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terça-feira, 13 de julho de 2010
"Esterco de cavalaria real irá gerar energia na Grã-Bretanha"
Aqui está uma ideia excelente. Com tanto esterco que andam a fazer por aí até podíamos exportar energia!
segunda-feira, 12 de julho de 2010
domingo, 11 de julho de 2010
Inverter o "plano inclinado"...

Um dos problemas que há muito tem desajudado na procura de soluções para a falta de rumo com que nos defrontamos, a braços com várias crises, é a ilusão instalada nas pessoas de uma realidade que não existe, que foi sendo alimentada com "incentivos" que facilitaram a sua aceitação.
Vem isto a propósito do programa Plano Inclinado deste Sábado. O convidado foi Alexandre Soares dos Santos, presidente do Grupo Jerónimo Martins. É sempre um prazer ouvi-lo, pela lucidez e franqueza que irradia. São atributos importantes, mas que não seriam suficientes para o escutarmos e conferirmos sentido ao que pensa se não lhe reconhecêssemos autoridade.
Em seu entender, no que é acompanhado por muita gente, não adianta continuarmos a ignorar a verdade. Andamos a mentir a nós próprios. Nas suas empresas fala-se verdade, a começar pelos trabalhadores. A mentira gera mais tarde ou mais cedo incompreensão e revolta. Uma empresa não consegue sobreviver na ilusão. Um país é como uma grande empresa. É imperativo que se fale verdade para que as pessoas entendam o que se está a passar e percebam o que é preciso fazer. Precisamos de uma liderança que reponha a verdade e mobilize um rumo certo que é preciso definir.
A receita de Alexandre Soares dos Santos, que já outros ouvi defender, é uma. Em sua opinião os partidos políticos já não resolvem coisa alguma. Está chegado o momento, sob a égide do Presidente da República, de sentar à mesma mesa governo, partidos políticos, empresários e sindicatos e outras entidades representativas das forças vivas da sociedade civil para se chegar a um acordo. Será a solução?
Festas da Senhora da Agonia

Incomoda-me certos movimentos, porque não consigo entendê-los. O defeito, às tantas, deve ser meu. Agora, fui confrontado com uma notícia segundo a qual há um movimento contra o cartaz das Festas da Senhora da Agonia. Razões? Por motivos estéticos!!! Querem a substituição do modelo, talvez por uma daquelas meninas de plástico que nos são impingidas a toda a hora. Eu estou a olhar para a rapariga e não vejo nada de mal. É uma moçoila como muitas que há por aquelas bandas e pelo resto do país.
Deixem-se desses pretensiosos tiques. Queriam ver quem? A Bárbara Guimarães? A Lady Gaga? Uma das meninas do Fernando Mendes?
Este comportamento é mesmo típico de uma estranha agonia que anda a invadir certos espíritos...
Deixem-se desses pretensiosos tiques. Queriam ver quem? A Bárbara Guimarães? A Lady Gaga? Uma das meninas do Fernando Mendes?
Este comportamento é mesmo típico de uma estranha agonia que anda a invadir certos espíritos...
Sai mais uma comenda!
O mais português dos comendadores, Joe Berardo, tem a solução para a crise financeira. Era para a revelar na 235ª entrevista dada este ano a Mário Crespo, mas alguma coisa correu mal na combination. O bom do comendador anunciou que o governo deve nacionalizar tudo e começar de novo.
Está revelado um dos segredos mais bem guardados: afinal foi Berardo quem Vasco Gonçalves nomeou herdeiro!
.
Entretanto veio-me à memória, não sei porquê, a parte final de um dos geniais sonetos do grande António Aleixo - "Ser doido-alegre, a maior ventura", que diz assim:
Direi, ao contemplar o seu sorriso,
Ai quem me dera ser doido também
P'ra suportar melhor quem tem juízo.
sábado, 10 de julho de 2010
Sakineh Mohammadi Ashtiani
Uma tarde idêntica a tantas outras, só que desta vez, o céu, despido de nuvens, estremecia com um sol raivoso que - mais parecendo ter acabado de sair do inferno -, não conseguia ocultar o gozo, por antecipação, da cena de apedrejamento. A fêmea pecadora, sentada sobre uma das pernas, encurvava-se lentamente, na esperança de conseguir reduzir a superfície de exposição do seu corpo às inúmeras pedras, angulosas e douradas, cinicamente dispostas num círculo, ao seu redor. Em breve iriam rasgar-lhe a carne e partir os ossos. Estranhamente, a imagem da mulher era sempre a mesma, fosse qual fosse a posição dos montes de pedra sem sombra, não se conseguindo descortinar a face, oculta pelo manto negro.
