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sexta-feira, 7 de dezembro de 2007

Mais vale um burro do que um incompetente...

No início desta semana fui apressadamente ao final da tarde fazer uma compra a um centro comercial localizado em plena Lisboa. Desloquei-me propositadamente a uma das lojas porque já é meu costume fazer ali algumas compras. A pessoa habitua-se a ir aos mesmos sítios porque já sabe com o que pode contar, vai confortável e satisfeita ao que procura, gosta do ambiente, encontra o que precisa, não perde muito tempo e é bem tratada.
Acontece que desta vez correu tudo mal! Ou melhor nada, absolutamente nada correu bem! O que se passou foi uma história hilariante que só vista é que se acredita.
O atendimento ao cliente que temos por cá está muito longe dos padrões europeus, em que a satisfação do cliente é o centro das atenções e, portanto, o pessoal é formado e treinado para agradar ao cliente desde o primeiro momento, com a preocupação de que depois volte e recomende aos amigos aquele sítio especial. A concorrência é grande e portanto não basta a qualidade do produto, a qualidade do serviço comercial é essencial. Esta estratégia mais tarde ou mais cedo acaba por dar bons frutos.
Conquistar o cliente é fundamental! Não perder um cliente é uma questão de sobrevivência! Infelizmente a história que presenciei é exactamente o oposto, é aquilo que não pode nem deve acontecer. É um retrato do que se vai passando aqui e ali neste País, com particular nitidez no comércio que se intitula de "moderno".
A falta de profissionalismo da actividade, a falta de formação e preparação do pessoal de vendas, a mediocridade do serviço, a desconsideração pelo cliente, a ausência de uma cultura de satisfação do cliente são aspectos que ainda não fomos capazes de sacudir.
Abeirei-me, então, das montras da dita loja, que já estavam decoradas com motivos natalícios, por sinal com muito bom gosto e com alguns pormenores interessantes que convidavam à entrada. Olhei de relance para o interior da loja e não vi ninguém, mas não me ocorreu outra coisa que não fosse entrar.
- Entrei e cumprimentei uma empregada (parecia) que estava sentada ao telemóvel num degrau da uma escada que faz a ligação à parte de cima da loja. De novo, voltei a dar as boas noites mas sem ter a sorte de uma resposta.
- Aguardei, então, que a empregada se dignasse acabar a conversa que corria de forma normal e a bom som, procurando encontrar nas prateleiras o que pretendia comprar. Como não estava exposto, questionei a empregada, que entretanto tinha descido do seu degrau, sobre se tinha em armazém o produto pretendido.
- Resposta imediata e pronta: não temos!
Iniciou-se então um longo calvário para levar por diante a minha pretensão.
- Não têm? Estranho muito porque ainda há três meses estava exposto!
- Pois é, mas agora já não há, já não se fabrica.
- Ai sim, respondi-lhe com um ar de quem não estava convencida da explicação. Agradeço então que me disponibilize o catálogo.
- Já está desactualizado, não vale a pena perder tempo, respondeu ela.
- Ai sim, exclamei eu, folheando o dito catálogo, acabando na página que interessava, ao que recebi a resposta de que agora já só por encomenda e no Natal nem pensar.
- Não vale a pena! Bem então vou levar uma alternativa. É capaz de me dizer os preços desta e daquela peça?
- Não sei, tem que esperar porque tenho que ir ver ao computador.
- Depois de uma espera que parecia infinita, lá fui informada e dei indicação para embrulhar.
- Comecei, então, a apreciar a arte de fazer presentes daquela empregada.
-Vi-me obrigada a intervir porque, depois de uma segunda espera pela caixa de acondicionamento de uma das peças, eis que a caixa não pertencia, era como que meter um quadrado dentro de um rectângulo.
- Informei a empregada que não era correcto.
- Perante a resposta de que não havia nada a fazer, só podia ser aquela caixa, desisti da peça.
- Enfim, lá prosseguiu com o embrulho da segunda peça que ficou com um laço à banda, que me obrigou a uma intervenção manual, ali mesmo, para pôr as fitas no seu lugar.
- Quando vou para pagar, a empregada pergunta-me se pretendia ter um talão para troca, ao que lhe respondi que ali na loja não era costume esse sistema, mas se assim era o que seria normal era o talão ficar dentro da caixa.
- A resposta não tardou a chegar: pois é esqueci-me e agora já não há nada a fazer.
- Quando vou para assinar o talão da compra, o que é que eu constato? Que afinal estava a pagar duas peças, quando tinha desistido de uma delas.
- Aí, já sem paciência, perguntei à empregada se ela sabia o que estava a fazer exactamente na loja e se por acaso tinha reparado que estava a atender um cliente.
- Resposta sempre pronta, sem o mínimo sinal de nervosismo: sabe é muita coisa!
- Ai sim, é muita coisa! Então como é que vai agora resolver o problema? Tive que entrar em explicações até acabar por a convencer a devolver a diferença em dinheiro.
- Finalmente pedi à empregada para deixar o saco na loja por dez minutos e voltaria para o apanhar.
- Foi então que me disse que não dava jeito pois tinha que sair, mas acabou por aceder.
Quando regressei, cumprindo escrupulosamente os dez minutos que me tinham sido determinados, qual não foi o meu espanto que vejo cá de fora a empregada a experimentar uma camisa comprida em frente ao espelho.
- Percebi que não havia nada a fazer. Entrei, peguei no saco e deixei para trás uma história verdadeiramente de incompetentes... Podia ser de burros. Mas não, porque destes acabamos por ter pena. São tão simpáticos... Ainda fui a sorrir até ao carro porque confesso tive vergonha de rir da miséria comercial a que tinha acabado de assistir.
De quem é a culpa? O que é que se passa? Como é que é possível? Onde é que vamos parar?Perguntas que me pergunto, que obviamente hão-de ter uma resposta...

