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sábado, 26 de setembro de 2015

Há, mas não são verdes.

Dias antes de rebentar o escândalo com os modelos da Volkswagen, a imprensa internacional difundia que a empresa responsável pela sua produção tinha sido considerada "a mais sustentável do mundo". O reconhecimento foi feito pelo Índice de Sustentabilidade do Dow Jones que analisou 31 empresas detentoras de marcas de automóveis e atribuiu à VW 99 em 100 pontos possíveis.
O caso, se põe claramente a nu a sofisticação dos esquemas de manipulação dos consumidores de que são capazes as mais reputadas corporações (que vão muito para lá das simulações tecnológicas, envolvendo também a cumplicidade de instituições ditas independentes e em grande medida os media), revela a perigosa captura de conceitos basilares do que se chegou a chamar uma nova ordem para o planeta finito que habitamos. Conceitos como "responsabilidade ambiental", "economia verde", "sustentabilidade" servem hoje de esteio às mais rematadas patranhas, explorando a boa fé dos cidadãos, ampliadas por muita ingenuidade - e alguns interesses materiais pelo meio - dos movimentos ambientalistas.
Estou em crer que este escândalo não fica por aqui e terá repercussões noutros sectores para além do automóvel, em especial na indústria alimentar "sustentável". Porém, esta denúncia da desonestidade da VW tem sobretudo a virtude da purificação ambiental. Não aquela que normalmente é associada às questões da sustentabilidade, mas na formação de sociedades menos suscetíveis de se deixarem poluir pelas promessas de novos sóis.

4 comentários:

Margarida Corrêa de Aguiar disse...

José Mário
"No melhor pano cai a nódoa"!
Este caso convoca-nos para a dúvida sobre como garantir que uma empresa ou uma indústria goza da "sustentabilidade" ambiental, e não só, que os seus relatórios proclamam.
Quanto mais prestigiadas são as empresas, como é o caso em questão, menos desconfiança suscitam as suas "boas práticas de sustentabilidade".
Talvez que este escândalo contribua para despoluir o ambiente irrespirável, mas não nos livramos do mal que causou ao ar que respiramos!
Acredito que muitas medidas sejam tomadas para que estes casos de "corrupção" não aconteçam, mas acredito que será cada vez mais difícil fazê-lo com eficácia.

Fernando Vouga disse...

Caro Zé Mário

A partir de agora, acreditamos em quê?

Antonio Cristovao disse...

Basta ver como é feita a "defesa do consumidor" em Portugal.
Uma Associação que tem como membros vários elementos da mesma família; e uma empresa multinacional, que se implantou a custa do Instituto de Defesa do Consmidor, que estrategicamente se retirou para meditação. paga Zé !!
Uma vergonha de cidadania!!

Bartolomeu disse...

O "Golias" alemão foi atingido em cheio no "olho" por uma pedrada atirada do lado de lá do oceano. Desta vez, não foi um pequeno David que fez disparar a funda, mas outro golias ciumento que o derrubou juntamente com mais uma quantidade de outros gigantes que dele dependem. Muitos outros "Golias" de "olho oblicuo" apanham pedras e as colocam a jeito. Como ao que parece, o Golias alemão nem sequer se defende, adivinha-se que em breve vá ao tapete, levando consigo uma cangalhada de outros golias, resultando tudo numa tremenda trapalhada nas bolsas, num número incalculável de desempregados em vários países e de falências, inclusive cá pelo burgo.