver na Índia, se conseguir fazer a mala…Até breve!

"À morte de Inês"


Columbano
«Toldam-se os ares,
Murcham-se as flores;
Morrei, Amores,
Que Inês morreu.

«Mísero esposo,
Desata o pranto,
Que o teu encanto
Já não é teu.

«Sua alma pura
Nos Céus se encerra;
Triste da Terra,
Porque a perdeu.

«Contra a cruenta
Raiva íerina,
Face divina
Não lhe valeu.

«Tem roto o seio
Tesoiro oculto,
Bárbaro insulto
Se lhe atreveu.

«De dor e espanto
No carro de oiro
O Númen loiro
Desfaleceu.

«Aves sinistras
Aqui piaram
Lobos uivaram,
O chão tremeu.

«Toldam-se os ares,
Murcham-se as flores:
Morrei, Amores,
Que Inês morreu.»

Bocage (À Morte de Inês de Castro)
7 de Janeiro - Morte de Inês

sábado, 6 de janeiro de 2007

Galeria do absurdo

Foi hoje divulgado que alguns organismos que o PRACE extinguiu, continuam a abrir concursos para nomeação de pessoal.
Acham absurdo? Então atentem na explicação. Segundo fonte oficial do Ministério das Finanças as contratações servem para «evitar soluções de descontinuidade».
De facto, ficaria mal ao governo não garantir a continuidade de um organismo extinto!

"Saúde e lampreias"...

As notícias sobre saúde, acidentes, fugas ao fisco, inoperância tributária, violência infantil, falta de recursos e corrupção têm andado num corrupio mais do que estonteante, verdadeiros dramas que roubam a esperança e a alegria de um português dito normal.
No caso da saúde continuam a encerrar serviços, uns atrás dos outros, com a promessa de que os excelentes resultados acabarão, um dia, por provar as capacidades económico-proféticas dos actuais responsáveis.
O mal do país é ser muito pequeno. E como é pequeno não tem recursos para resolver certas situações.
Chegou-se à conclusão que parir em Badajoz é mais barato. Viram? Aqui está. Fica mais barato! Se falharem alguns recursos não há problemas, manda-se a criança queimada para a Corunha ou para Madrid caso necessite de um transplante hepático. Não é que não se fazia entre nós, pelo contrário, e com muita qualidade. O pior são os recursos, porque, como é óbvio, certas situações não podem depender apenas de uma pessoa ou serviço por mais excelentes que sejam, e são! Mas se falharem, qualquer que seja a causa, é um verdadeiro desastre. Por que é que isto acontece? Porque somos pequeninos.
O caso da não assistência atempada aos recentes náufragos – quer estivessem ou não em situação ilegal – revela o quê? Que somos pequeninos e, neste caso, até mesquinhos, a testemunhar pelas declarações públicas de alguns responsáveis.
Ficamos com os cabelos em pé quando ouvimos que o fisco não conseguiu cobrar judicialmente, em 2005, salvo erro, qualquer coisita como 230 milhões de euros! E o que dizer de um ídolo do desporto que mente e foge ao fisco, acabando por não ter que pagar os devidos impostos? Revela que somos pequeninos. E os exemplos ficam por aqui? Claro que não, porque nestas matérias somos, verdadeiramente, "grandes". Mas há decisões que revelam a faceta escondida da grande alma lusitana. Podemos exemplificar com o facto de ter sido aprovado, ou melhor, ter havido consenso entre as bancadas parlamentares para a elaboração de um projecto de recomendação ao Governo relativamente à necessidade de ser construída uma nova, e mais eficiente, escada para os peixes do Mondego poderem ultrapassar a ponte-açude de Coimbra. Confuso? É mesmo assim! Deste modo, talvez se consiga encontrar uma solução depois de, ao longo de 30 anos, se reconhecer que a actual não serve aqueles propósitos. Parece ser um bom sinal para os amantes das lampreias, as quais muito dificilmente conseguem galgar aquele obstáculo, garantindo a satisfação gastronómica de muitos, mormente governantes. De facto, nada nos impede de prever que um dia, os mesmos, poderão festejar as suas decisões, nomeadamente as relativas à região e à cidade. Caso não sejam apreciadores, ou estejam impedidos medicamente de as “atacar”, é difícil a um político não engolir certas preciosidades, mesmo que sejam jurássicas. Mas se não tirarem dividendos ou não possam comemorar o que já nos fizeram engolir, podem, em última análise, solenizar a nova escada de peixe, grande e atapetada à maneira….

O poder dos bons blogs

Estive seis dias fora do país. No regresso, passei os olhos pelo Bloguítica e fiquei a saber tudo o que se passou. Parabéns ao Paulo Gorjão!...

sexta-feira, 5 de janeiro de 2007

"Não digam mal da barriguinha"!

