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quinta-feira, 24 de setembro de 2015

Programa Aylan, um plano inspirador...

O Programa Aylan do INATEL é um excelente exemplo de como as empresas/instituições podem dar um contributo responsável para a inclusão económica e social dos refugiados. O acolhimento dos refugiados passa necessariamente pelo esforço e pelo compromisso perante a sociedade em oferecer soluções que permitam juntar qualidades pessoais, desenvolvimento de competências técnicas e profissionais e oportunidades de trabalho. Assim o INATEL tenha seguidores e que os seus programas sejam aproveitados.
 
O plano é simples. O Inatel, que tem actualmente cerca de 800 funcionários distribuídos pela sua rede de unidades em todo o país, contrata em média, de forma temporária, mais 200 trabalhadores para responder às maiores necessidades sazonais da época alta do Verão. No Verão de 2016, Fernando Ribeiro Mendes, conta já ter ao serviço da Inatel refugiados como trabalhadores.
 
“Não estamos a falar de caridadezinha. Receberam formação específica, turística, cultural, hoteleira e também em idiomas e depois, provando as competências adquiridas, terão contratos de trabalho nas mesmas condições que cá têm os portugueses. Neste momento há uma onda de generosidade para lhes dar dormida e comida. Isso é essencial agora, mas depois de isso estar resolvido, o que farão? Pensamos numa via solidária orientada para a autonomização e independência criando oportunidades de trabalho”, ilustrou ainda Fernando Ribeiro Mendes.
 
O Inatel usará ainda na dinamização deste plano o seu contacto privilegiado com algumas cadeias de hotéis privados. “Vamos tentar criar também emprego em alguns hotéis com os quais trabalhamos”, disse o presidente da fundação. Com 16 unidades espalhadas pelo país e com um total de 800 camas, a fundação aproveitará os seus próprios recursos, nomeadamente os cursos internos de formação em hotelaria, para formar os refugiados nesse âmbito.
 
“Também arranjaremos formadores em língua portuguesa e inglesa”, apontou o responsável que, para já, não consegue indicar uma data concreta para iniciar a formação já que tal depende ainda das datas de chegada dos refugiados a Portugal que receberá cerca de 4500 pessoas.
 
Se o INATEL tem capacidade e vontade de levar por diante o Programa Aylan, tão ou mais importante é que este tipo de programas beneficie efectivamente os refugiados. Ora, este objectivo não será automático e pode encontrar dificuldades em se concretizar. Ainda não se percebeu como e onde serão acolhidos os refugiados e em que condições.

4 comentários:

Ze Muacho disse...

"O Inatel, que tem actualmente cerca de 800 funcionários distribuídos pela sua rede de unidades em todo o país, contrata em média, de forma temporária, mais 200 trabalhadores para responder às maiores necessidades sazonais da época alta do Verão. No Verão de 2016, Fernando Ribeiro Mendes, conta já ter ao serviço da Inatel refugiados como trabalhadores."

Quer dizer, 200 portugueses vão ser substituídos por 200 muçulmanos.

Boa, bem-visto!

Bartolomeu disse...

Cara Drª Margarida, louvo o espírito de solideriedade que ainda vai caracterizando a nossa raça.
Contudo, o nosso país possui condições para acolher os refugiados, proporcionando-lhes formas dignas de subsistência, sem ter de enviar mais portugueses para o desemprego. É nesta articulação e na adoção de medidas equilibradas, que em minha opinião terá de haver bom senso.
Aquilo que estranho mas que confirma a tendência para o "contraste", é o facto de surgirem espontâneamente medidas e soluções de caráter humanitário para acolher os refugiados mas, continuarmos a permitir que tantos portugueses existam em situações abaixo do limiar da pobreza e não se encontre uma solução solidária para os ajudar a reabilitar-se.
Como já referi anteriormente, o interior do nosso país acha-se desertificado. Essas regiões necessitam ser reanimadas, reativadas, reaproveitadas e nada melhor para isso, que aproveitar a vontade de integração dos refugiados, ceder-lhes terra para cultivar apoiando-os com meios para que possam iniciar uma actividade agricula ou de outros ofícios.
Quando afirmo isto, tento colocar-me na situação de alguém que se vê forçado a abandonar o seu país, que percorre milhares de kilometros em situação de risco trazendo consigo a família e que chega a um país pobre mas pacífico e esse país lhe oferece condições para se estabelecer e dar inicio a uma nova vida.
Lembro-me daquele fado antigo cantado por Amália Rodrigues "Uma casa Portuguesa".
Para quem já não se recorda, ou não conhece, aqui fica (em chinês, como convém):
https://www.youtube.com/watch?v=gfvn4SityrY

Margarida Corrêa de Aguiar disse...

Caro Bartolomeu
Compreendo e partilho das suas preocupações. Temos obrigação de fazer muito mais pelos nossos, os que estão e os que partem. É uma falta ou uma falha que temos obrigação moral e social de resolver. Mas é com este espírito que devemos abrir as portas àqueles que não tem onde, nem como viver.
Julgo que os refugiados deveriam ser selecionados em função das suas qualificações e necessidades de modo a serem úteis ao país e na certeza de que o país tem condições dignas para que recomecem uma nova vida. Tem de haver reciprocidade de interesses.
Estou a lembrar-me da Alemanha que tem falta de determinadas profissionais, por ex. engenheiros, e que certamente procurará criar oportunidades aos refugiados que contribuam para resolver o problema.

Bartolomeu disse...

Penso exatamente como a Drª Margarida no que diz respeito à utilidade da seleção dos refugiados, conforme as suas qualificações. Este critério e a sua aplicação resultariam certamente em grande benefício para os refugiados e para os países que os acolhem. Penso que o maior bem que se pode fazer a alguém é reconhecer-lhe as qualidades e fazer com que se sinta útil sobretudo nesta situação particular de acolhimento.