Os justiceiros, corja inebriada com a expectativa da lapidação do corpo feminino, revelavam olhos vidrados e vazios de piedade. Uma esbranquiçada espuma de prazer começava a surgir nos cantos de lábios rígidos e sardónicos. Mais afastado, sentado nas areias quentes, e indiferente ao calor daquele sol infernal, o homem escrevia, silenciosamente, na areia com um pequeno ramo ressequido, até que perguntou qual a razão da execução. Disseram-lhe. Ouviu, e após alguns segundos de silêncio, continuando sempre a escrever, rematou: - Quem não tiver pecados atire a primeira pedra. Entreolharam-se, os olhos arrefeceram, a espuma secou, os lábios penderam, acabando por largar, sem dizer nada, as pedras angulosas e douradas nas areias, e sem vislumbrar sombras, nem das pedras, nem as suas. As palavras escritas na areia foram alisadas, não conseguindo lê-las. Mas mesmo que as vissem, os seus olhos, cegos de ódio, não as entenderiam.
O que diziam aquelas frases escritas debaixo de um sol abrasador? que, arrependido do seu despertar demoníaco, depressa retomou à sua ordem natural, fonte de vida, semeando sombras.
Não muito longe, atrás de uma pequena colina, alguém presenciava a cena desesperado com o advir da execução. Quando se libertou da angústia do pesadelo sem sombra, desenhado à sua frente, verificou que tinha conseguido fixar, embora sem perceber, os sinais escritos na areia. Fixou-os, mas a atenção estava presa à mulher condenada e que agora seria libertada. O momento de prazer que sentiu contrastava com o sofrimento prévio, mas, após alguns momentos, as imagens das palavras começaram a fazer algum sentido e a querer roubar-lhe a tranquilidade da alegria. Viu que tinha sido observado, mas apenas por quem tinha olhos. Num relance, os seus olhares cruzaram-se enigmaticamente, acabando por ser premiado com um sorriso, ao mesmo tempo meio cúmplice e meio triste, como se tivessem assinado um pacto eterno quanto ao significado daquelas frases. Passou à sua frente, num passo vagaroso e firme, até se aproximar da ex-condenada e, de mãos dadas, abandonaram o local, tranquilos, sob a sombra dos olhos da justiça.
Acordou meio sobressaltado. A sensação de um frio matinal, inesperado para a época, fê-lo estremecer. Mas não, afinal, o frio vinha do interior. Foi o sonho que lhe roubou o seu calor para alimentar o sol, escaldando as areias do deserto. Ainda conseguiu ver as linhas desenhadas na areia, mas esfumaram-se repentinamente, impedindo-o de as ler. Esforçou-se por as desenhar mentalmente, mas não conseguiu. Uma sensação de incómodo invadiu-o provocando-lhe medo e angústia. Mais um acordar traduzido no eterno sentimento que o persegue desde que começou a ter lembranças da sua existência: a injustiça. Apetecia-lhe refugiar na loucura, uma forma de morte em vida, capaz, quem sabe, de lhe permitir desfrutar algumas emoções na sua verdadeira pureza.
Leu as notícias. Já não vão matá-la por apedrejamento, decidiram enforcá-la. Corja de bandidos.
O que diziam aquelas frases escritas debaixo de um sol abrasador? que, arrependido do seu despertar demoníaco, depressa retomou à sua ordem natural, fonte de vida, semeando sombras.
Não muito longe, atrás de uma pequena colina, alguém presenciava a cena desesperado com o advir da execução. Quando se libertou da angústia do pesadelo sem sombra, desenhado à sua frente, verificou que tinha conseguido fixar, embora sem perceber, os sinais escritos na areia. Fixou-os, mas a atenção estava presa à mulher condenada e que agora seria libertada. O momento de prazer que sentiu contrastava com o sofrimento prévio, mas, após alguns momentos, as imagens das palavras começaram a fazer algum sentido e a querer roubar-lhe a tranquilidade da alegria. Viu que tinha sido observado, mas apenas por quem tinha olhos. Num relance, os seus olhares cruzaram-se enigmaticamente, acabando por ser premiado com um sorriso, ao mesmo tempo meio cúmplice e meio triste, como se tivessem assinado um pacto eterno quanto ao significado daquelas frases. Passou à sua frente, num passo vagaroso e firme, até se aproximar da ex-condenada e, de mãos dadas, abandonaram o local, tranquilos, sob a sombra dos olhos da justiça.
