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domingo, 18 de março de 2007

Saborear a raridade!...


Embora com algum atraso, mas com toda a sinceridade, aqui deixo as minhas felicitações ao Sporting pela magnífica votória no Dragão. É facto bem singular: primeiro, porque o clube lisboeta já não ganhava no Porto há dez anos; depois, porque ganhar ao Porto é proeza bem excepcional e digna de registo nos anais de qualquer equipa!...
Todavia, confesso que este ano já começo a estar farto de felicitar adversários do Porto. E se me deu satisfação saudar o Atlético por ter eliminado o FCP, no caso da vitória do Sporting faço-o algo penalizado. É que se tenho para mim que a concorrência forte é um valor a preservar, no caso do futebol, campeonato animado é ver o Porto à frente, quanto mais afastado dos outros, melhor!...
No final de contas, estou mesmo em crer que foi por uma questão de marketing que o Porto perdeu: pura e simplesmente quis-se tornar mais simpático para muitos portugueses e, sobretudo, criar algumas ilusões aos vermelhos da 2ª Circular!...
Uma saudação especial para os lídimos lagartos deste blog, Ferreira de Almeida, Tavares Moreira, Miguel Frasquilho e creio que Vítor Reis e, na pessoa deles, todos os lagartos do país. Ah! E também para a minha mulher, uma sofredora indefectível!...E saboreiem bem a raridade!...
Nota: Esqueci-me involuntariamente de referir a inteira justeza do triunfo sportinguista. O Ferreira de Almeida lembrou-me do facto. E contra factos, não há argumentos!...Como estava no Porto e passava pelo Centro de Treinos do Olival, em Gaia, lembrei-me de ir verificar se os artistas já estariam a apurar argumentação para as próximas contendas. Pois disseram-me que tinham folga até 3ª feira!...Pelos vistos, os argumentos tinham sido bons e havia que descansar da estafa!...

Encaremos de frente a pobreza...

Vem esta reflexão a propósito do título de capa do jornal Público de hoje: Rendimento social de inserção só reintegra metade dos beneficiários.
Não é novidade para ninguém que os indicadores económicos colocam Portugal na posição de um dos países da UE onde é maior a desigualdade dos rendimentos familiares e onde também é maior a proporção de famílias em situação de pobreza. Uma percentagem significativa das famílias portuguesas tem fraca capacidade de poupança e defronta dificuldades para fazer face a encargos e despesas, realidade reveladora de níveis insuficiente de rendimento para satisfazer as necessidades primárias de consumo e para a constituição de reservas para fazer face a situações de dificuldade económica.
Além da elevada incidência da pobreza em Portugal, grande parte das famílias pobres tendem a permanecer nesta situação por longos períodos de tempo, o que é revelador da existência de factores de natureza estrutural. É justamente entre as famílias cuja principal fonte de rendimento é constituída por transferências da Segurança Social e do Orçamento de Estado que encontramos as situações mais gravosas, o que traduz, por um lado, o efeito dos baixos salários ou pensões auferidas e, por outro lado, a insuficiência das prestações sociais para produzir uma razoável redução da pobreza.
As estatísticas mais recentes do Eurostat sobre a pobreza, apontam para que em Portugal cerca de 20% da população esteja em risco de pobreza, ou seja, mais de dois milhões de portugueses estão abaixo do limiar de pobreza!
O Rendimento Social de Inserção (RSI) é uma prestação que se destina a assegurar a subsistência a quem está em situação de grave carência económica. Mas é essencialmente uma prestação que visa promover e assegurar a inclusão social. Por isso mesmo, o RSI tem associado a quem ele recorre um plano de inserção que tem por objectivo criar condições necessárias à gradual autonomia económica da família.
Dados oficiais referem que em Janeiro de 2007 eram beneficiárias do RSI 107 mil famílias, mas apenas 48,7% tinham acordo de inserção social.
Não trabalhar para garantir a efectiva inserção social é politicamente inaceitável num país em que o quadro de pobreza descrito é um grave problema económico e social e quando são crescentes as transferências da Segurança Social e do Orçamento do Estado para o financiamento de prestações de combate à pobreza e exclusão social.
Não é portanto admissível que por incapacidade operacional e técnica das estruturas responsáveis pela gestão do RSI – de que destaco a falta de recursos humanos, a proliferação de estruturas de coordenação, os conflitos de competências entre serviços públicos, autarquias e instituições de solidariedade social e, como não poderia deixar de ser, a burocracia – continuemos com taxas reduzidas de sucesso na afectação do RSI.
Seria importante, depois de tantos anos de rendimento mínimo garantido e rendimento social de inserção, que o País conhecesse o seu impacto na "redução da pobreza", através de uma avaliação rigorosa. Não o fazer significa continuarmos sem certezas sobre os resultados de políticas públicas que sendo necessárias, não garantem que os instrumentos utilizados sejam necessariamente os mais eficazes.
Encaremos de frente a pobreza, porque os pobres têm rosto, são seres humanos que vivendo "paredes-meias" com aqueles que a vida protegeu do estigma da pobreza merecem que tudo seja feito para minorar as suas dificuldades.