21 comentários:

Massano Cardoso disse...

Os burros que conheci não eram nada burros antes pelo contrário e muito "competentes"! Quando os carregavam em demasia, por exemplo, não andavam. Carregasse o dono!
A empregada cujo comportamento relata não chega aos "calcanhares" dos burros...

Paulo Porto disse...

Obviamente que não se contesta a sua razão de queixa. Alguém sem preparação para a função atendeu-a de modo incompetente.

Agora falta avançar no assunto. O que faz com que estas coisas aconteçam cada vez com mais frequência entre nós?

Ensaiemos uma hipótese: a empregada que a atendeu ganha €500 mês. Tem de trabalhar 2 ou 3 sábados e domingos por mês. Se esta pessoa tiver filhos, isto significa que só pode passar com eles um dia seguido 1 ou 2 vezes em por mês, de resto só os vê à noite.

Continuemos com a hipótese: para ganhar €500 por mês e poder estar com filhos um fim de semana por mês, esta empregada não qualquer necessidade ou motivação para desempenhar bem a sua função; empregos destes encontra ela com alguma facilidade.

A seguir podemos continuar testar esta hipótese pelo lado do empregador. Entretanto, para não termos trabalho em vão, confirme se a hipóstese acima é válida.

Paulo Porto disse...

O comentário de Massano Cardoso, acima, tem aquela particularidade rara de dar a resposta a um assunto apesar de o autor não se ter apercebido de que o fez. Vejamos:

"Quando os carregavam em demasia [os burros que Massano Cardoso conheceu] ...não andavam. Carregasse o dono!-"

Certo. É que parece que foi isso mesmo que a tal empregada fez a respeito do empregador. Pense bem e veja se, afinal, não encontrou a solução do enigma. Pode ter sido sem querer, mas se calhar encontrou.

Margarida Corrêa de Aguiar disse...

Caro Professor Massano Cardoso
Como refere o Caro Paulo Porto o seu comentário acaba por nos dar uma pista "freudiana".
Gosto dos burros porque embora sendo animais preguiçosos e teimosos são dóceis e tímidos. A teimosia e a preguiça fazem parte do seu código genético, não fora a ausência de educação para o trabalho e a "carga" a que muitos são sujeitos quando já adultos. Acontece com os animais e pelos vistos também com as pessoas!

