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segunda-feira, 29 de junho de 2015

A tragédia dos gregos II

Segundo sondagens efectuadas na Grécia,  a maioria dos gregos prefere um acordo com a UE e a permanência no euro à ruptura das negociações e saída da moeda única. 
Curioso, muito curioso, que os telejornais só consigam encontrar pessoas a favor do Syriza, do fim das negociações e do regresso à dracma.
E rápidas a vociferar com a Senhora Merkel e com a Europa pela desgraça acrescida em que o Syriza conscientemente os quer meter.  

7 comentários:

Pedro Almeida disse...

GRÉCIA: REVISÃO DA MATÉRIA DADA - ONDE TUDO COMEÇOU

A Grécia entrou no Euro em 2001. Desde essa altura, teve um crescimento imparável. Enquanto os outros países, incluindo Portugal, atravessavam o que veio a ser chamado de a década perdida, a Grécia viu o PIB crescer 32% em 7 anos. No mesmo período o PIB português cresceu menos de 9% e o alemão pouco mais de 11%.Este crescimento do PIB foi acompanhado também pelo crescimento dos salários. Entre 2000 e 2007, a massa salarial na economia cresceu uns fantásticos 75%, quase o triplo de Portugal e 10 vezes mais do que na Alemanha. Assim, os gregos puderam consumir muito mais. Nestes 7 anos, o consumo cresceu 33%, enquanto o alemão estagnou e o português cresceu quase um terço.Como foi isto possível? Não houve nenhuma revolução tecnológica na Grécia, nenhum fluxo de investimento internacional e não foram descobertos recursos naturais no Mediterrâneo. Isto foi conseguido graças a um extraordinário aumento do endividamento público, em boa parte escondido. Foi uma espécie de Portugal Socrático com esteróides (no gráfico abaixo podem ver apenas a despesa pública oficial, excluindo a que foi escondida). Chegamos a 2008, os gregos tinham aumentado os seus padrões de vida como nunca antes tinha acontecido. Mas esse padrão de vida só foi atingido graças a uma enorme distorção da sua economia. Tinham um padrão de vida que só era sustentável graças a permanentes fluxos de dívida. Uma boa parte da sua economia dependia de um nível de despesa pública que o estado só conseguia atingir endividando-se brutalmente. Quando o estado deixasse de se poder endividar, toda aquela parte da economia se desmoronaria.
Foi o que aconteceu em 2008-2009…

(Inclui gráficos)

Em

http://oinsurgente.org/2015/06/29/grecia-revisao-da-materia-dada-onde-tudo-comecou/

Zuricher disse...

Caro Pinho Cardão, eu sinceramente também espero sinceramente que os eleitores Gregos votem não e recusem a proposta feita pela UE. É que doutra maneira não vejo jeitos disto ter um fim. A Grécia já está tão de pantanas nestes meses, já andou tanto para trás em relação ao ponto onde estava que serão anos até se resolver o assunto. Assim, se eles votarem que não aceitam, pois não aceitam, não aceitam, assunto resolvido. Ninguém tem mais qualquer obrigação moral de os ajudar, seguem o seu caminho e santas Páscoas.

Pedro Almeida disse...

A ameaça de Varoufakis:

"Não existem provisões nos Tratados para uma saída do Euro. Existem para uma saída da União Europeia".

https://www.youtube.com/watch?v=f3xShvssQr4


Resta saber se o povo grego concorda com os verdadeiros objectivos da extrema-esquerda...

Tiro ao Alvo disse...

Diz o Zuricher que a Grécia "já andou tanto para trás em relação ao ponto onde estava que serão (necessários) anos até se resolver o assunto". Mas eu, ao ler o que agora escreveu o Guimarães Pinto (http://oinsurgente.org/2015/06/30/grecia-revisao-da-materia-dada-o-resgate-e-o-ajustamento/), parece-me que a Grécia andou para trás o necessário para partir da "meta" de onde devia ter partido, se não tivesse feito batota.
Não sei se concordará comigo.

Zuricher disse...

Caro Tiro ao Alvo, não sei bem se percebo o seu post. Li o post de Carlos Guimarães Pinto que refere.

Onde quero chegar é a que ao longo destes seis meses, além dos dados relativos ao crescimento e ao emprego que inverteram a tendência que começava a aparecer em 2014 para melhorias e agora estão a piorar, houve também a reversão de leis que tinham sido aplicadas e que se destinavam a melhorar a competitividade da economia Grega. Além disto instalou-se uma mentalidade entre os Gregos - o apoio popular ao Syriza mostra-o - de que vale a pena bater o pé à União Europeia e de que é possivel voltarem a viver como em tempos de antanho sem que o país tenha possibilidades para lhes proporcionar esse nivel de vida. Tudo isto representa um enorme retrocesso no que vinha sendo atingido ao longo destes cinco anos.

Traduzindo agora o parágrafo anterior, já todos vimos e sabemos que o dinheiro que já foi emprestado à Grécia não será devolvido e que os credores terão que usar meios coercivos para o reaver. Até agora e que eu tenha reparado apenas dois chefes de governo já anunciaram a sua intenção de recorrer a eles, os de Malta e da Eslovénia. Não reparei em nenhum outro ter dito algo semelhante. Mas o fulcro é o de que esse dinheiro está perdido. Quanto mais dinheiro se deitar para cima deste problema é mais dinheiro perdido, dinheiro esse que vem do nosso bolso de contribuintes dos restantes países.

Por fim, a entrada da Grécia no Euro foi um erro histórico cujos efeitos estão agora a manifestar-se. Há neste momento a oportunidade de corrigir esse erro e, como mostrou o dia de ontem, a custos muito módicos. Deixar a Grécia falir e languidecer até o governo Grego ser obrigado a pedir para sair da moeda única e da UE é a forma de resolver esse erro histórico. Manter este estado de coisas é manter esta turbulência pelos anos (não meses, anos!) fora, algo que enfraquece o Euro e a União Europeia.

Tiro ao Alvo disse...

Caro Zuricher, escrevi que não sabia se concordava comigo, mas sou eu quem se vê na obrigação de vir aqui dizer que concordo consigo. Entendi mal o que queria dizer, quando se referiu ao "ponto de observação" da economia grega. Acontece.

antoniofreitas cruz disse...

Caríssimo Pinho Cardão,
Peço desculpa pelo abuso de aproveitar este meio para lhe fazer chegar uma informação: 227622300, mas só depois de meados Julho.
Um abraço do António Freitas Cruz afcruz32@gmail.com