sábado, 17 de março de 2007

Holodomor

No quarto sábado do mês de Novembro os ucranianos comemoram o “Dia da Memória das Vítimas da Fome e das Repressões Políticas”, o denominado Holodomor (pronuncia-se Golodomor, ou seja "extermínio pela fome", em ucraniano).
Este crime foi cometido há 75 anos e deve ser considerado como um genocídio.
O senhor Luís Ribeiro, historiador, na sequência de uma pequena nota que elaborei há algum tempo neste blog, "A Grande Fome (Holodomor) na Ucrânia de 1932-1933", tem-me contactado regularmente sobre este assunto.
Recentemente, informou-me que entregou na Assembleia da República a petição Nº 255/X/1. Deste modo, espera-se que o Parlamento português debata este período negro da história da Humanidade, porque a memória dos homens não pode nem deve esquecer as atrocidades que alguns seres humanos são capazes de perpetrar.
Os representantes da Comunidade Ucraniana elaboraram uma "Mensagem da Comunidade Ucraniana ao Povo Português", a qual foi entregue pelo Ministro dos Negócios Estrangeiros Boris Tarasyuk ao Dr. Jaime Gama, quando visitou Portugal em Novembro de 2006.
Em breve, irão enviar um apelo aos nossos grupos parlamentares e, ao mesmo tempo, solicitar o apoio dos Eurodeputados portugueses para a proposta de declaração apresentada no Parlamento Europeu.
O historiador elaborou um pequeno texto, intitulado “HOLODOMOR: O GENOCÍDIO UCRANIANO” que, devido à sua importância, será colocado no “Quarto da República”, permitindo conhecer um pouco mais sobre um período escuro e dramático, entre muitos outros, que ao longo do tempo vêm envergonhando os seres humanos.

sexta-feira, 16 de março de 2007

O ministro nervoso

Dizem as agências que Mário Lino, o ministro das Obras Públicas desafia Marques Mendes a explicar porque é que em 2004 era a favor da Ota, e agora mudou de opinião. Isto na sequência da audiência concedida pelo Presidente da República ao lider do PSD sobre, justamente, o novo aeroporto. Li esta notícia depois de ver e ouvir uma reacção desproporcionada do senhor ministro a declarações do lider do CDS sobre a Ota que se apoiavam numa transacta intervenção do bastonário da Ordem dos Engenheiros, Fernando Santo, onde também manifestou dúvidas sobre a racionalidade técnica do projecto.
O ministro anda notoriamente nervoso e um chazito far-lhe-ia prevenir males maiores. A tal ponto anda nervoso que não se apercebe que a malta não é bruta e por isso não lhe interessa nada, mesmo nada, saber se o PSD mudou de opinião e porque é que mudou. O que interessa ao País é que o Governo, e em especial o senhor ministro, esclareçam as dúvidas que diariamente avolumam a suspeita de que os interesses de uns tantos conduzem à criação de mais um pesadíssimo elefante branco. À custa do sacrifício de todos.

Na pista da reforma da administração pública...

Somos surpreendidos, dia sim, dia não, com o anúncio de mais medidas relativas à reforma da administração pública, mais em concreto em relação ao sistema salarial da função pública. Não se discute a importância de dotar a administração pública de um sistema salarial competitivo, capaz de internamente avaliar desempenhos e premiar os melhores e capaz de recrutar no mercado as melhores competências e qualificações.
Aceites estes princípios, resulta óbvio que o sistema salarial da função pública se deve aproximar do sistema do sector privado, dotando-se de instrumentos de gestão dos recursos humanos que apostem no desenvolvimento profissional dos seus trabalhadores, designadamente em matérias tão importantes como a motivação, formação, remuneração, carreira, avaliação.
Foi hoje noticiado que, no âmbito das negociações em curso entre o Governo – SE da Administração Pública – e os sindicatos, o novo sistema salarial irá permitir segundo o SE que "dentro de determinadas regras e limites, os dirigentes possam fixar as remunerações", que o novo processo permitirá "atrair os melhores", que o novo modelo "flexibiliza ligeiramente a gestão" e que "os dirigentes têm nas mãos um instrumento que lhes permitirá atrair os melhores".
É, sem dúvida, importante que o Estado, mais concretamente os dirigentes responsáveis pelo recrutamento, disponham de um leque remuneratório, que permita ajustar o nível salarial às competências".
Mas esta é uma falsa solução, quando, simultaneamente, o Governo estabelece - aliás, já estabeleceu - tectos salariais às remunerações a praticar no Estado (o limite salarial fixado é o do primeiro-ministro). Esta política conduz à não competitividade das remunerações do Estado com o mercado, em particular nas competências de gestão e competências técnicas muito especializadas e de elevado grau de qualificação.
Com este quadro, não serão, seguramente, removidas as dificuldades em atrair os melhores, justamente num momento em que a administração pública precisa efectivamente de se renovar e captar pessoas talentosas capazes de mobilizar mudanças, o mesmo é dizer, com capacidades para liderar pessoas e processos.
Redimensionar a administração pública à altura das exigências da eficiência não é uma tarefa fácil. Os problemas são muitos, os receios e as resistências não são menores. Mas já que as dificuldades são muitas, sejamos, por uma vez, realistas e ambiciosos, deixemos a demagogia de lado e tenhamos visão. Flexibilizar com uma mão e regidificar com a outra não poderá dar bom resultado.
Nas corridas ganham os atletas mais talentosos e melhor preparados. Na pista da reforma da administração pública não tem que ser diferente!