Caro Paulo Porto
Excelente raciocínio lógico!
Temos razões para nos preocuparmos com a "desqualificação" que volta agora, em alguns sectores, a aparecer com uma enorme facilidade.
O comércio, como aliás muitas outras actividades económicas, só sobreviverá se for capaz, por maioria de razão, de prestar um serviço de qualidade. Vender nos tempos que correm é uma arte, uma arte de bem servir, de bem satisfazer, de bem cativar, de bem impressionar. Sem clientes não há negócio!
Remunerações baixas são sinónimo de subdesenvolvimento. O trabalho qualificado custa muito dinheiro, mas é aqui que está a semente de um retorno elevado.
O empregador daquela empregada poupará no curto prazo e à boleia do Natal até é capaz de vender alguma coisa. Mas de seguida vai ter problemas porque sendo certo que no mercado há centenas ou milhares daqueles "trabalhadores" disponíveis para rodarem com salários de miséria, e portanto não há escassez de mão-de-obra barata, mais certo ainda serão os efeitos negativos para a sua imagem. A estratégia seguida não é compensadora. Estamos a cavar um buraco. E digo estamos porque o problema é colectivo. Se o mercado funcionar, isto é, se a concorrência fizer melhor do que ele, este empregador deixará de vender!
Ainda que pagando salários muito baixos não se compreende como é que uma marca nacional de renome – é o caso – se permite não assegurar os mínimos, não garantindo uma formação de base e algum incentivo para um adequado desempenho. Lamentavelmente, há aqui um sentido de oportunismo e uma falta de oportunidade que vamos pagar caro.
Estamos realmente a viver uma crise muito complicada…

PA disse...

Só um diagnóstico em concreto, para compreensão, de tão mau atendimento ao cliente, permitiria avançar com hipóteses de solução do problema.

Talvez uns módulos sobre relações interpessoais, relações públicas, motivação, ajudassem a resolver este mau atendimento.

Cara Margarida, as pessoas são muitas vezes recrutadas, sem serem aferidas as suas reais competências.

E depois é o que dá ...

O problema é provável que não começa na "pikena" ... :-))), mas antes de mais, no gerente, responsável, dono, da loja.

É só uma opinião, "e sem rede" (!!!), porque cada caso é um caso.

abraço

Paulo Gorjão disse...

Cara Margarida Corrêa de Aguiar, como seu leitor, aquilo que me interessa é o seguinte: fez queixa? Solicitou um número de telefone para falar com um superior hierárquico? É que se não fez nada disso, na sua qualidade de consumidora, faz parte dos consumidores passivos, que são também parte do problema.

Bartolomeu disse...

Nem tudo tem resposta cara Margarida, porque cada vez mais, a resposta possívelmente coerente , perde-se num emaranhado de razões sem razão.
Se fosse possível reinventar o mundo e dotar as pessoas de uma consciência e uma atitude comuns, parÂmetrizadas, iríamos certamente assistir a uma sociedade autómata e alienada.
A atitude da mocinha desatenta, que a atendeu, é em parte o reflexo de uma nova forma de estar, alienada, sem dúvida, se comparada com os parâmetros que balizaram a formação do nosso intelecto.
Não podemos afirmar porém, que nós ou eles é que se encontram no lado certo, penso até que nos compete a nós, pugnar pela manutenção do equilíbrio entre o nosso presente e o futuro deles.
Como sempre , a experiência tem-nos ensinado que na conciliação se encontra a solução e, sem que se perca o sentido da sensatez, é necessário ir acompanhando as mudanças e fazendo alguns ajustes, sem no entanto deixar de exigir competência e educação.
Burros, ma non troppo!!!
;)))))

invisivel disse...

Cara Dra. Margarida Aguiar:

Confesso que já há muito tempo não via um focinho de burro(a) tão simpático. Que lindo animal!

Este seu post põe em evidência uma situação que parece estar a tornar-se regra, a saber: a falta de profissionalismo, a falta de educação e até a falta de bom-senso das pessoas que nos atendem nas lojas.

Há tempos, numa das lojas (da Ana Sousa), onde habitualmente acompanho a minha mulher para fazer as suas aplicações financeiras (!?), interroguei-me do motivo que levava aquelas empregadas, aparentemente entregues a si próprias, a serem tão simpáticas, tão solicitas e disponíveis, e sobre o que as faria “mexer” assim tanto.
Vai daí, aproveitei o momento das provas, e amando-me à pikena:
-Desculpe lá, mas vocês são compensadas por este mexer sem parar, este tira-põe sem enfado e sempre com esse sorriso tão bonito?
-Bem… é a nossa obrigação, mas somos compensadas sim senhor porque além do ordenado base recebemos comissões sobre as vendas.

Não há dúvida que o maldito dinheiro faz milagres, pensei eu...

Bartolomeu disse...

voltei, para deixar um tema dos 4 non blondes ;))) "What's Up" parece-me que ilustra bem o assunto do post da nossa amiga Margarida.
http://www.youtube.com/watch?v=mXcQGsoDkDk
pssssiu... estão sózinhos?
Então ponham o som bem alto e deixem o corpo responder ao rítmo e ao som.
hmmmmm
sensação boaaaaa, não acham?
;))))

David R. Oliveira disse...