Acordou meio sobressaltado. A sensação de um frio matinal, inesperado para a época, fê-lo estremecer. Mas não, afinal, o frio vinha do interior. Foi o sonho que lhe roubou o seu calor para alimentar o sol, escaldando as areias do deserto. Ainda conseguiu ver as linhas desenhadas na areia, mas esfumaram-se repentinamente, impedindo-o de as ler. Esforçou-se por as desenhar mentalmente, mas não conseguiu. Uma sensação de incómodo invadiu-o provocando-lhe medo e angústia. Mais um acordar traduzido no eterno sentimento que o persegue desde que começou a ter lembranças da sua existência: a injustiça. Apetecia-lhe refugiar na loucura, uma forma de morte em vida, capaz, quem sabe, de lhe permitir desfrutar algumas emoções na sua verdadeira pureza.
Leu as notícias. Já não vão matá-la por apedrejamento, decidiram enforcá-la. Corja de bandidos.
Socratez & Conejo, SL
O PM e o ministro da Presidência aproveitaram a fome de notícias de um fim-de-semana pacato, para darem foro de escândalo às declarações de Pedro Passos Coelho, creio que na passada 4ª feira em Madrid, onde se deslocou para se encontrar com políticos espanhóis e defendeu que se fosse ele o PM teria vendido as acções do Estado na PT, ainda a propósito do exercício do veto do Estado no negócio das participações sociais da PT na VIVO. "Não honram as boas tradições da política", terá dito o indignado Engº Sócrates.
Confesso que não gostei de ver o líder do maior partido da oposição e candidato a PM a proferir declarações deste tipo em território espanhol. Não lhe ficou bem, como não fica bem aos mais altos responsáveis políticos criticar qualquer órgão de soberania fora do território nacional, designadamente no território de um Estado a que pertence empresa que disputa os interesses da PT. Isto, independentemente da posição que se tome sobre o mérito da actuação do governo português.
Mas se falta autoridade a alguém para criticar Passos Coelho é precisamente ao PM e ao governo.
Já nem vale a pena recordar o episódio, triste e patético, do "espanholês" gritado por Sócrates num comício de apoio ao PSOE, ainda que na qualidade de maior responsável do PS. Nem tão pouco a visão parola sobre as opções prioritárias da política externa nacional, quando, logo no início do mandato do governo PS, à pergunta sobre a hierarquia das relações internacionais de Portugal, o PM respondeu "Espanha, Espanha, Espanha!".
Para não recuar tanto no passado e me fixar no comportamento de Sócrates a propósito do negócio da VIVO, recorda-se somente que as explicações sobre o veto ao negócio proposto pela Telefonica que o Primeiro-Ministro português ordenou, foram de imediato dadas não a um órgão de comunicação português, mas ao porta-estandarte da PRISA, o El País, nesta significativa entrevista.
sexta-feira, 9 de julho de 2010
Os "pequenos jardins"...
A Baixa de Lisboa já não é o que era. Depois do grande incêndio do Chiado, mas não só, a Baixa decaiu imenso, não apenas enquanto espaço de comércio, mas também como espaço de fruição e convívio social.
O Chiado tem vindo aos poucos e poucos a ganhar alguma vitalidade, mas com a sua alma descaracterizada pelo contraste da presença de grandes lojas de cadeias internacionais e do desaparecimento das antigas "boutiques" que lhe conferiam um charme próprio. Há ainda alguns resquícios dos velhos tempos.
O Chiado tem vindo aos poucos e poucos a ganhar alguma vitalidade, mas com a sua alma descaracterizada pelo contraste da presença de grandes lojas de cadeias internacionais e do desaparecimento das antigas "boutiques" que lhe conferiam um charme próprio. Há ainda alguns resquícios dos velhos tempos.
Pouca gente se lembra do Pequeno Jardim, uma "boutique" de flores, fiel à sua vocação centenária. Este pequeno viveiro de plantas dispõe de um balcão de atendimento no vão da entrada de um prédio antigo situado na Rua Garrett e estende-se com as suas viçosas flores sobre a calçada à portuguesa. Mais abaixo estavam, ainda me lembro, os "Estabelecimentos Jerónimo Martins", casa fundada em 1792.
Sempre que vou ao Chiado, embora muito raramente, o passeio até ao Pequeno Jardim é obrigatório. Mas é sempre um passeio com novidades porque o Pequeno Jardim está sempre renovado de florinhas delicadas, que dificilmente se encontram nos grandes hortos. Desta vez comprei dois vasinhos de Alegrias cor-de-rosa. Já estão a decorar os canteiros da minha casa.