OTA: delírio despesista?

Saiba o estimado leitor que foi há poucos dias conhecido um relatório técnico, em poder da NAER (entidade responsável pelo projecto do aeroporto da Ota/Robert Mugabe) desde 2004, mas que parece ter sido muito bem guardado até data recente.
Desse relatório consta um dado que só por si é suficiente para considerar este projecto um verdadeiro delírio despesista.
Com efeito, a circunstância de o novo aeroporto da Ota/Robert Mugabe ficar assente sobre um terreno que é considerado um leito de cheias, um terreno alagadiço e muito pouco consistente, vai obrigar à implantação de uma autêntica floresta de estacas de brita, como base fundacional para a edificação das pistas e demais infra-estruturas aeroportuárias.
Trata-se, nada mais nada menos, de 265.000 estacas de brita, com uma secção de 2x2 metros, com profundidades variáveis mas que em milhares dessas estacas vão até aos 20 metros.
265.000 estacas com tal dimensão é uma verdadeira barbaridade!...
Têm de ser em brita, não podem ser em betão - explicam-me - para melhor poderem absorver as humidades...
Para isso, algumas centenas de camiões pesados/dia terão de fazer, durante N meses, o transporte da brita para a Ota.
Sobre essa estacaria terão então de ser feitos aterros e será sobre esses aterros que serão construídas as diversas camadas das pistas de aterragem.
E já nem falo da destruição parcial de montanhas que ladeiam o terreno onde se projectam as infra-estruturas.
Quanto aos custos do projecto, que tanto poderão atingir os 3,1 milhões que têm sido citados com os 4, os 5 ou os 6 milhões – a final tanto faz, nós é que teremos de os pagar – não havendo ainda tampouco uma ideia dos custos das acessibilidades, o pouco que se sabe é que a contribuição de fundos comunitários não está garantida para além de € 170 milhões.
Estamos assim a falar de uma verba que não chegará a 5% dos custos globais, podendo até quedar-se por 2%.
Perante tais perspectivas e sabendo que o problema do congestionamento da Portela – problema real, que demanda uma solução – se resolvia com um investimento modesto no Montijo, em muito menos tempo, para receber os voos “low fare” , esta insistência na Ota /Robert Mugabe não será mesmo um delírio despesista?...

quinta-feira, 15 de março de 2007

Os nossos deputados!...