Ao senhor Paulo Porto
e que tal, quem ganha 500 eurios por mês, procurar fazer valer o sua competência e zelo profissional de molde a tentar ganhar 600 eurios?
Custa muito?! é melhor desistir ou levar a peito o aforismo do "tal dinheirinho, tal trabalhinho" e com jeito, no limite e com um jeitito do patrão, mais um ano a subsídio de desemprego. Mentalidades! essa leva-nos, vê-se!, longe.
David Oliveira

PA disse...

não resisto a dizer que, há comentários no 4R, que são um "must", por ordem ...

O Invisível:

"Há tempos, numa das lojas (da Ana Sousa), onde habitualmente acompanho a minha mulher para fazer as suas aplicações financeiras (!?), ..."

Desatei a rir.... com a expressão "aplicações financeiras" !!! :-)))))


O Bartolomeu:

Absolutamente "Sui Generis", na sua forma de estar.
Obrigada, pela música. É para a Margarida, mas eu tb gostei de ouvir.
Será que a empregada que atendeu a Cara Margarida era assim do tipo da vocalista ??? hummmm, duvido ...

Anónimo disse...

Claro que os clientes são uns "chatos". Costumo dizer que "nós" é que estamos a fazer um favor ao comerciante e funcionário. Não o contrário. Já agora Sr. Paulo Porto, alguém tem culpa de aturar outra pessoa, que só lá está porque quer? Quem obriga(ou) essa funcionária a estar onde está? Somos (seremos?) um país livre. Quanto ao que anda a acontecer neste país (com "p" minúsculo) é fácil entender. Basta recuar 34 anos, depois mais 48, depois mais 16, depois mais ... É endémico. Somos uns pobres coitados. Que, tal como os burros, só somos bons a carregar ... o que os outros desdenham.

just-in-time disse...

Cara Margarida

Então, e o livrinho de reclamações, não se lembrou dele. Olhe que opera milagres!
Mais do que burrice, parece-me imbecilidade. Mas lembre-se que a diferença entre um(a) imbecil e um(a) maldoso(a) é que o(a) primeiro(a) nunca descansa e, por isso, não se justifica que nos esforcemos muito.
O logista também não me parece muito dotado. E os consumidores lá se vão sujeitando a tudo!

Margarida Corrêa de Aguiar disse...

Caros Comentadores,
Apesar das "desgraças" o que vale é que somos construtivos e não nos falta boa disposição. É realmente um prazer ler e escrever neste espaço...

Cara Pézinhos n' Areia
Algumas das nossas "saídas" são mesmo divertidas e as suas são bem engraçadas...
O problema começa e acaba numa série de "pontas". Há um novelo "emaranhado" de causas-efeitos que vai sendo cada vez mais complicado de desenrolar. Muitos dos problemas que atravessamos por terem uma dimensão macro só podem ser resolvidos se cada cidadão perante uma situação concreta procurar assumir correctamente as suas responsabilidades.
Nesta história hilariante cada parte deveria e poderia fazer melhor...

Caro PG
Seja bem aparecido! Não costumo cruzar os braços quando me confronto com situações em que não sou correctamente tratada ou quando os meus direitos não estão a ser respeitados ou os meus interesses estão a ser lesados. Como sei a quem pertence a loja – trata-se de uma marca conhecida – não estive para meias medidas e falei com a Direcção. Não vou contar o teor da conversa mas devo dizer-lhe que foi grande a atrapalhação!
Cada vez mais a qualidade da prestação de serviços dependerá do nível de exigência dos consumidores, o qual evidentemente depende de muitos factores. Não me vou alargar nesta matéria, mas a realidade mostra-nos que os consumidores portugueses reagem muito brandamente e muitas vezes nem se quer se sentem lesados... Ainda há um caminho grande a percorrer.