Não sei se existem incentivos para reabilitar as antigas "boutiques" do Chiado, mas gostava de ver mais "pequenos jardins"!
(o "Pequeno Jardim" merecia uma máquina fotográfica de qualidade, mas a câmara do telemóvel era o que estava à mão e como o telemóvel também não é grande coisa...)
quinta-feira, 8 de julho de 2010
Prémio Boas Práticas no Sector Público
Uma das nossas características como colectivo é sermos avarentos no reconhecimento do valor dos outros. Preferimos dizer mal, ou pôr muitas reticências quando aparece uma coisa bem feita, relegando os bons resultados para um vago “não fez mais que a sua obrigação”. É pena, porque um elogio pode fazer milagres no ânimo das pessoas e ajudar a que se faça muito melhor.O Prémio Boas Práticas no Sector Público, promovido pela Deloitte em colaboração com o Diário Económico, a FLAD e o INA, abriu as candidaturas à sua 8ª edição. Esta iniciativa tem avaliado e divulgado centenas de iniciativas inovadoras no sector público e o modo como contribuem de forma comprovada para a qualidade do serviço. Muito desse trabalho é conseguido com poucos meios, imaginação e muito empenho das equipas e precisam do reconhecimento e divulgação que a sua qualidade merece, também para que outros possam seguir o seu exemplo e replicar os modelos já testados.
Tenho o privilégio de ter participado desde o início nesta iniciativa que quis contrariar o sistemático discurso crítico e desmotivador ,que só aponta maus exemplos e ignora o muito que se progride e melhora no sector público. A análise dos projectos é feita com os mesmos critérios que são usados para avaliar e destacar iniciativas empresariais.
Tive a sorte de poder testemunhar a notável evolução que tem havido, quer na quantidade e diversidade de candidaturas, por exemplo de municípios, escolas, universidades e serviços centrais, quer na qualidade e exigência crescente dos projectos apresentados. Há progressos muito significativos no modo como se quantificam e valorizam as várias vertentes a considerar, - a financeira, processos, impacto nos colaboradores e qualidade de serviço ao cidadão, - o que evidencia os resultados e fundamenta a sua consistência.
Assisti, ao longo deste oito anos, ao entusiasmo e à emoção dos que trabalharam em centenas de projectos visitados, avaliados e por fim seleccionados para os Prémios finais. Em todos eles o traço de lideranças conscientes da importância do trabalho em equipa e o orgulho de assumir que se fez bem, em todos eles a ansiedade do reconhecimento e a importância do estímulo para continuar. Um estudo da avaliação do impacto deste Prémio mostrou o aumento do reconhecimento interno e externo e um aumento do grau de motivação das equipas.
É muito importante que a Administração Pública mostre o que faz com sucesso e prove como contribui para apoiar ou facilitar a vida aos que precisam dos seus serviços. É muito importante que, na falta de recompensas materiais ou perspectiva de carreira, se dê sem regatear o estímulo do reconhecimento a quem tem o brio de fazer bem o seu trabalho.
Para isso é preciso que sejam apreciados e divulgados, e a 8ª edição do Prémio das Boas Práticas no Sector Público é uma excelente oportunidade para o fazer, como podem testemunhar as dezenas de serviços já premiados.
As candidaturas podem ser apresentadas até 15 de Julho e a Gala terá lugar em Novembro. Esperamos ter muitos casos de sucesso para premiar!
quarta-feira, 7 de julho de 2010
Reabilitação urbana ?!
Acabei de ouvir na RTPn no programa "Directo ao Assunto" o comentador João Galamba afirmar que o Governo do PS lançou um grande programa de reabilitação urbana com a recuperação do parque escolar.
Já se tinha percebido que em matéria de manipulação da realidade o PS é useiro e vezeiro a amplificar as suas medidas para tapar os tristes resultados da sua governação.
Estoiraram milhões a distribuir computadores e pretenderam fazer crer que estavam a realizar uma grande reforma tecnológica.
Puseram a PT a fazer umas coisas com a banda larga para depois propagandearem que Portugal está na vanguarda.
Lançaram as novas oportunidades e tentaram convencer-nos que estavam a promover um grande salto em matéria educativa.
Agora acham que podem transformar a realização de umas obras numas escolas caducas e degradadas em reabilitação...
...urbana.
Basta visitar a envolvente de alguns destes "milagres" para percebermos que a noção de urbano terminou no perímetro dessas escolas.