Já na presente legislatura, e na falta de campo útil onde aplicar o dinheiro dos impostos, a Assembleia da República criou a UTAO-Unidade Técnica de Análise da Conta Geral do Estado, com as funções de dar apoio aos deputados no que se refere à análise técnica da mesma. Segundo o DN de 13 de Março, o referido serviço ainda não pôde iniciar essa tarefa. Situação que deu azo a que o ilustre deputado que foi incumbido de elaborar o Relatório sobre a Conta, no âmbito da Comissão do Orçamento, se tenha eximido a tal fastidiosa tarefa. Escreveu no relatório que a referida análise ”seria recomendável, desde logo por uma questão de cumprimento da legalidade, mas também para que o presente relatório tenha maior utilidade e eficácia”-citação 1. O deputado ainda referiu que “não deixando de ser necessário que a maior parte da Conta se componha de dados detalhados indispensáveis e o parecer se debruce sobre questões de pormenor que tem por obrigação analisar, falta-lhes uma síntese técnica que tire as conclusões e aponte possíveis caminhos a seguir”-citação 2. E insiste que “o presente relatório muito teria a ganhar com o estudo e análise de uma síntese que tirasse conclusões da volumosa informação técnica anexa à CGE e ao parecer do Tribunal de Contas”-citação 3.
Para além de não se saber o que pode valer tal relatório, que provavelmente só incidirá sobre questões de índole política, que cada partido as entende à sua maneira, portanto sem conclusões, repare-se na confusão de ideias que resulta dos parágrafos citados, verdadeiras preciosidades:
a) ser necessário que a maior parte da Conta se componha de dados detalhados indispensáveis!...(citação 2). Deduzo que a menor parte da Conta se componha de dados sintéticos dispensáveis!...
b) ser necessário que o parecer se debruce sobre questões de pormenor que tem por obrigação analisar!...(citação 2). Para além de ser porventura, uma involuntária frase assassina da UTAO, fica por perceber por que razão a análise era assim tão importante, se se limitaria a pormenores!...
c) e se ao relatório falta uma “síntese técnica”-citação 2, também lhe falta a análise da síntese-citação 3!... E, já agora, por que não também a síntese da análise da síntese, num movimento continuo?
Na anterior legislatura, fiz parte da Comissão de Execução Orçamental, muito bem presidida pelo Dr.Tavares Moreira, companheiro de blog. Fui Relator da CGE por duas ou três vezes. Os Relatórios deram muito e muito trabalho de análise. Mas deles ficou uma nova forma de apreciar a Conta no Plenário e também um Projecto de Resolução da Assembleia da República sobre o modo de elaboração da mesma, que transitou para a presente Legislatura e veio a ser aprovada. Sem falsas modéstias, foi um bom contributo, mesmo sem UTAD, que não existia. Por isso, confrange-me verdadeiramente a prosa do sr. Deputado!...Embora a compreenda, por uma questão de primado da política, que deve sobrepor-se a perdas de tempo com desprezíveis subtilezas técnicas, que não prestigiariam o trabalho de deputado que se preze!...

quarta-feira, 14 de março de 2007

A Internet do Ministro António Costa

Será "democrático" que o direito ao contraditório do blog do Ministro António Costa – A Nossa Opinião – seja exercido através da abertura de um blog do próprio comentarista? Assim o entende o SE José Magalhães.
A iniciativa até pode ser boa, mas incompleta: o blog existe apenas para o Ministro António Costa responder às críticas que lhe são feitas nos jornais ou outros meios de comunicação – inclusive a Internet – não aceitando frontalmente o diálogo com os cidadãos. É pouco e não me parece que seja este o caminho para estimular a intervenção da sociedade civil na política. Enfim, mais uma plataforma de comunicação em modo de monólogo!?

Retirado do Jornal O Público da edição de 14 de Março de 2007
O blogue do ministro e a política na era da Internet
O ministro da Administração In-terna, António Costa, e os seus se-cretários de Estado têm desde segunda-feira um blogue intitulado A Nossa Opinião. O espaço faz parte do renovado site do ministério, que é lançado apenas hoje, mas foi apresentado em antestreia no início da semana, para que Costa pudesse responder ao texto O Estado-polícia, de Vasco Pulido Valente, publicado sábado no PÚBLICO.
(...)
Os textos do blogue, contudo, não estão abertos a comentários dos leitores, contrariamente ao que acontece na maioria dos espaços do género. a razão, sustenta o responsável, está no próprio sistema democrático em que a internet assenta: "não há impossibilidade de contraditório na web. ninguém está impedido de dar a sua opinião".a ideia é que, quem discordar do que for publicado por antónio costa ou por um membro da sua equipa, pode simplesmente abrir o seu próprio blogue e responder, fazendo um link para o texto original. e quem não souber criar um blogue? "ficarei contente se isto servir de incentivo [para que as pessoas adquiram esses conhecimentos]", responde magalhães.

Se inviabilizarem a Ota, terão sido muito bem gastos!...

De acordo com o Diário de Notícias de hoje, está previsto que os custos com projectos e estudos do novo aeroporto de Lisboa, na Ota, irão disparar mais de 300% este ano. De facto, só em 2007, está previsto um gasto total de cerca de EUR 14 milhões nesta rubrica.

No total, isto é, cumulativamente, até ao final do ano, terão sido gastos, de acordo com a Naer, empresa pública gestora do projecto do novo aeroporto, EUR 36.8 milhões. Cerca de 1.2% do custo total de cerca de EUR 3.1 mil milhões previsto para o novo aeroporto.

