À entrada de uma praia, um posto da Administração Regional de Saúde. Perguntei se mediam a tensão arterial. Que sim. Trabalho feito, com prontidão e qualidade, estou certo.
-Quanto é que tenho a pagar?
-Agora, nada, vai receber uma factura em casa...e a senhora enfermeira logo tratou de saber os dados, nome, morada, nº contribuinte e do serviço nacional de saúde, um bastava, data do nascimento, entregando-me cópia. Preço, oitenta cêntimos.
-Bom, oitenta cêntimos, mais valia pagar já, assim com trabalho administrativo e portes de correio, o custo é maior que a receita...
-São as instruções que temos...
Pois é, só os selos de correio de envio da factura e, depois, do recibo, ultrapassam o valor cobrado. Juntando o custo do processamento de um e outro dos documentos, da contabilização, etc, etc, o esquema transforma-se num monumento à irracionalidade da máquina burocrática.
Como alternativa ao pagamento imediato, naturalmente sujeito a fraudes, ficava bem mais barato fazer o serviço à borla. Mas assim se assegura o emprego a mais uns funcionários públicos. E é isso que conta para a verdadeira burocracia. Se não trata de si em primeiro lugar, nem tem direito a existir.