Falta de liquidez na economia: o "efeito dominó"
1. As notícias recentes que dão conta de uma situação insustentável (mais uma...) de atrasos de pagamento dos hospitais públicos à indústria farmacêutica – ultrapassando € 850 milhões no final de Junho e com um ritmo de crescimento de € 25 milhões por mês - constituem a ponta de um “iceberg” que vem afectando as condições normais de funcionamento da economia portuguesa.
2. Por força desse atraso crescente dos pagamentos a indústria farmacêutica terá decidido ou irá decidir passar a aplicar uma taxa de juro legal de 8% aos montantes em dívida que ultrapassem 90 dias (o “grosso da coluna”, na verba acima mencionada).
3. Desde há tempos que se vem falando insistentemente nas crescentes dificuldades que as empresas dum modo geral sentem para cobrar os créditos comerciais sobre clientes, que se atrasam cada vez mais nos seus pagamentos...
4. Não parece errado admitir que este fenómeno, típico de uma economia com uma insuficiência estrutural de liquidez, seja o resultado de dois grandes factores:
- Os atrasos crescentes de pagamento por parte do Estado, pois não são apenas os atrasos de pagamento à indústria farmacêutica que estão em causa - os hospitais devem cada vez mais a outros fornecedores, as câmaras municipais pagam com atrasos cada vez maiores, empresas públicas doutras áreas (transportes, por exemplo) estão igualmente sujeitas a graves restrições financeiras por insuficiência das indemnizações compensatórias, etc;
- As restrições ao crédito bancário cada vez mais notórias, traduzidas numa real escassez de crédito e num brutal encarecimento do pouco crédito bancário disponível (“spreads” sobre a taxa de juro de 5% ou mais são hoje linguagem corrente para as empresas de risco médio).
5. Esta situação, a prolongar-se ou até a agravar-se (o que não é de excluir), acaba por produzir o chamado “efeito-dominó”: A não paga a B, B não paga a C, C não paga a D,....entrando-se num círculo vicioso de atrasos de pagamento que emperra as transacções, motiva insolvências, põe em causa o pagamento pontual de salários, desincentiva o investimento, coloca em causa as receitas fiscais a começar pelo IRS (não entrega das importâncias retidas pelos empregadores...), etc, etc.
6. A maior perversidade no funcionamento deste mecanismo de “dominó” dá-se quando as próprias empresas que têm liquidez atrasam pagamentos ou deixam também de pagar para se prevenirem quanto ao futuro...
7. Creio que a única forma de romper este círculo vicioso e de parar este “efeito dominó” seria o Estado assumir a necessidade de regularizar os seus atrasos de pagamento, realizando uma emissão extraordinária de dívida (€ 2 a 3 mil milhões não seria demais) para diminuir os atrasados e restituir a liquidez à economia.
8. Se assim não for, tenho a noção de que o “efeito dominó” tenderá a alastrar, com sérias consequências para o ritmo da actividade económica e para a saúde financeira da generalidade das empresas não financeiras (e das financeiras por arrasto...).
9. E não se admirem se o desemprego continuar a subir, contrariando as expectativas oficiais, mesmo depois de descontado o habitual excesso de optimismo de tais expectativas...
2. Por força desse atraso crescente dos pagamentos a indústria farmacêutica terá decidido ou irá decidir passar a aplicar uma taxa de juro legal de 8% aos montantes em dívida que ultrapassem 90 dias (o “grosso da coluna”, na verba acima mencionada).
3. Desde há tempos que se vem falando insistentemente nas crescentes dificuldades que as empresas dum modo geral sentem para cobrar os créditos comerciais sobre clientes, que se atrasam cada vez mais nos seus pagamentos...
4. Não parece errado admitir que este fenómeno, típico de uma economia com uma insuficiência estrutural de liquidez, seja o resultado de dois grandes factores:
- Os atrasos crescentes de pagamento por parte do Estado, pois não são apenas os atrasos de pagamento à indústria farmacêutica que estão em causa - os hospitais devem cada vez mais a outros fornecedores, as câmaras municipais pagam com atrasos cada vez maiores, empresas públicas doutras áreas (transportes, por exemplo) estão igualmente sujeitas a graves restrições financeiras por insuficiência das indemnizações compensatórias, etc;
- As restrições ao crédito bancário cada vez mais notórias, traduzidas numa real escassez de crédito e num brutal encarecimento do pouco crédito bancário disponível (“spreads” sobre a taxa de juro de 5% ou mais são hoje linguagem corrente para as empresas de risco médio).