É muito? Sem dúvida. Mas, mesmo assim, creio que, se os estudos que estão previstos para este ano chegarem à conclusão de que a Ota não serve, definitivamente, como localização para o novo aeroporto de Lisboa, e forçarem o Governo a abandonar mesmo esta possibilidade, então terão sido EUR 14 milhões muito bem gastos (pena os que foram gastos para trás…). Porque, de acordo com toda a informação que já é conhecida sobre este assunto, será cometido um erro de proporções inimagináveis para Portugal e para o nosso desenvolvimento se se apostar na Ota como localização para o futuro principal aeroporto internacional do país.

terça-feira, 13 de março de 2007

OCDE e Nicolas Sarkozy juntam-se ao 4R

O economista-chefe da OCDE, Jean Philippe Cotis apelou hoje aos principais bancos centrais, com destaque para o Banco de Reserva Federal (FED) nos EUA e para o Banco Central Europeu, no sentido de não aumentarem mais as suas taxas de juro.
Segundo Cotis, os riscos de inflação não justificam novos aumentos de taxas, a inflação tem-se mantido abaixo dos níveis de alerta desde há já algum tempo pelo que “as perspectivas para a estabilidade de preços não parecem preocupantes”.
Ontem, em entrevista radiofónica, o candidato à Presidência da República de França, Nicolas Sarkozy, criticou duramente o BCE por, no seu entender, conduzir uma política que tem levado à apreciação do Euro contra outras moedas, em especial o Dólar, causando dificuldades desnecessárias às indústrias europeias.
Entre outros comentários a propósito do tema, Sarkozy declarou “Não votei a favor da criação da segunda maior divisa mundial para agora não aproveitar as suas vantagens”.
Se é certo que a declaração de Sarkozy tem de ser tomada no contexto de uma campanha eleitoral - com o desconto próprio que essas circunstâncias recomendam - já a de Cotis reveste-se de grande significado.
A OCDE não pode ser acusada de emitir recomendações ou opiniões só para agradar aos governos, é-lhe reconhecida uma grande independência nas posições que assume nestas matérias.
E a mensagem de hoje é especialmente dirigida ao BCE, uma vez que o FED não aumenta as suas taxas desde Agosto do ano passado e nas declarações mais recentes dos seus responsáveis não se encontra qualquer sinal para novo agravamento.
O BCE não só subiu as suas taxas por três vezes em 2006 (de 2,75 para 3,5%) como voltou a subir já em 2007 para 3,75% e anunciou a possibilidade de novas subidas.
As perplexidades que no 4R se têm manifestado acerca das decisões do BCE encontram agora dois aliados de peso.
Será que ambos serão leitores atentos do 4R, sem nós sabermos?
Os nossos comentadores terão motivo para lembrar o velho aforismo: “Presunção ou água benta, cada qual toma a que quer...” .

Amor com amor se paga!...

No post anterior, o Ferreira de Almeida evidenciou a grande notícia do DN de hoje, referindo que “os privados abrem clínicas onde o Governo fechou centros de saúde”.
O desmentido da argumentação governamental veio mais rapidamente do que se esperaria. Mas a situação não é de estranhar.
O PS costuma ganhar eleições apelando à esquerda, usando os trabalhadores da forma mais adequada aos seus propósitos, prometendo-lhes empregos que não pode dar, legislação que não pode concretizar, serviços que não pode acrescentar, nem mesmo manter. Ao mesmo tempo, ofuscado pelo acesso fácil ao mundo empresarial que lhe era estranho, mas que o poder lhe faculta, o PS consente o que em boa verdade devia proibir. Por isso, a generalidade dos empresários sempre gostou dos governos socialistas.
Gostam os grandes, porque acedem mais facilmente aos negócios suportados pela despesa pública, de que o PS é ideologicamente um lídimo defensor, género OTA ou TGV, ganhando nos fornecimentos e nas operações financeiras, fazendo reverter para si os ganhos e para o Estado os ónus da complexidade da montagem dos financiamentos. E os negociantes de ocasião prosperam, porque à esquerda se permite o que à direita, e bem, não é geralmente tolerado.
Chegamos agora ao paradoxo total, o do encerramento de unidades de saúde, por não se justificarem em termos de serviço público, e o da abertura de unidades privadas com as mesmas valências, por se justificarem em termos de rentabilidade!...Dantes, o serviço público estava onde os privados não chegavam. Neste tempo de governo socialista, o serviço privado ocupa os locais deixados livres pelo serviço público!...
Mais uma prova de que o Partido Socialista, se oportunisticamente tem sempre os trabalhadores na boca, estarategicamente tem os empresários no coração. Assim- amor com amor se paga- não hão-de os empresários gostar do Partido Socialista?...

Um título que não é surpresa


Ele já não anda por aí...

Depois do anunciado regresso de Paulo Portas à liderança do CDS-PP, temos outra notícia: Pedro Santana Lopes fala num novo partido político, à mistura com um pretenso "realinhamento da direita e do centro-direita".
Já perdi a conta às ameaças de criação de novos partidos feitas por PSL. Remontam pelo menos ao tempo das disputas do bloco central.
Mas ignorar ou ridicularizar PSL no actual estado de coisas no país e no PSD é pura negligência.
Desde que Paulo Portas anunciou sua candidatura à liderança do CDS-PP, PSL anda num verdadeiro frenesim.
A imagem da competição com Portas é evidente e intencional. E aos olhos dos militantes do PSD rende votos. Podemos achar que PSL não tem credibilidade. Que não merece confiança.
Mas o que pensará a esmagadora maioria dos militantes do PSD que está órfã de liderança e sem quaisquer perspectivas de vitória nas próximas legislativas?
Infelizmente, a situação é tão precária e tão frágil que quanto mais perdurar, mais fortalece as possibilidades de regresso de PSL.
Não se iludam. Ele já não anda por aí!

