Número total de visualizações de página

sexta-feira, 12 de junho de 2015

A (re)tomada de poder na TAP

Ergue-se algum clamor sobre a venda da TAP, logo ampliado por tudo o que se julga bem pensante na comunicação social, defendendo que essa entidade deveria continuar a ser empresa pública. 
Chamar à TAP empresa pública é dos maiores desconchavos já vistos. É que a TAP tornou-se há muito uma empresa privada ao serviço dos sindicatos, que dela abusivamente se apropriaram, Eram os sindicatos das diversas corporações, fossem  elas dos pilotos, do pessoal de voo, de terra, da manutenção ou de qualquer outra corporação, quem decidia se a empresa abria ou fechava as portas, se os aviões levantavam voo ou ficavam em terra, se o pessoal devia ou não ir trabalhar, sem prejuízo, claro, do ordenadinho ao fim do mês. 
Aos cidadãos portugueses, claro, cabia pagar a conta, a conta de uma empresa em que poder e gestão lhes foram usurpados ao longo dos anos.
Foi talvez por isso que no oportuno e acertado post antecedente sobre a TAP, o Ferreira de Almeida nunca denominou a TAP como empresa pública. Limitou-se a qualificá-la como empresa com capital do Estado. Pois são mesmo essas que os sindicatos gostam de manipular a seu gosto. Porque têm sempre quem pague a conta.
Vá lá que, por uma vez, o dono legítimo retomou o poder na empresa.  

9 comentários:

Bartolomeu disse...

Num país espartilhado por políticas de uma UE autista; asfixiado por imposições de uma troika nazi e inquisitorial, restam os sindicatos para moderar a subserviência daqueles que nos governam aos superiores interesses daqueles que fingem ajudar-nos. São exagerados? São destrutivos? São! Mas são necessários porque, neste país a constituição é uma coisa remota que so serve para chatear e atrasar as decisões que de uma forma ou de outra, com ou sem entendimento com o maior partido da oposição, o governo acaba por aprovar com a complacência de um PR que não fala, mas que também não diz.

Pinho Cardão disse...

Caro Bartolomeu:
Uma discordância absoluta, total com o meu amigo. Os três maiores partidos políticos portugueses, que representam bem mais de três quartos do eleitorado, tinham nos seus programas a privatização da TAP. O PS inscreveu-a voluntariamente no Memorando de Entendimento. Que tem a Troyca a ver com isto?
A Troyca apresentou-se em Portugal porque a chamaram; e, sem ela, gostaria de ver como é que, por exemplo, os funcionários públicos deste país receberiam os os seus ordenados e os reformados as pensões.

Bartolomeu disse...

A discordância de opiniões, não radica nos aspectos que menciona, caro Dr. Pinho Cardão, mas sim, na NECESSIDADE de sindicatos manterem algum poder em sectores públicos como transportes, saúde, educação, capazes de contrariar ou fazer recuar o governo em algumas decisões. Se me disser que algumas ações sindicais são absurdas, prejudiciais para opaís e para a vida e direitos dos cidadãos, de acordo. Mas não me diga que elas são dispensáveis, porque não são. E não são por vários motivos, um deles, fundamental, é a falta de entendimento nas matérias entre coligação e entre coligação e o principal partido da oposição. Num país a ser governado de forma tão arbitrária, se não existirem sindicatos capazes de reivindicar e conduzir os trabalhadores à greve... "adeus viola"! Lá se vão os direitos consignados na Constituição e lá voltamos a um regime ditatorial, sem que, na verdade, algum dia em quarenta anos, tenhamos realmente vivdo em democracia.

Bartolomeu disse...

PS;
Ontem à noite, Marques Mendes mimoseou o Sec. de Estado dos Transportes, de pândego...
Esqueceu-se do resto do governo e partidos da oposição. Uma pândega completa, um carnaval de mascarados e desmascarados que fazem com que, cada caso que se destape neste país, seja ele público ou privado, rasgue véus e cabeleiras que mascaram Pierrôs, Arlequins e Colombinas, num triângulo amoroso, absolutamente escandaloso. Mas que de pândego nada tem!

Carlos Sério disse...

Segundo se afirma e ainda não vi qualquer desmentido, a TAP dá lucros há 18 anos. Os prejuízos, os tais mil milhões aparecem depois da compra em 2007 (e antes da sua declaração de falência) da empresa de manutenção no Brasil VEM por 500 milhões de euros e também da compra da Portugália igualmente falida, empresa do grupo GES (Espirito Santo Internacional) por 140 milhões de euros em 2006.
Não são os Sindicatos os responsáveis por esta gestão danosa encabeçada por Fernando Pinto.
É um disparate e um absurdo tentar colocar nas costas dos sindicatos a ruinosa gestão da TAP por Fernando Pinto e pela tutela. A cegueira ideológica nunca deveria chegar a tanto, porque só serve para se descredibilizar a si própria.

Rui Fonseca disse...



Caro António,

Concordo. A TAP privatizada deixa de ser uma ameaça aos bolsos dos contribuintes portugueses. Só tenho uma dúvida: Os bancos vão concordar com a cessão de créditos dispensando o aval do Estado? E qual o envolvimento da CGD na dívida da TAP? Sabe-se pouco dos termos do acordo, as surpresas podem mudar completamente a perspectiva. Desconfio eu.

Já agora, uma privatização necessária, de que ninguém fala, mas eu insisto: a privatização do Ministério Público. É que o MP perde as causas todas que metem peixe graúdo. Está preso o Vale de Azevedo para amostra e o Sócrates para ser inocentado lá para o fim do ano.
Ora se o MP fosse adjudicado a quem se candidatasse a receber à
comissão outro seria o jogo da cabra-cega. Que te parece?

Pinho Cardão disse...

Caro Rui:
Não é verdade que não haja condenações de peixe graúdo. E tu sabes bem. E por que é que o MP perde muitos processos? Dou-te uma razão: porque insiste em levar a julgamento casos em que não consegue prova, porventura porque simplesmente não aconteceu o facto originador da acusação. É o que me dizem vários advogados que conheço e não tenho razões para não acreditar. Como também, em geral, vou acreditando nos Tribunais.

Rui Fonseca disse...



Há condenações em primeira instância que depois ou são anuladas na Relação ou vão ao Tribunal Constitucional para absolvição ou prescrição.

O Isaltino Morais foi condenado por uns trocos se os compararmos com os "desvios" de grande dimensão que se conhecem e que se arrastam ad aeternum em busca do tempo prescrito.

Aliás, tu mesmo reconheces que o MP é perito em levar a julgamento casos em que não consegue prova. Algum empresário manteria um advogado que lhe perdesse todas as causas e lhe apresentasse depois contas chorudas?

Meu Caro liberal António: Só há uma solução: entregar os processos a advogados pagos, ou dispensados, consoante os resultados. Ias ver que o caso mudava logo de figura.

Rui Fonseca disse...


Volto só para acrescentar que me parece aberrante condenar a penas de prisão (que depois raramente se concretizam) gente que arrombou os bolsos dos outros e, muitas vezes, dos contribuintes. Se o crime é pecuniário a pena deve ser pecuniária. Quem "desvia" 100 deve devolver 200, para reembolso dos lesados e custas do processo. Na prisão, que raramente ocorre, o culpado ainda fica mais caro.

Ou não?