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quinta-feira, 11 de junho de 2015

DesTAPam-se - finalmente! - os olhos...


Uma boa notícia, a da venda de parte das participações da TAP nas mãos do Estado. O que li e o que ouvi da boca de gente que sabe e não está comprometida com eleitoralismos ou sofre de miopias ideológicas, criou em mim a convicção de que a venda de parte do capital e do domínio da TAP, nunca podia ser feita a qualquer preço. Um preço inaceitável seria a necessidade de o contribuinte contribuir. Ao que parece o contribuinte não tem de contribuir. Satisfez-se, pois, por aí, uma parte do interesse público. A outra parte, compete a quem adquiriu. Tudo tem de fazer para que a TAP se transforme numa empresa bem sucedida, invertendo o plano inclinado em que deslizava velozmente. Creio que não passa da cabeça de ninguém (bem formado, claro) negar que o sucesso dos futuros novos acionistas corresponde ao interesse dos clientes da TAP e ao interesse do País.

P.S. - As reações de toda a oposição revelam um desconhecimento lamentável do significado de a TAP ter acumulado 512 milhões de euros de capitais negativos (salvo erro). Alguns dos opositores de plantão não sabem mesmo o que isso quer dizer. Mas no PS há quem saiba, sendo por isso lamentável a demagogia dos seus argumentos quando se sabe que se o PS tivesse de se confrontar com as consequências de uma alternativa à venda de participações do Estado, jamais a quereria assumir. Por isso é muito confortável não ter de decidir. Nem por isso menos condenável o irresponsável discurso da oposição pela oposição.

19 comentários:

Margarida Corrêa de Aguiar disse...

José Mário
A venda da TAP está envolta num clima político altamente conflituoso, com desinformação e falta de informação. A própria operação de venda foi conduzida no "segredo dos deuses". Gerou-se uma percepção pública de desconfiança. Li há pouco uma notícia sobre resultados de uma sondagem que apontam para um país dividido entre o sim da privatização e o não da privatização. Uma coisa é certa: abre-se uma nova página na vida da TAP. Esperemos que o que seja bom para a TAP seja bom para o país. Só assim, faz sentido.

JM Ferreira de Almeida disse...

Margarida, ainda me hao- de explicar como é que um processo negociial competitivo é transparente. Confunde- se tudo. Transparentes e públicas têm de ser as regras. Transparentes e públicos têm de ser os resultados e racional - economica, financeira e juridicamente - a decisão, seja ela de venda ou de não venda. Transparência não significa negociar na praça publica.

Pinho Cardão disse...

Ora aí está, caro Ferreira de Almeida. Palavras sábias e precisas, as do meu amigo.
E aposto que, na hipótese cada vez menos provável de ganhar as eleições, o PS fica quietinho como um rato,satisfeito por ver o problema resolvido. Ao contrário do que agora diz.

João Pires da Cruz disse...

As reacções da oposição são o reflexo do antigo regime. Repare-se que toda a gente anda preocupada em quanto o estado recebeu, ignorando quanto o país recebeu. E o país recebeu, pelo menos, 49% de 1,3 mil milhões+49% desses 500 milhões e uma companhia aérea. Mas a preocupação da oposição são os 10 milhões que o estado recebe.... Tarda em morrer a república, não é?

Carlos Sério disse...

Afinal, quem vai pagar a dívida de mil e tal milhões da TAP?

João Pires da Cruz disse...

A TAP

Carlos Sério disse...

A TAP dos 61% ou a TAP dos 39%?

JM Ferreira de Almeida disse...