segunda-feira, 12 de março de 2007

Um bom exemplo do vizinho espanhol

Lembram-se das rusgas mediáticas realizadas em Novembro passado às instalações de um banco português em Espanha?
Passaram pouco mais de 4 meses.
Hoje, ficámos a saber que os investigadores espanhóis concluíram pela inexistência de qualquer envolvimento deste banco português na fraude fiscal que estava a ser investigada.
E se esta investigação decorresse em Portugal?
Daqui a quantos anos haveria resultados?
Ou, talvez, arquivamentos...
E depois de quantas violações do tão propagandeado segredo de justiça?
Com quantas prisões preventivas?
E com quantas aberturas de telejornais com o habitual desfile de arguidos?
Sugiro que despachem alguns dos nossos investigadores para uns estágios em Espanha...

Sumamente divertido...

...ouvir os rasgadíssimos elogios à acção do Presidente da República ao fim do primeiro ano de mandato, vindos precisamente daqueles que vaticinaram o golpe de Estado constitucional no caso de o Prof. Cavaco Silva ser eleito.
Mais divertida ainda, a posição do Bloco de Esquerda: o Presidente da República interveio pouco na área da governação!

"Códigos de ética”!

O sector da saúde privado está num crescendo imparável. O negócio da saúde é uma mina de ouro e, como tal, é objecto de investimentos muito significativos. Nada a opor ao papel do privado que pode ter um papel supletivo e favorecer a competição entre os diferentes sectores.
As novas instituições começam a definir regras de funcionamento que merecem algumas considerações. As unidades de saúde do grupo Mello, por exemplo, não permitem a prática de vários actos, tais como os relacionados com a procriação medicamente assistida, laqueação de trompas, esterilização definitiva do homem e uso da pílula do dia seguinte
Deduz-se facilmente que abortamentos nem pensar, como é óbvio. Realça desta posição condutas e formas de estar facilmente identificáveis. Muitos dirão, mas qual o problema? Só procuram estas unidades quem quer. Claro, e quem pode, mas isso é outra conversa.
O recrutamento de pessoal para estas instituições deverá ser feito de forma muito selectiva. Nos tempos que correm, os que não estão de acordo com estes princípios, e que necessitam de concorrer a um posto de trabalho, deverão "estar calados" a fim de não comprometerem as suas posições
É aceitável, e perfeitamente compreensível, que um profissional de saúde seja objector de consciência, mas, mesmo assim, tem que conduzir o seu doente para um outro serviço ou colega de modo a que o seu problema seja resolvido. O facto de uma instituição colocar restrições é um pouco mais delicado, embora tenha legitimidade para tal.
Os códigos de ética destas unidades têm como objectivo não executar certas práticas que, embora permitidas por lei, não se encaixam em determinadas correntes de pensamento.
Os responsáveis pela criação destas instituições fazem negócios de vulto, nomeadamente no sector bancário. Seria interessante saber se põem em causa, por exemplo, depósitos provenientes de negócios menos “éticos”, alguns relacionados com a venda da "pílula do dia seguinte" ou com actividades de procriação medicamente assistida! Claro que se pode levantar algumas dúvidas ao financiamento destas actividades, e dai talvez não, já que o dinheiro não tem cheiro, não é verdade? Mesmo assim, poderão invocar, caso conheçam as suas “origens”, que têm a "obrigação" de transformar dinheiro impuro em actividades "puras", contribuindo para a erradicação do “pecado”.
Ponho-me a imaginar outras instituições de saúde, cada uma elaborando o seu código, umas vezes mais restritivo, outras menos, cobrindo variados aspectos, que não se limitam aos já enunciados, susceptíveis de desencadearem ou poderem desencadear reflexões ou preocupações éticas, as quais estão em permanente ebulição.
A publicidade das diferentes instituições deverá ser acompanhada do respectivo "manual ético" sobre o que fazem ou deixam de fazer. O pior que pode acontecer a alguém é enganar-se na atrapalhação da escolha...

Mas será "sina" nossa?

Há uns tempos alguém dizia que nós, Portugueses, estamos sempre "em trânsito" entre a nostalgia de um passado glorioso e a esperança de um futuro que nos posicione outra vez no mundo das nações promissoras.
Mas ninguém tratará de concretizar, por nós, tal esperança.
E no País, talvez por estarmos "em trânsito", não há Ambição!