A obesidade constitui um grave problema nas sociedades ocidentais. As razões são relativamente bem conhecidas e as consequências muito pesadas. As próprias crianças começam a ser vítimas desta epidemia. A situação é de tal modo perigosa que se aponta para a possibilidade de, pela primeira vez na história da humanidade, podermos vir a assistir a uma redução da esperança de vida. Mas há que ter certos cuidados na forma como se divulgam certos dados.
O convite a uma certa forma de beleza tem causado o oposto, ou seja a morte por anorexia como tem sido relatado com uma frequência inusitada nos últimos tempos. Mas o objectivo desta crónica não é enveredar por esta área, mas sim chamar a atenção para o facto de que um ligeiro excesso de peso poder ser benéfico para a saúde. Parece uma heresia? Pois parece. Mas já algum tempo um estudo norte-americano apontava para o facto de que um ligeiro excesso de peso se acompanhar de uma aumento da sobrevivência. Recordo-me de uma explicação interessante a este propósito. O tal ligeiro aumento de peso permitiria aguentar, actuando como reserva, os efeitos nefastos de certas doenças. Não sei se tal explicação corresponde à verdade. O que é certo é que um estudo recente, efectuado em Israel, envolvendo milhares de homens, acaba de confirmar aquele achado.
Os homens com peso superior ao normal (ligeiro!) vivem muito mais anos que os normais.
Estes resultados devem ser muito gratificantes para os homens que transportam uma barriguinha. Quem diria! A partir de agora, a auto estima dos "barriguinhas" vai aumentar, e muito, justificando que tal fenómeno é, ao fim e ao cabo, um modo de prevenir certas doenças, permitindo viver mais.
Não sei, ainda, mas vou tentar saber, se o "sindroma de obesidade masculina pós casamento" (será que acabei de inventar uma nova entidade?) tem ou não um efeito promotor da longevidade. Muitos homens, após terem dado o nó, ganham uns quilitos nada desprezíveis. Recordo-me que comigo se passou algo semelhante, ao ponto do meu saudoso professor de neurologia, que eu não via, fazia algum tempo, me ter interpelado dizendo: - Oh S. que é que lhe aconteceu?! Está mais gordo! Acto contínuo respondi sem pensar: - Oh senhor professor, deve ser do casamento! - Ah! Casou-se?!
Aqui está uma boa hipótese de investigação: aumentar de peso após o casório é uma medida saudável, fonte de maior longevidade.
Para terminar, dois aspectos a assinalar: em primeiro lugar a obesidade mata mesmo, em segundo os efeitos positivos de um ligeiro aumento de peso só se manifesta nos homens. Nas mulheres ainda não está comprovado. Paciência, minhas caras!

Quem muito fala...

O senhor Ministro da Saúde surpreende frequentemente pela pouca ponderação de algumas das suas intervenções públicas.
É próprio de quem se anseia por figurar na nobre galeria dos "picaretas falantes". Quem tanto fala, amplia o risco de acertar pouco.
Acordei com a notícia de que o senhor Ministro teria anunciado que os estabelecimentos públicos de saúde não estavam em condições de garantir o sigilo em caso de interrupção voluntária da gravidez. As mulheres que quisessem garantir o anonimato que recorressem às clínicas privadas.
A minha epidérmica desconfiança dos media levou-me a duvidar que o senhor Professor Correia de Campos dissesse coisa que se assemelhasse. Mas há minutos ouvi-o da boca ministerial.

Noutros tempos, afirmações deste jaez proferidas por um ministro provocariam uma pateada geral. Hoje, de tão frequentes os disparates, são encarados com um encolher de ombros colectivo.
Sinal dos tempos. Desta anarquia mansa...

A nova profetisa

Saí do país com “declarações” de Ana Gomes; regressei ao país com “declarações” de Ana Gomes. A respeito dos voos da CIA, a senhora anda num frenesim intenso, numa obsessão atroz, num “stress” agudo, mas já crónico, numa inquietação doentia. É um lamentável problema pessoal.
Mais lamentável, porque só aumenta o problema da senhora e nos massacra a todos, é o facto de ter, em qualquer parte onde se encontre ou vá, uma câmara e um microfone solícitos e sempre disponíveis a relatar as suas contínuas crises.
Crises essas que já lhe foram diagnosticadas não só pelo Governo do seu partido, como também pelo seu próprio partido, em Portugal, e ainda pelos seus colegas socialistas portugueses no Parlamento Europeu.
Hoje, o massacre informativo é que a senhora revelou que ouviu dizer que outros viram “ coisas estranhas” num qualquer aeroporto dos Açores.
Normalmente, as verdades reveladas têm na base as audições e visões estranhas dos profetas. Por isso, não me admira muito que esteja a nascer uma nova profetisa. Mas esta com a grande vantagem inicial de não ter que se esforçar muito para propagar a sua doutrina, já que nasceu com microfone incorporado e feixes móveis prontos a emitir!...
O que mais nos irá acontecer neste Novo Ano, com tão pouco auspiciosa amostra informativa inicial?