5. Esta situação, a prolongar-se ou até a agravar-se (o que não é de excluir), acaba por produzir o chamado “efeito-dominó”: A não paga a B, B não paga a C, C não paga a D,....entrando-se num círculo vicioso de atrasos de pagamento que emperra as transacções, motiva insolvências, põe em causa o pagamento pontual de salários, desincentiva o investimento, coloca em causa as receitas fiscais a começar pelo IRS (não entrega das importâncias retidas pelos empregadores...), etc, etc.
6. A maior perversidade no funcionamento deste mecanismo de “dominó” dá-se quando as próprias empresas que têm liquidez atrasam pagamentos ou deixam também de pagar para se prevenirem quanto ao futuro...
7. Creio que a única forma de romper este círculo vicioso e de parar este “efeito dominó” seria o Estado assumir a necessidade de regularizar os seus atrasos de pagamento, realizando uma emissão extraordinária de dívida (€ 2 a 3 mil milhões não seria demais) para diminuir os atrasados e restituir a liquidez à economia.
8. Se assim não for, tenho a noção de que o “efeito dominó” tenderá a alastrar, com sérias consequências para o ritmo da actividade económica e para a saúde financeira da generalidade das empresas não financeiras (e das financeiras por arrasto...).
9. E não se admirem se o desemprego continuar a subir, contrariando as expectativas oficiais, mesmo depois de descontado o habitual excesso de optimismo de tais expectativas...
Pensões em Livro Verde
A Comissão Europeia (CE) lançou hoje um Livro Verde sobre o futuro das reformas na Europa. O grande tema em discussão é o de saber que reformas devem ser feitas nos sistemas de pensões para assegurar a sua sustentabilidade face ao envelhecimento da população, caracterizado pelo aumento da esperança de vida e pela redução da taxa de natalidade. O Livro Verde convida todas as partes interessadas a contribuir com os seus pontos de vista, opiniões e ideias sobre a forma de enfrentar o desafio das pensões – um dos maiores desafios que hoje se deparam à União Europeia (UE) – e sobre o modo como a UE pode contribuir para as soluções.
O período de consulta será de quatro meses (até 15 de Novembro de 2010), após o qual a CE analisará todas as respostas e estudará a melhor opção para as acções futuras destinadas a abordar estas questões a nível da UE. Qualquer pessoa com interesse no assunto pode apresentar as suas observações em http://www.eupensiondebate.eu/, um sítio especialmente criado para apoiar a iniciativa.
O Livro Verde levanta a questão da eventual necessidade do aumento da idade legal de reforma. Com efeito, o envelhecimento da população está a colocar os sistemas de pensões sob forte pressão. Em 2008, havia quatro pessoas em idade activa (15 - 64 anos de idade) para cada pessoa com mais de 65 anos. Até 2060, este rácio irá baixar, passando a ser de dois para um, situação que se apresenta insustentável do lado da despesa. O objectivo final é evitar que o nível das pensões diminua acentuadamente ou que os sistemas entrem em colapso.
O período de consulta será de quatro meses (até 15 de Novembro de 2010), após o qual a CE analisará todas as respostas e estudará a melhor opção para as acções futuras destinadas a abordar estas questões a nível da UE. Qualquer pessoa com interesse no assunto pode apresentar as suas observações em http://www.eupensiondebate.eu/, um sítio especialmente criado para apoiar a iniciativa.
O Livro Verde levanta a questão da eventual necessidade do aumento da idade legal de reforma. Com efeito, o envelhecimento da população está a colocar os sistemas de pensões sob forte pressão. Em 2008, havia quatro pessoas em idade activa (15 - 64 anos de idade) para cada pessoa com mais de 65 anos. Até 2060, este rácio irá baixar, passando a ser de dois para um, situação que se apresenta insustentável do lado da despesa. O objectivo final é evitar que o nível das pensões diminua acentuadamente ou que os sistemas entrem em colapso.
Sobe e desce...
A medida é apresentada como crucial para reduzir o défice para 3% do produto em 2012. Como não poderia deixar de ser, a consolidação orçamental passa por cortes significativos nos custos com pessoal da função pública. Segundo o governo “a nossa estratégia está completamente focada no congelamento das admissões, no controlo mais rigoroso das admissões e numa forte contenção salarial".Vejo com preocupação que a variável de ajustamento seja uma vez mais, a par dos impostos, o custo salarial da função pública. Não discuto a necessidade e a urgência e, como tal, a corrida contra o tempo não abre no imediato outras soluções. Não é a primeira vez que tal acontece, assim como é verdade que a função pública volta e meia é beneficiada com generosos e convenientes aumentos salariais.