Então não é que uma imobiliária espanhola se lembrou de investir em Lisboa, no segmento da habitação para a classe média/alta e, deparando-se com a falta de terrenos no centro da capital, optou pela aquisição de edifícios devolutos, mesmo em péssimo estado de conservação!
Espero que tenham dinheiro a rodos para investirem: edifícios lindíssimos devolutos e em péssimo estado de conservação...é matéria prima que abunda!
Parece que nem perderam muito tempo pelas sete colinas, para já ficam-se na Duque de Loulé, Duque d'Ávila, Defensores de Chaves, Duarte Pacheco, Rua Viriato, Avenidas Novas, Areeiro, Campo dos Mártires da Pátria....
Vão respeitar as fachadas, manter a traça original dos edifícios e das avenidas onde se inserem.
Prevêm investir cerca de 300 milhões de euros nos próximops 5 anos e pôr de pé mais de 75 mil metros quadrados de habitação.
Prometem seguir uma estratégia agressiva de aquisição deste tipo de imóveis, desde que sejam "devolutos de ouro" quer pela arquitectura, quer pelo seu posicionamento em áreas socialmente mais valorizadas.
Acham o centro de Lisboa uma oportunidade de negócio a não perder!

Será que os portugueses deste ofício não acham o mesmo?
Já estou por tudo, venham daí as imobiliárias espanholas ou outras, é a maneira de não deixar cair estas avenidas e...tantas outras.

Nota: ainda hoje passei na Duque de Loulé, dá dó!!!

O aviso

Dois anos de Governo e eis que o senhor Presidente da República, no seu estilo, avisa que a presidência da União que em breve caberá a Portugal, não pode desviar o País - entenda-se, o Governo - do rumo das reformas.
Já que toda a gente se dedica a decodificar o que o senhor Presidente quer dizer quando extorioriza um pensamento com evidente propósito político, eu, que não quero ser excepção, arrisco a minha análise. Previno que é daquelas que vai perscutar bem fundo, ali para os lados da alma, o verdadeiro sentido das palavras. Tipo analista político com tempo de antena em horário nobre.
O Professor Cavaco Silva, na sua interpretação dos poderes presidenciais (anuncia que vai até escrever um livro sobre isso, o que me surpreende já que pensava que esse livro tinha sido escrito em 1975/76, revisto em 1982 nessa parte, livro que foi perdendo o interesse mas a que alguém há muitos anos chamou Constituição), quis avisar o Governo de que, no final de 1997, não deixará de julgar a governação. E que a manterem-se os actuais resultados não deixará de tomar posição.
Julgo que Sócrates deve levar o aviso a sério, porque é hoje claro que só o Professor Cavaco Silva está em condições de impedir que o caminho para a renovação da maioria absoluta pelo PS nas eleições de 2009, seja assim uma espécie de "passeio pela Avenida da Liberdade", como diria o sábio Dr. Soares.
De facto, por mais que o Dr. Marques Mendes, ou o reaparecido Dr. Portas, suem pregando contra o Governo, está visto que o desgaste que provocam é nenhum. Tenho aliás a sensação que alguns ataques ao Engº Sócrates têm exactamente o efeito contrário...

Outra será a consequência se o Presidente da República vier a terreiro dizer o que os media omitem e a propaganda oficial se esforça por fazer obnubilar: que nestes dois anos aumentou a dívida pública, incrementou-se a despesa, cresceu o desemprego, agravou-se a divergência com a Europa, acentuaram-se as desigualdades territoriais, elevou-se a níveis insuportáveis a carga fiscal, não se restaurou a confiança para o investimento...

É este o saldo de dois anos de governação, a que se poderia somar o contributo para o desprestígio social de muitas profissões e o desmantelamento disparatado e irracional de muito do que no âmbito da máquina administrativa de prestação de serviços públicos provou funcionar. Por muito cúmplices que sejam os media, eficaz a central de comunicação governamental, obediente a maioria parlamentar e amorfas as oposições, não há forma de escamotear a verdade dos resultados. E se até aqui ainda existia o alibi dos governos anteriores, nenhum sentido faz continuar a encontrar neles a justificação para o insucesso. É por isso que faz todo o sentido o aviso do senhor Presidente da República: não venha o Governo dizer que exauriu as suas forças nesse telúrico esforço de carregar às costas, mesmo por escassos meses, o peso esmagador dos destinos da União.

Dupla oposição!...