Eu respondo. Se não se consolidar a TAP dos 61%, i.e. se esta não tiver êxito empresarial que exponencie o seu valor económico - que é significativo; ou se num acesso de insanidade política o Estado reverter o negócio (como o PS irresponsavelmente promete), seguramente que quem vai pagar é quem hoje detém os 39%. Mas só é assim, meu caro Carlos Sério, porque não há nesta república quem tenha, nesse cenário, a coragem de deixar insolver a empresa, comprovada que está a sua inviabilidade.
Será o meu Amigo, eu e quem mais paga impostos, a sustentar o "simbolo nacional", a "joia da coroa" como tenho ouvido por aí, transformando as viagens aéreas, mesmo as que viabilizam o gozo de férias no estrangeiro a quem pode, numa necessidade social similar à dos transportes públicos que fazem parte da vida das cidades. De uma coisa pode estar certo: não serão os passageiros a contribuir para recuperar financeiramente a empresa, nem os nacionais nem os estrangeiros. Os clientes de companhias aéreas procuram a máxima satisfação ao menor preço, como é normal num setor que não é estratégico por ser social. Os clientes não obedecem a nacionalismos e garanto-lhe que não há um português - nem o António Pedro de Vasconcelos - que prefira a TAP por ser a TAP, se a descolar do aeroporto de Lisboa, do Porto ou de Faro existir uma companhia estrangeira que voe para o mesmo destino em melhores condições e por menor preço. Basta olhar para o que aconteceu às rotas para a Madeira e para os Açores com a abertura às low cost...
Permitam-me insistir, porém, num ponto crucial. A TAP tem neste momento mais de 510 milhões de euros de capitais negativos. Simplificando, a situação patrimonial atual da empresa traduz-se nisto: se a TAP alienasse hoje todos os ativos, ainda assim o passivo excederia naquele montante o produto da alienação! É possível permanecer no mercado numa situação destas, em especial num setor em que a competição é tremenda, e onde nem sequer a subsidiação direta ou indireta aos preços, para além de não ser tolerada por lei comunitária, leva necessariamente a ser mais competitivo?
Enfim, de todas as irracionalidades dos tempos que correm, esta ideia de que a TAP tem de ser pública para ser "nossa", é aquela que atinge o paroxismo.

Zuricher disse...

Caro Ferreira de Almeida, muito gostei de ler o seu post e os seus comentários sobre este assunto TAP. Post e comentários com os quais estou inteiramente de acordo, aliás.

Detenho-me na última frase do seu comentário das 15h26. Este paroxismo acontece simplesmente porque um assunto tão delicado como este caiu na esterqueira da chicana política. Apenas por esse motivo estamos a assistir ao tristissimo espectáculo que o PS está a oferecer ao país. Do BE e da CDU são de esperar todas as parvoíces desta vida. O PS enquanto partido de governo tinha obrigação de ter mais juízo. Mas, enfim, como quem por lá anda não o tem e os media por seu lado também não questionam a sandice pois o que temos é precisamente este espectáculo tristissimo a que assistimos.

Isto com uma venda que, dado o contexto do transporte aéreo nos tempos actuais, dado o quadro regulatório da actividade e dada a situação específica da TAP, é bastante jeitosa para os contribuintes Portugueses.

Carlos Sério disse...

Eu admito perfeitamente que Passos Coelho mude de opinião depois das eleições. Para ganhar as eleições ele teve de prometer aquilo que sabia que não ia fazer. Há até quem admire esta postura para os quais ela é reveladora de grande sagacidade e inteligência. Recordo-me de Passos Coelho ter dito em Junho de 2010 “O problema é que o Estado, o governo, está prometer vender participações como quem vende os anéis para ir buscar dinheiro. (...) A política de privatizações em Portugal será criminosa, nos próximos anos, se visar apenas vender activos ao desbarato”. Claro que a venda da TAP não foi ao desbarato. Rendeu pouco mais que o ordenado do novo treinador do Sporting mas nós sabemos que no futebol é tudo bem pago.
Ou até que Pires de Lima faça o mesmo quando afirmou há pouco tempo “Não lançaremos a privatização a poucos meses das eleições legislativas”.
O que é preciso é seguir a estratégia traçada e se para a executar for preciso dizer hoje uma coisa e amanhã outra, tudo bem. O povo é sereno e tudo perdoa a bem do interesse nacional.
Mesmo quando se ultrapassasse já em dobro o valor das privatizações inscritas no memorando. Passos Coelho, tal como aplicou a austeridade em dobro também não quis ficar atras com o valor das privatizações. Pois tudo isto, “em grande”, é pelo interesse do país.
Voltemos à TAP. Há para aí umas vozes que dizem “que nos últimos dez anos, a TAP não só duplicou os proveitos como conseguiu baixar, desde 2008, uma dívida de 1,4 mil milhões para mil milhões, recorrendo apenas a recursos próprios”. Outros ainda afirmam que “a TAP foi eleita, a Melhor Companhia Aérea na Europa em 2011, 2012 e 2013, pela prestigiada revista “Global Traveller” dos EUA, e distinguida pela UNESCO e pela International Union of Geological Sciences com o Prémio Planeta Terra IYPE 2010, na categoria Produto Sustentável e eleita a Melhor Empresa Portuguesa na área do Turismo em 2011” e que vale mais do que os 10 milhões de euros”. São vozes que não estão a ver bem as coisas, não estão a ver o grande feito da venda por 10 milhões !!!
O Estado está agora muito mais capaz depois de ter despachado os CTT, A REN, a Galp, a PT, a ANA, a EDP, a PT, etc.
Depois de já termos privatizado a Portucel, a Cimpor, a Brisa, a Tabaqueira, a Quimigal, a Secil, a Cosec, a Centralcer, a Mundial Confiança, a CNP, a Covina, a Unicer, a Aliança Seguradora, a OGMA, a ex-Sorefame, a EDM, a SPE, etc, etc.
Conseguimos com todas estas privatizações passar de uma dívida pública de 50,3% do PIB em 2000 para 130,2% do PIB em 2014. É obra.