Não é um bom caminho, que o passado já se encarregou de demonstrar, colocar a função pública como a variável de serviço para resolver os grandes males da despesa pública. Uma tal política não pode conduzir a um corpo de colaboradores motivado, empenhado e que se sinta respeitado. Há na função pública gente séria, competente e com saber fruto de muitos e bons anos de serviço público. Não admira, pois, o ambiente desencorajador que hoje se vive em muitos serviços públicos. Com este quadro, ocorre-me perguntar como é que se aumenta a eficiência e a produtividade da função pública que bem preciso é.
É necessário que sejam pensadas soluções para reduzir estruturalmente a despesa pública e melhorar a qualidade dos serviços que o Estado presta aos cidadãos e a si próprio. O momento de necessidade poderia constituir um incentivo, não para ir pelo caminho mais fácil e imediatista, fazendo cortes cegos, mas para aprender com os erros passados e preparar o pós-crise. O momento de urgência deveria também exigir uma discussão alargada que permitisse um consenso tão alargado quanto possível.
Não é um bom caminho, que o passado já se encarregou de demonstrar, colocar a função pública como a variável de serviço para resolver os grandes males da despesa pública. Uma tal política não pode conduzir a um corpo de colaboradores motivado, empenhado e que se sinta respeitado. Há na função pública gente séria, competente e com saber fruto de muitos e bons anos de serviço público. Não admira, pois, o ambiente desencorajador que hoje se vive em muitos serviços públicos. Com este quadro, ocorre-me perguntar como é que se aumenta a eficiência e a produtividade da função pública que bem preciso é.
É necessário que sejam pensadas soluções para reduzir estruturalmente a despesa pública e melhorar a qualidade dos serviços que o Estado presta aos cidadãos e a si próprio. O momento de necessidade poderia constituir um incentivo, não para ir pelo caminho mais fácil e imediatista, fazendo cortes cegos, mas para aprender com os erros passados e preparar o pós-crise. O momento de urgência deveria também exigir uma discussão alargada que permitisse um consenso tão alargado quanto possível.
Haverá muito por onde cortar porque os desperdícios e os excessos são muitos, mas fazê-lo avulso não é certamente uma boa solução. Repensar as prioridades do investimento público é, também, uma discussão a fazer, que não pode deixar de estar associada ao modelo de desenvolvimento que queremos ter.
Se assim não for, que garantia temos que a despesa pública se reduz de forma coerente e sustentada? Não me parece que a função pública deva continuar a ser a variável de ajustamento e de tratamento de “choque” para acudir às emergências, nem tão pouco podemos continuar a financiar as irracionalidades do Estado à custa do aumento dos impostos. Tudo isto já deu muito mau resultado. A crise só se vencerá com medidas estruturais...
Se assim não for, que garantia temos que a despesa pública se reduz de forma coerente e sustentada? Não me parece que a função pública deva continuar a ser a variável de ajustamento e de tratamento de “choque” para acudir às emergências, nem tão pouco podemos continuar a financiar as irracionalidades do Estado à custa do aumento dos impostos. Tudo isto já deu muito mau resultado. A crise só se vencerá com medidas estruturais...
Assustadora fragilidade do euro
As agências estão a veicular uma notícia segundo a qual a queda da cotação do euro face ao dólar que hoje se verifica, deve-se ao não pagamento de obrigações vencidas por parte de um banco...russo. Mas para além de se tratar de uma instituição financeira fora da zona euro (ainda que um importante banco no sistema financeiro russo), o que é mais preocupante é o montante do incumprimento: 200 milhões de euros! A ser verdade que o euro treme a cada default desta ordem de valores, é assustador imaginar o que pode vir aí...
terça-feira, 6 de julho de 2010
Vote em Pamela Gorman!
Uma candidata ao Congresso Norte-americano que promete disparar contra os impostos. Como acabo de receber a “receita” do IRS eu não hesitava um minuto: votava nela...
Equilibrismos (ou a Lei Universal das Compensações)
Tudo está bem quando acaba bem.
Feito o interregno, podemos voltar ao futebol?
Feito o interregno, podemos voltar ao futebol?
Do que eu me fui lembrar!