Caro Bartolomeu
Adorei o seu "Wath' s up" e os gritos "What' s going on?" e "I' ll try all the time" que não podiam encaixar melhor.
Pelo menos esta vocalista sabe cantar! A "pikena" é capaz de acabar num qualquer grupo de rock aos pulos e aos saltos mas sem direito a “youtube”!
Vamos sempre acabar na questão da educação e formação. A nossa geração tem a enorme responsabilidade de dar aos nossos jovens, como a "pikena" da loja, o melhor desenvolvimento pessoal e profissional. Não podemos sacudir a "água do capote" e assobiar para o lado como se não tivéssemos nada a ver com o assunto. Não podemos permitir que os jovens cresçam num ambiente de alienação, porque independentemente das gerações há valores e princípios que são imutáveis! Ora esta preocupação é ela mesma preocupante. Porque o tempo está a passar e a vida também…

Caro invisivel
Confesso que me deu algum trabalho encontrar um burro irresistível pela sua simpatia. Acho que é um burro, mas também pode ser uma burra. A simpatia não tem sexo. É que os burros são mesmo uns animais dóceis. Adorava nos tempos de criança passear nas alcofas dos burros.
Caro invisível, adorei a sua ida às compras. Não admira que as "pikenas" estivessem sempre a sorrir! Afinal não é todos os dias que se trabalha numa loja de "aplicações financeiras"! Sempre fica algum "feezito"! Pelos vistos o investidor dessa loja tem visão...

Caro David Oliveira
Seja muito bem vindo! Concordo totalmente com o seu comentário. Vou mais longe ao dizer que mesmo com 500 euros por mês nada justifica o comportamento daquela empregada.

Caro TurmaPOB
Seja muito bem vindo! "Somos uns pobres coitados" que não há meio de se capacitarem que assim não vão longe...
Como comentava com muita graça o Caro Professor Massano Cardoso, os burros ao menos são "competentes" na gestão da sua carga!

Margarida Corrêa de Aguiar disse...

Caro just-in-time
Imbecilidade!? Sim, é uma boa hipótese!
Antes fossem burros. Os burros são preguiçosos e teimosos porque são desprezados enquanto "jovens". Em chegando à idade adulta é-lhes imposta a ditadura da "carga" sem nunca terem sido ensinados. Claro que depois reagem mal! Mas não são maldosos, nem imbecis. São até espertos ao recusarem ser "explorados". E acima de tudo, são simpáticos!
O dono e a empregada da loja por apresentarem algum défice de inteligência podem ser considerados uns imbecis. E a imbecilidade é difícil de curar!
Enfim deve-lhes ser indiferente o que os clientes que vão ao engano à sua loja acham ou deixam de achar.
O que eu acho é que incompetentes, imbecis, maldosos ou burros não vão ter grande futuro. Rezemos para que não sejam muitos...
Já me esquecia do pormenor do Livro de Reclamações. Lá se foi mais um motivo para uma multa da ASAE. Que pena!
Falando a sério, seria quase impossível transcrever para o Livro de Reclamações a história tal e qual aqui a escrevi. Optei por falar com um responsável da empresa detentora da marca em causa... Se vai dar em alguma coisa não sei, mas que incomodou não tenho dúvidas!

just-in-time disse...

Cara Margarida

Pensando melhor, temos um paradoxo e, depois, tudo se conjuga harmoniosamente.
É o paradoxo nacional da transferência acelerada do comércio de proximidade para o comércio concentrado em "grandes espaços".
Este têm lógica nos EUA, onde a maioria das pessoas vive em vivendas e a vida é quase impensável sem automóvel.
Mas já em cidades como Paris, ou Roma, o pequeno comércio continua a ser a regra e uma delícia.
Em Portugal, apercebi-me há pouco tempo, existe uma corrida desenfreada aos espaços disponíveis nesses templos ao consumo. Essa corrida e competição ferozes são tanto mais suspreendentes quanto o custo de entrada e os pagamentos mensais são elevadíssimos, ao que acresce a obrigatoriedade de manter o espaço aberto na totalidade do horário do próprio centro, o que implica três turnos de pessoal.
Depois, para "criar valor para o accionista", é indispensável contratar o pessoal mais barato e, aí, vamos apanhar a geração que apanhou muitas reformas do sistema educativo, trata toda a gente por sr. Zé ou sra. Maria e para quem tudo são exigências despropositadas.
Como vê, bate tudo certinho, excepto que não se vejam mais falências!

Margarida Corrêa de Aguiar disse...