JM Ferreira de Almeida disse...

Meu caro Carlos Sério, não tenho ciência para lhe responder. Confesso a minha incapacidade de replicar quando a alhos me respondem com bogalhos...

Pedro Almeida disse...

No âmbito da União Europeia, quais são as empresas de aviação de referência cujo capital seja maioritariamente do Estado? Por que o capital da TAP tem de ser do Estado ou maioritariamente do Estado? Deixo estas perguntas como contributo ao debate.

Pedro Almeida disse...

Outra questão, já agora: O PS diz que aceita a privatização da TAP mas apenas parcial, isto é, com a condição de o Estado ficar com a maioria do capital. Salvo erro, é essa a posição que dizem agora defender. Pergunto eu: quem, a nível privado, quereria injetar dinheiro na TAP ficando como acionista minoritário?

Pedro Almeida disse...

Dívida da TAP chega aos 1.062 milhões

TAP fechou ano com prejuízos de 85,1 milhões. Transporte aéreo perdeu 46 milhões.

A dívida da TAP, que no final de 2014 era de 1.062 milhões de euros, não é o único motivo de preocupação para eventuais investidores. No ano passado, o grupo registou prejuízos de 85,1 milhões de euros, um valor que representa um agravamento de 79,2 milhões de euros face aos 5,9 milhões de euros registados em 2013.

http://economico.sapo.pt/noticias/divida-da-tap-chega-aos-1062-milhoes_216116.html

Pedro Almeida disse...

FAQ SOBRE A TAP

Trata-se de um conjunto de perguntas e respetivas respostas a respeito da TAP e do processo em curso, incluindo gráficos para um melhor entendimento sobre a situação da empresa.

http://oinsurgente.org/2015/06/12/faq-sobre-a-tap/

Pedro Almeida disse...

Uma retificação deixada por um comentador:

Escreveu que “A TAP foi vendida por 354 milhões de Euros”, mas eu penso que deveria ser mais preciso, escrevendo que “60% das acções da TAP foram vendidas por 354 milhões”.

Tiro ao Alvo disse...

Pedro Almeida, se está a escrever para esclarecer o Carlos Sério, não vale a pena, ele vê tudo pelos óculos do Partido, logo vê tudo distorcido. E, por outro lado, está convencido que é o dono da verdade e que é o mundo que tem que mudar, que é a realidade que se tem de moldar aos seus desejos. Há gente assim e que assim vai morrer. Coitados.

Pedro Almeida disse...

Não, não, caro Tiro ao Alvo. Deixemo-lo com as falsas ideias claras, para utilizar uma expressão de Ortega y Gasset.

Alexandre Burmester disse...

Caro Carlos Sério,

Esee fantástico rol de empresas privatizadas que refere foi, na sua esmagadora maioria, antes de ser privatizado, nacionalizado (para não dizer expropriado) na febre radical-comunista que se seguiu ao 11 de Março de 1975, e com o aplauso do PS, já agora, e isto por um governo provisório não proveniente de eleições, ou seja, num acto completamente ilegítimo do ponto de vista democrático.

Cada um é livre de defender o papel do Estado na economia que preferir, mas convinha não se criar a ideia de que os governos andam a vender coisas que o Estado, com denodado trabalho, edificou.