Chegou o calor. Veio de repente. Já não temos direito a transições. O que vinha agora a calhar era mesmo um chapéu com uma ventoinha e com a vantagem de ser movida a energia solar. Com tanto choque tecnológico, ainda ninguém se lembrou desta inovação. Ou será que é produto de exportação? Confio (e desconfio) que a procura interna seria grande. Estou compradora...segunda-feira, 5 de julho de 2010
Toque a rebate
"Antecipando a intervenção que fará hoje de manhã, no Refeitório dos Frades do Palácio de S. Bento, em Lisboa, Assis frisou que é esse "o grande combate contra a direita que há hoje a travar: impedir a destruição do Estado Social e de conquistas civilizacionais como a igualdade de oportunidades", dá-nos conta o ´Publico"
O apelo ao "grande combate contra a direita" é o melhor sinal do desassossego que assalta o PS. E é normal que seja assim. As sondagens mostram uma clara perda de confiança do eleitorado do centro no PS a benefício do PSD, com Passos Coelho a passar bem a imagem de serenidade e de responsabilidade, em contraste com as constantes contradições, desacertos e trapalhadas da governação num período em que se exige, como nunca, sabedoria, ponderação, coragem e sobretudo capacidade para remobilizar a sociedade e preparar o Estado para os sucessivos impactos de uma crise de efeitos retardados.
Os que se reunem hoje no Refeitório dos Frades beneditinos, sabem bem que já é irrecuperável parte do eleitorado que vota ao centro. Mas sobretudo temem que à esquerda as perdas venham a ser igualmente irreparáveis.
Ao mesmo tempo que convocam os frades de prédica fácil de esquerda - alguns quase esquecidos como Ferro Rodrigues -, a verdade é que aquele eleitorado que vota à esquerda porque sim, observa um PS agarrado à direita que tanto critica. E percebe que são os tenebrosos ultra-neoliberais o abono de família de um PS que só nestes momentos de aflição retira o socialismo da gaveta onde Mário Soares o arrumou há mais de um quarto de século, para o exibir e logo logo o arrumar de novo, não vá o eleitorado julgar que Frei Assis fala mesmo a sério.
domingo, 4 de julho de 2010
Ou jovens ou velhos
Segundo os dados do Inquérito Social Europeu sobre a percepção que as pessoas dos diferentes países europeus têm sobre o que é ser jovem ou ser velho, Portugal destaca-se pelo curto período de vida adulta que nos concedemos: os inquiridos consideraram que somos jovens até aos 29 anos e velhos aos 51!Está explicado tecnicamente o misterioso factor da nossa fraca produtividade, adiamos a idade adulta até se ser trintão e depois temos vinte anos para mostrar a plenitude, a partir daí é para pensar na reforma e arrumar as botas!
É curiosa esta percepção, que mostra que a longevidade só se perspectiva do lado da juventude, enquanto o outro prato da balança fica confinado ao tempo útil dos nossos bisavós.
É curiosa esta percepção, que mostra que a longevidade só se perspectiva do lado da juventude, enquanto o outro prato da balança fica confinado ao tempo útil dos nossos bisavós.
Se virmos os jornais, é frequente encontrar referidos "jovens" de trinta e muitos anos enquanto as pessoas de sessenta são "idosas", basta ver as notícias dos acidentes de automóvel...
Esta percepção é bastante anómala no panorama europeu, como mostra o inquérito. Mas não são os jovens portugueses que avaliam erradamente os diferentes estádios da vida moderna, em contraste com os jovens europeus. Eles reportam a realidade em que cresceram e que temos vivido nas últimas décadas, em que se admite tarde e se dispensa cedo, como consequência das sucessivas ondas de "rejuvenescimento" ou de reestruturação das empresas. Assim, e agora agravado com o desemprego, é muito provável que jovens de trinta anos esperem ainda pela oportunidade de entrar na vida adulta enquanto os seus pais já regressaram a casa, aos cinquenta anos, dispensados de contribuir com o seu trabalho e o seu saber muito antes da velhice lhes ditar o merecido descanso.
O que mostra este inquérito é o absurdo desperdício em que vivemos, desperdicio de ambição e de conhecimento. Triste retrato este, de adultos adiados e de velhos precoces.
Esta percepção é bastante anómala no panorama europeu, como mostra o inquérito. Mas não são os jovens portugueses que avaliam erradamente os diferentes estádios da vida moderna, em contraste com os jovens europeus. Eles reportam a realidade em que cresceram e que temos vivido nas últimas décadas, em que se admite tarde e se dispensa cedo, como consequência das sucessivas ondas de "rejuvenescimento" ou de reestruturação das empresas. Assim, e agora agravado com o desemprego, é muito provável que jovens de trinta anos esperem ainda pela oportunidade de entrar na vida adulta enquanto os seus pais já regressaram a casa, aos cinquenta anos, dispensados de contribuir com o seu trabalho e o seu saber muito antes da velhice lhes ditar o merecido descanso.
O que mostra este inquérito é o absurdo desperdício em que vivemos, desperdicio de ambição e de conhecimento. Triste retrato este, de adultos adiados e de velhos precoces.
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