Caro just-in-time
Partilho da sua análise. O comércio de proximidade, também conhecido por comércio tradicional, tem vindo a morrer aos bocadinhos, à medida que a geração que o promoveu e dele se serve vai desaparecendo, perante a avalanche de grandes superfícies que continuam a crescer de uma foram quase incompreensível.
É uma perda grande o seu desaparecimento porque com ele morre uma parte da nossa identidade e o meio humano e ambiental fica descaracterizado. Mas a verdade é que parece que as pessoas já só se sentem bem no meio do "grande" porque é aí que encontram todas as suas fantasias mesmo que o dinheiro não seja suficiente para lhes chegar.
No bairro onde vivo, situado numa zona antiga de Lisboa, subsistem ainda algumas mercearias, padarias, tabacarias, drogarias, leitarias e até um sapateiro. Estes estabelecimentos são verdadeiras relíquias, muito apreciados por todos os que aqui vivem, novos e velhos, pelo contacto humano e comercial que permitem, o movimento que originam, a entreajuda que proporcionam e a vivência bairrista que propiciam. Mas não sei por quanto tempo mais! As pessoas que estão à frente destes estabelecimentos, já de idades avançadas, é aqui que vão buscar os parcos rendimentos que lhe permite fazer face às baixíssimas pensões e a alguma pequena poupança desgastada pelo tempo. São pessoas muito educadas e respeitadoras e que nunca tiveram acesso às reformas do sistema educativo que em muitos aspectos conseguiram o feito extraordinário de deseducar!
Pegando nas suas últimas palavras meu Caro just-in-time, parece-me que as "falências" ainda vão no adro...

Paulo Porto disse...

Cara Margarida

Correndo o risco de chegar ao post quando este já perde força, concordo em absoluto com a perspetiva que coloca no seu primero comentário.

Parece que o assunto tem essencialmente a ver com cultura empresarial. No caso, uma cultura empresarial de desleixo e incompetência. É que, se notar bem, como cliente foi desrespeitada duplamente: (1) pela tal funcionária sem aptidão ou formação ou motivação (ou tudo isto junto) para estar ao balcão; (2)por uma gerência que tinha a obrigação de não permitir que alguém nestas circunstâncias se mantenha naquelas funções há já algum tempo, tanto quanto se pode perceber a partir do seu post.

É interessante a comparação que se pode estabelecer com o caso relatado pelo comentador ‘invisível’

Paulo Porto disse...

Caro Daniel Oliveira

Julgo que entendeu mal a minha perspetiva do problema ou, o que desde já aceito, eu não me exprimi por forma a ser entendido corretamente.

Esta situação de incompetência alimentando salários baixos e vice-versa reflecte a nossa latinidade, isto é: ‘se algo está errado a culpa é do outro; não posso fazer nada acerca disso excepto recriminá-lo’. Desde há 2 para 3 séculos que esta nossa postura de Sul da Europa faz com que sejamos os permanentes atrasados em relação aos povos do Norte da Europa e da América do Norte.

Neste caso, nas culturas anglo-saxónicas e germânicas, a postura é de auto-responsabilização e interesse. Diante de um problema ninguém diz ‘se alguma coisa está mal, a culpa não é de quem manda, é de quem é mandado, esses marotos’ enquanto se acomoda melhor no assento. Pelo contrário, as pessoas dizem: ‘Algo errado está a acontecer, mas certamente eu posso fazer qualquer coisa para o corrigir’ enquanto levantam e assento do assento e se preparam para agir procurando soluções baseadas na cooperação e no brio de todos.

Afinal, não por acaso os portugueses a trabalhar no estrangeiro ganham melhor do que cá e são tidos por produtivos e empenhados, por contraposição ao que se passa em Portugal.

Unknown disse...

Sobre a incompetência da empregada o Sr. Paulo Porto faz um raciocínio muito interessante. Contudo a falta de simpatia com que frequentemente lidamos (e não é só nas empregadas das lojas) é que me parece-me muito preocupante.

Jorge Garcia Pereira
www.loucomotiva.com

Margarida Corrêa de Aguiar disse...

Caro Paulo Porto
Cá estamos ainda com forças para discutir os burros e os incompetentes.
Lembra muito bem que os portugueses que vivem no estrangeiro são excelentes trabalhadores, e também empresários de sucesso, com níveis de desempenho muito apreciados. E porquê? Porque estão inseridos em organizações bem geridas e em mercados que funcionam. A questão da liderança é um ponto fundamental. Portugal continua a registar um défice de cultura de gestão e de cultura de risco. É por isso que o investimento na educação e na formação é tão fundamental! Pessoas mais bem preparadas serão mais capazes e mais exigentes não apenas em relação aos seus negócios e ao seu trabalho mas sobretudo em relação ao País que querem ter!

Caro loucomotiva
Seja muito bem vindo!
A simpatia e a hospitalidade que nos caracterizam são qualidades que nos distinguem. Por isso seria preocupante que estas mais-valias do nosso código genético fossem ameaçadas.