De há muitos, muitos, muitos anos a esta parte, sempre que Santana Lopes fica afastado da direcção do PSD, logo verifica neste partido diferenças insanáveis, pessoais e políticas, que inevitavelmente levarão a cisões internas e a um pomposo realinhamento do centro direita. Para não citar outros momentos, lembro-me, já lá vão uns largos anos, governava Cavaco, das pretensões de Santana em criar o seu próprio partido, o PSL, a que, por contida modéstia, chamou Partido Social Liberal. O desaparecido jornal Semanário dedicou ao assunto títulos garrafais na sua primeira página de uma edição de Verão. Recordo que, na praia de Alvor, onde nos encontrámos, José Manuel Casqueiro, o falecido Secretário-Geral da CAP, também, ao que me disse, ligado ao projecto, gastou uma manhã a tentar convencer-me da inevitabilidade do seu aparecimento e da sua plena inserção na sociedade portuguesa. Passados uns tempos, mais ninguém falava no assunto.
Depois disso, e de acordo com as suas próprias vicissitudes políticas, Santana vai arremessando ou escondendo esse espectro que, na sua opinião, paira, ameaçador, no PSD.
Quando desempenhou as funções de 1º Ministro, foi crucificado pela comunicação social; a verdade é que, para tal, foi acumulando motivos sobre motivos, com enorme e regular competência. Pensar-se-ia numa pausa sabática, para bem do próprio, em primeiro lugar, tanto mais que chegou a referir que iria sedimentar a sua vida profissional. Ressedimentou-a novamente na política e aí está ele, agora numa dupla e diferenciada oposição: oposição formal ao Governo e oposição substancial à direcção do PSD. Mas a nação laranja, para não falar da portuguesa, está mais sofisticada e começa a estar cansada de tal pantomina, que os media apreciam e Santana e os amigos tanto gostam. Pantomina exclusiva para os seus fiéis e a sua corte, que os outros não entendem e, muito menos, desejam!...
Mas, não sendo assim, PSL tem a faca e o queijo na mão. Como ainda não chegámos à Coreia, deixe-se de ameaças e funde o seu próprio partido!...É o fundas...penso eu!...

sábado, 10 de março de 2007

Aos 50 Anos: mais uma janela que se abre...


Ontem, num daqueles serões de amigos – em que quando damos pelas horas até nos admiramos como foi possível numa sexta-feira, depois de uma longa semana de trabalho, conversar com aquela frescura de quem começa um dia de trabalho bem dormido – o tema foi os 50 Anos.
Como encarar os 50 Anos: o que fazer quando os filhos já estão crescidos e querem ser independentes, que descobertas ainda estão por fazer, que surpresas a vida tem ainda para dar?
A conversa foi tudo, menos deprimente! Porque se é inexorável o envelhecimento biológico com o passar dos anos, então é mais verdade que a riqueza interior que está em cada um de nós se vai rejuvenescendo e embelezando. Afinal, todas as idades têm os seus encantos!
Com os filhos já crescidos, os 50 Anos podem constituir uma importante era da descoberta de si próprio desde a adolescência – com a vantagem de, desta vez, não ter de se ingerir fast food ou lidar com crises de tesouraria. No plano introspectivo, pode haver uma incitação em dar uma segunda vista de olhos às contrariantes lições de piano em criança e, no domínio extrospectivo, pode ser grandemente apelativo fazer passeios de bicicleta.
Quer se tratem de interesses para-nostálgicos ou não, responder-se -à apenas por si próprio na inscrição em cursos de arte, dança, culinária, fotografia ou jardinagem. Às vezes não há a certeza onde estão esses interesses individuais: assim sendo, há que assistir a conferências, vasculhar livrarias, visitar museus. É preciso verificar que formação é oferecida nas escolas e institutos locais, assim como as oportunidades locais de voluntariado. Quem sabe os novos amigos que aí podem ser encontrados, para com eles se repartirem interesses comuns? As escolhas são de cada um e, pela primeira vez em décadas, podem ser exclusivamente para cada um.
Cabelos grisalhos? Prenúncio de uma cabeleira branca que pode ser celebrada como um acontecimento marcante da vida de um adulto. Não constituem por si só handicap algum. Na maior parte das pessoas é sinal de avanço da sabedoria de sentir a vida. O envelhecimento confere bastantes e novos benefícios aos visados: (1) a acumulação de bem estar na vida, (2) a valorização da família e dos amigos, (3) a maior predisposição para os outros, (4) o ganho de responsabilidade e sensatez relativamente ao mundo e à abordagem do sexo oposto e (5) o controlo de uma excelente escolha qualidade/quantidade dos numerosos passatempos.
Mas já agora, para quem queira aproveitar para se reformar um pouco mais cedo, talvez os necessários recursos financeiros não sejam um sonho. Em ordem a garantir padrões mais altos de bem estar, terá sido necessário, naturalmente, uma poupança, em particular a realização de um plano de pensões e seguros!
Aos 50 Anos, convém não bater a porta de qualquer maneira quando se pode ainda viver vinte ou trinta anos de qualidade, como convém ter presente que não é necessariamente muito mais caro trocar dispendiosos fatos, vestidos, cintos, carteiras e sapatos por dois pares de bermudas, para Elas e para Eles! Aos 50 Anos: mais uma janela que se abre...