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quinta-feira, 26 de janeiro de 2017

Política do BCE: muitas dúvidas quanto à sua eficácia...


1.    Foi esta semana notícia a emissão de dívida obrigacionista pela EDP (Veículo EDP Finance) no montante de € 600 milhões, ao prazo de 6 anos, tendo conseguido uma taxa juro média de 1,9% na colocação.

2.    Em Agosto de 2016, a mesma Emitente tinha conseguido bem melhor: uma emissão de € 1.000 milhões, pelo prazo de 8 anos, taxa de juro média de 1,18%. O mercado da dívida para emitentes nacionais deteriorou-se, entretanto, como sabemos.

3.   Importa notar que a EDP exibe uma notação “investment grade”, superior portanto à do Estado Português, o que lhe permite obter melhores condições de financiamento – por uma emissão a 6 anos, o Estado Português teria que pagar hoje juro superior a 2%.

4.    Mas não é apenas a notação de risco (mérito da Empresa, naturalmente) que explica as condições muito favoráveis das emissões de dívida da EDP: também o facto de o BCE incluir a dívida EDP (bem como da REN e da BRISA) nos seus programas de compras de dívida (QE) explica as condições especialmente favoráveis em que essa dívida é emitida.

5.     Esta realidade constitui um factor adicional de pressão sobre a margem financeira dos bancos nacionais, numa altura em que estes se debatem com enormes dificuldades para equilibrar as suas contas de exploração.

6.     Defrontados com tal problema, a esses bancos não resta alternativa a não ser encarecer, por diversas formas, o crédito às empresas – PME em especial – que não têm qualquer hipótese de acesso ao mercado de capitais.

7.       E é desta forma que o BCE pretende estimular a actividade económica – uma forma que me deixa as moires dúvidas quanto à sua real eficácia.

 

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